AMBIENTE ACREANO: Abril 2008
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quarta-feira, abril 30, 2008

CHARGE DO JORNAL "A CRÍTICA"

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terça-feira, abril 29, 2008

TIÃO VIANA E A PROSPECÇÃO MINERAL NO ACRE

Senador pretende convidar o Ministério de Minas e Energia a colaborar para a elaboração do mapa geológico do Estado. Objetivo é encontrar minérios de valor econômico

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano
Atualizado às 13:44h, 29/04/2008

O Senador Tião Viana (PT-AC) resolveu convidar o Ministério das Minas e Energia para ajudar na elaboração de um mapa geológico do Acre para saber se existem minérios de valor econômico no nosso subsolo.

É uma tentativa que merece algum crédito pois não resta dúvida de que devemos pelo menos ter uma idéia do que o nosso subsolo guarda de valioso.

Entretanto, é bom que fiquemos alertas pois a exploração mineral causa danos graves ao meio ambiente se não for feita observando rigorosamente a legislação ambiental.

Até hoje nem as 'pesquisas ilegais' encontraram vestígios de minérios

Em busca de amostras de plantas, já tive a oportunidade de andar por quase todo o Acre, exceto o alto rio Purus, na parte central do Estado, e o alto rio Tarauacá e Envira, no vale do Juruá. Raramente ví sinais de minérios ou pedras. Para não dizer que nunca vi pedras, já testemunhei seringueiros tirando lascas de pedra de amolar em leitos secos de rios. Nosso Estado é basicamente uma 'bacia formada por sedimentos' erodidos das partes mais altas dos Andes.

Cerca de dois anos atrás tive uma longa conversa com uma pessoa, na época funcionário da madeireira Ouro Branco, que fica localizada em Capixaba, e que foi aluno de um curso de identificação prática de plantas, no qual eu era o instrutor.

Aparentando bem mais que 50 anos, ele falou que era natural de Minas Gerais, mas que já havia 'rodado' a Amazônia de sul a norte e de leste a oeste. Citou lugares no Acre que eu nunca tive a oportunidade de ir. Mostrou conhecimento sobre mineralogia quando me explicou os 'meus parcos achados minerais' durante minhas andanças.

Perguntei o ele que andou fazendo nas matas do Acre e explicou que fazia parte de um pequeno grupo de prospecção de minérios. Faziam pesquisas discretas observando o terreno e o solo em busca de indicações de ocorrência de minérios valiosos, incluindo a bauxita e o caulim. Andaram especialmente nas áreas das cabeceiras de alguns dos nossos rios mais importantes.

Quem bancava? Ele disse que eram empreiteiros a serviço de empresas do 'sul do país' e do Pará.

E as licenças obrigatórias do Ministério das Minas e Energia? Ele disse que o que fazima era coisa 'na surdina', relatórios preliminares de potencial de ocorrência de determinados tipos de minérios. Se eles, os 'pesquisadores ilegais', dissessem que valia a pena qualquer pesquisa mais séria, as empresas mineradoras correriam no Ministério das Minas e Energia para tentar licença formal para estimar o potencial real da região.

E os resultados? Ele disse que no Acre, nos lugares onde andou, não tinha nada de interessante.

E disse mais. Se houvesse jazida importante de algum minério valioso, com certeza ela já teria sido 'descoberta' há muito tempo.
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segunda-feira, abril 28, 2008

NOSSO STALIN NÃO É UM DITADOR. SEJA DEMOCRÁTICO STALIN!

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Do colunista político 'Stalin' Melo, titular da coluna Bastidores do diário O Rio Branco, comentando na edição de domingo (27/04) a provação do projeto que muda o fuso horário acreano:

Cedo
Sobre essa questão do fuso horário do Estado, que daqui a 58 dias ficará com uma hora de diferença em relação a Brasília, ainda é cedo para se fazer quaisquer críticas ao senador Tião Viana (PT/AC).

Nem tanto
Mesmo que o projeto do senador, já aprovado no Senado e já sancionado pelo Presidente Lula, não tenha sido debatido pela população, não está claro que a mudança será maléfica como alguns apressados se adiantam.

Realidade
Pressões da grande mídia à parte, o novo fuso horário, ademais, aproxima o Acre da realidade, uma vez que os hermanos bolivianos já adotam o mesmo fuso, o mesmo acontecendo com os amazonenses.


Não conheço pessoalmente o articulista acreano, mas sempre que posso leio sua coluna pela internet. Tenho certeza que ele não tem, exceto pelo nome, nada a ver com o ditador russo Stalin, um dos mais cruéis da história e que detestava consultar o povo antes de tomar qualquer tipo de decisão.

'Nosso' Stalin não tem nada a ver com o russo, mas alguns políticos locais, comunistas de carteirinha, estão 'colocando as unhas de fora' e dando a entender que nutrem algum tipo de admiração por essa prática stalinista de não ouvir a opinião do povo, de onde, como eles mesmo dizem, 'o poder emana'.

Nas notas acima, o Stalin acreano, embora reconhecendo que o projeto de mudança do fuso horário tenha sido aprovado por pressão da grande mídia nacional, se contenta em saber que os bolivianos e amazonenses já adotam o mesmo fuso, dando a entender que "o que é bom para bolivianos e amazonenses, deve ser bom para os acreanos".

E ele diz mais. Afirma que a mudança nos aproxima da 'realidade'. Que realidade? Então o Acre, sua gente, seus políticos, nossas vidas, é tudo uma ficção? Vivemos num mundo virtual, a la Matrix?

Ele ainda reconhece que o projeto foi aprovado sem que os acreanos tivessem a oportunidade de ser consultados, mas deixa claro que isso não é importante porque ninguem ainda sabe se ele vai mesmo ser maléfico. E quem garante que será benéfico? Mesmo assim vejo algo positivo: ele reconhece que o projeto pode ser um 'tiro no escuro'.

Considerando que não ficou claro se o 'nosso' Stalin é a favor ou contra a mudança do fuso, esperamos que ele use do espaço jornalístico que tem a sua disposição para praticar o verdadeiro jornalismo, com isenção e equilíbrio de opiniões, mostrando com clareza os prós e contras relacionados ao assunto e dando voz às opiniões divergentes.

Creio que não apenas o nosso Stalin, mas todos os jornalistas acreanos deveriam deixar claro aos seus leitores, como já fizeram Luis Carlos Moreira Jorge, Toinho Alves, Leonildo Rosas e Altino Machado, se são a favor ou contra a mudança. Não é proibido nem é falta de ética que façam isso.

O que é errado é fazer como a imprensa local tem feito nestas últimas semanas, privando os leitores da verdade que cercou a aprovação da mudança do fuso horário acreano no Senado.

Até agora ninguém questionou dois aspectos importantes que marcaram a aprovação do projeto do Senador Tião Viana:

- A retirada do projeto de consulta popular (plebiscito) por parte do Senador (que até hoje não esclareceu publicamente as razões para tal decisão), que deixou livre o caminho para a ação do lobby das empresas de comunicação; e

- A aprovação do projeto no Senado de forma urgentíssima, em um único dia, e sob pressão total da grande mídia nacional, exatamento no dia posterior ao da entrada em Vigor da Portaria 1.220/2007. Para muitos, ficou no ar a impressão de que a aprovação só aconteceu para atender o interesse da mídia e não do povo acreano.


Das duas uma: ou todos os meios de imprensa local, e respectivos jornalistas, são unânimes no apoio à mudança, ou os que não concordam foram amordaçados.

O que você, leitor do Blog Ambiente Acreano, acha?
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LEPTOSPIROSE: A DOENÇA DOS POBRES BRASILEIROS

Cada dólar por dia acrescentado à renda familiar de uma população carente diminui em 11% o risco de infecção por leptospirose, segundo estudo realizado em instituto da Fundação Oswaldo Cruz

Doença da pobreza

Por Fábio de Castro, 28/04/2008

Agência FAPESP – Melhorar a infra-estrutura sanitária não basta para controlar a leptospirose numa favela. É preciso também melhorar a condição socioeconômica dos moradores, cuja variação acompanha o risco de infecção.

Essa é a principal conclusão de um estudo realizado numa comunidade carente de Salvador por pesquisadores do Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz (CPqGM), um dos institutos da Fundação Oswaldo Cruz, na capital baiana. Os resultados foram publicados na revista de acesso aberto Plos Neglected Tropical Diseases.

Os pesquisadores entrevistaram mais de 3 mil moradores da comunidade de Pau da Lima, em Salvador, e utilizaram modelos matemáticos para avaliar a associação entre fatores ambientais, indicadores socioeconômicos e a presença de anticorpos contra Leptospira nessa população.

De acordo com o autor principal do trabalho, Albert Icksang Ko, professor de Medicina da Universidade de Cornell (Estados Unidos) e pesquisador visitante do Laboratório de Patologia e Biologia Molecular do CPqGM, o estudo mostrou que mais de 15% dos moradores já haviam sido infectados alguma vez pela doença.

“Além de identificar fatores de risco ambientais, como a falta de saneamento básico, o estudo mostrou que o nível de pobreza está fortemente ligado à prevalência da doença. Concluímos que o risco de infecção diminui em 11% a cada dólar a mais por dia acrescentado à renda familiar per capita”, disse Ko à Agência FAPESP.

O pesquisador explicou que, embora as deficiências na infra-estrutura sanitária tenham se mostrado uma fonte de transmissão de leptospirose, quando esses fatores ambientais foram controlados as diferenças socioeconômicas contribuíram para o risco de infecção.

“Identificamos fatores ambientais de risco, como morar perto do esgoto a céu aberto, em locais onde há lixo exposto e em fundos de vale com risco de alagamento. Mas, entre os moradores nessas condições, as diferenças socioeconômicas se apresentaram como um fator de risco independente”, afirmou.

De acordo com Ko, existem mais de 10 mil casos de leptospirose registrados no Brasil – a maioria deles em populações carentes dos grandes centros urbanos. O pesquisador afirma que mais de 25% da população brasileira mora em favelas. A proporção chega a 60% em Salvador.

“O problema é grave se pensarmos numa projeção epidemiológica. No mundo todo, temos 1 bilhão de moradores de favelas. Esse número deverá dobrar nos próximos 20 anos. Por isso é importante identificar com precisão os fatores de risco de infecção”, afirmou.

Participação da comunidade

Segundo Ko, o estudo foi realizado com recursos do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz e do Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos, por meio da Universidade de Cornell.

O estudo se baseou num um inquérito realizado com 3.171 residentes da comunidade, utilizando anticorpos aglutinantes contra Leptospira como um marcador de infecção prévia. Os dados sobre condições ambientais foram obtidos pelo Sistema de Informação Geográfica (GIS).

“Utilizamos o modelo de regressão de Poisson para avaliar a associação entre a presença dos anticorpos e atributos ambientais, indicadores socioeconômicos e exposições de risco individuais.”

De acordo com o pesquisador, a participação de líderes comunitários e das associações de moradores foi imprescindível para a realização do trabalho. “A comunidade foi o sujeito da pesquisa e colaborou muito para a obtenção dos dados e realização das entrevistas. A partir daí, utilizando o GIS, uma equipe de geógrafos criou os mapas que identificaram o impacto de cada um dos fatores ambientais e socioeconômicos”, explicou.

O estudo, de acordo com o pesquisador, contribui para incentivar o poder público a tomar medidas que possam diminuir os casos de infecção por Leptospira. “A leptospirose é uma doença de alto impacto econômico para o sistema público de saúde. Ela é associada a uma falência renal aguda, matando mais de 15% dos infectados que são hospitalizados”, disse.

O artigo Impact of environment and social gradient on Leptospira infection in urban slums, de Albert I. Ko e outros, pode ser lido em www.plosntds.org.

Imagem: Na foto, a comunidade onde foi feito e estudo, em Salvador (BA): cada dólar por dia acrescentado à renda familiar de uma população carente diminui em 11% o risco de infecção por leptospirose
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OBJETO ESPACIAL QUE CAIU EM GOIÁS

Primeiras análises realizadas por técnicos do Inpe concluem que objeto encontrado no mês passado em Goiás é um tanque de foguete, possivelmente do Atlas 5 da Nasa. Agência espacial norte-americana já solicitou a devolução do artefato espacial

Esfera desvendada

Por Thiago Romero, 28/04/2008

Agência FAPESP – Foram divulgados os resultados das primeiras análises de um artefato espacial, de formato esférico e envolto em fibras de carbono, que caiu há pouco mais de um mês em uma fazenda próxima ao município de Montividiu, no interior de Goiás.

De acordo com o coordenador de gestão tecnológica do instituto, Marco Antônio Chamon, o pesquisador responsável pelas análises no Inpe, o objeto, que tem cerca de 80 centímetros cúbicos, é um tanque de nitrogênio de alta pressão utilizado em sistemas de propulsão líquida, comum em foguetes e satélites.

“A hipótese mais provável é a de que se trata de um tanque de propulsão utilizado por um foguete da Nasa. Essa ainda não é uma informação oficial, mas chegamos a essa conclusão preliminar porque os Estados Unidos já solicitaram a posse do tanque com uma reivindicação que confirma essa nossa conclusão“, disse Chamon à Agência FAPESP. “Ao que tudo indica o tanque pertencia ao foguete Atlas 5, de propriedade da agência espacial norte-americana”, conta.

Antes de ser levada para o Laboratório Associado de Combustão e Propulsão do Inpe, em Cachoeira Paulista (SP) (foto ao lado), onde se encontra atualmente, a peça foi examinada in loco, logo que foi encontrada por moradores locais de Montividiu, por pesquisadores da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para a identificação de possíveis cargas radioativas.

O Brasil é signatário de convenções internacionais para a devolução de objetos espaciais a outros países. “Como o país reclamante precisa provar que o objeto é de sua propriedade, ainda estamos aguardando uma manifestação norte-americana mais específica. Enquanto isso, os tratados internacionais não nos permitem fazer nenhum tipo de teste destrutivo no objeto. Devemos devolvê-lo tal como ele foi encontrado”, afirma.
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CIDADES QUE MAIS DESMATAM LIDERAM CRIMES NA AMAZÔNIA

Violência aparece em 39 das 50 cidades com maior índice de devastação na região. Apesar disso, Assuero Veronez, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, afirma que "Não há relação entre desmatamento e pecuária com a violência no campo"

De Eduardo Scolese
Folha de São Paulo, 27 de Abril de 2008

Os municípios que mais desmatam na região amazônica são também os que mais registram trabalho escravo e violência no campo. O avanço da pecuária na área acompanha o ritmo da queda das árvores. Essas relações foram detectadas a partir do cruzamento de dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do Ministério do Trabalho e da CPT (Comissão Pastoral da Terra). A reportagem é de Eduardo Scolese e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 27-04-2008.

A reportagem teve acesso a levantamento do Inpe que identifica o total desmatado de agosto de 2004 a julho de 2007 em 601 cidades da Amazônia Legal (Estados do Norte, além de Mato Grosso e Maranhão).

No ranking dos 50 municípios que mais extraíram madeira no período, sendo 23 em Mato Grosso e 20 no Pará, a violência no campo aparece em 39 deles, com crimes ligados a conflitos fundiários e flagrantes de trabalhadores em situação análoga à escravidão. Os municípios “top 50″ do desmate acumularam a média de um assassinato entre 2004 e 2007, índice sete vezes acima do registrado na região amazônica (0,14), segundo a CPT.

Os campeões na derrubada de árvores também estão à frente nos flagrantes de trabalho escravo, ou seja, quando, além de ser submetido a situações degradantes, o trabalhador é impedido fisicamente de deixar a propriedade.

Entre 2004 e 2007, a média nesses 50 municípios foi de 109 trabalhadores resgatados pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho. Na Amazônia, no mesmo intervalo, a média geral dos municípios foi de 16 pessoas flagradas nessas condições.

Gigante

No topo da lista do desmate está o gigante paraense São Félix do Xingu, município com área equivalente à soma dos Estados de Alagoas e do Rio Grande do Norte (84,2 mil km2). Nele, em três anos, foram devastados 2.812 km2, com quatro assassinatos e 291 trabalhadores resgatados.

“Onde tem desmatamento ilegal, onde tem grilagem de terra, tem madeireiras e tem morte. A vinculação é realmente essa”, afirma Ailson Machado, assessor de mediação de conflitos agrários da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência.

“O trabalho escravo vem junto, porque eles [proprietários ou grileiros] usam essas pessoas, a maioria delas migrantes, para abrir a mata. Quando termina o desmate, ou elas ficam expostas à violência, sem trabalho, ou são levadas para outras áreas para serem exploradas”, completa.

O avanço do desmatamento na Amazônia também coincide com o crescimento da pecuária. Entre os 50 municípios da região que, segundo dados do IBGE, mais avançaram na quantidade de cabeças de gado entre 2003 e 2006, 29 deles também integram os top 50 na derrubada da floresta.

Colniza (MT) é um exemplo. No extremo noroeste do Estado, na divisa com Amazonas e Rondônia, a cidade aparece em quarto no ranking do desmate, com 982 km2 derrubados, 115,9 mil novas cabeças de gado e dois assassinatos, em três anos.

No mesmo intervalo, Confresa, município no nordeste mato-grossense, seguiu uma linha semelhante, com 270 km2 de desmate, 114,6 mil novas cabeças de gado e 1.013 trabalhadores flagrados em situação análoga à escravidão. “A gente lamenta, mas tem pessoas que ainda estão fazendo isso. Se aproveitarem as áreas já abertas, não precisam desmatar”, diz o pecuarista Nerci Wagner, presidente do sindicato rural de Confresa.

Entre os top 50 do desmatamento, houve um crescimento médio de 90,9 mil cabeças de gado, contra 15,7 mil em toda a região amazônica, uma diferença de 579%.

Valor da floresta

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o que acontece é que o desmate é uma resposta ao que classifica de baixo valor econômico da floresta. A entidade rejeita a relação entre a violência no campo e a atividade econômica.

José Batista Afonso, advogado da CPT do Pará e integrante da coordenação nacional do braço agrário da Igreja Católica, afirma que a relação entre o desmatamento e a violência no campo não é coincidência.

“Não existe coincidência, e sim uma relação. Na Amazônia, especialmente no Pará, a atividade da pecuária sempre foi a campeã na utilização de mão-de-obra do trabalho escravo. E, se existe expansão da pecuária, há também a expansão da área de desmatamento”, declara Afonso, advogado da CPT.

Imagem: Revista Época
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domingo, abril 27, 2008

RESPONDENDO AO RICARDO, PONTO A PONTO

7:40 da manhã! É nessa hora Ricardo que o sol vai nascer em Rio Branco quando o Acre for obrigado a adotar o horário de verão em outubro próximo. Não me critique. Procure o Deputado Moisés Diniz e o Senador Tião Viana para tomar satisfações

Ricardo, um dos poucos leitores que não usam do anonimato para comentar no Blog, fez algumas considerações sobre o nosso post 'Se você não fizer nada...".

Faço questão de responder a ele ponto a ponto porque é um dos primeiros leitores que toca no assunto 'Horário de Verão', que vai se tornar no grande vilão da mudança do fuso horário acreano.

Quero ver o Deputado Moisés Diniz e o Senador Tião Viana virem a público defender a adoção do horário de verão no Acre quando isso se tornar inevitável no próximo mês de outubro.

Vejam abaixo meus comentários à mensagem do Ricardo.

"Só vejo argumentações sem fundamentação e sem dados para sua posição contrária à mudança de fuso (Ricardo)"

Não estamos aqui naquela situação comum no campo jurídico em que o juiz inverte o ônus da prova. Ou seja, os políticos e empresas mudaram o ‘nosso’ fuso horário sem argumentos robustos, mas negociatas políticas, e agora nós, os que somos contra, é que temos que apresentar tratados e dados para mostrar que eles estão errados?

O que você precisa entender é que a mudança afeta a TODOS e, nesse caso, TODOS teriam que ter tido o direito de opinar se queriam ou não a mudança. Ou você não se importa? Eu e muitos outros nos importamos pois se eles fizeram essa mudança sem perguntar a ninguém, vão se sentir seguros para promover outras similares no futuro pois saberão que ninguém vai reclamar.

Eu elegi alguns políticos, mas não dei carta branca para eles fazerem o que quiserem com o mandato que lhes outorguei.

"Foi falado da questão da latitude, só que isso não ajuda em nada a sua argumentação contra o novo fuso, tanto que nem vc soube argumentar (Ricardo)"

Falei neste assunto apenas para explicar ao Ferraz que as cidades citadas por ele estavam localizadas em latitudes mais elevadas do que o Acre, por isso, em determinadas épocas do ano, por lá ainda é escuro às 6:30 da manhã. Morei 6 anos em New York e no verão o sol se punha às 21 horas. No inverno amanhecia por volta das 7 da manhã e escurecia por volta das 17 horas.

É óbvio que sei que os fusos horários são determinado pela distância geográfica que estamos do fuso de Greenwich, na Inglaterra. E sou da opinião que o fuso Acreano está de bom tamanho, considerando que o Estado está com mais de 80% de seu território dentro da faixa do 5° fuso. Porque adotar o 4° fuso?

"Vc argumentou sobre a adoção do horário de verão, aí sim a questão da latitude faz sentido, como vc mesmo cita. Mesmo nas cidades do sul, no verão, quando os dias são mais longos o dia não amanhece tão cedo quanto aqui. Sei disso porque já morei vários anos no PR (Ricardo)"

E demora a amanhecer nas cidades do sul durante o verão porque neste período elas estão mais próximas do sol (veja ilustração acima). No Acre e em todas as regiões do Brasil mais próximas do Equador a diferença entre os dias e noites no inverno e verão são mínimas. Foi por isso que elas deixaram, já faz alguns anos, de adotar o horário de verão.

"O horário de verão não será adotado em todo o país, essa é apenas uma especulação sua. Não tente confundir as pessoas com especulações, não tente misturar as coisas, não tente aumentar dados com o intuito de convencer (Ricardo)"

Quanto ao horário de verão não aumento, nem confundo ninguém. Mas especulo com a polêmica que vai ser a implantação do horário de verão no Brasil em 2008.

Se você vive no Brasil, sabe que faz mais de 10 anos que a região sul, o sudeste e o centro-oeste adotam o horário de verão porque, como você bem disse no parágrafo final de seu comentário, a economia é evidente e incontestável. O resto do país (norte e nordeste, com exceção da Bahia) deixou de adotar o horário de verão pois o próprio governo reconheceu que a economia de energia era insignificante.

O que especulo é que com a entrada em vigor da Portaria 1.220/2007, que força as emissoras de TV a obedecerem à classificação indicativa, a adoção do horário de verão no Brasil em 2008 vai dar muito que falar e, com a mudança do fuso horário do Acre, existe uma grande possibilidade dos acreanos serem muito prejudicados.

Mais uma vez explico.

A mudança do fuso horário do Acre resolve, temporariamente, o problema das emissoras, que, sem a mudança, teriam que adaptar sua programação para 3 fusos horários distintos. Agora, com a eliminação do fuso horário do Acre, restam apenas apenas 2 fusos horários no país. A coluna radar da revista VEJA deixou bem claro que só a Globo gastou U$ 5 milhões para se adequar à portaria. E isso porque a adequação que fez não considerou que o Acre continuaria com o seu fuso horário particular. Imagine o valor da conta se ela tivesse que investir para atender o fuso do Acre e oeste do Amazonas!

Ocorre que esta situação de 2 fusos horários no Brasil só vai durar até meados de outubro, quando, sob condições normais, apenas parte do país adota o horário de verão. Nessa época, vamos voltar a ter 3 fusos! O sul, sudeste, centro-oeste e Bahia adotarão o horário de verão, o nordeste (com exceção da Bahia) ficará -1 h, e o norte ficará -2 h. Isso se o horário de verão for adotado, como tem sido norma nestes últimos anos.

É aqui que entra um pouco de especulação.

Você mesmo reconhece que existem justificativas econômicas para o sul e sudeste do país adotarem o horário de verão. E, como explicado acima, para as emissoras o melhor é o Brasil continuar com 2 fusos horários. Portanto, é grande a possibilidade de todo o Brasil ser obrigado a adotar o horário de verão em 2008 por força da importância econômica e política das regiões sul e sudeste, e o interesse das emissoras de TV em preservar 2 fusos horários no país.

Se isso acontecer, os acreanos serão os grandes prejudicados. E isso pode ser comprovado com um exercício simples.

Se você mora no Acre, procure acordar às 3 horas da manhã e aguarde o dia amanhecer. Você verá que a ‘claridade’ só vai surgir no céu depois das 5h e o sol só surgirá no horizonte um pouco mais tarde, cerca de 20 minutos antes das 6 horas da manhã.

Pois bem. Com a mudança do fuso horário do Acre, você tem que adiantar as horas citadas acima. Assim, 3 vão ser 4h, 5 vão ser 6h, e assim por diante, correto? Se em outubro próximo, quando o novo fuso já estiver em uso, o Acre for obrigado a adotar o horário de verão, você tem que adiantar o relógio em mais 1 hora não é mesmo?

Assim, 3h vão ser 5h e assim por diante. Isso significa que o sol vai surgir nos céus acreanos pouco antes das 8 horas da manhã! Você acha isso correto? Se vivêssemos em uma região de alta latitude, até que se justificava pois seria algo natural. Mas estamos a não mais que 10° ao sul da linha do Equador!

Porque esse sacrifício para atender os caprichos das emissoras de TV?

Eu não vivo em função delas. Muitos acreanos não vivem. A tradição e a cultura do povo acreano se estabeleceram bem antes da chegada da TV ao Estado em meados dos anos 70. Além disso, já está de bom tamanho a lógica capitalista que criou o cotidiano urbano com horas certas para sair de casa, chegar ao trabalho, almoçar etc.

Você acha mesmo que os políticos e emissoras de TV podem, a seu bel prazer e conveniência, mudar nosso cotidiano sem pedir licença? Dá um tempo! Você pode ser apático e aceitar tudo calado. Eu não. Vou protestar até o fim.

"Além disso não haverá aumento do consumo de energia, e sim uma diminuição,pois, se pela manhã uma parcela da população usará energia por já estar acordada, à noite TODOS estarão acordados e só passarão a utilizar energia (luz) 1 hora depois. Isso é matemática simples, espero que tenha entendido (Ricardo)"

Quanto ao aumento do consumo de energia, antes de fazer as suas afirmações, você deveria ter parado para considerar que afirmo isso considerando a mudança do fuso horário!

Hoje, corretamente, não existe pico matinal de consumo de energia elétrica. Entretanto, com a mudança do fuso horário vamos ter sim um pico de consumo matinal de energia elétrica no Acre haja vista que ainda vai ser noite quando a maioria da população local se levantar para se preparar para sair de casa! Se você tem filhos pequenos, sabe do que estou falando. Resta ver se esse pico de consumo, antes inexistente, vai ser significativo o suficiente para eliminar o benefício advindo da extensão da claridade após as 18 horas com a adoção no novo horário.

Entretanto, se o Acre for obrigado a adotar o horário de verão, o consumo matinal de energia vai ser significativo pois o sol vai nascer no Acre pouco antes das 8 horas da manhã. E, com isso, é quase certo que a mudança de fuso horário perde ainda mais a razão de ser. Qual seria a vantagem?

"Não quero entrar no mérito da questão da Tv Globo, até porque também vejo o interesse da mesma na mudança. No entanto não gosto de atribuir tudo o que acontece no país à Globo. Acho que o Brasil é maior que isso. Mas acredito que o melhor foco nesse caso seria: o que é melhor pro Acre sem considerar a questão televisiva? (Ricardo)"

Ainda bem que você escreveu esse parágrafo. Sou da opinião que não apenas a Globo, mas as empresas de comunicação de uma maneira geral mandam, e muito neste país. Elas podem construir e destruir a carreira de um político (vide Collor e Renan Calheiros). Por isso é que os políticos, Tião Viana incluído, tentam sempre ser simpáticos às emissoras de comunicação do país.

Você mostra que é muito mais coerente do que os políticos que patrocinaram a mudança do fuso horário acreano ao perguntar "O que é melhor pro Acre sem considerar a questão televisiva?" Sua pergunta, na verdade, deveria ter sido digirida a todos os que serão afetados pela medida e não apenas ter sido objeto de discussão nos gabinetes de Brasília.

Finalizo com a pergunta que não vai calar.

Porque os políticos e as emissoras de TV que patrocinaram a mudança do fuso horário acreano não perguntaram aos habitantes do Estado, de norte a sul, de leste a oeste, dos seringais às cidades:

- Vocês são a favor ou contra a mudança?

............................
Veja abaixo a íntegra do comentário do Ricardo:

"Só vejo argumentações sem fundamentação e sem dados para sua posição contrária à mudança de fuso. Foi falado da questão da latitude, só que isso não ajuda em nada a sua argumentação contra o novo fuso, tanto que nem vc soube argumentar. Vc argumentou sobre a adoção do horário de verão, aí sim a questão da latitude faz sentido, como c mesmo cita. Mesmo nas cidades do sul, no verão, quando os dias são mais longos o dia não amanhece tão cedo quanto aqui. Sei disso porque já morei vários anos no PR.

O horário de verão não será adotado em todo o país, essa é apenas uma especulação sua. Não tente confundir as pessoas com especulações, não tente misturar as coisas, não tente aumentar dados com o intuito de convencer.

Se uma parcela da população acreana acorda cedo, realmente eles serão prejudicados. No entanto, muitos outros serão beneficiados ao final da tarde ao voltar pra casa. Além disso não haverá aumento do consumo de energia, e sim uma diminuição,pois, se pela manhã uma parcela da população usará energia por já estar acordada, à noite TODOS estarão acordados e só passarão a utilizar energia (luz) 1 hora depois. Isso é matemática simples, espero que tenha entendido.

Não quero entrar no mérito da questão da Tv Globo, até porque também vejo o interesse da mesma na mudança. No entanto não gosto de atribuir tudo o que acontece no país à Globo. Acho que o Brasil é maior que isso. Mas acredito que o melhor foco nesse caso seria: o que é melhor pro Acre sem considerar a questão televisiva.

A propóstio, em relação ao horário de verão nos estados do sul, sudeste e centro-oeste: A economia é mínima quando comparada às medias de outros meses onde o horário de verão não se aplica. No entanto, se o horário de verão não fosse adotado e fosse possível comparar com as médias nos mesmos meses de adoção a redução seria bem maior. Ou seja, não aproveitaríamos essa hora extra de luz natural e gastaríamos mais com a luz artificial. Portanto se fôssemos comparar dessa forma aí sim teríamos um melhor parâmetro de comparação. Dessa forma a adoção do horário de verão como é feita atualmente é plenamente justificável e deve se manter assim."
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sábado, abril 26, 2008

A REVOLTA DO FUSO HORÁRIO NO PARÁ!

O fuso do cabaré

Quando o presidente assinou a lei, igualando o fuso horário do oeste do Pará ao horário de Brasília e Belém, ele sancionou uma mudança profunda nos hábitos e na cultura de um povo sem ao menos consultá-lo. Sua postura, assim como a dos parlamentares que aprovaram o projeto, é de desrespeito aos hábitos e cultura de um povo e de idolatria a economia...Faz lembrar as velhas, mas sempre atuais, palavras do poeta que em seu refrão, e com sua metralhadora cheia de mágoas, disparou que neste país “te chamam de ladrão, de bicha, de maconheiro. Transformam um país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro.”

por Erik l. Jennings Simôes (*)
Sábado, 26/04/2008

Nasci a 2°26’34’’ ao sul do equador e a 54°42’28’’ oeste de Greenwich, às 23h30min em um local mais conhecido como Santarém, no estado do Pará, na Amazônia. Em um país chamado Brasil. Esta é minha identidade, meu nicho.

Quando morrer, não quero que mudem uma vírgula do que sou, um grau de onde nasci, nem um minuto do que fui ou vivi. Não admito minha declaração de óbito ser preenchida no horário de Brasília ou Belém. Meu horário de nascer, viver e morrer é o de Santarém.

Em Santarém, o sol esbarra no Tapajós às 17horas e 42 minutos. Três minutos depois ele afunda no rio, para deixar o lusco-fusco das 18h às 18h30min, encerrando, assim, a hora da geral. Hora na qual os pássaros voam, cruzam rios e igarapés para se ajeitarem nos puleiros das árvores. É hora de onça beber água, é hora de peixe liso andar no canal, é hora de arraia parar no remanso.

O que sobra de identidade e orgulho para os bichos e a natureza deste lugar, falta para os homens que nele habitam. Queremos ser Estado, mas abrimos mão do nosso horário real, natural. Povo sem cultura, sem costumes, sem particularidades, é povo sem identidade. É nada!

Enquanto acharmos que tudo que vem de Brasília e Belém é bom, e deve ser copiado, aceitaremos, calados, o roubo de nossas riquezas, morreremos em frente a hospitais inacabados, esperando por ambulâncias que estão paradas há dois anos, sem dar um pio.

Calma, amigo, a saída é adiantar, para sempre, uma hora do seu relógio, ficando igualzinho ao da capital, pois quem sabe assim o socorro não chega logo. Quem sabe assim até o Hospital não abra.

Quando o presidente assinou a lei, igualando o fuso horário do oeste do Pará ao horário de Brasília e Belém, ele sancionou uma mudança profunda nos hábitos e na cultura de um povo sem ao menos consultá-lo. Sua postura, assim como a dos parlamentares que aprovaram o projeto, é de desrespeito aos hábitos e cultura de um povo e de idolatria a economia. É subserviência a emissoras de televisão.

Faz lembrar as velhas, mas sempre atuais, palavras do poeta que em seu refrão, e com sua metralhadora cheia de mágoas, disparou que neste país “te chamam de ladrão, de bicha, de maconheiro. Transformam um país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro.”

A que horas mesmo fecha esse cabaré?

* Santareno, é médico neurocirurgião.

Artigo originalmente pulblicado no Blog do Jeso Carneiro.
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DISTRIBUIÇÃO DOS CIRURGIÕES DE CABEÇA E PESCOÇO NO BRASIL

Pesquisa indica que Acre e Roraima são os únicos Estados sem médicos especialistas em cirugias de cabeça e pescoço no Brasil

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Cirurgia da Cabeça e Pescoço (v. 37, nº 1, março 2008), indica que o Acre e Roraima são os únicos Estados do Brasil que não possuem médicos especializados em cirurgias de cabeça e pescoço. Segundo a pesquisa, em todo o Brasil são apenas 579 médicos especialistas nesta área e a maioria deles prefere se estabelecer em Estados com maior renda per capita e IDH.

Os autores do artigo são Flávia da Silva Pinto Neves e Orlando Parise Júnior, cirgurgiões de cabeça e pescoço. O segundo autor trabalha no Hospital Sírio Libanês de São Paulo. O artigo foi recebido em 08/09/2007, aceito para publicação em 29/12/2007 e publicado online no dia 12/02/2008.

Leia abaixo o Resumo da pesquisa, ou clique aqui para ler o artigo completo no Blog Biodiversidade Acreana.

Distribuição dos cirurgiões de cabeça e pescoço no Brasil e sua relação com os indicadores sócio-econômicos e a mortalidade por carcinoma espinocelular

Flávia da Silva Pinto Neves1
Orlando Parise Júnior2

Introdução: no ano em que a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço comemora seus 40 anos de fundação, não é completamente conhecido o número de cirurgiões que atuam na especialidade, sua distribuição territorial nem sua vinculação associativa.

Métodos: consultamos as bases de dados do Conselho Federal de Medicina, da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, do Instituto Nacional do Câncer, do Sistema Único de Saúde, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano, de modo a obter o perfil de distribuição dos cirurgiões de cabeça e pescoço (CirCP) por estado da Federação, associando esse dado aos indicadores sócio-econômicos e indicadores de saúde relativos à especialidade.

Resultados: são aproximadamente 579 CirCP em atividade no país. Dois estados não apresentam nenhum CirCP atuando: Acre e Roraima. O estado com menor relação CirCP / População é São Paulo (1:167.118,99) e o de maior relação é Rondônia (1:1.534.594). Em termos de distribuição territorial, o estado com maior relação CirCP / Área é o Amazonas (1:261.790,95 Km²) e o de menor relação é o Distrito Federal (1:527,44 Km²). Quanto aos indicadores sócio-econômicos, as distribuições por renda per capita e por IDH foram maiores para o Distrito Federal (R$ 19.071,00/0,844) e menores para o Maranhão (R$ 2.748,00/0,636). A relação mortalidade por carcinoma espinocelular
de Cabeça e Pescoço anual por 100.000 habitantes/ CirCP foi maior em Rondônia, com 2,73 óbitos para cada CirCP e menor no estado de São Paulo, com 0,0264.

Conclusões: nossos dados apontam para uma distribuição desigual dos CirCPs, demonstrando uma preferência por estabelecerem-se em estados com maior renda per capita e IDH. Em localidades onde se encontram os maiores números de CirCPs por habitante, são quase 100 vezes menores os óbitos por CECCP, refletindo a importante ação desses especialistas.

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1) Cirurgiã de Cabeça e Pescoço.
2) Cirurgião de Cabeça e Pescoço do Hospital Sírio Libanês, São Paulo.
Correspondência: Rua Dona Adma Jafet, 50 conj. 124 – 01308-050 São Paulo, Brasil. E-mail: oparise@uol.com.br
Recebido em: 08/09/2007; aceito para publicação em: 29/12/2007; publicado online em: 12/02/2008.
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sexta-feira, abril 25, 2008

O SAPO DA HORA

O símbolo comestível do nosso 'novo' fuso horário

Muitos acreanos vão ter que engolir um sapo com esta história da sanção presidencial ao projeto de mudança do fuso horário acreano patrocinado pelo Senador Tião Viana.

Quem calou ainda pode reclamar.

Jogue esse sapo para longe! Façam de tudo para não serem obrigados a engolir o sapo, o 'sapo da hora'!

Ele é verde, liso e parece ser simpático, mas acreditem, é, na verdade, muito ameaçador. Parece ser parente do Kambô, aquele sapo que deixa a gente grogue.

E quem engolir esse sapo vai ficar assim, grogue, tonto, sonolento, porque vai ter que passar a madrugar para se adaptar ao novo fuso horário.

Passe a foto do 'sapo da hora' para os amigos. Avise a eles que em 60 dias esse será o prato principal do café da manhã deles.

Xô sapo!

Nota: a foto do sapo da hora é de autoria de Altino Machado, e reflete bem o que nos espera em 60 dias.
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O FUSO HORÁRIO DO ACRE VAI MUDAR

"...mas a sua aprovação se fez quebrando uma regra básica do que chamam democracia, que é dar voz aos interessados no assunto. Estes esquecidos são os que formam a população de eleitores do Acre. "

Mário José de Lima
Economista, Professor da PUC-SP

Passando os olhos pelos jornais de hoje, no jornal Página 20, deparei-me com a notícia sobre a assinatura pelo presidente Lula da lei que muda o fuso horário da Amazônia. Diz a notícia:

“A nova lei, o Acre passa, finalmente, a ter o mesmo horário que os outros Estados da Amazônia Ocidental, como Amazonas, Rondônia e Roraima, além de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste do país. Com isso, corrige-se um erro histórico cometido em 1913, quando a legislação transformou o Acre numa espécie de” ilha “do fuso horário amazônico, quando o meridiano que estabelece o fuso da Amazônia passa exatamente em cima de Rio Branco, capital do Estado.”

O primeiro aspecto a chamar a atenção é a referência ao que denomina a notícia de um “erro histórico”. Parei, examinei mapas e circunstâncias históricas no período da fixação dos horários no Brasil, procurei reexaminar os fundamentos técnicos que cercam a criação do que entendemos como fuso horário.

Confesso que não consigo entender de onde saiu tal afirmação de “erro histórico”. Sabemos, pelo menos eu acreditava que todos sabiam, afinal é assunto das disciplinas de geografia desde o que denominam hoje de primeiro grau, como se formou uma base que permite que possamos usar os relógios de forma relacionada, através do mundo.

A idéia básica da criação de um sistema de medição horária está apoiada no ciclo natural gerado pela rotação da terra em torno do seu eixo. Este ciclo que divide o tempo na terra entre noite e dia.

A possibilidade de criação do sistema horário está na determinação de um ponto de partida o que foi conseguido através da marcação de uma linha ligando os dois pólos da terra e denominada de meridiano.

O ponto de partida foi o meridiano passado sobre o Royal Observatory, na cidade de Greenwich, nas cercanias de Londres. A partir desse ponto seria formado o horário a medida em que a luz do sol avançasse sobre as regiões à oeste do ponto inicial.

Vale lembrar, das lições de trigonometria que tivemos no antigo ginásio e nas aulas do segundo grau, na medida em que a medição envolve a consideração de graus, como é próprio para entendermos e medirmos superfícies em arco.

No caso do sistema horário, trata-se de medir a longitude, é dizer, medir a distância entre os diversos meridianos a partir de Greenwich, o que equivale a medir o arco entre os meridianos.

O Meridiano de Greenwich que foi estabelecido por Sir George Airy, em 1851, constitui a marca entre a duas partes da terra, ou seja, demarca a separação entre Ocidente e Oriente.

A oeste, horários atrasados em relação a Greenwich, na medida em que, em função do sentido da rotação da terra, é para este lado que a luz do sol avança; a leste, áreas onde o horário é mais avançado, região onde a luz do sol vai sumindo em função da rotação da terra. A partir desse ponto forma-se as faixas de horários, ou fusos que corresponde a faixas de quinze graus de largura. Esse recurso reduz o número de fusos oficiais e permite deixar quase intocável a base que é o ciclo noite-dia. A adoção da hora de Greenwich (GMT) é resultado de acordo internacional de 1881

O que é certo é que em todos os pontos interessava o nascer e o por do sol. Estamos diante de uma decisão que explora aspectos ligados ao metabolismo dos seres vivos, na medida em que, uma grande variedade deles, entre os quais os humanos, usam a noite para recomposição das forças do corpo.

Vale aqui, uma curiosidade: os colibris, um ser que despende quantidades incríveis de energia para realizar seus vôos, chegam, mesmo, a alcançar estados letárgicos durante a noite. Evidentemente, que há, aí, forças sociais indicando este caminho, afinal, trata-se de uma fase adiantada do desenvolvimento do regime capitalista de produção.

De um lado, o sistema adequa-se à organização dos sistemas produtivos, permite uma forma adequada ao aproveitamento da força de trabalho a custos mais baixos (cabe lembrar, os custos com iluminação, possibilidades de quebras de equipamentos, uma vez que há comprovação na redução do desempenho dos operadores, etc). Por outro lado, é uma determinação de horários que se afirma pelo próprio crescimento da força política da classe trabalhadora, dado que garante o período de descanso na fase mais adequado a isso. Ou seja, o aproveitamento do período noturno para o descanso é resultado da própria evolução dos seres vivos.

Quando ocorre a fixação de um horário para o Brasil, foi preservada, em alguma medida, a base do sistema. No caso, o Acre foi uma das regiões brasileiras a ter seu horário apoiado integralmente no sistema, ou seja, teve sua hora fixada em função da sua localização na faixa que determina a hora Greenwich menos cinco. Também, Brasília se localiza praticamente no meio do fuso horário 3, e obedece ao horário Greenwich menos três. A determinação de uma diferença entre Brasília e Acre é, portanto, absolutamente compatível com o Greenwich Mean Times – GMT.

Afinal, de que erro histórico fala, então a notícia?

A notícia,também, faz referência de um “fuso horário amazônico”. Fiz uma pesquisa, afinal, não sendo geógrafo não estou tão atualizado com esse assunto, e não existe, em nada do que pesquisei qualquer referência a este fuso horário.

Segundo a notícia procura fazer entender, o Acre deveria integra-se a tal fuso horário. Quando faz referência ao fato de um meridiano passando por sobre Rio Branco, o que realmente faz é abandonar o critério de faixas – fuso horário - que apóia o sistema de Greenwich.

A meu juízo, frente ao que conseguimos expor sobre o assunto, a notícia esquece o papel social da imprensa que é de dotar o cidadão com informações fidedignas.

Não chego ao limite – normal – de cobrar isenção em posições onde a sociedade mostre-se dividida entre posições diferentes. Mas que não se distorça fatos e teorias, não se distorça informações, para atender suas filiações políticas e/ou de negócios.

Não custa reafirmar: entre outros aspectos importantes essa nova lei retira da população a possibilidade de uma hora de sono reparador e a sua aprovação se fez quebrando uma regra básica do que chamam democracia que é dar voz aos interessados no assunto. Estes esquecidos são os que formam a população de eleitores do Acre.
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AGORA ESTAMOS IGUAL A COBIJA, BOLÍVIA

Novo fuso horário acreano foi sancionado sem vetos pelo Presidente Lula

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano
Atualizado às 04:52

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou hoje (24/04), sem vetos, o projeto de lei que altera o fuso horário do Acre e parte do Amazonas, que têm duas horas de atraso em relação ao Distrito Federal, e que agora passarão a ter uma hora de diferença. Foi modificado também o fuso horário do oeste do Pará, que agora será igual ao da capital federal. A lei entra em vigor em 60 dias.

No âmbito internacional, o estado do Acre passa agora a ter o mesmo fuso horário da Bolívia, que originalmente era a dona das terras onde o Estado está localizado. Com isso, Brasiléia e Epitaciolândia passam a ter o mesmo fuso horário de Cobija, Bolívia.

O anúncio da medida foi feito 'ao vivo' pelo Senador Acreano, Tião Viana (PT-AC), autor do projeto, direto de Brasília, durante o telejornal noturno da TV Acre, a afiliada da TV Globo no Acre.

Como no passado, mudança não teve o aval da população

Foi interessante ouvir o Senador afirmar, durante a entrevista, que seu projeto 'corrige' um autoritarismo histórico, que foi o fato da população não ter sido ouvida quando do estabelecimento do fuso horário do Acre em 1913.

A sanção de ontem no projeto do Senador em nada muda o panorama pois a alteração do fuso horário patrocinada pelo Senador também foi feita sem que nenhum acreano tivesse o direito de opinar contra ou favoravelmente.

Uma diferença, entretanto, salta aos olhos no processo de aprovação do projeto que criou o sistema de fusos horários no Brasil em 1913 e o do Senador, que o modificou 95 anos depois.

Enquanto o primeiro foi aprovado diante de uma necessidade verdadeira de organizar a situação caótica em que o país vivia pela falta de um sistema de fuso horário, tendo sido votado e sancionado sem maiores pressões políticas ou populares, a aprovação do projeto do Senador Tião Viana foi manchada pela forte suspeita de barganha política movida pelo forte lobby das principais empresas de comunicação do país, que fazem campanha ostensiva contra a entrada em vigor da Portaria 1.220/2008.

A principal razão das suspeitas foi a forma como ele tramitou e foi aprovado no Senado depois de ficar por quase um ano tramitando na Câmara. No dia posterior à entrada em vigor da Portaria 1.220/2008, em 09/04, o projeto foi remetido da Câmara para o Senado, onde, de forma surpreendente, tramitou em todas as instâncias, foi levado para o plenário, entrou em pauta, foi lido e aprovado. Tudo em apenas um dia! Poucas vezes se viu tal rapidez na aprovação de um projeto no Senado!

Além disso, antes mesmo da mudança do fuso horário acreano, a retransmissora local da Rede Globo, a TV Acre, já havia alinhado toda a sua programação de forma similar a exibida pelas retransmissoras da Globo nas cidades de Manaus, Porto Velho e Cuiabá, que estavam 1 hora à frente do Acre. Com a aprovação efetiva da mudança do fuso horário do Acre, que passa a ser igual ao daquelas cidades, a emissora não precisará fazer qualquer alteração em sua grade de programação, passando, inclusive, a transmitir o Jornal Nacional ao vivo no horário em que vinha apresentando em vídeo tape, as 19:15h.

Senador arquivou projeto de plebiscito para decidir a mudança

Originalmente, o Senador Tião Viana tinha proposto um plebiscito para que a população decidisse se era a favor ou contra a mudança. Entretanto, de forma silenciosa, ele mesmo requereu o arquivamento do projeto que previa a realização do plebiscito sem dar maiores satisfações aos eleitores acreanos.

A não realização do plebiscito e a mudança 'por decreto' do fuso horário acreano, que repetem o erro histórico de não consultar a população, deixam a nítida impressão que a aprovação do projeto passou a ser quase uma questão pessoal para o Senador, marcando de forma negativa a sua reputação de um democrata que sempre procurou ouvir os eleitores que o elegeram.

Embora ele tenha afirmado até o fim que o projeto atendia a um anseio da maioria da população, isso nunca foi comprovado por qualquer consulta pública, e na prática, os maiores beneficiários do projeto do Senador serão as empresas do setor comercial, os bancos e, principalmente, as empresas de comunicação, responsáveis pela aprovação 'relâmpago' do projeto no Senado.

Tião Viana é tido como um dos mais fortes candidatos ao Governo do Acre nas próximas eleições de 2010, mas a mudança autoritária do fuso horário acreano poderá causar problemas para a sua pretensão pois, mal assessorado que foi na matéria, não tem a menor idéia da parcela de eleitores que ficou insatisfeita com a mudança do fuso horário.

Se houvesse oposição no Acre e ela soubesse capitalizar para sí o tema, seguramente muitos eleitores pensariam duas vezes antes de decidir se Tião é mesmo a melhor escolha para conduzir de forma democrática os destinos do Acre.

NOTA DO BLOG: Eu sempre desconfiei que o Acre tinha tudo a ver com a Bolívia. Vejam as cores das bandeiras. São idênticas, exceto por diferenças sutis no tom mais forte ou fraco das cores. Confesso que nunca tinha observado esse detalhe. Agora, com fusos horários iguais, só falta o Presidente Lula assinar o termo de doação, devolvendo nosso Estado a quem de direito.
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quinta-feira, abril 24, 2008

SE VOCÊ NÃO FIZER NADA...

O leitor chamado Ferraz fez o seguinte comentário ao post "Carta para a Ministra Dilma Roussef":

"Mandar essa foto pra ministra ela vai rir de vcs... 4:48 (5:48 com adiantando do fuso)... vou falar mais uma vez aqui... 5:48 em Brasília é noite... em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, nesses lugares tudo é noite... só no Acre que nao pode ser noite... se depender de vcs o sol tinha que nascer 3 horas da madrugada no Acre"

Minha resposta:

Prezado Ferraz,

O que você fala é apenas parcialmente verdade pois estes lugares que você menciona (São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Goiânia) ficam todos em latitudes bem mais altas (entre 16° e 30°), ou seja, mais distantes do Equador. Por essa razão, por lá, no verão os dias são mais longos e no inverno as noites mais longas.

No Acre, que fica entre as latitudes aproximadas de 7° (Assis Brasil) e 10° (Cruzeiro do Sul) do Equador, a duração do dia no inverno e verão é quase insignificante. Foi por essa razão que o Acre e a maioria dos Estados do Nordeste do país, acima da Bahia, deixaram, já faz alguns anos, de adotar o horário de verão. Não fazia sentido algum.

Esclarecido este ponto, gostaria de lhe perguntar se você já se convenceu de que a mudança do fuso horário do Acre foi feita para atender os interesses das empresas de comunicação. Já deu para perceber?

Elas se viram com um problemão para atender a famigerada Portaria 1.220/2007 em função dos diferentes fusos do país e para elas, quanto menos fusos diferenciados, melhor. E elas ainda não desistiram. Você viu a propaganda que a ABERT tem divulgado contra a classificação indicativa? Procure ver.

O fato das empresas estarem insatisfeitas, indica que elas não desistiram de derrubar a Portaria ou, na impossibilidade disso, vão tentar fazer o país adotar o fuso horário único. O grande teste vai ser a partir de outubro próximo, quando entra em vigor o horário de verão.

Aí é que vai dar para ver que a mudança do fuso horário do Acre foi apenas o tira-gosto.

A partir desse período, o país voltará a conviver com 3 fusos horários distintos. O horário de Brasília. O horário da parte do Nordeste que não adota o horário de verão e fica -1 hora, e o norte do país, incluindo o Acre, que ficará -2 horas em relação a Brasília.

E agora? O que você acha que as empresas de comunicação vão fazer? Vão gastar mais alguns milhões de dólares, como fez a Globo, para se adequar a essa salada de fusos horários diferenciados? Eu duvido.

Precisamos ir um pouco a frente, tentar ser visionários e esperar sempre o pior destas empresas que praticamente controlam o país. Ou você já esqueceu da eleição do Collor pela Rede Globo?

Nós temos que tomar o que aconteceu com o fuso horário do Acre como lição pois corremos um risco real de pagar um alto preço por termos sido tão passivos diante da mudança.

Eu sou da opinião de que serão as empresas que decidirão se o país vai ou não adotar o horário de verão. É quase certo que ele vai ser adotado no Sul e Sudeste, que são econômica e politicamente muito influentes. Com isso, é certo que elas vão impor o horário de verão para o resto do país, incluindo o Acre.

Você já parou para pensar no que vai acontecer com o Acre se for obrigado a adotar o horário de verão?

Vamos fazer um pequeno exercício.

O horário habitual que o povo acreano vai ter que acordar, com o novo fuso, vai ser o equivalente a 5 horas da manhã (6 horas no novo fuso), vc. concorda? Nesta hora o dia vai estar amanhecendo.

Com o horário de verão, vamos ter que adiantar o relógio mais uma vez. Assim, o que era 6 horas da manhã, vai virar 7 horas. Comparada com a situação atual (pré-mudança de fuso), um eventual horário de verão (pós-mudança de nosso fuso), vai equivaler a adiantar nosso relógio atual em 2 horas. Ou seja, no lugar passar a acordar as 5 horas, vamos ter que acordar as 4 horas da manhã.

Você e outros devem estar achando que estou perdendo tempo fazendo esse exercício. Mas dou um conselho, sem ser solicitado. Espere tudo das empresas de comunicação.

E, como bem disse o nobre Deputado Moisés Diniz, elas não estão nem ai para o Acre e seu fuso horário. Não importa se os Acreanos, com uma eventual imposição do horário de verão, passem a acordar às 4 horas da manhã. Para elas o que importa é a economia que poderão ter eliminando a maior quantidade de fusos horários possíveis.

Para finalizar, digo que não resistir à mudança por decreto do nosso fuso horário e deixar para lá a mudança feita a pedido das empresas de comunicação, equivale a deixar se concretizar, o que diz o belo poema abaixo:











No caminho com Maiakóvski


"[...]

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


[...]"
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PARA O DEPUTADO MOISÉS DINIZ

Evandro / tentei postar o comentário abaixo no espaço de comentário do texto
do teu comentário ao deputado Diniz e não consegui - não aparece as letras a
serem digitadas. abraço, Mário

Caro Deputado Diniz /inspirado no seu exemplo, quando solicitou que as
pessoas olhem o mapa, resolvi pedir-lhe, também, que leia a coluna
Gazetinhas do jornal A Gazeta, edição de terça feira.

Recomendo a leitura, particularmente, da passagem seguinte:

* Deu o exemplo das crianças da Vila Califórnia, que segue o horário de
Rondônia, as quais em certa época do ano acordam ainda no escuro e vão para
a escola de lanterna.

Assim, caro deputado, entendo serem os comunistas defensores das causas dos
trabalhadores, ativistas que lutam pelo bem-estar do povo, da classe
trabalhadora mundial, acredito que o senhor compreenderá que em nada
contribui para o bem-estar das famílias da classe acordar no escuro e se por
a caminho do trabalho. Não há como negar que se adotado, esse horário apenas
retirará das famílias, principalmente das familias de trabalhadoras, uma
hora de sono restaurador, dado que sono nos horários de melhor condições de
temperatura. Lei o trecho da matéria e não esqueça de olhar a fotogafia
exibida pelo Evandro para a situação que cercará o horário das seis horas da
manhã quando a lei da mudança for sancionada.

Caro deputado Diniz, nós que integramos o movimento socialista, nós que
estamos lado a lado na luta pela emancipação temos o motivo essencial para
estarmos, também, lado a lado, nessa questão do fuso horário. Ou seja, temos
o motivo para sermos contra.

Mais um detalhe. Olhando o mapa, seguindo a sua recomendação, vemos que a
quase totalidade do território acreano está incluida do fuso horário
corresponde a Greenwich meno 5 horas. Log, mudar como?

Mário Lima, Economista
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CARTA PARA A MINISTRA DILMA ROUSSEF (2)

São Paulo, 23 de abril de 2008.

Excelentíssima Senhora

Dilma Vana Roussef
Ministra Chefe da Casa Civil
Brasília - DF

Senhora Ministra

Recentemente foi aprovada pela Câmara Alta da República uma resolução que
altera o fuso horário de ampla faixa do território nacional, na qual se
situa os Estados do Acre, Amazonas, parte do Pará.

Há quem defenda tal mudança argumentando com base em mudanças favoráveis à
economia, às relações em sociedade sem que, entretanto, sejam apresentadas a
evidências dos motivos pelos quais tais benefícios surgirão com a mudança.

Entretanto, senhora ministra, sem maiores dificuldades é possível chegar a
alguns resultados apoiados em aspectos das condições regionais que aí estão,
claros, evidentes, explicativos por si só. Olhando o mapa de localização dos
fusos mundiais, verificamos que o território do estado do Acre encontra-se
localizado no fuso horário Greenwich menos cinco horas. Sabemos que o
horário mundial foi organizado levando em conta o ciclo natural noite dia ao
qual os organismos vivos adaptaram-se ao longo processo da evolução - aí nós
humanos, evidentemente. Hoje, mesmo diante desse distanciamento das
condições sociais para as quais evoluíram as sociedades contemporâneas, a
quebra desse ciclo se faz por parcela minoritária da população, dado que a
grande maioria organiza sua vida com base nesse ciclo, ao qual, segundo
especialistas da área da saúde, adaptar-se é um requisito para a preservação
da saúde mental.

No Acre, portanto, os horários onde normalmente se iniciam as atividades
rotineiras das famílias - trabalho doméstico, escola, trabalho, etc. -
correspondem ao momento do nascer do sol. Ou seja, ao ser fixado o horário
brasileiro o Acre ficou numa situação confortavelmente apoiado na base
natural que orienta a formação do fuso horário desde o advento da criação do
horário Greenwich. Estou fazendo anexar a esta mensagem uma fotografia
tirada exatamente às 4:48 horas da madrugada. Como vossa excelência poderá
ver, momento de plena escuridão - na fotografia a luminosidade é dada pelas
luzes nos postes da iluminação pública. Depois que o senhor presidente
assinar a tal resolução esta fotografia será, portanto, 5:48. Ou seja, o
momento em que as famílias terão de começar suas rotinas diárias - as
crianças sairão para a escola ainda escuro - portando lanternas, talvez.

É necessário adicionar a esse fato que, dadas as condições climáticas
regionais, marcado por temperaturas muito elevadas e, com o desmatamento, em
elevação. Assim, conciliar no sono reparador necessário para todos e, muito
particularmente, para a classe trabalhadora sujeita a horários rígidos e a
jornadas de trabalho mais extensas. Acontece que, com a mudança, será tirado
da população essa hora da fase mais adequada ao sono, qual seja, o período
de temperatura mais amena. Logo, quando seria possível sono mais reparador,
mais restaurador das condições de saúde.

Por outro lado, ainda por conta das condições climáticas, o período da
tarde, sendo muito quente, exige que as pessoas aguardem a amenização da
temperatura para poder conciliar no sono. Com a mudança, o período de
insolação será mais longo, logo, o calor se estenderá noite adentro por mais
tempo, implicando as condições de sono.

Assim, senhora ministra, conhecedor de sua trajetória política,
profundamente marcada pela luta pela causa da classe trabalhadora, pela
emancipação, animo-me a solicitar a vossa Excelência oferecer ao senhor
presidente a oportunidade de conhecer os efeitos da mudança que será posta
em curso com a assinatura da resolução a ele encaminhada.

Sirvo-me da oportunidade para apresentar a vossa excelência minha admiração
e os meus votos de seja bem sucedida diante das tarefas que lhe cabem na
vida brasileira da atualidade.

Mário José de Lima
Professor Universitário - PUC/SP
Acreano, nascido em Brasiléia
RG xx.xxx.xxx-x
São Paulo - SP
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CARTA PARA A MINISTRA DILMA ROUSSEF

Na segunda-feira passada (21/04), inspirado pela atitude do Economista Mário Lima, que enviou carta a alguns Senadores, entre eles Cristovão Buarque, demonstrando sua contrariedade à mudança do 'nosso' fuso horário, resolvi escrever uma carta à Ministra Dilma Roussef.

Ela e sua assessoria 'passam o pente fino' nos documentos que chegam às mãos do Presidente. Entre estes, dentro de alguns dias, vai passar o projeto de Lei que modificará o fuso horário acreano.

Temos a esperança que, junto com o projeto submetido à sanção, chegue também minha mensagem. Fiz a minha parte.

Aqueles que são contra a mudança do fuso horário estão convidados a mandar mensagem à Ministra Dilma Roussef. Fiquem a vontade para copiar o texto ou criar um novo se assim preferir. O endereço é o seguinte: casacivil@planalto.gov.br

Leiam abaixo a minha carta:

Rio Branco-Acre, 21 de abril de 2008

Ilustríssima Sra.
Dilma Vana Roussef
Ministra Chefe da Casa Civil
Nesta

Prezada Ministra,

O Senado Federal enviou a V.Sa., mediante Ofício SF nº 528 de 17/04/08, o Projeto de Lei (SCD 00305 2006), aprovado no Senado em 09/04, para ser sancionado pelo Exmo. Sr. Presidente da República.

Este projeto diz respeito a alteração do fuso horário na região norte do país.

Se sancionado, o Acre e o oeste do Amazonas deverão ficar a -1 hora em relação a Brasília (antes eram -2h), enquanto que o oeste do Pará deverá se igualar ao horário de Brasília (antes era -1h).


Estamos apelando a V.Sa. para que olhe com carinho o problema que poderá ser causado aos moradores do Acre e oeste do Amazonas caso o Presidente sancione o referido projeto sem considerar as peculiaridades destas regiões.

Em anexo envio uma foto tomada à 4:48h da manhã na cidade de Rio Branco-Ac. Veja que neste horário ainda é noite pois por aqui o sol nasce apenas por volta das 5:30h da manhã.

Portanto, se o projeto em epígrafe for sancionado, esse vai ser o panorama de nossa cidade por volta das 6:00h da manhã, a hora em que no Acre a maioria das crianças, trabalhadores e donas de casa se preparam para começar um novo dia de aulas e trabalho. Alguns começam antes, quando a luz do sol surge no horizonte.

Portanto, a mudança do fuso horário acreano vai trazer sérios inconvenientes para a população, que passará a iniciar suas atividades ainda no escuro. Entre os incoveniente, pode-se citar questões relacionadas ao aumento no consumo de energia elétrica e de segurança dos trabalhadores e, principalmente, trabalhadoras que passarão a enfrentar a escuridão no caminho para o trabalho.

Veja Ministra, a maioria dos que serão afetados negativamente com a mudança do fuso horário é de pessoas humildes, que caminham, usam bicletas ou transporte público para chegar na escola ou local de trabalho. São também essas pessoas que, provavelmente, serão sacrificadas por um possível aumento no valor da conta de energia elétrica.

Os empresários, bancos, donos de estabelecimentos comerciais e de emissoras de TV que estão sendo obrigados a respeitar a Portaria 1.220/2007 do Ministério da Justiça (classificação indicativa da programação) são, aparentemente, os únicos beneficiários da mudança do fuso horário acreano pois suas transações comerciais e seus gastos decorrentes da diferença atual de 2 horas em relação a Brasília vão diminuir sensivelmente com a mudança do fuso horário local.

Gostaríamos que o Presidente, antes de sancionar a referida Lei, soubesse que muitas pessoas no Acre e Amazonas são contra a mudança do fuso horário pelos motivos expostos acima. Por outro lado, existem outras que são a favor. Estamos diante de um impasse que envolve matéria de relevante interesse público.

Portanto, o melhor que o Presidente poderia fazer para não ser injusto, seria propor ao Senado que os habitantes das regiões afetadas tivessem o direito de decidir a mudança do fuso horário mediante a realização de uma consulta pública.

Só a consulta pública poderia resolver de forma democrática este impasse, evitando que o Presidente da República tenha que fazer a mudança mediante Decreto, que neste caso, parece ser a mais inaquada das opções disponíveis.

Desta forma, apelamos a V.Sa. que interceda junto ao Presidente Lula para que não sancione, por agora, a referida Lei até que a população a ser afetada decida democraticamente pela mudança.

Exma. Ministra, esperamos sinceramente que V.Sa. possa ter a oportunidade de levar estas informações ao Presidente Lula antes dele sancionar a Lei de mudança do nosso fuso horário do Acre e oeste do Amazonas.

Temos plena convicção que ele, com toda a certeza, agirá com o espírito de justiça e democracia que lhe são peculiares e que tem demonstrado ao longo de toda a sua trajetória nas horas em que precisou tomar decisões de grande alcance social.

Com os meus cumprimentos,

Evandro José Linhares Ferreira
Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA
Endereço: Rua XXXXX, XXX, Bairro XXXXXXXX
Rio Branco-Acre, CEP 69.XXX-XXX
RG XXX.XXXX SSP-AC

Anexo:

Caso seja de vosso interesse, colocamos abaixo links para matérias que abordam o assunto relativo à mudança do fuso horário do Acre.

http://ambienteacreano.blogspot.com/2008/04/duda-no-acre-so-448h-da-manh.html#links
http://ambienteacreano.blogspot.com/2008/04/mudana-do-nosso-fuso-horrio.html#links
http://ambienteacreano.blogspot.com/2008/04/um-sonho.html#links
http://ambienteacreano.blogspot.com/2008/04/lobby-das-tvs-queria-criar-fuso-horrio.html#links
http://ambienteacreano.blogspot.com/2008/04/campanha-contra-portaria-12202007.html#links
http://ambienteacreano.blogspot.com/2008/04/fuso-horrio-do-acre-senado-atendeu.html#links

Mais informações pode ser obtidas em:

http://altino.blogspot.com/
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CHARGE DO JORNAL "A CRÍTICA"

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MOTORISTAS ABORDADOS NA MADRUGADA: MAIORIA BEBE COM FREQUÊNCIA

Pesquisa revela que, entre motoristas abordados durante a madrugada em Belo Horizonte (MG), 60% bebem com freqüência e 36% já se envolveram em acidentes. Dos submetidos a teste, 38% tinham algum nível de álcool no sangue

Risco ao volante

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP (24/04/2008) – Uma pesquisa realizada em Belo Horizonte (MG) apresenta um diagnóstico preocupante na relação entre álcool e direção. Os resultados apontaram que 36,6% dos entrevistados já se envolveram em acidentes como motoristas. Mais da metade deles (55,4%) é jovem, entre 18 e 30 anos. Mais de 60% deles têm um padrão de consumo de álcool de dois dias por semana.

Os entrevistados, mais de 900 condutores de veículos abordados em vias públicas com grandes concentrações de bares, restaurantes e casas noturnas, têm perfil socioeconômico elevado. Cerca de 76,8% deles têm nível superior completo ou incompleto e apresentam renda familiar superior a oito salários mínimos (73,7%). O artigo foi publicado na revista Cadernos de Saúde Pública.

Do total de participantes, 63% aceitaram ser submetidos ao teste de bafômetro. Os resultados apontaram que 19,6% dirigiam com níveis de álcool iguais ou superiores aos limites legais e 18,4% apresentavam algum índice de álcool no ar expirado, ou seja, 38% dos condutores dirigiam com algum nível de álcool no sangue.

Participaram da pesquisa os professores Sérgio Duailibi e Ronaldo Laranjeira, da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e os pesquisadores Rogério Salgado e Mariela Rocha, da Secretaria de Desenvolvimento Social de Belo Horizonte. O psiquiatra Valdir Ribeiro Campos, que atua na secretaria e cursa mestrado na Uniad, coordenou o estudo.

Segundo Campos, a pesquisa teve um duplo objetivo: fazer um levantamento de dados sobre a relação entre beber e dirigir numa grande cidade no país e testar a aplicabilidade e aceitação do bafômetro como instrumento de coleta de dados.

“O propósito era educar e conscientizar a população na relação entre o beber e dirigir, utilizar o bafômetro como instrumento na coleta de dados e auxiliar na orientação de políticas públicas que permitam intervenções e que reduzam os problemas relacionados ao consumo de álcool”, disse Campos à Agência FAPESP.

O levantamento dos dados ocorreu no mês de dezembro, nos anos de 2005 e 2006, durante as noites de sexta e sábado, entre 22 e 3 horas da madrugada. As pesquisas sobre acidentes de trânsito em todo o mundo, segundo o autor, têm apontado que a maioria dos acidentes fatais ocorre na faixa etária dos 21 aos 24 anos e 80% deles no período de 20 às 4 horas da manhã dos fins de semana.

Os pontos de checagem se concentraram na região da Savassi, sul da cidade de Belo Horizonte. Foram entrevistados 990 condutores de carros, motocicletas e utilitários. Destes, 913 (92,2%) aceitaram participar em pelo menos uma das etapas da pesquisa (questionário e bafômetro ativo).

Ações necessárias

Como 55,4% dos entrevistados são jovens entre 18 e 30 anos, Campos acredita que as campanhas educativas precisam ser direcionadas, principalmente, para esse público.

“A nossa pesquisa apontou que, entre os jovens nessa faixa etária, um quinto já se envolveu em acidentes de trânsito, tem um padrão de consumo de álcool de duas vezes por semana e ingere de duas a três doses de bebidas. Essa quantidade é suficiente para superar os índices estabelecidos por lei”, afirma o pesquisador.

De acordo com ele, os acidentes de trânsito envolvendo adolescentes que fazem consumo de álcool aumenta após uma dose de bebida, dobra após duas doses e aumenta cinco vezes após cinco doses. O limite estabelecido pelo Código de Trânsito Brasileiro para que uma pessoa seja impedida de dirigir é de 0,6 grama de álcool por litro sangue.

Outro dado importante é que a maioria dos adolescentes (76,8%) tem curso superior completo ou incompleto e renda familiar acima de oito salários mínimos (73,7%). Para confirmar a relação socioeconômica, os testes serão feitos em outras regiões e em várias cidades do estado.

“Já está em andamento outra pesquisa com a mesma metodologia, que será aplicada em todas as sete regionais da cidade e nos vários municípios do estado, para que possamos ter dados mais consistentes sobre a relação entre o nível socioeconômico e educativo e outros fatores associados ao beber e dirigir”, explica Campos.

De acordo com o pesquisador, há uma certa conivência da sociedade em relação às drogas lícitas, como álcool e tabaco. Cinqüenta por cento dos acidentes automobilísticos fatais que ocorrem no país, diz, estão relacionados ao consumo de álcool.

“A alta prevalência encontrada neste estudo pode ser, provavelmente, atribuída a uma fiscalização ineficiente, ao não cumprimento da lei e à falta de uma política específica voltada para a prevenção de acidentes no trânsito.”

O pesquisador defende que a principal medida a ser tomada é o cumprimento da lei. A bebida proporciona ao motorista um falso senso de confiança, prejudicando habilidades como atenção, coordenação, acuidade visual e o julgamento de velocidade, tempo e distância. Mesmo quantidades pequenas de álcool aumentam as chances do envolvimento em acidentes.

“Pesquisas permanentes podem levar ao estabelecimento de política de tolerância zero ao ato de beber e dirigir, como já ocorre em alguns países. As informações deste estudo podem auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas específicas que permitam intervenções no campo do beber e dirigir, educar e conscientizar a população sobre a relação entre bebida e direção, melhoria da fiscalização no trânsito e o cumprimento mais eficaz da lei”, declarou.

Para ler o artigo Prevalência do beber e dirigir em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, de Valdir Ribeiro Campos, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

NOTA DO BLOG: A pesquisa parece que descobriu o que todo munda já sabe. Mas tem rigor científico e mostra números concretos. Nada de 'eu acho...' Resultados similares podem ser esperados para outras cidades brasileirs, incluindo Rio Branco, onde é clara a escalada da violência no trânsito local em função da bebida alcóolica. A Ciatran deveria, portanto, passar a fazer abordagens durante a madrugada, nas proximidades de clubes e bares. É uma medida muito mais efetiva do que ficar 'atrapalhando' a vida de quem trabalha e tem que ficar parando constantemente durante o dia para mostra habilitação e documentos do veículo.
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quarta-feira, abril 23, 2008

JÁ OLHEI O MAPA MIL VEZES DEPUTADO!

O Deputado Moisés Diniz postou uma breve nota em seu Blog na qual questiona a nossa posição contra a mudança do 'nosso' fuso horário.

Abaixo apresento aos leitores do Blog Ambiente Acreano minha resposta.

Prezado Deputado, não fui eu que disse(que a Globo está preocupada com a audiência), foi a coluna Radar de Veja. Leia abaixo:

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O custo do fuso para a Globo


Lauro Jardim
RADAR ON-LINE, REVISTA VEJA

O custo para a Globo adaptar sua programação aos fusos horários regionais, conforme exigência do Ministério da Justiça, foi de 5 milhões de dólares. Dentro deste total, o valor que pesou mais foi o aluguel de uma nova rede exclusiva para transmissão via satélite. As novas regras estão em vigor desde ontem e alteram a programação em sete estados das regiões Norte e Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Roraima). Na prática, funciona assim: a novela Duas Caras, que a Globo começa a transmitir às 21h em rede nacional, ia ao ar às 20h ou às 19h, no caso do Acre. Agora, o país inteiro verá a novela às 21h - e assim por diante.

A Globo e as outras redes não estão conformadas com as novas regras. Consideram-nas inconstitucionais. E esperam barrá-las no Judiciário antes de outubro, quando entra em vigor o horário de verão, o que complicaria mais ainda as suas vidas, já que alguns estados do Nordeste também passam a ter horários diferenciados. As emissoras aguardam uma decisão do STF para a questão.
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Diante disso, quem olha no Mapa de Fuso Horário brasileiro pode observar que na prática, para as emissoras de TV, é mais vantajoso que todo o país tenha apenas dois fusos. Se fosse apenas um seria ainda melhor.

Mas temos o 4o. fuso. o Fuso horário acreano. E o que fazer com o Acre? Aquele apêndice que penetra ‘fundo’ no quarto fuso? (veja este outro mapa que apresento)

Investir para dar aos acreanos uma programação exclusiva?
O senhor mesmo respondeu: a Globo não está nem ai para investir para atender os Acreanos ou a Portaria 1.220/2007 (por sinal, o senhor já viu a propaganda das emissoras contra a Portaria?). Sei até que o senhor está liderando um protesto contra a Globo no Acre por esta razão não é mesmo?

Então o que elas, as emissoras de TV resolveram fazer?

Igualar o fuso horário acrano ao resto do que o senhor chama de ‘fuso amazônico’. Como o único projeto de mudança do fuso horário em andamento no Congresso era o do Senador Tião Viana, elas foram lá e impuseram a aprovação urgentíssima da mudança.

Resolveu parte do problema que elas estão enfrentando em razão da Portaria pois vão passar a trabalhar com apenas dois fusos em todo o país.

Para finalizar, quando o senhor afirma que estamos relevando apenas que houve submissão dos nosso políticos às emissoras de TV, não se pode negar e nem é apenas eu ou outros acreanos que estão falando isso. Faça uma busca no Google e verá que foi no mínimo suspeita a forma como tudo aconteceu.

O mais triste de tudo é que a mudança foi feita não pela vontade autêntica de todos os acreanos. Não que o senhor ou o Senador Tião Viana fossem proibidos de propor. A legislação não impede isso.

Entretanto, vivemos uma democracia e a mudança do nosso fuso vai afetar todos os acreanos. Eles é que têm de decidir se querem ou não a mudança.

Sob o ponto de vista da democracia, uma mudança dessa é sim autoritária porque vai ser feita por decreto, pela vontade de alguns (que podem ser até centenas de milhares. Quem sabe? não houve consulta popular) e pressão de setores alheios à vida e ao cotidiano dos acreanos.

Quanto a olhar no mapa, já olhei muitas vezes e acho que não devemos ter o fuso alterado. O senhor acha que deve. Como ninguem é melhor do que ninguem, vamos decidir no voto?

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano
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RUA QUINTINO BOCAIUVA, CENTRO. O FIM DE UMA ERA

O avanço inexorável do 'progresso' destrói lentamente o passado glorioso de uma rua e seus moradores

Rua Quintino Bocaiúva, 370, Centro. Este foi meu endereço por mais de 25 anos, e continua a ser o de minha mãe.

Poucas pessoas devem saber, mas a rua Quintino Bocaiúva, mais conhecida pelos endereços comerciais do Bairro José Augusto, tem início na 'beira' do rio Acre, onde antes existiu a sorveteria do Fabiano, termina na Av. Ceará, quase na entrada da Capoeira, e, por razões que desconheço, continua lá no bairro José Augusto.

Foi nesta 'área' que passei minha infância e parte da adolescência. Minha turma era formada por parentes, que vivam na Av. Brasil, quase chegando ao Terminal Urbano, e amigos da Av. Brasil e da Capoeira.

Da varanda de nossa casa a visão que (ainda) temos é a da foto acima. Lá no alto, do outro lado da rua, fazendo fundos para a sede social do Vasco da Gama, estão as casas que um dia moraram o Olavo Pontes (falecido, funcionário da rádio difusora), César Pontes (falecido, ex-Delegado de polícia) e Elias Mansour, que dispensa apresentações.

Mais à esquerda da casas retratadas na foto fica a casa da mãe do Olavo e César pontes. Destas apenas a casa do Olavo Pontes e de sua falecida mãe continuam a servir como residência. As outras estão vazias ou foram alugadas e servem como estabelecimento comercial.

Mais abaixo, caminhando em direção à Av. Brasil, um símbolo se foi. O prédio da Socibene, a famosa Sociedade Beneficiente, que até hoje não sei a quem beneficiava. Da sede em madeira da Socibene resta apenas um pedaço, que por alguma razão, os demolidores deixaram de pé (foto ao lado).

Ouvi dizer que o Governo do Estado desapropriou quase a quadra inteira onde ficava a Socibene para construir um centro administrativo.

No quintal que circundava s Socibene, ainda resta um pé de mangueira que deve ter pelo menos a minha idade (43 anos). Quando ela for derrubada,vai ser a confirmação de que a especulação imobiliária não tem limites. Concreto e aço no lugar das árvores.

Já fazia algum tempo que um sobrado em madeira, que ficava abaixo da Socibene, já havia sido demolido para dar lugar a um estacionamento. Lá morou o Sr. Ocírodo, pai do Jorge e do Junior.

Nos fundos dessa casa e da Socibene havia, além de vários pés de mangueira, um pé de tamarindo, daqueles bem azedos e um pé de ingá. Havia ainda o que a gente chamava na época a 'matinha', com muitas árvores e arbustos, boa para caçar passarinhos.

Lembro ainda que nos fundos da Socibene, quase em frente a sede social do Vasco, tinha uma antiga 'jardineira', espécie de ônibus de antigamente, onde a garotada 'sonhava em dirigir carros'.

Mas com essa desapropriação do Governo, o que restou vai ser destruído. Pelo menos as casas já foram demolidas.

A última delas era a casa onde morou o Adonaldo, irmão da Ana Helena (veja foto ao lado, esquerda). Foram poupados o prédio onde fica a Dental Bélia e a casa (muito modificada) onde um dia morou o Wilde Viana, pai do Jorge e do Tião Viana (foto ao lado, direita).

Não tenho muitas lembranças da dupla porque por volta de 1974 eles se mudaram para a Habitasa e a casa ficou vazia. Lembro que o Tião Viana voltou para o local e usou a casa por alguns anos, durante o início dos anos 90, quando abriu uma clínica no local.

Do outro lado da rua, não resta mais nenhum morador. A última a sair foi a Eile Taumaturgo, que morou alguns anos na casa do ex-Vereador Taumaturgo Filho (foto abaixo, equerda). A Eile é filha do ex-Deputado Taumaturgo, que ainda 'resiste' em uma casa em frente ao Colégio Acreano.

Mas uma das saídas que mais lamentei foi a da Dona Serete, mãe do Álvaro, Henrique, Carlinhos (Bode) e do Cláudio. Fiquei algumas semanas sem passar pela rua e um dia, ao passar em frente a casa vi que tinham tirado tudo. Não sobrou nem o pé de figueira que existia na calçada.

Ao lado da casa da Dona Serete ficava a casa do Dr. Jesus, um pediatra famoso que clinicou no Acre até meados dos anos 80. Depois a casa foi vendida para um dos irmãos Beirute. Ambas casas foram demolidas e no lugar foi construída uma grande loja, que até hoje está fechada. Deve ser endinheirado o dono do imóvel (foto ao lado).

Agora, a rua Quintino Bocaiúva do Centro tem apenas 3 moradores. Vamos ver até quando irão resistir. Os filhos do Olavo e do César Pontes já colocaram os seus imóveis à venda. Resta a minha mãe, que não pretende sair tão cedo de lá.
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