AMBIENTE ACREANO: Novembro 2015
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segunda-feira, novembro 30, 2015

CRISE NA CONTAX

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

A revista Exame informa em sua edição n° 1102 de 25/11/2015 que a Contax, a maior empresa de call center do país ficou sem dinheiro para pagar suas dívidas, que somam 1,5 bilhão de reais.

Segundo a reportagem, ao perceber que não teria como honrar debêntures que vencem em dezembro e fevereiro, a empresa inciou uma ampla renegociação com seus credores para tentar alongar as dívidas.


A conclusão do plano depende da venda de uma de suas subsidiárias, a Allus, que atua em outros países da América Latina e poderia valer, nas contas de analistas, 800 milhões de reais. O objetivo é usar 350 milhões de reais para reforçar o caixa e o restante para pagar os credores.


Segundo a revista, a Contax vem sofrendo com a crise econômica. Cerca de 30% de sua capacidade de atendimento está ociosa, enquanto a média do setor é infrerior a 15%. Apenas neste ano, a ação da empresa caiu 90% e vale 1 real. Em nota, a companhia informou que procura "obter consenso" com os credores para alongar seu endividamento e adequá-lo às suas "perspectivas operacionais".


Para os acreanos, uma importante indagação fica no ar diante das precárias condições econômicas da empresa: até quando estarão garantidos os empregos de milhares de jovens contratados para atuar na unidade da empresa localizada em Rio Branco?


Segundo notícias divulgadas na imprensa local, a empresa investiu 40 milhões de reais na construção de sua sede em Rio Branco e contou com apoio do governo do Estado e da prefeitura da cidade, que auxiliaram na pré-capacitação dos primeiros contratados e na disponibilização de novas linhas de transportes públicos para facilitar o acesso dos funcionários à sede da empresa.


Foto: Gleison Miranda/Assecom-AC
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quinta-feira, novembro 26, 2015

PARA A MÍDIA, O BANQUEIRO PRESO NÃO É AMIGO DE AÉCIO

Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo


O senador Aécio Neves é um homem sem amigos, para a imprensa. 

Ele não é amigo de Perrela, o homem em cujo helicóptero foi encontrada meia tonelada de pasta de cocaína.


Ele também não é amigo de Andre Esteves, o banqueiro preso hoje na Lava Jato.


Em contraste, Lula, segundo a mídia, é um homem cheio de amigos. Você é informado ubiquamente em jornais e revistas, por exemplo, que ele é amigo de um pecuarista preso na Lava Jato como o banqueiro Esteves.


Fui ver o que a decana do jornalismo econômico, Míriam Leitão, deu em seu blog no Globo sobre Esteves hoje.


Nenhuma menção a Aécio. Esteves se aproximou, nos últimos anos, do governo, disse Míriam.  Este seu pecado, para Míriam: aproximar-se de Lula e Dilma.


A empresa para a qual Míriam trabalha sempre esteve longe de governos, naturalmente, a começar pelos da ditadura militar, e depois seguindo por Sarney. Distância absoluta, o que dá a Míriam força para falar nos males trazidos pela proximidade com governos.


Não é notícia, nem para Míriam e nem para ninguém na imprensa, que Andre Esteves pagou uma viagem para Nova York para Aécio e acompanhante em 2013. Ele era então senador.


Em Nova York, Aécio falou num encontro com investidores estrangeiros promovido por Esteves. O casal Neves ficou hospedado num dos hotéis mais tradicionais de Nova York, o Waldorf Astoria.


Repare. Ninguém discute se é ético um banco patrocinar uma viagem a Nova York para um senador da República. Foi sua lua de mel. Aécio acabara de se casar. 


Míriam, como o resto da mídia, ignorou esta viagem de Aécio em seu texto. Será que ela acha moralmente aceitável este tipo de coisa? (Do episódio ficou o boato de que Esteves foi padrinho de casamento de Aécio. Não é verdade.)


Suspeito que para ela, assim como para a maior parte dos conservadores, haja duas formas de analisar uma mamata como a oferecida por Esteves a Aécio.


Para figuras como Aécio, tudo bem. Mas se fosse para alguém do PT seria um escândalo.


O Brasil vive a tragédia da dupla visão sobre episódios idênticos.


Fui ver o perfil do site da Folha sobre Andre Esteves. Mais uma vez, nenhuma citação a Aécio. Havia até, na última frase, a afirmação de que Esteves é sócio minoritário dos Frias no Uol.


Mais silêncio absoluto sobre Aécio. É um homem sem amigos. O oposto de Lula.


Esta é a "mídia não enviesada", na definição antológica do juiz Sérgio Moro, outro luminoso exemplo de isenção.
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terça-feira, novembro 24, 2015

RESERVAS EXTRATIVISTAS HOJE, FLORESTAS VAZIAS AMANHÃ (I)

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Em 1992 o biólogo americano Kent Redford publicou na Revista BioScience (vol.42, n°.6, p. 412-422) um artigo intitulado “Empty Forest” (Floresta vazia) no qual nos alertava, usando um trocadilho em inglês, do seguinte: “We must not let a forest full of trees fool us into believing all is well”. Uma tradução da frase resulta em algo assim: “Não podemos deixar uma floresta cheia de árvores nos enganar, fazendo-nos acreditar que tudo está bem”.

Na época da publicação do artigo, início dos anos 90, a destruição das florestas tropicais no mundo estava se intensificando novamente, depois de uma diminuição causada pela recessão econômica global do final dos anos 80. Até então, estimava-se que desde 1960 cerca de 20% das florestas tropicais do planeta haviam sido destruídas. 


Apesar da situação crítica, a luta contra a destruição das florestas tropicais mundiais nessa época era mais difusa e não havia um movimento global como temos hoje – liderado por governos e entidades da sociedade civil – capaz de impor limites e, efetivamente, promover a sua diminuição. Naquela época ONGs de atuação global, como o WWF e o Greenpeace, não priorizavam as florestas tropicais. No Brasil, a luta contra a destruição da Amazônia era liderada por organizações de extrativistas e indígenas. 


Para compensar a devastação em curso, governantes de países que abrigavam florestas tropicais foram obrigados a tomar medidas de proteção para as mesmas. No Brasil, milhões de hectares de florestas da Amazônia foram transformados em Reservas Extrativistas. Outros milhões de hectares, no Brasil e no mundo, foram designados ‘florestas’ ou ‘parques’ sob a tutela estatal. 


Na maioria desses casos, entretanto, prevaleceu, na criação dessas áreas de ‘proteção’, o conceito de conservação e proteção na qual o homem continua a ter o direito de explorar – de forma comercial ou apenas com fins de subsistência – os recursos nelas contidos. As exceções foram as áreas indígenas e as áreas de proteção integral nas quais é vedada qualquer tipo de exploração de recursos naturais.


Quando Kent Redford publicou seu artigo, ele foi muito crítico em relação à onda de criação de áreas de proteção de florestas tropicais daquele período porque se por um lado isso era uma forma de mostrar à sociedade que as florestas estavam efetivamente sendo protegidas, por outro a possibilidade de continuidade da exploração das mesmas se constituía em uma ameaça real à sobrevivência daquelas florestas no longo prazo.


Redford observou que embora algumas florestas exploradas pelo homem possam aparentar um bom estado de conservação, elas não mantêm, necessariamente, sua integridade biológica. A caça intensiva e indiscriminada de animais de médio e grande porte e a exploração madeireira que retira da floresta espécies frutíferas chaves para a alimentação da fauna silvestre podem, no longo prazo, afetar a biodiversidade e diminuir as chances de recuperação dessas florestas.  

Desprovidas de animais, especialmente os polinizadores e dispersores de suas próprias plantas, extensas áreas florestais aparentemente intactas ficarão ‘vazias ou silenciosas’ e paulatinamente perderão numerosas espécies arbóreas, arbustivas, epifíticas e lianescentes que entrarão em processo de extinção pela falta dos animais que as ajudavam a se perpetuar no ambiente florestal. 


Obviamente que essas ‘florestas vazias’ de vida animal permanecerão de pé por muito tempo porque algumas espécies de plantas podem viver por dezenas ou centenas de anos. Entretanto, na medida em que essas plantas – agora relíquias vivas – forem morrendo, a floresta vai ficar menos diversa e empobrecida. 


Você, leitor, deve estar curioso: esse fenômeno de ‘florestas vazias’ ou silenciosas está acontecendo na Amazônia e no Acre? 


Sim, e faz bastante tempo. 

A pressão de ambientalistas contra a exploração e destruição indiscriminada das florestas tropicais, especialmente para a ‘garimpagem’ de espécies madeireiras de alto valor comercial e posterior conversão em áreas agropecuárias, forçou os pesquisadores a desenvolver técnicas de exploração florestal de baixo impacto ambiental. Atualmente a exploração madeireira mediante o uso dessas técnicas é uma prática amplamente difundida por toda a região. 


No caso do Acre, apesar de causar baixo impacto a outras árvores da floresta e à rede hidrográfica local, a exploração madeireira é danosa porque não discrimina as espécies madeireiras que explora. E a fauna silvestre é uma das principais vítimas de todo o processo.


Da lista de aproximadamente 50-60 espécies passíveis de exploração no Estado, pelo menos 20-25 tem potencial para ser classificadas como espécies-chaves para a alimentação da fauna silvestre. Essas espécies, conhecidas em inglês como “keystone plant resources”, são vitais para a estabilidade e a diversidade da comunidade de plantas em uma floresta. Elas geralmente são abundantes, produzem anualmente recursos nutritivos (frutos, sementes, néctar, etc.) de forma regular, especialmente durante o período de escassez dos mesmos na floresta, e alimentam uma grande diversidade de animais silvestres. 


É digno de nota que a Assembleia Legislativa do Acre aprovou em 2008 um projeto de lei para impedir a exploração de espécies madeireiras importantes para a alimentação da fauna silvestre local. Infelizmente o governador de então, Binho Marques (PT), vetou o mesmo porque sua entrada em vigor implicaria na diminuição em quase 50% do número de espécies madeireiras exploradas nas florestas acreanas. Dentre as espécies citadas no projeto vetado destacavam-se a gameleira, andiroba, castanhanara, mirindiba, piquí, manitê, copaíba, caxinguba, gamelinha, toarí, envira-cajú, guariúba, cajuzinho e ingá-ferro. 


Artigo continua...
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segunda-feira, novembro 23, 2015

PESTICIDAS REDUZEM CAPACIDADE DE ABELHAS PARA POLINIZAR

Fábio de Castro
O Estado de S. Paulo

Colônias de abelhas sem ferrão expostas a pesticidas neonicotinoides reduzem sua capacidade de polinizar culturas agrícolas, de acordo com um novo estudo publicado na quinta-­feira, 19/11, na revista Nature.

Esse tipo de pesticida, ­ o mais utilizado no mundo, ­ foi banido na Europa desde 2013 depois de diversos estudos terem indicado que sua aplicação afeta o comportamento e a reprodução das abelhas.

Os estudos feitos até agora, no entanto, avaliavam apenas os efeitos dos pesticidas na mortalidade de abelhas, enquanto a nova pesquisa mostrou seus impactos nos importantes serviços de polinização que elas fornecem.

As abelhas são responsáveis por polinizar mais de 50% das plantas das florestas tropicais, 80% das do cerrado e 73% de todas as culturas agrícolas do mundo, de acordo com o projeto Polinizadores do Brasil, finalizado em outubro, com o envolvimento de cientistas de 18 instituições, sob coordenação do FundoBrasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

Experimentos realizados pelo projeto mostraram que a presença das abelhas aumenta a polinização ­ e consequentemente a produtividade ­ de culturas como algodão, tomate, melão, castanha, canola, maça e caju. Certas culturas, como a do maracujá, maçã e melão, são polinizadas exclusivamente por abelhas e não existiriam sem esses insetos.

No estudo da Nature, uma equipe internacional liderada por Dara Anne Stanley, da Universidade Royal Holloway, de Londres (Reino Unido), os pesquisadores estudaram como a exposição a baixos níveis de um pesticida neonicotinoide (theamethoxam) afeta a capacidade das abelhas para polinizar flores de macieira.

Os cientistas expuseram 24 colônias de abelhas a diferentes níveis de thiamethoxam por 13 dias e depois permitiram que elas tivessem acesso a plantações de macieiras. Os autores observaram não apenas o comportamento geral das colônias, mas também o comportamento individual das abelhas.  

Eles concluíram que as colônias expostas a neonicotinoides fazem menos visitas às flores de macieiras, coletando o pólen com menos frequência e produzindo maças com menos sementes, demonstrando uma taxa reduzida de serviços de polinização.

De acordo com Elina Niño, professora da Universidade da Califórnia, em Davis (Estados Unidos), o novo estudo traz uma importante contribuição sobre os estudos dos impactos dos neocotinoides. "É um estudo interessante, já que investiga não apenas como a exposição a pesticidas neonicotinoides afeta as abelhas, mas também como afeta seu 'produto final' ­ a fruta. É isso que as abelhas nos fornecem: polinização para garantir a segurança alimentar", afirmou Niño.

Complexidade. Segundo Gene Robinson, da Universidade de Illinois em Urbana­Champaign (Estados Unidos), o estudo mostrou que, embora as colônias de abelhas tratadas com pesticida neonicotinoide tenham produzido maçãs com número reduzido de sementes, o mesmo não aconteceu com as abelhas que eram expostas individualmente ao pesticida.

"Este estudo destaca as complexidades da vida das sociedades de insetos e ilustra por que é importante pesquisar a ação de pesticidas tanto no âmbito dos indivíduos, como no âmbito das colônias. Essa é o único caminho para que possamos compreender verdadeiramente a influência dessas substâncias nas abelhas", afirmou Robinson.

Para Felix Wäckers, da Universidade Lancaster (Reino Unido) afirmou que, embora o novo estudo não seja surpreendente, levando em conta as evidências anteriormente reportadas de impactos dos neonicotinoides no comportamento dos polinizadores, o estudo é importante por demonstrar pela primeira vez que a exposição ao pesticida de fato compromete a polinização de culturas.

"Isso mostra que os fazendeiros têm um prejuízo econômico quando usam esse grupo de produtos para proteger suas plantações", afirmou Wäckers.

Foto: Cristiano Menezes/Embrapa
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sexta-feira, novembro 13, 2015

G20 CONTINUA GASTANDO US$ 452 BILHÕES POR ANO COM SUBSÍDIOS À PRODUÇÃO DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

Um novo relatório do Overseas Development Institute e da Oil Change International reúne, pela primeira vez, informações detalhadas sobre os subsídios dos países do G20 para a produção de petróleo, gás e carvão.

James Rush/Overseas Development Institute

No relatório "Promessas Vazias: os subsídios do G20 para a produção de petróleo, gás e carvão", os pesquisadores mostram que o apoio do G20 somente para produção de combustíveis fósseis (US$ 452 bilhões) foi quase quatro vezes maior que todos os subsídios globais para as energias renováveis (US$ 121 bilhões).  Esses subsídios persistem apesar dos imperativos globais para manter três quartos das atuais reservas de combustíveis fósseis no chão e dos cada vez mais baixos retornos sobre o carvão e sobre reservas de petróleo e gás novas e de acesso mais difícil.

O relatório, publicado antes da cúpula do G20 em Antalya, Turquia, examina três tipos de apoio dos governos do G20 em 2013 e 2014 - os anos mais recentes com dados comparáveis. Ele analisa subsídios nacionais estendidos através de gastos e benefícios fiscais diretos; investimentos das empresas estatais, tanto nacionais como internacionais; e finanças públicas estendidas através de, por exemplo, empréstimos de bancos e instituições financeiras estatais.


Outras importantes conclusões do relatório são:


- Os governos do G20 forneceram quase US$ 78 bilhões por ano em subsídios nacionais para a produção de combustíveis fósseis; empresas estatais do G20 investiram US$ 286 bilhões e estima-se que as  finanças públicas ratearam US$ 88 bilhões por ano  a mais em 2013 e 2014;


- O Japão proveu mais financiamento público para a produção de combustíveis fósseis em 2013 e 2014 do que qualquer outro país do G-20, com média de US$ 19 bilhões por ano, com US $ 2,8 bilhões por ano somente para o carvão;


- O Reino Unido destaca-se como a única nação do G7 a aumentar significativamente o seu apoio para a indústria de combustíveis fósseis, com ainda mais incentivos fiscais e apoio destinados às empresas que operam no Mar do Norte em 2015;


- Os Estados Unidos forneceram mais de US$ 20 bilhões em subsídios nacionais, apesar dos apelos de Obama para abandonar o apoio ao petróleo, gás e carvão. Certas isenções fiscais no Alasca são tão significativas que, no caso de um imposto sobre a produção, o estado está distribuindo às empresas mais do que esse imposto gera em receitas para o Estado.

- Austrália e Brasil ambos forneceram aproximadamente US$ 5 bilhões em subsídios nacionais, inclusive para o desenvolvimento da exploração de combustíveis fósseis em áreas cada vez mais distantes e difíceis;

- A Rússia forneceu quase US$ 23 bilhões em subsídios nacionais, o patamar mais elevado de todos os países do G20;


- O investimento da China na produção de combustíveis fósseis em casa e no exterior, por meio de suas empresas estatais, ultrapassou de longe qualquer outro país do G20, alcançando quase US$ 77 bilhões anualmente;


- O investimento por empresas estatais do G20 na produção de combustíveis fósseis é altamente significativo. Os governos do G20 têm uma tremenda oportunidade para enfrentar o desafio do clima, deslocando o investimento de empresas estatais em direção à energia limpa;


- A Turquia – que sediará o último encontro do G20 antes das negociações climáticas em Paris, em dezembro deste ano - está dando incentivos fiscais em seu programa que prevê a construção de mais usinas de carvão do que qualquer outro país da OCDE, elevando potencialmente as suas próprias emissões de gases de efeito estufa em 94% nos próximos 15 anos.


Shelagh Whitley, do Overseas Development Institute, disse: "os governos do G20 estão pagando aos produtores de combustíveis fósseis para minar suas próprias políticas de mudanças climáticas. Acabar com estes subsídios reequilibraria os mercados de energia e permitiria a igualdade de condições para alternativas limpas e eficientes". Stephen Kretzmann, diretor da Oil Change International, falou: "continuar a financiar indústria de combustíveis fósseis hoje é como acelerar em direção a uma parede que nós podemos ver claramente. Os líderes do G20 precisam desacelerar e dar a volta antes que venhamos a esbarrar no desastre climático".


No final de setembro de 2015, os EUA e a China juntamente priorizaram o estabelecimento de um prazo concreto para a eliminação progressiva dos subsídios aos combustíveis fósseis como uma tarefa fundamental da China durante a presidência do G20 em 2016. Em linha com esta dinâmica, o relatório recomenda aos governos do G20 adotar prazos rigorosos para a eliminação progressiva dos subsídios à produção de combustíveis fósseis, aumentar a transparência através de uma melhor comunicação dos subsídios aos combustíveis fósseis, e transferir o apoio governamental a bens públicos mais amplos, incluindo o desenvolvimento de baixo carbono e o acesso universal à energia.


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quinta-feira, novembro 12, 2015

NA CAÇAPA

O Senador Jorge Viana (PT-AC) está atuando para eliminar uma das principais causas dos altos preços cobrados pelas passagens aéreas no Acre: o exagero na cobrança de ICMS sobre o combustível de aviação.

Em conjunto com o Senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), o político acreano encaminhou na terça (10/11) dois projetos de resolução propondo redução na alíquota do ICMS incidente sobre o combustível de aviação cuja alíquota varia, na atualidade, entre 25 e 30%. Na proposta do Senador Acreano, a alíquota máxima deverá ser de 12% e a mínima de 9%.

Conforme informações dos dirigentes das companhias aéreas que atuam no país, o combustível de aviação é responsável por até 40% do valor das passagens. Com a diminuição na alíquota do imposto, espera-se que as companhias possam oferecer tarifas menores nos voos que realizam para o Acre.

Segundo Jorge Viana “Para nós, que temos poucos voos, não será um impacto tão grande para as receitas do estado; mas para o bolso do consumidor será muito significativo. Especialmente para aviação regional e para os que vivem no interior do nosso estado. A mudança no imposto deve ajudar a derrubar o preço cobrado. Espero ter apoio dos senadores, não só do Acre, mas de todo o Brasil nesse nosso propósito”.
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OESTE DO DESERTO DO SAARA JÁ FOI COBERTO POR RIOS

Fábio de Castro - O Estado de S. Paulo

O oeste do Saara, hoje coberto de areia, foi no passado uma imensa área verdejante coberta por uma vasta rede de rios. A conclusão é de um novo estudo publicado nesta terça­feira, 10, na revista Nature Communications. Há anos os cientistas descobriram no Oceano Atlântico, na costa da Mauritânia, a oeste do deserto, resíduos e canais submarinos que indicavam a existência, em algum momento do passado, de grandes rios desaguando na região.

Agora, usando uma técnica de imageamento por satélite capaz de detectar o que há no subsolo, pesquisadores conseguiram a primeira prova direta de que havia mesmo uma bacia de rios de 520 quilômetros de extensão onde hoje só existe deserto. 

De acordo com a autora principal do estudo, Charlotte Skonieczny, do Instituto Francês de Pesquisa sobre Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês), a vasta rede de rios do Saara existiu ­ e voltou a desaparecer ­ em vários períodos ao longo dos últimos 245 mil anos. 

As imagens de radar obtidas com um satélite japonês revelou partes do antigo sistema fluvial em camadas rasas da superfície arenosa da Mauritânia. Esses canais enterrados, entretanto, provavelmente faziam parte do Tamanrasett, um rio hipotético que os cientistas acreditam ter se estendido por 500 quilômetros através do Saara ocidental, com nascente nas montanhas Atlas e no planalto de Hoggar, na atual Argélia. 

Segundo os pesquisadores, o sistema fluvial era reativado a cada vez que ocorria um dos chamados Períodos Úmidos Africanos. Nesses períodos, todo o norte da África ­ atualmente desértico ­ adquiria um clima semelhante ao do Quênia atual, com zebras, leões e girafas circulando por savanas e pastagens. 
De acordo com os cientistas, a água deve ter corrido pelo rio Tamanrasett pela última vez há cerca de 5 mil anos. "Se ainda existisse atualmente, o rio Tamanrasett seria o 12º maior da Terra", escreveram os cientistas. Os leitos de rios localizados pelos satélites sob as dunas do deserto alinham­se quase perfeitamente com um grande cânion submarino ­ descoberto em 2003 e batizado de Cânion do Cabo Timiris ­, que se estende a partir da costa da Mauritânia por três quilômetros oceano adentro, com cerca de 2,5 quilômetros de largura e um quilômetro de profundidade em alguns pontos.

Os cientistas também haviam descoberto no oceano profundo, na região do Cânion do Cabo Timiris, a presença de material granulado fino, provavelmente originário de rios, além de um grande canal submarino escavado na plataforma continental da costa do Saara Ocidental. Tudo levava a crer que já houve uma rede fluvial considerável desaguando na região, mas até agora não havia nenhuma prova direta de sua existência. O alinhamento dos antigos leitos de rios sob a areia com a região do cânion demonstra pela primeira vez que o Tamanrasett não era só uma especulação.
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CONCURSO NACIONAL NOVOS POETAS. PRÊMIO POETIZE 2016

Estão abertas as inscrições para o Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Poetize 2016.

Podem participar do concurso todos os brasileiros natos ou naturalizados, maiores de 16 anos. Cada candidato pode inscrever-se com até dois poemas de sua autoria, com texto em língua portuguesa.

O tema é livre, assim como o gênero lírico escolhido. Serão 250 poemas classificados. A classificação dos poemas resultará no livro, Prêmio Poetize 2016. Antologia Poética.

Concurso Literário e uma importante iniciativa de produção e distribuição cultural, alcançando o grande público, escolas e faculdades.

Inscrições gratuitas até 05 de dezembro de 2015, pelo site: www.premiopoetize.com.br

Realização: Vivara Editora Nacional

Apoio Cultural: Revista Universidade
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BANCO MUNDIAL: CLIMA ENVIARIA CEM MILHÕES À POBREZA

Em 2030 poderá haver cem milhões de pessoas a mais vivendo na pobreza, se não forem tomadas medidas para enfrentar os impactos da mudança climática, alerta o Banco Mundial.

Por Thalif Deen, da IPS

Nações Unidas, 11/11/2015 – Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aprovados por mais de 160 governantes de todo o mundo em setembro, são uma parte integral da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 da Organização das Nações Unidas (ONU), e incluem a erradicação da fome e da pobreza até 2030.

Entretanto, as consequências devastadoras da mudança climática nas pessoas mais pobres do mundo poderiam frustrar esses ambiciosos projetos, alerta o Banco Mundial em um novo estudo apresentado no dia 9.


"E, sem um rápido desenvolvimento, inclusivo e inteligente em relação ao clima, junto com medidas de redução das emissões de gases-estufa que protejam os pobres, poderá haver mais de cem milhões de pessoas adicionais vivendo na pobreza até 2030”, alerta o documento Grandes Cataclismos: Como Abordar os Efeitos da Mudança Climática na Pobreza.


Divulgado antes da 21ª Conferência das Partes (COP 21) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC), que acontecerá em Paris entre 30 deste mês e 11 de dezembro, o informe conclui que a população pobre já corre um alto risco de sofrer impactos relacionados com o clima. Entre eles, a perda de colheitas pela diminuição das chuvas, aumento repentino no preço dos alimentos após eventos climáticos extremos, maior incidência de doenças depois de ondas de calor e inundações.


O Banco Mundial alerta que essas consequências poderiam acabar com avanços obtidos com grande esforço, dando lugar a perdas irreversíveis e levando novamente pessoas à pobreza, especialmente na África e Ásia meridional. Segundo o estudo, as pessoas mais pobres estão mais expostas do que a média da população aos eventos climáticos extremos, com inundações, secas e ondas de calor, e perdem muito mais de seu patrimônio quando esses eventos acontecem.


Nos 52 países sobre os quais há dados, 85% da população vive em lugares onde os habitantes pobres estão mais expostos à seca do que a média da sociedade. Também estão mais expostos a temperaturas mais altas e vivem em países onde se prevê que a produção de alimentos vai diminuir devido à mudança climática, afirma o Banco Mundial.


"Este informe expressa claramente que será impossível acabar com a pobreza se não adotarmos medidas firmes para reduzir a ameaça da mudança climática e diminuirmos radicalmente as emissões nocivas”, afirmou o presidente do Grupo do Banco Mundial, Jim Yong Kim. “Os pobres são os mais afetados pela mudança climática, e nosso desafio neste momento é proteger dezenas de milhões de pessoas para evitar que caiam na pobreza extrema em razão da mudança climática”, acrescentou.


Harjeet Singh, gerente de política climática da organização ActionAid, disse à IPS que a análise realizada pelo Banco Mundial sobre a vulnerabilidade dos pobres diante dos impactos climáticos não é nova, mas destaca com razão que a pobreza não pode ser abordada sem que se enfrente a mudança climática. Recordou que as pessoas e os países pobres são os mais vulneráveis à mudança climática, já que têm recursos e conhecimentos limitados para superar suas consequências.


Mas, segundo o ativista, “o Banco Mundial chega tarde ao jogo com seu discurso de melhorar a proteção social para combater os efeitos da mudança climática”. Na realidade, a instituição tem um longo e duvidoso histórico de obrigar os países em desenvolvimento a reduzirem o gasto público destinado a oferecer serviços básicos e dar proteção social às populações economicamente mais débeis, destacou Singh, afirmando que o Banco Mundial “terá que abordar isso antes de poder praticar de forma confiável o que diz o informe”.


Louise Whiting, analista da organização britânica WaterAid, disse à IPS que os mais pobres correm maior perigo diante da mudança climática e recebem menor quantidade de fundos destinados a ajudá-los a se adaptarem aos eventos climáticos extremos. “Nossa investigação indica que, somente em Bangladesh, cerca de 38 milhões de vidas estão em risco até 2050 devido aos desastres derivados da mudança climática. O caminho climático em que nos encontramos significa acabar com o desenvolvimento e o fim de todo avanço em relação à pobreza extrema”, acrescentou.


Segundo Whiting, para as famílias que vivem na pobreza extrema e têm um acesso frágil à água potável, ao bom saneamento e à higiene, essas temporadas áridas cada vez mais longas e monções cada vez mais intensas acabarão com anos de trabalho e firmarão ainda mais o ciclo da pobreza. “Assegurar os serviços básicos, incluída a água potável, o saneamento e a higiene, ajuda as comunidades a se recuperarem mais rapidamente e se tornarem mais resistentes aos extremos climáticos”.


Para o analista da WaterAid, os governos nacionais dos países em desenvolvimento precisam de mais apoio no desenho e na execução de projetos para ajudar a erradicar a pobreza e, ao mesmo tempo, gerar a resiliência das comunidades à mudança climática. Os governantes que participarão da COP 21 em Paris no final deste mês não devem esquecer a população mais pobre do mundo, ressaltou Whiting. Envolverde/IPS


Foto: Neeta Lal/IPS


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segunda-feira, novembro 09, 2015

AUMENTO DO NÍVEL DO MAR COLOCA MEIO BILHÃO DE PESSOAS EM RISCO

Brasil está entre os países com maior número de pessoas em situação de risco

Tim Grandia, Climate Central

Se prosseguirmos com os atuais níveis de emissão de carbono na atmosfera, teremos um aquecimento médio global de 4 ° C que tem potencial para elevar o nível do mar o suficiente para submergir terras que atualmente são o lar de 470 a 760 milhões de pessoas. Essas são as conclusões de um relatório e mapas interativos publicados hoje pela Climate Central, o qual também aponta que a tendência de ascensão não poderá ser interrompida e se desdobrará ao longo dos séculos.

O relatório da organização de pesquisa mostra ainda que cortes agressivos nas emissões de carbono, resultando em 2 ° C de aquecimento, poderiam reduzir o número de pessoas atingidas para 130 milhões. A divulgação desse estudo coincide com o encontro de ministros de mais de 80 países em Paris para encontrar mais pontos em comum antes das negociações climáticas globais que ocorrerão em dezembro.

O relatório da Climate Central tem por base um documento focado nos EUA que foi publicado no mês passado Proceedings of the National Academy of Sciences of the U.S.A, de autoria dos cientistas da Climate Central Benjamin Strauss e Scott Kulp, e Anders Levermann do Potsdam Institute for Climate Impact Research. Para avaliar as implicações para todas as nações e cidades costeiras, a nova pesquisa utiliza relações entre o aquecimento causado pelas emissões de carbono, o nível de elevação no mar que essas emissões causam no longo prazo, e dados globais da população.

O relatório aponta que a China é a nação em maior risco, com 145 milhões de pessoas vivendo em áreas ameaçadas pela elevação dos mares se os níveis de emissões não forem reduzidos. Esse é também o país que tem mais a ganhar com a limitação do aquecimento global a 2° C, o que limitaria o número de pessoas afetadas a 64 milhões. Há outras 12 nações que têm, cada uma, mais de 10 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco.  Esse ranking é liderado por Índia, Bangladesh, Vietnã e Indonésia.  Alcançar a meta de 2 ° C reduziria a exposição de mais de 10 milhões em cada um destes países, além de beneficiar a maioria dos outros países desse  grupo de alto risco, o qual inclui Japão, EUA, Filipinas, Egito e Brasil.

O Brasil tem 16 milhões de habitantes em áreas ameaçadas pela elevação do nível do mar causada pelo aquecimento global de 4 ° C.  Se conseguirmos reduzir essa média para 2 ° C, o número de pessoas ameaçadas cai para 9 milhões.

O aumento do nível do mar que causará tais ameaças irá provavelmente e desdobrar ao longo de centenas de anos, mas as emissões de carbono responsáveis por isso são as que acontecerem neste século – e que podem levar a um caminho ou outro.

"Os riscos globais das mudanças climáticas são claros quando falamos do aumento do nível do mar", disse Strauss, PhD, vice-presidente de Impactos Climáticos no Climate Central e principal autor do relatório. "O resultado das negociações climáticas em Paris pode nos levar à perda de inúmeras grandes cidades e monumentos costeiros em todo o mundo, à migração sem fim e à desestabilização, ou pode nos direcionar para uma maior preservação de nossa herança global e para um futuro mais estável ".

Levermann, co-presidente de Research Domain Sustainable Solutions do Instituto Potsdam Institute for Climate Impact Research da Alemanha, acrescentou, "Não há porque temer a elevação do nível dos oceanos porque ela é lenta, mas é algo com o qual temos que nos preocupar porque ela leva à ocupação da terra pelo mar, incluindo as cidades nas quais estamos construindo nossa futura herança."

Megacidades globais com as 10 maiores populações em risco incluem Xangai, Hong Kong, Calcutá, Mumbai, Daca, Jacarta e Hanoi. O Rio de Janeiro tem 2,4 milhões em áreas de risco (0,24 por cento da população da grande área urbana) em um cenário de aquecimento global de 4 ° C, número que cai para 1,3 milhão no caso de 2 ° C de aquecimento.  Projeções medianas da elevação do nível do mar desencadeadas pelo aquecimento global são 9,3 metros para 4 ° C e 4,9 metros para 2 ° C.

Em conjunto com o relatório, a Climate Central criou um mapa global interativo e incorporável chamado Escolhas Climáticas, ou Climate Choices (choices.climatecentral.org).

Os usuários podem digitar o nome de qualquer cidade costeira ou código postal em todo o mundo e comparar as potenciais consequências de diferentes cenários de aquecimento ou de emissões em uma base local.
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quarta-feira, novembro 04, 2015

ESTUDO CONSTATA QUE PROCESSO EVOLUTIVO DO MOSQUITO DA DENGUE É RÁPIDO

Resistência a alguns inseticidas, habilidade de se reproduzir em volumes menores de água que não precisa estar tão limpa e capacidade de atacar à noite, são algumas das mudanças constatadas

Karina Toledo | Agência FAPESP – No que se refere à capacidade de adaptação ao ambiente hostil das grandes cidades, talvez nenhuma espécie de mosquito tenha conseguido tanto sucesso quanto o Aedes aegypti – aquele com o corpo coberto de listras brancas que, para azar dos humanos, é capaz de transmitir doenças como dengue, febre amarela, febre chikungunya e zika.

Além de resistência a alguns inseticidas, a espécie vem adquirindo a habilidade de se reproduzir em volumes cada vez menores de água – que nem precisa estar tão limpa quanto no passado. Os insetos, que antes só picavam durante o dia, passaram a atacar também à noite, bastando apenas alguma luz artificial a revelar o caminho até a vítima.

Um estudo recentemente publicado na revista PLoS One por um grupo de pesquisadores do Instituto Butantan pode ajudar a entender de onde vem esse potencial adaptativo tão superior ao de outras espécies de mosquito.

Os pesquisadores acompanharam durante 14 meses (cinco estações climáticas) uma população do inseto presente na Subprefeitura do Butantã, em São Paulo. Mensalmente, foram coletados ovos, larvas e pupas, que foram divididos em cinco grupos – cada um representando uma estação climática. Ao todo, foram estudadas aproximadamente 20 gerações de mosquitos de uma mesma população. Por dois métodos diferentes, os pesquisadores investigaram e compararam os grupos a variabilidade genética existente entre os indivíduos, ou seja, como era a variação de alelos de DNA ao longo do tempo.

“Desde a primeira amostragem até a última, em todas as comparações feitas mês a mês, encontramos diferenças estatísticas significativas. Como se estivéssemos comparando indivíduos de populações diferentes, ou seja, coletados em locais distintos. Essa alta variabilidade genética indica que é uma espécie com muita capacidade de evoluir rapidamente e pode significar que se adapta rapidamente às adversidades”, afirmou Lincoln Suesdek, coordenador do estudo apoiado pela FAPESP.

O trabalho foi feito durante a Iniciação Científica de Caroline Louise, sob orientação de Suesdek. Segue uma linha de pesquisa que teve início durante o doutorado de Paloma Oliveira Vidal, também bolsista da FAPESP. “Durante o doutorado, coletei amostras de mosquito de várias cidades do Estado de São Paulo em uma única época do ano. Comparei então a variabilidade genética entre as diferentes populações em uma única geração. Os resultados foram parecidos com os obtidos no projeto que comparou uma mesma população ao longo de várias gerações”, contou Vidal.

De acordo com Suesdek, nos dois projetos foram usados dois diferentes métodos para aferir a variabilidade genética. Um deles é tradicionalmente usado em estudos de parentesco: os marcadores microssatélites. Eles avaliam unidades de repetição de pares de bases do DNA e acusam as variações evolutivas mais recentes. O método tem ligeira semelhança ao usado em testes de paternidade.

O outro método, ainda inédito nesse tipo de estudo, foi a avaliação da morfologia da asa. Nesse caso os pesquisadores elegeram alguns pontos da asa do mosquito como marcos anatômicos. Uma série de softwares avalia a variação posicional entre esses pontos nos diferentes grupos.

“Os marcadores microssatélites são bem informativos, mas esse método é caro e trabalhoso. Queríamos testar um marcador mais simples e barato. Estudos anteriores indicavam que a forma da asa dos mosquitos, assim como a fisionomia dos seres humanos, está ligada à herança familiar. Mas é difícil perceber a olho nu”, contou Suesdek.

O objetivo do grupo era avaliar se os dois marcadores usados seguiriam o mesmo padrão. Os resultados indicaram que de fato há uma correlação, mas que ela não é de 100%. “Conseguimos prever uma parte da variabilidade genética estudando a asa, mas o método não substitui a análise do DNA. Pode ser uma metodologia preliminar, a ser usada quando não se conhece nada sobre uma população e se deseja fazer um teste rápido para entender a microevolução”, disse Suesdek.

Controle ao longo do ano

Ao comparar o resultado das análises feitas durante seu projeto com dados da literatura científica, Louise concluiu que a dinâmica evolutiva do Aedes em São Paulo é mais acelerada do que em outras cidades onde há registros semelhantes. “Acreditava-se que no inverno a variabilidade seria menor, pois com o frio a reprodução do inseto se torna mais lenta. De fato a taxa reprodutiva é menor nos meses de inverno, mas a variabilidade genética se manteve alta em todos os meses avaliados. Esse resultado reforça a necessidade de combater o mosquito o ano inteiro, não apenas no verão”, disse Louise.

Na avaliação de Louise, a melhor forma de controlar o mosquito é a adoção de medidas combinadas, como a eliminação de criadouros e a rotação de inseticidas, para que não ocorra a seleção de indivíduos resistentes. 

Suesdek também ressaltou a necessidade de se investir em pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novos métodos de controle químico e biológico, como novos inseticidas e mosquitos transgênicos. “O cenário é preocupante e todas as pessoas têm uma parcela de responsabilidade. Tanto o governo quanto a população precisam fazer sua parte”, afirmou a equipe.
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terça-feira, novembro 03, 2015

SOMOS MAIS PROPENSOS A ‘TRAPAÇAS FINAIS’

A desonestidade aumenta quando alguma coisa está chegando ao fim, segundo um estudo

Daniel Yudkin
Scientific American

Para melhor ou pior, a vida é cheia de fins. Concluímos os estudos, conseguimos um novo emprego, vendemos uma casa, rompemos um relacionamento. Saber que uma fase está se aproximando do fim pode despertar o melhor em nós, à medida que tentamos reparar erros do passado e procuramos evitar arrependimentos de última hora. Podemos tentar visitar aquele museu local, reservar tempo para um drinque de happy hour com um colega de muitos anos, ou ser mais generosos com nossos elogios para um parceiro.

Mas, enquanto a sensação do iminente final de alguma coisa pode despertar a melhor essência nas pessoas, ela também pode trazer à tona seus lados mais negativos, de acordo com uma nova pesquisa de psicologia. Esse estudo conclui que, à medida que as pessoas se aproximam do término de uma atividade, elas se tornam cada vez mais propensas a enganar os outros deliberadamente em benefício próprio. E, como mostra o trabalho, elas fazem isso porque antecipam lamentar uma oportunidade perdida para ludibriar o sistema.

Para demonstrar esse efeito de “trapaça no final”, os pesquisadores conduziram uma engenhosa série de experimentos. No primeiro, eles recrutaram um grande número de pessoas através da internet para participar de um estudo de probabilidade. A tarefa era lançar uma moeda várias vezes e, toda vez, simplesmente adivinhar de que lado ela cairia. Então, centenas de pessoas sentadas diante de seus computadores em casa pegaram uma moeda de 25 centavos e a arremessaram para o alto, marcando todas as vezes se tinham adivinhado certo ou errado. E, toda vez que acertavam, elas ganhavam um prêmio simbólico em dinheiro.

Os pesquisadores instruíram os participantes explicitamente a não trapacear. Mas, como os voluntários estavam executando a tarefa em particular, sem serem observados, é claro que não havia nenhum jeito de pegar alguém em flagrante. Por outro lado, era possível detectar qualquer desonestidade por meio de funções agregadas. Se ninguém trapaceasse, a porcentagem de acertos deveria girar em torno de 50%. Pequenos desvios desse valor são normais, mas as estatísticas nos dizem que qualquer coisa maior que alguns pontos percentuais é evidência de que as pessoas estão “arranjando as coisas” a seu favor.

Os resultados foram surpreendentes. Nas rodadas iniciais, a porcentagem de palpites corretos relatados desviou muito pouco de 50%, sugerindo que poucas pessoas distorceram a verdade. (Isso é reconfortante para os otimistas por aí, já que sugere que as pessoas frequentemente são honestas, mesmo quando não precisam ser.)

Além disso, o número de vezes que os participantes jogaram a moeda não teve um efeito pronunciado sobre o quanto eles trapacearam. Mesmo no quinto arremesso o número de acertos relatados não foi muito maior que o acaso. Comparativamente, o que realmente teve importância foi o número de arremessos que as pessoas ainda acreditavam ter. Os pesquisadores disseram a alguns voluntários que teriam sete chances, a outros, dez. Os primeiros foram bastante honestos até a sétima jogada, depois disso trapacearam como loucos, com dois terços (60%) relatando um palpite acertado — 16% a mais que o esperado. Comparativamente, o segundo grupo foi honesto até o 10º arremesso e só depois disso começou a tapear. Isso sugere que o que faz as pessoas quererem trapacear não é quantas chances elas tiveram no passado; é quantas ainda têm.

Depois disso, os pesquisadores quiseram verificar se esse fenômeno se sustentava em uma situação mais realista, fiel à vida. Nesse segundo experimento, eles “contrataram” algumas centenas de pessoas para ajudar a dar notas a ensaios que tinham sido ostensivamente escritos como parte de outro estudo. Como no teste das moedas, os participantes foram informados de que leriam sete ou 10 ensaios, e que seriam remunerados de acordo com quanto tempo dedicavam a cada texto. Depois de cada ensaio, eles tinham de relatar quanto tempo tinham gasto.

Sem que soubessem, esse tempo também era registrado por um timer secreto. Desse modo, os pesquisadores podiam verificar quanto o tempo relatado diferia da realidade. Os resultados confirmaram o estudo anterior: enquanto os leitores de sete textos trapacearam loucamente ao chegarem ao último ensaio, relatando terem gasto pelo menos 25% mais tempo do que de fato gastaram, o grupo de 10 esperou até sua rodada final para fazer o mesmo. Mais uma vez, a trapaça aconteceu mais quando as pessoas achavam estar chegando ao fim da tarefa, ou atividade.

As implicações desse estudo vão além das paredes do laboratório. Mandatos políticos, empregos por tempo predeterminado, anos de escola, jogos de golfe, ocorrem todos ao longo de um período de tempo finito. Portanto, seria sábio ficar de olho bem vigilante em senadores em fim de mandato, estudantes em final de semestre e parceiros de golfe no 18º buraco.

Além disso, o trabalho demonstra outro lado de uma capacidade natural de antecipar o futuro. Um estranho estado de espírito toma conta de nós quando sentimos o término, ou fim de algo. Ficamos um pouco mais “levados”; vivemos com mais abandono. (O apresentador Jon Stewart, por exemplo, talvez nunca tenha se mostrado mais animado e alegre que nos últimos meses das gravações do programa satírico The Daily Show, de conteúdo político.) Esse fato concorda com estudos que mostram que a dopamina, uma substância química no cérebro associada ao prazer e a fazer coisas arriscadas, aumenta em ratazanas domésticas de laboratório à medida que elas se aproximam da saída de um labirinto. Essa sensação de antecipação pode nos ajudar a viver e suportar da melhor maneira possível momentos transitórios. Cortei a “pasta de dente”.


Sobre o autor: Daniel Yudkin é candidato a doutoramento em psicologia social pela Universidade de Nova York e pianista de jazz. Formou-se pela Willimas College, foi fellow na Universidade Harvard, e atualmente vive no Brooklyn. Seu blog, TheQualiast.com, contém reflexões sobre a mente, o comportamento e a sociedade. Siga no Twitter em @dyudkin e fique mais por dentro em seu site pessoal.
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segunda-feira, novembro 02, 2015

AMEAÇADA DE EXTINÇÃO, AVE RARA TEM CABEÇA MAIS VALIOSA QUE MARFIM

O comércio ilegal de presas de elefante com frequência recebe atenção da imprensa internacional. No entanto, existe um tipo de marfim que alcança preços ainda mais altos no mercado negro.

Ele vem de uma ave raríssima e pouco conhecida chamada calau-de-capacete (Rhinoplax vigil, na nomenclatura científica), que habita florestas tropicais no leste da Ásia. E, como informa a correspondente Mary Colwell, essa ave magnífica está agora ameaçada de extinção.

Não seria boa ideia dar uma cabeçada em um calau-de-capacete. A ave pesa cerca de 3kg e tem um tipo de capacete natural, chamado de elmo, feito de queratina, uma proteína fibrosa, que se estende do bico ao crânio. Essa estrutura pode corresponder a cerca de 11% do peso total do pássaro.

Em todas as outras espécies de calau - há mais de 60 na África e Ásia -, o elmo é oco. Mas no caso dessa espécie, ele é sólido. Os machos usam a estrutura em combates com outros machos e ambos os sexos a usam para extrair insetos de árvores apodrecidas.
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Fazendeiro da floresta

O calau-de-capacete vive na Malásia e Indonésia. Nas ilhas de Sumatra e Bornéu, seus gritos ecoam pelas florestas. Eles tendem a se alimentar de frutas e castanhas e com frequência são chamados de "fazendeiros da floresta", porque, por meio de seus excrementos, espalham sementes por grandes territórios.

Suas asas podem chegar a dois metros de envergadura. De aparência chamativa, eles têm penas brancas e pretas e uma grande área de pele descoberta em torno da garganta. No entanto, têm fama de reclusos e cautelosos. Há muito mais chances de você ouvi-los do que de vê-los.

E esses pássaros têm boas razões para ser tímidos. São mortos aos milhares, anualmente, por caçadores que vendem seus elmos para a China.

Entre 2012 e 2014, somente na província de West Kalimantan, na Indonésia, 1.111 elmos foram confiscados de contrabandistas.

Elmo do pássaro é macio e sedoso ao toque e muito usado para entalhes

Hoje, comércio ilegal se restringe a número limitado de antiguidades já certificadas
A pesquisadora Yokyok Hadiprakarsa, que estuda o calau-de-capacete, calcula que cerca de 6 mil desses pássaros sejam mortos a cada ano no leste da Ásia.

O elmo - que caçadores tentam a todo custo obter, correndo risco de ser presos - às vezes é chamado de "marfim". É um material de cor amarelo-dourada, macio e sedoso ao toque, perfeito para ser entalhado.

Durante centenas de anos, o elmo do calau-de-capacete foi usado por artesãos chineses na fabricação de objetos para os ricos e poderosos. No Japão, o material foi usado por artesãos para esculpir netsuke, intrincadas figuras usadas para decorar cintos de quimonos masculinos.

Muitos desses objetos acabaram indo parar em outras partes do mundo. Por exemplo, na Grã-Bretanha, durante a era vitoriana (século 19), tornou-se moda colecionar netsuke.
"Há registros que mostram que o marfim de calau-de-capacete era presenteado aos shogun (generais japoneses do século 12)", disse Noriku Tsuchiya, curadora da seção japonesa do Museu Britânico, em Londres.

"Infelizmente, por volta do início do século 20, o pássaro tornou-se muito raro por causa da caça, e, hoje, o comércio legal se restringe a um número limitado de antiguidades já certificadas", acrescentou.

Ameaças

Mas, apesar de ilegal, o comércio continua sendo feito às escondidas. Cada quilo de marfim de calau vale cerca de US$ 6 mil, três vezes mais do que marfim de elefante. E, diferentemente do que ocorre com elefantes e rinocerontes mortos para extração de presas e chifres, a matança do calau-de capacete não é denunciada pela imprensa.

"Se ninguém prestar a atenção, esse pássaro vai acabar extinto", alerta Hadiprakarsa.
O pássaro tem grande importância cultural nos países que habita. Ele é o mascote de West Kalimantan, e o povo de Bornéu acredita que o pássaro transporta as almas dos mortos para a vida além da morte, age como mensageiro sagrado dos deuses e é tido como um modelo de fidelidade e constância no casamento. Matar um calau é tabu.

Esse pássaro de ciclo reprodutivo demorado não sofre ameaças apenas dos caçadores: seu habitat também está sob pressão. Segundo cálculos de pesquisadores, a cada ano, Bornéu e Sumatra perdem 3% de suas matas. Ou seja, o pássaro enfrenta dois perigos. Perder sua cabeça - ou perder sua casa.

O resultado disso é que hoje especialistas classificam o calau-de-capacete na categoria espécie quase ameaçada, e recomendam que o pássaro seja "monitorado cuidadosamente caso haja mais aumentos nos índices de declínio", segundo relatório da ONG francesa International Union for Conservation of Nature (IUCN).
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BRASIL JÁ INDENIZOU 8,7 MIL PORTADORES DE HANSENÍASE POR ISOLAMENTO FORÇADO


Mais de 8,7 mil pessoas que, entre as décadas de 1950 e 1980, contraíram hanseníase e foram internadas compulsoriamente em hospitais-colônias já estão recebendo pensão como indenização do Estado.

Os dados são da Secretaria de Direitos da Presidência da República, responsável pela coordenação da comissão que analisa os processos. Os números se referem até setembro deste ano. Eles foram apresentados hoje (1º), durante o 8º Simpósio Brasileiro de Hansenologia, na capital paulista. Inicialmente, a estimativa do governo federal é que 4 mil pedidos seriam feitos.

Desde 2007, com a Lei Federal 11.520, pessoas submetidas ao isolamento forçado passaram a ter direito a uma pensão de um salário mínimo e meio. Até 1986, uma lei recomendava a internação desses pacientes em locais chamados, à época, de leprosários. Com o fim dessa política de prevenção, as unidades foram transformadas em hospitais gerais. No total, foram feitas 11.963 solicitações, mas apenas 3.171 foram indeferidas.

Maria Eugênia Gallo, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, informou que, em alguns casos, faltam documentos que comprovem o isolamento. "Esses livros [de registro de internação de pacientes] são muito preciosos. Infelizmente, das dezenas de leprosários que tivemos em todo o país, temos apenas três livros para consultar. O restante da documentação é muito precária ou inexistente."

Ela destacou os isolamentos ocorridos no Acre, onde está boa parte (46 dos 145) dos pedidos de indenização judicializados. "Temos levantamento, mas poderia dizer que 90% são totalmente incapacitados. Eles eram diagnosticados e mandados para os seringais, onde continuavam exercendo a profissão, sem nenhuma orientação ou tratamento adequado. Não temos como avaliar o processo, porque não existe documentação." O Acre perde apenas para Minas Gerais, com 63 do total de casos judicializados.

O Movimento de Reintegração das pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) luta para estender esse direito aos filhos de portadores de hanseníase que foram entregues para adoção, gerando a separação de milhares de famílias. Thiago Flores, diretor nacional do movimento, disse que, embora exista a percepção de que essa é uma reparação importante, os entraves atuais para andamento do projeto de lei no Congresso são políticos e financeiros.

"Hoje, você tem dificuldade para conseguir um projeto que traga mais gastos para o governo. Do ponto de vista do reconhecimento de direitos, conseguimos avançar bastante. Nosso principal problema é econômico. O que trava o projeto é a questão orçamentária", afirmou Flores. A estimativa é que 10 mil brasileiros ainda buscam familiares separados pelo isolamento compulsório de pacientes com hanseníase.

Preconceito

Para o diretor da Morhan, o combate ao preconceito e a capacitação de profissionais para diagnóstico precoce são os principais desafios para enfrentar a hanseníase. Segundo ele, hoje a doença é tratada como outra qualquer e o risco transmissão é interrompido a partir da primeira dose do tratamento.

"Muitas pessoas ainda têm a visão da doença como lepra bíblica, uma visão de que a doença é uma maldição, um castigo. A partir do momento em que não temos informação de que a doença é comum, fica muito difícil a adesão ao tratamento."

Flores é filho de pais com hanseníase e que foram isolados compulsoriamente na colônia Santa Izabel, em Betim, Minas Gerais. Quando ele nasceu, já era permitido que os pais permanecessem com os filhos. É lá que eles moram até hoje.

"Na minha época, a colônia já era aberta, livre e não tinha mais a questão dos filhos separados." Segundo Thiago Flores, desde 1984, em Santa Izabel, os pacientes tinham direito a deixar a colônia. Acrescentou que a maioria permaneceu no local por viver lá há décadas e ter perdido o vínculo com a família, além do medo do preconceito.

Passados 30 anos, ele reconhece que, apesar de a colônia existir como um bairro comum no município, ainda há preconceito, pela falta de informação sobre a área da Santa Izabel. "As pessoas ainda carregam um estigma muito grande, principalmente nas cidades, porque essas colônias foram construídas em áreas isoladas. Tem diminuído, mas ainda há preconceito em relação às pessoas que ainda vivem em regiões de colônias, por causa da falta de informação."

De acordo com o Ministério da Saúde, a hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa, que atinge pele e nervos periféricos, podendo levar a sérias incapacidades físicas. No Brasil, foram 31.064 novos casos diagnosticados em 2014.

Editor: Armando Cardoso/UOL

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