AMBIENTE ACREANO: TURISMO NO PANTANAL IMPULSIONADO POR NOVELA NÃO AFETA CULTURA PANTANEIRA
Google
Na Web No BLOG AMBIENTE ACREANO

sábado, fevereiro 19, 2011

TURISMO NO PANTANAL IMPULSIONADO POR NOVELA NÃO AFETA CULTURA PANTANEIRA

Glenda Almeida
Agência USP

As comitivas, o dia-a-dia nas fazendas de gado, os tuiuiús, e muito da cultura pantaneira exibida na novela Pantanal, que foi ao ar pela primeira vez em 1990, na extinta TV Manchete, influenciou a inserção do turismo ecológico no Pantanal Sul Matogrossense. De acordo com pesquisa realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, muitas fazendas de pecuária extensiva da região passaram a funcionar também como pousadas. O ecoturismo tomou o lugar do turismo de pesca. Além de ser uma atividade lucrativa e geradora de empregos, principalmente para as famílias dos peões, o turismo ecológico foi implantado de um modo que não afetou os costumes nem a rotina do pantaneiro.

Segundo José Fonseca da Rocha Filho, jornalista, autor da dissertação No ritmo das águas, na cadência das boiadas. A inserção do turismo nas fazendas de criação extensiva de gado bovino no Pantanal de Aquidauana/MS, antes da exibição da novela, com 70% das cenas gravadas fora dos estúdios, a visão que muitos tinham a respeito do Pantanal era bastante limitada; seria um lugar muito bonito, bioma rico, porém não acessível, e talvez não produtor de cultura própria.

“A novela mostrou um pantanal diferente, que não era o do Globo Repórter, inatingível”, afirma Rocha Filho, apontando o papel que a novela, filmada no Pantanal do Rio Negro/Aquidauana, cumpriu de apresentar o lugar como ‘possível de visitar’, interessante, intrigante, diferente. Segundo a pesquisa, quando a novela é reprisada, a procura de turistas pela região aumenta.
Além da natureza, a rotina do pantaneiro atrae turistas

O estudo demonstrou que o turismo ecológico em Aquidauana é “tocado” pelos próprios fazendeiros e não por grandes empresas, como acontece em outras cidades do Pantanal. Aquidauana, município localizado no Estado do Mato Grosso do Sul, possui dois terços de seu território constituído por fauna e flora pantaneira.

Segundo o pesquisador, esse fator é essencial para a manutenção da rotina da fazenda, que mantém seus costumes e crenças mesmo com a presença do turista. De acordo com o autor, isso parece colaborar diretamente para o fortalecimento da cultura pantaneira, que passa a ser “admirada de perto” por pessoas de fora. “O pantaneiro tem orgulho de ser pantaneiro. Ele não abre mão da cultura, ele gosta de mostrá-la”, disse Rocha Filho.

Nas “fazendas-pousada”

Para as mulheres pantaneiras, o turismo abriu portas de emprego nas ‘fazendas-pousada’. As esposas dos peões, por exemplo, que antes trabalhavam nos afazeres das fazendas sem remuneração própria, atualmente têm emprego fixo, remunerado, com carteira assinada.

Onde foi desenvolvido o estudo de Rocha Filho, Fazenda São José, constatou-se que, antes da chegada do ecoturismo, os quatro integrantes da família proprietária mais, no máximo, quatro peões, eram suficientes para atender a todas as necessidades da vida diária da propriedade. Depois da implantação da atividade turística, a fazenda passou a necessitar de 17 funcionários fixos, chegando a 25 nas épocas de pico.
A "faixa paraguaia" não permite que os peões fiquem "descadeirados"

Além de servir como atividade lucrativa, o turismo opera no Pantanal Sul em função do resgate de costumes culturais.Um exemplo disso é o projeto Sapicuá Pantaneiro, criado em 2003 pela produtora cultural Cláudia Medeiros. A iniciativa tem como objetivo valorizar os elementos da cultura pantaneira atuando em fazendas e escolas como uma espécie de oficina itinerante. O projeto se propõe a ensinar jovens pantaneiros a confeccionar a tradicional “faixa paraguaia” ou objetos de couro e lã em uma semana.

Os elementos da cultura são importantes e principais responsáveis pela busca dos turistas à região. “Os turistas vêm sentir e viver os costumes locais, tocar a boiada junto com os peões”, diz o jornalista. Eles vêm para apreciar a fauna e a flora, mas para perceber os traços marcantes da rotina do pantaneiro. O tereré, tradicional chá da região, por exemplo, compõem esse conjunto de elementos essencias para caracterizar a cultura pantaneira. Ele é servido na guampa, recipiente feito com o chifre do boi, e é o “cartão de visita” do pantaneiro.
Publicado por Evandro Ferreira 0 comentários Digg! Link Permanente Envie este artigo para um amigo

0 Comments:

Postar um comentário

Link permanente:

Criar um link

<< Home