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Terça-feira, Julho 21, 2009

PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTOS PARA IDOSOS ESTÁ DENTRO DO PADRÃO DA OMS

O gasto médio mensal com remédios, por idosos, compromete aproximadamente um quarto da renda

Fernanda Marques
Agência Fiocruz de Notícias

Um estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, periódico científico da Fiocruz, analisou os medicamentos prescritos aos idosos usuários de Unidades de Saúde da Família do município de Marília (SP). Verificaram que, nessas prescrições, existe uma tendência de adequação aos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Contudo, são necessários avanços para se atingir melhores índices, especialmente no que se refere ao uso do nome genérico dos medicamentos nas prescrições. A prescrição pelo nome genérico, entre outras vantagens, permite ao paciente a compra de um medicamento de menor custo. O artigo é assinado por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Marília.

Em Marília, palco da pesquisa, existem 28 Unidades de Saúde da Família, localizadas em áreas onde a população apresenta maior carência socioeconômica. Dos cerca de 218 mil habitantes do município, 84 mil são atendidos pela Estratégia Saúde da Família e, dos atendidos, mais de 14 mil são idosos. A pesquisa utilizou informações dos prontuários médicos de 382 idosos, escolhidos aleatoriamente em quatro unidades selecionadas por sorteio (A, B, C e D, situadas em diferentes regiões da cidade).

As unidades estudadas apresentam diferenças quanto ao perfil socioeconômico da população atendida. Por exemplo, na unidade A apenas 5,8% dos indivíduos têm algum plano de saúde, enquanto este percentual chega a 44,3% na unidade C. Quase todas as pessoas residem em casas de alvenaria, exceto na unidade B, onde 14% vivem em casas de madeira ou material reaproveitado.

De acordo com o artigo, os 382 idosos incluídos no estudo realizaram 1.479 consultas médicas, de setembro de 2005 a agosto de 2006. “O número de consultas por idoso ao ano, importante indicador de saúde para o planejamento das ações em saúde, mostrou que, nas unidades estudadas, a média geral foi de 3,8 consultas/idoso/ano, valor maior que o recomendado pelo Ministério da Saúde que é de 1,5 consultas/habitante/ano”, comparam os pesquisadores.

Observou-se que, na unidade B, em menos de 8% das consultas não foram receitados medicamentos, enquanto em mais de 21% foram prescritas cinco ou mais drogas. Já na unidade A, ocorreu o contrário: os percentuais foram de 21,5% e 3%, respectivamente. “Embora a OMS proponha como padrão a prescrição de 1,3 a 2,2 medicamentos por consulta médica, tal critério não diferencia as faixas etárias, o que pode torná-lo insuficiente na comparação com os dados da população idosa, visto que ela utiliza com maior freqüência os serviços de saúde e também maior quantidade de medicamentos”, explicam os pesquisadores.

Em relação aos antibióticos, a unidade C foi a que mais prescreveu, em cerca de 10% das consultas. Nas outras unidades, este percentual ficou em torno de 5%. “Nas quatro unidades estudadas, o número de antibióticos por prescrição estava em conformidade com a orientação da OMS, que preconiza que seja inferior a 20% do total de medicamentos prescritos ao final da consulta. Mesmo assim, chama a atenção o fato de, na unidade C, ter sido prescrito o dobro de antibióticos, comparativamente às demais”, ressaltam os autores. “Quanto aos medicamentos injetáveis, cuja recomendação é que correspondam a até 10% dos medicamentos prescritos, foi encontrada a freqüência de 3,7% na unidade D e, nas demais, percentuais inferiores a esse”, acrescentam.

O menor índice de prescrição de medicamentos pelo nome genérico foi encontrado na unidade D, com um percentual de 85,5%. “Tais dados, apesar de não estarem em consonância com a meta de 100%, podem representar um avanço quando comparados com os de outros estudos”, ponderam os pesquisadores. Na unidade D, também foi menor o índice de prescrição de medicamentos que constavam na lista selecionada pela Secretaria de Saúde de Marília, com um percentual de 77%. Todas as unidades, porém, estavam dentro do padrão recomendado pela OMS, segundo o qual pelo menos 70% das prescrições devem estar em consonância com a lista de medicamentos padronizados como essenciais pela autoridade de saúde local.

A análise dos prontuários revelou, ainda, que os medicamentos mais receitados foram aqueles do sistema cardiovascular, que representaram, em média, 27,9% das prescrições. Em segundo lugar, vieram os medicamentos de uso sistêmico, com frequências que variaram de 22,3% a 32,1% das prescrições nas quatro unidades estudadas. Na sequência, apareceram os medicamentos que atuam no sistema digestório e no metabolismo, bem como aqueles relacionados ao sistema nervoso.

O foco do estudo nos idosos se justifica porque, segundo estimativas, eles serão mais de 33 milhões brasileiros em 2025. Além disso, idosos são importantes consumidores de medicamentos, sendo que 50% deles têm renda pessoal menor que um salário-mínimo, e o gasto médio mensal com remédios compromete, aproximadamente, um quarto dessa renda. “Considera-se que a maioria utiliza mais de um medicamento periodicamente e, quando hospitalizados, recebem de oito a 15”, dizem os autores da pesquisa. Outro dado relevante é que os efeitos colaterais das drogas são 2,5 vezes mais frequentes nos idosos do que em pessoas de outras faixas etárias.

(Foto: Diocese de Ji-Paraná)
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Segunda-feira, Julho 20, 2009

ESCADA DE SALMÃO NÃO É PARA BAGRE BRASILEIRO

Bagre não é salmão e escada não é solução - Dispositivos para facilitar transposição de represas por peixes migratórios atuariam como armadilhas

Jean Remy Davée Guimarães
Universidade Federal do Rio de Janeiro

A piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii) é uma das quatro espécies conhecidas coletivamente como bagres migradores da Amazônia (Foto: Batista e Formiga-Aquino – Projeto Pirada/Inpa).

O mote da coluna do mês passado eram os grandes bagres migradores, execrados por alguns por atrasar o licenciamento das grandes hidrelétricas em construção nos rios Madeira, Jirau e Santo Antonio.

Grandes represas são obstáculos intransponíveis para peixes migradores devido à altura das barragens. Na ausência de barragens, essas espécies empreendem anualmente viagens de centenas ou mesmo milhares de quilômetros rio acima, em busca de áreas adequadas para a desova, normalmente situadas em afluentes nas cabeceiras dos rios: é a chamada piracema. Os ovos e larvas fazem a viagem em sentido contrário, levados pela correnteza, amadurecendo ao longo do caminho de água turbulenta.

A presença de uma barragem é problemática tanto para a viagem de ida como para a de volta. Os adultos viajando rio acima se exaurem e se ferem na tentativa inútil de transpor o sangradouro ou – pior – de atravessar as turbinas na contramão. Eles não falam nossa língua e, mesmo que falassem, tentar avisá-los seria tão inútil quanto avisar um inseto de que lâmpada incandescente não é sol. Afinal, voar em direção à luz é da natureza dos insetos, nadar rio acima é da natureza dos peixes migradores, e isso vem dando certo para eles há milhões de anos.

Com uma barragem, a área logo a jusante se torna um grande refeitório para predadores como aves aquáticas, peixes carnívoros, botos e jacarés, que se fartarão de peixes exaustos, feridos e muito fáceis de apanhar. Isso não é necessariamente um favor, já que, a longo prazo, compromete a manutenção de suas habilidades competitivas.

E os ovos e larvas viajando rio abaixo? Se não morrerem no grande lago de água parada e frequentemente sem oxigênio chamado de reservatório ou represa, vão virar suco ao passar pelo liquidificador das turbinas.

Seus problemas acabaram!

Mas que colunista pessimista este! Há uma solução de engenharia importada, simples, barata e que dá certo: a escada de peixes! Como toda escada, ela transforma um grande obstáculo – intransponível em um passo só – em uma série de pequenos degraus sucessivos e transponíveis.

Escada para peixes na represa de Bonneville, nos Estados Unidos (foto: Bonneville Power Administration).

É importada porque foi desenvolvida no hemisfério Norte para facilitar a transposição das represas por salmões, que são grandes migradores, mais carismáticos que os bagres: quem nunca viu um documentário ou um desenho animado representando ursos bonachões se banqueteando de salmão à margem de uma cachoeira?. Para essa finalidade, elas funcionam bastante bem.

Parece, portanto, uma excelente ideia, não é mesmo? Eu, biólogo, sempre estive convencido disso. Até semanas atrás, quando conheci um outro biólogo, Miguel Petrere Jr., do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), especialista em peixes e grande estudioso de represas tropicais – veja sua extensa revisão sobre “Peixes em grandes reservatórios tropicais na América do Sul” publicada na revista Lakes & Reservoirs: Research and Management.

Miguel plantou a semente da dúvida e me indicou o trabalho de Fernando M. Pelicice e Ângelo A. Agostinho, dois colegas do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupélia), vinculado à Universidade Estadual de Maringá (UEM). O artigo em questão – “Instalações para a passagem de peixes como armadilhas ecológicas em grandes rios neotropicais” – foi publicado em 2008 na revista Conservation Biology e divulgado em reportagem de Claudio Angelo na Folha de S. Paulo de 10 de fevereiro daquele ano.

Resumidamente, o estudo conclui que as escadas para peixe aumentam os riscos de extinção e funcionam como uma "armadilha ecológica", na medida em que atraem cardumes para ambientes mais pobres e prejudicam sua reprodução.

Os autores analisam casos de escadas instaladas na usina de Porto Primavera, no rio Paraná, e no complexo de hidrelétricas do rio Paranapanema. Eles concluíram que os dispositivos nos dois rios causaram impactos tão grandes à fauna que deveriam ser desativados. No caso das usinas de Canoas 1 e 2, no Paranapanema, as escadas causaram um colapso na pesca a jusante dos reservatórios.

No primeiro ano de operação das escadas, em 2001, conta Pelicice, "a quantidade de peixes que subiu foi enorme". No segundo ano, no entanto, a piracema entrou em colapso, sinal de que os peixes que subiram não desceram depois. Isso ocorreria porque os adultos que sobrevivem ao corredor polonês da escada não encontram locais adequados para a desova ou o desenvolvimento dos alevinos, já que os ambientes a montante da barragem são ecologicamente mais pobres.

Papers ou diário oficial?

Mas então por que as autoridades ambientais e os legisladores exigem a construção das escadas ou outras soluções de mesma finalidade, como elevadores de peixes, eclusas ou canais de desova? Porque, na ausência de estudos sistemáticos sobre o tema em bacias hidrográficas tropicais, parecia ser uma boa e virtuosa ideia. Mas agora que há estudos indicando que não, a lei vai mudar, certo? Talvez, mais vai demorar um bocado.

Cientistas não leem o diário oficial, políticos e legisladores não leem papers . As empresas de hidreletricidade, por sua vez, preferem construir as escadas, cumprindo o requisito burocrático, a tentar elaborar planos de manejo adequado. Estes exigiriam estudos ecológicos integrados e em grande escala – pois nossas bacias hidrográficas são grandes –, portanto caros e demorados.

E os bagres? Coitados, não têm associação ou sindicato, não falam a nossa língua, não manejam orçamentos bilionários e não financiam campanhas. Nem ecológicas, nem eleitorais.
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GRÁVIDAS E MAL ALIMENTADAS

Levantamento feito pela Secretaria da Saúde de São Paulo aponta que 80% das adolescentes grávidas se alimentam de maneira inadequada durante a gestação

Agência FAPESP – Um levantamento realizado pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo apontou que cerca de 80% das adolescentes grávidas se alimentam de maneira inadequada durante a gestação. A pesquisa, feita no Ambulatório de Nutrição do Hospital Maternidade Interlagos, indicou também que apenas 10% conseguem mudar os hábitos alimentares na gravidez.

O levantamento foi feito com 200 adolescentes gestantes, com até 17 anos, atendidas no ambulatório no primeiro trimestre deste ano. Entre os problemas, o principal é a ingestão excessiva de alimentos altamente calóricos e com grande teor de sódio.

Os que lideram a lista dos mais consumidos pelas jovens na gestação são os salgadinhos industrializados, bolachas doces recheadas, hambúrguer, macarrão instantâneo, chocolate, sucos de saquinho e batata frita.

Segundo Marta Del Porto Pereira, nutricionista do ambulatório, esses problemas alimentares são prejudiciais tanto para a mãe quanto para o bebê. “Consumir comidas assim durante a gestação provoca alterações sérias nos níveis de glicemia da mãe, além de causar pressão alta. E para o bebê, o sofrimento é inevitável, interferindo até mesmo na sua formação e no ganho de peso”, disse.

De acordo com a nutricionista, é preocupante o fato de não ocorrerem mudanças na alimentação, apesar de toda a orientação que elas recebem durante o pré-natal. “As jovens de uma maneira geral não medem as consequências de que o que elas fazem hoje de errado vai refletir amanhã diretamente no bebê. Mudar esses hábitos e essa visão é uma tarefa muito complicada”, alertou.

A Secretaria da Saúde destaca que durante a gestação é fundamental ter uma alimentação equilibrada e ingerir alimentos saudáveis, como frutas, verduras, legumes e fontes de ferro e ácido fólico, como o feijão. Beber bastante água também é fundamental nesse período.

Para ter uma gestação saudável, é importante evitar alimentos gordurosos como frituras, embutidos, doces em excesso e grande quantidade de carboidratos. Eles elevam os níveis de glicemia do corpo e podem ocasionar pressão alta na mãe.

O ambulatório de Nutrição do Hospital Maternidade Interlagos funciona todas às quintas-feiras e atende cerca de 150 adolescentes gestantes por mês. O ambulatório fica na Rua Guaiúba, 3.012.
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GRAVIDEZ NA AMAZÔNIA

As características geográficas, as desigualdades sociais e a falta de infraestrutura do poder público de boa parte dos municípios agravam os problemas da maternidade na região

Na Amazônia, grávidas enfrentam longas viagens em canoas para dar à luz

Marcelo Neves
Agência Fiocruz de Notícias

O programa Sala de Convidados, do Canal Saúde da Fiocruz, apresenta nesta sexta-feira (17/7), às 13 horas, um debate sobre a necessidade de implantação de políticas públicas específicas para a Região Amazônica quando o assunto é mortalidade materno-infantil. Se no Sudeste a peregrinação das grávidas ocorre em vans e ônibus em busca de vagas nas maternidades públicas, no Norte a luta pela sobrevivência segue em barcos e canoas, por longas horas e até mesmo dias. Conheça essa realidade e participe ao vivo.

Entre 1990 e 2007, o índice de mortalidade infantil no primeiro ano de vida caiu de 47 para cada 100 mil nascidos vivos para 19,3 mortes. Uma redução de 62%. Mas, nas regiões Norte e Nordeste, a média é de 27 óbitos. As características geográficas, as desigualdades sociais e a falta de infraestrutura do poder público de boa parte dos municípios agravam o problema. O Amazonas, maior estado brasileiro, tem 62 municípios, muitos deles isolados e com acesso somente via aérea ou de barco. As cheias dos rios, por exemplo, dificultam o acompanhamento pré-natal. Outro problema comum às grandes cidades brasileiras é enfrentado em Manaus, para onde gestantes de outros municípios mais pobres são encaminhadas, sobrecarregando as maternidades da capital.

Assista e conheça o pacto para redução da mortalidade materno-infantil, assinado recentemente entre o governo federal e nove estados, por melhores condições para gestantes e recém-nascidos. Estarão presentes no estúdio para debater com telespectadores e internautas: o secretário de Saúde do Amazonas, Agnaldo Costa, e a conselheira da Sociedade Amazonense de Pediatria, Denise Nunes.

Para acompanhar pela internet basta acessar aqui, clicar na telinha com a inscrição "ao vivo" e participar a partir de um chat associado à transmissão. No caso da televisão é necessário ter uma antena parabólica conectada ao aparelho. Pela Embratel o programa será veiculado na frequência do Canal Saúde (polarização horizontal 3.930 Ghz ou 1.220 Mhz). Para saber como sintonizar a NBR em sua cidade, acesse aqui. Mais informações pelo telefone 0800-701-8122. Se preferir, antecipe suas perguntas pelo e-mail canal@fiocruz.br.

Foto: Rede Brasil Atual
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Quinta-feira, Julho 16, 2009

TORRES DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA: CAMPOS MAGNÉTICOS PODEM CAUSAR DANOS À SAÚDE

Campos magnéticos atingem moradores próximos a linhas de transmissão

Júlio Bernardes
jubern@usp.br

Agência USP de Notícias

Mais de 150 mil moradores da cidade de São Paulo estão expostos a campos magnéticos gerados por linhas de transmissão aérea de energia elétrica em níveis que podem provocar riscos à saúde humana. A estimativa faz parte de uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) que mapeou as áreas do município mais expostas e as características da população afetada. O estudo aponta que as regiões de maior exposição apresentam baixos níveis de escolaridade e renda entre os moradores.

O geógrafo Mateus Habermann avaliou a prevalência de exposição aos campos magnéticos na população da cidade de São Paulo. “Foram consideradas áreas expostas aquelas com campo magnético igual ou superior a 0,3 microtesla, nível apontado na literatura científica como de risco estatisticamente significante de leucemia infantil”, aponta. Ao mesmo tempo, o pesquisador verificou as diferenças sócioeconômicas entre as pessoas expostas e não expostas. “O estudo se baseia na idéia de Justiça Ambiental, surgida nos Estados Unidos, onde se constatou que populações marginalizadas eram mais sujeitas a riscos ambientais”.

A análise das informações sobre os 572,1 quilômetros de linhas de transmissão na cidade de São Paulo mostra que as áreas mais expostas aos campos magnéticos formam um corredor ao longo do percurso das linhas, abrangendo uma área de 25 quilômetros quadrados. Conforme as dimensões e características técnicas das linhas de transmissão, esses corredores apresentaram entre 50 e 130 metros de largura.

“A extensão é maior do que as áreas de servidão, espaços reservados exclusivamente para a passagem das linhas”, ressalta Habermann. A população que vive nos corredores é estimada em 152.176 habitantes (1,4% da população de São Paulo), em 40.677 domicílios (1,3% da cidade), com base nos dados do censo demográfico de 2000.

Renda
A partir das informações sócio-econômicas das áreas expostas, a pesquisa mostra que a prevalência aos campos magnéticos diminui conforme aumenta a idade da população. “Aproximadamente 46,6% das pessoas nesses locais tem menos de 24 anos”, conta o geógrafo. Dentro dos corredores, 48% da população não tem instrução ou menos de cinco anos de estudo. “Um terço dos chefes de domicílio que vivem nas regiões expostas não possuem renda ou ganham menos de dois salários mínimos”.

A mesma metodologia usada no estudo da Capital paulista foi aplicada nos demais municípios da Grande São Paulo, apresentando resultados semelhantes. “Em outra pesquisa da FMUSP, comparou-se a distância da residência de pessoas que faleceram de leucemia, câncer no cérebro e neoplasias do sistema nervoso central em relação às linhas de transmissão”, relata o pesquisador. “os resultados mostraram que o risco de leucemia entre pessoas com mais de 40 anos é maior em áreas situadas a 50 metros das linhas de transmissão”.

O estudo de Habermann faz parte de um projeto de pesquisa sobre linhas de transmissão de energia, coordenado pela Associação Brasileira de Compatibilidade Eletromagnética (Abricem). Denominada EMF-SP (de Electromagnetic Fields, campos eletromagnéticos, em inglês), a iniciativa reuniu pesquisadores de diversas instituições, como a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O trabalho do geógrafo, descrito em sua dissertação de Mestrado, teve a orientação do professor Nelson Gouveia, do Departamento de Medicina Preventiva da FM.

O EMF-SP foi financiado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e as conclusões dos estudos foram encaminhadas para as concessionárias de serviços de eletricidade. “Fica a critério delas fazer as mudanças necessárias para diminuir a intensidade do campo magnético emitido pelas linhas de transmissão aéreas”, aponta Habermann. Sugere-se que os campos magnéticos podem ser mais um fator de risco que a população socioeconomicamente mais vulnerável está exposta, assim como outros problemas urbanos como poluição do ar, inundações, proximidade de aterros sanitários, entre outros.
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TOMATE CONTRA O MAL DE CHAGAS

Pesquisadores descobrem que parasito isolado do tomate pode oferecer imunidade, pelo menos parcial, contra a infecção pelo T. cruzi, causador da doença de Chagas

Por Washington Castilhos

Agência FAPESP – Um parasito encontrado no tomate pode conferir proteção parcial contra a doença de Chagas. A possibilidade foi levantada pela primeira vez ainda na década de 1990, por José Victor Jankevicius, então professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que isolou e caracterizou o ciclo biológico do Phytomona serpens 15T, da mesma família do Trypanosoma cruzi, causador da doença.

A diferença é que o P. serpens não faz mal ao ser humano, por ser uma praga típica do tomateiro. Pesquisadores do mesmo laboratório de Jankevicius, agora aposentado, descobriram que exatamente por causa dessa “familiaridade” o parasito apresenta proteínas similares que podem “matar” o T. cruzi.

“Para entender nossa descoberta, é necessário conhecer a estratégia usada por Jankevicius, que imunizou camundongos uma vez por semana durante um mês – via oral e intraperitoneal – e, sete dias depois da última inoculação, infectou esses mesmos animais com doses letais do Trypanosoma cruzi", disse Igor Campos Damiani, aluno do Departamento de Microbiologia da UEL, à Agência FAPESP.

“Ele verificou que todos os animais imunizados com o P. serpens apresentavam uma menor parasitemia [nível de parasitas no sangue], enquanto que os que não foram imunizados acabaram morrendo”, disse Damiani, que apresentou os resultados da pesquisa no Simpósio Internacional Comemorativo do Centenário da Descoberta da Doença de Chagas, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, na semana passada.

A partir do primeiro passo dado por Jankevicius, a equipe tem se dedicado a descobrir possíveis proteínas específicas do parasito do tomate que causam a imunização contra a infecção pelo T. cruzi. Identificaram 22 e uma, em especial, chamou a atenção: a GAPDH, existente em quase todos os organismo vivos – inclusive em células humanas – e que desempenha papel-chave no metabolismo da glicose no processo de geração da energia que mantém vivo o parasito de Chagas.

“Se inibido, de alguma forma, o parasito não poderá mais produzir energia e morrerá. Como a GAPDH existe tanto no Phytomona como no T. cruzi, os anticorpos produzidos contra a GAPDH do primeiro também reconhecerão essa proteína no outro, inibindo sua ação. Dessa forma, o T. cruzi não poderá mais usar a glicose como fonte de energia”, explicou Damiani.

Recentemente, o grupo paranaense inoculou somente a proteína de Phytomona clonada em camundongos infectados. Os resultados mostraram que a parasitemia baixou depois da imunização com a proteína GAPDH.

“Jankevicius inoculou o parasito Phytomona inteiro nos animais. Nós inoculamos somente a proteína, essa é a diferença”, disse Damiani, que desenvolve a pesquisa sob a coordenação da professora Sueli Yamada Ogatta.

A descoberta pode favorecer o desenvolvimento de vacinas recombinantes e de DNA. “Mas, embora promissores, são resultados preliminares e ainda é cedo para gerar expectativas”, ressaltou Damiani.

Foto: Apta
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Quarta-feira, Julho 15, 2009

DESTAQUE ACREANO NA SBPC

Stand montado pelo pesquisador acreano Francisco Samonek é uma das atrações da 61a. Reunião da SBPC em Manaus

O pesquisador acreano Francisco Samonek montou, a convite da FINEP (que pagou todas as despesas), um bonito stand em local privilegiado no hall de exposição empresarial que está sendo realizado em paralelo à 61a. Reunião da SBPC em Manaus.




















Samonek trouxe com ele um índio da tribo Kaxinawa de Tarauacá para demonstrar aos visitantes da exposição as técnicas de preparo de tecidos encauchados e outros artesanatos desenvolvidos no Acre.








Em rápida conversa com o pesquisador acreano, soubemos que pesquisadores da UNICAMP estão tentando patentear um tipo derivado de tecido encauchado. Se isso vier a acontecer os extrativistas da Amazônia correrão o risco de ter que pagar royalties para pesquisadores de São Paulo que nunca participaram do desenvolvimento da técnica tradicional, criada entre indígenas e seringueiros há dezenas de anos.

Mais um caso de biopirataria no horizonte?
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Terça-feira, Julho 14, 2009

TRABALHOS DA UFAC/INPA-ACRE NA SBPC

E. Ciências Agrárias - 3. Recursos Florestais e Engenharia Florestal - 4. Conservação da Natureza

ESTRUTURA POPULACIONAL DA COMUNIDADE DE PALMEIRAS (ARECACEAE) DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL RAIMUNDO IRINEU SERRA, RIO BRANCO, ACRE, BRASIL


Anelena Lima de Carvalho (1), (4) (anelenalcarvalho@yahoo.com.br); Evandro José Linhares Ferreira (2), (4); Joanna Marie Tucker Lima (3), (4)

1. Mestranda em Ciências de Florestas Tropicais, INPA
2. Núcleo de Pesquisas no Acre do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA
3. University of Florida, School of Natural Resources and Environment, USA
4. Herbário do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre-UFAC

INTRODUÇÃO:

A Amazônia abriga aproximadamente 50% dos gêneros e 30% das espécies de palmeiras Neotropicais e são consideradas como um dos recursos vegetais mais úteis para o homem. Embora as pesquisas sobre Arecaceae tenham avançado nas últimas décadas, nos estudos fitossociológicos realizados atualmente na Amazônia os critérios de inclusão utilizados na amostragem dos indivíduos quase sempre excluem as palmeiras. Quando estas são incluídas, poucas espécies são mencionadas em função do DAP mínimo e devido a isso os dados disponíveis sobre a composição florística e dinâmica da família ainda são muito escassos. Estudos sobre a distribuição e estrutura das espécies florestais tem focado, na maioria das vezes, nas espécies arbóreas e/ou arbustivas. Tais estudos contribuem para caracterizar a vegetação como um todo e através destas análises podem ser obtidos, como principais resultados, o conhecimento da composição das espécies, organização, ecologia e classificação das comunidades. O presente trabalho teve como objetivo descrever a estrutura populacional da comunidade de palmeiras de uma área de proteção ambiental formada por fragmentos florestais secundários e uma pequena mancha de floresta primária, visando um maior conhecimento sobre alguns aspectos relacionados à ecologia destas plantas.

METODOLOGIA:

O estudo foi realizado na Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra (APARIS), que possui 843 hectares e fica localizada em Rio Branco, Acre. Originalmente, a vegetação da APARIS era do tipo Floresta Ombrófila Aberta com Bambu e Palmeiras no sub-bosque. Para este estudo, selecionaram-se três fragmentos de floresta secundária em diferentes estádios sucessionais e idade média de 7,5, 27,5 e 37,5 anos, e um fragmento de floresta primária. Em cada fragmento foram instaladas, de forma sistemática, cinco parcelas de 20 x 20 m (400 m²), distribuídas alternadamente ao longo de um transecto de 100 m. Todas as plântulas e indivíduos adultos de palmeiras foram contabilizados e identificados. Os parâmetros fitossociológicos calculados foram Densidade Relativa (DR) e Freqüência Relativa (FR). As palmeiras estudadas foram divididas em cinco classes segundo o tamanho e características vegetativo-reprodutivas, a saber: classe 1: indivíduos até 0,5 m de altura; classe 2: indivíduos com 0,5-1 m altura, sem estipe aparente; classe 3: indivíduos com mais de 1m de altura, sem estipe aparente; classe 4: indivíduos com estipe aparente, não reprodutivos, e classe 5: indivíduos em estádio reprodutivo. Os dados foram tabulados em Microsoft Office Excel 2007 e analisados no programa Mata Nativa 2.0.

RESULTADOS:

Foram amostrados 1.034 indivíduos, pertencentes a 12 gêneros e 19 espécies de palmeiras. A espécie Attalea phalerata apresentou a maior densidade e freqüência relativa, tendo sido encontrados 845 indivíduos, que correspondem a 81,72% do total de indivíduos amostrados. Uma classificação de todos os indivíduos de palmeiras amostrados nos quatro fragmentos estudados resultou na seguinte distribuição, por classe de tamanho: 34,27% estão incluídos na classe 1; 20,67% na classe 2; 37,10% classe 3; 4,13% classe 4; e apenas 3,80% são da classe 5. No fragmento de floresta secundária com idade média de 7,5 anos, 56,32% do total de indivíduos caulescentes pertencem a 1ª classe, ou seja, mais da metade dos indivíduos eram plântulas. Nos fragmentos com idades médias de 27,5 anos e de 37,5 anos, o maior percentual de indivíduos acaulescentes e caulescentes amostrados integrava a 3ª classe de tamanho. Na área de floresta primária, as espécies acaulescentes representaram 66,66% dos indivíduos da 5ª classe, não sendo registradas plantas desse tipo na 1ª e 3ª classe de tamanho. Dentre as espécies caulescentes, 45,74% dos indivíduos amostrados faziam parte da 2ª classe de tamanho. Não foram encontrados indivíduos na 5 ª classe, ou seja, os indivíduos adultos em estágio reprodutivo estavam ausentes.

CONCLUSÕES:

Em áreas fragmentadas como a APARIS, espécies como Attalea phalerata, que possuem sementes mecanicamente mais resistentes, são beneficiadas com o desaparecimento de seus predadores especializados (roedores). Além disso, seu estipe geralmente é recoberto por bainhas foliares persistentes que funcionam como isolante das altas temperaturas em caso de fogo, e sua gema apical também está bem protegida por bainhas foliares de folhas vivas. Isto geralmente leva a uma situação de alta taxa de recrutamento de plântulas e dominância da espécie. A estrutura populacional em todos os fragmentos apresentou-se deficiente, com um número reduzido de plântulas e adultos reprodutivos para maioria das espécies avaliadas, indicando que a sobrevivência de grande parte delas se encontra ameaçada. O número baixo das plântulas de palmeiras pode ser influenciado pela falta de indivíduos reprodutivos e pelo isolamento dos fragmentos das áreas mais velhas, que poderiam servir como fontes de semente. Outros eventos atípicos, como queimadas acidentais, podem estar eliminando as plântulas do local.

Instituição de fomento: ZEAS/Prefeitura Municipal de Rio Branco-PMRB e Secretaria Municipal de Meio Ambiente/PMRB

Palavras-chave: palmeiras; estrutura populacional; Acre.
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TRABALHOS DA UFAC/INPA-ACRE NA SBPC

E. Ciências Agrárias - 3. Recursos Florestais e Engenharia Florestal - 4. Conservação da Natureza

CARACTERIZAÇÃO DA ESTRUTURA VERTICAL DE UM FRAGMENTO FLORESTAL DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL RAIMUNDO IRINEU SERRA, RIO BRANCO, ACRE

Evandro José Linhares Ferreira (1), (2) (evandro@inpa.gov.br); Janice Ferreira do Nascimento (2), (3); Edmilson Santos Cruz (4); Anelena Lima de Carvalho (5)

1. Núcleo de Pesquisas no Acre do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA
2. Herbário do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre-UFAC
3. Mestranda em Engenharia Florestal, UFLA
4. Centro de Ciências Biológicas e da Natureza da UFAC
5. Mestranda em Ciências de Florestas Tropicais, INPA

INTRODUÇÃO:

O conhecimento da estrutura vertical de uma floresta é importante por sua influência nos processos ecológicos, na produção de biomassa e na coexistência das espécies. A energia radiante, por exemplo, decai exponencialmente desde o dossel até chegar ao solo, que recebe apenas 1 ou 2% da energia originalmente incidente. A temperatura e o movimento do ar decrescem sensivelmente, enquanto a umidade tende a aumentar, promovendo, ao longo do eixo vertical, fortes gradientes ambientais. Sob o ponto de vista prático, o reconhecimento de estratos diferenciados é útil para a análise da estrutura florestal e pode servir como indicador da sustentabilidade ambiental. A área de proteção ambiental Raimundo Irineu Serra (APARIS), localizado no perímetro urbano de Rio Branco-Acre, abriga vários fragmentos de florestas secundárias em estádios diferentes de regeneração que precisam ser conhecidos florística e fitossociologicamente em razão da unidade ter como objetivo, além da proteção da biodiversidade, beleza cênica, rios e nascentes, a promoção do uso equilibrado dos recursos naturais. Nesse contexto, o presente trabalho objetivou a caracterização e a análise da estrutura vertical do maior fragmento florestal da APARIS, contribuindo o plano de manejo da mesma.

METODOLOGIA:

O estudo foi realizado na área da APARIS, que possui uma extensão de 843 hectares, das quais apenas 30% são cobertas por fragmentos de floresta secundária em vários estádios de regeneração. A vegetação original do local era classificada como Floresta Ombrófila Aberta com Bambu e Palmeiras no sub-bosque, e começou a ser alterada ou destruída por pequenos agricultores há mais de 50 anos. Na maior fragmento florestal existente na APARIS, com pouco mais de 200 ha de floresta contínua, foram alocadas seis parcelas de 5.000 m² (20 x 250 m), resultando em uma área estudada de 3 ha. Na alocação das parcelas foi adotado o procedimento de amostragem sistemática. Em todas as parcelas os indivíduos arbóreos com diâmetro a altura do peito (DAP) igual ou superior a 10 cm foram marcados, identificados e medidos o DAP. A estimativa da altura comercial e total foi feita pelo mesmo observador ao longo de todo o trabalho. O parâmetro utilizado para a realização da análise da estrutura vertical foi a posição sociológica, que requer, para o seu cálculo, a definição dos estratos de altura no fragmento estudado, geralmente designados estratos inferior, médio e superior. A análise foi feita utilizado o software Mata Nativa versão 2.0, a partir de dados tabulados no programa Microsoft Office Excel 2007.

RESULTADOS:

Foram inventariados 856 indivíduos arbóreos com mais de 10 cm de DAP, classificados em 143 espécies, 98 gêneros e 43 famílias botânicas. Apenas duas árvores foram consideradas desconhecidas. Das espécies reconhecidas em campo, 76 foram identificadas botanicamente ao nível de espécie, 54 somente ao nível de gênero, 13 somente pela família. Em relação à distribuição vertical dos indivíduos dentro do fragmento estudado, verificou-se que o estrato médio concentra o maior número de indivíduos (576), representando 67,29% do total. O estrato inferior abriga 16,71% do total de indivíduos, e o superior 16%. O cálculo dos intervalos de altura para os três estratos citados, tendo como base a sua posição sociológica, mostrou que todas os indivíduos com menos de 9,48 m fazem parte do estrato inferior. Aqueles com altura variando entre 9,48 e 17,51 m estão incluídos no estrato médio e os de altura maior que 17,51 m fazem parte do estrato superior.

CONCLUSÕES:

A maioria dos indivíduos inventariados é de porte médio, com menos de 17 m. É importante ressaltar, entretanto, que este resultado pode ter sido influenciado pelo critério de inclusão, que adotou o DAP mínimo de 10 cm, situação em que a maioria das plantas já está bem alta, sugerindo que o uso de um diâmetro menor aumentaria o número de indivíduos no estrato inferior. Na prática, observou-se que não existe um arranjo vertical distinto desde o solo até o dossel, e apenas o estrato médio se apresentou uniforme. O estrato superior era muito irregular em razão da escassez de espécies emergentes e o estrato inferior formado, em grande parte, por arvoretas representando diferentes fases ontogenéticas de espécies presentes nos outros estratos. Embora não incluído neste estudo, foi observado que o estrato herbáceo-arbustivo era uniforme e muitas vezes extremamente denso, sugerindo a sub amostragem do estrato inferior. Como a estratificação vertical não é estática, em razão da dinâmica florestal, pode-se sugerir, com base na predominância de plantas do estrato médio e no rico estrato herbáceo-arbustivo observado, que o fragmento florestal estudado tem potencial para se desenvolver em uma floresta madura com alta diversidade e densidade de plantas em todos os estratos.

Instituição de fomento: ZEAS/Prefeitura de Rio Branco e Secretaria Municipal de Meio Ambiente/PMRB

Palavras-chave: inventário florestal; estrutura vertical; APA Raimundo Irineu Serra .
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TRABALHOS DA UFAC/INPA-ACRE NA SBPC

E. Ciências Agrárias - 3. Recursos Florestais e Engenharia Florestal - 4. Conservação da Natureza

Riqueza e diversidade de palmeiras (Arecaceae) em fragmentos de floresta primária e secundária da Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra, Rio Branco, Acre, Brasil


Evandro José Linhares Ferreira (1), (2) (evandro@inpa.gov.br); Anelena Lima de Carvalho (2), (3); Joanna Marie Tucker Lima (2), (4)

1. Núcleo de Pesquisas no Acre do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA
2. Herbário do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre-UFAC
3. Mestranda em Ciências de Florestas Tropicais (INPA
4. University of Florida, School of Natural Resources and Environment, USA

INTRODUÇÃO:

A família Arecaceae é uma das mais importantes da Amazônia pela sua ampla distribuição, abundância e, principalmente, diversidade de usos, importância sociocultural e econômica. Entre os usos, destacam-se o alimentar (frutos in natura, óleo, palmito e bebidas), artesanal e industrial (sementes e fibras) e construção civil (estipes e folhas). Apesar disso, mudanças socioeconômicas e culturais em curso na região, responsáveis pelo desmatamento da floresta e a migração das populações rurais, tendem a ameaçar a existência de muitas espécies e diminuir a importância sociocultural de outras. Um dos aspectos mais importantes afetando a existência de muitas espécies de palmeiras na Amazônia é o processo de fragmentação florestal, que pode desencadear mudanças imprevisíveis na estrutura florestal e na cadeia alimentar da fauna local, diminuindo o valor biológico dessas áreas. Diante dessa situação, o presente estudo objetivou conhecer e comparar a riqueza e diversidade de palmeiras em fragmentos de floresta primária e secundária, contribuindo para o entendimento do processo de estabelecimento desse grupo em áreas que foram submetidas ao desmatamento e uso agropecuário, fornecendo indicadores sobre o comportamento de algumas espécies no contexto atual de desmatamento na Amazônia.

METODOLOGIA:

O estudo foi realizado na Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra (APARIS), com área de 843 hectares, localizada em Rio Branco, Acre. A vegetação original da APARIS era de Floresta Ombrófila Aberta com Bambu e Palmeiras no sub-bosque. Hoje, apenas 30% da unidade apresenta cobertura florestal, em sua maioria fragmentos florestais secundária em vários estádios de regeneração, além de um pequeno fragmento de floresta primária. Para o estudo, foram selecionados três fragmentos de floresta secundária em estádios sucessionais, com idade média de 7,5, 27,5 e 37,5 anos, e um fragmento de floresta primária. As informações sobre os fragmentos e os dados sobre as espécies foram obtidos por meio de entrevistas com moradores e coleta de dados in loco. Em cada fragmento estudado foram instaladas, de forma sistemática, cinco parcelas de 20 x 20 m (400 m²), distribuídas alternadamente ao longo de um transecto de 100 m. Todos os indivíduos de palmeiras, plântulas e adultos, foram levantados e identificados. A diversidade foi calculada pelo índice de Shannon-Wiener (H’) e índice de equabilidade de Pielou (J). Para análise de similaridade florística foi utilizado o índice de Jaccard (SJ). Os dados, foram tabulados em Microsoft Office Excel 2007 e analisados no programa Mata Nativa 2.0.

RESULTADOS:

Foram identificados 1.034 indivíduos, pertencentes a 12 gêneros e 19 espécies de palmeiras, assim distribuídos: 419 indivíduos em cinco gêneros e oito espécies no fragmento com 7,5 anos, 128 indivíduos em sete gêneros e dez espécies no fragmento com 27,5 anos, 386 indivíduos em seis gêneros e seis espécies no fragmento com 37,5 anos, e 101 indivíduos em nove gêneros e 11 espécies na área de floresta primária. A maior riqueza e diversidade, calculada pelos índices de Shannon-Wiener e equabilidade de Pielou, foi encontradas na floresta primária (S=11 e H’=1,65; J=0,69), seguida pelo fragmento secundário de 27,5 anos (S=10 e H’=1,44; J=0,63). A similaridade foi maior entre a área de floresta primária e o fragmento florestal de 7,5 anos (SJ=0,46), seguida pela similaridade entre a floresta primária e o fragmento de 27,5 anos (SJ=0,31). Condições ambientais similares, como topografia e drenagem, podem explicar parcialmente estas similaridades. O fragmento com idade de 37,5 anos apresentou baixa similaridade com as demais áreas e menor valor de riqueza de espécies. Isto pode ser explicado pela ocorrência, no fragmento, de recorrentes perturbações como corte e queima, proposital ou acidental, que impedem a sobrevivência de algumas espécies muito sensíveis a alterações do habitat.

CONCLUSÕES:

Pode-se concluir que a fragmentação decorrente da derrubada e da ocorrência de perturbações derivadas de queimadas e abertura de trilhas no interior dos fragmentos florestais estão afetando a riqueza e a diversidade das palmeiras na área da APARIS. O fogo, corte raso ou mesmo a eliminação de indivíduos em estádio reprodutivo podem estar limitando a disponibilidade de sementes e, consequentemente, o recrutamento de novas plântulas. Isto pode comprometer a sobrevivência de espécies incapazes de se adaptar em ambiente diverso de florestas primárias, como é o caso de Euterpe precatoria, Socratea exorrhiza e Phytelephas macrocarpa. Por outro lado, algumas espécies menos frequentes em florestas primárias, porém mais resistentes a antropização e capazes de se adaptar facilmente em novos ambientes, como são os casos de Attalea phalerata Maximiliana maripa, Astrocaryum ulei, e Bactris maraja, poderão sobreviver e perdurar nessas áreas fragmentadas.

Instituição de fomento: ZEAS/Prefeitura Municipal de Rio Branco-PMRB e Secretaria Municipal de Meio Ambiente/PMRB

Palavras-chave: palmeiras; fragmento florestal; Acre.
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Segunda-feira, Julho 13, 2009

TRABALHOS DA UFAC/INPA-ACRE NA SBPC

G. Ciências Humanas - 7. Educação - 3. Educação Ambiental

CONHECIMENTOS EMPÍRICOS, ENSINO E CONSERVAÇÃO AMBIENTAL NA RESERVA EXTRATIVISTA CHICO MENDES, ACRE, BRASIL.

Renata Gomes de Abreu (1) (renataabreu_24@yahoo.com.br); Jarde da Silva Freitas (1); Evandro José Linhares Ferreira (2); Vera Lúcia Reis (1)

1. Universidade Federal do Acre - UFAC
2. Núcleo do INPA-Acre

INTRODUÇÃO:

Um dos maiores desafios para os professores interessados em inserir na prática pedagógica os princípios da interdisciplinaridade e contextualização é a falta de materiais didáticos voltados para a realidade do local onde atuam e dos educandos sob sua orientação. O município de Assis Brasil-Ac, com parte da zona rural localizada na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, adota experimentalmente desde 2005 uma proposta de ensino rural que enfatiza o desenvolvimento comunitário e o manejo dos recursos naturais. A proposta se baseia na execução do projeto Floresta das Crianças (FLOC), cuja metodologia adota o princípio da aprendizagem significativa, onde o entorno serve como laboratório natural de pesquisa e ensino. Em oito localidades da Resex Chico Mendes já foram doadas, para as escolas parceiras do projeto FLOC, áreas florestais adjacentes medindo entre 4 e 45 hectares para serem usadas com fins didáticos. Em 2007 e 2008 foi realizado, em conjunto com os comunitários, o mapeamento e o inventário das espécies vegetais de grande porte dessas áreas. Algumas espécies, em função de sua importância sócio-econômica, foram selecionadas e usadas para a elaboração de fichas ilustradas de aprendizagem que serão adotadas como material didático nas escolas envolvidas no projeto.

METODOLOGIA:

Para a elaboração das fichas de aprendizagem foram usadas informações obtidas por meio de questionários aplicados junto aos comunitários envolvidos nos inventários, enfatizando-se os conhecimentos sobre o uso comunitário de cada espécie (medicinal, madeireiro e alimentício), ambientes de ocorrência, características morfológicas das plantas (porte, caule, folha, frutos e sementes), aspectos fenológicos e ecológicos (período de frutificação, associação com outras espécies e uso pela fauna local). As fichas abordaram as espécies mais importantes sob o ponto de vista sócio-econômico e foram planejadas para se constituir em instrumentos didáticos motivadores do ensino focado na valorização e conservação da biodiversidade local. A validação e o aperfeiçoamento final das informações contidas nas fichas envolveram uma segunda coleta de dados em conjunto com quatro comunitários. As coletas das amostras botânicas foram realizadas na Fazenda Experimental Catuaba da UFAC com auxilio de um identificador botânico (mateiro) profissional. A identificação das espécies foi feita no herbário do Parque Zoobotânico da UFAC. As fotografias digitais usadas na elaboração das fichas foram extraídas do banco de fotografias elaborado durante a realização do mapeamento e inventário.

RESULTADOS:

Foram confeccionadas 19 fichas de aprendizagem abordando as seguintes espécies: jatobá, castanheira, marupá, jarina, itanguido, biorana, jaracatiá, seringueira, estralador, amarelão, cabelo-de-cutia, guariúba, açaí, breu, caripé, cumaru-cetim, farinha-seca, toari e mumuru. As fichas possuem a seguinte configuração: na parte frontal consta o nome popular da espécie conforme conhecida nas comunidades rurais, nome científico e a família botânica a qual a mesma pertence, além de uma seqüência de fotografias mostrando o caule, folhas, flores, frutos e sementes. No verso são apresentadas as informações sobre as espécies, obtidas dos comunitários nas oito localidades pesquisadas. A primeira versão das fichas já foi apresentada aos comunitários para ajustes de informações antes da fase de teste prático nas escolas e nas comunidades, que irão validar as mesmas como material didático contextualizado com a realidade das áreas onde ficam localizadas as escolas rurais.

CONCLUSÕES:

As fichas, concluídas no final do ano letivo de 2008, foram apresentadas para os alunos e professores de duas escolas da Resex Chico Mendes, ocasião em que se discutiram maneiras de usá-las como ferramentas didáticas. Apesar de terem sido elaboradas com rigor acadêmico, as fichas de aprendizagem são baseadas em informações derivadas dos conhecimentos populares dos comunitários envolvidos no projeto. Por isso, elas reúnem informações contextualizadas com a realidade dos comunitários e estudantes e contribuirão, quando adotadas em sua plenitude, para a melhoria da qualidade do ensino pautado em valores ambientais locais. Os resultados no longo prazo poderão se refletir na mudança de atitude e das práticas ambientais das comunidades, especialmente no manejo e conservação dos recursos naturais.

Instituição de fomento: Instituto de Educação do Brasil-IEB, Cooperazione Italiana-CESVI e Universidade Federal do Acre-UFAC

Palavras-chave: Materiais didáticos; Aprendizagem; Conhecimentos populares.
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TRABALHOS DA UFAC/INPA-ACRE NA SBPC

C. Ciências Biológicas - 4. Botânica - 2. Botânica Aplicada

MAPEAMENTO, DENSIDADE DE PLANTAS E CÁLCULO PRELIMINAR DO POTENCIAL DE PRODUÇÃO DE FRUTOS DE BURITI (Mauritia flexuosa) NA REGIÃO DE RIO BRANCO E ADJACÊNCIAS, ACRE, BRASIL

Evandro José Linhares Ferreira (1), (2) (evandro@inpa.gov.br); José de Ribamar Bandeira (1), (2); José Evandro Santos Lima (2)

1. Núcleo de Pesquisas no Acre do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA
2. Herbário do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre-UFAC

INTRODUÇÃO:

O buriti (Mauritia flexuosa) é uma palmeira dióica de grande porte capaz de formar extensas populações oligárquicas, os “buritizais”, que podem ocupar áreas contínuas de até 1 milhão de hectares, como ocorre nas cercanias de Iquitos, Peru. É amplamente distribuída no Brasil, desde a Amazônia até as regiões sudeste e nordeste, em áreas inundáveis ou com drenagem deficiente. No Acre é muito comum, sendo mais abundante no vale do rio Juruá, no oeste do Estado. Tradicionalmente é explorada por suas folhas, usadas em artesanatos e móveis, e a polpa dos frutos maduros que, além produzir óleo, é usada na alimentação humana. A popularização do biodiesel, um biocombustível derivado de óleos vegetais substituto do óleo diesel mineral, transformou o buriti em uma das oleaginosas nativas mais promissoras em razão do alto potencial oleífero das populações oligárquicas. Sua exploração extrativista sustentável é desejável porque se contraporá à agricultura itinerante de queima e derruba e a exploração madeireira predatória, responsáveis por grande parte da degradação ambiental da Amazônia. O objetivo deste trabalho foi mapear as populações naturais de buriti na região de Rio Branco, Acre, determinar a densidade natural das plantas e estimar o potencial de produção de frutos na região estudada.

METODOLOGIA:

O mapeamento incluiu o município de Rio Branco (9°58’29’’S; 67°48’36’’W) e regiões adjacentes de fácil acesso para evitar futuros problemas de escoamento da produção, haja vista o curto período de conservação dos frutos maduros e o fato da usina produtora de biodiesel se localizar em Rio Branco. O estudo foi realizado entre os meses de maio e julho, durante a safra. A localização dos buritizais foi feita com auxílio de informantes e observações visuais. Outras observações foram feitas em escritório, em imagens disponíveis no programa Google Earth. As populações encontradas foram mapeadas e tiveram a área estimada com auxílio de GPS, usando-se o programa GPS TrackMaker 13.1. Para o cálculo da densidade de plantas e da proporção de indivíduos masculinos e femininos, em cada população mapeada foi demarcada uma parcela com 2.400 m² (60 m de comprimento x 40 m de largura), onde todos os indivíduos em estágio produtivo foram contabilizados e observados quanto ao sexo. O cálculo preliminar do potencial de produção de frutos consistiu na estimativa de produção anual de frutos, usando dados obtida durante a realização de um experimento de amadurecimento artificial realizado anteriormente, multiplicada pelo número estimado de indivíduos femininos encontrados nas áreas mapeadas.

RESULTADOS:

Foram mapeados 16 buritizais considerados significativos tanto sob o ponto de vista de tamanho quanto pela facilidade de acesso a partir de Rio Branco. A área estimada dos buritizais levantados é de 102,5 hectares, sendo a maioria deles do tipo oligárquico. Alguns buritizais, especialmente os de menor área, se constituem em populações mistas, onde não se verifica a predominância do buriti de modo similar ao verificado nas áreas oligárquicas. A densidade geral para todas as áreas levantadas variou entre 245 e 448 plantas/ha e a relação entre plantas masculinas e femininas variou de 1:2,4 a 1:4. Estes números sugerem que a quantidade de plantas femininas, produtoras de frutos, varia entre 102, na menor densidade encontrada, a 112 indivíduos/ha, nas áreas mais densas. O cálculo da estimativa de produção de frutos/ha resultou em valores que variaram entre 800 e 1.200 kg, considerando a expectativa de se encontrar 102-112 plantas femininas/ha. O maior buritizal encontrado durante a realização deste estudo é uma população oligárquica com área contínua superior a 60 ha, localizado em uma área de preservação permanente de uma propriedade particular. Apesar de estar localizado a cerca de 12 km em linha reta da cidade de Rio Branco, o acesso ao mesmo ainda é muito precário.

CONCLUSÕES:

O potencial de exploração dos buritizais mapeados durante o presente estudo é promissor tendo em vista a facilidade de acesso e a distância dos mesmos à unidade produtora de biodiesel. Apesar disso, a exploração em bases comerciais para a produção de óleo depende do estabelecimento de uma cadeia comercial ainda inexistente. Por outro lado, a existência da maioria dos buritizais mapeados no entorno de Rio Branco está ameaçada pela especulação imobiliária. Em uma das regiões levantada, buritizais foram e continuam a ser destruídos para dar lugar a chácaras de recreio. Em outra, o avanço desordenado da urbanização por parte de famílias de baixa renda tem resultado no assoreamento e destruição de dezenas de hectares de buritizais produtivos. Estes fatos são preocupantes porque na situação atual os buritizais não são valorizados economicamente. Portanto, a aceleração do processo de aproveitamento do óleo de buriti para a produção de biodiesel no Acre é uma necessidade que representa não apenas o estabelecimento de um sistema sustentável de exploração extrativistas dos frutos da espécie, mas também a valoração econômica da espécie como forma de garantir a sua sobrevivência diante da destruição causada pelos habitantes da região.

Instituição de fomento: ELETRONORTE e Fundação de Tecnologia do Acre-FUNTAC

Palavras-chave: Acre; buriti; potencial.
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TRABALHOS DA UFAC/INPA-ACRE NA SBPC

C. Ciências Biológicas - 5. Ecologia - 2. Ecologia Aquática

AÇÕES ANTRÓPICAS E A QUALIDADE DAS ÁGUAS DO IGARAPÉ DIAS MARTINS EM RIO BRANCO, ACRE, BRASIL

Rosângela de Araújo Pereira de Holanda e Souza (1) (rosaholanda@yahoo.com.br)
Cleto Batista Barbosa (2) Evandro José Linhares Ferreira (1), (3)

1. Herbário do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre-UFAC
2. Centro de Ciências Biológicas e da Natureza da UFAC
3. Núcleo de Pesquisas no Acre do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA

INTRODUÇÃO:

O igarapé Dias Martins, afluente do igarapé São Francisco, integra a maior bacia de drenagem da zona urbana de Rio Branco, Acre. Em razão da crescente pressão urbana, a qualidade da água e as condições ambientais da micro bacia hidrográfica do Dias Martins estão sendo ameaçadas por um crescente processo de degradação ambiental que está se acelerando nos últimos anos. Embora exista uma tendência de se creditar grande parte dos problemas ambientais do Dias Martins ao excessivo número de habitantes na sua parte urbana, o seu trecho na zona rural apresenta situação igualmente preocupante, pois a maioria da mata ciliar, incluindo a de proteção das nascentes, já foi destruída, resultando em um gradual assoreamento do mesmo. Esta situação ambiental crítica remonta aos anos 70, quando o Governo Federal fomentou uma política desenvolvimentista no Estado que resultou na implantação de numerosos empreendimentos agropecuários que causaram desmatamento, degradação ambiental e um processo de migração rural intensa que resultou na expansão urbana desordenada de Rio Branco e adjacências. O objetivo do presente trabalho foi analisar parâmetros físicos, químicos e biológicos do igarapé Dias Martins para diagnosticar a qualidade de sua água e contribuir para o correto manejo de sua bacia.

METODOLOGIA:

A bacia do igarapé Dias Martins ocupa uma área de 47,3 km² e abriga uma população estimada em 16 mil habitantes e um rebanho bovino estimado em 20 mil animais. Suas nascentes, estão a cerca de 18 km a NE de Rio Branco (09º56’S; 67º52’W) e no trecho inicial se constitui na principal fonte de abastecimento de água, onde de numerosas propriedades rurais. No seu curto trecho urbano, com menos de 3 km de extensão, ele corta zonas residenciais e industriais, recebendo um volume indeterminado de lixo domiciliar e industrial, e esgoto não tratado. Para a realização das análises foram utilizados os dados contidos no diagnóstico sócio-ambiental do igarapé Dias Martins. Para a determinação do grau de poluição da água, foram selecionados 4 pontos pré-estabelecidos ao longo do canal principal do igarapé, desde a nascente até a foz. As coletas foram realizadas durante a estiagem (seca), em setembro de 2007, e durante o período da cheia (chuvas), em janeiro de 2008. Em cada ponto foram feitas 5 coletas sub superficiais, a 30 cm de profundidade e 1,5 m da margem, totalizando quarenta amostras. As análises foram realizadas no laboratório da Unidade de Tecnologia de Alimentos (UTAL) e no Laboratório de Limnologia e Ficologia da UFAC. Os dados foram analisados com o programa Bioestat 5.0.

RESULTADOS:

Foram avaliads as variáveis: pH, Alcalinidade, Sólidos Totais, Óleos Graxas (OG), Oxigênio Dissolvido (OD), Demanda Bioquímica Química de Oxigênio (DBO e DQO), Coliformes Fecais, Nitrogênio Total e Fósforo Total. Dessas, OG e OD foram as principais indicadoras de poluição no igarapé. Para OG os valores oscilaram entre 0,07 mg/l e 0,27mg/l no período de seca, e entre 0,27mg/l e 1,41 mg/l na cheia. Este aumento pode ser atribuído ao arraste de substâncias lixiviadas pela chuva pois sua presença em mananciais geralmente decorre de lançamento de despejos e resíduos domésticos e industriais. Isso foi comprovado pelo menor Coeficiente de Variação (CV=44,48) na seca, frente ao CV de 64,42 na cheia. A variável OD apresentou-se com valores inferiores a 6 mg/l em quase todo o periodo avaliado, abaixo do recomendado pela resolução Conama 357/05. A maior alteração negativa ocorreu na época seca, com valores entre 0,08 mg/l e 5,00 mg/l. O CV para o período seco foi de 91,02. Nas chuvas ela oscilou entre 4,60 mg/l e 6,40 mg/l, com um CV=40,72. Isto pode ser atribuído à elevação do nível das águas do igarapé e da diluição da matéria orgânica, uma vez que na seca, com o nível das águas mais baixo, há uma maior concentração da matéria orgânica e a consequente redução de oxigênio dissolvido.

CONCLUSÕES:

Apesar do uso intensivo da bacia, a qualidade da água do igarapé Dias Martins tem sido pouco afetada no período da cheia. Alterações preocupantes são observadas apenas no período mais seco. Os resíduos da atividade agropecuária e esgoto da zona urbana são os principais influenciadores da qualidade da água. A sazonalidade hidrológica é importante fator de controle da alteração da qualidade do manancial e a variabilidade espacial e sazonal do pH, óleos e graxas observada indica que o manancial consegue manter uma uniformidade na qualidade de suas águas. As concentrações de nitrogênio total (NT) e fósforo total (PT) são proporcionais à vazão e são influenciadas pela cheia. As outras variáveis limnológicas, que se mantiveram dentro dos padrões no período chuvoso, parecem ser controladas pelo aumento do volume da água, que amplia a diluição da matéria orgânica e intensifica os processos físicos e químicos, contribuindo para a restauração da qualidade da água. No período seco essa tendência se inverte e os padrões se distanciam daqueles constantes da Resolução CONAMA n.º 357/05, principalmente pelo aumento da concentração pontual dos efluentes. Recomenda-se o monitoramento das águas da bacia do Igarapé Dias Martins bem como a imediata recuperação e a conservação de suas matas ciliares.

Instituição de fomento: Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre

Palavras-chave: recursos hídricos; degradação ambiental; Acre.
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REUNIÃO ANUAL DA SBPC EM MANAUS

Marco Antonio Raupp, presidente da entidade, diz na abertura do encontro que, com esforço coletivo, o conhecimento científico produzido na Amazônia poderá fazer do Brasil a primeira potência ambiental do planeta

Por Fábio de Castro e Thiago Romero, de Manaus

Agência FAPESP – Em cerimônia realizada em praça pública, ao lado do Teatro Amazonas, em Manaus, na noite de domingo (12/7), pesquisadores, autoridades e o público ouviram o apelo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), durante a abertura da 61ª edição da reunião anual da entidade, por uma união em prol do desenvolvimento científico da Amazônia.

Em seu pronunciamento o matemático Marco Antonio Raupp, presidente da SBPC, afirmou que a realização do evento – cujo tema este ano é "Amazônia: Ciência e Cultura" – pela primeira vez em Manaus é o marco de um momento especial vivido pela ciência brasileira, que poderá beneficiar os povos da Amazônia com desenvolvimento cultural e econômico e a construção de cidadania.

"Há esforços coletivos sendo feitos para a criação de um modelo de desenvolvimento da Amazônia que traga à sociedade independência econômica sem prejuízo ao meio ambiente. Com a contribuição do conhecimento científico – em especial aquele que é produzido na região –, esse modelo poderá levar o Brasil a uma situação inédita: tornar-se a primeira potência ambiental do planeta", disse.

Segundo Raupp, será preciso conhecer mais profundamente a Amazônia - em áreas que vão da biodiversidade à ciência climática - para que seja possível estabelecer um novo modelo de desenvolvimento.

"A região é fundamental para a manutenção da vida no planeta. E, por isso, será preciso um esforço de todos para criar um novo modelo. O modelo de construção de riqueza de São Paulo, ou do Sul, não serve para a Amazônia. Não apenas por causa das diferenças geográficas, mas também porque o novo modelo deve ser criado em uma fase da sociedade na qual é impossível pensar em desenvolvimento sem sustentabilidade social e ambiental", afirmou.

Para o presidente da SBPC, a contribuição da ciência não ocorre apenas por meio dos trabalhos em laboratórios. "Os cientistas darão uma contribuição cada vez maior às políticas públicas de saúde, educação e meio ambiente. Por outro lado, em colaboração com o setor privado, seguirá produzindo conhecimento para gerar produtos e processos, tornando as empresas mais competitivas na região", disse.

Raupp destacou também o papel da ciência na anulação nos conflitos entre desenvolvimentismo e ambientalismo. "Com frequência cada vez maior assuntos relacionados à região tomam dimensões de debate nacional e geram radicalismos, que podem levar à criação de um antagonismo: uns querem transformar a Amazônia em cemitério, outros, em santuário intocado. A SBPC rejeita os dois radicalismos e propõe a conservação, possibilitando a interação dinâmica e sustentável entre os diversos biomas contidos na região", disse.

Homenagem a Warwick Kerr

Estiveram presentes na abertura da reunião Sergio Rezende, ministro da Ciência e Tecnologia, Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências, Eduardo Braga, governador do Amazonas, Marcia Peralis, reitora da Universidade Federal do Amazonas, Jorge Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e representantes de secretarias estaduais de ciência e tecnologia.

Durante o evento, a SBPC realizou uma homenagem especial ao geneticista Warwick Kerr, por serviços relevantes prestados à entidade, à Amazônia e ao país. Kerr, que foi o primeiro diretor científico da FAPESP, entre 1962 e 1965, foi presidente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em duas gestões, entre 1975 e 1979 e entre 1999 e 2000.

Problemas de saúde impediram que Kerr se deslocasse para Manaus, mas ele enviou de Uberlândia (MG), onde reside, um depoimento em vídeo para os presentes à abertura da reunião. "Vivi por oito anos na região, que ficou impregnada em mim para sempre. Foi o período no qual mais aprendi sobre a natureza e suas interações. A SBPC lembra essa diversidade da Amazônia, tamanha a variedade de conhecimentos que representa", disse.

Rezende destacou a singularidade da reunião promovida ao ar livre. "Não vai dar para esquecer essa cena. Participei de muitas aberturas de reuniões da SBPC, mas essa é magnífica, em praça pública com milhares de pessoas assistindo, ao lado de um teatro centenário", disse referindo-se ao Teatro Amazonas.

Segundo Marcia Peralis, a primeira reunião recebida por Manaus, sediada na Ufam, ocorre em um ano especial para a universidade: seu aniversário de 100 anos. "O tema 'Amazônia: Ciência e Cultura' não surgiu por acaso. Estamos em um momento de fortalecimento de parcerias institucionais, congregando esforços de entidades que têm objetivos comuns. Os desafios que se colocam à região amazônica são proporcionais às suas complexidades e riquezas", afirmou.

Para o governador do Amazonas, a contribuição do evento será a de convencer a sociedade a realizar um grande mutirão pela ciência na região. "Se formos capazes de ampliar os institutos de ensino e pesquisa aqui localizados, ampliando o papel da ciência, da tecnologia e da inovação, faremos da Amazônia uma terra de esperança para o Brasil", disse Braga.

A cerimônia incluiu também a indicação dos classificados para o Concurso Cientistas do Amanhã, o anúncio de um protocolo para o financiamento das pesquisas do Museu da Amazônia, em Manaus, e a entrega do Prêmio José Reis de Divulgação Científica.

FOto: T. Romero
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Quarta-feira, Julho 08, 2009

ALZHEIMER

Estudos em camundongos indicam que ingestão de cafeína reduz níveis anormais de placas amilóides no cérebro, características da doença

Café contra Alzheimer

Agência FAPESP – Café para o tratamento de Alzheimer? É o que descrevem dois artigos publicados neste domingo no Journal of Alzheimer's Disease. Os trabalhos por enquanto foram feitos apenas em camundongos, mas os resultados deixaram os autores otimistas.

Segundo o grupo internacional de pesquisadores responsável pelos dois estudos complementares, a ingestão de cafeína levou à redução de níveis anormais de placas amiloides – depósitos de proteínas que danificam nervos no cérebro e são características da doença – tanto no sangue como no cérebro de camundongos.

Os estudos foram baseados em trabalhos anteriores feitos no Centro de Pesquisa sobre a Doença de Alzheimer da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, os quais mostraram que a administração de cafeína no início da vida adulta preveniu a manifestação de problemas de memória em camundongos modificados geneticamente para desenvolver sintomas de Alzheimer quando idosos.

“Os novos resultados fornecem evidência de que a cafeína pode ser uma alternativa viável para o tratamento da doença já estabelecida, e não apenas como uma estratégia preventiva. Isso é muito importante, pois o consumo de cafeína é seguro para a maioria das pessoas, ela entra facilmente no cérebro e aparentemente afeta diretamente o processo da doença”, disse Gary Arendash, da Universidade do Sul da Flórida, um dos coordenadores das pesquisas.

Com base nos resultados animadores, os cientistas esperam começar em breve testes em humanos para avaliar se a cafeína pode beneficiar pacientes com prejuízo cognitivo suave ou Alzheimer em estágio inicial.

Os pesquisadores haviam determinado em trabalho anterior que a administração de cafeína em idosos sem sinais de demência altera rapidamente os níveis de beta-amiloide (proteína responsável pela formação da placa) no sangue, da mesma forma como foi verificada em testes com animais.

O grupo se interessou em investigar o potencial da cafeína há alguns anos, após a publicação de um estudo feito em Portugal que apontou que pessoas com Alzheimer haviam consumido menos café nos 20 anos anteriores do que outros sem a doença.

Desde então, diversos estudos clínicos não controlados apontaram que o consumo moderado de café poderia proteger contra o declínio da memória que ocorre normalmente durante o envelhecimento. Os novos estudos, controlados, permitiram isolar efeitos da cafeína de outros fatores, como dieta ou exercício, segundo os autores.

Os trabalhos foram feitos em 55 camundongos geneticamente alterados para desenvolver problemas de memória, simulando Alzheimer, à medida que envelheciam.

Depois que testes comportamentais confirmaram que os animais apresentavam sinais de déficits de memória por volta dos 18 meses – que correspondem aos 70 anos em humanos –, os pesquisadores dividiram os camundongos em dois grupos, um dos quais passou a receber café junto com a água que bebiam.

Os roedores ingeriram cerca de 500 miligramas de café por dia, o equivalente a um pouco mais de dois expressos. Após os dois meses da pesquisa, o grupo que ingeriu café se saiu bem melhor do que o outro em testes para avaliar a memória.

De acordo com os pesquisadores, a análise dos cérebros dos camundongos que consumiu café mostrou uma redução de quase 50% nos níveis de beta-amiloide.

Outro experimento do mesmo grupo indicou que a cafeína aparentemente restaura a memória ao reduzir as quantidades de enzimas necessárias para a produção da beta-amiloide. Os autores estimam que a cafeína deve suprimir as alterações inflamatórias no cérebro que levam à abundância de beta-amiloide.

Se a cafeína teve importante ação nos animais doentes, o mesmo não ocorreu em outro experimento feito com exemplares saudáveis. Nesses, a administração da substância não levou a uma melhoria da memória.

Os artigos Caffeine reverses cognitive impairment and decreases brain amyloid-β levels in aged Alzheimer's disease mice e Caffeine suppresses amyloid-β levels in plasma and brain of Alzheimer's disease transgenic mice podem ser lidos por assinantes do Journal of Alzheimer's Disease em www.j-alz.com.
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Segunda-feira, Julho 06, 2009

AMAZÔNIA: AMBIENTALISTA X CRIADORES DE GADO

Crise da carne do Pará esquenta a briga entre representantes dos criadores, organizações ambientais e o governo.

Após audiência pública no Pará, o clima esquenta entre representantes dos criadores, organizações ambientais e o governo e há quem diga que as repercussões podem levar ao “colapso” do setor de carnes no estado

Matéria de Sebastião Nascimento, na Revista Globo Rural

Pecuaristas e ambientalistas: guerra? – O clima entre pecuaristas e seus representantes e ambientalistas está ficando quente demais, perigoso. A palavra explosivo não pode ser descartada. “Ou é jogo de cena?”. Ontem, em audiência pública no Pará, representantes dos frigoríficos afirmaram que o Ministério Público Federal foi “irresponsável”, agindo de maneira açodada ao mover ações contra fazendeiros e frigoríficos que comercializaram gado criado em áreas desmatadas.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Pará alegou que as repercussões podem levar até ao “colapso” o setor de carnes no estado. Havia faixas de protesto nas quais estava escrito que Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, não produz, estimula a fome. O deputado Wandenkolk Gonçalves (PSDB-PA) chegou a chamar de “covardes e frouxos” os ambientalistas do Greenpeace, que não compareceram ao debate sob a argumentação de que não havia garantias de segurança. Há relato da presença de um solitário ambientalista, mas ele não conseguiu colocar suas opiniões, devido aos apupos do público.

O deputado Wandenkolk partiu até para as ofensas pessoais, elevando a temperatura do debate. “Temos um ministro “minctiroso”, tresloucado, que bebe, fuma e cheira”, disparou.

O diretor da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Otávio Cançado, não deixou por menos e disse que os procuradores da República ameaçaram a credibilidade “do Pará e de todo o Brasil no mercado internacional”. Havia mais de 200 empresários do setor no auditório da Assembleia Legislativa do Pará. O procurador-chefe da República no Pará, José Augusto Potiguar, enfatizou que as ações iniciadas naquele estado serão reproduzidas em outros, e negou qualquer tipo de perseguição aos pecuaristas. “Se houvesse perseguição, não faria proposta de ajuste de conduta. Também não fizemos embargo, apenas propusemos ações de indenização e recomendamos aos adquirentes de carne bovina e outros produtos algo que a lei nos impõe”. Já outro procurador, Daniel César Avelino, disse “que tudo é um jogo de cena”, informando que as negociações de acordo com várias empresas estão avançadas. Se as indústrias aceitarem o TAC – Termo de Ajuste de Conduta apresentado pelo Ministério Público, elas se eximem de ser réus.

E mais: Avelino afirmou que Cançado havia elogiado para ele a legalidade das provas apresentadas nas ações.

E de Porto Alegre veio mais chumbo. A senadora e presidente da Confederação Nacional de Agricultura, Kátia Abreu, reclamou que a exigência de rastreablidade do gado adquirido por frigoríficos só vai ser possível se os pecuaristas forem remunerados pelos custos que terão. Segundo ela, o produtor não vai se sentir estimulado a investir. Pegando carona no clima exacerbado, a dirigente avisou que o Brasil correria o risco até de desabastecimento, já que o rastreamento não teve a adesão da maioria dos produtores.

A rastreabilidade é uma exigência da União Europeia. Se não for feita, os europeus não voltarão a comprar carne do Brasil. Além disso, o mercado interno tem se tornado cada vez mais exigente e conhecer a origem da carne que come começa a fazer parte da cartilha do consumidor interno.

[EcoDebate, 06/07/2009]
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AMAZÔNIA: PECUARISTAS 'ESQUENTAM' GADO PARA DRIBLAR A LEI

Pecuaristas transferem gado para driblar Ministério Público – Pecuaristas de fazendas embargadas no sul do Pará, por causa do desmatamento irregular da Floresta Amazônica, decidiram negociar bois por meio de outras fazendas, não embargadas, para driblar o bloqueio. A operação para “esquentar” o gado para venda já é utilizada com transferência de bezerros – não considerados gado de corte, mas matrizes -, e agora será estendida para os bois.

Matéria de Alberto Komatsu, no O Estado de S.Paulo.

Vinte e uma fazendas da região foram proibidas pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF) de vender boi gordo para abate por terem área desmatada superior ao limite de 20% do total de sua propriedade. Elas foram multadas em R$ 2,1 bilhões e têm prazo de 120 dias para retirar o gado de seu território a partir da notificação. Nove delas pertencem ao Grupo Santa Bárbara, que tem o banqueiro Daniel Dantas como acionista. O Estado do Pará tem 109 mil fazendas de gado de corte.

O presidente do Grupo Santa Bárbara, Carlos Rodenburgo (que também foi sócio de Dantas no grupo Opportunity), afirma que vai usar a transferência de gado como expediente para fornecer tanto bois gordos para os frigoríficos quanto bezerros para fazendas de engorda. O MPF informou que vai investigar qualquer irregularidade. Ao todo, o grupo tem 15 fazendas, com rebanho de 500 mil cabeças de gado.

Assim que o embargo se tornou público, no início de junho, as três maiores redes de supermercado do País – Carrefour, Pão de Açúcar e Wal-Mart – anunciaram a suspensão da compra de carne das 21 fazendas embargadas. Elas fornecem, por ano, 200 mil cabeças de gado, ou 1% do rebanho paraense, de 20 milhões de cabeças. Isso representa um faturamento de cerca de R$ 240 milhões. Juntas, essas fazendas têm uma área de 157,1 mil hectares, o equivalente à área do município de São Paulo.

Na opinião do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará, Carlos Xavier, as 21 fazendas embargadas não cometeram irregularidade, pois o antigo código florestal, que vigorou de 1965 a 1996, permitia o desmatamento de até 50% da área de suas fazendas, com incentivo e financiamento governamental.

A estratégia de uma das fazendas do Grupo Santa Bárbara, a Espírito Santo, por exemplo, foi mudar seu perfil de atividade. Antes especializada em venda de boi para abate, agora negocia bezerros. Só ela vai vender 9 mil bezerros até o fim deste ano, o equivalente a uma receita de R$ 5,4 milhões. Seu rebanho total é de 73 mil cabeças de gado. A Espírito Santo está na lista porque, segundo levantamento do Greenpeace, desmatou 75% de sua área total.

Esse trabalho, intitulado “A farra do boi na Amazônia” serviu de base para o embargo do MPF.

“A Fazenda Espírito Santo engloba no CNPJ dela outras tantas fazendas que não foram objeto de embargo, como a Ceita Core. Aí você consegue movimentar o gado da Ceita Core, porque ela não está embargada. Na Cedro (outra fazenda do grupo) é a mesma coisa. Isso não é um recurso, é um direito. Não estou utilizando uma brecha para isso”, afirma Rodenburgo.

O novo perfil de atividade da Espírito Santo terá início este mês, com a negociação de 1,5 mil cabeças. Essa será a média mensal até o fim de 2009, afirma o gerente da fazenda, Oscar Beller. Há cerca de cinco meses, a entrada da fazenda foi ocupada por integrantes do Movimento dos Sem-Terra. Outras três fazendas do Grupo Santa Bárbara foram ocupadas.

Xavier, da Faepa, diz que não tem informações se outras fazendas embargadas estariam usando a mesma alternativa encontrada pelo Grupo Santa Bárbara. “Acho que esse não é um bom caminho. O melhor é mostrar na Justiça que não houve desmatamento ilegal”, afirma ele. O diretor de outra fazenda da lista do MPF, a Santa Fé, Marcos Mariane, afirma que não está vendendo bois após o embargo. A fazenda, segundo o levantamento, desmatou 49,9% de sua área.

O embargo do MPF também preocupa os frigoríficos instalados no Pará, como o Bertin, que tem quatro unidades no Estado. De acordo com o diretor executivo de carnes da empresa, Evandro Miessi, o volume de abate das filiais paraenses era de 3,5 mil cabeças por dia antes do embargo, ou cerca de 20% da capacidade de toda a companhia. Agora, o abate recuou para 2,5 mil cabeças por dia. Com isso, a empresa demitiu na semana passada 211 empregados do seu principal frigorífico paraense, cujo abate recuou de 1,2 mil cabeças, antes do embargo, para 800 unidades.

“Nós suspendemos preventivamente as compras de produtores do Pará, dentro de uma política de bom relacionamento com o Ministério Público”, afirma Miessi. Segundo ele, a empresa não foi informada do embargo. Tomou conhecimento por meio de seus clientes, que foram avisados primeiro. O Bertin tem, no Pará, 2,5 mil fornecedores. Da lista de 21 fazendas embargadas, a empresa trabalhava com 14.

[EcoDebate, 06/07/2009]

Crédito da imagem: Valter Campanato/ABr

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Domingo, Julho 05, 2009

ENTREVISTA DE TIÃO VIANA NA REVISTA VEJA

Senador Tião Viana: "Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda moral do Congresso"

Revista Veja

Nesta entrevista à repórter Sandra Brasil, o senador petista Tião Viana (AC) diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem responsabilidade pela crise moral que assola o Senado e que seu governo controla a Câmara dos Deputados na base do fisiologismo. Aos 48 anos, Viana tem autoridade para falar sobre o assunto. Já foi líder do PT e do governo Lula no Senado. Em fevereiro, disputou a presidência da Casa. Perdeu para José Sarney (PMDB-AP), que tomou o apoio que o Palácio do Planalto lhe havia prometido. Agora afirma que não aceitaria mais o cargo.

Como o Senado chegou a um nível tão baixo?
Até 2002, ainda havia no Senado um debate conceitual, ideológico. No início do governo Lula, ainda votamos a Reforma da Previdência. Mas logo o mensalão substituiu esses projetos na agenda da Casa. Daí em diante, nada mais andou, e perdemos a conexão com os interesses do cidadão.

O Senado ainda faz algo relevante?
A Casa está em chamas. Perde 80% do tempo em debates vazios e gasta os 20% restantes numa disputa entre governo e oposição que não leva a lugar nenhum. No Senado, o governo tem uma maioria apertada e vive no fio da navalha. Negocia voto a voto. Na Câmara dos Deputados, é mais fácil porque lá o fisiologismo impera.

Poderia explicar melhor?
É da cultura política brasileira. O governo controla a Câmara atendendo aos pedidos dos deputados com emendas parlamentares e com nomeações para cargos no Executivo.

A forma como o presidente Lula negocia com o Senado é adequada?
Lula é o melhor presidente que o Brasil já elegeu. Os resultados econômicos e sociais do seu governo nos orgulham. No entanto, ele deixa uma grande frustração no que se pensava ser uma de suas maiores habilidades: a política partidária. Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse. E é papel do chefe de estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas.

O que explica a omissão dele?
Dá para entender as razões do presidente Lula. Ele sofreu muito com as ofensas pessoais durante o mensalão. Depois disso, com 82% de aprovação popular, adotou o pragmatismo para manter a maioria no Parlamento e resolveu que não precisava do Congresso. Tanto que José Dirceu foi o último ministro (da Casa Civil até 2005) que dialogou com o Senado.

O presidente Lula defende um tratamento privilegiado ao senador Sarney. E o senhor?
Sarney deve ser tratado como uma pessoa comum. Acontece que o presidente Lula é muito generoso com quem está em dificuldade. Marcou a vida dele o fato de Sarney tê-lo defendido na eleição de 2002, quando enfrentou o (governador paulista) José Serra, e de ter sido solidário no episódio do mensalão. Por isso, Lula foi até onde pôde com a minha candidatura à presidência do Senado. Depois, olhou com pragmatismo para as eleições de 2010, que são fundamentais para o seu projeto de nação.

O presidente Lula o traiu na eleição do Senado?
Ele levou em conta que o PMDB é essencial para 2010. Decidiu respeitar as forças que impuseram a candidatura Sarney, porque privilegiou a candidatura Dilma Rousseff e a necessidade de coalizão. Não guardo mágoas, mas é uma tragédia um partido dirigir as duas casas do Congresso. Ainda mais quando esse partido é o PMDB.

Por quê?
O PMDB é a essência do fisiologismo. Tem bons quadros, mas vive de troca de favores. Ignora concepção programática, visão doutrinária, tudo para acomodar os interesses dos seus parlamentares, que só querem assegurar suas reeleições.

O senhor ainda quer ser presidente do Senado?
Se me oferecessem o cargo hoje, a cadeira ficaria vazia. Eu não romperia com meus ideais por um ato de vaidade. Nós, idealistas, achamos que o Legislativo não sobreviverá se continuar funcionando apenas na base do beija-mão do governo. O Senado deveria cuidar da regulação e da proteção do estado sem ultrapassar o limite de revisor das leis. Não dá para presidir a Casa hoje sem forças para fazer o resgate desse papel. Aliás, Sarney deveria tomar consciência de que, sozinho, ele é insuficiente para mudar o Senado. Por uma razão: foi eleito com o apoio daquela casta de servidores para manter a estrutura atual. Ele deveria radicalizar na transparência e adotar medidas moralizadoras.

O senhor fala em idealismo, mas confundiu o bem público com o privado ao emprestar um celular do Senado para sua filha usar em uma viagem de férias ao México.
Eu errei. Foi um ato irrefletido de um pai superprotetor. A minha filha ia para um lugar estranho e, para encontrá-la a qualquer momento, entreguei o celular. Mas, um mês e meio antes da chegada da conta, que é trimestral, acessaram minha fatura e me denunciaram. Isso me causou uma dor profunda, comprometeu toda uma vida baseada na humildade e na coerência. Paguei a conta antes que o Senado gastasse um centavo.

De onde o senhor tirou dinheiro para pagar a conta de 14 000 reais se recebe um salário líquido de 12 000 reais?
Fiz um empréstimo bancário para pagar em 72 vezes. A minha filha levou o celular só para receber ligações minhas ou da sua mãe. Tomei um susto com a conta, que chegou a essa soma por uma fatalidade. A mãe do namorado dela teve ruptura de um aneurisma cerebral no dia seguinte à viagem e passou dez dias em coma. Ela se descontrolou com as ligações.

O senhor lhe deu uma bronca?
Não, fiquei com pena. Ela sofreu tanto pelo namorado e, depois, por mim. Mas quem não erra na vida na condição de pai? Esse caso me fez refletir sobre o tênue limite entre o público e o privado. Tenho uma cota mensal de 250 reais para telefone fixo em casa, mas não posso proibir que um filho faça um interurbano para o avô no Acre. É difícil separar o público do privado nessas pequenas coisas.

Foto: Cristiano Mariz
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Quinta-feira, Julho 02, 2009

FLORESTA VAZIA OU DESCONHECIDA?

Maior compilação de censos de populações de grandes mamíferos na Mata Atlântica é gerada por estudo do programa Biota-FAPESP. Resultados são publicados em artigo na revista Biological Conservation

Floresta vazia ou desconhecida?

Por Jussara Mangini

Agência FAPESP – Um grupo de biólogos e ecólogos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) realizou, durante quatro anos, censos de mamíferos cinegéticos (que são alvo de caça) em 12 unidades de conservação da Mata Atlântica de São Paulo.

Após o agrupamento de todos os censos, os dados foram comparados com outros levantamentos feitos em toda a extensão do bioma. A metanálise foi publicada em artigo na edição de junho da revista Biological Conservation.

O trabalho consiste na maior amostragem das populações de grandes mamíferos na Mata Atlântica e foi produzido a partir de um projeto ligado ao programa Biota-FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa – Regular, conduzido pelo professor Mauro Galetti, do Laboratório de Biologia da Conservação do Departamento de Ecologia da Unesp, em Rio Claro.

Segundo Galetti, até então, a maioria dos censos na Mata Atlântica enfocava apenas fragmentos pequenos, ignorando áreas contínuas do litoral. “Boa parte dos pesquisadores acredita que as populações de grandes mamíferos estão salvas nas principais áreas protegidas do litoral. Temos em São Paulo a maior floresta contínua de Mata Atlântica, sobre a qual não se sabe quase nada”, ressaltou.

O projeto fez um diagnóstico das populações de grandes mamíferos em áreas de conservação não fragmentadas para estimar as populações de espécies pouco conhecidas como mono-carvoeiro, queixadas, cutias, esquilos e outras que são alvos de caça. “Nossa pesquisa buscou entender o que explica a variação de abundância de grandes mamíferos nesse contínuo florestal e também em toda a Mata Atlântica”, disse Galetti.

Os censos foram realizados em 12 unidades de conservação nas três maiores ilhas de São Paulo: do Cardoso, Ilhabela e Anchieta. Também foram amostradas as populações de mamíferos na Serra de Paranapiacaba – parques do Petar, Carlos Botelho, Intervales, Jacupiranga e Jureia – e Serra do Mar – parques Picinguaba, Caraguatatuba, Cunha e Santa Virgínia –, além do Jurupará, que liga as duas serras, onde há floresta contínua.

A escassez de grandes animais, como anta, queixada e macacos, pode ser explicada pela pressão de caça e tipo de floresta, apontam os pesquisadores. Em contrapartida, a abundância dos pequenos mamíferos, como cutias e saguis, aumenta em áreas com maior pressão de caça, um fenômeno chamado de “compensação de densidade”.

Para quantificar o volume de animais abatidos ilegalmente dentro dos parques, Rodrigo Nobre, aluno de mestrado de Galetti descobriu que, anualmente, cerca de 500 tucanos e de 400 inhambus são mortos na região de Picinguaba. “É um fato alarmante, já que as Unidades de Conservação deveriam ser um lugar em que a fauna se encontra protegida, mas não foi isso que encontramos”, comentou Galetti.

Abundâncias diferenciadas

“Cada região da Mata Atlântica tem uma abundância diferenciada de grandes mamíferos. Essa enorme variação reflete, em parte, a pressão de caça em cada área e a abundância de recursos-chave como o palmito juçara”, disse Galetti.

Os parques localizados na Serra de Paranapiacaba têm uma grande abundância de primatas, mas são pobres em ungulados, como queixadas e veados. Por outro lado, na Serra do Mar, próximo a Ubatuba e Caraguatatuba, várias espécies, como onça pintada e mono-carvoeiro, são muito raras ou foram extintas localmente. Porém, o queixada (porco-do-mato), que é um animal ameaçado de extinção, é muito comum no Parque Estadual de Santa Virgínia e na Ilha do Cardoso.

Em Ilhabela, que tem mais de 30 mil hectares e é toda florestada, as populações de grandes mamíferos são muito baixas. “Ilhabela possui a mastofauna mais empobrecida de São Paulo, mas tem a maior abundância de espécies de aves de grande porte, como jacutingas e macucos”, disse Galetti.

“Não sabemos a causa dessa alta abundância, isso ainda é um mistério, já que existe muita caça na ilha. Uma hipótese é a existência de áreas de acesso muito difícil para caçadores na ilha, e essas populações se concentrariam ali.”

Defaunação na diversidade de plantas

Um Projeto Temático aprovado recentemente no âmbito do Biota-FAPESP pretende avaliar qual o efeito da variação em abundâncias de grandes mamíferos na diversidade vegetal das plantas.

“Todos esses grandes mamíferos são importantes dispersores e predadores de sementes e também herbívoros, e são eles que controlam ou favorecem as populações de diversas espécies de plantas”, apontou Galetti.

Além disso, o projeto pretende estimar a abundância de algumas espécies, usando técnicas de extração de DNA fecal e de pelos. Antas, felinos e queixadas são raramente avistados pelos pesquisadores na floresta, mas deixam seus vestígios por onde andam.

“Nosso laboratório na Unesp, junto com pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos, está trabalhando intensamente na elaboração de marcadores moleculares dessas espécies. Com isso, teremos em mãos uma ferramenta importante para determinar não apenas o tamanho populacional dessas espécies, mas também sua variabilidade genética”, disse Galetti.

Mais informações sobre o Biota–FAPESP: www.biota.org.br

O artigo Priority areas for the conservation of Atlantic forest large mammals, de Mauro Galetti e outros, pode ser lido por assinantes da Biological Conservation em http://www.sciencedirect.com/science/journal/00063207.

(Foto: Rafael Bueno)
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Quarta-feira, Julho 01, 2009

ARHTUR VIRGÍLIO DESISTE DO FUSO HORÁRIO ÚNICO

Arthur Virgílio desiste do projeto de hora única no Brasil pedido pela Globo

Altino Machado
Do Blog Amazônia

Arthur Virg�lio atendia pedido da Globo

Arthur Virgílio atendia pedido da Globo

Pressionado pela opinião pública, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) decidiu que vai retirar o projeto que unifica a hora legal em todo o território brasileiro. Caso fosse aprovado, o Brasil deixaria de ter três horários oficiais. O projeto, que já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), foi apresentado com a alegação de que eliminaria diferenças de fuso horário verificadas no Amazonas, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima, cujos relógios marcam uma hora a menos que o horário de Brasília, além de ilhas como Fernando de Noronha, onde marcam uma hora a mais.

Na verdade o movimento político para alterar o fuso horário na região Norte começou após e entrada em vigor dos dispositivos da Portaria 1.220/07, do Ministério da Justiça, que determinam que as emissoras de TV adaptem suas transmissões aos diferentes fusos horários vigentes no país em função da classificação indicativa dos programas.

As emissoras de TV, sobretudo a Rede Globo, radicalizaram a ofensiva contra a medida, prevista no Estatuto da Criança e Adolescente e na Constituição Federal. As emissoras de TV tiveram que alterar a grade da programação nos estados da Região Norte e Centro-Oeste que possuem fuso horário diverso do adotado em Brasília, “atrasando” seus programas em uma hora. Elas alegam que a gravação dos programas tem um custo insuportável.

Leia mais:

Fuso horário único no Brasil pode acabar com o sonho do senador Tião Viana governar o Acre

Tião Viana quer hora legal no Brasil unificada pela hora da Amazônia

Com a mudança, oficialmente o sol passaria a nascer no Acre às 8 horas. No ano passado, entrou em vigor um projeto de autoria do senador Tião Viana (PT-AC), sancionado pelo presidente Lula, que reduziu a diferença do fuso horário do Acre em relação à Brasília de duas para uma hora. A mudança, um pedido da Globo, foi realizada sem consulta à população e tem causado estragos na popularidade do senador no Estado.

Viana chegou a apresentar uma emenda ao projeto de Virgílio para que o país tenha como referência a hora da Amazônia (quatro horas a menos em relação ao meridiano de Greenwich) e não a hora de Brasília (três a menos em relação ao meridiano de Greenwich).

A deputada federal Perpétua Almeida (PC do B-AC) conversou com o senador Arthur Virgílio e ouviu dele a confirmação de que o projeto de unificação da hora legal brasileira foi apresentado a pedido do empresário Phelippe Daou, dono da Rede Amazônica de Televisão, afiliada da Rede Globo.

al�vio para a maioria

Perpétua Almeida: alívio para a maioria

Leia a entrevista:

Blog da Amazônia - Há mais de duas semanas o senador Arthur Virgílio tem evitado ser entrevistado pelo Blog da Amazônia sobre a unificação da hora legal brasileira. Tomei conhecimento hoje no seu Twitter que a senhora conversou com ele a respeito disso na tarde de terça-feira. Como foi a conversa?
Perpétua Almeida -
Eu falei: “Senador, o seu projeto está criando um constrangimentos e problemas enormes no Acre e em outros estados da região Norte. Digo isso porque falei com vários parlamentares de outros estados. Ele disse: “Perpétua, isso tem me dado tanta dor de cabeça. Tenho recebido muitos e-mails do Amazonas, do Acre, de todos os estados do Norte, de pessoas dizendo que o projeto não tem cabimento, que nós [parlamentares] temos que reconhecer as diferenças da região.”

E o que a senhora disse mais?
Falei: “Arthur, não tem cabimento a gente achar que Brasília ou São Paulo tem o mesmo horário do Acre ou do Amazonas”. Ele disse: “Eu já pensei muito e já decidi que vou retirar esse projeto”.

E o que mais ele disse?
Ele disse que já comunicou ao Phelippe Daou, dono da Rede Amazônica de Televisão, afiliada da Rede Globo. Disse que apresentou o projeto a pedido do Phelipp Daou, mas que nem imaginou que iria passar na primeira comissão. “Vou retirar e já avisei isso ao Phelippe Daou porque não tem cabimento”. Eu o aconselhei a fazer isso e ele então anunciou que vai esperar até à próxima reunião. O plano dele é retirar o projeto caso não seja aprovada a emenda do senador Tião Viana, que propõe que a hora legal brasileira seja a hora da Amazônia.

A emenda do senador Tião dificilmente será aprovada.
Sim, sim. Foi o que argumentei ao senador Arthur Virgílio. Sabemos que os outros estados da federação, que são maioria, não vão aceitar uma mudança dessa. Então ele reafirmou que vai esperar a próxima reunião e não sendo mesmo aprovada a emenda do Tião Vina, vai retirar o projeto. Ele finalmente está convencido e vai retirar para alívio da maioria. Ele chegou a dizer que isso tem trazido muita chateação para ele.

Como assim?
Pessoas de todos os estados estão enviando mensagens, protestando, abordando ele nas ruas. Ele disse que tem tantos problemas a resolver que não tem condições de enfrentar mais essa polêmica. E acrescentou: “Eu até já falei isso pro Phelippe Daou, que é meu amigo, que foi quem me pediu o projeto, que vou retirar”. Eu disse: “Arthur, o Phelippe Daou pediu para todo mundo, todos os parlamentares do Norte estão sendo abordados pela Rede Amazônica e pela Rede Globo”. Na verdade, por força da programação indicativa exigida pelo Ministério da Justiça a pedido do Ministério Público Federal, as emissoras de TV continuam tendo que gravar a programação e eles consideram isso um prejuízo, pois são obrigados a contratar pessoal. Para eles, o melhor seria a programação direta.

Fotos: (1) Geraldo Magela/Agência Senado - (2) Perpétua Almeida/Divulgação

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Segunda-feira, Junho 29, 2009

MALÁRIA FORA DE ÉPOCA

Com as mudanças climáticas, as cheias dos rios na Amazônia estão acontecendo quatro meses antes do que costumavam ocorrer, o que têm influenciado o ciclo da malária, já que as larvas do mosquito Anopheles darlingi, vetor da doença, se desenvolvem nessas áreas alagadas

Alterações no ciclo da malária

Na Amazônia, centenas de casos de malária estão sendo registrados fora de época. As larvas do mosquito Anopheles darlingi, vetor da doença, se desenvolvem nas áreas alagadas pelas cheias dos rios. Recentemente, o aquecimento global adiantou em cerca de quatro meses esse processo, além de acelerar a reprodução dos mosquitos devido às altas temperaturas.

Para garantir a eficácia da estratégia de prevenção à malária, o Instituto Nacional de Pesquisas do Amazonas (Inpa) estuda como as mudanças climáticas estão afetando o ciclo da doença na região.

A concentração de chuvas na Amazônia – período popularmente conhecido como ‘inverno’ – acontece entre novembro e junho, quando os rios chegam a subir 15 metros ou mais, e as temperaturas são mais amenas.

Entretanto, as ‘marés amazônicas’ não seguem mais esse padrão: em 2005 a região foi castigada por uma seca acentuada; em 2007 as águas subiram tão rapidamente que atingiram, em dezembro, níveis que só seriam registrados entre abril e maio.

A influência no ciclo do mosquito causada pelas alterações ambientais torna de fundamental importância os pontos sentinelas de vigilância entomológica, que preveem quando haverá maior incidência do Anopheles – dado imprescindível para o combate à malária. “Em fevereiro a densidade de mosquitos costumava ser de no máximo 30 e, nesse mesmo mês no ano passado, foram constatados cerca de 1.600 exemplares”, salienta Wanderli Pedro Tadei, pesquisador do Inpa.

O Inpa prevê uma mudança de estratégia de prevenção à doença, a começar por aumentar o número de pontos sentinelas nas cidades mais afetadas. A malária, em geral, é transmitida por meio da picada do mosquito fêmea do Anopheles darlingi contaminado pelo protozoário do gênero Plasmodium.

Uso de repelentes, mosquiteiros impregnados de inseticida, borrifação dentro das casas e drenagem das áreas alagadas que se transformaram em criadouros de mosquitos da malária são algumas das medidas adotadas para reduzir o contato homem/vetor e, assim, controlar a doença.

Marcella Huche
Ciência Hoje/RJ

(Foto: Silvano da Rocha Coelho).
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Domingo, Junho 28, 2009

LIVRO: "DEUS E O DIABO NA TERRA DE GALVEZ"

A matéria prima de 'O Santo de Deus' é o fanatismo religioso provocado pelo isolamento de uma comunidade perdida no interior da Floresta Amazônica. Seres esquecidos à própria sorte que encontraram nas promessas do "Paraíso" uma saída para o sofrimento cotidiano..."

Nelson Liano Jr.

O escritor Paulo Coelho costuma dizer que para um livro ser bom é preciso que o seu autor viva a história. A premissa do Best Sellers internacional poderia se aplicar bem à obra que Moisés Diniz publicou recentemente, O Santo de Deus. A história do Massacre de Lavras, que aconteceu, em 98, num seringal perdido das matas do rio Tauri, próximo a Tarauacá, quando seis moradores, inclusive duas crianças, foram assassinados, é contado a partir da vivência do autor. As mortes e as torturas ocorreram a mando de um casal de pastores de uma seita evangélica para as vítimas serem "purificadas" dos seus pecados e da influência do Demônio. Eles diziam estar tendo visões de Deus que "ordenava" os sacrifícios. Na época do episódio, Moisés Diniz, vivia naquele município e pode presenciar as reações da população diante de fatos tão trágicos. As especulações e as dúvidas geradas pelos acontecimentos, a revolta e o desejo de vingança que se abateu sobre os moradores de Tarauacá.

Para encontrar explicações ao que parece inexplicável o livro carrega no tom místico e nas interpretações bíblicas do Velho Testamento. Talvez devido ao fato de Moisés Diniz ter sido seminarista no Juruá e quase se tornado Irmão Marista. Nas páginas do livro o autor luta contra as contradições do seu conhecimento para interpretar as motivações de um grupo de crentes transformados em assassinos sanguinários.

A matéria prima de O Santo de Deus é o fanatismo religioso provocado pelo isolamento de uma comunidade perdida no interior da Floresta Amazônica. Seres esquecidos à própria sorte que encontraram nas promessas do "Paraíso" uma saída para o sofrimento cotidiano. Eles acabam trilhando um atalho perigoso a caminho do Céu e, cometendo uma espécie de suicídio coletivo. Mesmo porque aqueles que não morreram das torturas físicas serão eternos torturados nos seus espíritos. Aliás, o assunto deveria servir de alerta para que as pessoas não usem a religião como fuga. Quando tudo vai mal a única solução é Deus. Não é bem assim. O conhecimento espiritual é um caminho de autoconhecimento para a elevação de cada um.

A obra é uma reportagem que vai além dos fatos e tenta perscrutar a alma humana forjada na solidão e no abandono dos seringais acreanos que entraram em decadência depois do esplendor da borracha. Tem alguns momentos da leitura que não sabemos se o autor fala de gente ou de bestas irracionais. Mas é aí que aparece um elemento instigante. Como ribeirinhos analfabetos chegaram ao ponto de dominar as palavras da Bíblia? Essa é a questão que o escritor trabalha com uma sagacidade única de quem teve intimidade com as Escrituras Sagradas, na juventude e, deve ter gestado muitas dúvidas interpretativas dentro de si.

De repente, Moisés Diniz, se vê diante de fatos macabros gerados pela exacerbação mística na sua própria terra. Como garimpeiro da alma dedica-se dez anos para encontrar explicações e vencer a jornada literária em direção de uma das possíveis verdades. O escritor entrevistou durante esse tempo os atores do macabro espetáculo de Lavras em busca de soluções satisfatórias. O resultado é uma obra bem escrita com uma linguagem mística, reflexiva e misericordiosa. O Santo de Deus não condena ninguém ao inferno, mas fala de pessoas que já nasceram condenadas pelo isolamento e o abandono social. Como dizia o escritor francês Jean Paul Sartre, "o inferno são os outros".

O Santo de Deus é um registro definitivo de uma história que muitos queriam que fosse esquecida. Um alerta dos estragos que o fanatismo religioso pode causar às comunidades nativas. Infelizmente a história contada pelo escritor continua a acontecer a cada vez que um missionário cristão prega a culpa numa aldeia indígena. Quando um pseudo-pastor, no Juruá, vai à casa dos católicos xingá-los e ofendê-los como adoradores de imagem, ou no momento em que um político pretensioso se diz guiado diretamente por Deus nas suas decisões. Um atentado moralista ao livre-arbítrio, como o descrito no livro, pode estar prestes a acontecer na periferia de Rio Branco ou de qualquer outra cidade do Acre. Basta, algum pseudo-guia espiritual mal intencionado, de qualquer religião, se dizer o "dono da verdade" e manipulá-la de acordo com os seus interesses pessoais.

O Santo de Deus é, portanto, uma literatura viva e atual. Agora, os verdadeiros políticos preocupados com o bem-estar social, precisam dotar a sociedade de instrumentos de inclusão para impedir que massacres como o de Lavras nunca mais se repitam em terras acreanas.

LIVRARIA BETEL
RUA GUIOMARD SANTOS, 348
BOSQUE, CEP: 69909-370
RIO BRANCO - ACRE
(68) 3224-8758
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PROPOSTA DE CLASSIFICAÇÃO EM GRUPOS SUCESSIONAIS PARA ESPÉCIES AGROFLORESTAIS

Fabiana Mongeli Peneireiro*1, Marinelson de Oliveira Brilhante*2

(1) Eng. Agr. – MSc em Ciências Florestais – consultora autônoma – fabiana_agroeco@yahoo.com.br,
(2) Eng. Agr. – consultor autônomo - marinelson.brilhante@gmail.com

RESUMO - Uma proposta de classificação de espécies agroflorestais (herbáceas, arbustivas e arbóreas) em grupos sucessionais foi desenvolvida, considerando o ciclo de vida e a altura relativa das plantas, caracterizando os estratos. As informações foram organizadas a partir de levantamento realizado junto a mateiros, agricultores e pesquisadores envolvidos em trabalhos de pesquisa e extensão no Projeto Arboreto, setor do Parque Zoobotânico (PZ) da Universidade Federal do Acre (UFAC). A proposta de classificação poderá orientar desenhos de sistemas agroflorestais mais complexos, biodiversos e multiestratificado, no sentido de promover maior sustentabilidade do sistema de produção proporcionada pela otimização no uso dos recursos (luz, água, nutrientes) e pelo equilíbrio ecológico. Essa é mais uma forma de organizar a complexidade que é a sucessão, um grande conjunto de espécies distribuídas e organizadas no espaço e no tempo. A classificação das espécies aqui proposta não está consumada, podendo sofrer alterações em função do aprofundamento das informações a respeito das espécies e interações entre as mesmas e delas com o ambiente.

INTRODUÇÃO

O experimento Arboreto, implantado no Parque Zoobotânico/UFAC em 1980, deu indicativos de condições propícias para o desenvolvimento de 138 espécies arbóreas introduzidas em condições de pleno sol e sob capoeira, originando, após 12 anos de acompanhamento, dados importantes com relação ao comportamento dessas espécies, que compuseram, na época, três publicações.

Esse arcabouço de informações, que é tido como um importante referencial teórico, levou, em 1992, à elaboração de um projeto para se trabalhar com pesquisa e educação agroflorestal junto a comunidades, fazendo surgir então um setor do PZ/UFAC, denominado Arboreto, em alusão ao experimento, que até os dias de hoje vem acumulando experiências a partir de trabalhos junto a agricultores. Todo esse repertório de conhecimentos permitiu um amadurecimento da equipe de pesquisadores com relação a sistemas agroflorestais e sua relação com a sucessão natural.

O processo clássico de sucessão envolveria a substituição de grupos de espécies ao longo do tempo, à medida que estas predecessoras fornecessem condições mais favoráveis ao desenvolvimento das espécies já presentes na área, com crescimento lento e estabelecimento de espécies mais tardias (Egler, 1954).

Os estudos sobre sucessão natural e antrópica classificam somente as espécies arbóreas nativas das florestas tropicais, segundo grupos sucessionais, não incluindo espécies agrícolas domesticadas.

Observamos muitas vezes, como evidência da presença humana na zona rural, a convivência de espécies arbóreas exóticas com espécies da mata. Ao pensar sistemas agroflorestais numa abordagem mais complexa, não mais como meros consórcios, mas de forma a apresentar estrutura e função do ecossistema original do lugar, que no estado do Acre, é a floresta tropical úmida, nos remetemos necessariamente a conhecer melhor a floresta e nos fundamentar em seus princípios como a sucessão natural.

Nesses sistemas agroflorestais, elaborados e manejados a partir de princípios da sucessão, é importante conhecer as espécies e seu comportamento em função da interação entre elas. Classificá-las em grupos sucessionais permite que se tenha uma compreensão da dinâmica do sistema no espaço e no tempo. Os consórcios se sobrepõem, sendo que um vai dando lugar ao outro quando determinado consórcio, que se apresentará dominante por determinado período, completa seu ciclo de vida.

Baseado nos trabalhos de Ernst Götsch, agricultor-pesquisador que desenvolve agrofloresta em sua fazenda há aproximadamente 26 anos, no município de Piraí do Norte/BA, e em sua proposta de classificação sucessional das espécies, o Arboreto desenvolveu pesquisa participativa com sistemas agroflorestais junto a agricultores.

A implantação de áreas experimentais (na UFAC e pelos agricultores em seus lotes) foi feita com semeadura direta no campo e manejo da regeneração natural, eventualmente se introduzindo alguma muda. Essas áreas permitiram oportunidade de aprendizado a partir da observação do desenvolvimento dos sistemas de produção.

Embora os sistemas implantados mostrem-se diversificados (alguns com até 25 espécies introduzidas, sem contar as espécies provenientes da regeneração), ainda não apresentam toda a complexidade possível, numa combinação de espécies em espaçamento e estratificação que, hipoteticamente, poderia propiciar uma maior viabilidade dos SAFs ao reduzir mão-de-obra com o manejo, conservar os recursos naturais, além de potencializar um melhor desenvolvimento das espécies introduzidas na agrofloresta, acentuando a sinergia entre elas.

Para facilitar a compreensão e organização da dinâmica agroflorestal no espaço e no tempo, procurou-se a partir da classificação em grupos sucessionais, compor uma lista de espécies potenciais. A partir dessa proposta de classificação, muitas combinações de espécies poderiam ser testadas na implantação de sistemas de produção que buscam uma analogia com a floresta, replicando sua estrutura e função.

METODOLOGIA


A lista das espécies se baseou na sua ocorrência mais freqüente nos sistemas agroflorestais dos agricultores e no interesse econômico a elas associado. Para se classificar as espécies em grupos sucessionais, buscaram-se informações a respeito do ciclo de vida e estratificação das mesmas (quadro 1) a partir de comunicação com três mateiros, agricultores e pesquisadores do Arboreto/PZ/UFAC. Além disso, informações obtidas no acompanhamento de áreas experimentais de SAFs de agricultores parceiros do Arboreto/PZ/UFAC também deram importante contribuição.

Pelo fato do processo sucessional se tratar de um continuum, procuramos agrupar as espécies em 5 grupos sucessionais, a partir de informações aproximadas acerca do ciclo de vida das espécies e de seu estrato no grupo sucessional a que pertence, podendo ser organizados outros, dependendo das espécies que comporão os consórcios.

As espécies apresentam exigências diferentes quanto ao substrato, clima e posição no relevo, o que condicionam a escolha das mesmas para comporem os consórcios.

RESULTADOS

O quadro abaixo apresenta a classificação de grupos sucessionais que formariam consórcios subseqüentes a partir de informações aproximadas acerca do ciclo de vida das espécies e de seu estrato no grupo sucessional a que pertence.

Essa proposta de classificação é das espécies está sujeita a ajustes à medida que informações sobre as espécies tornem-se mais aprofundadas.





















No quadro 2 apresentam-se as alturas de algumas espécies em diferentes idades, permitindo a percepção do desenvolvimento relativo das mesmas durante o desenvolvimento do sistema. Os dados de altura resultaram de um consenso entre os informantes.

Do ponto de vista da sustentabilidade, quanto maior a diversidade de espécies, maior a estabilidade do sistema de produção, tanto do ponto de vista ecológico quanto econômico e social (Gliessmann, 1997). A grande biodiversidade e a máxima estratificação no sistema possibilita grande quantidade e qualidade de vida consolidada (Götsch, 1995), o que implica em ótimo aproveitamento da energia luminosa e potencializa a ciclagem dos nutrientes, além de promover complexas redes tróficas.

CONCLUSÃO

Esse trabalho é uma tentativa de organizar as espécies potenciais para comporem sistemas agroflorestais complexos em grupos sucessionais. De maneira alguma se busca aqui ter como consumada essa proposta de classificação. Essa é mais uma forma de organizar a complexidade que é a sucessão, um grande conjunto de espécies distribuídas e organizadas no espaço e no tempo.

Testes e monitoramento de diferentes modelos de sistemas agroflorestais a serem implantados a partir desse referencial teórico proposto poderá amadurecer essa perspectiva de compreender a organização sucessional.

AGRADECIMENTOS

Irío da Silva Rivero, Edílson Consuelo de Oliveira, Ernst Göstch, João Bosco Nogueira de Queiroz, Nilson Alves Brilhante, Renata Zambello de Pinho, que contribuíram com informações presentes no quadro 2, a partir de experiências de campo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

EGLER, F.E. Vegetation science concepts. Inicial floristic composition, a factor in old-field vegetation development. Vegetatio, v. 4, p. 412-7, 1954.

GLIESSMAN, S. R. Agroecology: ecological processes in sustainable agriculture. Chelsea: Ann Arbor Press, 1997.

GÖTSCH, E. O Renascer da Agricultura. Rio de Janeiro: AS-PTA, 1995. 22p.
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Sábado, Junho 27, 2009

REPRODUÇÃO NO MEIO ANIMAL: NEM SEMPRE OS MELHORE SE DÃO BEM

Estudo com animais aponta explicação para promiscuidade feminina e identifica que machos com qualidades genéticas inferiores são mais bem sucedidos no processo de fertilização

Melhores machos têm menos filhos

Agência FAPESP – Machos com maior qualidade genética não se dão tão bem na hora de ter filhos. Diferentemente do que se imaginava, são aqueles geneticamente menos favorecidos que acabam vencendo a corrida pela fecundação.

A conclusão está em um estudo publicado na edição desta sexta-feira (26/6) da revista Science, feito por cientistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, e da Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

Na maioria dos animais, as fêmeas procuram cruzar com vários machos em um mesmo período, ainda que uma simples relação possa ser suficiente para fertilizar seus ovos. As fêmeas fazem isso apesar de a poliandria implicar um custo maior, como o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis.

Estimava-se que esse comportamento se daria porque, dessa forma, as fêmeas poderiam escolher entre vários parceiros aquele que tivesse os espermatozóides com melhor qualidade genética.

No novo estudo, o sueco Göran Arnqvist e colegas testaram essa teoria com besouros minúsculos da espécie Callosobruchus maculatus (o popular caruncho-do-feijão) e verificaram que ela não se confirmou. As crias tinham também menor qualidade genética.

Os cientistas observaram que os machos com maior taxa de paternidade eram justamente aqueles geneticamente mais desfavorecidos. “Os resultados apontam que os genes que são bons para os machos podem frequentemente ser ruins para suas parceiras. Em besouros, pelo menos, a poliandria não recompensa as fêmeas com benefícios genéticos”, disse Arnqvist.

Segundo o estudo, a explicação para a escolha por parte das fêmeas pode ser por conta de um conflito entre alelos “sexualmente antagônicos”, que são benéficos para um sexo mas maléficos para o outro.

O artigo Postmating sexual selection favors males that sire offspring with low fitness, de Göran Arnqvist e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Foto: divulgação
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Sexta-feira, Junho 26, 2009

FITOTERÁPICOS SOB CONSULTA PÚBLICA

Anvisa coloca normas para fitoterápicos sob Consulta Pública

Ecodebate/Anvisa

Foi publicada, nesta terça-feira (23), a Consulta Pública no 35 relativa à notificação de drogas vegetais no Brasil. O texto apresenta uma proposta de lista positiva, inicialmente com 52 espécies vegetais, selecionadas com base no uso tradicional em serviços de fitoterapia. A população tem até 30 dias para enviar sugestões e críticas ao documento.

O objetivo é que esses produtos sejam notificados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que sigam critérios de controle de qualidade farmacopeicos, baseados em documentos da Organização Mundial da Saúde (OMS). O sistema on line permitirá agilidade na entrada no mercado, como já ocorre com os medicamentos de baixo risco (RDC 199/06).

Pela proposta, as empresas produtoras seguirão Boas Práticas de Fabricação (BPF) específicas, voltadas para as características dos materiais de origem vegetal. Essas normas também estão em discussão por maio da Consulta Pública 36

As propostas atendem a demandas da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Ministério da Saúde que tem, como um dos objetivos, estabelecer um marco regulatório para plantas medicinais e fitoterápicos.

As sugestões devem ser encaminhadas, por escrito, para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária/Gerência Geral de Medicamentos/ Coordenação de Medicamentos Fitoterápicos e Dinamizados, no endereço: SIA, Trecho 5, Área Especial 57, Brasília- DF, CEP 71.205-050; para o Fax: (61) 3462-5540; ou para o e-mail: medicamento.fitoterapico@anvisa.gov.br.

Registro

A Anvisa também submeteu à Consulta Pública (CP) a proposta de resolução para registro de medicamentos fitoterápicos. A CP n. 31 pretende atualizar a Resolução RDC no 48 de 2004. As contribuições podem ser encaminhadas até o dia 21 de agosto.

As principais modificações propostas são relativas à adequação aos conceitos definidos pela Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. O documento traz uma reestruturação da RDC 48, com o enquadramento correto para cada exigência nas diferentes fases de análise de registro de um fitoterápico: droga vegetal, derivado de droga vegetal e produto final.

A população deve encaminhar sugestões para o endereço da Agência Nacional de Vigilância Sanitária: SIA, Trecho 5, Área Especial 57, Brasília-DF, CEP: 71.205-050; para o Fax (61)3462-5730; ou para o e-mail
cp36.2009@anvisa.gov.br

* Informe da Anvisa, publicado pelo EcoDebate, 26/06/2009.
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Quinta-feira, Junho 25, 2009

DESCASO, BURRICE OU ESPERTEZA?

Não foi a ponte que engoliu a caçamba. Foi a caçamba que destruiu a ponte!

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

O site AC24Horas postou uma nota em que condena o 'governo' pelas precárias condições de uma ponte na estrada do ramal Quixadá que, segundo a nota e o lamento do 'condutor' do veículo, causou um acidente que resultou na destruição da ponte e danos ao veículo.

Quem observar as imagens da nota (reproduzidas aqui), vai ver que a culpa pelo 'acidente' não é de ninguém, mas do 'condutor' da caçamba, que realmente procurou e achou uma forma de jogar o seu veículo dentro do igarapé.

Se a ponte já estava em condições precárias, se existia alto risco da ponte desabar, qual a razão do condutor 'arriscar' passando sobre a mesma com uma caçamba carregada com bem mais que 5 m³ de barro?

Sé tem uma explicação: falta de interesse de ir pelo caminho mais seguro, porém mais longo. Todo mundo sabe o caminho: seguir pela estrada de Porto Acre, na altura do km 14 tomar o ramal do projeto Colibri e então acessar o ramal do Quixadá.

Claro que o condutor da caçamba teria que percorrer uma distância maior e perderia mais tempo. Mas seguramente não iria tomar o prejuízo que tomou ao se autodestruir e destruir a precária pronte.

Por isso não cabe a palavra descaso para explicar o acidente. Está mais para esperteza, o famoso jeitinho brasileiro, ou "vontade de levar vantagem em tudo".

Duvidam?

Então veja a imagem ao lado, do site A GazetaNet: mesmo com a ponte quebrada, a caçamba por lá, vejam que um 'brasileiro esperto' comete a barbaridade de passar pela ponte assim mesmo.

Imagens: Ac24Horas/Gleyciano Rodrigues/A GazetaNet
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EXTRATIVISMO DAS FOLHAS DA PALMEIRA UBIM (Geonoma deversa (Poit.) Kunth) NA RESERVA EXTRATIVISTA CHICO MENDES, ACRE, BRASIL.(*)(**)

Evandro José Linhares Ferreira
Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA/Núcleo de Pesquisas no Acre (E-mail: evandro@inpa.gov.br)

Francisco Chagas Bezerra dos Santos
Pesquisador associado do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre/Cooperazione Italiana-CESVI.

Resumo – Foi realizado um estudo sobre o extrativismo das folhas da palmeira ubim (Geonoma deversa (Poit.) Kunth) em uma área da Reserva Extrativista Chico Mendes, no estado do Acre, Brasil. O estudo incluiu um levantamento sobre a estrutura populacional e a dinâmica de produção das folhas da espécie para avaliar o impacto da extração e o potencial extrativista da área. O ubim é uma palmeira cespitosa de pequeno porte que ocupa o sub-bosque de florestas primárias, cujas folhas são usadas para a cobertura de habitações dos extrativistas locais. Os resultados obtidos indicam que o extrativismo das folhas é realizado de maneira predatória e sem a observação de critérios de sustentabilidade. Apesar disso, a estrutura populacional da espécie está em equilíbrio, fato que pode ser creditado à baixa intensidade de exploração no local. O potencial produtivo da espécie é muito alto e a renda obtida com a exploração das folhas pode chegar a R$ 492,00/hectare. A espécie tem, em teoria, potencial de ser incluída em modelos de sistemas agroflorestais que estão sendo introduzidos na Reserva pois é nativa e tem potencial de uso comercial e doméstico reconhecido.

Palavras-chave – Ubim, extrativismo, folhas, Reserva Extrativista, Acre.

1. Introdução


O extrativismo de folhas de palmeiras para a cobertura de habitações rurais é uma prática muito comum em toda a região amazônica. No Acre as espécies mais frequentemente exploradas com esse fim são o jaci (Attalea butyracea), uricuri (Attalea phalerata), jarina (Phytelephas macrocarpa), caranaí (Lepidocaryum tenue) e o ubim (Geonoma deversa) (Ferreira, 2005). Estas duas últimas são espécies de pequeno porte e hábito cespitoso que habitam o sub-bosque de florestas primárias. Estas características as tornam ideais para a exploração de folhas, pois a extração é facilidade pelo baixo porte das plantas e a exploração continuada tende a causar menos danos em função do hábito multicaule das referidas espécies. Segundo Zuidema & Werger (2000), o hábito cespitoso permite, em teoria, uma extração continuada de folhas por longos períodos, pois as touceiras produzem continuadamente novos estipes em substituição aos que são retirados. Esta condição só é alterada se ocorrer uma extração excessiva e deletéria que afete negativamente o crescimento e desenvolvimento normal das plantas.

O ubim é uma palmeira com ampla distribuição geográfica, que pode ser encontrada desde a América Central até o sul da Bolívia, incluindo toda a Amazônia brasileira até o Mato Grosso, geralmente em florestas tropicais primárias. Na maioria dos lugares onde a espécie forma grandes populações naturais, os habitantes locais costumam extrair suas folhas para cobrir edificações rurais e, em alguns casos, vendem as folhas para a cobertura de edificações urbanas de estilo rústico (Henderson, 1995). No Acre, as maiores concentrações da espécie ocorrem na parte leste do Estado, em áreas florestais integrantes da Reserva Extrativista (RESEX) Chico Mendes, onde suas folhas têm sido exploradas em baixa escala pelos habitantes locais (Ferreira, 2005).

Flores & Ashton (2000), estudaram o impacto de dois sistemas de extração de folhas de ubim na Amazônia peruana. No primeiro, a extração consistia na retirada das folhas sem danificar o meristema apical das palmeiras. No segundo, o mais praticado pelos habitantes locais, a retirada consistia no corte de um dos estipes da touceira. Eles concluíram que ambos os métodos produzem efeitos negativos graves para a espécie, mas o segundo causava mais problemas do que o primeiro. Segundo estes autores, coletas realizadas a cada 3 anos minimizam os efeitos negativos da extração e podem render aos extratores até U$ 191.00/hectare/ano.

No Acre, a exploração de folhas de ubim é uma prática antiga, realizada de forma não comercial em algumas localidades da RESEX Chico Mendes. Nesta Reserva, que possui uma área de 970.570 hectares, a ocorrência do ubim é mais significativa nos seringais Filipinas e Porongaba, localizados a cerca de 30 km a noroeste da cidade de Brasiléia (11º00'58''S; 68º44'53''W; 172 m). Um aspecto positivo relacionado com a conservação destas populações naturais de ubim é a crença dos extrativistas de que a presença da espécie dominando o sub-bosque da floresta é um indicador de solos "fracos" para a agricultura.

A pressão para a extração das folhas de ubim na RESEX Chico Mendes tem aumentado nestes últimos anos em razão da estabilidade sócio-econômica das populações extrativistas, que têm se aproveitado da disponibilidade a custo zero do recurso para cobrir novas edificações que estão sendo erguidas dentro da Reserva. Outro aspecto que contribui para a manutenção da pressão de extração das folhas é a necessidade de substituir a cobertura a cada 5-10 anos.

Além dos fatores citados acima, o conhecimento das práticas extrativistas empregadas na exploração das folhas de ubim na RESEX Chico Mendes se justifica pela necessidade de estabelecer um plano de manejo dos recursos florestais não madeireiros da Reserva que considere o uso múltiplo destes recursos, aliando conservação, desenvolvimento e bem-estar social.

Outro aspecto a ser considerado é a recente tendência de implantação de sistemas agroflorestais (SAFs) em áreas extrativistas acreanas (Oliveira et al., 2007; Rodrigues, 2005). Existem possibilidades concretas de modelos de SAFs em implantação no local incorporarem, no futuro, espécies nativas como o ubim, com reconhecido potencial de uso local e comercial.

O objetivo deste trabalho foi conhecer as práticas extrativistas empregadas na extração das folhas de ubim na RESEX Chico Mendes, estudar a estrutura populacional de uma população nativa da espécie no seringal Filipinas (11º01'03''S; 68º44'59''W; 172 m) para inferir o impacto da extração de folhas na estabilidade populacional e determinar a densidade natural da espécie para estimar o potencial de produção de folhas/ha/ano.

2. Metodologia

O estudo foi realizado no Seringal Filipinas, em uma área de floresta primária com uma grande população natural de ubim. As informações sobre as práticas extrativistas adotadas foram obtidas mediante a realização de entrevista com extrativistas envolvidos na atividade a observação detalhada no campo de todo o processo de extração e beneficiamento das folhas. Para o estudo da estrutura populacional (quantificação dos indivíduos de acordo com sua classe de tamanho) e dinâmica das folhas (tempo que as folhas levam desde o seu surgimento até a queda), foi instalada uma parcela de 8.000 m², subdividida em 20 parcelas de 20 m X 20 m. Para o estudo da estrutura populacional, os indivíduos de ubim foram divididos em quatro estágios do desenvolvimento, definidos da seguinte forma: plântulas – indivíduos recém germinados, com apenas uma folha; jovem I – indivíduos que ainda não perfilharam e possuem mais de uma folha; jovem II – indivíduos que já perfilharam, mas ainda não atingiram o estágio reprodutivo; adultos – indivíduos que atingiram o estágio reprodutivo (figura acima). A sistematização e análise dos dados foram feitas no programa Microsoft Excel 2003.

3. Resultados

3.1. Sistema de extração e preparo das folhas para coberturas em geral (Figura 1)

[Figura 1 - Detalhes da extração e preparo das folhas para elaboração de panos para cobertura de edificações]

3.1.1. As folhas são selecionadas dando-se preferência àquelas que não estejam danificadas e que apresentam 3 pares de pinas. Para a coleta, corta-se o pecíolo logo acima da bainha de forma que o mesmo fique com um comprimento superior a 10 cm. Um homem consegue colher até 4 mil folhas em um dia. Na RESEX Chico Mendes os extrativistas costumam cortar o estipe para a retirada das folhas, não existindo ainda uma orientação para que a atividade seja feita observando critérios mínimos de sustentabilidade.

3.1.2. As folhas retiradas são tecidas para a formação do “pano”, que consiste em uma tala, ou eixo, onde os pecíolos das folhas são trançados. Pode-se usar como tala colmos de “canarana” (Gynerium sagitatum. Poaceae), ou a raque da folha da palmeira “jarina” (Phytelephas macrocarpa). O ideal é que a tala meça pelo menos 3 m de comprimento. As folhas são trançados o mais próximo possível umas das outras ao longo da tala. Quando o pano é feito com tala dupla, estas são amarradas a uma distância de 2 cm uma da outra.

3.1.3. O pano possui um tamanho aproximado de 3 m de comprimento por 40 cm de largura e cada um requer entre 360 e 400 folhas. Considerando que cada estipe em uma touceira de ubim apresenta em média 13 folhas passíveis de serem usadas na confecção de panos, estima-se que um pano requer o uso de aproximadamente 30 estipes de ubim.

3.1.4. Em média, um bom “tecedor” de folhas consegue preparar até 6 panos por dia. Em meados de 2007 um pano estava sendo vendido por cerca de R$ 3,00.

3.1.5. Para a montagem dos "panos" na cobertura das edificações, utilizam-se pregos ou cordas. Quanto maior a quantidade de "panos" mais duráveis e impermeáveis serão as coberturas.

3.2. Estrutura populacional

De uma maneira geral, a curva da estrutura populacional da população estudada correspondeu ao “J” invertido, indicando que a mesma apresenta bom potencial de regeneração caso venha a ser submetida à exploração mais intensa das folhas. Isto significa que o número de indivíduos adultos e seu potencial de produção de folhas é bastante promissor, podendo transformar a atividade em mais uma fonte de renda para os extrativistas (Figura 2).


[Figura 2. Estrutura populacional do ubim (Geonoma deversa)]


3.3. Potencial de produção, comercialização e viabilidade econômica da exploração

O levantamento da densidade populacional da espécie no seringal Filipinas encontrou uma média de 1.375 touceiras por hectare. Cada touceira possui entre 4 e 10 estipes, dos quais 50% podem ser aproveitados para a elaboração dos panos usado na cobertura de edificações. Considerando-se que cada estipe possui em média 13 folhas passíveis de coleta, chega-se à conclusão que uma exploração inicial de todos os estipes “comerciais” de ubim da população do Seringal Filipinas resultaria em uma extração aproximada de 62.500 folhas, suficientes para a confecção de 164 panos. Considerando que cada pano pode ser vendido por até R$ 3,00, a renda dos extrativistas que explorassem o ubim no local poderia chegar a R$ 492,00 por hectare.

Mesmo considerando que a extração das folhas requer cerca de 15 dias de trabalho e o preparo dos 164 panos outros 13 dias e meio, ainda assim, a exploração do ubim renderia aproximadamente R$ 17,00/dia de trabalho dos extrativistas, um valor cerca de 50% maior do que o praticado entre os moradores locais que costumam contratar mão-de-obra em base diária.

4. Relação do trabalho com a sustentabilidade

As informações geradas por esse trabalho poderão auxiliar na definição de práticas de exploração extrativistas mais sustentáveis. Além disso, o fato do ubim ser uma espécie nativa do local, ter porte pequeno e habitar o sub-bosque da floresta sugere que a mesma deveria ser objeto de pesquisas para viabilizar a sua inclusão nos desenhos de SAFs planejados para implantação na área da RESEX Chico Mendes pois o potencial econômico da mesma ficou demonstrado neste estudo.

5. Conclusões

A extração das folhas de ubim na RESEX Chico Mendes é feita, na atualidade, de forma aparentemente predatória. Ao contrário do Peru, onde se retiram apenas as folhas, no Acre os extrativistas cortam por completo um ou mais estipes das touceiras, causando efeito negativo na recuperação e desenvolvimento normal das plantas. Apesar disso, o resultado do estudo mostrou que a estabilidade populacional da espécie parece estar assegurada porque as plantas produzem perfilhos com muita rapidez em razão da baixa intensidade de exploração. Vale ressaltar que um aspecto que torna difícil estimar a dimensão dos efeitos negativos ou positivos do atual sistema de exploração é o grande tamanho da população natural da espécie. Aparentemente, a quantidade de moradores na região onde a palmeira ocorre não é numerosa o suficiente para causar maiores danos à mesma enquanto prevalecer o atual nível de exploração, que atende basicamente o consumo doméstico das famílias.

6. Referências Bibliográficas

Ferreira, E. J. L. Manual das palmeiras do Acre, Brasil. 2005. Disponível em:
http://www.nybg.org/bsci/acre/www1/manual_palmeiras.html. Acesso em: 14 abril de 2009.

Flores, C. F. and Ashton, P. M. S. Harvesting impact and economic value of Geonoma deversa, Arecaceae, an understory palm used for roof thatching in the Peruvian Amazon. Economic Botany 54: 267-277. 2000.

Henderson, A. J. The palms of the amazon. New York: Oxford University Press, 1995. 362p.

Oliveira, T. K.; Bezerra, F. C. S.; Luz, S. A.; Marinho, J. T. S. Composição de espécies arbóreas da regeneração natural em sistemas agroflorestais com cafeeiro e seringueira em área de reserva extrativista. Revista Brasileira de Agroecologia 2(2): 681-685. 2007

Rodrigues, F. Q. Composição florística, estrutura e manejo de sistemas agroflorestais no vale do rio Acre, Amazônia, Brasil. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Acre, Rio Branco, Acre. 2005. 81p.

Zuidema, P. A. & Marinus, J.A.W. Impact of artificial defoliation on ramet and genet demography in a Neotropical understorey palm. In: Zuidema, P. A.: Demography of exploited tree species in the Bolivian Amazon. Ph.D. Dissertation, Universidade de Utrecht, Holanda, 2000. 238p.

(*) Trabalho realizado com apoio financeiro do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA e do Herbário do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre;
(**) Este resumo expandido foi originalmente publicado nos Anais do VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais realizado em Luziânia-GO, 22-26 de junho de 2009.
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Terça-feira, Junho 23, 2009

MENSAGEM DOS FÓSSEIS: "EU SOU VOCÊ AMANHÃ"

Eu sou você amanhã?

Fósseis apontam ligação entre aumento da temperatura e extinção em massa há 200 milhões de anos

[Representação artística de uma paisagem do leste da Groenlândia no final do período Triássico, quando a região abrigava uma floresta subtropical. Nessa época, a diversidade de plantas caiu abruptamente, ao mesmo tempo em que a concentração de gás carbônico aumentava na atmosfera (arte: Marlene Hill-Donnelly / The Field Museum).]

Fósseis de plantas podem ajudar a compreender as possíveis causas para a extinção em massa que ocorreu na transição do período Triássico para o Jurássico, 200 milhões de anos atrás. Um estudo aponta que a diversidade da flora do leste da Groenlândia caiu abruptamente logo antes desse evento de extinção, em um período em que houve um leve aumento do gás carbônico na atmosfera.

Liderado pela bióloga Jennifer McElwain, da University College Dublin (Irlanda), e publicado na Science desta semana, o estudo contraria uma hipótese anterior de que a queda da biodiversidade e a extinção do Triássico-Jurássico teriam acontecido de forma gradual. Segundo McElwain, o estudo também serve de alerta para os possíveis impactos do aquecimento global e da degradação ecológica atuais.

A bióloga e seus colegas analisaram fósseis de seis grupos de plantas do leste da Groenlândia encontrados no sítio paleontológico conhecido como Kap Stewart Group. Eles perceberam um declínio repentino na quantidade e na diversidade de três grupos encontrados (em profundidades inferiores a 35 metros). De acordo com o artigo, essa queda abrupta pode ser situada no período entre 300 mil e 500 mil anos antes da transição para o Jurássico.

[Fóssil de planta do gênero Lepidopteris, comum no leste da Groenlândia há cerca de 200 milhões de anos. Essa foi uma das muitas espécies extintas na transição do período Triássico para o Jurássico, quando os dinossauros emergiram (foto: Jennifer McElwain).]

CO 2 e aquecimento global

A partir do estudo dos fósseis, os pesquisadores também perceberam que, simultaneamente à queda súbita na diversidade das plantas, a concentração de gás carbônico na atmosfera sofria um leve aumento. “Esse fenômeno foi provavelmente causado por uma atividade vulcânica intensa no oceano Atlântico”, especula McElwain em entrevista à CH On-line.

Como o gás carbônico na atmosfera contribui para o efeito estufa, sua maior concentração levou também a um aumento na temperatura média do planeta. Segundo os cientistas, esse teria sido um dos fatores responsáveis pela queda da diversidade de plantas no final do período Triássico.

No entanto, como o aumento do gás foi suave, eles consideram também outras possibilidades. “Acreditamos que um aumento na concentração do dióxido de enxofre também pode ter contribuído para a morte de plantas”, avalia McElwain. “Embora ainda não tenhamos conseguido detectar esse aumento no passado, estamos cultivando plantas em estufas com alta concentração de dióxido sulfúrico para testar essa hipótese.”

Segundo o artigo, a queda na biodiversidade observada a partir dos fósseis é compatível com a forma como as plantas responderiam a transformações ambientais catastróficas, e não a mudanças lentas e graduais, como se acreditava.

Mera coincidência?

[Fósseis com 200 milhões de anos de parte de uma cicadácea e uma conífera, encontradas no leste da Groenlândia (foto: Jennifer McElwain).]

Há 200 milhões de anos, um aumento na concentração de gás carbônico aumentou em alguns graus a temperatura média global. O cenário lhe soa familiar? McElwain confirma: sim, é possível fazer um paralelo da situação climática e ecológica do fim do Triássico com o aquecimento global que vivemos hoje. Mas será que estamos próximos de uma extinção em massa ou de um declínio brusco na biodiversidade do planeta?

“Ficamos surpresos ao descobrir que uma queda tão grande na biodiversidade coincidiu com um aumento de gás carbônico relativamente pequeno”, comenta a bióloga. Segundo ela, o estudo mostra que a perda de biodiversidade do fim do Triássico coincidiu com uma concentração de gás carbônico de 900 partes por milhão. “De acordo com algumas previsões, em 2100, o nível do gás será aproximadamente esse”, completa.

No entanto, esse é um cenário pessimista, no qual a população mundial continuaria a depender de combustíveis fósseis. “Não podemos fazer uma analogia completa, porque a perda de diversidade que observamos no passado também pode ser atribuída ao aumento de dióxido sulfúrico”, pondera McElwain.

Seja como for, o estudo mostra que transformações ambientais globais podem levar a extinções em massa repentinas. “Embora a maioria dos ecossistemas modernos ainda não tenham chegado ao seu clímax na resposta a mudanças climáticas, muitos deles já entraram em um período de mudanças ecológicas, e os sinais iniciais de deterioração já são óbvios”, explica a bióloga.

Isabela Fraga
Ciência Hoje On-line
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AGRICULTURA FAMILIAR E DESENVOLVIMENTO

Agricultura familiar sul-mineira contribui para desenvolvimento territorial

Agência USP de Notícias

Uma pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, identificou as contribuições da agricultura familiar sul-mineira para o desenvolvimento territorial, sob o prisma da noção de multifuncionalidade da agricultura. O estudo foi feito a partir da análise de dinâmicas territoriais e projetos coletivos selecionados nas cidades de Poço Fundo, Machado e Campestre, sul de Minas Gerais. Nesses municípios concentra-se uma das maiores produções de café com qualidade superior do País, fincada em bases familiares e cultivada em áreas montanhosas. O sul de Minas é responsável por 53% da produção estadual de café, o que corresponde a 70% da renda dos estabelecimentos rurais.

“A agricultura tem outros papéis além dos produtivos, que são a preservação do ambiente, fornecimento de alimentos de qualidade, a valorização das tradições alimentares ligadas à ocupação dos territórios, a promoção de dinâmicas territoriais a partir de diferentes vocações sociais, culturais e ecológicas, enfim, essas e outras idéias são discutidas no âmbito da multifuncionalidade da agricultura. Foi assim que concluímos o estudo Pesquisas e ações de divulgação sobre o tema da multifuncionalidade da agricultura familiar e o desenvolvimento territorial no Brasil”, declara o professor Paulo Eduardo Moruzzi Marques, do departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES).

Realizada por meio de entrevistas com dirigentes de projetos, gestores públicos, agricultores familiares, presidentes de cooperativas, agentes de extensão rural, compradores de café e professores universitários, a pesquisa considera que o café é, efetivamente, responsável pela emergência da identidade territorial do sul de Minas e que o potencial socioeconômico da produção familiar local pode se traduzir em importante vantagem, pois ela favorece o reconhecimento das múltiplas funções da agricultura, naquilo que se refere a suas relações particulares com a natureza. “A pesquisa coloca em relevo uma análise das dinâmicas territoriais à luz de diferentes dimensões, tais como o equilíbrio da ocupação territorial, a criação de empregos, a garantia de geração de renda para a reprodução social da agricultura familiar e o desenvolvimento de um saber ambiental específico, centrado, nesse caso, no sistema orgânico de produção”, observa o professor.

Lugar privilegiado
O relevante potencial turístico do território, caracterizado pela forte variação de paisagem, por seu patrimônio alimentar e pela localização geográfica, próxima ao eixo Belo Horizonte-São Paulo-Rio de Janeiro, torna a região em questão um lugar privilegiado para o descanso e para a recreação daqueles que habitam em grandes regiões metropolitanas. Marques afirma que esse fenômeno favorece o relacionamento dos agricultores com aqueles que vivem em lugares de grande concentração populacional. “O diálogo entre esses dois mundos pode levar a um reconhecimento de qualidades no modo e ritmo de vida rural, uma vez que a agricultura familiar do território é vigorosa e numerosa. Ela apresenta diversidade de técnicas de produção e a multiplicação dos processos inovadores de comercialização, como o comércio de produtos sem uso de agrotóxicos e, também, o comércio justo, ou seja, prática comercial assentada em um conjunto de normas e princípios transparentes, participativos e democráticos, que objetiva proporcionar condições financeiras mais vantajosas para a produção familiar de países do chamado Terceiro Mundo”.

Em relação às contribuições do segmento ao desenvolvimento territorial, a metodologia aplicada pela pesquisa considerou a articulação das unidades familiares entre si, as complexas relações estabelecidas entre elas e o território, e as implicações relacionadas às estratégias e políticas públicas de desenvolvimento territorial. Esses aspectos foram analisados por meio de componentes demográfico-social, econômico, ambiental e espacial.

“Nós focalizamos iniciativas inovadoras dos cafeicultores familiares mineiros que conseguem melhor inserção no mercado, contratos de exportação graças à consideração de aspectos além produtivos, o fato de eles possuírem um selo de produção orgânica, um selo de comércio justo e solidário que atrai consumidores que procuram um produto certificado com qualidade superior em termos de degustação e que reconhecem a importância de uma produção cuidadosa com o meio ambiente, o que acaba favorecendo o desenvolvimento de uma agricultura familiar”, conclui o pesquisador.

Enfim, as indicações geográficas de qualidade são vistas como um potencial para agregar valor à produção regional e são estimuladas, principalmente, pelo poder público estadual. Esses processos sociais favorecem a agricultura familiar e a valorização de recursos territoriais específicos, contribuindo com o reconhecimento dos múltiplos papéis da agricultura. Ganha terreno, assim, a idéia de que o espaço território carrega vida e cultura, fermento potencial do desenvolvimento.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Esalq
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Sábado, Junho 20, 2009

A MANIFESTAÇÃO DE PERPÉTUA ALMEIDA CONTRA A UNIFICAÇÃO DO FUSO HORÁRIO.

A deputada, segundo fofocas que correm pelos bastidores do congresso, quis dar um puxão de orelha no Senador Tião Viana (PT-AC), seu aliado político, e falar tudo aquilo que pensava

MENSAGEM SUBLIMINAR DA COMUNISTA


Blog do Venícius

Dei boas risadas quando soube que a deputada acreana Perpétua Almeida (PCdoB), se pronunciou subliminarmente contra a proposta de mudança no fuso horário, onde todos os estados do Brasil, inclusive o Acre, seriam igualados a hora de Brasília – DF.

Nesta sexta-feira, 19, a comunista reagiu de forma intensa durante um pronunciamento no Grande Expediente da sessão realizada na Câmara Federal. Perpétua disse que é um desrespeito e ofensa grave aos costumes e tradições milenares dos povos que habitam a Amazônia, referindo-se sobre a proposta de lei do Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM).

“Devemos evitar que esta proposta avance. Será um golpe sem precedentes nos costumes daqueles que moram na floresta, nos barrancos dos rios, que se habituaram a quebrar o jejum ao amanhecer do dia, junto com o cantar do galo. É nessa hora que o seringueiro pega a sua espingarda e vai para a estrada; as famílias fazem suas orações; as crianças vão para a escola”, disse.

A deputada, segundo fofocas que correm pelos bastidores do congresso, quis dar um puxão de orelha no Senador Tião Viana (PT-AC), seu aliado político, e falar tudo aquilo que pensava. Ela acabou descontando sua ira no senador amazonense Arthur Virgilio, por este ser oposição ao governo lula. Ou seja, não lhe renderia represálias da cúpula da Frente Popular Acreana.

Para finalizar, Almeida, que é esposa do presidente da Aleac, o deputado Edvaldo Magalhães, deu mais uma cutucada em Viana. “Já foram tomadas medidas drásticas contra a Amazônia, sem considerar nem respeitar quem nela mora. Querem, mais uma vez, empurrar goela abaixo um pacote de medidas sem debater com a população, sem ouvir os principais interessados. Me parece que há um medo de sentir o cheiro do povo, de ouvir o que as pessoas pensam”, concluiu perpétua Almeida.

Viana, autor da Lei 11.662, sancionada em maio do ano passado pelo presidente Lula, fez com que os estados da Amazônia ficassem com uma hora a menos com relação à capital federal. Até então, a diferença do fuso horário do Acre era de duas horas. A mudança causa até hoje transtornos aos acreanos.

Usando o pretexto de “ouvir a população”, a velha raposa da política acreana, o deputado federal Flaviano Melo (PMDB – AC), que ontem lançou a pré-candidatura do vereador Rodrigo Pinto ao Governo do Estado Acre para as eleições de 2010, propôs, no inicio deste ano, também na câmara federal, através de um Projeto de Decreto Legislativo, o direito ao eleitor acreano decidir se quer ou não que o horário oficial da terrinha de Chico Mendes permaneça com uma hora de diferença em relação ao de Brasília, como determina a Lei. Até hoje, a proposta de Flaviano esbarra na “burocracia” criada por aliados do Senador Tião.

A melhor cartada do deputado Flaviano Melo para desestabilizar Tião Viana (virtual candidato ao Governo do Acre) entrou pelo ralo. A proposta do peemedebista de ouvir os acreanos sobre a mudança no fuso horário está descartada no Congresso. Explico: não justifica apenas um estado mobilizar a opinião pública sendo que outras unidades da federação também foram afetadas pela medida.

Esse enredo lembra a velha tática do “bate e assopra”.
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BANDIDOS "PRENDEM" POLICIAIS EM DELEGACIA NO ACRE

Bandidos invadem delegacia, prendem policiais nas celas e levam armas. Agentes dizem que foram agredidos, antes de serem colocados nas celas; três armas foram levadas

Adailson Oliveira, da TV Gazeta
Sáb, 20 de Junho de 2009

Três homens armados invadiram a Delegacia Especializada de Proteção ao Menor, no Centro de Rio Branco, renderam quatro policiais e levaram armas, por volta da zero hora deste sábado.

Os bandidos, que não usavam capuzes, renderam os primeiros dois agentes na permanência. Depois, desarmaram os outros dois.

Segundo relatou um dos agentes, eles foram agredidos a coronhadas e trancados nas celas da delegacia. Um deles sofreu um golpe na cabeça que o deixou em estado grave.

Os bandidos levaram dois revólveres 38, um da permanência da delegacia e outro de um agente, além de uma caixa grande, onde supostamente, estaria guardada outra arma de grosso calibre.

A Polícia Técnica esteve nesta manhã no local, para fazer a perícia. Os policiais agredidos também fariam exames de corpo delito nesta manhã.

A delegacia invadida fica a menos de 30 metros do Quartel da Polícia Militar, no Centro de Rio Branco.

Agente acionou PM de dentro da cela, mas radiopatrulha chegou tarde. Agentes trancados em cela por bandidos ficaram lá por dez minutos; câmara pode ter gravado ação

Com informações de Clériston Amorim, da TV Gazeta
Sáb, 20 de Junho de 2009

[Policial agredido deixa novamente a delegacia, após ter sido atendido no Pronto Socorro e retornado ao trabalho (Foto: TV Gazeta)]

Uma câmara do Centro Integrado de Operações Policiais, o Ciosp, pode ter filmado a invasão de três homens à Delegacia Especializada de Proteção ao Menor, por volta da zero hora deste sábado.

Esta câmara monitora toda a movimentação da esquina do Banco Real, entre a avenida Marechal Deodoro e a rua Adolfo Barbosa Leite, onde está localizada a delegacia.

Segundo informou um dos quatro policiais de plantão rendidos pelos criminosos, o celular escondido no bolso permitiu ele ligasse para o Ciosp no interior da cela para onde foram levados e pedisse auxílio.

“Mesmo assim, foram dez minutos de espera até chegar os primeiros policiais, sendo que o quartel da PM está a menos de 30 metros de distância da Delegacia”, protestou o agente.

Fotos feitas por um celular mostram que os bandidos se deslocaram até a sala do delegado e reviraram todas as gavetas, após trancarem os agentes em uma das celas. No momento, não havia ninguém detido.

Os policiais foram agredidos a coronhadas e trancados nas celas da delegacia. Um deles teve que ser ponteado para fechar o golpe na cabeça.

Os bandidos levaram dois revólveres 38, um da permanência da delegacia e outro de um agente, além de uma caixa grande, onde supostamente, estaria guardada outra arma de grosso calibre.

A Secretaria de Polícia Civil anunciou que não se manifestará.
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Quinta-feira, Junho 18, 2009

ESTOQUE DE CARBONO E EMISSÃO DE GASES ESTUFA POR PLANTAS PRODUTORAS DE BIOCOMBUSTÍVEL

Pesquisadores destacam importância de obter maior conhecimento sobre estoque de carbono e emissões de gases estufa por culturas voltadas à produção de biocombustíveis

Números mais precisos

Por Jussara Mangini

Agência FAPESP – No Workshop on the Impact of Land Use Change and Biofuel Crops on Soils and the Environment, promovido pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) na terça-feira (16/6), na sede da Fundação, especialistas convidados apresentaram dados contrastantes sobre os impactos no solo e meio ambiente causados pela mudança de uso da terra e culturas de produção de biocombustível, especialmente no que diz respeito a estoque de carbono e emissões de gases causadores do efeito estufa.

O evento foi organizado pela Divisão de Pesquisa sobre Impactos Socioeconômicos, Ambientais e de Uso da Terra do BIOEN, coordenada por Heitor Cantarella, pesquisador científico do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Solos e Recursos Ambientais do Instituto Agronômico de Campinas.

Em sua apresentação “Estoque de carbono e emissão de gases de efeito estufa associados com cultivo de cana-de-açúcar no Brasil”, Carlos Clemente Cerri, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo, demonstrou a possibilidade de estocar carbono no solo com práticas agrícolas.

Segundo ele, durante o processo de produção da gasolina são emitidos gases que, se convertidos em dióxido de carbono, correspondem à emissão de 2,74 miligramas de equivalente do gás por litro de gasolina. Para que o etanol substitua a gasolina com vantagens, sob o ponto de vista de emissão de gases de efeito estufa, será preciso emitir menos que esse coeficiente.

“Temos de pensar como produzir com menor impacto de emissão de gases, menor consumo de água, entre outros. Talvez tenhamos de repensar processos de adubação e reduzir a quantidade de calcário. Pode ser possível reduzir a um limite tal que não comprometa a produção, mas que diminua consideravelmente a emissão de dióxido de carbono”, apontou.

“Pode ser que não precisemos ter uma produtividade tão elevada se, no final, tivermos ganhos para o etanol para que ele substitua a gasolina com vantagem. Mas esse cálculo nós ainda não temos”, disse.

Ao falar sobre a “Contribuição das mudanças da terra ao balanço dos gases de efeito estufa dos biocombustíveis”, Kristina Anderson-Teixeira, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, apresentou estudos de ciclo de vida de gases de efeito estufa que demonstram maneiras de analisar o impacto da cana-de-açúcar e de outras culturas na produção de biocombustível.

Os estudos conduzidos por Kristina, que incluem duas localidades no Brasil – em Alagoas e São Paulo –, demonstram perda de estoques de carbono no cultivo da cana-de-açúcar.

Segundo Urquiaga, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), apresentou dados de emissão de óxido nitroso que representam uma fração do que tem sido visto na literatura científica internacional, inclusive em dados usados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Diante do contraste de resultados apresentados, Glaucia Mendes de Souza, coordenadora do BIOEN, afirmou que as metodologias de análise de emissões ainda estão imaturas e que o programa pode trazer uma grande contribuição para criar um grupo ou uma rede de discussão sobre as metodologias.

Para Cantarella, diminuir a incerteza e a variabilidade que cercam os números exige um esforço da comunidade científica de ir a campo fazer novas avaliações.

“Obter números sobre os quais tenhamos um nível de certeza melhor é importante porque esse debate não é só do Brasil, é internacional”, disse.

Os participantes do workshop destacaram a necessidade de haver uma preocupação não somente com a cana-de-açúcar, mas também com outras culturas. Mas, segundo eles, é preciso considerar o ciclo de vida da cadeia produtiva e, principalmente, que o etanol é sustentável e que, mesmo apenas com os dados disponíveis no momento, já se pode afirmar que oferece vantagens sobre a gasolina.

(foto: Eduardo Cesar)
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STF: NÃO PRECISA DE DIPLOMA PARA SER JORNALISTA

Supremo decide que é inconstitucional a exigência de diploma para o exercício do jornalismo

Notícias do STF

Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira, que é inconstitucional a exigência do diploma de jornalismo e registro profissional no Ministério do Trabalho como condição para o exercício da profissão de jornalista.

O entendimento foi de que o Decreto-Lei 972/1969, baixado durante o regime militar, não foi recepcionado pela Constituição Federal (CF) de 1988 e que as exigências nele contidas ferem a liberdade de imprensa e contrariam o direito à livre manifestação do pensamento inscrita no artigo 13 da Convenção Americana dos Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica.

A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 511961, em que se discutiu a constitucionalidade da exigência do diploma de jornalismo e a obrigatoriedade de registro profissional para exercer a profissão de jornalista. A maioria, vencido o ministro Marco Aurélio, acompanhou o voto presidente da Corte e relator do RE, ministro Gilmar Mendes, que votou pela inconstitucionalidade do DL 972.

Para Gilmar Mendes, “o jornalismo e a liberdade de expressão são atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensados e tratados de forma separada”, disse. “O jornalismo é a própria manifestação e difusão do pensamento e da informação de forma contínua, profissional e remunerada”, afirmou o relator.

O RE foi interposto pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp) contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que afirmou a necessidade do diploma, contrariando uma decisão da 16ª Vara Cível Federal em São Paulo, numa ação civil pública.

No RE, o Ministério Público e o Sertesp sustentam que o Decreto-Lei 972/69, que estabelece as regras para exercício da profissão – inclusive o diploma –, não foi recepcionado pela Constituição de 1988.

Além disso, o artigo 4º, que estabelece a obrigatoriedade de registro dos profissionais da imprensa no Ministério do Trabalho, teria sido revogado pelo artigo 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969, mais conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica, ao qual o Brasil aderiu em 1992. Tal artigo garante a liberdade de pensamento e de expressão como direito fundamental do homem.

Advogados das partes

Essa posição foi reforçada, no julgamento de hoje, pela advogada do Sertesp, Taís Borja Gasparian, e pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. A advogada sustentou que o DL 972/69 foi baixado durante o regime militar e teve como objetivo limitar a livre difusão de informações e manifestação do pensamento. Segundo ela, o jornalista apenas exerce uma técnica de assimilação e difusão de informações, que depende de formação cultural, retidão de caráter, ética e consideração com o público.

Em apoio à mesma tese, o procurador-geral da República sustentou que a atual legislação contraria o artigo 5º, incisos IX e XIII, e o artigo 220 da Constituição Federal, que tratam da liberdade de manifestação do pensamento e da informação, bem como da liberdade de exercício da profissão.

O advogado João Roberto Piza Fontes, que subiu à tribuna em nome da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), advertiu que “o diploma não impede ninguém de escrever em jornal”. Segundo ele, a legislação dá espaço para os colaboradores com conhecimentos específicos em determinada matéria e, também, para os provisionados, autorizados a exercer o jornalismo onde não houver jornalista profissional formado nem faculdade de Comunicação.

Segundo ele, o RE é apenas uma defesa das grandes corporações e uma ameaça ao nível da informação, se o jornalismo vier a ser exercido por profissionais não qualificados, assim como um aviltamento da profissão, pois é uma ameaça à justa remuneração dos profissionais de nível superior que hoje estão na profissão.

Também em favor do diploma se manifestou o a advogada Grace Maria Mendonça, da Advocacia Geral da União (AGU). Ela questionou se alguém se entregaria na mão de um médico ou odontólogo, ou então de um piloto não formado. Segundo ela, não há nada no DL 972 que contrarie a Constituição Federal. Pelo contrário, ele estaria em plena consonância com a Carta.

Votos

Ao acompanhar o voto do relator, a ministra Cármen Lúcia disse que a CF de 1988 não recepcionou o DL 972. “Não há recepção nem material nem formal”, sustentou ela. Além disso, a ministra considerou que o artigo 4º do DL contraria o artigo 13 do Pacto de San Jose da Costa Rica.

No mesmo sentido votou o ministro Ricardo Lewandowski. Segundo ele, “o jornalismo prescinde de diploma”. Só requer desses profissionais “uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos”. Segundo ele, tanto o DL 972 quanto a já extinta – também por decisão do STF – Lei de Imprensa representavam “resquícios do regime de exceção, entulho do autoritarismo”, que tinham por objeto restringir informações dos profissionais que lhe faziam oposição.

Ao também votar pelo fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, o ministro Carlos Ayres Britto distinguiu entre “matérias nuclearmente de imprensa, como o direito à informação, criação, a liberdade de pensamento”, inscritos na CF, e direitos reflexamente de imprensa, que podem ser objeto de lei. Segundo ele, a exigência do diploma se enquadra na segunda categoria. “A exigência de diploma não salvaguarda a sociedade para justificar restrições desproporcionais ao exercício da liberdade jornalística”, afirmou.

Ele ponderou, no entanto, que o jornalismo continuará a ser exercido por aqueles que têm pendor para a profissão, sem as atuais restrições. Ao votar contra elas, citou os nomes de Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende, Manuel Bandeira, Armando Nogueira e outros como destacados jornalistas que não possuíam diploma específico.

Por seu turno, ao votar com o relator, o ministro Cezar Peluso observou que se para o exercício do jornalismo fossem necessárias qualificações como garantia contra danos e riscos à coletividade, uma aferição de conhecimentos suficientes de verdades científicas exigidas para a natureza do trabalho, ofício ou profissão, o diploma se justificaria.

Entretanto, segundo ele, “não há, no jornalismo, nenhuma dessas verdades indispensáveis”, pois o curso de Comunicação Social não é uma garantia contra o mau exercício da profissão.

“Há riscos no jornalismo?”, questionou. “Sim, mas nenhum é atribuível ao desconhecimento de verdade científica que devesse governar a profissão”, respondeu, ele mesmo.

Ele concluiu dizendo que, “há séculos, o jornalismo sempre pôde ser bem exercido, independentemente de diploma”.

O ministro Eros Grau e a ministra Ellen Gracie acompanharam integralmente o voto do relator, ministro Gilmar Mendes.

Último a proferir seu voto no julgamento, o decano da Corte, ministro Celso de Mello, acompanhou o relator do recurso. O ministro fez uma análise histórica das constituições brasileiras desde o Império até os dias atuais, nas quais sempre foi ressaltada a questão do livre exercício da atividade profissional e acesso ao trabalho.

Ainda no contexto histórico, o ministro Celso de Mello salientou que não questionaria o que chamou de “origem espúria” do decreto-lei que passou a exigir o diploma ou o registro profissional para exercer a profissão de jornalista, uma vez que a norma foi editada durante o período da ditadura militar.

Para o ministro, a regra geral é a liberdade de ofício. Ele citou projetos de lei em tramitação no Congresso que tratam da regulamentação de diversas profissões, como modelo de passarela, design de interiores, detetives, babás e escritores. “Todas as profissões são dignas e nobres”, porém há uma Constituição da República a ser observada, afirmou.

Divergência

Ao abrir divergência e votar favoravelmente à obrigatoriedade do diploma de jornalista, o ministro Marco Aurélio ressaltou que a regra está em vigor há 40 anos e que, nesse período, a sociedade se organizou para dar cumprimento à norma, com a criação de muitas faculdades de nível superior de jornalismo no país. “E agora chegamos à conclusão de que passaremos a ter jornalistas de gradações diversas. Jornalistas com diploma de curso superior e jornalistas que terão, de regra, o nível médio e quem sabe até o nível apenas fundamental”, ponderou.

O ministro Marco Aurélio questionou se a regra da obrigatoriedade pode ser “rotulada como desproporcional, a ponto de se declarar incompatível” com regras constitucionais que preveem que nenhuma lei pode constituir embaraço à plena liberdade de expressão e que o exercício de qualquer profissão é livre.

“A resposta para mim é negativa. Penso que o jornalista deve ter uma formação básica, que viabilize a atividade profissional, que repercute na vida dos cidadãos em geral. Ele deve contar com técnica para entrevista, para se reportar, para editar, para pesquisar o que deva estampar no veículo de comunicação”, disse o ministro.

“Não tenho como assentar que essa exigência, que agora será facultativa, frustando-se até mesmo inúmeras pessoas que acreditaram na ordem jurídica e se matricularam em faculdades, resulte em prejuízo à sociedade brasileira. Ao contrário, devo presumir o que normalmente ocorre e não o excepcional: que tendo o profissional um nível superior estará [ele] mais habilitado à prestação de serviços profícuos à sociedade brasileira”, concluiu o ministro Marco Aurélio.

FK/LF
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Quarta-feira, Junho 17, 2009

TIÃO VIANA PROPÕE HORÁRIO DE MANAUS COMO HORA NACIONAL

Romerito Aquino

Brasília - O senador Tião Viana (PT-AC) apresentou emenda ao projeto de lei do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) que estabelece a hora de Manaus (AM) como único fuso horário do Brasil. Aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, o projeto do senador amazonense propõe a unificação da hora em todo o território nacional com base na horário de Brasília.

A mudança proposta pelo senador Tião Viana foi apresentada na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, onde o projeto de lei do senador amazonense começou a tramitar em caráter terminativo, antes de ser enviado para apreciação na Câmara dos Deputados.
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GAZETA ALERTA - EDVALDO SOUZA DETONA O FUSO HORÁRIO ÚNICO

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