Estudo realizado por pesquisadores do INPA, disponível em sua versão online no site da revista Forest Ecology and Management, indica que a quantidade de biomassa originalmente calculada para as florestas abertas de bambu, florestas abertas sem bambu e florestas densas do sudoeste, sudeste e sul da Amazônia brasileira são significativamente inferiores ao que se pensava.Nestas áreas, que abrangem a totalidade do Estado do Acre, os pesquisadores calculam que a redução na estimativa de biomassa florestal é de 39% para as florestas abertas com bambu, 22% para as florestas densas sem bambu e 16% para as florestas abertas sem bambu.
Para chegar a esses números, foram realizados inventários em 12 sítios de estudos em áreas de florestas nos estados do Amazonas, Acre, Mato Grosso e Pará. Um total de 763 árvores foram derrubadas para tomada de medidas relativas a altura total e diâmetro dos troncos, necessárias para calcular o volume das árvores.
Segundo a pesquisa, a principal razão para a mudança na estimativa de biomassa nas florestas abertas se deve ao fato da equação usada para calcular a biomassa (Higuchi et al., 1998) ter sido desenvolvida em área de floresta densa da Amazônia Central. A aplicação da mesma equação nas florestas abertas da Amazônia sul-ocidental, com e sem bambu, é prejudicada porque nestas florestas as árvores, especialmente as menores, apresentam porte inferior quando comparadas com aquelas encontradas nas florestas densas.
A principal implicação dessa nova descoberta é que a emissão de gases causadores do efeito estufa derivado da queima de biomassa florestal na Amazônia é bem inferior ao que se tinha pensado anteriormente. Isto ocorre porque a maior parte dos desmatamentos e queimadas na Amazônia brasileira acontecem ao longo do 'arco do fogo' ou 'arco do desmatamento' (ver figura acima), onde a maior parte das florestas são do tipo aberta.
O 'arco do fogo' compreende uma extensa região que se inicia no oeste do Acre e segue até o nordeste do Pará. Possui cerca de 3.000 km de extensão, e passa por Rondônia, norte e nordeste do Mato Grosso, sudeste do Pará, além de Tocantins e Maranhão.
O estudo foi realizado pelos pesquisadores Euler Melo Nogueira, Bruce Walker Nelson, Philip Martin Fearnside, Mabiane Batista França e Átila Cristina Alves de Oliveira, todos do Departamento de Ecologia Tropical do INPA. O artigo foi aceito para publicação em 4 de fevereiro passado e disponibilizado on line no hoje, 17 de março de 2008.
Clique aqui para acessar o resumo do artigo no blog Biodiversidade Acreana ou aqui para ler a íntegra do mesmo diretamente no site da revista.
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