"Presidente regional do PTC, suplente de senador Walter Damasceno, disse ontem que o candidato da Frente da Cidadania ao governo, ex-deputado federal Marcio Bittar (PPS), disputa a eleição com uma quadrilha e, ao mesmo tempo, com uma organização criminosa."
Vale tudo! Além de achincalhar a justiça eleitoral, acusando-a de parcial, a oposição chama seus adversários de quadrilheiros e criminosos. Eles devem estar certos da vitória. Também devem estar achando que a justiça "está" com eles. Ninguem faz nada, ninguem reage...quem cala consente!
"Todo mundo sabe que há uma guerra interna na PF, que há uma republicana e outra “reputucana”, que agiu, por exemplo, na divulgação das fotos de dinheiro obtidas no escritório de Roseana Sarney, em 2002, fazendo sua candidatura naufragar em favor da de José Serra.
Pela oportunidade do fim de campanha, a obtenção dessas fotos lembra também a armação de 1989, quando os seqüestradores do empresário Abílio Diniz foram forçados a vestir camisetas do PT, e o partido foi responsabilizado pelo crime, com cobertura espalhafatosa e incriminatória em toda a mídia conservadora nacional."
Sobre como a mídia conservadora conseguiu fotos do dinheiro que serviria para comprar o dossiê Vedoin/Serra/Barjas Negri.
HELICOPTERO FEZ POUSO FORÇADO. ADIVINHEM DE QUEM É A CULPA?
PARA O PSDB-PFL O CULPADO É O PT!
GRANDES REDES DE COMUNICAÇÃO VÃO DEIXAR A ENTENDER A MESMA COISA!
Eles não desistem. Ontem, o fato para prender a atenção da população foram as fotografias do dinheiro que seria usado para comprar o dossiê em que José Serra aparece confabulando com os deputados sanguessugas e os inventores do esquema, membros da família Vedoin.
Hoje, o novo fato seria o incidente com o helicóptero que levava o presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o candidato ao governo de Alagoas pelo PSDB, senador tucano Teotônio Vilela Filho, e seu vice, José Wanderley Neto.
Sem pestanejar, sujos e assustados com o incidente, os passageiros e piloto, liderados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, alegaram que irão acionar o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, por suspeita de sabotagem.
Claro que a Globo correu para dar destaque a este fato. A maior esperteza da emissora é que está fazendo os repórteres falarem desse inexpressivo incidente junto com comentários sobre o acidente da Gol. Primeiro falam do helicóptero e depois do acidente com o avião da Gol. É para dar ibope já que todo mundo quer saber o que se passou com o avião da Gol. Só no Brasil...
Alguem precisa avisar a Renan Calheiros (e o resto da imprensa a serviço do PFL-PSDB) que quem investiga acidentes aéreos no Brasil não é o Ministério da Justiça e nem a PF. É o CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão ligado ao Comando da Aeronáutica. Lá não tem político e politiqueiros. Seus técnicos altamente capacitados e sérios têm um único objetivo: mostrar a verdade, para salvar vidas no futuro. Portanto, politicagem lá não tem vez.
Portanto leitores, esperem para hoje a noite, os cardeias do PFL-PSDB nos principais telejornais e edições em internet dos jornais (ou seus asseclas que se passam por jornalistas escrevendo em Blogs associados), dando amplo destaque, sugerindo que o culpado pelo incidente seria alguem do PT. E que Thomaz Bastos tem que assumir a investigação...
Claro que depois que for descoberta a real fonte do problema, a mesma imprensa não vai dar o mesmo destaque, nem irá pedir desculpas aos telespectadores e leitores pela "barrigada".
A ironia de tudo é que há pouco mais de uma semana, no dia 19, um helicóptero que levava o coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Ceará, Ilário Marques, e mais três pessoas, caiu em em Guaiúba (região metropolitana de Fortaleza).
Ninguem do PT se arvorou em culpar o PSDB. Nem adiantava pois se tivessem sido maliciosos, não teria dado manchete e chamadas em telejornais...
O azar da imprensa a serviço do PFL-PSDB é que ontem caiu o avião da Gol. Agora vão ter que passar o resto do dia tendo que mostrar fotos, fatos, entrevistas, etc, sobre este acontecimento lamentável. Vão fazer a contragosto.
Devem estar falando - sobre o acidente da Gol estar atrapalhando o plano deles: que m...!
Vinho de bacaba (Oenocarpus mapora H. Karsten) é tão bom quanto o de açai. Vejam que meus amigos desta localidade no Rio das Minas (tributário do rio Juruá), estão "brigando" pelo cacho com frutos madurinhos...
A bacaba é uma palmeira botanicamente classificada no mesmo grupo do "patauá" e do "bacabão". É uma espécie muito abundante nas florestas acreanas, mas a oferta de frutos nos mercados das cidades acreanas é incipiente. Uma pena.
Quantas espécies de bacaba existem?
Quem vive no Amazonas sabe que lá também tem bacaba. No Pará, em Rondônia. Até na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso!
O nome bacaba tem sido aplicado a algumas espécies diferentes de palmeiras pertencentes ao gênero Oenocarpus: Oenocarpus bacaba (distribuida por toda a amazônia), Oenocarpu mapora (ídem), Oenocarpus balickii (Acre e região adjacente no Peru), Oenocarpus minor (sudoeste da Amazônia) e Oenocarpus distichus (toda a Amazônia e cerrado).
Já tive a oportunidade de ver, em seu ambiente natural todas elas. Mas ainda faltam a Oenocarpus makeru, Oenocarpus circumtextus e, a mais nova espécie do gênero: Oenocarpus simplex. As duas primeiras conhecidas de uma única localidade (La Pedreira, Rio Caquetá) na fronteira do Brasil com a Colômbia. A última é encontrada na Colômbia e ao longo do Rio Negro.
Quem quiser conhecer bacaba, informo que existem dezenas de pés plantados em residências de nossa cidade. No PZ da UFAC existe um plantio com mais de 20 plantas adultas e produzindo.
Lógica de favores, conexões globais, necessidade de forçar o cumprimento das leis e o ciclo vicioso da ocupação da amazônia que resulta no domínio privado do poder público Parte 2 Dr. Carlos Walter Porto-Gonçalves (*)
A Amazônia, por ser a região que tem a maior proporção de terras públicas disponíveis é, por isso mesmo, a região onde o conflito é mais intenso. Mas esse não é um problema específico da Amazônia, pois são enormes as extensões de terras públicas sob domínio privado em todos os estados brasileiros, como não se cansa de chamar a atenção o Dr. Ariovaldo Umbelino de Oliveira, geógrafo e professor da USP. A diferença amazônica é que, até recentemente, as terras estavam ocupadas por populações originárias, camponeses e quilombolas que, por serem filhos de ninguém e não filhos de alguém (fidalgos), nunca tiveram suas terras consagradas pelo poder público e, agora, isto é, desde a década de 1960, vem sendo alvo de ocupação por parte de grandes investimentos por parte dos pecuaristas, dos madeireiros, dos agro-negociantes e de outros grandes grupos empresariais da área de minérios, de turismo e dos eco-negociantes. Enfim, ali na Amazônia, a estrutura de poder ainda não está consolidada como nas outras unidades da federação. Ali, na Amazônia, as estruturas de poder ainda estão em construção, mas contém todas as características com que se formou no resto do país e que, ainda hoje, está subjacente às nossas estruturas de poder. Ou, então, como se explica que se estruture de dentro da cadeia um dos mais sofisticados complexos de poder do país, como é o caso do PCC em São Paulo? É o que demonstra a fina análise do sociólogo José Cláudio de Souza Alves em sua tese de doutorado defendida na USPintitulada Dos Barões ao Extermínio[4] que nos dá conta de como na Baixada Fluminense e no estado do Rio de Janeiro foram tecidas as relações sociais e de poder que se reproduzem por meio da violência e sua fonte estrutural a impunidade.
A impunidade, vê-se, não é algo acessório que possa ser eliminada mantendo-se intacta as relações sociais e de poder que se estruturaram com base no poder privado. Eis o dilema em que se encontram tantos que, de boa fé, bradam pelo fim da impunidade. A impunidade não é um fim. É um começo e, por isso, são inócuas as campanhas para acabar com ela sem que enfrentemos as estruturas que por meio dela se conformam. Na Amazônia é como se estivéssemos diante de “cenas de política explícita” para parodiar os filmes pornôs que nos parece a melhor metáfora para entender as relações sociais e de poder entre nós, brasileiros. Mas só tem sentido essa metáfora de “cenas de política explícita” se considerarmos que ela complementa o seu par necessário, qual seja, de que nas demais unidades da federação não-amazônicas temos cenas de política implícitas, isto é, já subjetivadas, incorporadas, naturalizadas.
Se tiver algo de positivo no recente episódio da prisão de autoridades ligadas aos três poderes no estado de Rondônia, isto se deve ao fato de iluminar os limites que, entre nós, temos para por fim à impunidade. Assim, mais do que dizer que a questão social é um caso de polícia, é preciso dizer que no Brasil a política, cada vez mais, se torna um caso de polícia. Talvez por isso, o Ministério da Justiça, o mais republicano dos ministérios do atual governo, em si mesmo um governo pouco republicano como os escândalos do mensalão e o triste fim da CPI do Banestado nos mostram, sob a responsabilidade do Dr. Marcio Tomás Bastos, se destaque tanto através do desempenho da Polícia Federal. A Polícia Federal talvez hoje a instituição brasileira de maior prestígio. Não poderia ser pior o retrato de nossa não-república.
Enfim, parodiando o poeta não só o Haiti é aqui, Rondônia também é aqui se é que queremos não nos esconder de nós mesmos.
(*) Doutor em Geografia e Professor do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense, Membro do Grupo Hegemonia e Emancipações de Clacso. Ex-Presidente da Associação dos Geógrafos Brasileiros (1998-2000). Membro do Grupo de Assessores do Mestrado em Educação Ambiental da Universidade Autônoma da Cidade do México. Ganhador do Prêmio Chico Mendes em Ciência e Tecnologia em 2004 é autor de diversos artigos e livros publicados em revistas científicas nacionais e internacionais, em que se destacam: - “Geo-grafías: movimientos sociales, nuevas territorialidades y sustentablidad”, ed. Siglo XXI, México, 2001; “Amazônia, Amazônias”, ed. Contexto, São Paulo, 2001; “Geografando – nos varadouros do mundo”, edições Ibama, Brasília, 2004; “O desafio ambiental”, Ed. Record, Rio de Janeiro, 2004; “A globalização da natureza e a natureza da globalização”, Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2006.
[4] Publicada em livro pelo SEPE-RJ - Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro. É uma pena que uma editora com boa distribuição nacional não tenha se interessado em publicar essa tese-livro.
"Olho vivo, portanto. Essa pré-disposição de tucano-pefelistas-jornalismo conservador mostra que o verdadeiro foco do debate de hoje deve ficar também para amanhã: se trata tanto de saber como será o debate como que uso a frente conservadora fará dele na mídia. Vai se reeditar a vergonhosa manipulação de 1989?"
DIOGO MAINARDI DISSE: "NÃO SABIA QUE O ACRE TINHA INTERNET..."
"Você enfrenta mais de oitenta processos individuais num tribunal do Acre por ter dito em maio, durante o programa Manhattan Connection, que o Estado não vale um pangaré. Você não superestimou o valor do pangaré?
Mainardi: Consultando o site do tribunal do Acre, descobri que, na verdade, enfrento cento e quarenta processos. Eu nem sabia que o Acre tinha internet".
Trecho da entrevista do colunista para o site Nova Corja, 18/09/2006
Nota do blog: A entrevista foi publicada no dia 18/09, e deve ter sido realizada alguns dias antes. Pelo tom de cahcota, ele não está nem aí com os processos. Retratação jamais? De qualquer forma, acho que cedo ou tarde ele vai ter que tomar uma atitude. Vai que mais 100, 200 pessoas decidam ingressar na justiça? Nos EUA, onde dinheiro é tudo, casos como esse são decididos na base da grana que o perdedor tem que pagar para os ganhadores. O Brasil caminha na mesma direção. Se Mainardi gosta de grana (e acho que gosta), ele vai ter que fazer alguma coisa e logo. A conta do placar financeiro é a seguinte: R$ 7.000,00 x 140=R$ 980.000,00
O artigo abaixo, de Flávio Aguiar (Agência Carta Maior), deixa mais do que claro que o debate promovido pela rede Globo teria sido, se o presidente Lula tivesse participado, um verdadeiro massacre. Discussão de propostas não estava no script.
Na ausência de Lula, deu para ver o que os outros candidatos pretendem fazer, na improvável hipótese de um deles vir a ser eleito Presidente. Isso foi bom. Mesmo assim eles ainda ensairam um massacre virtual do Lula, mostrando por longos segundos a cadeira vazia com o nome de Lula. A coisa estava tão bem arquitetada que a promotora do debate (Globo) permitiu que se fizessem perguntas a uma pessoa que não estava presente, e deixou, propositalmente, o nome do ausente. Se todos sabíamos que o Lula não iria, porque a Globo insistiu em agir daquela forma. Ai tem coisa.
A resposta: estava tudo armado. O debate seria um palco no qual a direita conservadora do país (PSDB e PFL) pretendia, com apoio massivo da mídia nacional, desqualificar o candidato do PT perante a opinião pública brasileira, induzindo os eleitores a votar em seu candidato na esperança de levar a eleição para o segundo turno.
O fato de Lula não ter ido ao debate vai deixar estes conservadores ainda mais desconcertados. Se pudessem, eles teriam colocado um fantoche ou fariam um judas de Lula para poder apedreja-los durante o debate...Isto não é democracia. Deixem o povo decidir livremente quem ele quer para presidente da república!!!
SÃO PAULO - Boletim meteorológico de hoje: mídia conservadora continua a martelar imagens e afirmações constrangedoras para petistas. Conteúdo do dossiê Vedoin/Serra/Barjas permanecerá em banho-maria. Tenta-se criar um clima de constrangimento ao Presidente, calcando a possibilidade de erros que venham a favorecer adversários. A questão principal, portanto, é menos o debate em si e mais a manipulação que se fará dele.
Diante dos resultados das últimas pesquisas (Datafolha, Ibope, CNT/Sensus) as partes envolvidas preparam-se para o último esforço. A direita, seja a coligação PSDB/PFL, seja a de seus arautos na mídia, prepara-se para agir onde se sente mais à vontade: na imprensa. As ações continuadas são:
1) Martelar sem tréguas imagens, afirmações, que comprometam o PT com o caso do dossiê
2) Manter em banho Maria a questão do conteúdo do dossiê;
3) Criar continuadas suspeitas sobre a lisura da ação da PF e focar as iniciativas de procuradores e do Ministério Público que ajudem a criar um clima de prévia condenação dos petistas, como o enigmático pedido de prisão preventiva dos membros da Operação Tabajara por parte do procurador Mário Lúcio Avelar, que primeiro pediu a prisão, depois negou que tivesse pedido, para afinal reconhecer que pediu;
4) Criar ao longo do dia de hoje a expectativa não só em torno do debate da Globo hoje à noite, mas sobretudo já apresentá-lo como o ponto de virada, a partir do qual a eleição pode tornar rumo diferente do que o mais provável: a reeleição de Lula, graças às acusações que terá de enfrentar ou aos (esperadíssimos pela direita) atos falhos que possa cometer.
Olho vivo, portanto. Essa pré-disposição de tucano-pefelistas-jornalismo conservador mostra que o verdadeiro foco do debate de hoje deve ficar também para amanhã: se trata tanto de saber como será o debate como que uso a frente conservadora fará dele na mídia. Vai se reeditar a vergonhosa manipulação de 1989? Vai se fazer chegar ao Presidente, diretamente, seja pela ação de Geraldo Alckmin, seja pela de Heloísa Helena, seja pela de Cristóvam Buarque, ou pela dos três em jogral, o clima de macartismo que reinou no último ano e meio na imprensa brasileira e no show televisivo das CPIs.
Estas são as armas e as disposições da direita em seu último esforço para levar a eleição para o segundo turno. E as esquerdas? Tudo vai depender, também, do comportamento da militância, cujo ânimo a campanha barulhenta da direita tenta abatumar. O fosso que separa o primeiro do segundo turno, de acordo com as pesquisas, oscila em torno de um número entre quatro e dez milhões de votos. Explico: se Alckmin conseguir tirar quatro milhões de votos de Lula e transferi-los para si, o que é difícil, mas não impossível, ainda com mais uma manipulação das imagens do debate, o segundo turno fica certo. Se Alckmin ou os outros candidatos atraírem para si 80% dos votos brancos, nulos e dos indecisos, a eleição também irá para o segundo turno, ainda mais se houver uma grande abstenção de eleitores de Lula, que é a principal esperança da direita.
Portanto o convencimento a comparecer às urnas, por parte da militância e dos eleitores de Lula, é também um fator decisivo na eleição.
A participação do conhecimento médico tradicional no sistema de saúde indígena é cada vez menor. Entre os inúmeros fatores que podem influenciar esse quadro destaca-se a falta de diálogo entre as ciências médicas e os conhecimentos tradicionais. “O conhecimento produzido pela medicina científica é excludente, pois é entendido como a verdade absoluta”, analisa Maria Evanizia, gerente de planejamento estratégico da Secretaria dos Povos Indígenas do Acre. A Secretaria aposta na valorização da medicina indígena como forma de enfrentar os problemas de saúde dos povos da região.
A legitimidade dos saberes médicos de índios e profissionais de saúde está em jogo nessa questão: “é muito complicado para um médico que passa 10 anos em uma universidade querer respeitar um pajé, por exemplo. Isso tem sido, de certa forma, um empecilho”, afirma Evanizia, e continua, “eu acredito que por conta disso, algumas comunidades e regiões têm se enfraquecido nos usos das práticas tradicionais, pois algumas pessoas preferem usar uma pílula do que ir à floresta e colher uma erva”. A medicina científica ganha ainda mais potência de verdade quando pensada no contexto da globalização econômica e do fortalecimento da indústria farmacêutica.
Evanizia conta que os problemas relacionados à saúde indígena são bastante discutidos. “No Acre somos 14 povos, cada um com uma realidade diferente, cada centro indígena com uma característica própria. Somos aproximadamente 15 mil indígenas só no estado”. Como uma integrante do povo Toyanawa, Evanizia destaca que as políticas públicas de saúde indígena do estado procuram trabalhar respeitando o conhecimento científico e o tradicional. Uma aposta no diálogo entre esses conhecimentos como forma de garantir a permanência das práticas tradicionais entre as comunidades. A união entre cultura e ciência poderia também minimizar a hierarquia que se estabelece entre esses saberes. “Nós entendemos que ambos são conhecimentos e se inter-relacionam, ou seja, o conhecimento científico depende do tradicional e o tradicional do científico”.
O Acre tem em sua história dados preocupantes. Em 2004, o estado registrou o maior número de mortalidade infantil entre os índios. Apenas o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Alto Rio Juruá (AC) chegou a 115 mortes por mil nascidos vivos, enquanto no conjunto da população brasileira, o índice de mortalidade infantil fica em torno de 29 mortos em cada mil crianças nascidas vivas (Censo IBGE 2000).
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa), desde 1999, é responsável pela atenção à saúde dos povos indígenas. Nesse sentido, Evanizia dispara algumas críticas quanto à forma de gerenciamento dos recursos pela Funasa. Ela explica que o programa de saúde usado pelos índios é o Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar da Funasa ter um recurso específico para a saúde dos povos indígenas, o atendimento aos índios é feito dentro do SUS. “Estamos sentindo um certo conflito, porque quando foram escolhidos os agentes de saúde para fazerem a capacitação dos agentes da comunidade, não foram levadas em consideração as estruturas que existiam nas aldeias. O pajé era um médico da aldeia, assim como as parteiras. Isso gerou um certo descontentamento dos pajés”, explica. Para ela, a saída para esses problemas é fortalecer a cultura indígena, desde o artesanato e a dança, até as práticas médicas tradicionais, e reconhecê-la como produtora de saberes legítimos. (Leia mais na reportagem Saúde: Índio quer controle social)
No Alto do Rio Negro
O estudo de caso feito na região do Alto Rio Negro pelo pesquisador Renato Athias, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), indica que as mortes entre os índios naquela região podem estar relacionadas à redução da transmissão de saberes médicos tradicionais entre eles. Em sua opinião, a união entre o saber tradicional e o saber científico é necessária e pode trazer benefícios para profissionais da saúde e povos indígenas. “Após todos esses anos de forte presença missionária, pode-se perceber que a medicina indígena não foi de todo destruída ou abandonada. Na realidade, convive até certo ponto pacificamente, e talvez, diríamos, complementa o sistema médico ocidental, isto é, o oficial e biomédico com os sistemas indígenas de cura”.
Athias, da Associação Saúde Sem Limites, informa que existe uma procura crescente dos remédios de farmácia (como medicação analgésica e para verminoses) entre os indígenas. A medicação mais procurada é a dipirona e o AAS. “Muitos dizem que preferem tomar os remédios dos brancos para passar a dor, do que utilizar o que normalmente usam, uma planta conhecida como pinu-pinu, um tipo de urtiga, que passando no corpo, sente-se um alivio das dores”.
A Funasa realizará entre os dias 22 a 24 de novembro (2006), em Brasília-DF, a 1° Mostra Nacional de Saúde Indígena. O objetivo, informa o site da fundação, é colocar em prática as propostas que surgiram da 4° Conferência Nacional de Saúde Indígena, que aconteceu em Rio Quente-GO, em março.
NÃO HAVIA GRAMPO NO TSE. ADIVINHEM QUEM PAGOU O PATO?
Do Blog do Josias de Souza, da Folha Online de hoje:
DONO DA FENCE É INDICIADO PELA PF
Ênio Gomes Fontenelle, dono da empresa Fence, aquela que disse ter detectado grampos em telefones de três ministros do TSE, foi indiciado nesta quinta pela Polícia Federal. Foi acusado de ter feito falsa comunicação de crime.
Antes do indiciamento, a PF promoveu uma acareação do dono da Fence com o diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho. Durante o tête-à-tête, "Fontelles reconheceu que pode ter cometido um equívoco ao notificar a existência de grampos no tribunal". Para a PF, pode ter havido má-fé de Fontelles.
"Colunista da revista Veja alega preocupação com sua integridade física. Justiça pode julgá-lo à revelia. Cerca de 80 acreanos participaram ontem da audiência de conciliação"
Pelo menos 80 pessoas compareceram ontem ao Juizado Especial Cível para participar de uma audiência de conciliação, em decorrência do processo judicial movido contra o jornalista e colunista da revista “Veja” Diogo Mainardi, que embarcou na polêmica do presidente boliviano Evo Morales afirmando que o Acre não valeria um cavalo “pangaré”.
O réu foi intimado a comparecer à audiência, mas não se fez presente por alegação de que estava preocupado com sua integridade física e mandou dois advogados para representá-lo. Sendo assim, o jornalista será julgado à revelia.
Entre os reclamantes contra Mainardi que compareceram ao juizado estava a deputada federal Perpétua Almeida (PC do B-AC). Ela foi uma das pessoas que participaram da mobilização do povo acreano contra as declarações feitas por Diogo. “Eu alertei o povo sobre o programa de que ele participou ‘avacalhando’ o Acre. A população mostrou sua revolta e levou a causa a sério”, comentou a parlamentar.
O presidente da Câmara de Vereadores de Rio Branco, Jonas Costa, também estava entre os acreanos que se indignaram e entraram com processo contra jornalista. “Se a declaração partisse de uma pessoa que não tivesse acesso às informações, nós até relevaríamos, mas se tratando de um jornalista conceituado, como o Mainardi, não podemos aceitar isso. O nosso objetivo não é conseguir uma indenização, e sim que ele use o mesmo espaço para se retratar com o povo acreano”, destacou Jonas.
Hino Acreano cantado durante audiência O funcionário público Francisco Carlos, revoltado com as declarações de Mainardi, frisou que era um absurdo as bobagens que o jornalista escreveu sobre o Acre. “Temos que levar esse processo até as últimas conseqüências, ele tem que pagar pelas ofensas que fez ao povo acreano”, ressaltou. Durante a assinatura do processo por parte dos reclamantes, os presentes cantaram o Hino Acreano como forma de mostrar o orgulho que sentem por terem nascido no Estado.
De acordo com a juíza de Direito Solange de Souza Fagundes, o processo será julgado à revelia e o juiz responsável por sentenciar o processo deverá levar em consideração três fatores. “Para comprovar o dano é necessário comprovar a ação - no caso as declarações feitas por Diogo Mainardi -, se os reclamantes foram prejudicados e também averiguar se as palavras ditas pelo réu têm relação com os danos causados”, explicou Solange.
A juíza, responsável apenas pela homologação da sentença, informou que o resultado do processo deve ser conhecido em aproximadamente 20 dias.
LEGISLAÇÃO ELEITORAL IMPEDE A PRISÃO DE QUALQUER PESSOA. MESMO ASSIM ELA FOI DECRETADA PELA JUSTIÇA FEDERAL. PORQUE?
Todo mundo, eu, você leitor mais esclarecido, as pessoas mais humildes, todos nós sabemos - mesmo porque todos os anos é amplamente divulgado na imprensa - que estão proibidas prisões 5 dias antes das eleições e até 48 horas depois. A exceção são os casos de flagrantes.
Pois bem. Um procurador da república, que deve estar mais do que careca de saber dessa lei, pediu e uma juiza de plantão aceitou, o pedido de prisão para os envolvidos na compra do tal dossiê contra o Serra. O estranho de tudo é que na semana passada, segundo matéria do Estadão de hoje (27/09), o mesmo procurador da república havia feito o mesmo pedido de prisão e o juíz titular não tomou conhecimento do mesmo porque os acusados já haviam comparecido à polícia para dar esclarecimentos. Foi só o titular se ausentar...
Óbvio que foi aquele auê na imprensa. Fotos, flashes, entrevistas, chamadas no Jornal Nacional, capa dos principais diários nacionais...
O mais importante de tudo é saber:
- Porque pedir a prisão se não seria possível cumpri-la em função do impedimento legal? Da falta de tempo hábil para operacionaliza-las? Eles poderiam fazer isso depois da eleição. Ia dar ibope do mesmo jeito pois o Lula vai ganhar de qualquer forma.
Se sou contra a prisão destas pessoas? Nem um pouco. Muito pelo contrário. Espertos como esses devem ser esquecidos na cadeia para aprender a lição e a sociedade se sentir mais confortável com a justiça. O que não dá é se tentar tirar proveito de uma situação como essa.
Enquanto a justiça se "esforça" em casos como esses, centenas de presos - alguns inocentes - estão mofando nas cadeias por falta de despachos que os liberem ou dêm celeridades aos seus casos. Lembram do caso daquela senhora do Rio que ficou quase quatro meses presa por tentar roubar uma lata de manteiga? Pois é...aquele caso não dava ibope, ninguem se interessou...
........................................................................................ Leiam abaixo a matéria do Estadão sobre o assunto.
Justiça decreta prisão de envolvidos na compra de dossiê; lei eleitoral impede prisões
A Justiça determinou a prisão dos petistas Freud Godoy, Jorge Lorenzetti, Oswaldo Bargas, Afonso Veloso, Gedimar Passos e Valdebran Padilha Vannildo Mendes e Fausto Macedo, Agência Estado
CUIABÁ - A Justiça Federal de Mato Grosso determinou a prisão do ex-secretário especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Freud Godoy, e de outros cinco petistas diretamente envolvidos na compra e divulgação do dossiê que se destinava a prejudicar candidatos do PSDB.
A Polícia Federal confirmou que recebeu a ordem judicial, mas deixou de cumpri-la porque a lei eleitoral proíbe prisões nos cinco dias que antecedem as eleições e até 48 horas depois do pleito, a não ser em flagrante. Isso significa que a ordem de prisão, se for mantida, somente poderá ser cumprida a partir da zero hora de quarta-feira, 4.
A ordem judicial chegou na madrugada de terça, 26, à Superintendência da PF em Cuiabá, uma hora e meia depois de a proibição entrar em vigor, por imposição da Lei Eleitoral. Os outros alvos dos mandados de prisão foram o ex-chefe do serviço de inteligência da campanha à reeleição de Lula, a chamada Abin do PT, Jorge Lorenzetti; o ex-chefe de gabinete do Ministério do Trabalho Oswaldo Bargas, coordenador da área de trabalho e emprego da campanha de Lula; o ex-diretor de Gestão e Risco do Banco do Brasil Expedito Afonso Veloso; o ex-agente federal Gedimar Passos e o empresário Valdebran Padilha. As prisões foram solicitadas pelo procurador da República Mário Lúcio Avelar, que acompanha o inquérito sobre o dossiê anti-José Serra. Na semana passada, o mesmo pedido foi rejeitado pelo juiz da 2ª Vara Federal do Mato Grosso, Marcos Alves Tavares, que não viu necessidade da medida. Avelar, no entanto, insistiu no pedido, que acabou caindo nas mãos de uma juíza de plantão
RIO BRANCO, AC - O juizado de pequenas causas de Rio Branco, foi pequeno para comportar todas as pessoas que participaram das audiências de conciliação movidas contra o articulista da revista VEJA, Diogo Mainardi, que durante um programa de TV, em um canal fechado, disse que era melhor trocar com os bolivianos o Acre por um cavalo.
O comentário de Mainardi foi suficiente para que um grupo de pessoas se articulasse, e promovesse uma enxurrada de ações indenizatórias contra o jornalista.
Só nesta quarta feira, foram realizadas 129 audiências. Três advogados, dois do Rio de Janeiro e um do Acre, representaram o jornalista nas audiências, e juntaram ao processo, a justificativa da ausência do reclamado.
De acordo com a juíza Solange Fagundes, em um determinado trecho da justificativa, Mainardi diz que não viria ao Acre, porque teme por sua integridade física. Disse ainda que o fato de desconhecer como andam os ânimos por aqui, preferiu que seus advogados o representassem.
O advogado Alberto Salvático Segundo (Acre) e os cariocas Cristiano Willon Gualberto e João Vitor Murta Bandeira, passaram a manhã inteira, assinando procurações e termos de audiência.
A ausência do reclamado as audiências, de acordo com a juíza, reputam como verdadeiros os fatos alegados nos pedidos. As ações são idenizatórias, e como não houve acordo nesta primeira fase, foi marcada para o próximo mês, a fase de instrução. Em cada ação o pedido de indenização é de R$ 7.000,00(sete mil reais).
Os advogados do jornalista ainda terão muito trabalho pela frente, a juíza Solange Fagundes, confirmou que novos pedidos de indenização estão sendo protocolados na justiça.
PELA PRIMEIRA VEZ NO ANO O ACUMULADO EM UM MÊS SUPERA A MÉDIA HISTÓRICA
Segundo o Boletim Diário do IMAC/Defesa Civil do Acre, as chuvas no mês de setembro de 2006 já atingem 101,7 mm (até o dia 25/09). É a primeira vez no ano que isso ocorre. Entre janeiro e agosto o índice de precipitação pluviométrica acumulada mensalmente foi sempre inferior à média histórica, calculada com dados colhidos entre 1970 e 2005.
No ano de 2005, quando vivemos a seca mais severa em nossa história, tivemos 3 meses (fevereiro, abril e outubro) com acumulados de precipitação superiores à média histórica.
Os Boletins Diários do IMAC/Defesa Civil são postados diariamente na página do forum de discussão GTP Queimadas pelo Dr. Foster Brown.
Gostaria de convidá-los para visitar o site oficial da Revista Pan-American Journal of Aquatic Sciences (PanamJAS) (www.panamjas.org) e baixar gratuitamente os artigos publicados caso tenham interesse. Da mesma forma, convido-os para submeter artigos para serem avaliados pelo nosso revisores.
Atenciosamente, -- The Editorial Board Pan-American Journal of Aquatic Sciences
DA PAISAGEM NATURAL AO ESPAÇO DA CULTURA Na Amazônia as espacialidades urbanas, especialmente das cidades localizadas à margens dos rios, foram impostas, o que não significa reconhecer, de um lado, que estas formas não são homogêneas; de outro, que guardam resíduos de relações pretéritas como sinais de resistência. Na verdade, essas espacialidades revelam as diferentes estratégias dos diversos agentes produtores do espaço urbano que buscam, a partir das condições concretas, defender seus interesses, o que leva a compreender a paisagem como o resultado das determinações das políticas do Estado, das relações sociais de produção e, mais que isso, como depositária de vida, sentimentos e emoções traduzidas no cotidiano das pessoas. Tais relações concretizam-se em espacialidades real ou imaginária, quer as cidades estejam na beira do rio, na várzea, quer na terra firme.
A análise das pequenas cidades amazônicas deve levar em consideração a floresta e a água como ponto de partida e não de chegada. Nas pequenas cidades amazônicas, localizadas no meio da floresta e às margens dos rios, o habitante deste espaço pode ser levado inconscientemente a estabelecer a dimensão de espacialidade a partir do encantamento da realidade física.
Entretanto, a generosidade da paisagem natural esvai-se e o que fica é o construído artificialmente. É claro que o conjunto formado pelos sistemas naturais existentes numa região como a Amazônia ainda é muito importante e não pode nem deve ser desconsiderado, porém há que se concentrar as análises no que a elas acrescem os homens. Do ponto de vista geográfico, há uma existência natural, todavia, a existência real somente lhe é dada por causa das relações sociais (4).
AS PEQUENAS CIDADES: ESPACIALIDADES E CONTRADIÇÕES Está em curso um processo visando tornar essas pequenas cidades da Amazônia cada vez mais iguais, com a tendência de que as suas formas escapem à história e à cultura do lugar, tornando os homens e as mulheres reféns da lógica de um mundo distante, das possibilidades ilimitadas como se fosse possível reinventar formas iguais em qualquer lugar. Busca-se projetar formas espaciais para unificar o ambiente simbólico, visando atender aos interesses de determinados segmentos da sociedade, conseqüentemente substituindo a especificidade histórica de cada lugar (5).
Essas novas temporalidades e espacialidades são alheias ao lugar, visto que o poder, a produção e a riqueza são projetados para o mundo enquanto a experiência, a vivência, a cultura e a história são enraizadas nos lugares. Em decorrência disso, pode-se ter acesso às mais avançadas tecnologias, que são vendidas como sinais de progresso e de crescimento, mas a maioria não tem sequer as necessidades básicas atendidas.
As pequenas cidades amazônicas apresentam essa contradição: são articuladas a relações pretéritas caracterizadas pela inércia e, ao mesmo tempo, articuladas a dinamicidades contemporâneas que as ligam ao mundo, especialmente a partir da biodiversidade e da sociodiversidade. Essa contradição, que de resto não é exclusiva da Amazônia, possibilita as simultaneidades nas inovações e sinais da modernização na paisagem (especialmente ligados à comunicação, mas também aos equipamentos).
Todavia, há resistências, e, como conseqüência, essas pequenas cidades representam, neste início de século XXI, uma das mais raras permanências, refletindo e iluminando miticamente a cultura. Cultura que, como assinala o poeta João Paes Loureiro, continuará a ser uma luz brilhando, e que persistirá mesmo com as chamas das queimadas nas florestas, com a extração dos recursos naturais, com a poluição dos rios e com a mudança das relações dos homens entre si. Nas pequenas cidades amazônicas ainda há um tempo para a vivência de uma forma ilimitada, "com seres sobrenaturais, porque somente a imaginação consegue ultrapassar os horizontes. Foi a boiúna que, ao agitar-se, fez o barranco ruir; o curupira fez o caçador perder-se na mata; a iara fez afogar-se de sedução aquele que, aparentemente, não tinha razões para morrer no rio; a tristeza não veio da alma, mas do canto da acauã"(6). Há nesses aglomerados a inércia caracterizada pelos tempos lentos e, concomitante, a dinamicidade dos tempos rápidos (7), que caracteriza a inserção da Amazônia no mundo. A análise desses dois aspectos (a inércia e a dinamicidade), ao mesmo tempo antagônicos e complementares, necessita de pesquisas de campo acuradas, porque elas podem clarear o papel das cidades ribeirinhas e, especialmente, se esse novo momento da Amazônia representa um processo caracterizado pela dinamicidade ou se, ao contrário, significa a permanência na inércia.
Outra questão a ser considerada é que as estruturas e as dimensões socioespaciais na Amazônia hoje são compartilhadas de modo diferente ao que era até então. Novos sujeitos, indígenas, movimentos sociais, empresas, ONG’s e mídia produzem espacialidades diversas e articulam as estruturas preexistentes quase sempre locais às dimensões globais. No curso dessa articulação, o poder se dilui entre os vários sujeitos, grupos de indivíduos, minorias étnicas, pacifistas, instituições que não se articulam apenas ao Estado nacional e, em alguns casos, já atingiram um grau de relações supranacionais.
Aqui as pequenas cidades amazônicas imersas numa inércia de tempos lentos ganham papel relevante, visto que comportam elementos da natureza ainda não conhecidos e, como esse processo ainda necessita de uma base logística, estas cidades podem representar essa base, visto que estão ligadas ao mundo, por exemplo, pelas telecomunicações. Compreender esse processo em curso, e verificar se ele se conclui, significa a busca de desvendar a Amazônia.
AS PEQUENAS CIDADES COMO ESPAÇO DA ESPERANÇA As pequenas cidades amazônicas não são apenas produtos do nosso tempo, mas de tempos pretéritos cristalizados na paisagem. Por seu turno, a paisagem urbana não se resume ao conjunto de objetos, pois contém modos de vida os quais, como os primeiros, são resultantes das relações de produção continuamente produzidas, reproduzidas, criadas e recriadas, contendo as dimensões da sociedade de cada tempo. Essa paisagem urbana também comporta as coisas da natureza. As cidades de hoje são lugares bem diversos das cidades pretéritas, não só porque o conjunto arquitetônico e a infra-estrutura foram profundamente modificados. Foram mudados também a terra, a floresta e os rios, mas, sobretudo, e de modo considerável, a cultura, quer pela dinamicidade, quer pela estagnação.
Para compreender esse processo é preciso considerar a paisagem para além do aparente. Para tanto, é preciso atravessar o rio, pois, do outro lado, há sempre a esperança. A complexidade contemporânea não permite compreender as novas cidades apenas relacionando-as à crise, emersa nos diagnósticos das carências, mas também como virtualidades, como possibilidades.
Por isso, é necessária a superação de formas simplistas de interpretações e de intervenções, reconhecendo que essas práticas são engendradas a partir de condições objetivas e estão mediadas pelas contradições e conflitos da sociedade. É preciso apontar para outra visão de Amazônia que não seja apenas naturalizar o que é social, tampouco desconhecer as suas características imanentes, considerando social o que é natural. Ora, esse equívoco foi o que norteou o modo de intervenção na Amazônia que predomina até hoje. Tal intervenção leva à adoção de estratégias para a resolução de questões que, na maioria dos casos, não são as mesmas das populações locais. Concebida dessa forma, a política de Estado ou de governos define, orienta e estabelece mecanismos operativos para a Amazônia, fincados em estratégias que visam ao crescimento econômico, mas não contribuem para o desenvolvimento de sua população, pois que desrespeitam a natureza da Amazônia e principalmente a cultura dos amazônidas.
As novas ações postas para a Amazônia, e especialmente para as pequenas cidades, deveriam contribuir para superar a visão funcional e caricatural de que a Amazônia é só fronteira e fonte de recursos inesgotáveis. A Amazônia é muito mais do que isso; é, em todos os cantos, o lugar de encantos. É uma realidade complexa e contraditória, ultrapassando a paisagem natural ou artificial aparente, para circunscrever-se em sentimentos e emoções.
As ações deveriam buscar as condições da urbanidade, o que significa articular as políticas públicas, visando remir os espaços coletivos como signo da nova cidade, não só como funcionalidade da produção e da circulação, mas como lugar das pessoas. Além disso, deve-se perseguir a busca de um tempo para os encontros que ultrapassassem o encontro para a troca. É preciso criar tempos e espaços para a vida em toda a sua dimensão. Isto passa pelo resgate da cidadania que exige a concretude de uma vida decente, que pressupõe o acesso às condições dignas de vivência. Ainda que a ausência de bens e serviços seja abominável, também são intoleráveis a falta de tempo, de lazer, de informação para os que moram nas pequenas cidades dos beiradões. "Uma vez que o espaço não é o reflexo da sociedade, é sua expressão"(8), as mudanças só ocorrerão a partir das transformações da sociedade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS Este é um texto sem conclusão, pois pesquisas necessitam ser feitas e, mesmo quando concluídas, revelarão uma verdade, não a verdade. O único ponto a destacar é que as pequenas cidades amazônicas revelam espacialidades que não coincidem com o inventário dos objetos no espaço nem do discurso sobre a sua representação. Neste sentido, pode-se concluir que a espacialidade oculta as conseqüências, o que indica a construção de pesquisas que considerem a Amazônia não apenas como uma área a ser conhecida, mas como conhecimento do lugar, capaz de revelar formas e conteúdos espaciais que foram transformados e/ou permaneceram. Compreender a Amazônia a partir das pequenas cidades é muito mais do que analisar a forma das cidades, significa compreender a vida das pessoas simples, de onde brotam dimensões de espacialidades que quase sempre são desconsideradas, pois estão eivadas por coisas simples, transmutadas numa sensação de extrema obviedade, pela freqüência do estar sempre por aí. Neste sentido, para além das formas das cidades, há homens e mulheres para os quais a história e a geografia das cidades amazônicas é feita e não esperada. Há outro jeito de fazer e outro modo de esperar. Há outros tempos-espaços mediados por outra ordem, outra razão e outros sentimentos.
Nas pequenas cidades amazônicas, a natureza é importante. Porém, muito mais do que pelo fatalismo de uma vida governada pela determinação da natureza, há a cultura amazônica que se estrutura como lógica e como razão, mas também como sonho, esperança e resistência.
(*) José Aldemir de Oliveira é geógrafo, professor titular do Depto. de Geografia da Universidade Federal do Amazonas, líder do Grupo de Pesquisas e Estudos das Cidades na Amazônia Brasileira, bolsista do CNPq.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1. Calvino. I. Cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. 2. Amorim Filho, O. "Evolução e perspectivas do papel das cidades médias no planejamento urbano e regional". In: Andrade, T.A. e Serra, R. V. Cidades médias brasileiras. Rio de Janeiro: IPEA, 2001. pp. 1-34. 3. Ribeiro, M. A. C. A complexidade da rede urbana amazônica: três dimensões de análise. Rio de Janeiro: UFRJ, 1998. (Tese de Doutorado). 4. Santos M. A natureza do espaço. São Paulo: Hucitec, 1997, p. 51. 5. Castells, M. A sociedade em rede. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999. p. 441. 6. Loureiro J. P. "Tradição, tradução, transparências". Somanlu Revista de Estudos Amazônicos. Manaus. PPGSCA – UFAM, ano 2, n. 2. pp 117-126. 2002. 7. Santos M. op. cit. pp 266-267. 1997. 8. Castells, M. op. cit. p. 435. 1999.
"Combate implacável: A direita já monta a arena de batalha e prepara o arsenal para o combate ainda mais duro e implacável contra Lula, o governo, o PT e a esquerda brasileira. E a mídia conservadora escolheu o lado na batalha".
"Essas vozes perdedoras estão desconcertadas, vivem uma das piores crises de identidade de sua história...Não vão aprender, colocaram culpa no povo, com a esperança de dissolver o povo, de substituir o povo por outro, dos seus sonhos. Quem é essa imprensa, para se reivindicar a missão de fiscalizar os governos? Que moral tem para isso? Quem lhes entregou esse mandato? Pelo voto popular, ninguém. Eles se reivindicam a si mesmos.
E agora? O esquema de marketing para levar Alckmin ao 2° turno está fazendo água...chamem os salva-vidas. Será que o Alckmin sabe nadar?
Não houve o tal grampo. O que tinha lá era uma chuca de cabelo. Minha filha tem algumas dezenas aqui em casa. O presidente do TSE disse que tiraram o grampo antes da PF chegar. Não tem mais grampo? Vai de chuca mesmo. Se quiser eu mando uma caixa com algumas chucas, minha filha ficará feliz em doar...de que cor eles vão querer?
Para piorar as coisas, as pesquisas eleitorais insistem em dizer que Lula vence no 1° truno...Até o Noblat ficou mais civilizado...mas recomendou ao Alckmin ir para a briga com o Lula. Calma pessoal. Ele tem que brigar para tomar os eleitores do Lula porque os da Heloisa não serão suficientes. Pudera, rejeitada como ela é...os eleitores vão mesmo correr dela quando virem a foto que ela mandou por na urna eletrônica...vai ser um susto. Heloisa, capricha no visual! Aparência ainda é fundamental...
Vocês viram o "Jornal Tabajara" de hoje? Nem um destaque maior para a última pesquisa. Noblat disse que todo mundo fala em 8, 9, 10 pontos de diferença. Só aquele Instituto que ajudou a eleger o Collor anda insistindo em dizer que são apenas 3...e as Organizações Tabajara fazem a festa com tão pouco...que pobreza. Eles que são tão poderosos...Sei não Lula...debate nas Organizações Tabajara...contrata o Harrison Ford para encarnar o "Indiana Jones" pois antes, durante e depois do debate vão exisitir muitos obstáculos e armadilhas. Você com toda essa barriga não tem chance de vencer - os obstáculos.
Nota do blog: Texto enviado por um leitor que se indentificou como "Acreano Brasileiro do Acre"
GLOBO/IBOPE APERTAM A DIFERENÇA ENTRE LULA E ALCKMIN...
Do Blog do Noblat (26/09/2006 ¦ 00:27):
Sensus dá 10 pontos de vantagem para Lula
Lula tem 10 pontos percentuais de vantagem sobre a soma dos índices de intenção de voto dos seus adversários, segundo pesquisa do Instituto Sensus que será divulgada hoje. Em relação à anterior, aplicada entre 22 e 25 de agosto, ele passou de 51,4% para 51%. Alckmin cresceu de 19,6% para 32% e um quebradinho. Helô ficou onde estava - na casa dos 8%. Na pesquisa diária do Instituto Vox Populi feita para consumo interno da campanha de Lula, a diferença entre ele e a soma dos índices dos demais candidatos oscila entre 10 e 12 pontos percentuais. O Vox fazia 500 entrevistas a domicílio até estourar o escândalo do dossiê contra políticos do PSDB. Aumentou a amostra para 1.000. Quer dizer: até aqui, o estrago do escândalo na imagem de Lula não o impede de vencer no primeiro turno. A última pesquisa do Datafolha deu 8 pontos de frente para Lula. A do IBOPE, três pontos. Não encontrei um só analista de pesquisa ligado ao PSDB e ao PFL que acredite na diferença de apenas três pontos. Falei ontem com quatro deles, pelo menos.
Apelem para as Organizações Tabajara...
Alckmin cresceu tomando votos de Heloísa e convertendo indecisos à sua causa. Para ter alguma chance de disputar um eventual segundo turno, estava obrigado a tomar votos de Lula. Não tomou. É improvável que tome até domingo - salvo se a turma das Organizações Tabajara entrar em campo novamente e, dessa vez, botar para quebrar mesmo.
NOTA DO BLOG: Alguem tem dúvida sobre quem é a "Organizações Tabajaras"?
Como informamos anteriormente, a maioria dos partidos de oposição solicitou ao TRE a mobilização de forças federais para coibir, no dia eleição, qualquer tentativa de corrupção de eleitores (compra de votos, currais eleitorais, etc). Considerando que o Exército não faz diferença porque não pode exercer o poder de polícia (seus homens ficam parados nas esquinas, "torrando no sol", só se mobilizando mediante ordem de seu comando), resta a estes partidos torcer para que a Polícia Federal coloque todo o seu efetivo de prontidão para dar conta das centenas de denúncias que irão pipocar no domingo.
Digo baseado no comentário de Roberto Vaz, do Notícias da Hora, em sua coluna do dia 25/09:
"Acorda dona Justiça! A compra de votos corre solta. Não é um crime disfarçado. Em alguns bairros mais populosos de Rio Branco só se fala nisso. Pudera. Ali na Estação Experimental, por exemplo, os títulos eleitorais são recolhidos numa velocidade impressionante. Um candidato a federal garante o pagamento de R$ 200,00 por um único voto. Ele tenta a reeleição. Outra candidata, também a federal, autorizou seus comandados a pagar R$ 100,00. Tem outra que paga R$ 70,00. Eu não digo o nome do santo, mas garanto que, pelas informações que nos chegam, os candidatos pertencem a todas as coligações. Tem até governista no meio da sujeira. Á exemplo das outras eleições, os esquemas são muito bem planejados e infalíveis".
Quem vai coibir a concretização desses esquemas?
Denúncias anônimas para a PF poderão ser a melhor opção. Não escaparão esquemas de candidatos da situação e da oposição. Uma pena que o efetivo da PF no Estado seja tão diminuto. Talvez pudesse ser reforçado pelo efetivo da PM e da Polícia Civil do Estado. Entretanto, a paixão do momento político não permite avaliar positivamente a participação da polícia local no combate aos crimes eleitorais que deverão ocorrer no dia da eleição.
Embora seja um conforto para a população saber que a Secretaria de Segurança (Sejusp) colocará aproximadamente 250 homens nas ruas para garantir a tranquilidade do pleito no domingo, o mesmo não se pode dizer em relação ao que devem estar pensando os candidatos da oposição. Muitos devem estar preocupados pois acham que sendo comandada pela situação, a polícia local tenderia a coibir apenas os esquemas dos candidatos da situação. Eu acho que isso não vai ocorrer. E você?
Lógica de favores, conexões globais, necessidade de forçar o cumprimento das leis e o ciclo vicioso da ocupação da amazônia que resulta no domínio privado do poder público Parte 1 Dr. Carlos Walter Porto-Gonçalves (1)
Houve uma época no Brasil em que se dizia que a questão social era uma questão de polícia. Ainda hoje não são poucos os que ainda pensam assim vendo em cada conflito social uma ameaça à ordem constituída e vendo na polícia a sua solução. Ou, pior ainda, existem aqueles que não vendo como controlar os dissidentes ainda sonham com os generais. Sabemos que são profundas as raízes autoritárias na sociedade brasileira, raízes essas que remontam ao período colonial onde cada fidalgo que recebia a doação de terras estava investido de uma prerrogativa militar de efetivar, pelo sucesso da sua atividade econômica, o domínio territorial para Portugal. Os portugueses sabiam que a conquista do território não podia ser feita com recursos públicos e para garantir a ocupação fez concessões aos senhores de cabedal, entenda-se de capital, que quisessem enriquecer na terra brasilis. Muitos se tornaram, então, brasileiros, isto é, aqueles que vivem de explorar o Brasil (2).
Somente uma visão de nossa história com um forte viés economicista deixou de ver que o objetivo de conquista territorial era o que comandava as concessões de terras. Quando se fez o primeiro ordenamento territorial nessas terras dividindo o território em Capitanias Hereditárias já ali estava inscrito o duplo caráter militar e econômico. Afinal, capitania é coisa de capitão. Além disso, acrescente-se, só os filhos de alguém, ou seja, os fidalgos (3) é que recebiam as doações de terras e, assim, desde o início, o poder público se tornava algo privado. Isso hoje tem o nome pomposo de parceria, privatização e flexibilização, mas na verdade trata-se de uma prática tradicional e, mais que isso, conservadora. No Brasil estas práticas estão na raiz daquilo que se chama “lógica do favor” que é a negação da “lógica do direito”.
O jornalista Marcelo Leite em seu artigo Teleconexões Inesperadas (Caderno Mais, pág 10. Folha de São Paulo de 6 de agosto de 2006) citando o artigo do estadunidense Daniel Nepstad Globalização da Indústria Amazônica da Soja e da Carne Bovina: Oportunidades para Conservação retrata muito bem a lógica da reprodução do desmatamento na Amazônia brasileira. Fala-nos das conexões globais que contribuem para a expansão da soja na esteira das áreas desmatadas pela pecuária citando, entre outras “a demanda por proteína na China (cuja economia cresce 9% ao ano) e na Europa (após o escândalo da vaca louca)”. Fala-nos, ainda, da diminuição do desmatamento depois de 2004 esclarecendo que isso se deve a que “o agronegócio sofre agora com a baixa de preços internacionais e com a valorização do real, que tira a competitividade dos produtos de exportação brasileiros. Tais conexões podem variar, porém. Se os preços voltarem a subir, ou se o real se desvalorizar, entre as conseqüências da moratória da soja poderá estar a elevação da procura das terras amazônicas hoje ocupadas com a pecuária. Vendendo suas terras a sojicultores por preços crescentes, os pecuaristas se capitalizam para devastar novas áreas”. Todavia, essa lógica que Marcelo Leite nos apresenta como tão consistente não dá conta do contexto de relações sociais e de poder que lhes dá sustentação e que o caso da recente prisão das mais altas autoridades dos três poderes do estado de Rondônia nos esclarece.
Em recente diálogo público com Dr.a Berta Becker, geógrafa da UFRJ e da Academia Brasileira de Ciências, no XIV Encontro Nacional dos Geógrafos realizado em Rio Branco – Acre, debatemos essa questão assinalando ainda que, na Amazônia, não é a falta de conhecimento, seja ele o das populações originárias e camponesas, ou o conhecimento científico dos institutos de pesquisa e das universidades da região, do Brasil e do mundo, que impede que haja um modelo de desenvolvimento economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente sustentável. Na ocasião a Dr.a Berta Becker lançou mão da expressão enforcement que, em inglês diz respeito ao cumprimento das leis, para expressar o que acreditava ser o X da questão. Mais do que o cumprimento das leis, insisti, se tratava de quem teria força para fazê-lo, sugerindo uma interpretação mais restrita e precisa do significado da palavra inglesa enforcement.
Desde que comecei a me dedicar aos estudos amazônicos, em 1979, aprendi que entender o Brasil a partir dos fundos tem enormes virtudes. Em primeiro lugar porque é como se fosse o Brasil sem os enfeites do salão de recepção. É o Brasil mostrando a sua cara, como nos dissera Cazuza. E, por isso, olhar o Brasil a partir da Amazônia não nos deixa levar por uma espécie de expiação de responsabilidades porque se trataria de um problema da fronteira, conceito que, aliás, mais prejudica que esclarece. O mesmo acontece quando achamos que a violência e o narcotráfico são um problema da Colômbia, um lugar distante e, assim, um problema distante. Quando sabemos que o madeireiro que abre as primeiras sendas na floresta, o pecuarista e os agronegociantes que lhes vêm atrás são os que elegem a maioria dos vereadores, dos prefeitos, dos deputados, dos governadores e dos senadores e, a partir daí, constituem o poder público que, tal como à época da colônia, não existe para o público e, sim, para o poder privado percebemos a conexões profundas das relações sociais e de poder que reproduzem a desigualdade e a devastação.
Artigo continua...
(1) Doutor em Geografia e Professor do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense, Membro do Grupo Hegemonia e Emancipações de Clacso. Ex-Presidente da Associação dos Geógrafos Brasileiros (1998-2000). Membro do Grupo de Assessores do Mestrado em Educação Ambiental da Universidade Autônoma da Cidade do México. Ganhador do Prêmio Chico Mendes em Ciência e Tecnologia em 2004 é autor de diversos artigos e livros publicados em revistas científicas nacionais e internacionais, em que se destacam: - “Geo-grafías: movimientos sociales, nuevas territorialidades y sustentablidad”, ed. Siglo XXI, México, 2001; “Amazônia, Amazônias”, ed. Contexto, São Paulo, 2001; “Geografando – nos varadouros do mundo”, edições Ibama, Brasília, 2004; “O desafio ambiental”, Ed. Record, Rio de Janeiro, 2004; “A globalização da natureza e a natureza da globalização”, Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2006.
(2) Foi José Carlos Reis, em seu excelente livro As Identidades do Brasil – de Varnhagen a FHC publicado pela insuspeita Fundação Getúlio Vargas quem nos esclarece sobre o sentido desse adjetivo pátrio terminado em eiro, que é pouco comum. Afinal, ou se é português, francês, holandês ou americano, equatoriano, canadense. Brasileiro é como mineiro – o que vive de explorar as minas ; madeireiro – o que vive de explorar madeiro; garimpeiro – o que vive de explorar o garimpo; enfim, brasileiro é o que vive de explorar o Brasil.
(3) Não esqueçamos que fidalgo é uma palavra que deriva justamente de f´ilho d´alguém, f´d´algo. Filho de (João) ninguém não recebia terras. A mesma sociedade que tem fidalgos numa ponta produz, desde o início, sem–terras na outra ponta.
PARTIDOS DA OPOSIÇÃO FIZERAM A SOLICITAÇÃO. MAIS UMA ELEIÇÃO NO ACRE "VIGIADA" PELOS MILITARES
Não vai ser em 2006 que veremos uma eleição sem militares na rua. Já está com o Ministério Público Eleitoral a petição solicitando a presença de forças federais durante o pleito 2006. O pedido foi feito na quinta-feira por nove dos onze partidos que compõem as coligações que fazem oposição ao atual governo do Estado.
Segundo o jornal O Rio Branco, a petição, batizada de “Documento Suprapartidário por Eleições Limpas”, foi entregue nas mãos da presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargadora Isaura Maia, no final da tarde de quarta-feira (20/09). No dia seguinte o mesmo foi apreciado durante a sessão ordinária do tribunal. O pedido foi autuado e distribuído no dia 22/09 (ver quadro em anexo).
O Rio Branco: grave acusação às instituições envolvidas com a realização das eleições de 2006 Segundo o jornal O Rio Branco (24/09) o pleito de 2006 está ameaçado pela "corrupção eleitoral, abuso do poder econômico e utilização da máquina pública...com a conivência, omissão e parcialidade de instituições". A nota do referido jornal não informa quais as instituições estão sendo coniventes, omissas e parciais. Esta grave acusação deveria resultar em imediata interpelação judicial por parte das instituições relacionadas com a realização do pleito no Acre. Se isso não for feito, será aberto um precedente perigoso. Manipulações nos meios de comunicação poderão levar a opinião pública a pensar que uma eventual vitória da situação (como indicam as pesquisas de opinião pública) só ocorrerá em função de fraudes.
Afastamento de juiza A nota do jornal O Rio Branco informa ainda que a juiza Solange Fagundes foi desligada da presidência da Comissão de Auditoria de Urnas Eletrônicas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por haver afirmado em entrevista a uma emissora de televisão que "a Justiça Eleitoral não tem como conter os crimes eleitorais no Estado". Em depoimento ao site Notícias da Hora de ontem (24/09), a juiza afirmou que sua destituição foi uma questão pessoal e que “há ciumeira na justiça eleitoral”. Ela afirmou ainda ser contra a presença dos militares do exército na eleição porque, segundo ela, “o Exército, aquelas armas, intimidam. Eu acho que eles não fazem nada. Não adianta um juiz pedir, pois eles só obedecem ordens dos comandantes deles. A única função deles é ficar em pé com aqueles fuzis na mão".
A impressão que ficou da observação da mídia neste fim de semana foi a de que pela primeira vez houve uma operação concatenada entre vários órgãos de informação: a “operação segundo turno”.
Flávio Aguiar - Carta Maior, 25/09/2006 Copyleft@
SÃO PAULO - Tudo começou na sexta-feira (22). Uma frase pinçada de um discurso do presidente, em que aludia a uma vitória no primeiro ou no segundo turno, virou manchete e chamada: “Lula admite a possibilidade de segundo turno” ou “pela primeira vez Lula admite segundo turno”, no Estadão e na Rede Globo. Na verdade, desde o começo da campanha, Lula e dirigentes petistas, apesar de almejarem uma decisão em 1º de outubro, sempre falaram em se preparar para a eventualidade de um segundo turno. A novidade foi a falta de luz própria na candidatura de Alckmin, o que levou à suposição de uma possível vitória no primeiro turno. A fala de Lula, portanto, não era novidade.
Depois, inexplicavelmente e contrariando uma tradição longeva, a Folha de S. Paulo antecipou para o sábado (23) a divulgação da pesquisa Datafolha para a eleição presidencial. Nela, as variações eram mínimas: Alckmin subia dois pontos (31), Lula descia um (49), mas Heloisa Helena também descia dois pontos (7). Essa variação permitia a interpretação de que os votos que Heloisa Helena tinha tirado de Alckmin durante sua farta exposição na mídia (na esperança de que ela tirasse votos de Lula) estavam agora retornado a seu lugar de origem.
A partir do sábado à noite e no domingo, foi a vez da divulgação da pesquisa do Ibope, com números menores para Lula(47, queda de 2 pontos) e maiores para Alckmin (33, subida de 3), com Heloisa Helena caindo apenas um ponto (para 8). A pesquisa do Ibope, ao contrário da do Datafolha, acentuava a idéia de que Alckmin começaria a tirar votos diretamente de Lula. A Folha, por seu turno, divulgava uma pesquisa estadual em que Serra subia e Mercadante descia nas intenções voto.
A divulgação das duas , a do Ibope (presidência) e do Datafolha (estado de S. Paulo) no mesmo domingo criava a impressão de que a disputa em torno das questões do dossiê Vedoin/Serra, e de sua compra e venda frustrada, traziam prejuízo só para Lula e potenciavam a candidatura de Serra.
Além disso, e mais importante, a divulgação do Datafolha presidencial no sábado e do Ibope no domingo criava a impressão de uma queda em cascata, denotando desde logo que as oscilações configuravam uma tendência, para quem visse as manchetes.
Um detalhe significativo era o das datas das pesquisas. A do Ibope fora feita entre os dias 20 e 22; a do Datafolha, somente no dia 22. A do Ibope, portanto, fora feita antes da do Datafolha. Mas a antecipação da publicação do Datafolha para sábado criava a impressão de que esta fora feita antes, e a do Ibope logo em seguida.
Este arranjo na divulgação das pesquisas reforçava bastante a possibilidade ou até “a certeza” de que se caminharia para um segundo turno, criando um clima capaz de sugestionar eleitores indecisos ou pouco decididos. Num clima em que trovejam novamente ameaças quanto à governabilidade de um segundo mandato de Lulas, em que o Presidente do TSE já fala em impugnações de uma possível vitória de Lula, a criação dessas impressões pode ser decisiva para abrir o caminho a um segundo turno.
Some-se a isto as mensagens que varam a internet e a telefonia de que nas redações da mídia conservadora reina um clima de “ordem unida”. Ainda que não haja provas cabais nem testemunhos diretos, fica a forte impressão de que houve uma “operação segundo turno” concatenada. E como se sabe, em política a impressão é a última que morre.
Von Martius: viajante-naturalista-historiador Por Maria Guimarães e Mariella Oliveira. Originalmente publicado na revista ComCiência, SBPC
“Do azul escuro do mar, elevam-se as margens banhadas de sol e no meio do verde vivo destaca-se a brancura das casas, capelas, igrejas e fortalezas. Atrás levantam-se audaciosos rochedos de formas imponentes, cujas encostas ostentam em toda a plenitude a uberdade da floresta tropical. Odor ambrosiano derrama-se dessa soberba selva, e, maravilhado, passa o navegante estrangeiro por entre as muitas ilhas cobertas de majestosas palmeiras”.
É esta a primeira impressão dos naturalistas Carl Friedrich Philipp von Martius e Johann Baptist von Spix ao aproximar-se da “grandiosa entrada do porto do Rio de Janeiro”. O botânico e o zoólogo chegavam ao Brasil como parte da comitiva da arquiduquesa Leopoldina, que vinha casar-se com o futuro imperador Dom Pedro I.
Em sua viagem, Martius e Spix percorreram cerca de dez mil quilômetros entre 1817 e 1820. Os pesquisadores partiram do Rio de Janeiro, de onde rumaram para o norte pela Mata Atlântica, com a intenção de devassar o interior, pois o litoral já era bastante conhecido, como conta a historiadora Karen Lisboa, do Instituto de Estudos Latino-americanos da Universidade Livre de Berlim. A partir de Belém do Pará eles atravessaram grande parte da bacia amazônica, e de Belém embarcaram de volta à Europa.
“Foi uma viagem longa e minuciosa”, diz Manoel Salgado Guimarães, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As descrições abarcam selva, gente, arquitetura, marés, história, costumes, doenças e muito mais. O livro traz até cantigas, representadas por partituras e versos. Ele explica que, embora fosse botânico por formação, Martius tinha o espírito das viagens filosóficas vigente na época, na tradição de Humboldt. Por isso, o empreendimento não podia ser voltado para questões específicas. “Era um viajante-filósofo”, conclui o historiador da UFRJ. E o relato dos próprios viajantes justificam suas coletas: “O Brasil, fechado durante séculos consecutivos às investigações dos europeus, oferecia farta oportunidade de enriquecer com fatos aquelas ciências, e, quanto aos meios para atingirmos esse alvo, não tínhamos escolha. Pareceu-nos mais acertado colecionar, durante a viagem, exemplares tanto de formações geológicas, quanto de curiosidades etnográficas, e, em particular, de animais e plantas, dar assento em nosso diário, a descrições e notícias minuciosas tanto quanto possível, e com isso preparar uma exposição científica, uma vez de volta à pátria”.
De acordo com Salgado Guimarães a exposição nunca chegou a acontecer. De todo modo, as contribuições de Martius a partir da viagem e do material coletado foram inúmeras. Destaca-se a Flora Brasiliensis, um inventário das espécies vegetais brasileiras que reúne todo o conhecimento existente na época. São quase 23 mil espécies, com cerca de 4 mil ilustrações de imenso detalhe e rigor. Até hoje é esse o único inventário da flora brasileira, embora muitas espécies tenham sido descritas e muita informação acrescida no século que se seguiu à publicação da obra.
Até março deste ano, consultas à Flora Brasiliensis se restringiam a especialistas, pois os exemplares das bibliotecas universitárias são protegidosem salas de obras raras. Mas a iniciativa conjunta de diversas instituições de pesquisa de criar a Flora Brasiliensis On-line mudou a situação. No portal na internet, desenvolvido pelo Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria), qualquer pessoa pode ver as ilustrações da obra de Martius ampliadas em grande detalhe sem perda de definição, além de informações sobre o conteúdo das imagens, tais como o nome científico da planta, volume em que se encontra, número, página etc.. As estatísticas disponíveis no site mostram que desde o seu lançamento, a Flora Brasiliensis On-Line tem recebido cerca de 10 mil visitantes por mês.
Entre 1996 e 2001, quanto fiz meu mestrado e doutorado nos EUA, lembro que usei muito o acervo da biblioteca do The New York Botanical Garden, uma das melhores bibliotecas especializadas em botânica do mundo.
Na qualidade de estudante da instituição, tinha o direito de acessar pessoalmente todo o acervo, incluindo as obras raras do 5° andar. Lá, protegidas por um sofisticado sistema de ar-condicionado, desumidificadores e sistemas anti-incêndio, eu podia manusear obras originais publicadas no século XVII, XVIII, XIX. A maioria eram livros grandes e pesados, medindo, algumas vezes, quase 1 m de comprimento. A maioria deles foi produzido artesanalmente, incluindo as ilustrações coloridas.
Entre os livros que usei com mais frequência se encontravam os volumes referentes às palmeiras brasileiras da obra de Carl Martius, a famosa "Flora Brasiliensis". Fui um privilegiado. Consultei a obra original. Cópias do texto e das figuras só consegui apartir de uma reedição brasileira (preto e branco), publicada em tamanho convencional. Era impossível fotocopiar os exemplares originais e câmeras digitais não existiam na époica. Obviamente que as ilustrações xerocadas são horríveis e de pouca ajuda.
Até hoje, por exemplo, a UFAC não dispõe de exemplares da Flora Brasiliensis. E as perspectivas não são favoráveis quanto à aquisição no curto e médio prazo. O mesmo vale para a maioria de outras obras históricas.
Uma alternativa é aguardar que as obras mais relevantes possam ser, eventualmente, digitalizadas e disponibilizadas na internet. Isto ocorreu neste ano de 2006 com a Flora Brasiliensis.
Flora completa na internet
Segundo a Agência FAPESP, no dia Dia da Árvore, comemorado na quinta-feira (21/9), a publicação integral foi disponibilizada. Ela contém o texto integral em latim das quase 23 mil espécies descritas.
Apesar de ter seu último volume publicado há um século, a Flora Brasiliensis é considerado o mais completo e abrangente levantamento da flora nacional já realizado. Produzida entre 1840 e 1906, a obra é resultado da dedicação dos cientistas alemães Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), August Wilhelm Eichler (1838-1887) e Ignatz Urban (1849-1931).
“A versão completa da obra on-line está pronta. Além das 3.840 pranchas digitalizadas que estavam disponíveis desde março, temos agora as 10.207 páginas com os textos das descrições das quase 23 mil espécies”, disse Wanderley Canhos, diretor-presidente do Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria), à Agência FAPESP.
O esforço pela digitalização de todo o conteúdo da Flora Brasiliensis, obra bastante rara e de difícil consulta, partiu de uma parceria entre o Jardim Botânico de Missouri, nos Estados Unidos, e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O Cria é o responsável pelo gerenciamento do grande banco de dados reunido para o projeto, que tem apoio da FAPESP, Natura e Fundação Vitae.
“A obra está disponível para consultas na forma de banco de dados. Associada a cada página e prancha está o nome da espécie e o volume correspondente”, explica Canhos.
Para viabilizar as consultas das imagens, o Cria utilizou o software Zoomify, que divide a imagem de alta resolução em figuras menores e depois faz a remontagem de cada prancha ou página dinamicamente na internet. “Os quase 14 mil arquivos disponibilizados entre pranchas e textos são, na realidade, constituídos por cerca de 5,6 milhões de imagens menores”, disse Canhos. Desde março de 2006, o site Flora Brasiliensis on-line recebeu mais de 65 mil visitantes únicos. Foram transmitidas mais de 1,8 milhão de páginas, o que gerou um tráfego de mais de 100 gigabytes. “Os principais usuários do sistema são pessoas de instituições de pesquisa do Brasil e do público em geral”, disse Canhos.
A equipe de advogados do candidato a senador Airton Rocha (Frente da Cidadania) perdeu o prazo ou desistiu de recorrer da decisão do TSE que indeferiu o registro de candidatura do primeiro suplente da chapa, Benedito Walter Damasceno. O TSE apenas confirmou decisão do TRE-Acre, que indeferiu o registro de Walter Damasceno por que o mesmo não conseguiu comprovar sua filiação partidária.
Uma consulta ao site do STF também não indica que o mesmo foi acionado para salvar a candidatura de Walter Damasceno. Portanto, resta à equipe do candidato a senador indicar novo nome para compor a chapa.
ALCKMIN PRESIDENTE: A IMPRENSA QUER. O POVO TAMBÉM?
Cerca de uma semana atrás eu já havia alertado que estava em curso uma massiva campanha de marketing, liderada pelos principais órgãos de imprensa do país, para levar Alckmin para o segundo turno da eleição presidencial. Para a direita brasileira isso é uma questão de vida ou morte. Globo, Folha, Grupo Estado, Veja, todos estão empenhadíssimos na campanha de Alckmin nesta reta final.
Vocês notaram que antes do escândalo do dossiê as pesquisas de intenções de votos saiam a cada quinze dias, às vezes até com mais intervalo? Pois bem: se preparem para ver estampadas nestes meios de comunicação diariamente, até a véspera da eleição, pesquisas de intenção de voto. Se não houver resultados do dia, eles vão reciclar pesquisas anteriores, mas vão ter que mostrar Lula caindo e Alckmin subindo...
E tem mais: se o Alckmin não subir como eles querem, a divulgação das pesquisas vai incluir não apenas os números frios de quem está na frente na corrida. Vai valer tudo. Perguntas do tipo: Lula sabia ou não da compra do dossiê? Você acha que ele ordenou ou não a compra? Você acha que o cachorro do Lula também sabia? Eles precisam condenar Lula antecipadamente. Para isso estes questionamentos capciosos terão direito a chamadas de primeira página ou manchetes principais dos telejornais. Esperem e verão...
Tudo isso vai ser feito com um único objetivo: influenciar o voto de quem realmente decide eleição: o povão. Ele não lê jornais e nem acessa a internet. Portanto, a TV Globo vai ser peça chave. É a forma mais escancarada de ajuda que estes órgãos da imprensa podem dar para a campanha de Alckmin, que teve meses para decolar e não decolou. Aos leitores do blog, que apesar de educados e influentes, tenho a dizer que seus votos não decidirão a eleição.
Resta saber o que Alckmin deu em troca de todo este apoio massivo. Alívio tributário? o fim da reforma agrária? alívio de dívidas e multas previdenciárias e trabalhistas? A desvalorização imediata da nossa moeda, o real?
Esta última possibilidade é o sonho do grupo Globo, que está afogado em dívidas externas, impagáveis com o dólar tão valorizado. Nesta situação estão vários conglomerados nacionais.
Então profetizo: se o dólar for desvalorizado num hipotético governo de Alckmin, vai ser usado como desculpa a ajuda aos exportadores, o agronegócio (engraçado é que mesmo com o real valorizado, as exportação estão batendo récordes). Como toda a imprensa vai estar caladinha, o real motivo iria ficar oculto: interesses particulares de alguns grandes conglomerados nacionais que o estão apoiando massivamente nesta reta final de campanha.
Periodicamente a imprensa publica elogios de si mesma, que expressariam o alto índice de confiabilidade que ela teria, em comparação com o desprestígio de políticos, de governos, de partidos. Pesquisas totalmente inócuas indicariam que os leitores estariam muito satisfeitos com o que lêem nesses jornais. Mas tudo depende da forma de fazer a pergunta, de a quem ela é dirigida e de como é interpretada.
Consultado, várias dezenas de vezes pelas pesquisas eleitorais, neste ano, o povo está opinando de forma totalmente contraditória com o que a imprensa disse e segue reiterando diariamente. Ninguém têm dúvidas de que jornais como a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo, o Globo, entre outros, assim como uma revista como a Veja e uma rede televisão como a Globo, apóiam claramente a Alckmin. Se não conseguem encontrar excelências no seu candidato – por maior capacidade de mistificação que tenham, não conseguem tirar água de pedra -, se concentram em atacar diariamente a Lula, a seu governo, ao PT e à esquerda. Mas não encontram eco algum no povo.
Não fosse assim, os artigos de alguém como Clóvis Rossi, que expressam o ceticismo/cinismo típico da FSP, atacando a Lula todo o tempo, com um ar de desencanto de quem nunca esteve deste lado, teriam ampla repercussão. Mas nem a classe média paulista deixa de votar majoritariamente em Lula.
Não fosse assim, as diatribes raivosas de Miriam Leitão, de Dora Kramer, de Merval Pereira, de Eliane Catanhede, de Arnaldo Jabor, entre outros, teriam eco imediato, senão no povo, que não lê esses jornais, pelo menos entre a classe média brasileira, que insiste em votar majoritariamente em Lula.
As pesquisas eleitorais, caso se confirmem na eleição presidencial do dia primeiro de outubro, são a melhor pesquisa sobre o que pensa o povo brasileiro da imprensa: não acredita nela, não lhe tem confiança, não aceita seus argumentos, sua informação editorializada, suas manchetes sensacionalistas, seus colunistas identificados com a direção – reduzida a 6 famílias – dos órgãos da grande mídia monopolista privada. O povo pensa uma coisa do governo Lula, a grande mídia pensa outra.
Se acreditasse no que a imprensa diz, se tivesse confiança nela, seria Alckmin quem estaria por triunfar no primeiro turno e não Lula. Mas o povo acredita em Lula e não nesses colunistas, nos editorais desses jornais, na cobertura da Rede Globo e sim no PT e no governo.
Essas vozes perdedoras estão desconcertadas, vivem uma das piores crises de identidade de sua história. É certo que todos esses órgãos da imprensa propagaram o golpe militar antes de 1964, depois apoiaram a ditadura militar, reproduzindo seus comunicados falsos que acobertavam as prisões ilegais, os seqüestros, as torturas, os fuzilamentos, os “desaparecimentos” – de que o filme Zuzu Angel recorda, em parte. Mas tentaram se reciclar sem qualquer tipo de autocrítica, de arrependimento ou de justificativa que buscasse distanciá-los do pior momento vivido pela história brasileira desde o fim da escravidão. Nada isso levou-os à crise de identidade atual, em que se sentem impotentes – ao contrário do que acreditavam ser.
Não vão aprender, colocaram culpa no povo, com a esperança – como disse Lula – de dissolver o povo, de substituir o povo por outro, dos seus sonhos. Quem é essa imprensa, para se reivindicar a missão de fiscalizar os governos? Que moral tem para isso? Quem lhes entregou esse mandato? Pelo voto popular, ninguém. Eles se reivindicam a si mesmos.
Com que direito se reivindicam o direito de organizar debates públicos, com as pessoas que lhes interessam, no cenário que preferem, com as perguntam que privilegiam? Como pode a TV Globo, depois daquele debate final Lula/Collor de 1989, ter moral para organizar um debate poucos momentos antes do final da campanha publica – de forma similar ao que fizeram em 1989 – querer ter o direito de impor um debate aos candidatos? Existirá algo similar, com tentativas de criminalização do ausente, em estados onde seus candidatos são favoritos e não aparecerão nos debates?
Tentam utilizar desesperadamente uma representação que ninguém lhes atribuiu, para buscar encontrar um espaço de influencia sobre o eleitorado, que se dão conta que perderam, diante das políticas sociais e o instinto social consolidado no voto do povo – em que mais de 80% dos que escolheram Lula afirmam que não mudarão sua opção.
O povo não acredita na imprensa. (As exceções são conhecidas: Carta Capital, Carta Maior, Caros Amigos, Brasil de Fato e várias outras vozes dissonantes, alternativas, embora minoritárias em termos de circulação e de leitores.). Vota contra os que tentam inculcar diariamente na sua cabeça idéias alheias a seus interesses e valores. Se não se pode dissolver o povo, que tal democratizar a imprensa? Assim o povo teria a imprensa que merece, com os valores pelos quais vota, que pode representá-lo e em que poderá vir a confiar.
OPOSIÇÃO QUER A PRESENÇA DE FORÇAS FEDERAIS NO DIA DA ELEIÇÃO. GOVERNO ABOMINA A IDÉIA.
Ontem (22/09) corria um boato pela cidade de que era iminente a solicitação, por parte de umas das coligações da oposição, da presença de forças federais (exército e polícia federal) no dia da eleição.
Deve ser porque, como todos nós do Acre estamos carecas de saber e testemunhar, aqui, durante os comícios e no dia da votação, a situação vira um verdadeiro inferno: brigas, badernas, enfrentamentos físicos entre cabos eleitorais, invasão das secções de votação, etc. Até parece que o Acre, e Rio Branco em particular, não pode prescindir da presença destas tropas. Verdade ou mentira? Bom, desde as minhas primeiras memórias de eleições, no início da década de 70, sempre observei que dia de eleição no Acre é dia de festa. Isto eu estou ficando (leteralmente) careca de saber.
Porque solicitar tropas federais? Para garantir segurança aos eleitores é que não é! Nunca foi uma necessidade. Elas sempre foram usadas com outros fins.
Tropas federais: tradição que vem dos governos militares Esta tradição vem desde os tempos dos governos militares, na década de 70, que colocavam as tropas nas ruas para "impressionar" os eleitores e torcer que eles, vendo todo o aparato, votassem nos candidatos deles. Quem não vive no Acre ou vem do estrangeiro, vendo a "marmota" que as centenas de tropas nas ruas representam, pensa que está em alguma república das bananas.
Isto continuou depois que os militares se foram. Só que agora virou uma tática das oposições, incluindo a turma do PT (quando era oposição). Funciona assim: ao convocar as tropas federais armadas até os dentes para se posicionar nas ruas e esquinas das cidades, os oposicionista querem passar para os eleitores a impressão de que quem está no poder não tem "força", é fraquinho e depende do governo federal para garantir a realização de uma simples eleição. Com isso eles esperam que os eleitores que saem de casa para votar tenham a impressão de que se não fosse pelas tropas federais, a baderna e a corrupção iria ser generalizada. Quanto à baderna, tenho certeza de que não ocorre. Agora a corrupção...
Dia da eleição: corrupção generalizada Todo mundo sabe que em dia de eleição ela é generalizada. Neste dia são montados dezenas de "currais" nos quatro cantos da cidade. Se as tropas federais tivessem que ser usadas para coibir a formação destes currias, até que se justificaria a sua presença nas ruas. Mas o que acontece na prática? Elas passam o dia torrando no sol, geralmente nas proximidades das secções de votação, bem longe dos currais, longe do "movimento".
Os partidos do poder, PT incluso, geralmente abominam a idéia de tropas federais. Querem passar a impressão que tudo melhorou. No caso atual, se o governo emplacar a idéia da não necessidade de tropas federais nas ruas - primeira vez na história que isto aconteceria -, iria ser uma vitória. Portanto, virou uma questão de honra manter as tropas aquarteladas.
Ibama apreende o equivalente a 900 carretas de caminhão em uma semana de operação no Pará
Carolina Pimentel Agência Brasil - Fiscais da Operação Kojima do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) devem permanecer até a próxima semana na região de Anapu, no Pará, para investigar novas denúncias de madeira extraída ilegalmente e que estaria escondida na mata. Iniciada há uma semana, a operação já apreendeu mais de 18 mil metros cúbicos de toras de madeira (o equivalente a 900 carretas de caminhão) de espécies como ipê e jatobá, às margens do Rio Tueré (no local conhecido como Terra da Paz), e também em madeireiras de Anapu. A apreensão já é considerada a maior feita pelo órgão no Pará. Os responsáveis pelo crime ambiental ainda não foram identificados.
“Estamos fazendo uma varredura num raio de 50 quilômetros, inclusive na bacia do Rio Pacajá, onde existem denúncias. A mesma forma [de crime] se reproduz na bacia do Pacajá”, disse o gerente do Ibama em Altamira (PA), Roberto Scarpari.
O Ibama, segundo o gerente, está articulando para que a madeira apreendida seja destinada a instituições sociais, que poderiam leiloar as toras. “Se nós deixarmos a madeira lá [na Terra da Paz], certamente ela será desovada. O pessoal volta e dá um jeito de retirar, porque não temos como manter uma pessoa fazendo a guarda da madeira”, explicou.
As equipes chegaram à madeira escondida na Terra da Paz por meio de uma denúncia feita ao sistema Linha Verde do Ibama, ouvidoria que recebe denúncias pelo telefone 0800–618080. De helicóptero, Fiscais sobrevoaram o local para confirmar as informações, segundo o Ibama.
O gerente lembrou que a denúncia é instrumento fundamental no combate à extração ilegal de madeira na Amazônia, pois o Ibama ainda não dispõe de tecnologia de monitoramento por imagem capaz de identificar com facilidade esse tipo de crime.
“Na extração ilegal de madeira, eles selecionam árvores de maior valor e as clareiras são pequenas. Por imagem, ainda não temos tecnologia que consiga identificar essa extração. O pessoal está trabalhando para alcançar essa tecnologia. Por isso a denúncia tem sido a arma principal”, afirmou Scarpari. Participam da Operação Kojima 300 fiscais de Belém, Marabá e Altamira, além da Polícia Militar paraense e de policiais federais. A ação recebeu esse nome em homenagem ao servidor do Ibama Júlio Kojima, morto em um acidente de carro quando se deslocava para Anapu.
Matéria extraída do portal Ecodebates - 23/09/2006
A carta-testamento de FHC já confessava a derrota e abordava a forma de fazer oposição dura ao segundo governo Lula, preocupada com a adesão de opositores ao novo governo, de proteger o combalido núcleo tucano paulista diante da candidatura de Aécio Neves e de tentar preservar a imagem desgastada do ex-presidente da república.
A nova ofensiva em prol de um impeachment – desta vez comandada diretamente pelo candidato tucano derrotado à presidência – confirma o clima de derrota no campo. O apelo ao tapetão representa isso: confissão de derrota diante do voto popular. Foi assim na história política brasileira durante os anos 50 e 60, até conseguirem o golpe de 1964. Getúlio, JK e Jango, triunfadores nas urnas, foram vítimas das tentativas de golpe da direita udenista.
Naquela época, apelavam para os quartéis – eram chamadas de “vivandeiras de quartel” -, das quais a mais conhecida era Carlos Lacerda – significativamente recordada por FHC. Hoje se apela à Justiça. Não querem esperar o veredicto das urnas. Sabem que perdem. Sabem que os milhões de votos de Lula impedem qualquer aventura golpista e por isso tentam desesperadamente, na contagem regressiva para sua derrota, um golpe contra a reeleição.
Desviam, com o auxilio inestimável da mídia, a denuncia de que 70% dos negócios sanguessugas com as ambulâncias foram feitas durante a gestão de Serra no Ministério da Saúde para o tema de como foi obtida a informação. Como a pauta da discussão é dada pela mídia, esse se tornou o tema, Serra ainda passa por vítima.
No entanto, ao que parece o povo mais uma vez não dá bola pra direita e para seus porta-vozes na mídia, já roucos de gritar aos ventos que sopram contra eles. Aos vencedores, o segundo mandato; aos perdedores, o tapetão e a guerra interna para buscar os responsáveis por ela e para definir quem se candidata em 2010. Se não lograram nada há um ano, quando o governo estava debilitado, o que podem conseguir diante dos milhões de votos de Lula já no primeiro turno? Tentam desrespeitar a voz do povo e invalidar as eleições. Se tem medo do povo, refugiem-se na sua privacidade policiada. Se não tem, aguardem poucos dias mais, para saber o que pensa o povo brasileiro – dos candidatos e da mídia.
SONHO DE SER SENADOR ARRUINADO POR UMA TRAPALHADA DO PRIMERO SUPLENTE?
O sonho de ser senador do candidato Airton Rocha vai naufragrar se ele não recorrer até o dia de hoje (22/09) da decisão do TSE (publicada no dia 19/09) que indeferiu o registro de candidatura de seu primeiro suplente, Benedito Walter Damasceno. O registro de Walter Damasceno havia sido indeferido no TRE do Acre por ausência de filiação partidária. Indeferida a candidatura do primeiro suplente, toda a chapa, titular incluso, é indeferida. Como é que pode!!!....será que o suplente decidiu ser candidato na última hora?
Leitores: avisem ao candidato ou seus advogados para que eles não percam o prazo. Eles podem recorrer ao STF, que, de uma forma ou de outra, deve seguir a decisão do TSE. Esta é a pior opção para Airton Rocha: se viesse a ser eleito ele iria viver eternamente na expectativa de ser apeado do mandato.
Qual a saída mais indicada para o caso? Apresentar outro nome para ser primeiro suplente. Neste caso Walter Damasceno teria que renunciar e tomar a balsa para Manacapuru antecipadamente...foi sem nunca ter sido. Será que ele faria isso?
Bom, pelo menos uma vantagem ele ia levar: ouvi dizer que este ano estão dando descontos generosos para quem comprar antecipadamente passagem para Manacapuru...Tem também a vantagem de poder escolher lugar. Que tal camarote com janela e ar condicionado? E na parte dianteira da balsa, longe do barulho irritante dos motores!!! _____________________________________ Como acessar os dados nas páginas do TSE e TRE: TSE: a) clique em PROCESSOS PUSH; b) clique em partes; c) entre o nome Benedito Walter Damasceno e clique "pesquisa"; d) clique no nome do candidato; e) clique no número do processo "RESPE - 26575"; f) selecione: andamento, despacho e decisão e clique visualizar. TRE-AC: a) selecione o nome do tribunal - TRE-AC; b) clique em partes; c) entre o nome Benedito Walter Damasceno e clique "pesquisa"; d) clique no nome do candidato; e) clique no número do processo "Rcand - 663"; f) selecione: andamento, despacho e decisão e clique visualizar.
PORQUE É FEITO NA CALADA DA NOITE E PELOS CAMINHOS MAIS INSUSPEITOS?
[clique nas imagens para ampliar]
As fotos foram tiradas pela equipe do site Notícias da Hora nas proximidades da cidade de Sena Madureira. As Fazendas se chamam Jaguari e Iquiri.
Tecnicamente falando chamamos o local onde a madeira em toras está armazenada de "esplanada". De longe dá para ver algumas toras que parecem ser de Cumaru-ferro e de Samauma. Significa que a madeira deverá ser usada para confecção de tacos e de compensado.
Armazenada aos olhos do público, transportada na "calada da noite" Estando armazenada em local visível apartir da estrada se supõe que os proprietários da mesma devem estar totalmente regulares junto às instituições que controlam a exploração no Acre - Ibama e Imac, ou seja, uma visita de fiscais a estas esplanadas não deve resultar em qualquer apreensão. Nenhuma surpresa. Alguem já ouviu falar de madeira ser apreendida em "esplanadas"? Eu não. O que estamos acostumados a ver na TV e ler nos jornais é que madeira é quase sempre apreendida durante o transporte e nos pátios das serrarias.
Se, de uma maneira geral a madeira armazenada em esplandas está ok, porque em nossa região, na maioria das vezes, o transporte da mesma para as serrarias e indústrias sempre acontece a noite e nos finais de semana, geralmente pelos caminhos mais insuspeitos? Pelo menos aqui em Rio Branco esse parece ser o caso. Altino Machado volta e outra denuncia que os caminhões toreiros estão passando pela estrada Irineu Serra, um caminho horrível, cheio de buracos e atoleiros na parte que é de chão batido. Porque os toreiros preferem arriscar quebrar os veículos nessa estrada quando poderiam muito bem seguir pela BR364, um estrada que no trecho urbano mais parece um tapete?
Eu acho que é porque nestas horas e dias a fiscalização é mais frouxa e provavelmente algumas das toras transportadas têm orígem duvidosa. É a tal da "enxertia". Teoricamente a madeira ilegal não é armazenada nas esplandas dos projetos de exploração legalizados. Onde ficam então?
Como será que os extratores ilegais fazem para "esconder" dezenas de toras? Duvido que seja no meio do mato, espalhadas e distantes uma das outras para "despistar" a fiscalização. Alguem tem alguma sugestão ou idéia?
Enquanto o presidente Evo Morales participa de solenidades mundo afora, escoltando o capo "Hugo Chavez", a Bolívia, o país real, está aos poucos sendo tomada pela anarquia. A principal razão da desunião entre os bolivianos é a nova assembléia constituinte. Muita coisa importante vai ser discutida durante a mesma, inclusive a possível perpetuação de Evo Morales no poder.
Ocorre que a constituição do país diz que para mudar a constituição são necessários 3/4 dos votos do congresso. Evo conseguiu maioria apertada na eleição para a assembléia. Por esta razão ele e seus apoiadores acham que as mudanças que pretendem fazer têm que ser validadas com maioria simples, ou seja, 50% + 1% dos votos.
Bloqueios e falta generalizada de combustível Nesta semana vários bloqueios, greves e enfrentamentos ocorreram por todo o país. Segundo o diário El Nuevo Dia, atualmente existem diversos conflitos e demandas sociais em curso no país: Santa Cruz, Oruro, Tarija e Cochabamba são os mais importantes. Cinco departamentos estão bloqueados e o país paralisado.
Para piorar a situação, depois da nacionalização, a companhia boliviana responsável pela distribuição de combustível (YPFB) admitiu seu fracasso e assumiu a responsabilidade pela falta generalizada de gasolina e óleo diesel por todo o país. Ontem ela pediu que a Petrobras disponibilizasse 1,2 milhões de litros de gasolina em Santa Cruz.
Presidente em exercício incitou seguidores a tomar armas Depois do fracasso do bloqueio contra a província de Santa Cruz, promovido por simpatizantes de Evo Morales, o presidente em exercício, Alvaro Garcia Linera, convocou os campesinos bolivianos a "empunhar fuzis" para defender (sic) o governo de Evo Morales.
Segundo CAyetano Llobet, analista político, "não existe estado nem política de estado para solucionar os problemas causados pelos grupos pequenos de protestantes que bloqueam livremente as estradas no momento que acham conveniente". Segundo o mesmo analistas, Evo Morales está provando do mesmo "veneno" que costumava usar para desestabilizar os governos anteriores, "quando não era presidente nem representava a maioria dos bolivianos, mas que tinha a capacidade de paralizar e dividir o país".
Grande possibilidade de guerra civil Um relatório preparado por um grupo de trabalho do Ministério do Exterior Argentino indica que existe 56% de possiblidade de guerra civil na Bolívia e estima que no caso de sua ocorrência, cerca de 1 milhão de bolivianos se refugiariam naquele país, causando despesas extras entre 440 e 730 milhões de dólares. A informação foi publicada no dia 19 de setembro pelo diário "El Cronista Comercial de Argentina"
Recordar é viver: a tradição da direita brasileira é golpista
Lula lidera as pesquisas. A eleição está resolvida? Recentes acontecimentos recomendam atenção para um velho hábito da direita brasileira: o golpismo. Ao longo do século XX, o país teve duas experiências de governos com pendores populares. Uma delas acabou com o suicídio do presidente. A outra foi abortada por um golpe militar. A terceira experimenta alguns fenômenos que se repetiram nas duas primeiras.
Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior, 18/09/2006
PORTO ALEGRE - De maus modos também se morre. Essa frase tem vários significados. Entre eles, várias expressões de maus modos. Entre elas, a falta de atenção sobre o que acontece ao nosso redor. Nos últimos dias, uma série de “acontecimentos” aumentaram a temperatura do ambiente político brasileiro. As aspas que cercam os acontecimentos pretendem justamente chamar a atenção para o que pode estar, de fato, acontecendo. Uma mínima dose de razão prudencial recomenda uma certa dose de suspeita em relação à idéia de coincidência. A temperatura política aumentou desde a última sexta com as notícias do suposto envolvimento da gestão de José Serra no Ministério da Saúde, durante o governo FHC, com o esquema das sanguessugas e suas formidáveis ambulâncias super-faturadas. O “acontecimento” aí, rapidamente, sofreu uma transmutação: tornou-se uma “investigação sobre o suposto envolvimento de petistas em uma armação contra José Serra”.
A realidade dos “acontecimentos” tem uma dimensão seletiva na mídia. Alguns “acontecimentos” são mais “acontecimentos” do que outros. E merecem qualificação diferenciada: as denúncias contra Serra rapidamente são descritas sob o guarda-chuva da “armação”. Um desses “acontecimentos” merece atenção menor. O ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, disse sexta que os escândalos de corrupção investigados pela CGU começaram em governos anteriores. E acrescentou que as denúncias envolvendo ministros de governos passados, como José Serra, devem receber o mesmo tratamento das denúncias que envolvem integrantes e ex-integrantes do governo Lula, como o ex-ministro da Saúde, Humberto Costa. Esse “acontecimento” teve um destaque muito menor na mídia. No final de semana, as manchetes falavam das investigações da PF para apurar o envolvimento de petistas em uma “armação” contra Serra.
“Quadro de horror e opressão" No final da tarde de domingo, somos informados de mais um “acontecimento”. Três ministros do TSE tiveram seus telefones grampeados. Entre eles, o presidente do Tribunal, ministro Marco Aurélio Mello. Uma nota do TSE anuncia a convocação de uma coletiva para a manhã de segunda-feira. Antes do anúncio de qualquer investigação sobre o caso, o ministro já antecipa algumas opiniões na imprensa. “Se partiu de um particular, político ou do crime organizado, é condenável. Mas se partiu do Estado mostra que quadro de horror e opressão estamos vivendo. Um ministro do Supremo ser bisbilhotado é uma coisa inimaginável”, declarou Marco Aurélio Mello à Agência Globo. A declaração do ministro mal consegue disfarçar sua visão sobre a conjuntura atual: estaríamos vivendo um quadro de horror e opressão. A caracterização do presidente do TSE não é exatamente nova.
Na semana passada, Marco Aurélio Mello declarou que a reeleição é péssima para a democracia. Se, por um lado, o instituto da reeleição é um problema sério que deve ser discutido, por outro, a declaração, no contexto da campanha eleitoral, significa que o presidente do TSE recomenda à população que não vote nos candidatos que disputam a reeleição, entre eles o presidente. Não custa lembrar: não é atribuição do presidente do TSE dizer à população em quem deve ou não votar. Tampouco é atribuição de um magistrado antecipar opiniões sobre uma investigação que ainda será iniciada. A pressa em indicar possíveis culpados indica uma ansiedade singular. Uma ansiedade em tornar um “acontecimento” o “quadro de horror e opressão que estamos vivendo”. E qual é exatamente esse “quadro de horror e de opressão”? Do ponto de vista político, é o quadro de um cenário eleitoral que aponta para a reeleição do atual presidente do país.
Repetição e memória Não é a primeira vez que esse quadro ocorre. E, em se tratando de repetições, a memória costuma ser uma boa conselheira. No dia 27 de setembro de 1998 a Folha de São Paulo publicou uma entrevista realizada com o então Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ilmar Galvão, onde este expressou publicamente seu apoio a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidente do TSE afirmou: "Se eu fosse Congressista, nunca aprovaria a reeleição para Governador e Prefeito. Quando muito, para Presidente da República, em uma conjuntura como a atual, em que a permanência do Presidente da República é um fato indispensável para a manutenção e para consolidação do modelo econômico que foi implantado no Brasil." A entrevista não ganhou grande repercussão nos noticiários televisivos. A oposição exigiu que o ministro se retratasse publicamente, mas Galvão não se abalou com o episódio, limitando-se a dizer que havia sido mal interpretado pela imprensa.
Na época, a comissão de Defesa da Ética na Política da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota oficial lamentando o ocorrido e manifestando temor pelo bom andamento das eleições. A comissão concluiu que cabia ao ministro Ilmar Galvão avaliar se o episódio havia abalado a necessária imparcialidade de sua atuação na condução das eleições. O caso foi de extrema gravidade, pois mostrou um Ministro do TSE, presidente da última instância judiciária eleitoral, declarando sua preferência eleitoral sem qualquer constrangimento. Não houve nenhum escarcéu na mídia, muito pelo contrário. Reinou o silêncio. O máximo que se viu foi um pedido de exame de consciência por parte da OAB. Nunca é demais lembrar: o papel da justiça eleitoral é trabalhar para garantir a licitude do pleito de forma imparcial e obedecendo a legalidade vigente. Esse princípio básico foi desrespeitado de forma escancarada. E ficou tudo por isso mesmo.
A geografia seletiva do mar de lama Ficou tudo por isso mesmo. Essa é uma expressão familiar à história política do Brasil. Ao longo do século XX, o país teve duas experiências de governos com pendores populares, com todos os seus limites e contradições. Um deles acabou com o suicídio do presidente da República. O outro foi abortado por um golpe militar. A terceira dessas experiências, que estamos vivenciando agora, curiosamente experimenta alguns fenômenos que se repetiram nas duas primeiras. O “mar de lama” parece só vir à tona no país quando um governo com algum grau de comprometimento popular chega ao poder. Isso aconteceu também em escala regional. A mais importante experiência de um governo estadual de esquerda no país, o governo Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul, foi atravessada por denúncias de corrupção e de envolvimento com “a máfia internacional da jogatina”. Este governo enfrentou uma CPI da Segurança Pública, tão pródiga em denúncias quanto em falta de provas, o que resultou no arquivamento das primeiras pelo Ministério Público.
O quadro então é este. Qualquer governo que tenha um cheiro de esquerda, por mais tênue que seja, é logo acusado de estar patrocinando um “mar de lama”. Os outros governos, com cheiro, gosto e cor de direita, seriam expressões de moralidade pública. Considerando o tempo histórico que uns e outros governaram esse país, chega-se à conclusão que os problemas do Brasil devem-se aos poucos anos que governos com algum pendor popular estiveram no poder. Neste domingo, o presidente nacional do PFL, o senador banqueiro Jorge Bornhausen (PFL/SC), defendeu a cassação do registro da candidatura do PT. Bornhausen que, recentemente, expressou o modesto desejo de “se ver livre desta raça por 30 anos”, afirmou: “Como sempre, o PT vive no submundo do crime, da falcatrua, da chantagem e do uso do dinheiro público”. Outro grande líder democrata do país, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL/BA), chamou o presidente Lula de “rato”. Seu currículo de serviçal da ditadura militar e suas recentes declarações defendendo uma nova intervenção dos militares na vida política do país (clique AQUI para ver), devem ser vistos, talvez, como acidentes de percurso.
Mas o que a história do país mostra é que não há acidentes de percurso. Mostra que se deve desconfiar daquilo que se apresenta como coincidência. Mostra que se deve levar a sério esses últimos acontecimentos, com ou sem aspas, como uma boa maneira de dar conseqüência ao que está se passando ao nosso redor. A mescla de silêncio e seletividade midiática é um sinal de alerta mais do que suficiente. De maus modos também se morre. A falta de memória e a desatenção estão nessa tenebrosa lista, em que o golpismo se imiscui, para dizer quem pode e quem não pode, governar, e quem pode e quem não pode, ter direitos. Ao longo da história, a imprensa brasileira não sobrevoou esses “acontecimentos” como um anjo que olha, compassivo, os acontecimentos terrenos. Pelo contrário, sempre foi um protagonista ativo, com lado definido. O fato de silenciar sobre o engajamento escandaloso de um presidente do TSE em um processo eleitoral, como ocorreu durante o governo FHC, não é acidental. A única coisa acidental que pode haver aqui é a falta de atenção.
O fim da era da pedra no lago Não custa lembrar então um fenômeno novo nesta relação da mídia com a sociedade. Um fenômeno apontado pelo jornalista Franklin Martins em recente entrevista à revista Caros Amigos. Segundo ele, estamos vivendo um fenômeno novo importantíssimo na vida política brasileira do qual as pessoas ainda não se deram conta: o fim da era da pedra no lago. Ele explica: “Nós tínhamos um padrão de comportamento que vem desde o final da luta contra a ditadura. Produzia-se um fenômeno político, a classe média formava uma opinião a respeito e essa opinião se estendia para a periferia. Como a pedra no lago: caiu a pedra na classe média, formando ondas concêntricas para os lados. A classe média era a dos chamados formadores de opinião, você os conquistava, tinha resolvido a parada. Ao que assistimos nessa crise do mensalão? A classe média formou a convicção de que o governo estava tomado por uma quadrilha, por uma bandidagem, etc. – não estou discutindo se isso é verdade ou não -, ela formou essa convicção, bateu a pedra no lago...”
“...as ondas começaram, daqui a pouco...bateu em algum lugar, tinha um dique, e as ondas começaram a voltar. Bateu onde? Bateu na classe C. É o pessoal que ganha de dois a cinco salários mínimos que olhou e disse: “Espera um instantinho, não é bem assim, eu penso um pouco diferente. Tem roubalheira? Tem. Roubou o governo? Roubou. O Lula é algum santo? Não. O Lula sabia? Acho até que sabia, mas é o seguinte: sempre foi assim e a minha vida está melhor hoje em dia, quero discutir isso também. O BNDES anunciou um plano para financiamento de 300.000 computadores até o valor unitário de 1.400 reais. Pra onde eles vão? Para a classe C. Seis milhões de pessoas foram incorporadas à classe C segundo as estatísticas, foi manchete de todos os jornais. Quer dizer, 10% do mercado brasileiro. Agora que estou melhorando de vida, vocês querem derrubar esse governo?”
Essa é a idéia. E é exatamente por isso que as próximas semanas devem ser pesadíssimas. Os advogados do PSDB apresentam nesta segunda, em Brasília, uma representação ao TSE contra o que consideram “interferência do governo no processo eleitoral”. A ação será movida contra o presidente Lula, contra o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos e contra o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini. Para o PSDB, “há fatos suficientes para a cassação do registro da candidatura de Lula”. Com o seu candidato estagnado nas pesquisas, tucanos e pefelistas devem partir para a radicalização nos próximos dias, tentando atingir a candidatura Lula. O objetivo não é necessariamente impedir a vitória de Lula, mas sim inviabilizar um segundo governo. A julgar pelo tiroteio verbal deste fim de semana e pelo surgimento de novas denúncias, acusações e “acontecimentos”, os últimos dias da campanha eleitoral serão de tripa na calçada. Se alguém achava que a campanha seria marcada pela “apatia” pode se preparar para fortes emoções. Vai engrossar.
As elites brasileiras não toleram sequer um governo do PT que mistura um Bolsa Família com lucros inéditos aos bancos. As elites brasileiras não toleram não estar no poder. Não toleram a mínima possibilidade de perder espaço de poder. Por isso, nada está resolvido. Nada está ganho. Não há nenhuma vitória garantida. Atenção redobrada é o melhor antídoto contra os maus modos que continuam a nos espreitar.
Boa coisa o Notícias da Hora ter provocado a discussão sobre o preço de uma corrida de taxi entre o Aeroporto e o centro de nossa cidade. Já viajei muito pelo Brasil e tenho a impressão que o preço cobrado por aqui deve ser o mais alto do Brasil. R$ 80,00.
A desculpa do Sindicato dos Taxistas: "a carga tributária imposta pelo governo que não deixa brecha para que os preços sejam repensados. Nós entendemos que o preço repassado aos usuários é salgado, mas é preciso deixar claro que uma mudança na tarifa depende da redução do ICMS cobrado sobre a gasolina, de 17%”.
Quer dizer que além de comprar carro pagando preço de banana, os taxistas agora querem gasolina com preço diferenciado? Essa turma não é boba não! Se deixar, daqui a alguns dias vão exigir que o governo banque a manutenção de seus veículos.
O RBTrans, obviamente, se apressa em dizer que eles estão cumprindo a legislação. A solução para o problema tem um nome: CONCORRÊNCIA! Se hoje existem 10-15 taxis atendendo o Aeroporto, que se triplique este número, abram espaço para que vans e microônibus realizem o transporte. Logo o preço vai cair e mais pessoas vão usar o taxi. Chega de humilhação de esperar uma vida na parada de ônibus...
José Aldemir de Oliveira (*) Cienc. Cult. v.58 n.3 São Paulo jul./set. 2006
Parte 1
É possível compreender a Amazônia a partir de suas cidades, ou mais especificamente, das pequenas cidades localizadas às margens de seus rios? É disso que este artigo trata, de cidades das quais pouco e poucos tratam. É preciso falar delas para compreender a Amazônia, não porque são importantes do ponto de vista econômico e político, mas porque são lugares em que pulsam modos de vida que diferem significativamente do padrão caracterizado como urbano e predominante em outras regiões do Brasil.
A PRIMEIRA VISÃO A vida nas e das cidades amazônicas está ligada ao rio e à floresta. Transpondo-os, surgem os aglomerados de casas simples que, vistas uma vez, nunca mais serão esquecidas. Não porque deixem, como outras cidades memoráveis, uma imagem extraordinária nas recordações, mas porque têm a propriedade de permanecer na memória rua por rua, casa por casa, apesar de não possuírem particular beleza. É mais ou menos assim que Italo Calvino(1) descreve uma cidade imaginária no livro Cidades invisíveis, e é assim que temos o primeiro contato com a maioria das cidades da Amazônia localizadas à beira dos rios. Dessas cidades, temos a primeira visão de longe quando o barco em que navegamos se aproxima. Se for dia vemos a torre da telefônica, antes víamos a torre da igreja. À noite é o clarão da cidade que se achega vagarosamente, sem pressa. A viagem é longa, mas a chegada à cidade, desde que temos a primeira visão, parece interminável, dando-nos tempo para os aconteceres e para a concretização do ser.
Finalmente, chega-se ao porto, em que tudo é transitório. A improvisação do local onde param os barcos dá a quem chega a impressão de que, nas pequenas cidades da Amazônia, nada é perene, tudo é temporário, inacabado e precocemente deteriorado. O porto é por onde se chega e se vai; ele contém a possibilidade do entendimento da cidade, pois a vida começa no porto, menos pelo movimento, mais pelo fato de ele encerrar quase tudo que a cidade possui e que nela falta. O porto é o intermédio entre o rio, a floresta e a cidade, lugar privilegiado dos enigmas amazônicos, transfigurados em enigmas do mundo, a nos interrogar sobre o nosso passado, presente e futuro. O rio, a floresta e a cidade têm no porto a fronteira entre a realidade e a ficção, possibilitando-nos leituras múltiplas de espaços-tempos diversos.
É quase sempre assim que se chega à maioria das cidades ribeirinhas e delas se tem a primeira impressão, que nem sempre fica, pois a concretude de um arruamento caótico, de equipamentos urbanos inexistentes ou inadequados, dá outra impressão dessas pequenas cidades mergulhadas na inércia. Todavia, essa inércia pode ser apenas aparente, pois quase sempre se usam concepções anteriormente formuladas para realidades de um urbano em movimento, enquanto que na Amazônia isso pode não ser encontrado à primeira vista, e talvez nem na última.
A interpretação que se pode dar às pequenas cidades perdidas na imensidão dos rios e da floresta muitas vezes é fugidia, pois busca parâmetros lógicos que nem sempre são capazes de explicá-las. Todavia, apesar de todas as limitações que se tenha, o importante é perceber, desde a chegada, que nessas pequenas cidades estão as raízes caboclas fincadas no chão, preciosos arquivos culturais do mundo amazônico, que são as dimensões simbólicas de uma cultura que teima em permanecer.
O QUE SÃO AS PEQUENAS CIDADES? Quais os parâmetros para se definir uma pequena cidade? Não há uma definição absoluta. Como assinala Oswaldo Amorim Filho (2) ao analisar cidades médias, o primeiro critério ainda é o demográfico, porém este critério é capaz apenas de identificar o grupo ou a faixa ao qual a cidade pertence. Portanto, outros critérios devem ser arrolados, especialmente para uma região como a Amazônia. Num esforço de definição, aponta-se: • a baixa articulação com as cidades do entorno; • as atividades econômicas quase nulas, com o predomínio de trabalho ligado aos serviços públicos; • a pouca capacidade de oferecimento de serviços, mesmo os básicos, ligados à saúde, à educação e à segurança; • a predominância de atividades caracterizadas como rurais.
As pequenas cidades são, portanto, cidades locais (3), com atuação restrita, cuja articulação imediata se dá com um centro subordinado a outro de nível hierárquico superior. Por outro lado, o processo de surgimento das pequenas cidades na Amazônia não prescinde de suas especificidades, e é neste sentido que ganha relevância a produção de conhecimento sobre elas, visto que, do ponto de vista demográfico, no período intercensitário (1991-2000), a região Norte apresentou a maior taxa de crescimento relativo da população urbana no Brasil, 18,26%, com média de urbanização de 69,87%. Observa-se que há o aumento do número de cidades e a diminuição do tamanho das mesmas, pois, em 1991, o tamanho médio das cidades era de 5,2 mil habitantes e, em 2000, de 2,07 mil. Tomando como exemplo o estado do Amazonas, no censo de 2000, das 62 cidades, 10 têm menos de 5 mil habitantes e 21, entre 5 a 10 mil habitantes.
Quase sempre, são pequenos núcleos que se emancipam com fraca ou nenhuma infra-estrutura, tendo como base econômica o repasse de recursos públicos e, embora apresentem a estrutura de cidade, carecem de atividades econômicas caracterizadas como urbanas, o que faz com que a população urbana se dedique a atividades rurais tradicionais, como pesca e extrativismo.
Esses núcleos urbanos diferem dos criados às margens das estradas, os quais se constituem nas novas espacialidades urbanas da Amazônia a partir dos anos 1970, em decorrência da construção de novos eixos de circulação que são os vetores de expansão da fronteira para a implantação dos projetos de colonização e da instalação de grandes projetos públicos e privados.
Ao mesmo tempo em que ocorre a integração do território, possibilitando a circulação de pessoas e objetos, há a desarticulação de fluxos pretéritos e o surgimento de outros. Como essa desarticulação de fluxos não é circunscrita a si mesma, não apenas os eixos desaparecem, mas se desarticulam atividades e, daí, modos de vida a elas ligados (o regatão, por exemplo). Geralmente, os padrões de circulação impostos pela modernização determinam o desaparecimento de algumas atividades e o surgimento de outras; daí os impactos decorrentes.
No caso específico das pequenas cidades localizadas às margens dos rios, observa-se que elas perderam sua incipiente dinâmica econômica em decorrência da crise do extrativismo, mas mantiveram certa importância local como suporte de serviços à população, visto que, embora as condições gerais de infra-estrutura de serviços na Amazônia sejam precárias, a pouca existente ainda está concentrada nas cidades.
AS PEQUENAS CIDADES DO NOSSO ÁGORA Há outro lado que também deve ser considerado para compreender as cidades amazônicas. Nas últimas décadas do século XX, a vida nas cidades da Amazônia mudou de modo significativo. Mesmo nas pequenas cidades, em pouco mais de uma geração, as informações tornaram-se mais ágeis, pois os lugares foram atingidos por tecnologias que possibilitaram maior circulação de idéias e o acesso à modernização.
Isso contribuiu concreta e subjetivamente para o surgimento de novo processo urbano, o qual já se apresenta complexo. Em conseqüência, há mudanças de proporções espantosas tanto positivas como negativas. De um lado, as cidades passam a ser associada às idéias do novo, do moderno; de outro, passam a ser associadas à baixa qualidade de vida, epidemias, inércia e lugar da destruição e da violência, as quais sempre ganham adjetivação que as associa ao espaço urbano.
A questão que se vislumbra é como compreender as estratégias das populações e do poder local para a superação das dificuldades de acesso à educação, saúde e telecomunicações; e como essa articulação se insere numa rede de organizações do movimento social local (sindicatos, cooperativas, nações indígenas) e desta com o movimento ambientalista (ONG’s), inserindo a Amazônia como pauta de discussão internacional, relacionada à questão ambiental. Neste sentido, as pequenas cidades da beira do rio parecem ter sua dinamicidade ligada à dimensão da sustentabilidade e da biotecnologia, comandadas quase sempre por ONG’s que estão articuladas ao mundo, sem se articular com os lugares. Criam-se espaços artificiais, desprovidos de memória, que desprezam a história e a cultura específicas, levando à construção de objetos iguais, independentemente dos lugares onde estão localizados.
Artigo continua...
(*) José Aldemir de Oliveira é geógrafo, professor titular do Depto. de Geografia da Universidade Federal do Amazonas, líder do Grupo de Pesquisas e Estudos das Cidades na Amazônia Brasileira, bolsista do CNPq.
RIO BRANCO, AC - O resultado do exame de DNA que apontará o autor do assassinato da pesquisadora portuguesa Vanessa Cerqueira pode ser conhecido nesta quarta-feira, segundo informou o secretário de Segurança Pública do Acre, Antônio Monteiro Neto. O matérial foi enviado para um instituto especializado de Belo Horizonte (MG), - A polícia esconde o nome – e devido aos feriados de 5 e 7 de setembro, além da greve dos Correios em BH teve sua análise retardada. Com o resultado em mãos o secretário disse que o caso será encerrado.
Sangue na roupa do principal suspeito A polícia encontrou sangue na roupa do principal suspeito, Raimundo Nonato da Costa, mais conhecido por “Di Manaus”, que permanece preso na penitenciária de Sena Madureira. O sangue também estava nos objetos pessoais da pesquisadora. Estes objetos estavam em poder de “Di Manaus” e foram apreendidos para perícia – um pedaço de pau e um aparelho GPS. A suspeita de que Vanessa teria sido estuprada antes de morrer só será confirmada pelo exame.
A mulher de “Di Manaus” continua recebendo proteção de vida da Polícia Militar. Ela disse á polícia que o marido havia chegado em casa, no dia do crime – 20 de agosto - , com a roupa suja de sangue. Segundo o depoimento dela, o marido e acusado tentou lavar a calça para remover a mancha de sangue, o que não conseguiu.
Acusado pode ser solto: demora na conclusão do inquerito O diretor-geral de polícia, delegado José Barbosa, admitiu que “é possível que o acusado obtenha hábeas corpus” em razão da demora para que o inquérito seja concluído. Mas afirmou que “qualquer investigação bem fundamentada neste caso depende do exame de DNA”. A pesquisadora foi morta a pauladas. Raimundo Nonato nega ter cometido o crime
Você já foi multado por um desses novos radares fixos ou móveis? Ficou revoltado?
Pois bem: o candidato a deputado estadual Luiz Calixto - revoltado por natureza - espalhou panfleto a respeito pela cidade. Não tive a oportunidade de ler. Vejam a nota abaixo na coluna do jornalista Roberto Vaz, Editor do site Notícias da Hora. Segundo a nota, a Diretora do Detran foi afastada.
A atual campanha de marketing desencadeada pela Globo e outros grandes meios de comunicação para levar Alckimin para o segundo turno tem mostrado sistematicamente os mesmos personagens que, com a ajuda dos mesmos meios de comunicação, tentaram derrubar o presidente há alguns meses atrás. Foram semanas com chamadas diárias nos principais telejornais, depoimentos anônimos, capas de revistas, primeiras páginas de jornais. Um verdadeiro massacre. Pelo script o presidente deveria ter sido destituído. Mas o resutlado foi outro: Lula subiu nas pesquisas e se consolidou como o provável vencedor da eleição no primeiro turno. Como dá para entender que depois de tanto esforço o povo faz uma coisa dessa? Deve ser burro e corrupto esse povo! Essa deve ter sido a conclusão dos que executaram aquela campanha para apear o atual presidente do poder. Ainda bem que o povo brasileiro não é burro nem corrupto, é, digamos, enigmático, difícil de ser compreendido por aqueles que detém o 4° poder no Brasil: a classe dominante que representa menos de 1% da população.
Será que eles tiraram alguma lição do episódio? Parece que não. Este novo episódio, trombeteado como "grande armação" do Lula e seus assessores é no mínimo estranhíssimo. Será que um candidato cotado para vencer disparado a eleição ainda no primeiro turno iria mesmo fazer toda essa lambança para trazer para si, em plena reta final da eleição, tanta propaganda negativa? Eu acho que não.
Episódio do dossiê: passaporte de Alckmin para o 2° turno Difícil vai ser a Globo e demais órgãos da imprensa conseguir convencer o povão, que realmente elege o presidente do Brasil, que esse episódio é a "virada" que Alckimin precisa para ir ao segundo turno. Aliás, nem o candiato deles está ciente disso. Quem viu a entrevista que ele deu na segunda (18/09) no Bom Dia Brasil da TV Globo teve a impressão que a "crise" do dossiê não exisita. Ele dedicou menos de 1 minuto ao assunto! Foi nítido o contraste entre as matérias editatas sobre o caso apresentadas antes da entrevistas e a entrevista em sí. Nas matérias editadas o presidente e assessores foram caracterizados como réus - mesmo sem provas contundentes. Na entrevista ao vivo com o candidato deles, esqueceram de orientar os entrevistadores para "continuar" o mesmo clima pesado de crime e corrupção deixado no ar pelas matérias editadas. Os entrevistadores, com a liberdade de atuação ao vivo, parece que fugiram ao esquema da emissora. E o candidato Alckimin também. Seria um sinal de que tem algo estranho no ar?
Justiça e pesquisa presidencial: ducha de água fria É claro que a campanha de marketing ainda deve continuar por mais alguns dias mas um fato ocorrido esta noite desinflou um pouco o "clima" de crime consumado que tem sido passado sistematicamente para a audiência e leitores dos meios de comunicação que estão à frente do esquema: como explicar para o povão que os acusados foram soltos pela justiça federal? E agora? Não soa estranho soltar assim, de repente, um bando de "criminosos" sem justificativa?
Para piorar as coisas, uma pesquisa publicada hoje indica Lula eleito no primeiro turno. Talvez divulgaram porque já estava programada. Mas é um tiro no pé no esquema que está em andamento. Ainda resta uma ou outra pesquisa de intenção de voto. Nestas vai dar para fazer uma manipulação discreta para mostrar um esperado crescimento de Alckimin. Basta pesquisar apenas entre aquela parcela da população onde o referido candidato tem se saído melhor. Talvez isso ajude a mudar o voto daquela parcela maior, o povão, que acredita no atual presidente.
Surpresa: ação do TSE Outra coisa que ainda vai dar manchete é o esforço incomum do TSE em solicitar para sí a investigação do episódio. O TSE é dirigido por um juiz que declarou ser expressamente contra a reeleição e que está insatisfeito com a situação política atual do país. Tenho a impressão que o TSE vai terminar como o Collor: só. É que a mídia é cruel. Depois da eleição o assunto provavelmente vai sair de pauta e quando isso acontece é difícil traze-lo de volta. Mesmo para um presidente de TSE.
Resultados concretos: desvio de foco e condenação do PT na mídia De concreto a atual campanha de marketing atingiu pelo menos dois importantes objetivos: tirar de foco o fato principal relacionado com o dossiê - Serra se confraternizando como os deputados e os mentores do esquema das amabulâncias -, e caracterizar os personagens do "outro lado" (PT) como os verdadeiros criminosos. Resta agora ver que efeitos tudo isso vai ter nos votos que vão decidir a eleição daqui a duas semanas.
Para as elites e a imprensa, Alckimin já deveria estar sentado lá. Aliás, para resolver logo isso, as elites, pelo menos neste espisódio específico, gostariam que o Brasil fosse os Estados Unidos. Já imaginou: divulgar que um assessor do Lula está envolvido no tal esquema de compra do dossiê e o presidente imediatamente renunciar ao mandato? O escândalo Watergate foi mais ou menos assim. Só que a imprensa lá não é comprometida como a daqui. Ainda bem que estamos no Brasil. Já pensou ter que ver o presidente renunciar e junto com ele talvez 90% dos políticos com mandato no país. É, porque se suspeita fosse motivo para isso, poquíssimos políticos iriam escapar ao caminho da renúncia.
PEIXES E CAMARÕES DE ÁGUA DOCE MUDAM DE COR E FICAM TRANSPARTENTES PARA SE PROTEGER DE PREDADORES
Algumas pesquisas feitas em ambientes marinhos já indicavam que camarões e peixes de dimensões semelhantes, normalmente pequenas, apresentavam algumas relações simbióticas (em que nenhuma das duas espécies sofre prejuízo). Agora, de acordo com um novo estudo, é possível dizer que eles também se protegem em conjunto dos predadores maiores.
Na pesquisa, feita para espécies de água doce, foram identificadas três associações voltadas para a proteção, duas na Amazônia e uma em um rio do litoral norte de São Paulo. Em todas o processo ocorre da mesma forma: as espécies de peixes e camarões mudam de cor e ficam transparentes para conseguir escapar dos predadores. Juntos, os indivíduos diferentes podem construir um sistema de defesa único ainda mais eficiente.
“O tamanho, a forma e a coloração similar dos peixes com os camarões certamente são fatores importantes para determinar essa relação”, explicou Lucélia Nobre Carvalho, aluna de doutorado do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), à Agência FAPESP.
“A transparência é uma estratégia economicamente barata e eficiente contra predadores que se orientam visualmente”, disse Lucélia, primeira autora de artigo sobre a pesquisa, publicada na revista Neotropical Ichthyology, da Sociedade Brasileira de Ictiologia.
Apesar de o mecanismo da união invisível ter sido descrito pela primeira vez na literatura científica, esses processos simbióticos não são únicos na natureza. “Mas, no ambiente dulcícola, existem poucos registros de interações complexas entre peixes e camarões. Esse baixo número de ocorrências, incluindo a associação observada agora, é conseqüência dos poucos estudos realizados em condições naturais, utilizando a técnica de mergulho como ferramenta dirigida para observações”, explicou Lucélia.
Depois desses três relatos simbióticos, baseados na camuflagem e estudados, quando possível, por meio do mergulho, o caminho científico para que novos elos possam ser encontrados está aberto. “Um aumento das pesquisas utilizando observações subaquáticas possivelmente trará outras descobertas surpreendentes em sistemas de água doce”, afirmou Lucélia.
O artigo The almost invisible league: crypsis and association between minute fishes and shrimps as a possible defence against visually hunting predators pode ser lido no endereço www.ufrgs.br/ni.
A história de que alguns jovens pescaram um pirarucu de 120 kg e 2,2 m de comprimento no rio Antimary parece história de pescador. Embora as fotos da nota do jornal Notícias da Hora mostrem os pescadores em pose de triunfo, a verdade é que eles não fazem idéia da maldade que cometeram a esta espécie de peixe que praticamente não existe mais no Acre. O exemplar capturado é maior do que o tamanho mínimo previsto na legislação (1,5 m), mas mesmo assim o bom senso e a lógica diz que todos deveríamos evitar a captura da espécie no Acre tendo em vista a sua raridade.
Tenho apenas uma curiosidade: para praticar a pesca, mesmo esportivamente (o que parece ser o caso) os tais pescadores devem ter a licença do IBAMA. Será que eles têm? Se não, o Notícias da Hora fez um bom serviço denunciando de forma indireta a ilegalidade cometida pelas pessoas listadas na nota: Antonio Carlos, Samário , Vinicius, André Augusto e João Carlos, que estavam na área da Fazenda Santo Antônio.
Se algum analista ambiental do Ibama estiver lendo o blog, sugiro tentar contactar os mesmos para as devidas averiguações.
Clique aqui para ler a nota publicada no Notícias da Hora Fotos: publicadas com permissão do Editor do site Notícias da Hora
"PACOTE" DE MARKETING PARA LEVAR ALCKMIN AO 2° TURNO
Dois fatos acontecendo simultaneamente, monopolizando a atenção da mídia e, por tabela, de toda a população. Agora o que se fala é quem comprou, quem pagou, de onde saiu o dinheiro...o principal fato, o dossiê mostrando o ex-ministro confraternizando com uma turma de deputados sanguessugas saiu do foco da mídia e da mente das pessoas.
Última tentativa de colocar Alckimin no 2° turno Muito eficiente e bem orquestrada a campanha. Na verdade, esse talvez seja o último cartucho da equipe do PSDB para tentar reverter a derrota que se vislumbra mais do que clara na eleição de outubro (todas as pesquisas indicam isso). A esperança é levar o candidato oposicionistas, Geraldo Alckimin, para o segundo turno.
Talvez consigam pois deveremos ter mais uns cinco dias de manchetes diárias sobre o assunto. Obviamente que se espera que Alckimin suba nas pesquisas de intenção de votos. Mesmo que seja apenas 1%, isso vai ser suficiente para o mesmo merecer manchete nos principais jornais e telejornais do país. Neste momento crucial toda ajuda é bem vinda.
TSE parece repetir TRE do Acre na campanha de 2002 Segundo artigo da Agência Carta Maior, antes do anúncio de qualquer investigação sobre o caso do grampo, o ministro já antecipou algumas opiniões na imprensa. “Se partiu de um particular, político ou do crime organizado, é condenável. Mas se partiu do Estado mostra que quadro de horror e opressão estamos vivendo. A declaração do ministro mal consegue disfarçar sua visão sobre a conjuntura atual: "estaríamos vivendo um quadro de horror e opressão".
A atitude do presidente do TSE, dizendo que o presidente Lula poderá ser cassado, mesmo depois de eleito, me parece pouco adequada para quem exerce o cargo de presidente do TSE, a instituição que julgaria tal processo. Tudo me lembra a lambança promovida pelo PMDB e TRE do Acre por ocasião da reeleição de Jorge Viana. Cassaram Jorge achando que isso facilitaria a campanha do candidato deles, Flaviano Melo. O resultado foi que o povo viu que havia algo "estranho" no ar e dediciu reeeleger o "cassado" folgadamente.
Quadro de horror e opressão: reeleição de Lula A caracterização do presidente do TSE não é exatamente nova. Na semana passada, Marco Aurélio Mello declarou que a reeleição é péssima para a democracia. Se, por um lado, o instituto da reeleição é um problema sério que deve ser discutido, por outro, a declaração, no contexto da campanha eleitoral, significa que o presidente do TSE recomenda à população que não vote nos candidatos que disputam a reeleição, entre eles o presidente. Não custa lembrar: não é atribuição do presidente do TSE dizer à população em quem deve ou não votar. Tampouco é atribuição de um magistrado antecipar opiniões sobre uma investigação que ainda será iniciada.
A pressa em indicar possíveis culpados indica uma ansiedade singular. Uma ansiedade em tornar um “acontecimento” o “quadro de horror e opressão que estamos vivendo”. E qual é exatamente esse “quadro de horror e de opressão”? Do ponto de vista político, é o quadro de um cenário eleitoral que aponta para a reeleição do atual presidente do país.
Segundo a Agência Estado, o dossiê denunciando a participação do ex-ministro José Serra em solenidade de entrega de ambulâncias com a turma dos sanguessugas poderá resultar na impugnação da candidatura de Lula. A agência informa que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, admitiu ontem (17/09) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá ter a candidatura impugnada mesmo depois de eleito caso se comprove seu envolvimento direto no caso do dossiê contra o postulante tucano ao governo paulista, José Serra.
PFL e PSDB pedem que TSE investigue Ontem (18/09) o ministro recebeu dos presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), uma cópia da representação pedindo a investigação do caso do dossiê pelo TSE, ajuizada de manhã. Ambos chegaram pregando que a corte eleitoral assumisse a investigação criminal da suspeita, alegando que a Polícia Federal não tem condições de investigar o assunto com independência por ser controlada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Dinheiro para compra do dossiê é ilegal, dossiê é falso: PFL e PSDB Eles afirmaram, sem mostrar provas, que o dinheiro apreendido com os supostos compradores do dossiê é de origem ilegal e se destinava a pagar o empresário "sanguessuga" Luiz Antônio Vedoin pela entrevista que deu à revista Isto É, na qual afirmou que fazia negócios com ambulâncias e emendas parlamentares já na época em que o hoje candidato do PSDB a governador de São Paulo era ministro da Saúde. Eles também afirmaram que o suposto dossiê, na verdade, "não existe", constituindo-se de fotografias antigas que nada provam.
FATO SIMILAR SÓ OCORREU DURANTE A DISPUTA COLLOR X LULA (1990)
Segundo a Agência Estado, a corregedoria do TSE deverá assumir a condução do inquérito que investiga o suposto dossiê que relaciona o ex-ministro José Serra com a Máfia das Ambulâncias. Para o TSE, a intervenção é necessária uma vez que o processo criminal está influindo na campanha eleitoral. Os tucanos acusam o PT de envolvimento no caso.
Atitude similar durante a disputa Collor x Lula Se a intervenção for confirmada, não será a primeira vez em que o TSE assume a condução de um inquérito, lembra o site Consultor Jurídico. Em 1990, quando disputavam a Presidência da República Lula e Fernando Collor de Mello, explodia na mídia o caso Lubeca. Luiz Eduardo Greenhalgh era acusado de receber dinheiro clandestino de empreiteiros com interesses na administração municipal petista. O delegado do caso, Macilon José Bernardes, era acusado de vazar as informações e o corregedor-geral do TSE, ministro Romildo Bueno de Souza, requisitou o inquérito para brecar a fonte de notícias.
PSDB impediu Quércia de divulagar o dossiê em programa eleitoral em São Paulo Neste final de semana, os advogados do PSDB conseguiram liminar que proibiu o candidato do PMDB, Orestes Quércia, de repetir a divulgação das notícias veiculadas pela revista Istoé e pelo jornal Correio Braziliense. Nos dois casos associa-se a imagem de Serra e Alckmin ao esquema dos Sanguessugas.
Segundo a Agência Estado, o diretor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Athayde Fontoura Filho, confirmou na manhã desta segunda-feira, 18, em entrevista coletiva, que foram encontrados três grampos em telefones diretos usados por ministros do tribunal. Fontoura disse que a descoberta "é um fato inédito" em nove anos de varredura nos telefones do TSE. Desde maio deste ano o TSE é presidido pelo Ministro Marco Aurélio. Quando tomou posse, ele prometeu tratamento rigoroso aos políticos que cometem irregularidades e disse que o Brasil se transformou no país do "faz-de-conta".
Ministro polêmico e crítico de Lula Segundo o Ministro, "Percebemos, na simples comparação entre o discurso oficial e as notícias jornalísticas, que o Brasil se tornou um país do faz-de-conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam - o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mal houvessem feito. Faz de conta que não foram usadas as mais descaradas falcatruas para desviar milhões de reais, num prejuízo irreversível em país de tantos miseráveis. Faz de conta que tais tipos de abusos não continuam se reproduzindo à plena luz, num desafio cínico à supremacia da lei, cuja observação é tão necessária em momentos conturbados", afirmou Marco Aurélio na posse.
PROGRAMA PETROBRAS AMBIENTAL 2006 APROVA DUAS PROPOSTAS PARA O ACRE
Saiu o resultado da seleção de pública de projetos para o Programa Petrobras Ambiental. Este ano foram inscritos 856 projetos de todo o país. Foram selecionados 36 deles, que receberão investimentos de R$ 48 milhões. O tema deste ano do programa foi "Água: Corpos D´Água Doce e Mar", incluindo também a biodiversidade associada.
Duas propostas contempladas irão desenvolver atividades no Acre. Uma delas é da Fundação Arthur Bernardes, da Universidade de Viçosa-MG. A outra é da Fundação Amigos da Amazônia, que tem sede em Sena Madureira. Vejam abaixo um resumo das propostas acreanas.
Fundação Arthur Bernardes – FUNARBE (Universidade Federal do Viçosa-MG) Título da proposta: Homem e a floresta, as águas e o solo: integração necessária para a sustentabilidade da vida na região acreana, Brasil Resumo: "Caracterização hidroambiental e avaliação da qualidade dos recursos hídricos da bacia hidrográfica do Riozinho do Rola, além da mobilização e capacitação de comunidades e técnicos". Responsável: Orlando Monteiro da Silva Telefone: (31) 3899-7300 E-mail: funarbeprojetos@funarbe.org.br
Fundação Amigos da Amazônia (Sena Madureira-Acre) Título da proposta: Gestão de recursos hídricos na micro-bacia do Rio Caeté e Macauã e afluentes do Iago e rio Purus Resumo: "Promoção da gestão participativa dos recursos hídricos por meio da capacitação e monitoramento de agentes ambientais comunitários de reservas extrativistas do estado". Responsável: Francisca de Andrade Correia Furtado Telefone: (68) 3612-4444 E-mail: florestateamo@provesena.com.br
VEJA ABAIXO A ÍNTEGRA DO DVD COM IMAGENS DO EX-MINISTRO E OS DEPUTADOS SANGUESSUGAS FAZENDA ENTREGA DE AMBULÂNCIAS
Só no Brasil, com a imprensa que temos, vemos coisas como a que estamos a testemunhar neste caso do Serra e sua participação em solenidade de entrega de dezenas de ambulâncias conseguidas com emendas de deputados que hoje são acusados de fazer parte do esquema conhecido como "sanguessugas".
No lugar de explorar e informar o fato grave da presença do então ministro da saúde (hoje candidato a governo no Estado mais poderoso da nação) na tal solenidade, toda a imprensa tenta questionar de onde sairam os R$ 1,7 milhões que um advogado, que diz agir a mando de dirigentes do PT de São Paulo, e um empresário do Mato Grosso filiado ao PT, iriam usar para comprar o dossiê (Folha Online). Deve ser porque eles acham normal que as dezenas de milhões usados pelos sanguessugas na compra fraudulenta de ambulâncias seja a coisa mais normal do mundo...afinal sai do nosso bolso, os contribuintes.
Agora leitor veja como são as coincidências:
1. A revista Isto É preparou reportagem bombástica sobre o assunto, denunciando a presença do então ministro na solenidade;
2. O assunto vasou e o que aconteceu? Antes da ida da revista para as bancas algum vendedor e comprador do dossiê deveria ser preso para mudar o foco do dossiê aos olhos e ouvidos da opinião pública. Onde encontrar os compradores? Deixando a hipocrisia de lado: em época de campanha dossiês existem aos montes...é fácil encontrar interessados. Joga-se a isca e eles vêm aos montes. Você escolhe de qual partido...;
3. Porque prender vendedores e compradores do dossiê? Para mudar o foco do assunto. Vejam que agora não se discute as informações do dossiê, mas de onde sairam os R$ 1,7 milhões usados na compra do mesmo...;
4. E tudo tinha que ser feito antes da revista chegar nas bancas, ou então a coisa ia ficar meio sem sentido. Ia dar a impressão que as pessoas foram presas porque sabiam de algo secreto sobre o passado do ex-ministro.
Planan: 70% das ambulâncias comercializadas no governo FHC Dá para entender a preocupação da turma que apoia o ex-ministro. Segundo os donos da Planan, 70% das ambulâncias comercializadas no esquema de emendas fraudulentas aconteceram até o fim de 2002, ou seja, no fim do gestão FHC. Isso ninguem sabia e se pensava que a atual turma da câmara é que era a suja e corrupta. A coisa vem de longe...
"Inocência" dos compradores do dossiê O estranho de tudo isso é ver como "inocentes" estes dois compradores devem ser. Os Vendoin são as pessoas mais monitoradas hoje no Brasil. Tanto pela polícia federal como pelos arapongas contratados pelas dezenas dos deputados acusados por eles de fazer parte do esquema das ambulâncias. Você leitor, concordaria em marcar um encontro supostamente secreto com eles ou seus emissários para pagar em "cash" por um dossiê?
Um dos compradores é Policial federal aposentado Um advogado preso em São Paulo neste sábado, acusado de tentar comprar o dossiê preparado por membros da família Vedoin (Planan) contra políticos do PSDB, é policial federal aposentado, e informou à Polícia que os compradores do dossiê eram do PT de São Paulo. O PT de São Paulo nega. Não se sabe se o policial aposentado ainda mantém contatos com o pessoal da ativa e os nomes dos supostos compradores não foram revelados. A PF não divulgou declarações do outro preso, um empresário de Mato Grosso que atuou como tesoureiro da campanha do PT na eleição para a Prefeitura de Cuiabá. Até agora a imprensa não teve acesso aos depoimentos dos presos e nem foi permitido filmar o dinheiro que se afirma ter sido apreendido junto com os presos.
Parece que o policial aposentado de "inocente" não tem nada e toda esta história parece ser uma grande armação para criar um fato político na reta final da eleição. Digo isso apoiado no fato do depoimento dos presos não ter sido liberado, assim como as imagens do dinheiro. Isso deve ter sido feito de forma proposital para deixar todos - principalmente a imprensa-, com uma grande ansiedade.
A quem interessa toda a mídia gerada pelo dossiê? Se a armação veio do PT, o objetivo foi alcançado pois houve ampla divulgação de que o ex-ministro Serra participou de solenidade na qual o artífcie (Vendoin) e os executores (deputados) do esquema das ambulâncias estavam presentes. Agora se veio do PSDB, ainda não está claro qual vai ser o próximo passo. Até agora eles tentam desqualificar o material dizendo que já estava na internet, que era coisa velha. Ao fazer isso dão a impressão de que o PT, ao tentar comprar tal material, é burro e gasta dinheiro à toa. Mas talve isso seja irrelevante.
O mais interessante de tudo é que parece que quem está administrando o assunto do "dossiê" é extremamente hábil no trato com a imprensa. Como se sabe, na mente das pessoas sempre fica a primeira versão dos fatos. Assim, neste episódio o que ficou claro na mente de todos foi que o Serra é a vítima. O próximo passo é divulgar de forma "competente" quem estava interessado no dossiê e isso provavelmente o policial federal aposentado preso é que deve estar escalado para dizer. Se ele disser que foi um "enviado especial do Lula" isso é o que vai ficar na mente das pessoas. Sei não, mas acho que as coisas caminham para essa direção. Quer "fato" político melhor para dar um "boost" na campanha moribunda do Alckimin?
Tanto segredo. A história toda me parece muito estranha. É aguardar para ver em que vai resultar tudo isso.
Veja o DVD na íntegra Se você acha que o tal dossiê é uma armação contra Serra, veja-o clicando abaixo. Sei não. Agora estou entendendo porque o Serra não foi escolhido pelo PSDB para ser o candidato a presidente...
Clique aqui para ver a íntegra do DVD mostrando o ex-ministro e os sanguessugas distribuindo as ambulâncias (vídeo disponível no site Olhar Direto, conforme anunciou o Folha Online).
Uma empresa contratada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para verificar a segurança das linhas telefônicas dos ministros integrantes da Corte encontrou grampos em números utilizados pelos ministros Marco Aurélio, presidente da Corte; Cezar Peluso, vice-presidente do Tribunal; e Marcelo Ribeiro, ministro substituto, que julga as infrações à propaganda eleitoral. Este último é considerado o mais rigoroso entre todos os ministros do TSE. Os detalhes do grampo deverão ser divulgados nesta segunda-feira (18), em entrevista coletiva que vai ser concedida pelo diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho.
Grampo não é surpresa Embora se espere as declarações de praxe por parte das autoridades públicas e dos políticos, este grampo não deveria causar nenhuma surpresa tendo em vista a situação vivida pelo país no momento. Estamos em pleno período eleitoral, geralmente fértil de ocorrências como essa. As informações coletadas nos grampos são usadas para a elaboração dos famosos dossiês contra tudo e contra todos. Nem a justiça eleitoral escapou. As razões para os arapongas grampearem os ministros do TSE ainda não estão claras, mas logo virão a tona.
Aos leitores saudosistas, apresentamos uma série de fotos antigas de nossa cidade. Todas as imagens estão disponíveis do site da Biblioteca do IBGE.
Porto da Gameleira: onde hoje fica o calçadão da Gameleira, os barcos atracavam para embarque e desembarque de carga e passageiros. Nesta época, em meados da década de 50, o rio Acre ainda era o "rio que comandava a vida" no vale do Acre. Viaja-se de barco entre Boca do Acre e Rio Branco e desta última até Assis Brasil.
Rua Rui Barbosa: foto tirada na altura da casa que fica na esquina do Mira Shopping. Observe que a casa com moldura imitando "tijolinhos" na varanda e janela da frente ainda existe. No canto esquerdo da foto dá para ver a ponta do antigo Hotel Chuí, hoje a Prefeitura Municipal de Rio Branco.
Sede do Rio Branco Futebol Clube: no centro de nossa cidade, em frente à praça onde fica a estátua de Chico Mendes. Observe que pouca coisa mudou na estrutura do prédio. O muro era do tempo em que segurança não era uma prioridade em nossa cidade. No canto esquerdo dá para ver que o antigo Cine Rio Branco (hoje loja "Formigão") ainda não tinha sido construído pois no lugar existia um grande barracão em madeira.
Banco do Brasil, Avenida Epaminôndas Jácome: no centro da cidade, ao lado da atual Agência Central dos Correios. Observar que ao lado existia a antiga sede dos "Correios e Telégrafos", construída no estilo da demolida escola "Presidente Dutra".
Estação Experimental: alguem já desconfiava porque o bairro leva o mesmo nome não é mesmo? Pois bem, esta edificação, creio eu, ainda existe, mas está ocultada pelos invasores das calçadas da Av. Nações Unidas que "favelizaram" o passeio. Está na hora da prefeitura "varrer" a bagunça que predomina no local, retirando os ocupantes ilegais e abrindo espaço para os pedestres.
Palácio Rio Branco: observe a imponência do prédio, na época rodeado pela lama das ruas sem pavimentação.
Mercado Municipal: foto tirada da esquina onde hoje fica o "Tecidos Cuiabá". A recente restauração deixou o mesmo quase igual ao original. Me parece que o lanternin - que existia no antigo-, não foi recolocado durante a restauração.
Delegacia do 2° Distrito: fica ao lado da Escola Maria Angélica de Castro, há alguns metros da entrada do "Rêmolo Jarude". Observem a formalidade dos antigos "guardas".
Maternidade Bárbara Heliodora: que foto fantástica! Sensação de limpeza, amplidão e modernidade. Foto tirada apartir da Av. Getúlio Vargas.
Bar Municipal: velhos tempos. Vejam que a última reforma recuperou apenas parcialmente a sua condição original. Os detalhes da laje não foram reproduzidos e as colunas no topo estão diferentes.
Praça em frente ao Palácio Rio Branco: o valor da imagem é mais pela oportunidade de ver como a paisagem mudou com o passar dos anos. Observem que no segundo distrito existia uma ampla pastagem logo após as edificações que ficavam na margem do rio. No local onde hoje fica a Assembléia Legislativa existia uma estranha construção, que mais parece um jardim suspenso. O que seria?
Praça Plácido de Castro: hoje Praça da Revolução. Quando a foto foi tirada não existiam árvores de grande porte, apenas gramado e pequenos arbustos. No lado direito dá para ver a escola "Presidente Dutra", que foi demolida para dar lugar à Biblioteca Municipal. Aliás, estão reformando novamente esta biblioteca, mas nenhuma reforma poderá fazer com que a mesma fique bela. Sem dúvida o ponto negativo na arquitetura do centro de nossa cidade.
Prédio da Polícia Militar: muito pouca coisa mudou com o passar dos anos. Observar que em frente ao prédio não existia rua pavimentada, mas um amplo gramado.
Hotel Chuí: hoje sede da Prefeitura de Rio Branco. É interessante observar que a reforma que descaracterizou totalmente este prédio histórico não eliminou sua marca registrada: os amplos corredores internos que ainda prevalecem no "novo" prédio. Observem na segunda foto as vestimentas das pessoas: provavelmente tergal e linho. A cintura alta era moda naquela época. Hoje só vale se for bem baixinha...
Colégio Acreano: digno de nota que a recente reforma deixou o prédio quase igual ao original. Ainda bem. Observar que entre a primeira e a última foto se passaram pelo menos 2-4 anos: as mangueiras, plantadas no meio da rua, cresceram muito. Vejam o detalhe da luminária no poste: um prato de esmalte com as bordas onduladas. Na época se usavam lâmpadas incandescentes comuns. Arquitetura típica dos anos 30.
Final: quem pode dizer que lugar é esse? Está no banco de fotos do IBGE. Para achar a resposta correta vai dar trabalho...É uma localidade que fica a poucos kilometros de nossa cidade.
A primeira rede internacional em língua inglesa a noticiar a morte da estudante portuguesa Vanessa Sequeira foi o site da BBC de Londres, que ontem publicou uma nota ilustrada com foto (clique aqui para ler o texto em inglês). Contrapondo a seriedade da BBC, a edição online do diário sensacionalista inglês The Sun também noticiou o fato no dia 10.
Com isso se espera que a repercussão de sua morte se multiplique rapidamente pela Europa e Estados Unidos. Anteriormente apenas a imprensa portuguesa havia dado amplo destaque. No Brasil, a grande imprensa apresentou apenas notas curtas sobre o crime.
Ontem (15/09), o governo brasileiro e o Banco Mundial (Bird) assinaram um acordo que prevê a doação de cerca de R$ 42,5 milhões para o projeto Manejo Integrado da Biodiversidade Aquática e dos Recursos Hídricos na Amazônia (AquaBio).
O montante será investido na conservação das bacias dos rios Negro, no Amazonas, Tocantins, no Pará, e Xingu, no Mato Grosso. Parte da verba deverá ser destinada às comunidades ribeirinhas, de modo a garantir melhor qualidade de vida, por meio do uso sustentável dos recursos naturais. Também deverão ser beneficiados os projetos de pesquisas desenvolvidos na região de abrangência do programa.
O AquaBio é executado pelo Ministério do Meio Ambiente, com participação do Fundo Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e deverá ser acompanhado pela Comissão Nacional de Biodiversidade, que vai acompanhar a execução do AquaBio, é formada por representantes de vários ministérios, organizações da sociedade civil, organizações não governamentais e associações ligadas à preservação dos recursos naturais.
Uma pena que a nossa ministra Marina e toda a bancada federal acreana não atentaram para a oportunidade, mais que justificada, de incluir em um programa tão amplo como esse o nosso rio Acre. Ele talvez seja, entre todos os rios beneficiados pelo projeto, o que está efetivamente morrendo. Não dá nem para comparar a situação, por exemplo, do rio Negro e do rio Acre. O primeiro é uma área com baixíssimo índice de alteração ambiental, baixa densidade demográfica e, pelo que sabemos, sem ameaças de destruição ou degradação visíveis no curto e médio prazo. O segundo, deverá estar em situação crítica em cerca de 25 anos, ameaçando o abastecimento de cerca de 60% da população do Acre.
Imagem: Equipe do Herbário da UFAC e do INPA-AC no alto Rio Acre (setembro 20005). Neste período é possível cruzar o rio a pé, sem molhar o joelho. Em 25 anos o rio deverá secar neste ponto durante o período de verão (maio-setembro), visto que a previsão é de que em Rio Branco a menor cota do rio Acre deverá ser de 50 cm (Foto: E. Ferreira@2006).
Seminário Nacional de Estrutura da Rede de Pesquisa e Desenvolvimento do Bambu
Pesquisador diz que reserva de bambu no país é grande, mas inexplorada
Juliane Sacerdote Da Agência Brasil
Brasília - O estado do Acre possui uma grande reserva de bambu, mas o potencial da região ainda não é aproveitado, apontou o professor Jaime Gonçalves de Almeida, da Universidade de Brasília (UnB), durante seminário promovido desde ontem (13) pela instituição para discutir a criação de uma Rede de Pesquisa e Desenvolvimento sobre a planta.
O bambu, segundo ele, não necessita de solo fértil nem de muitos cuidados: pode nascer até no fundo do quintal e em apenas três anos está pronto para o corte. O professor e pesquisador informou ainda que o Brasil possui mais de 240 espécies da planta. E que o estado do Acre concentra a maior floresta de bambu do país, mas ainda não é explorado efetivamente.
Jaime Gonçalves de Almeida é coordenador do projeto Canteiro Oficina de Arquitetura (Cantoar), da Faculdade de Arquitetura da UnB, que desenvolve construções e instalações feitas a partir das fibras naturais do bambu. "Os encaixes são feitos com amarrações e parafusos – serrotes aparecem apenas na hora de cortar", informou.
Seringueiros do Icuriã-Acre: capacitados em 2003 Em 2003, acrescentou, um grupo de moradores do seringal de Ucuriã, no município acreano de Assis Brasil, veio a Brasília para aprender a construir móveis e outros objetos com a fibra do bambu, em curso realizado por meio de convênio entre a UnB e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). "A experiência não foi levada adiante na época, infelizmente. A criação da Rede poderá ajudar a retomada desse projeto", lembrou.
Ainda de acordo com Almeida, existem experiências bem sucedidas, como a da cidade de Coelho Neto, no Maranhão, onde uma fábrica exporta toda a produção de papel feito a partir das fibras do bambu. Na região, a planta é cultivada em mais de 40 mil hectares, pela própria fábrica.
O professor citou também a fabricação de móveis no Paraná, onde empresas trabalham com laminados feitos com fibras do bambu: “É a chamada madeira ecológica, mas ainda em escala pequena e não de forma industrial, como é o caso da empresa de papel maranhese, que é o exemplo mais evidente de uso sustentado do bambu".
O Seminário Nacional de Estrutura da Rede de Pesquisa e Desenvolvimento do Bambu foi promovido e coordenado pela Universidade de Brasília (UnB) e realizado de 13 a 15 de setembro, no San Marco Hotel, com a participação do Reitor da UnB, Timothy Mulholland; do ministro da Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende; da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva e do ministro da Saúde, José Agenor Alvares.
UMA RÁPIDA COMPARAÇÃO DOS CASOS DO ACRE E RONDÔNIA
Vejam na imagem ao lado (Modis, 13/09) que no vizinho estado de Rondônia a quantidade de focos de calor ainda é elevada. E provavelmente lá tem chovido tanto quanto no Acre. A outra imagem, captada no mesmo dia, mostra o Acre e, parte de Rondônia (na direita).
Dá para observar que a quantidade de focos de calor no Acre é muito inferior. Segundo o CTPEC/INPE Foram 8 focos no Acre (80% cobertura de nuvens) e 652 em Rondônia (20% cobertura de nuvens).
A comparação destas duas imagens mostra uma situação em que existe um controle rigoroso sobre queimadas (Acre) e outra em que todos podem queimar quando, onde e como querem (Rondônia). É o que costumamos dizer (quando avaliamos cenários futuros de situações como desmatamento e abertura de estradas): um cenário com governaça e outro sem.
Não dá para dizer que um aumento significativo nos focos de calor não acontecerá este ano no Acre. Temos que lembrar que as autorizações para queimadas controladas no Estado só deverão valer para o mês de outubro, depois da eleição. Mas minha opinião é de que isso não vai acontecer graças às chuvas que estão caindo com regularidade este ano. A matéria vegetal vai estar muito humidificada para que a fogo cause os mesmos efeitos de uma queimada realizada, por exemplo, no início do mês de setembro. Queimadas em larga escala em outubro é algo inédito no Acre. De qualquer forma vamos esperar para ver.
APESAR DE ESTAR CAINDO REGULARMENTE, A QUANTIDADE É ABAIXO DAS MÉDIAS HISTÓRICAS
Choveu novamente no dia 13/09 (quarta). Segundo o Boletim Diário de Dados Climáticos, Fluviais e de Foco de Calor do IMAC/Defesa Civil (12 de setembro de 2006), nos 12 primeiros dias de setembro deste ano já choveu mais do que em todo o mês de setembro de 2005 (ver gráfico abaixo).
Apesar de estarmos todos satisfeitos que em 2006 temos tido chuvas caindo com regularidade e, principalmente, pouquíssimos focos de calor, a pergunta que devemos nos fazer é a seguinte: será que a "mãe natureza" recuperou seu equilíbrio natural? A melhor resposta é: ainda não. Aliás, não é a melhor resposta. É a única resposta.
No que toca a regime de chuvas, podemos observar no gráfico acima que a média mensal de chuvas em 2006 tem sido, sistematicamente, inferior às médias históricas registradas desde 1971. De uma maneira getal, 2006 se encaminha para ser o segundo ano mais seco da história.
Nível do Rio Acre O nível do rio Acre em 11 de setembro atingiu a cota de 1,99 m, a segunda mais baixa da história para um mês de setembro (comunicação verbal do Capt. Batista, corpo de bombeiros, para Foster Brown). Com as chuvas, no dia 12 a cota do rio subiu para 2,06 m, ficando 41 cm acima do verificado no mesmo período do ano passado.
Gráficos: Boletim da Coordenadoria da Defesa Civil do Acre, Setembro 2006.
DADOS DO INPA INDICAM QUEDA ACENTUADA DE FOCOS DE CALOR NA REGIÃO
ATÉ MEADOS DE SETEMBRO QUEIMADAS DE 2006 FORAM EQUIVALENTES ÀS REGISTRADAS EM 2001
Matéria publicada ontem no Estado de São Paulo (14/09) mostra que o número de queimadas na Amazônia legal registrado entre 1° de janeiro e o dia 13/09 é o mais baixo desde 2001. Entre as causas mais prováveis para a queda de 45,8% estão a crise entre os produtores de grãos, condições climáticas que impedem o alastramento de focos e o aperto na fiscalização.
O programa de monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrava, até a manhã do dia 13/09, um número acumulado de 44.304 focos de incêndios neste ano na Amazônia Legal. Em 2001, no mesmo período, foram 44.125 focos. De 1º de janeiro a 13 de setembro de 2002 foram 68.411; de 2003, 73.427; de 2004, 92.748; e de 2005, 81.762.
A crise na agricultura ajuda a explicar a redução, segundo o pesquisador Alberto Setzer, coordenador do programa. Descapitalizados, os produtores estariam deixando de abrir áreas para a produção de grãos. A maioria ainda usa o fogo para expor o solo.
A redução de queimadas na região amazônica refletiu nos números de incêndios no Brasil. Neste ano, o total de focos acumulados no País era de 57.935, o menor dos últimos seis anos. Em 2001, no mesmo período, foram 66.922 focos; 95.026 no ano seguinte; 93.794 em 2003; 111.256 em 2004 e, no ano passado, 102.228.
Mas Setzer alerta que é cedo para comemorar. 'A temporada de queimadas vai até novembro e os números podem mudar.' Setzer apontou outros fatores que podem ter ajudado na redução: as condições climáticas - está sendo um ano menos seco na Amazônia - e o efeito da fiscalização. No último fim de semana, quando agentes do Ibama deflagraram uma ação contra queimadas em Rondônia, o número de focos registrado foi de 1.026. Já anteontem, sem fiscalização, saltou para 3.544. Só na manhã de ontem já havia 1.830 focos. Mato Grosso lidera o ranking das queimadas desde 2000 - apenas em 2005 foi superado pelo Pará, normalmente o segundo colocado.
Fonte: José Maria Tomazela, Estado de S. Paulo - 14/09/2006
BOLETIM GTP QUEIMADAS-ACRE: CLIMA, QUEIMADAS, FUMAÇA, NÍVEL DO RIO ACRE
Produzido por Foster Brown e Equipe SETEM/UFAC/PZ Disponíel no site do GTP Queimadas
Orientação: ao final do texto estão as miniaturas das figuras (clique para amplia-las) onde todos os dados estão disponíveis em forma de gráfico.
PREVISÃO - 14/set/06: Sem nuvens e sem chuva com vento do norte até 16/set (sábado). - 16/set/06: Chegada de uma frente fria com chuva provável, ventos de sul e sudeste. A partir de 20/set, vento do norte sem nuvens.
CHUVA. A imagem do hidroestimador indica que cairam chuvas fortes no oeste do estado do Acre, chuvas perto de Assis Brasil, Inapari, Peru, Bolpebra, Bolivia. O Secretário de Planejamento de Assis Brasil, Junior, confirmou a chuva de ontem, mas disse que nao foi intensa em Assis Brasil.
COTA DO RIO ACRE EM RIO BRANCO: 2,16 m. Subiu 2 cm de ontem (Fonte: comunicacao verbal do Capt. Batista, BM), um bom sinal sobre o aumento de água na bacia do Rio Acre a montante de Rio Branco.
FUMAÇA/HUMO: Nas imagens (Particulado 12set e 13set...) de material particulado (fumaça/humo na grande parte) derivado do modelo do do CPTEC/USP. As concentraçoes sao acima de 200 ug/m3 para a maior parte do Acre, Brasil e em várias áreas de Madre de Dios, Peru e Pando e Beni na Bolivia. Hoje de manha (07:30), ficou evidente o efeito da fumaça no brilho do sol (Foster Brown, casa).
FOCOS DO CALOR: Grande parte da Região MAP está coberta de nuvens que afeta a detecção de focos de calor.
Os valores de foco sao para 13 a 14/set/06 7 horas:
Pando................................ 29 Acre................................... 58 (Sena Madureira) Madre de Dios.................. 07 Tambopata....................... 06 Tahuamanu...................... 01 Ucayali.............................. Puerto Inca....................... 10 Padre Abad....................... 03 Ucayali.............................. 02 (inconsistência entre mapa e gráfico)
Provavelmente com o ceu limpo, vai facilitar a detecção de queimadas hoje.
Apresentamos abaixo uma entrevista que a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha deu ao jornal Folha de São Paulo em 03 de setembro passado. Para os que não a conhecem, ela tem importante atuação junto a extrativistas do vale do juruá, trabalhando em conjunto com o pesquisador acreano Mauro Almeida.
Entrevista com a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha - Faroeste caboclo Originalmente publicada na Folha de S. Paulo, Mais - 03/09/2006
Professora na Universidade de Chicago, Manuela Carneiro da Cunha afirma que governo e iniciativa privada subestimam potencial econômico da preservação da floresta
ERNANE GUIMARÃES NETO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, professora na Universidade de Chicago, é especialista em Amazônia e um dos principais nomes em sua área em âmbito internacional. Ex-presidente da Associação Brasileira de Antropologia, ela diz que a preservação da floresta não é incompatível com a presença humana nem, em certa medida, com um modo de vida contemporâneo. A Amazônia de fato estaria ameaçada, mas porque as autoridades não dão atenção às prioridades da região, disse à Folha na entrevista abaixo.
FOLHA - Até que ponto é possível modernidade na Amazônia? MANUELA CARNEIRO DA CUNHA - Acho que viver na floresta e modernidade não são incompatíveis. Os índios ashaninkas, no Acre, se comunicam por e-mail. É possível finalmente juntar uma série de amenidades que as pessoas desejam, como televisão, comunicação fácil via internet, telefone, embora ainda esteja para ser achada uma solução energética adaptada aos lugares de floresta. As que existem são relativamente caras. Isso não resolve uma série de outros problemas, como o escoamento da produção, que sempre foi feito por rio, e muito bem feito. Antigamente, o escoamento da produção era mais viável, por várias razões, entre outras porque havia muito comércio nos rios, muitos barcos subindo e descendo. Isso é um serviço público que deveria ser implementado.
FOLHA - Mas a facilidade de acesso não acelera o processo de destruição? CUNHA - Há o famoso arco do desmatamento, que é o arco da soja, um ciclo que começa com grilagem, madeireiros, depois tem arroz ou outras coisas e depois a soja ou o pasto. Ocupa Rondônia, norte de Mato Grosso, sul do Pará, sul do Amazonas e está se espalhando. É um quadro muito preocupante. Precisa-se pensar, antes de mais nada, em ciência e tecnologia para a floresta em pé. A Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] foi no passado extremamente importante e útil para que a soja pudesse ser plantada no cerrado. A Embrapa está toda a serviço da agricultura e da pecuária, então precisaríamos de uma Embrapa da floresta. Há uma enorme riqueza que pode ser obtida na floresta.
FOLHA - Se se investisse na exploração de produtos e patentes da Amazônia, cresceria o interesse pela preservação? CUNHA - Ciência e tecnologia para os produtos da floresta, para os saberes tradicionais, é uma mina que não está sendo explorada e que pode estar sendo irremediavelmente perdida se prosseguir o modelo atual de exploração. Há o projeto da rodovia BR-319, de Manaus a Porto Velho. Ela irá atravessar áreas intocadas e indígenas, extremamente importantes para a conservação. Como é possível e por que uma estrada dessas? Deve se justificar por questões políticas, acredito. Por um lado, o Brasil está em posição vantajosa para negociar compensações pela conservação da floresta (o Ministério do Meio Ambiente parece estar negociando isso) e, por outro, o governo como um todo não tem uma política clara de prioridades. Há conservação com gente e sem gente. No Brasil, o modelo é o de conservar com gente, tradicional e "neotradicional" -pessoas que têm o compromisso de usar a floresta de modo não-predatório- e isso é perfeitamente possível. Um exemplo foi a extração da borracha, que, quando dava dinheiro, conservou a floresta. Volto à questão inicial: a maior modernidade é pensar na produção que a floresta pode ter, de biodiversidade e substâncias ainda mal conhecidas. É preciso fazer um grande investimento em ciência e tecnologia para viabilizar uma "Embrapa da floresta em pé", viabilizar uma outra economia, compatível com a conservação e que mantenha as populações. Não tem o menor sentido expulsá-las de uma área que têm manejado bem.
FOLHA - O que pode ser feito para conter a entrada de pessoas não comprometidas com a conservação na região amazônica? CUNHA - É uma política do governo. Acho que só se devem permitir as atividades neotradicionais, que têm compromisso explícito de que certas atividades não serão desenvolvidas.
FOLHA - Os governantes estão perdendo a oportunidade de lucrar com o potencial da biodiversidade em favor de outras atividades? CUNHA - Estão vendo alternativas de curto prazo, com tecnologia que já existe e não foi desenhada para a Amazônia. A Amazônia está sendo destruída sem que tenhamos alternativa tecnológica de exploração de seus recursos.
FOLHA - O que a sra. pensa de governantes que acusam as regulamentações ambientais de bloquearem o desenvolvimento? CUNHA - Há mil retóricas que são usadas. Por exemplo, alguns Estados do Norte se queixam de que não podem fazer políticas adequadas porque grande parte das terras são da União. É em larga medida uma questão retórica. É preciso fazer um pacto em que se analise a importância dos vários fatores de que estamos falando. Existem reclamos; por exemplo, a questão do escoamento da produção de lá é legítima. Há que encontrar soluções. O que tenho visto é o contrário. Ficou patente na questão da BR-163, Cuiabá-Santarém. Deve acontecer o mesmo na BR-319: anuncia-se uma obra e, já então, se deslancha um processo irreversível de grilagem generalizada. Começa a violência contra as populações locais, que são expulsas. Começa um faroeste inadmissível.
FOLHA - Como fica a relação entre a população local e os recém-chegados? CUNHA - Tenho visto muita expulsão da população local, de várias maneiras. Compram as posses, pressionam... Isso é muito conhecido no Brasil. E criam-se cidades extremamente violentas. Estive em Novo Progresso (PA) há um ano e meio, e estava em situação de desobediência civil. Espero que a situação tenha mudado. Falta presença do Estado, da Polícia Federal, da Justiça, do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária]. Há iniciativas pontuais, que muitas vezes não têm seqüência. O Ministério do Meio Ambiente tem tentado se articular com outros ministérios para ações conjuntas, mas ainda estamos longe do ideal.
FOLHA - Com a invasão da soja ou do gado e das novas cidades, a Amazônia tende a desaparecer? CUNHA - Será outra Amazônia.
FOLHA - O que a sra. acha da proposta de comprar terrenos na Amazônia para preservá-la [como fez o sueco Johan Eliasch, presidente da empresa de material esportivo Head e dono de 160 mil hectares de floresta no Amazonas]? CUNHA - Acho ridículo por várias razões. É muito válido comprar para preservar, desde que não se ponha a população para fora. Mas esse tipo de visão é uma visão sem gente. Querem preservar tirando as pessoas. Isso é um absurdo. Mas as empresas que já têm grandes extensões da Amazônia têm responsabilidade de conservação. Sou contra a idéia de uma conservação sem a população.
CATIE E UNIVERSIDADE DO PAÍS DE GALES CRIAM BOLSA EM HOMENAGEM À PESQUISADORA ASSASSINADA
Para manter viva a memória de Vanessa Sequeira, o Diretor Geral do CATIE, Dr. Pedro Ferreira, anunciou que será estabelecida a "Bolsa Vanessa Sequeira" para beneficiar às pessoas, que como Vanessa, se distinguem por seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida das comunidades rurais.
As inscrições para Mestrado no INPA foram prorrogadas até o dia 15 deste mês. Existem várias opções de cursos (ver quadro), e a maioria deles oferece mais de 10 vagas. Em razão do alto nível da maioria deles, os estudantes admitidos possuem grande chance de conseguir bolsa CAPES durante a duração do curso (R$ 853,00/mês).
Para a inscrição são necessários os seguintes documentos:
a) Formulário de inscrição (disponível na secretaria ou no site http://pg.inpa.gov.br).
b) Taxa de inscrição no valor de R$ 15,00. O recolhimento da taxa de inscrição deverá ser feito com o uso da Guia de Recolhimento da União (GRU) disponível no site http://pg.inpa.gov.br. O comprovante de pagamento deverá ser anexado à documentação de inscrição.
c) Carta justificando a inscrição ou carta de candidatura.
d) 1 foto 3x4.
e) RG (xerox).
f) CPF (xerox).
g) “Curriculum vitae” atualizado (acompanhado dos documentos comprobatórios) modelo Lattes ou o disponível no site http://pg. inpa.gov.br.
h) Histórico escolar da graduação.
i) Diploma de graduação ou certificado de conclusão.
j) Declaração de disponibilidade de tempo integral para dedicação aos estudos, caso seja aceito.
k) Declaração, conforme modelo fornecido pela Secretaria do Programa, de que está ciente das normas deste edital e de que o programa não garante a concessão de bolsas de estudo a todos os aprovados.
O Edital completo pode ser acessado na página do INPA. Clique aqui para ler.
EIA-RIMA FOI APROVADO. AINDA FALTA A LICENÇA AMBIENTAL
A aprovação é o primeiro passo no processo de obtenção da licença ambiental prévia para a construção de duas usinas hidrelétricas no rio Madeira
BRASÍLIA - O diretor de Licenciamentos do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Luiz Felippe Kunz, disse nesta segunda-feira à Agência Estado que o órgão aprovou o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (Eia-Rima) do Complexo Hidrelétrico do (rio) Madeira, em Rondônia. "Fechamos hoje a avaliação da qualidade do Eia-Rima e constatamos que as informações complementares solicitadas foram atendidas", relatou Kunz.
No fim de agosto, o Ibama havia solicitado a Furnas - estatal responsável pela elaboração dos estudos - informações complementares sobre a fauna de peixes do rio Madeira. A aprovação do Eia-Rima é o primeiro passo no processo de obtenção da licença ambiental prévia para a construção de duas usinas hidrelétricas no rio Madeira. "Mas isso não quer dizer que o empreendimento já esteja aprovado", ponderou Kunz. Segundo ele, o próximo passo é a realização de audiências públicas com as comunidades da região onde será instalada a usina. A expectativa do diretor do Ibama é de que essas audiências deverão ocorrer no início de novembro. Depois disso, se não houver grandes imprevistos, o Ibama deve tomar até o fim de novembro a decisão de conceder ou não a licença prévia para o projeto, previu o presidente do Ibama.
A licença prévia é uma exigência da lei para que um projeto de construção de uma usina hidrelétrica possa ser colocado em leilão. O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, já disse em mais de uma ocasião que a expectativa do governo é a de colocar em leilão neste ano pelo menos uma das duas usinas do complexo. Somadas, as duas hidrelétricas, Santo Antonio e Jirau, terão, quando construídas, potência instalada de 6.450 megawatts (MW), aproximadamente a metade da capacidade atual da usina hidrelétrica de Itaipu.
Artigo originalmente publicado no portal Ecodebates (www.ecodebate.com.br) apartir de matéria do estadao.com.br de 11 de setembro de 2006.1
ELEIÇÃO MAJORITÁRIA NO ACRE VAI SER DECIDIDA EM PRIMEIRO TURNO
O candidato do PT ao governo do Acre, Binho Marques, tem 52% das intenções de voto, contra 23% do candidato do PPS, Marcio Bittar, de acordo com pesquisa Ibope encomendada pela Rede Amazônica e divulgada no "Jornal do Acre", da TV Acre poucos minutos atrás. Com os novos números, a tendência é de que a corrida para o governo do Estado seja decidida ainda no primeiro turno.
Tião Bocalom (PSDB) registra 7%. Os demais candidatos somam 2%. Votos brancos e nulos somam 3% e não sabiam ou não opinaram 13% dos eleitores. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais.
Primeira pesquisa indicava segundo turno Na primeira pesquisa divulgada pelo Ibope no Acre, em 26 de agosto, Binho tinha 42% e Márcio Bittar 35%. Houve, portanto, um avanço de 10% nas intenções de voto no candidato petista e uma queda de 12% no caso do candidato da oposição. Nesta pesquisa as intenções de voto indicavam que haveria segundo turno. Passados 17 dias, o avanço do candidato do PT elimina essa possibilidade e, mantida a tendência, a diferença entre os principais protagonistas deverá se ampliar ainda mais.
Segundo turno: Binho vence todas as simulações Para um eventual segundo turno, a pesquisa Ibope publicada hoje realizou simulações e em todos os casos o candidato petista vence a disputa. Contra o candidato Márcio Bittar, Binho venceria com 52% contra 28%. Na pesquisa anterior a disputa estava tecnicamente empatada pois a vantagem do candidato petista era de apenas 1%: 46% contra 45% para o seu oponente. A simulação com a disputa com o candidato do PSDB indica uma vitória ainda mais contundente: 54% versus 19%.
Senado: nenhuma mudança Para o Senado, a consulta diz que Tião Viana (PT) lidera a disputa com 66% da preferência. O candidato do PPS, Airton Rocha, recebe 6% de menções. E Chagas Freitas, do PFL, tem 4% das indicações. Os demais candidatos somam 2%. Na pesquisa anterior o candidato do PT tinha 69% da preferência. Considerando a margem de erro de 3%, sua situação não mudou em nada. O mesmo se aplica ao candidato do PPS, Airton Rocha, que tinha recebido 8% de menções. Chagas Freitas, do PFL, também manteve os 4% das indicações.
Nesta segunda pesquisa o Ibope ouviu 812 eleitores em 10 municípios entre os dias 07 e 10 de setembro. A primeira pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 24 de agosto e foram entrevistados 812 eleitores em 10 municípios do Estado.
A pesquisa foi registrada no TRE sob número 6593/2006.
O colega Roberto Feres, do blog ANDANDO PELA CIDADE, publicou, no dia 25 de agosto passado, as fotos abaixo denunciando a irracionalidade dos construtores das novas calçadas de Rio Branco. Na ânsia de fazer um trabalho "perfeito", eles "capricharam" no acabamento em volta das árvores localizadas na calçada ao longo da Av. Nações Unidas, em frente ao 7° BEC.
Pois bem. Passados poucos dias da publicação do Feres, a turma dos construtores voltou ao local para refazer o serviço. O resultado se pode ver nas fotos que fiz abaixo e que coloco lado a lado com as do Feres.
Estou orgulhoso porque sei que o fato de algo aparentemente tão insignificante ter sido publicado em um blog resultou na correção do grave erro cometido pelos trabalhadores. Talvez eles não tenham pensado que ao "selar" a base do tronco das árvores eles estavam condenando as mesmas à morte por incapacidade de captar água.
...................................................................... Comentário deixado por Roberto Feres:
Grande Evandro Obrigado pelo apoio... Na verdade, uma semana antes de publicar as fotos eu liguei para a Semeia informando os problemas... Forte abraço
DEPUTADOS PREPARAM MUDANÇAS QUE BENEFICIAM A COMPRA DE VOTOS
- PRAZO ATUAL PARA PROPOR AÇÃO CONTRA OS MERCADORES DE VOTOS VAI ATÉ A DIPLOMAÇÃO
- PELA NOVA PROPOSTA O MINISTÉRIO PÚBLICO VAI TER 5 DIAS PARA PROPOR A AÇÃO, DEPOIS DE TOMAR CONHECIMENTO DA DENÚNCIA
O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral vai entregar às 11h30 ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF), uma nota de protesto contra o substitutivo ao Projeto de Lei 5975/05, do Senado, sobre compra de votos.
O movimento critica o item do substitutivo que estabelece prazo de cinco dias para o Ministério Público apresentar ação contra candidatos acusados de compra de votos, a contar do momento em que teve conhecimento da denúncia. O prazo atual para abertura da representação vai até a diplomação do candidato eleito.
Para a secretária-executiva do movimento, Suylan Midlej, o prazo representa uma tentativa de inviabilizar a aplicação da lei:
- "Cinco dias são insuficientes para o Ministério Público. Isso vai impedir qualquer tentativa de ação judicial", disse.
O autor do substitutivo, deputado João Almeida (PSDB-BA), diz que seu texto ainda pode ser alterado e que está aberto a sugestões:
- "Não tenho nenhuma intenção de facilitar a vida de político corrupto. Pelo contrário, todo o meu trabalho parlamentar sempre foi para aperfeiçoar a legislação eleitoral", declarou. ".
No substitutivo, João Almeida argumenta que o prazo de cinco dias garante a rapidez necessária no ajuizamento da ação, por causa da urgência de cessar o crime eleitoral.
O projeto original, apresentado pelo senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), tem o objetivo de proibir a compra de votos desde a aprovação do nome do candidato em convenção partidária. O prazo fixado na atual legislação começa apenas com o registro da candidatura. Essa mudança foi mantida no substitutivo de João Almeida.
Movimento O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral é composto por 18 entidades, entre elas a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Agência Câmara, 14/09/2006 Reportagem - Francisco BrandãoEdição - Wilson Silveira
Esta é a mensagem do lobby dos fazendeiros do País de Gales, difundida por meio da União dos Fazendeiros locais, que tem pressionado o governo a decretar o imediato banimento das importações do Brasil.
Para isso eles, que estão perdendo mercado para a carne brasileira barata, estão apelando para tudo, inclusive a consciência dos consumidores locais ao alertar para o considerável impacto no aquecimento global e no meio ambiente causado pela pecuária brasileira.
Desde 1990 o rebanho brasileiro cresceu em cerca de 50 milhões de cabeças, transformando o país no maior exportador mundial de carne.
- Cerca de 80% do crescimento da produção brasileira é resultado da destruição da floresta amazônica. Se nós, fazendeiros de Gales destruíssemos os habitats naturias de nosso país da mesma forma certamente já estaríamos na cadeira, diz o presidente da união dos fazendeiros galeses Emyr Jones. Ele completa:
- A indústria galesa está sendo sufocada pela elevação crescente de custos e regulamentos impostos pela Comunidade Europeia, enquanto as importações de carne do Brasil, feita com uso de mão-de-obra escrava e assassinatos daqueles que se opõem aos seus métodos, estão causando uma baixa nos preços da carne.
- É importante que os consumidores britânicos saibam exatamente o que estão comprando quando adquirem a carne brasileira pois muitas práticas ilegais no Reino Unido em função da saúde pública, são praticadas normalmente no Brasil.
Nota do blog: O que o leitor acha dessas opinões dos fazendeiros galeses? Será que o aumento da produção de carne pode mesmo ser creditada à destruição da floresta amazônica? E quanto ao trabalho escravo? Me parece que eles, no fundo, não deixam de ter razão. Claro que aproveitam para exagerar. Mas nem tudo que estão a dizer é totalmente falso.
A COTA MÍNIMA DO RIO DIMINUIU 1,5 m NOS ÚLTIMOS 2o ANOS!
SE NADA FOR FEITO, EM 2025 ELA DEVE CHEGAR A 0,5 m!
RIO BRANCO CORRE RISCO REAL DE FICAR DESABASTECIDA!
O gráfico abaixo, elaborado com dados da Defesa Civil de Rio Branco pelo professor Foster Brown, indica que o rio Acre vai virar um córrego se nada de concreto for feito para evitar este fim catastrófico. Quais medidas concretas? Entre outras, se preconiza a recuperação das matas ciliares, a limitação da quantidade de açudes na bacia do rio (e cobrança de taxa dos que já possuem) e o reflorestamento em larga escala em sua área de influência, desde a cidade de Assis Brasil até sua desembocadura no rio Purus, na cidade de Boca do Acre.
Pagamento pela água Outra medida necessária é a aplicação de taxas aos usuários da água da bacia que continuam a agir como se o rio não fizesse nenhuma diferença para quem vive no vale do Acre.
Quem não gosta de ter um açude para criar uns peixinhos para pescar no fim de samana (e se tem peixe, tem que ter cerveja)? Todos os donos de chácaras em nossa região. E eles se contam em milhares. Acontece que cada açude armazena a água que pertence ao rio Acre. É isso mesmo: toda a água de chuva que cai no vale do Acre pertence à bacia do seu principal rio - o rio Acre. Em troca da morte do rio, temos a diversão de bêbados nos finais de semana. Que custo não é mesmo?
A taxa pela posse de açudes já está prevista na legislação brasileira. Precisa ser efetivada no Acre, imediatamente. Os recursos arrecadados seriam usados para financiar a recuperação da bacia e para programas de educação ambiental.
Valor da água tratada deveria subir As empresas de saneamento e de águas que se utilizam da água do rio Acre devem, imediatamente, aumentar o valor cobrado pela água que tiram do rio e repassam aos consumidores a preço de custo. No sistema atual nós, os consumidores, a sociedade que está ajudando a matar o rio, não estamos fazendo nada para salvá-lo. O aumento no valor cobrado deveria ser repassado a um fundo que geriria as ações de recuperação e manutenção da bacia do rio Acre.
Abertura da estrada acelerou o descaso Porque ninguem liga para a morte do rio Acre? Por um lado o rio deixou de ser importante como meio de transporte depois da abertura e asfaltamento da BR 317 entre Boca do Acre e Assis Brasil. Por outro a crise no abastecimento de água ainda não atingiu as cidades de forma séria. Rio seco é ruim apenas para os produtores ribeirinhos que não podem mais navegar no rio. Mas eles são minoria, e quem vai dar bola para o que eles reclamam?
Cota mínima diminui 1,5 m em 20 anos É interessante o leitor observar que os dados do gráfico se referem à cota mínima do Rio Acre, ano a ano, desde 1970. Dá para ver claramente que nos últimos 20 anos existe uma tendência contínua de queda do nível do rio. Os números frios indicam que houve uma diminuição da cota mínima equivalente a 1,5 m nestes últimos 20 anos (1985-2005). Se a tendência continuar (e tudo indica que vai continuar assim pois nada tem sido feito para evitar isso), em 2025 a cota mínima do Rio Acre vai atingir 0,5 m, ou seja, não haverá água para abastecer a cidade de Rio Branco. Nem as tais bombas flutuantes darão conta do recado.
Mais preocupante é o fato da tendência do rio secar. O gráfico, desde 1985, mostra uma acentuada queda na quantidade de água no rio. Não importa se choveu um pouquinho mais neste ou naquele ano, no geral os dados mostram que tem chovido cada vez menos, mais pessoas constroem açudes, a chuva que cai em áreas abertas (pastos) evapora mais rápido, resultando em menor quantidade de água chegando ao rio.
Não vamos esperar pelo pior. Avisos têm sido dados quanto à seriedade da situação. Os leitores devem refletir que o desenvolvimento a qualquer preço não rima com a preservação dos recursos naturais. Nossos filhos e netos vão nos cobrar no futuro: "O que vocês fizeram para barrar a morte do rio Acre?"
ACRE REDUZ FOCOS DE CALOR, MAS PROIBIÇÃO DE QUEIMADAS CONTINUA
Rachel Moreira Notícias da Hora, 11/09/2006 RIO BRANCO, AC - A recomendação do Ministério Público de que fosse proibida as queimadas até o início de outubro poderá ser revista pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A antecipação da liberação de queima pelos órgãos ambientais irá depender da manutenção dos prognósticos positivos apresentados nesta segunda-feira, 11, em coletiva a imprensa realizada na sala de situação, localizada no quartel do Corpo de Bombeiros em Rio Branco.
Segundo os dados apresentados pelo presidente do Imac, Edegard de Deus, os focos de calor registrados este ano no Acre foram 2260, enquanto que no mesmo período do ano passado foram verificados mais de 14 mil. Os números colocam o Estado, em relação aos demais, com 1,24% dos focos de calor registrados na região amazônica. Ficando em sexto lugar no ranking, que tem a frente Matogrosso com 62 mil focos registrados este ano (38%), Pará com 43 mil focos (23%), Rondônia com 32 mil focos (19%), entre outros.
Segundo Edegard de Deus, as condições climáticas também tem se mostrado favoráveis a antecipação da liberação da queima. As chuvas ocorridas no último final de semana foram de 25,9 milímetros, mais que os 23,2 milímetros registrados em todo o mês de setembro de 2005.
Além disso, o rio Acre vem mantendo uma média de 30 centímetros acima do volume registrado o ano passado.
Segundo o presidente do IMAC, com exceção das condições climáticas, a redução dos focos de calor é o resultado de um intenso trabalho de conscientização realizado junto aos produtores rurais dos 12 municípios que compreendem o Alto Acre, Baixo Acre e Sena Madureira (áreas atingidas pela forte estiagem e pelos incêndios florestais em 2005).
“Após o período crítico que vivemos o ano passado demos início as ações de prevenção e conscientização para que não tivéssemos este ano a mesma situação vivida em 2005”, afirma.
Devido a esse processo, a região onde foi decretado estado de situação de emergência o ano passado conta hoje com 1700 produtores rurais treinados para prevenção e combate a incêndios, 176 kits de combate foram distribuídos e 134 associações foram treinadas. Além disso, o Exército no Acre conta com 435 homens capacitados e disponíveis para atuar em caso de necessidade de combate a incêndios florestais.
Operação Linha fria
Iniciada na última semana de agosto, a Operação Linha Fria que tem a frente a Defesa Civil Estadual deverá estar sendo realizada até a terceira semana de setembro. Isso porque é neste período que historicamente é o momento mais crítico, onde os produtores costumam realizar a queima.
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros em exercício, coronel Henrique, a operação tem o objetivo de resfriar a floresta e limitar a atuação do fogo, em caso de perda de controle.
Homens do Corpo de Bombeiros, do IMAC, auxiliados pelas prefeituras dos 12 municípios onde a queima está proibida, estão trabalhando no sentido de evitar as queimadas e caso elas ocorram estejam dentro do controle.
“Estamos monitorando todo o leste do Estado e Sena Madureira 24 horas por dia, inclusive finais de semana e feriados”, garante.
Nota do blog: tudo tem favorecido a ação do governo no combate às queimadas. As chuvas, apartir de maio, voltaram ao normal e no somatório de janeiro a setembro já estão superando os registros do ano passado. A suspensão da probição das queimadas agora parece que vai ser irrelevante tendo em vista que dificilmente o fogo poderá causar impactos maiores do que os do ano passado: tem chovido bastante em todo o leste do Acre.
Em agosto de 2006 choveu 46,2 mm. No ano passado não choveu em agosto (precipitação= 0,0 mm). Além disso, neste ano de 2006 o pessoal do campo está alerta para os incêndios que por ventura sairem fora de controle. A mobilização foi geral.
Estratégia contra o fogo: Clique aqui para ver a estratégia que as pessoas do meio rural estão adotando para evitar os desastres causados pelo fogo sem controle.
A virada no clima: mais chuvas, menos queimadas Clique aqui para ver que em 2006 o acumulado de chuvas já supera o de 2005. O mês de maio foi o mês da virada. Até abril a situação estava pior do que em 2005.
PROCESSADO POR DEZENAS DE ACREANOS, ARTICULISTA DIZ QUE O CULPADO É O PT E O LULA
Depois de insultar os Acreanos de forma escranchada, o colunista Diogo Mainardi, tentando manter a pose, agora diz que quem está processando ele (por causa da forma desrespeitosa com que se referiu ao Acre e sua gente) é o PT. Temos que perguntar aos oitenta e poucos acreanos se todos são realmente do PT. O importante é que ele está em uma enrascada com a justiça. Se os proponentes do processo conseguirem sucesso, vão abrir a porta para outras centenas...
Humildade é palavra que não consta no dicionário do referido colunista (pelo que dá para ler na sua coluna semanal). Afirma ele que as denúncias dos acreanos são extravagantes. Para isso ele afirma que ..."Meses atrás, no Manhattan Connection, comentando a frase de Evo Morales de que a Bolívia havia cedido o Acre em troca de um cavalo, respondi ironicamente que aceitaria o cavalo de volta...O resultado é que tenho oitenta e tantos processos individuais num tribunal do Acre."
Se eu fosse ele pedia desculpas publicamente para evitar o pior. Será que ele vai fazer isso? Mesmo que disfarçadamente... Clique aqui para ler a coluna de Mainardi na Veja
MAIS CONCRETO, MENOS VERDE DO QUE A ANTIGA PRAÇA "PLÁCIDO DE CASTRO" (clique nas imagens para ampliar)
Quem visitou a nova "praça da revolução" e conhecia a antiga praça Plácido de Castro, quando foi reformada no Governo do Dantinhas, notou que o novo espaço perdeu muito verde e ganhou centenas de metros quadrados de pedras portuguesas. Óbvio que o projeto atual corrige falhas graves do anterior e atende a legislação referente a acesso a deficientes, apenas para citar uma das modificações bem vindas.
Será que ficou mais feio? Ou melhor, será que não ficou bonito como se esperava que ficasse? Eu tenho essa impressão. Na forma atual ela retoma o arejamento que caracterizava a praça no seu início (vejam as fotos neste texto). Mas perdeu a geometria anterior, que era marca registrada da mesma.
A perda mais evidente foi de verde. Explico: na ânsia de criar passeio (calçadas), os autores do projeto deixaram canteiros minúsculos em volta das árvores que existam no local e eliminaram completamente as amplas areas triangulares cobertas com grama (vejam a primeira foto deste texto). Assim, não existe, no espaço renovado, lugar para cultivar espécies ornamentais, além das árvores que já se encontram no local.
Óbvio que o impacto urbano da nova praça é muito positivo, dando vida e impressão de amplidão a um local que, de outra forma, parecia abandonado há dezenas de anos. Esta impressão é reforçada pela escolha estratégica de pedras brancas. Mas acho que eles exageraram na grande quantidade de bancos, pois de longe o que se vê não são as árvores, são os bancos e, secundariamente, as árvores.
Outra falha: a iluminação me pareceu meio fraquinha.
Não sei não...de qualquer forma apresento abaixo algumas imagens da nossa antiga praça.
HISTÓRIA: COMO O HOMEM CHEGOU NO CONTINENTE AMERICANO
Resultados de pesquisas, baseados em estudos biológicos, antropológicos, genéticos e até lingüísticos, indicam a chegada em intervalos distintos de tempo.
Primeira chegada ocorreu cerca de 20 mil anos atrás. A segunda foi depois do retrocesso da glaciação, há 14 mil anos.
Foram usadas tanto rotas terrestre quanto marítimas
História única
11/09/2006
Por Eduardo Geraque
Agência FAPESP - Há décadas que cientistas têm buscado entender como e quando o homem ocupou o continente americano, mas as conclusões, até agora, têm apontado em direções diferentes e até mesmo contrárias.
Um grupo formado por três brasileiros e um argentino acaba de reunir peças do quebra-cabeça para tentar apontar um caminho. O resultado foi debatido na semana passada em Foz do Iguaçu, no 52º Congresso Brasileiro de Genética. E as discussões devem continuar logo, pois o novo modelo proposto será discutido com mais profundidade em outubro, em encontro em Ouro Preto (MG) que terá participação de renomados especialistas internacionais.
O novo modelo de povoamento da América, de acordo com Rolando Gonzalez José, do Centro Nacional Patagônico (o argentino do grupo), está baseado em intervalos distintos de tempo. “Todas as nossas evidências apontam que as primeiras passagens da Ásia para a América ocorreram há 20 mil anos”, disse José à Agência FAPESP.
“Acreditamos que estamos no caminho certo. É claro que a história que se pretende contar é única. Mas o nosso modelo está aberto à discussão, a concordâncias e também a opiniões contrárias”, disse Maria Cátira Bortolini, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Desenvolvido também com a participação de mais um pesquisador da UFRGS e outro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o modelo que tenta explicar o povoamento americano foi construído com base em dados biológicos, antropológicos, genéticos e até lingüísticos. “O ponto-chave inicial era a existência de uma grande diversidade morfológica”, explica José.
Depois disso, com a formação da chamada Beríngia, há 18 mil anos, e do retrocesso da glaciação na região, o que permitiu a abertura de uma rota terrestre naquela zona (14 mil anos), passou a ocorrer uma variação genética contínua dentro da população que atravessou da Ásia para a América. “No início, houve um fluxo genético limitado ao Círculo Polar Ártico, que teve importância muito grande no resto do processo”, disse José.
Para continuar a povoar a América, pelo oeste da América do Norte, os novos colonizadores, segundo o modelo, teriam não apenas usado vias terrestres, mas também marítimas. “Havia um conhecimento de navegação suficiente que permite afirmar que o mar foi usado para a ocupação litorânea. Não estamos falando de travessias oceânicas, mas de viagens de um ponto a outro da costa, no sentido norte-sul ou sul-norte”, explicou outro integrante do grupo, Fabrício Santos, da UFMG.
O processo evolutivo ocorrido na América, que teve origem entre os povos mongolóides da Ásia, não apenas desencadeou a ocupação de todo o continente com o passar dos anos como também teria voltado para o próprio norte da Ásia. “Hoje é possível afirmar que houve um refluxo. Alguns padrões genéticos americanos são encontrados do lado de lá também”, afirmou José.
Mesmo depois da abertura do estreito de Bering, há 14 mil anos, essas duas evoluções continuaram a ocorrer dos dois lados do Pacífico. E muitos processos distintos ocorreram entre os chamados extremos morfológicos, representados pelas feições mongolóides de um lado e as totalmente diferentes dessa primeira. Isso poderá, no futuro, corroborar ainda mais o novo modelo. Ou, então, transformá-lo por completo.
Acusação de biopirataria contra Natura expõe legislação falha
OAB, MP e MPF do Pará investigam acusação de que a empresa Natura teria usado indevidamente conhecimentos tradicionais na produção do perfume de priprioca, raiz vendida no comércio popular do Pará (foto). A empresa garante que cumpriu a legislação; o caso expõe a fragilidade da regulamentação sobre acesso a conhecimentos e repartição de benefícios a comunidades tradicionais no país.
Verena Glass - Carta Maior (Copyleft*)
SÃO PAULO – Uma filmagem realizada pela empresa de cosméticos Natura há cerca de dois anos com várias vendedoras de ervas e raízes do mercado Ver-o-Peso, em Belém do Pará, acabou gerando uma nova polêmica em torno das regras que regulamentam o processamento comercial de produtos a partir de recursos genéticos e conhecimentos detidos por comunidades tradicionais.
O caso das feirantes contra a Natura, que foi levado inicialmente à Comissão de Propriedade Imaterial da OAB do Pará no início do ano passado, dá conta de que a empresa teria gravado depoimentos de várias vendedoras do Ver-o-Peso sobre o processamento rudimentar da priprioca, uma raiz muito cheirosa usada pelas erveiras para fazer perfumes e banho-de-cheiro. Segundo as feirantes – seis delas haviam assinado um termo de cessão de imagens com a empresa -, a Natura teria utilizado seus conhecimentos para elaborar produtos a base da raiz, principalmente o perfume de Priprioca.
O caso ganhou notoriedade em abril deste ano, quando o jornal O Liberal publicou uma matéria sobre as filmagens e entrevistou uma das erveiras, conhecida como Beth Cheirosinha. A repercussão da reportagem levou os Ministérios Públicos Estadual e Federal a entrar nas investigações sobre um possível crime de apropriação indevida de conhecimentos tradicionais, sem anuência prévia nem repartição de benefícios, mas segundo a OAB, o MP e o MPF, “ainda não se pode dizer se o caso pode ser caracterizado como biopirataria”.
“Estamos em fase de levantamento de informações e coleta de depoimentos. Em todo caso, existe um procedimento [para acesso a recursos e conhecimentos tradicionais], que é a anuência prévia, registrada junto ao Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), e a repartição dos benefícios ou lucros com a comunidade”, afirmou o procurador do MPF, Alexandre Soares. O Promotor do MP, Nilton Chagas, também acredita que é “prematuro falar em biopirataria”, mesmo que hajam indícios de procedimentos irregulares.
CONTROVÉRSIAS
A cautela dos três órgãos na avaliação do caso neste momento reflete o respeito ao princípio da precaução no processo investigativo, mas também se deve ao fato de que a primeira teoria – que a Natura, através da filmagem das erveiras, teria se apossado de seus conhecimentos sobre o processamento da priprioca – se mostrou inconsistente, uma vez que os depoimentos foram colhidos em 2003, quando o perfume da empresa já estava pronto.
Segundo Eliane Moreira, presidente da Comissão de Biodireito da OAB, porém, existem relatos de pesquisas e filmagens da Natura desde 2001, e o próprio site da empresa afirma que a “equipe de Natura Ekos conheceu a priprioca no Mercado Ver-o-Peso, em Belém”. Isso indicaria o acesso aos conhecimentos tradicionais em algum momento, mesmo que o vídeo produzido com as erveiras tenha mesmo cumprido um papel promocional do produto, como alegou a Natura. Mas, como afirmou o presidente da entidade, Ophir Cavalcante, ainda não seria possível adiantar juízos antes da conclusão das investigações.
Uma das empresas mais empenhadas em associar a sua imagem à preservação da Amazônia, a Natura afirmou estar surpresa com as denuncias das feirantes. Segundo os diretores de Sustentabilidade, Marcos Egydio, e de Assuntos Corporativos, Rodolfo Guttilla, as gravações com as seis erveiras do Ver-o-Peso foram feitas no intuito de “enaltecer as mulheres e seu conhecimento”, em uma homenagem à cultura popular e à riqueza do mercado e da população paraense, para material de lançamento do perfume.
Ainda de acordo com os diretores da empresa, o processo de elaboração do perfume de priprioca exigiu a aplicação de altíssima tecnologia, desenvolvida em partes na Unicamp, e que não teve relação alguma com os métodos utilizados pelas feirantes. Mas eles reconhecem que houve pesquisa junto às comunidades nas cercanias de Belém e no próprio Ver-o-Peso.
“Nós reconhecemos que tivemos acesso ao patrimônio genético da priprioca na comunidade Boa Vista, e estamos fazendo repartição de beneficio com esta comunidade – que, aliás, é uma das fornecedoras de priprioca para a Natura. No caso do conhecimento tradicional, estamos com dificuldade porque se trata de um conhecimento difuso. A legislação manda repartir benefícios quando há acesso a recursos genéticos e a conhecimentos tradicionais associados, ou seja, nos casos em que é possível detectar a fonte”, diz Egydio, explicando que a priprioca é processada por inúmeras comunidades e empresas.
De acordo com a Natura, que afirma adotar o conceito internacional de comércio justo e que diz apostar num modelo de desenvolvimento da Amazônia que valoriza a floresta em pé e a sustentabilidade das comunidades tradicionais, há por parte da empresa o maior interesse em conversar com as erveiras do mercado para resolver as pendências.
LEGISLAÇÃO
O debate que a pequena e cheirosa priprioca desencadeou em Belém tem em suas raízes um problema de difícil solução: a aplicação dos princípios de respeito às comunidades tradicionais, apontados mas não definitivamente estabelecidos nem na Convenção de Diversidade Biológica (CDB) da ONU.
No Brasil, a legislação que versa sobre o tema é uma medida provisória, promulgada em 2001, que reconhece que as comunidades têm direito a parte dos lucros advindos de produtos elaborados a partir de materiais ou conhecimentos tradicionalmente utilizados ou desenvolvidos por elas, assim como garante a obrigatoriedade de uma anuência prévia para a utilização deste “patrimônio cultural”.
Segundo Eduardo Vélez, secretário executivo do CGEN, porém, esta legislação não trata o tema de forma adequada. Não resolve, por exemplo, o problema da co-titularidade dos recursos ou conhecimentos, ou seja, os casos onde várias comunidades detém o patrimônio em questão. No caso específico da Natura, que tem mais de 12 produtos registrados ou em processo de registro junto ao CGEN, Vélez afirma que a empresa estaria esperando do órgão uma definição sobre como remunerar o acesso ao conhecimento difuso, uma vez que as informações sobre a priprioca teriam sido colhidas em vários lugares, inclusive na literatura e em centros de pesquisa.
“O CGEN está discutindo está questão há mais de um ano. O fato é que o tema nunca foi regulamentado no Brasil, e a tendência é que casos como esse se repitam”, diz Vélez. Segundo ele, o governo deve enviar em breve ao Congresso um projeto de lei que, entre outros, propõe a criação de um fundo comum que receberia os recursos da repartição de benefícios de conhecimentos difusos para posterior investimento no bem comum de todas as comunidades.
COMO FICA?
Deusarina da Silva Correia, ou simplesmente Deusa, nunca soube direito o que é biopirataria. Representante do setor de ervas do Ver-o-Peso, foi ouvir falar no assunto quando o caso da priprioca chegou à OAB. E como foi parar lá?
Na verdade, o que começou a incomodar Deusa e as amigas foi que a priprioca encareceu e rareou no mercado. O tanto que elas compravam a 20 centavos e vendiam por 50 hoje custa R$ 1,50 e é vendido a R$ 2. E o pior é que, com a proximidades das festas de São João, o produto para fazer o banho de cheiro, imprescindível para dar boa sorte, está faltando. Conclusão: “a Natura compra tudo e não sobra nada para nós”.
“Eles (a Natura) vieram aqui fazer umas filmagens, explicamos tudo, levamos eles pras comunidades, e agora estamos com dificuldades de encontrar a priprioca”, diz Deusa. E arremata: “não é assim, chega uma empresa, pega o nosso produto... queremos a preservação da nossa tradição, é daqui que tiramos o nosso sustento e o dos nossos filhos. É a nossa cultura!”
Enquanto a Natura sugere que discutirá formas de incentivar a produção de priprioca exclusivamente para abastecer o Ver-o-Peso, e que é essencial investir no desenvolvimento sustentável da Amazônia; enquanto o governo se debate na fragilidade de suas próprias leis e permanece paralisado perante pendengas jurídicas previsíveis; enquanto os órgãos responsáveis pela proteção dos cidadãos, como a OAB e os Ministérios Públicos, buscam saídas viáveis de imbróglios legais, uma pergunta permanece em suspenso: quem dá ao capital o direito de se apossar de conhecimentos centenários, pertencentes à cultura de um povo, muitas vezes à sua espiritualidade, e transformar em dinheiro o que sempre foi bem comum?, questionam muitos movimentos sociais da Amazônia. Como fica isso?
(*) Originalmente publicado no site da Agência Carta Maior em 30.05.2006
ALÉM DA FUMAÇA, AS QUEIMADAS ESTÃO CAUSANDO DESERTIFICAÇÃO NO ESTADO VIZINHO
NELSON TOWNES Estadão do Norte
PORTO VELHO, ARIQUEMES e JI-PARANÁ - A fumaça das queimadas ainda encobre o céu em Porto Velho e outras cidades do Estado de Rondônia. Os rondonienses continuam em terceiro lugar no “ranking” dos maiores destruidores de florestas pelo fogo. A população está sendo diretamente prejudicada em regiões urbanas e rurais. A fumaça. aumenta o desconforto causado pela estiagem e a poeira do chamado verão amazônico.
Surgem mais casos de pessoas com problemas respiratórios especialmente nos populosos bairros de ruas de terra na periferia de Porto Velho. Aumenta a procura de atendimento médico e até de internação hospitalar para crianças e idosos. Algumas pessoas pensam que estão até com virose.
O excesso de fumaça que oculta o azul do céu, filtra a luz do sol forte e produz uma luminosidade intensa e antinatural. O efeito parece agravar o “stress” causado pelo calor, pelas alterações climáticas.
Embora faça sol, e o clima esteja seco, o excesso de fumaça torna o céu nublado, esbranquiçado ou acinzentado como em tempo de chuva. Queimadas de matas também ocorrem no Acre, mas, para os acreanos, a fumaça no céu é prenúncio de tragédia que precisa ser impedida. Eles não querem que ocorram em seu Estado os incêndios que devastam Rondônia e Mato Grosso. As autoridades do Acre montaram um esquema de alerta para combater qualquer foco de fogo.
O Ibama (Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naurais Renováveis) enviou helicópteros para a Capital acreana, Rio Branco, para fazer fiscalização aérea, principalmente no Vale do Acre. Os aparelhos chegaram no final de agosto passado.São desconhecidas medidas similares para a proteção do meio ambiente em Rondônia. Aparentemente, aqui há mais propaganda oficial do que ação.Em Rondônia, a palavra deserto é a que melhor descreve o estado em que se encontram extensas áreas de terra adjacentes à rodovia BR 364, que atravessa o Estado, ligando-o ao Centro-Sul.
Não é preciso ir longe para ver o processo de desertificação. Ele já tem cerca de 200 quilômetros de extensão só no eixo da rodovia BR 364, entre Ariquemes e Ji-Paraná. A densa vegetação que cobria as margens da estrada desapareceu.
Uma espécie de neblina causada pelas queimadas cobre os cerrados e campos de capim seco em que a floresta se transforma. Essa neblina torna perigoso o tráfego nas empoeiradas estradas vicinais. Os motoristas são forçados a dirigir com farol alto ligado e em baixa velocidade.
A fumaça das queimadas também prejudica a visibilidade para a navegação aérea. Principalmente com aviões pequenos que utilizam campos de pouso na área rural.Uma recente queda de avião em Mato Grosso, em que morreram o piloto e um bebê, foi atribuída à baixa visibilidade causada pela fumaça das queimadas não apenas nos locais incendiados, mas em vastas regiões vizinhas.
Voando no céu encoberto como em tempo de chuva, o piloto baixou o avião para buscar uma referência geográfica no solo e quebrou uma asa ao bater numa árvore. Em largos trechos ao longo da BR 364, a devastação se perde no horizonte. As árvores altas que se avistavam das janelas dos ônibus na beira da estrada não existem mais. O processo de desertificação de Rondônia é flagrante em morros antes cobertos por densa vegetação e que agora surgem como dunas sem vida.Antigos viajantes levados a refazer hoje o mesmo percurso ao longo da rodovia simplesmente não reconhecem a paisagem. A densa floresta que margeava a BR 364 há menos de 20 anos desapareceu.
Os incendiários das florestas inventaram uma nova forma de enganar as autoridades e escapar de multas do Ibama: dizem que o fogo começou nas vizinhanças “e se alastrou por acaso”, “soprado pelo vento”, para suas terras.Um policial disse que proprietários rurais tocam fogo em vegetação rasteira de forma a que se alastre para trechos de mata densa em suas propriedades. Em seguida, os próprios incendiários procuram a Polícia para se queixar do fogo, alegando que se originou nas vizinhanças. Mas, nunca apontam os culpados, nunca dizem quem são os autores.
Nota do blog: A notícia acima foi publicada no dia 26 de setembro de 2005. Mas daria passar, sem ser notado pelos leitores, como uma notícia deste ano de 2006. Passado quase um ano de uma situação que o jornal descreve como caótica e desastrosa, nada foi feito. Neste ano de 2006 a coisa está ainda pior e foi noticiado que o aeroporto de Porto Velho fechou. Esperamos que as autoridades de lá não apenas estejam conscientes dos prejuízos causados pelas queimadas e fumaça. Esperamos que elas executem um plano de ação para combater efetivamente o problema. Pena que agora todo mundo está "mergulhado" nas campanhas políticas.
MILHARES DE HECTARES DE FLORESTAS ESTÃO SENDO DERRUBADAS PARA O PLANTIO DA SOJA
MAIOR PARTE É EXPORTADA PARA ALIMENTAR PORCOS E VACAS NA EUROPA, JAPÃO E CHINA
ENQUANTO ISSO...MILHARES DE HECTARES DE PASTAGENS ABANDONADAS NA AMAZÔNIA ESTÃO VIRANDO CAPOEIRA!
O Doutor Roberto Feres, Professor da Universidade Federal do Acre, envia nota sobre a publicação de relevante artigo que aborda os efeitos do avanço da soja na Amazônia. Aproveitamos o texto enviado pelo Feres para colocar abaixo nota sobre o mesmo artigo, publicada pela Agência FAPESP, que aborda de forma mais direta os efeitos da "substituição" direta da floresta amazônica por cultivos de soja no Estado do Mato Grosso.
A leitura das resenhas deixa claro que só temos a perder caso essa tendência se consolide. Zoneamento para dirigir o avanço do agronegócio na Amazônia é mais do que bem vindo. Existem milhões de hectares de pastagens degradadas que deveriam ser aproveitadas e não são. Será que é mais caro converter pasto em campo de soja ou floresta em campo de soja?
Aparentemente a última opção parece ser economicamente mais atrativa. Certamente do ponto de vista logístico e legal é também muito mais complexa. Com tudo isso, porque se prefere substituir a floresta nativa?
Imagens de satélite flagram avanço da soja sobre a Amazônia (*)
GIS e Imagens de Satélite05/09/2006
Grande parte da floresta amazônica no Mato Grosso está sendo convertida diretamente para o plantio de culturas agrícolas, antes de passar pelo processo de pastagem. A soja substituiu a floresta diretamente, sem contar com o efeito conhecido do grão de "empurrar" a fronteira agrícola indiretamente, estimulando a pecuária a ocupar novas áreas.
É o que aponta artigo publicado no site da Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas). O trabalho é assinado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e das Universidades de Maryland e New Hampshire, nos Estados Unidos.
O estudo derruba dois argumentos comuns dos sojicultores para dissociar sua atividade da fama de devastadora da floresta. Um é o de que a soja só ocupa áreas previamente desmatadas para pastagem e abandonadas pelos pecuaristas. O outro é o de que as variações do preço do grão só se refletirão nas taxas de desmatamento dois ou três anos adiante.
Através do cruzamento de imagens de satélite com levantamentos em campo, os cientistas estimaram em 5.400 quilômetros quadrados o total de floresta convertida diretamente para grãos em Mato Grosso de 2001 a 2004.
No ano de 2003, quando o preço da soja no mercado internacional atingiu seu pico, a conversão direta para lavoura representou quase um quarto de tudo o que se desmatou no Mato Grosso.
O trabalho, desenvolvido no âmbito do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), iniciativa internacional de pesquisa liderada pelo Brasil, teve como base mapas de desflorestamento, pesquisas de campo e imagens de satélites de plantações, pastos e áreas de reflorestamento.
Este estudo envolveu apenas a fase de identificação da utilização de terras. Uma análise dos impactos ambientais, o que inclui o fluxo de carbono e a fragmentação da floresta, poderá ser feita em estudos futuros, uma vez que Mato Grosso é o estado brasileiro com maiores índices de desflorestamento e produção de soja desde 2001.
Emissões de gás carbônico
Uma das descobertas mais relevantes do estudo é o que acontece com o carbono retido na floresta e lançado na atmosfera após o desmatamento. Pela primeira vez foi possível acompanhar durante quatro anos as emissões de carbono após o desmate. A conclusão: o avanço do agronegócio capitalizado e mecanizado sobre a floresta está agravando o efeito estufa.
O desmatamento, em especial na Amazônia , já responde por 75% das emissões brasileiras de gás carbônico. Até agora, no entanto, os cientistas achavam que esse carbono fosse emitido mais lentamente, pela decomposição de tocos e raízes numa área desmatada, e que parte dele voltasse ao solo por rebrota de parte da floresta em áreas transformadas para pasto.
O que o novo estudo mostra é que, no caso da conversão para grãos, as emissões acontecem todas de uma vez, e o seqüestro de carbono por rebrota é zero.
Tese: políticas públicas alternativas
Os principais mercados do país, como São Paulo e Nordeste, têm influência direta na ocupação da Amazônia. Desconsiderar este fator tornará ineficaz qualquer medida de controle do desmatamento na região.
Esta é uma das conclusões da tese de doutorado de Ana Paula Dutra de Aguiar, defendida recentemente no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia.
“A principal hipótese analisada no trabalho é a importância de medidas de conectividade a mercados para explicar os padrões espaciais de ocupação da Amazônia”, explica a autora de “Modelagem de mudanças do uso da terra na Amazônia: explorando a heterogeneidade intra-regional”.
Para a pesquisadora, a distância de grandes centros urbanos ou de estradas, a conexão com o mercado, o clima e a existência de áreas protegidas são os fatores que ditam se uma área é mais ou menos propensa a ser desmatada.
Para explorar hipóteses sobre o processo de ocupação humana na Amazônia, ela utilizou uma versão adaptada para a Amazônia do modelo computacional CLUE. Os resultados da tese explicam tanto padrões de desflorestamento do passado como a dinâmica recente das novas áreas de ocupação na Amazônia Central, através de um modelo que projeta mudanças no uso da terra.
O modelo é utilizado para explorar impactos de políticas públicas alternativas nos padrões de desflorestamento no médio prazo (até 2020). São analisadas obras de infra-estrutura de estradas, criação de áreas protegidas e medidas de controle de atividades ilegais.
Os resultados do modelo ilustram a capacidade do setor produtivo de se reorganizar e redirecionar a ocupação para novas áreas, de modo a atender uma demanda interna e externa crescente por produtos agropecuários (em especial, carne e soja).
Uma questão importante abordada pelo trabalho são efeitos regionais, não necessariamente benéficos, de políticas públicas aplicadas apenas localmente - por exemplo, ações pontuais da Polícia Federal e Ibama para coibir atividades ilegais.
"A principal recomendação em termos de políticas públicas é justamente esta: a necessidade de medidas de controle abrangentes que considerem os efeitos regionais da pressão do mercado, e busquem minimizar esta pressão e organizar o processo de ocupação em todas as suas frentes”, conclui a Dra. Ana Paula Dutra de Aguiar. -----------------------------------------------------
Passagem direta do desflorestamento
05/09/2006 Por Thiago Romero
Agência FAPESP - Boa parte da floresta amazônica desmatada no Mato Grosso está sendo convertida diretamente para o plantio de culturas agrícolas, antes de passar pelo processo de pastagem. E o crescimento dessa rápida conversão pode estar definindo um novo paradigma para a perda de biodiversidade na Amazônia.
É o que aponta artigo que será publicado esta semana no site e depois na versão impressa da Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas). O trabalho é assinado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e das Universidades de Maryland e New Hampshire, nos Estados Unidos.
O estudo envolveu um amplo mapeamento do desflorestamento no Mato Grosso para a identificação das áreas utilizadas para a agricultura. O levantamento mostra que, de 2001 a 2004, 540 mil hectares foram convertidos diretamente de floresta natural para o plantio de culturas como a soja, o que representou 23% do desmatamento total registrado em 2003 no estado.
“O rápido crescimento do uso de áreas desflorestadas para plantação sugere que acelerar o cultivo sem necessariamente passar pelo processo de pastagem, principalmente entre as culturas que já contam com processos mecanizados, está sendo incentivado por razões exclusivamente econômicas”, disse um dos autores do artigo, Yosio Shimabukuro, pesquisador da Divisão de Sensoriamento Remoto (DSR) do Inpe, à Agência FAPESP.
Além da agricultura mecanizada na Amazônia ter crescido 3,6 milhões de hectares de 2001 a 2004, contribuindo decisivamente para o aumento do desmatamento no Mato Grosso, a conversão direta tem ocorrido rapidamente em todo o estado. Mais de 90% das áreas destinadas ao plantio começaram a ser plantadas logo no primeiro ano após o desflorestamento.
O trabalho, desenvolvido no âmbito do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), iniciativa internacional de pesquisa liderada pelo Brasil, teve como base mapas de desflorestamento, pesquisas de campo e imagens de satélites de plantações, pastos e áreas de reflorestamento. Segundo Shimabukuro, o trabalho envolveu apenas a fase de identificação da utilização de terras. Uma análise dos impactos ambientais, o que inclui o fluxo de carbono e a fragmentação da floresta, poderá ser feita em estudos futuros, uma vez que Mato Grosso é o estado brasileiro com maiores índices de desflorestamento e produção de soja desde 2001.
“Demos o primeiro passo com a elaboração de um diagnóstico. Ainda não podemos apontar os impactos ambientais causados pela crescente conversão de áreas desflorestadas para a plantação. Essa é uma transição que precisa ter seus impactos analisados cuidadosamente”, afirma Shimabukuro.
Os interessados em concorrer ao VII Prêmio Ambiental von Martius 2006, um dos mais importantes concursos de projetos ambientais do Brasil, podem inscrever seus trabalhos até o dia 3 de novembro de 2006 pelo site do evento: http://www.premiovonmartius.com.br/
Promovido pela Câmara Brasil-Alemanha, o prêmio reconhece projetos detodo o Brasil - já concluídos ou em realização - que promovam odesenvolvimento econômico, social e cultural com respeito ao meio ambiente. Podem concorrer iniciativas de empresas, instituições públicas ouprivadas, indivíduos ou organizações não governamentais, associadas ou não àentidade promotora.
Dividido em três categorias, o Prêmio Ambiental von Martius acontece todos os anos desde 2000 e já recebeu e analisou mais de 995 projetos.
Os trabalhos devem corresponder a um dos temas estabelecidos: Humanidade - desenvolvimento do ser humano, como programas de divulgação e educação ambiental; Tecnologia - elaboração de tecnologias ambientalmentepositivas como projetos de melhorias no processo produtivo e desenvolvimento deprodutos; e Natureza - preservação e conservação do meio natural, como projetos de pesquisa científica e valorização dos princípios de conservação e preservaçãode fauna e flora.
A comissão julgadora do Prêmio Ambiental von Martius é formada porjornalistas especializados no setor de meio ambiente e empresários. As três melhores iniciativas de cada uma das categorias são reconhecidas em eventooficial de premiação que será realizado no fim de novembro, na cidade de SãoPaulo.
Esta é uma iniciativa da Câmara Brasil-Alemanha e conta com o patrocínio do Banco Real, Cia. Suzano, Henkel e Tetra Pak. Entre os apoiadores doPrêmio estão o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Ministério doMeio Ambiente do Brasil, a InWEnt, a Senator Turismo Lufthansa City Center, com auditoria da PricewaterhouseCoopers.
Cópias do regulamento, da ficha de inscrição e informações adicionaispoderão ser obtidas pela internet, no site oficial: http://www.premiovonmartius.com.br/ ou solicitadas, exclusivamente, pelo e-m
Mais informações serão fornecidas exclusivamente pela Coordenação do Prêmio, pelo telefone(+11) 4702-9006, pelo fax (+11) 4702-9007 ou e-mail info@premiovonmartius.com.br.
O BRASIL EM CHAMAS! Postado em 08.09.2006 as 09:40h
A imagem MODIS ao lado é uma composição de todos os focos de calor captados nos últimos 10 dias pelos satélites Acua e Terra, que fazem parte do Rapid Response System Global Fire Maps. A cor amarelada denota os lugares onde o fogo foi mais intenso.
Dá para ver claramente que Rondônia, Mato Grosso e áreas ao longo do famoso arco de destamento (norte do Mato Grosso e sul do Pará) são os lugares no Brasil onde o fogo tem sido intenso e recorrente. Na vizinha Bolívia, a região de Santa Cruz de La Sierra é a principal fonte de focos de calor. Por esta razão, quando o vento vem do norte ou do sudeste, nossa cidade fica coberta de fumaça.
Para acessar imagens e os links atualizados sobre os focos de calor no Brasil e no Acre recomendamos acessar o Blog do Altino Machado.
GUERRA AO FOGO NO ACRE! Postado em 07.09.2006 as 11:48h
Depois da dura lição que foram obrigados a ter durante a temporada de queimadas no ano de 2005, produtores, sociedade civil e governo estão demonstrando que farão de tudo para que o desastre não se repita este ano.
As fotos deste post (enviadas por Alarico Neto, da Defesa Civil de Plácido de Castro para Foster Brown), apresentam a mobilização verificada no município de Plácido de Castro (cerca de 100 km de Rio Branco) contra o fogo, que tem acontecido naquela região desde o início desta semana.
Os dados sobre as queimadas no Acre estão disponíveis para toda a sociedade acreana na página do Forum GTP Queimadas. Clique aqui para acessar. A inscrição para acesso é livre. A imprensa local está convidada a acessar esta página e divulgar os fatos e fotos tão importantes para a vida dos acreanos. O Blog do Altino Machado é usuário frequente da mesma.
Capacitação e mobilização da "tropa" civil
Deslocamento para as frentes de batalha
Caminhos difíceis, surpresas desagradáveis
Condições para a guerra: tudo a favor do fogo!
Ação!
Sucesso no combate e descanso dos guerreiros!
Esta série de fotos demonstra mais uma vez que a "união faz a força", mas a organização e a conscientização são fundamentais. O aspecto mais emblemático das imagens é que as pessoas não ficam mais esperando pelos "bombeiros". Hoje elas estão capacitadas, razoavelmente equipadas e sabem como proceder.
Este fato - a mobilização da sociedade civil no combate ao fogo -, vai ter, com certeza, repercussão no futuro: aos poucos as pessoas vão entender que queimar poder ser a forma mais barata (e tradicional) de preparar a terra para o plantio. Mas os riscos que são assumidos são tão altos que talvez a idéia do fogo como instrumento de trabalho nas áreas rurais deixe, paulatinamente, de ser a primeira e única opção.
Alarico Neto, Coordenador da Defesa Civil do Município de Plácido de Castro envia a seguinte mensagem ao Dr. Foster Brown:
Como o Sr, já percebeu, começaram os grandes incêndios aqui em Plácido e nós estamos procurando mobilizar as comunidades e os parceiros da COMDEC-PC para procurar-mos combater de forma eficaz esses desastres.
A prefeitura e as entidades no município, com pequenas exceções, estão se dispondo muito e temos avançado nos trabalhos, porém são muitos os focos, e agora eles estão avançando para as florestas, tornando mais difícil o combate, uma vez que também, temos uma equipe limitada quanto ao número, pois como já mencionei antes, não temos um apoio total de quem tem grande e capacitado material humano, porém estamos procurando envolver a comunidade para que elas assumam também, parte da responsabilidade que lhes é devida, e estamos progredindo. Agora, contamos também com o apoio e reforço do CBMA que está na cidade e vieram nos ajudar.
A grande maioria dos incêndios veio de queima de áreas e descuido com cigarros, além de alguns casos supostamente de vingança ou má fé. Estamos fazendo o possível para minimizarmos os impactos e conter o fogo.
A semana que vem, me ausentarei do município para ir aí a Rio Branco fazer o curso de formação de técnico em gestão, mas na outra retornarei e continuarei os trabalhos, mas, enquanto estiver fora, deixarei um encarregado de coordenar e apoiar os trabalhos.
Envio em anexo umas imagens/ slides do relatório que estou montando.
MULHER DO ACUSADO CONFIRMA QUE FOI SEU MARIDO QUEM MATOU PESQUISADORA
Roberto Vaz*
RIO BRANCO, AC - O presidiário em liberdade condicional, Raimundo Nonato Rocha de Lima (Di Manaus) 36, dificilmente escapará de uma severa condenação pelo crime praticado contra a pesquisadora portuguesa Vanessa Anabella Schaffer Sequeira 36.
Segundo um dos investigadores que trabalhou no caso, Raimundo Nonato Rocha de Lima teria violentado sexualmente Vanessa Sequeira antes de assassiná-la com diversos golpes provocados por um pedaço de madeira. Pelo que a polícia conseguiu apurar, depois do crime praticado, o assassino arrastou o corpo por cerca de 200 metros e o jogou dentro de um igarapé. Preso ainda na madrugada de domingo em sua casa, na comunidade Toco Preto, o criminoso foi ouvido em inquérito presidido pelo delegado Geral de Policia Civil de Sena Madureira, João Augusto Fernandes.
Mesmo com todas as evidências contra sua pessoa, continua negando a autoria do crime e afirmando não lembrar de nada porque estava embriagado. Para a polícia sua negativa é irrelevante. As amostras de sangue da vítima e suspeito para os exames de DNA foram enviadas para Minas Gerais e devem chegar em 15 dias. A policia acredita que o resultado incriminará em definitivo o suspeito.
Depoimento da esposa incriminou o suspeito
Se todas essas evidencias não bastassem, a polícia tem o depoimento bombástico da mulher do suspeito, a doméstica S.L. S, 28 anos. “Não tenho nenhuma sombra de dúvida quanto à culpa d’ele nesse crime, Pelo contrário, tenho certeza absoluta”, disse ela em seu depoimento ao representante do Ministério Público. S.L.S recebeu do Ministério Público Estadual a garantia de que entrará no programa de proteção a testemunhas, por isso resolveu contar tudo o que sabe sobre o marido, nesta quarta-feira, 6, num depoimento que durou mais de três horas.
No seu depoimento ela contou que “Raimundo começou a beber ainda pela manhã em companhia dos irmãos Ilson e Milson antes de se dirigirem ao campo do Arnaldo (um esportista vizinho à família do criminoso)”. Revelou que “eles retornaram por volta de 11h30min e continuaram a beber cachaça. Lá pelas tantas, Raimundo tentou obrigar Elizeu (amigo da família) tomar um gole da pinga e foi repreendido pelos irmãos Ilson e Milson. Começaram a discutir e em poucos minutos travam luta corporal. Os irmãos o ameaçam com um terçado.” Segundo S.L.S foi ela quem apartou os irmãos brigões. Disse que já passava das 15 horas quando Raimundo, após tomar um banho e se arrumar, pegou a bicicleta de sua irmã (de cor azul) e saiu afirmando que ia até a cidade de Sena Madureira registrar uma queixa contra os irmãos.
Ainda em seu depoimento a mulher disse ao representante do Ministério Público e ao delegado José Barbosa, que “por volta de 16 horas e 30 minutos, o marido retornou para casa sem a bicicleta, sem a blusa e com manchas de sangue nas mãos e na calça; Com arranhões pelo corpo e todo sujo de lama e capim”.
- "Perguntei o que ele tinha aprontado, mas ele não me respondeu", revelou S.L.S., acrescentando que “Sem nada dizer ele seguiu rumo ao igarapé próximo da casa para tomar banho”.
Desconfiada, contou a mulher, o seguiu e chegou a tempo de vê-lo esvaziando os bolsos, de onde retirou um aparelho GPS, algumas balas e um saquinho de tabaco que Vanessa usava para mascar. A mulher disse que havia visto a pesquisadora há dois dias e de imediato reconheceu seus pertences.
Disse S.L.S que ao ser questionado o marido desconversou, proferindo a seguinte frase: “ela não é pesquisadora coisa nenhuma. É agente da Policia Federal”. Diante da insistência da esposa em querer saber o que tinha acontecido com a Vanessa, ele teria a respondido em forma de ironia: “fala mais alto, pois assim todo mundo vai escutar o que você está falando”.
A mulher retornou para casa. O marido ficou tentando se livrar das manchas de sangue nas roupas e no próprio corpo. “Era por volta de 1 hora da madrugada de segunda-feira quando chegou à nossa casa um policial (o capitão da Polícia Militar Messia, comandante da PM em Sena Madureira)”. Ele estava procurando informações sobre a pesquisadora, pois tinha registro de seu desaparecimento.
Na manhã seguinte o corpo da jovem foi encontrado sem roupas dentro de um chavascal a 200 metros da beira do ramal. O cavalo que ela usava estava na colocação do vizinho. Bem próximo ao animal, a bicicleta usada pelo suspeito.
A policia voltou a casa de Raimundo e o prendeu. A mulher d’ele foi à delegacia e contou tudo que sabia. “Não tenho a menor duvida que foi ele quem matou a pesquisadora”, concluiu S.L.S em seu depoimento.
A vida com Raimundo
Sobre proteção policial S.L.S está em Rio Branco onde só a polícia sabe o endereço. O casal tem uma filha de 9 meses. A mulher disse que conheceu o marido na época em que ele era presidiário em Manaus, por volta de 1995. Havia assassinado uma pessoa em Boca do Acre. Desde 2003, época em que ele ganhou liberdade condicional passaram a viver juntos e se mudaram para o Acre. Foram morar próximo dos parentes d’ele no Projeto de Assentamento Joaquim de Matos, distante 36 km do Município de Sena Madureira.
A mulher conta que o marido sempre foi violento, especialmente quando ingere bebida alcoólica e acrescenta que ele, ocasionalmente, usava drogas. S.L.S diz não se arrepender em delatar o marido à polícia e justifica: “Pelo que ele fez não pode ficar sem punição. Vai ter que pagar pelo crime. A pesquisadora era uma moça que todos gostavam e respeitavam. Não ofendia ninguém. Estava apenas trabalhando e não merecia o que foi feito com ela”.
*Roberto Vaz é Editor Chefe do site Notícias da Hora ------------------------------------------- COMENTÁRIOS:
Natassia Alves deixou o seguinte comentário:
Cada vez que leio depoimentos como esses sinto minha barriga embulhar. O que pensar de uma pessoa assim, que não tem o mínimo respeito à vida humana? E Vanessa, esta certamente está em um lugar bem melhor, de paz e tranqüilidade.
CONFUSÃO À VISTA AMANHÃ NO DESFILE DE 7 DE SETEMBRO
Se tudo se confirmar, e minhas fontes são confiáveis, amanhã, durante o desfile de 7 de setembro teremos a repetição da batalha campal que vimos no ano passado. Será que o esquema de segurança está preparado? Vaz e Altino: preparem as máquinas fotográficas para conseguir imagens de "cenas dramáticas".
Deixar o pessoal desfilar talvez seja uma boa tática. O problema é que ao chegar em frente às câmaras e microfones da imprensa e do palanque oficial eles provavelmente não irão querer arredar pé...ai como fazer? Ter paciência e esperar que eles cansem? A outra opção é proibir a entrada deles na avenida. Ai talvez seja pior pois o "pau vai quebrar"...é um dilema.
Alguma sugestão?
---------------------------------------------- Leitor que preferiu manter o anonimato (por razões óbvias e falta de espírito democrático) deixou o seguinte comentário:
Sim, eu tenho uma sugestão: por que você não vai tomar no @#%#@$#? Esse blog me dá ânsia de vômito.
Resposta do Blog: na verdade seu comentário mal educado não merece resposta pois seu lugar não é aqui, entre pessoas que respeitam o espírito democrático, e, principalmente, a liberdade de expressão. Fico um pouco preocupado para sugerir lugar para você ir. De uma maneira geral tem que ser uma ditadura, tipo Cuba, Arábia Saudita, China...
Para finalizar lamento que você tenha ânsia de vômito ao visitar o blog. Você já consultou o médico para saber se é bulímico? Se não, é bom fazer com urgência. Antes tarde do que nunca.
FOCOS DE CALOR EM AGOSTO DE 2006 DIMINUIRAM 90% QUANDO COMPARADOS COM AGOSTO DE 2005!
Boletim de Focos de calor no Estado do Acre Referência: 01 a 31 de agosto de 2006
Por Sumaia S. Vasconcelos UFAC/Parque Zoobotânico/SETEM
O mapa abaixo apresenta os focos de calor detectados pelos satélites AQUA, GOES-12 e NOAA-12 no período de 01 a 31 de agosto de 2006 no Estado do Acre. Os polígonos em amarelo correspondem às áreas de florestas com copas afetadas (FCA) pelos incêndios em 2005.
O satélite que mais detectou focos de calor neste período foi o GOES-12, com 253 focos, seguido por NOAA-12, com 169 focos e AQUA, com 99 focos registrados. De acordo com análises mais detalhadas não ocorreram sobreposições de focos de calor detectados pelos quatros satélites em nenhum dos municípios do Estado do Acre.
Foram observados muitos focos de calor em áreas de florestas que tiveram suas copas afetadas pelo fogo em 2005. Isso indica que queimadas estão ocorrendo em áreas de risco de incêndios.
Durante o mês de agosto de 2005 foram detectados aproximadamente 5.000 focos de calor nos 12 municípios da parte leste do Acre. Para o mesmo período de 2006, foram detectados 300 focos, o que indica redução de mais de 90% de focos de calor detectados neste período. Pouco mais de 55% do total dos focos registrados no Acre foram detectados na parte leste e cerca de 45% na parte oeste do Estado.
Plácido de castro foi o campeão de queimadas durante o mês de agosto, sendo detectados 52 focos de calor, seguido por Sena Madureira, Porto Acre Rio Branco e Acrelândia com 47, 40, 32 e 31 focos detectados, respectivamente.
Nota do blog: originalmente publicado no Forum GTP Queimadas -------------------------------------------- COMENTÁRIOS AO POST:
Do Gazeta Alerta (TV Gazeta, Canal 11):
Olá, com base em suas informações, nós do Gazeta Alerta, estaremos divulgando nota hj. Atenciosamente, Ana Cristina 09:39 Do Blog Ambiente Acreano: Ana Cristina, Fique livre para citar os dados publicados no Blog: este é o objetivo do mesmo - informar nossa população!
Com grande choque e tristeza que recebo suas notícias terríveis da morte violenta de Vanessa. É dificil acreditar que neste Acre que todos nós trabalhamos com bastante tranquilidade durante todos estes anos possa acontecer uma coisa destas!! Tive o grande prazer de trabalhar um pouco com Vanessa. Ela era uma pessoa maravilhosa, cheia de vida, de paixão e de uma sede muito inteligente de enteder as coisas na Amazônia e no mundo. Vi ela lutar com a pesquisa, sempre se esforçando de fazer um trabalho de melhor qualidade e de relevância para as pessoas do Acre. Também vi ela lutando com os seus instintos de "guerreira solitária". Estou imensamente triste que esta pessoa maravilhosa foi arrancada desta forma cruel e violenta do nosso mundo. É a incarnação do pior pesadelo de qualquer pesquisadora.
Desde muito jovem ela embarcou nesta vida, fazendo trabalhos no Brasil (Nordeste), na Índia, trabalhando durante anos em Puerto Maldonado/Peru, na Costa Rica, e, finalmente, no Acre. Um vida muito rica de experiências e aventuras. No entanto, bem distante da familia, com orçamentos apertados (nada de investimentos na aposentadoria), com grandes dificuldades de manter relações afetivas a longas distancias.
Sei muito bem o que é isso, porque vivo com as mesmas tensões com a minha própria família na Suiça e a constante má conciência associada. Mas sei de uma coisa: Vanessa tinha paixão por esta vida "tropical" e tinha um compromisso muito forte com produtores rurais na Amazônia, a conservação das florestas e a melhora da qualidade de vida - apesar dos sacrifícios pessoais e a distância que isto significava.
Que eu saiba o caminho do doutorado também não foi nada fácil para Vanessa que sempre se sentiu dividida entre ação concreta de uma ONG e a organização de base, e o trabalho mais teórico acadêmico. Um tempo atrás ela desistiu e teve uma crise geral sobre qual caminho embarcar. Mas ela voltou e decidiu de encarar o doutorado e o Acre. Receio que isto vai ser muito dificil para os pais, de pensar que ela "quase" não voltou para o Acre e optou por uma outra vida.
Abraços com grande tristeza,
Christiane Ehringhaus (*) Pesquisadora Alemã que fez seus estudos de mestrado e doutorado no Acre e participante da Rede de Pesquisadores em Reservas Extrativistas. Atualmente reside em Belém trabalhando com o CIFOR e coordena projetos na Amazônia, inclusive no Acre.
(*) Nota do Blog: Christiane fez seu mestrado e Doutorado no Acre. Foram mais de 7 anos de convivência pacífica, trabalho duro, vida solitária. Durante o seu tempo no Acre teve apoio do Parque Zoobotânico da UFAC.
----------------------------------- MENSAGENS PARA VANESSA: -----------------------------------
Maybelline Escalante-ten Hoopen (El Salvador) & Martijn ten Hoopen (Holanda) deixaram a seguinte mensagem:
Vanessa, No hay palabras para describir todo lo que senti con tu perdida, solo quiero decir que fuiste una gran amiga, nunca olvidare los bellos momentos que pasamos en CATIE, gracias amiga por todo. La comunidad de salvadoreños te agradece por llevarnos siempre en tu corazon y formar parte del grupo de baile folclorico.
Mi esposo y yo te rendimos un tributo, fuiste una gran investigadora, carismatica, llena de vida, luchadora y con un gran calor humano.
Dios te bendiga y te queremos mucho.
Maybelline Escalante-ten Hoopen (El Salvador) Martijn ten Hoopen (Holanda)
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Anita Milanese - São Paulo, deixou o seguinte comentário:.
É uma pena que uma pessoa com tanto futuro pela frente e tão linda por dentro e por fora tenha-se ido. Certamente está fazendo agora suas pesquisas em uma outra Amazônia... no Éden, cercada de flores e cedros.
Como diria Mayakovski: "Viver não é difícil. Difícil é a vida e seu ofício."
Que Deus a tenha, Vanessa!!
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Juliette Boisselier deixou o seguinte comentário:
Malheureusement je n'ai pas connu cette jolie jeune femme mais sa mort a été vraiment choquante et brutale. je suis médusé par la manière qu'elle a été abattue... c'est tout à fait uncroyable et méprisable!
Que sa bénie âme se repose sur le toit vert de l'Amazonie, où elle a eu des doux songes. Dors aux bras de Dieu, Vanessa... dors bien !!
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Doriana deixou o seguinte comentário:
Ella era una joven muy hermosa, llena de vida que se ha dedicado a cultivar la capacidad de ser “amiga, compañera y hermana” de las personas.
Que el cielo te espere pues el infierno es este pobrecito mundo. Que Dios te reciba en su regazo y te abrace fuerte.
Besos!
-------------------------------------- Patty - US, deixou o seguinte comentário:
May God protect you Vanessa wherever you are... always!!
The best wishes to ur family.
-------------------------------------- Anônimo deixou o seguinte comentário:
Puxa, a história dela é uma daquelas que tocam fundo na gente. Uma jovem de bem com a vida e cheia de idéias na cabeça que se foi. Mas cumpriu sua missão aqui, certamente.
Mais um anjo partiu. A Terra ficou mais pobre!
A memória dela não será esquecida. Esperamos!!!
-------------------------------------- Um leitor deixou o seguinte comentário:
Puxa, a história dela é uma daquelas que tocam fundo na gente. Uma jovem de bem com a vida e cheia de idéias na cabeça que se foi. Mas cumpriu sua missão aqui, certamente. Mais um anjo partiu. A Terra ficou mais pobre! A memória dela não será esquecida. Esperamos!
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Carlos - Portugal:
Sou português e fiquei emocionado com as notícias sobre este infeliz caso com a pesquisadora portuguesa, tendo lido todos os artigos e comentários que encontrei na blogosfera.
Para além de ser uma mulher bonita, interessante e com um trabalho meritório na Amazónia, segundo os testemunhos que li também era boa pessoa e apaixonada pelo seu trabalho algo solitário.
Que a Vanessa descanse em paz e que a sua passagem por este mundo tenha servido para o tornar um pouquinho melhor.
O corpo da pesquisadora portuguesa, assassinada em Sena Madureira, na tarde de domingo, foi transladado na noite de ontem para Belém. Paralelamente, a polícia conclui as investigações que dependem ainda dos resultados de alguns exames. O delegado João Augusto Fernandes, da Delegacia Geral de Polícia de Sena Madureira, depende apenas dos resultados de uma série de exames feitos no corpo da vítima, entre eles, o de DNA, para concluir o inquérito que apura a morte da pesquisadora portuguesa Vanessa Sequeira.
Ela foi encontrada morta na madrugada de segunda-feira, no leito de um córrego do Ramal Toco Preto, no Projeto de Assentamento Joaquim de Matos, a 59 quilômetros de Sena Madureira. A polícia já prendeu o provável autor do delito, o ex-presidiário Raimundo Nonato Rocha de Lima, o De Manaus. No final da tarde de ontem, o diretor-geral de Polícia Civil, delegado José Barbosa de Morais, disse que considera o caso completamente elucidado. "Faltam apenas os resultados dos exames que serão conhecidos oficialmente no máximo em 15 dias", confirmou a autoridade.
Durante parte do dia de ontem, o corpo de Vanessa Sequeira foi velado por amigos, por admiradores e por curiosos na capela da Funerária de São Francisco. No período da noite, por via aérea, foi transladado para Belém, onde uma prima aguardava o corpo até sua cidade natal, em Portugal, onde será sepultada. (A.C.).
Crime de Sena Madureira: Sejusp envia relatório ao ministro Celso Amorim sobre morte da pesquisadora Vanessa Sequeira
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre adotou todos os procedimentos e centralizou seus esforços para elucidar, no menor espaço de tempo possível, o crime de homicídio contra a pesquisadora portuguesa Vanessa Anabela Schaffer Sequeira, 36, ocorrido na tarde do último domingo, dia 3, no Projeto de Assentamento Joaquim de Matos, a 36 quilômetros do município de Sena Madureira, dentro da comunidade denomina “Toco Preto”. O principal suspeito, identificado como sendo o presidiário em liberdade condicional Raimundo Nonato Rocha de Lima, o “Demanaus”, está sob custódia da polícia. Ele foi preso em sua casa por volta das 2 hora da manhã de segunda-feita dia 4, menos de 24 horas após a polícia tomar conhecimento do crime. A agilidade na elucidação da ocorrência está sendo alvo de elogios da imprensa local, nacional e internacional, especialmente a imprensa portuguesa, que tem dado ampla cobertura sobre o episódio. Na tarde de ontem, o secretário de Justiça e Segurança do Estado do Acre, Antonio Monteiro, enviou ao Ministério das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, um relatório completo dos acontecimentos e os demais procedimentos adotados em relação ao suspeito e ao corpo da vítima. O teor do documento é o seguinte:
Senhor Ministro,
Cumpro o dever de informar a Vossa Excelência o trágico e lamentável assassinato da estudante e pesquisadora alemã naturalizada portuguesa Vanessa Anabela Schaffer Sequeira, 36 anos, ocorrido na tarde do último domingo, dia 3 de setembro, no Projeto de Assentamento Joaquim de Matos, situado a 36 quilômetros do município de Sena Madureira - Acre. Vanessa Anabela Schaffer estava no Acre desde janeiro de 2006, em trabalho de pesquisa para a sua tese de doutorado no Centro Tropical de Investigação e Ensino Agronômico da Costa Rica, em parceria com a Universidade Federal do Acre e, na tarde do dia 3 de setembro, foi vítima de uma brutal agressão por espancamento e asfixia que resultou em sua morte.
Tão logo a autoridade policial do Estado teve conhecimento do desaparecimento da pesquisadora, às 20 horas do dia 3 de setembro, saiu em diligência conjunta da Polícia Militar e da Polícia Civil para a localidade onde se deu o crime, diligência essa que resultou na prisão do suspeito Raimundo Nonato Rocha de Lima, vulgo ‘De Manaus’, ocorrida às 2 horas da manhã do dia 4 deste mês. Com o mesmo foram encontrados objetos que pertenciam à vítima (GPs e outros).
O corpo de Vanessa Anabela foi encontrado cerca de 200 metros fora do ramal (estrada de chão que dá acesso à comunidade) por onde ela haveria de passar em seu trabalho de pesquisa.
Todas as evidências reunidas não deixam dúvida de que Vanessa Anabela foi assassinada por Raimundo Nonato Rocha Lima, que se encontra preso no presídio Evaristo de Moraes, em Sena Madureira, local do crime, onde será julgado e condenado pelo crime praticado.
Quanto às providências relacionadas à vítima, informamos que o corpo está sendo trasladado ainda hoje (dia 5 de setembro de 2006) para São Paulo, de onde seguirá para Portugal para ser sepultado pela família.
Atenciosamente, Antonio Monteiro Neto Secretário de Estado de Segurança Pública do Acre
Vanessa, como a maioria dos estudantes de pós-graduação (sem importar a nacionalidade), viveu uma aventura amazônica que terminou de forma diferente da maioria das outras aventuras - de forma trágica!
Ainda na semana passada Charles Crisostomo, meu colega do Laboratório de Produtos Florestais do Parque Zoobotânico, me comentava que havia sido contratado pela Vanessa para ajuda-la na realização das últimas entrevistas no projeto de assentamento onde estava trabalhando. Me falou que Vanessa estava ansiosa para concluir pois seu prazo estava vencendo. Para isso ela contratou também a Elessandra, uma estudante da UFAC que recém terminou seu Mestrado em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais. Ela se preocupava em contar com as pessoas certas para ter a certeza de ter bons dados para escrever sua dissertação.
O que deixa a gente mais triste ainda é que esta era a penúltima visita ao campo da Vanessa. Hoje, terça, ela estaria retornando para Rio Branco. Ficaria mais uns dias e então faria a sua última viagem para encerrar esta etapa...não conseguiu.
Este acontecimento nos deixou sem "chão"! Desanima saber que alguem que estava ajudando a colocar mais um "tijolinho" para construir a fortaleza que todos queremos fazer de nossa amazônia, tenha sido morta de forma tão bárbara, cruel, injusto.
Mais triste fiquei ao ler a carta da amiga Christiane, ao comentar a decisão que Vanessa teve de tomar algum tempo atrás em relação ao seu Doutorado: "Que eu saiba o caminho do doutorado também não foi nada fácil para Vanessa que sempre se sentiu dividida entre ação concreta de uma ONG e a organização de base, e o trabalho mais teórico acadêmico. Um tempo atrás ela desistiu e teve uma crise geral sobre qual caminho embarcar. Mas ela voltou e decidiu de encarar o doutorado e o Acre. Receio que isto vai ser muito dificil para os pais, de pensar que ela "quase" não voltou para o Acre e optou por uma outra vida." (clique aqui para ler a íntegra da carta de Christiane Ehrighaus publicada no site Rede Reservas Extrativistas).
Não temos palavras para expressar nossos sentimentos de pesar para a família de Vanessa...nós também estamos sofrendo e vamos sofrer por muito tempo a perda da Vanessa e as consequências que a sua morte vai ter na forma de se trabalhar na Amazônia.
Cada vez que leio depoimentos como esses sinto minha barriga embulhar. O que pensar de uma pessoa assim, que não tem o mínimo respeito à vida humana? E Vanessa, esta certamente está em um lugar bem melhor, de paz e tranqüilidade.