Quem passeia por Lima e observa os outdoors, lê as principais revistas e os jornais locais, tem a impressão de que o Peru é formado por uma maioria branca, européia. Entretanto, quando se olha para a massa que lota as calçadas e ruas da cidade, se vê que prevalece pessoas com traços tipicamente indígenas, de baixa estatura, os "cholos", legítimos descendentes dos Incas.
Um exemplo gritante da discriminação encontrei no encarte semanal "Somos", publicado pelo principal diário do país, "El Comércio". É uma revista de excelente produção gráfica, com 100 páginas, que aborda fatos do cotidiano da vida da cidade e do país. Esporte, política, notas sociais, econômicas, etc. Na edição 1092, são centenas de fotos e mais de 30 páginas de propaganda. Em nenhuma delas aparece o peruano típico, aquele que a gente vê nas ruas. É incrível! A discriminação é explícita.
Fico pensando como esta pseudo-elite branca peruana, que domina os meios de comunicação e sonha que a sociedade "peruana branca" é comparável à de qualquer nação européia ou americana, fez para "não publicar" fotos do ex-presidente Alejandro Toledo, o retrato fiel - sob o ponto de vista físico - do povo peruano.
Ambos representam a maioria de seus respectivos países (mestiços na Venezuela e indígenas na Bolívia). Ambos estão eliminando ou já eliminaram a elite branco-européia que se afanou do poder e por longo período de tempo marginalizou a maioria das populações dos respectivos países. Embora deixem transparecer que estão indo com muita sede "ao pote", têm o apoio da maioria da população por razões numéricas.
A elite branca peruana ainda tem tempo de evitar o "pior". Se não fizer nada, vai se arrepender mais tarde.
Quem vai ser o Morales ou Chavez peruano?
Muito acertado seu comentário. Morei em Lima durante boa parte da minha adolescência e, pelo visto, nada mudou. Eu acho que é um problema da sociedade como um todo. Uma coisa que chamava minha atenção é que nunca vi casais nem fámilias miscigenadas (algo comúm em Brasil, Puerto Rico, Cuba, República Dominicana). Conhecí o caso de um artista famoso de uma novela lá, Rafael Santa Cruz, que foi impedido de entrar numa discoteca. Que eu saiba, não existe leis contra o racismo nem em Peru nem Bolivia.
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