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Domingo, Maio 25, 2008

NOVO FUSO HORÁRIO: A MENTIRA SOBRE A ECONOMIA DE ENERGIA

Economia de energia com alteração no fuso horário do Norte será pequena, diz professor. Assessoria do senador Tião Viana não possui dados concretos sobre o impacto da mudança na utilização da energia

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

Brasília (25/04) - A mudança no fuso horário de alguns estados da Região Norte poderá resultar em uma pequena economia de energia para o país. A avaliação é do Professor de Física da Universidade Federal do Acre (UFAC) Francisco Eulálio Alves dos Santos, conhecido como professor Magnésio (foto). Segundo ele, a economia de energia não é o principal objetivo da mudança, mas, será uma conseqüência da alteração.

“Quando você antecipa uma hora o fuso horário, as atividades vão terminar uma hora mais cedo, e isso representaria o que acontece no horário de verão para as grandes cidades”, explica. Ele diz que ainda não é possível calcular de quanto será a economia.

Ontem (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto de lei que reduz de duas para uma hora a diferença do fuso horário do Acre em relação a Brasília. A lei, que entrará em vigor daqui a 60 dias, também altera o horário de seis municípios do Amazonas e 18 do Pará.

Na região atingida pela mudança, o sistema de energia é isolado do resto do país, e formado em sua maioria por termelétricas. Assim, a economia nesses estados poderá diminuir as despesas com a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que é uma taxa paga por todos os consumidores do país para financiar esse sistema isolado.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a economia por causa da mudança de fuso horário será “residual”. O presidente da Eletroacre, Celso Mateus, disse que a empresa ainda não fez avaliação do impacto da mudança na energia do estado.

No projeto de lei, o autor, senador Tião Viana (PT-AC), diz que a alteração pode acarretar economia de energia no sistema isolado dos estados no Norte, diminuindo as despesas com a CCC. Mas a assessoria do senador não possui dados concretos sobre o impacto da mudança na utilização da energia.

O governo do Acre criou um comitê formado pela Procuradoria-Geral do Estado, pelo Gabinete Civil e pela Secretaria de Meio Ambiente para avaliar os ajustes necessários à mudança.
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ACREANOS NÃO VERÃO JOGO DA SELEÇÃO

TV Acre não transmitirá o jogo do Brasil contra a Argentina no dia 18 de junho porque a data cai em uma quarta-feira. No lugar do jogo, emissora exibe capítulo 'inédito' da novela 'A favorita'



Se for mantida a regra vigente, os telespectadores acreanos não terão a oportunidade de ver ao vivo, ou mesmo em vídeo tape, o principal jogo da seleção brasileira de futebol neste ano de 2008: a partida Brasil x Argentina. O jogo, válido pelas eliminatórias da copa, acontecerá às 19:50h (hora do Acre) do dia 18 de junho, uma quarta-feira.

Ocorre que desde abril, com a entrada em vigor da Portaria 1.220/2007 que obriga as emissoras de TV a obedecerem horários específicos para a exibição de programas com restrição de idade, a TV Acre deixou de exibir jogos ao vivo no meio da semana. No lugar dos jogos, os telespectadores acreanos estão sendo 'obrigados' a assistir capítulos da novela das oito, que por causa das obcenidades, só podem ser exibidos a partir das 21:00h, coincidindo com o horário dos jogos.

A não exibição de futebol ao vivo no meio da semana é uma das estratégias que as emissoras de TV, Globo incluída, estão utilizando para derrubar a Portaria 1.220/2007, que não proibe a transmissão ao vivo de programas jornalísticos e esportivos.

A Rede Globo detém, com exclusividade, direitos de transmissão de vários campeonatos de futebol no país e jogos oficiais da seleção dentro do Brasil.
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Sábado, Maio 24, 2008

AIDS: CONTAMINAÇÃO POR OMISSÃO

Levantamento feito com 272 casos de indivíduos que doaram sangue, apesar de estarem infectados com o vírus da Aids, aponta que 48,9% omitiram fatores de risco na triagem realizada antes da coleta

Por Thiago Romero

Agência FAPESP – Um levantamento feito com 272 casos de indivíduos que doaram sangue na Fundação Pró-Sangue, em São Paulo, apesar de estarem infectados com o vírus da Aids, apontou que 48,9% omitiram fatores de risco durante a triagem, o que poderia ter evitado a coleta.

O estudo foi feito por César de Almeida Neto, chefe do Departamento de Notificações e Orientação de Doadores com Sorologias Alteradas da fundação, e apresentado no início do ano como tese de doutorado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Almeida Neto avaliou o perfil de doadores de sangue portadores do HIV entre 1999 e 2003, por meio de um estudo caso-controle, no qual 272 doadores de sangue confirmadamente positivos para a doença, a maioria do sexo masculino, foram comparados com um grupo controle de 468 doadores sem a doença. Os indivíduos foram entrevistados antes e depois da doação.

“A entrevista realizada antes da coleta de sangue tem o objetivo de identificar situações de risco que o indivíduo tenha vivido nos últimos meses, uma vez que os exames convencionais para a detecção do vírus da Aids podem não detectá-lo em um primeiro momento, devido ao período que chamamos de janela imunológica. No caso do HIV, a formação de anticorpos no organismo, que permite a detecção da doença, ocorre de quatro a oito semanas após a infecção”, disse o pesquisador à Agência FAPESP.

“Isso significa que se um indivíduo se contamina hoje, e daqui a uma semana vai doar sangue, a doença ainda não se manifestou e seu exame provavelmente dará negativo. Com isso, o sangue do doador pode ser liberado normalmente para uso por outros pacientes, mesmo que esteja com o vírus da Aids. A triagem antes da doação é realizada para identificar riscos potenciais nesse período de janela imunológica”, destacou.

Segundo Almeida Neto, uma mesma bolsa de sangue infectada, ao ser liberada para uso, pode contaminar vários pacientes, uma vez que o sangue normalmente é fracionado em componentes como hemácias, plasma e plaquetas, que podem ser utilizados em três pessoas diferentes, contaminando-as.

“Mesmo seguindo todos os procedimentos de segurança, ainda existe o que chamamos de risco residual. Em qualquer lugar do mundo o sangue é uma importante fonte de transmissão de doenças. Ao serem questionados antes da coleta, muitos indivíduos têm vergonha de assumir os fatores de riscos e negligenciam esse tipo de informação. Outra hipótese é que alguns deles usaram os serviços do banco de sangue para simplesmente fazer ou comprovar o teste do HIV”, disse.

“Calcula-se que, no Estado de São Paulo, o risco residual de infecção por Aids em períodos de janela imunológica seja de uma a cada 60 mil transfusões de sangue”, disseAlmeida Neto.

Para que isso não ocorra, o pesquisador explica que os interessados em fazer o exame do HIV devem procurar o Centro de Referência de Treinamento em Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, e não os bancos de sangue.

Fatores de risco potenciais para a Aids, além de dados demográficos dos doadores, número de doações prévias, comportamento sexual e associação com os demais marcadores de triagem sorológica foram algumas informações coletadas nas entrevistas.

O estudo destacou, como fatores de risco para o HIV, entre os homens, as relações sexuais com outros homens, pagar ou receber dinheiro em troca do sexo e ter tido duas ou mais parceiras nos últimos 12 meses. As mulheres com parceiro sexual usuário de drogas injetáveis ou que tiveram dois ou mais parceiros nos últimos 12 meses foram as que apresentaram mais riscos.

Mais informações: www.crt.saude.sp.gov.br

Foto: Eduardo Cesar
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Sexta-feira, Maio 23, 2008

EM 2007 TIÃO VIANA APOIOU FUSO HORÁRIO ÚNICO NO BRASIL

Apoio foi explicitado em reunião na qual participaram o Senador acreano, o presidente da Câmara Federal, Arlindo Chinaglia, outros políticos da região norte, e empresários do setor de teledifusão da região

Conforme os leitores do Blog podem ler no post abaixo, em 6 de setembro de 2007, o site da ABERT-Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e do jornal acreano Página 20, publicaram matéria elaborada pelo assessor de imprensa do Senador Tião Viana (PT-AC) que deixava claro que ele apoiava não apenas a redução do fuso horário acreano em uma hora, mas a unificação do fuso horário brasileiro.

A matéria, com o sugestivo título "Presidente da Câmara apóia proposta de Tião Viana para unificar o fuso no Brasil", informava que o presidente da Rede Amazônica de Televisão, Phelippe Daou, representou os empresários durante a reunião.

Segundo a nota, eles (os empresários) tinham grande interesse na mudança do fuso horário da Região Norte porque com a definição de um fuso horário único para o país, as emissoras de televisão do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Mato Grosso do Sul e parte do Pará não seriam obrigadas a cumprir a portaria 1.220 do Ministério da Justiça, que obrigou todas elas, a partir de 22 de abril passado, a gravar parte de suas programações para exibi-las nos horários de classificação indicativa.

Com isso, fica claro que a redução em uma hora do fuso horário acreano é apenas o primeiro passo para uma futura implantação do fuso horário único no país. O apoio político e empresarial para a mudança já existe. Falta apenas, como costumam dizer os políticos, esperar pelo 'momento certo' para implementar a medida.

Aceitar silecionamente a arbitrariedade que foi a mudança por decreto do fuso horário acreano é algo que não faremos jamais. Ficar indiferente à mudança do nosso fuso horário é dar carta branca para que, em breve, os mesmos políticos e empresários que patrocinaram a arbitrariedade se sintam à vontade para, em nome de seus interesses pessoais e empresariais, promovam a unificação do fuso horário brasileiro.

"Mudança por Decreto é autoritarismo e nos remete de volta aos tempos da Ditadura Militar. Consulta popular é democracia".

Foto: originalmente publicada na matéria disponível no jornal Página 20. Nela aparecem claramente o Senador Tião Viana, o Presidente da Câmara, a Deputada Federal amazonense do PC do B, Vanessa Grazziotin, e Phelippe Daou, da Rede Amazônica de Televisão.
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TIÃO VIANA E O FUSO HORÁRIO ÚNICO PARA O BRASIL

Horário do Acre pode mudar

Presidente da Câmara apóia proposta de Tião Viana para unificar o fuso no Brasil

Romerito Aquino

Brasília - O Acre pode ter o mesmo fuso horário dos demais Estados brasileiros, eliminando de vez os prejuízos econômicos, sociais e culturais que vem acumulando com o atraso de duas horas no horário normal e três horas no horário de verão em relação ao fuso horário do Centro-Sul do país.

Esse foi o compromisso assumido ontem pelo presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ao apoiar o projeto de lei do senador Tião Viana que tramita na casa mudando o fuso horário do Acre em relação ao restante do país.

A pedido do senador Tião Viana, da presidente da Comissão da Amazônia da Câmara, deputada Vanessa Grazziotin (PC do B-AC), e de outros deputados e senadores do Norte do país, o presidente da Câmara apoiou a mudança no projeto de lei do senador para alterar não só o fuso horário do Acre, quanto dos demais Estados desta região brasileira. A mudança virá em forma de substitutivo ao projeto do senador a ser apresentada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara pela relatora do projeto, deputada Rebecca Garcia (PP-AM)

Em reunião realizada ontem pela manhã com os parlamentares na presidência da Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia foi muito receptivo à proposta da unificação do fuso horário no país, que tem o apoio das bancadas federais no Senado e na Câmara de todos os Estados da Região Norte do país. “O presidente Arlindo Chinaglia foi muito sensível aos argumentos que os parlamentares apresentaram para justificar a mudança do fuso horário”, destacou o senador Tião Viana.

Também participou da reunião com Arlindo Chinaglia o presidente da Rede Amazônica de Televisão, Phelippe Daou, que representou os empresários do setor, que também têm grande interesse na mudança do fuso horário da Região Norte. Com a definição de um fuso horário único para o país, as emissoras de televisão do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Mato Grosso do Sul e parte do Pará não terão mais necessidade de cumprir a portaria 1.120 do Ministério da Justiça, que vai obrigar a todas elas, a partir de 9 de janeiro do próximo ano, a gravarem as suas programações para exibi-las nos horários de classificação indicativa.

As retransmissoras das cabeças de rede, tais como Globo, SBT, Record e Band, reclamam dos prejuízos em função da concorrência com os canais fechados e a internet, veículos que não estão sujeitos às medidas previstas na portaria do Ministério da Justiça. Também defendem que há um hábito da população de mais de 37 anos em assistir simultaneamente às programações das cabeças de rede.

“Será, evidentemente, um grande retrocesso nos meios de comunicação da Amazônia. Ademais, com a implantação da TV Digital, que uma das bandeiras defendidas é a interatividade, nesses estados, a persistir essa exigência, será inviabilizada”, descreve um documento do setor cobrando a participação dos dirigentes das emissoras para encontrar uma solução para esse problema.

Projeto de lei evita prejuízos

Já aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos e, em caráter terminativo, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, o projeto de lei do senador está tramitando na Câmara propondo a mudança do fuso horário do Acre para reduzir os prejuízos, os contratempos e os desconfortos que o povo acreano sofre há muitos anos com um fuso horário tão díspare em relação ao Centro-Sul do país, situação que se complica ainda mais durante a vigência do horário de verão.

Neste período, a diferença do horário acreano e de cinco municípios do Amazonas sobe para três horas em relação ao horário de Brasília e dos estados das regiões Centro-Sul, Sul e Centro-Oeste. Com a mudança, o horário do Acre e dos municípios amazonenses de Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Eirunepé, Envira e Ipixuna passarão a ser o mesmo dos demais estados da região Norte, com uma hora a menos em relação ao horário das demais regiões do país.

Clique ao lado para ler a mesma matéria na página da ABERT.
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MALÁRIA: TRAIÇÃO IMUNOLÓGICA

Na primeira fase da malária, quando o parasita infecta células do fígado, o sistema imune do hospedeiro poderia atacar e destruir o invasor. Mas uma proteína com atividade antiinflamatória presente no corpo da vítima tem um papel crucial na infecção hepática: ela modula a resposta inflamatória e ajuda a proteger as células infectadas. Estudo feito por pesquisadora brasileira é capa da nova edição da Cell & Host Microbe

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O mecanismo foi demonstrado em modelos animais por um grupo internacional de pesquisadores, com participação brasileira. O estudo, publicado nesta quarta-feira (14/5), é matéria de capa da revista Cell & Host Microbe.

A autora principal do artigo é Sabrina Epiphanio, que acaba de concluir pós-doutorado no Instituto de Medicina Molecular (IMM), ligado à Universidade de Lisboa, e no Instituto Gulbenkian de Ciência, ambos em Portugal. Além das instituições portuguesas, o estudo teve contribuição de centros de pesquisas nos Estados Unidos e na Alemanha.

Segundo Sabrina, veterinária graduada pela Universidade Estadual Paulista com mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo, o estudo mostrou que a proteína conhecida como hemeoxigenase-1 (HO-1), que tem diversas funções fisiológicas no corpo, possui também papel central na fase hepática da malária.

“Apesar de ser assintomática, essa etapa inicial da doença é importante e precisa ser bem conhecida, uma vez que a carga parasitária no fígado pode influenciar a severidade da doença na fase seguinte”, disse à Agência FAPESP.

Sabrina, que está em Portugal desde 2003, explica que a malária começa quando a fêmea do mosquito Anopheles injeta no hospedeiro os esporozoítos do Plasmodium. Eles viajam então pelo sangue diretamente para o fígado, onde infectam os hepatócitos – células responsáveis pelas funções biológicas do órgão.

A indução da expressão da HO-1 é crucial para que a infecção hepática ocorra. Por outro lado, a depleção da proteína leva a uma redução da carga parasitária no fígado quando os camundongos são infectados com doses experimentais de esporozoítos – a forma inicial do parasita.

“Embora o parasita estimule a inflamação, ele também induz a expressão da proteína HO-1, modulando a resposta inflamatória do hospedeiro, protegendo a célula hepática infectada contra a ação do sistema imune e, conseqüentemente, promovendo o estágio hepático da infecção”, apontou.

Utilizando a tecnologia de RNA de interferência (RNAi), os pesquisadores retiraram a proteína HO-1 do organismo de animais e os infectaram com baixas doses de esporozoítos, em situação próxima à fisiológica. Como resultado, os animais não se tornaram doentes.

“Quando eliminamos a proteína em animais e os infectamos com doses mais altas – como as que se usam habitualmente nos experimentos –, a carga parasitária tem uma redução de 70% no fígado. Sem a proteína, quando deixamos a infecção evoluir, os parasitas foram eliminados ainda na fase hepática, suprimindo a fase sangüínea da doença”, disse.

De acordo com Sabrina, o estudo poderá motivar trabalhos que levem ao desenvolvimento de aplicações voltadas ao combate da doença, já que existem drogas que inibem a expresão da enzima HO-1. “Mas isso ainda é algo distante, porque, quando falamos de sistema imune e de interações entre parasita e hospedeiro, estamos tratando de relações multifatoriais”, afirmou.

Efeito antiinflamatório

O grupo no qual atua a pesquisadora brasileira, coordenado por Maria Manuel Mota na Unidade de Malária do IMM, publicou em 1º de julho de 2007, na revista Nature Medicine, o artigo Heme oxygenase-1 and carbon monoxide suppress the pathogenesis of experimental cerebral malaria, sobre a fase sintomática da infecção e que sugere o monóxido de carbono como uma possível terapia para a inibição da doença.

Segundo Sabrina, o monóxido de carbono é um dos produtos da degradação do heme pela HO-1. O grupo mostrou que, quando os animais são tratados com esse produto, eles não morrem de malária cerebral. Um dos motivos para isso é também o efeito antiinflamatório da proteína”, disse.

“O efeito que mostramos agora é o reverso da medalha. Quando, na fase hepática, tratamos o animal com monóxido de carbono, a infecção aumenta, porque o monóxido de carbono mimetiza os efeitos da HO-1 e tem efeito antiinflamatório”, declarou.

O artigo Heme oxygenase-1 is an anti-inflammatory host factor that promotes murine plasmodium liver infection, de Sabrina Epiphanio e outros, pode ser lido por assinantes da Cell & Host Microbe em www.cellhostandmicrobe.com.
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Quinta-feira, Maio 22, 2008

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EXTINÇÃO CULTURA É IGUAL A EXTINÇÃO NATURAL

Não podemos remar contra a modernidade, mas podemos aproveitar suas ferramentas para resgatar o tesouro das culturas e os ecossistemas que se extinguem

Por Mark Sommer*
19/05/2008

Arcata, Califórnia, Estados Unidos, 19 de maio (Terramérica) - Os humanos têm vários milhares de idiomas, a grande maioria nas bocas de pequenas populações de selvas e montanhas isoladas, e apenas um punhado nas milhares de milhões de pessoas. As línguas, e seus correspondentes culturais, desaparecem em ritmo alarmante: a metade poderia se extinguir na próxima geração. O mesmo acontece com as plantas e os animais. As duas tendências estão estreitamente vinculadas.

Em abril, cientistas de primeira linha se reuniram em uma conferência pioneira, no Museu de História Natural de Nova York, para analisar essas extinções gêmeas. Em mapas multicoloridos do planeta, os etnobiólogos desenharam a correlação entre a diversidade biológica e a cultural, às quais chamam de “diversidade biocultural”, em uma resplandecente faixa que margeia as zonas tropicais da Terra. Em selvas e terras altas, o isolamento ajudou as pessoas a desenvolverem suas próprias formas de dizer e fazer, suas maneiras únicas de ver e interpretar o mundo. De modo semelhante, plantas e animais em isolamento se adaptam às peculiaridades de seus ambientes.

Pensemos na remota ilha equatoriana de Galápagos e suas raras tartarugas gigantes. Em um mundo de progressivo desaparecimento das fronteiras, inclusive essas tartarugas correm perigo. Contudo, temos muitas outras, verdade? Por que importa a diversidade? Os antropólogos e biólogos confirmam que a diversidade de vida vegetal e animal é crucial para a riqueza da cultura humana e para sua sobrevivência. As monoculturas, como os monocultivos, podem ser muito eficientes em boas épocas, mas são mais vulneráveis aos ataques de enfermidades e pestes. Na diversidade descansa a resiliência, essa capacidade de um organismo ou sistema se manter vital e viável, mesmo quando perde alguns de seus componentes.

Assim como o investidor esperto diversifica sua carteira, a natureza é pródiga em diferentes espécies de flora e fauna, de modo que se umas se perdem outras tomem seu lugar. Como espécie, somos notavelmente desatentos a este axioma. “A natureza já não confia em nós”, disse Vyacheslav Shadrin, cabeça do Conselho de Anciões dos Yukaghir, no extremo norte da Rússia. É um comentário fascinante sobre como a modernidade traiu as antigas formas. Como milhares de povos isolados, o seu pode ser tragado pelo enorme império que o cerca.

Entretanto, as técnicas modernas também podem oferecer uma das poucas vias para preservar culturas e ecossistemas moribundos e para divulgar seu conhecimento e sabedoria a um mundo que precisa deles. Vyacheslav se comunica com seu par Tero Mustonen, do norte da Finlândia, por e-mail, Internet e telefone celular. E viajam de avião para Nova York a fim de estabelecer estratégias comuns com outros povos isolados na defesa de seus ambientes e culturas ameaçados. Goste-se, ou não, não existe isolamento possível, nem das pragas nem das bênçãos da modernidade.

A maioria dos adolescentes, em Manhattan ou Mumbai, deseja ter ou tem um iPod ou um MP4 e enviam mensagens de texto aos amigos por meio de telefones celulares. É um único mundo, diz Eleanor Sterling, diretora do Centro para a Biodiversidade e a Conservação do Museu de História Natural de Nova York. Ela se move facilmente entre culturas antigas e modernas, e mais do que a pureza, lhe interessa a vitalidade, esse intenso intercâmbio que ocorre quando as culturas se encontram, se mesclam e geram algo novo e vivo por direito próprio.

“Não me interessam as culturas como peças de museus”, disse Sterling enquanto passeávamos pela ala dedicada à América Central, povoada de antigas estátuas astecas e maias. “As culturas são coisas vivas. Não desaparecem. Evoluem”. Cheguei à conferência pensando que iríamos documentar o duplo desaparecimento de culturas e ecossistemas frágeis e isolados em uma espécie de ação de retaguarda para deter a avalanche do moderno. Mas, parti com uma impressão muito diferente.

É certo e trágico que culturas e ecossistemas de grande riqueza e diversidade são enterradas e assimiladas a um ritmo assombroso. É certo que levam com elas soluções para um futuro mais viável que não deveríamos perder, como ervas medicinais e costumes sábios que poderiam nos ajudar a suportar mudanças imprevisíveis. Também é igualmente certo que não podemos evitar a mudança do mesmo modo que não podemos alterar o curso do Rio Amazonas. Não podemos impedir que nossos jovens nem os de etnia tradicionais desejem os muitos bens, e os males, da vida moderna.

Talvez, o melhor seja podermos aspirar ser uma astuta mescla de tradições e do moderno, que apele às técnicas mais avançadas para proteger, promover e disseminar os melhores valores de todas as diferentes culturas humanas. Nosso tempo nos oferece ferramentas que, usadas corretamente, podem nos ajudar a “rediversificar” culturas e ecossistemas. Voltemos à diversidade dentro e entre nós, para que cada um possa mesclar e combinar a irrefreável riqueza da variedade biológica e cultural.

* Mark Sommer é colunista e diretor do premiado programa de rádio A World of Possibilities. Direitos reservados IPS.

Crédito de imagem: Fabrício Vanden Broeck
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Quarta-feira, Maio 21, 2008

CAETANO VELOSO: TRANSA, 1972

Um album raro, classificado como o 10° mais importante da música brasileira, em uma lista de 100 publicada pela revista Rolling Stone Brasil de outubro de 2007



(clique acima para ouvir You Don't Know Me)

Verdadeira pérola que Caetano oferece do exílio. Cantado ora em português, ora em inglês, mesclando bossa nova, sambão de raiz e lamento nordestino, o disco todo é absurdamente inovador, de um jeito como só o Caetano dos bons tempos sabia fazer. Pra ilustrar, basta dizer que foi a primeira vez em que se ouviu a palavra "reggae" no Brasil. E, claro, em que se ouviu o dito cujo.

Palavras do próprio Caetano sobre o disco:

"Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive a maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajur com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo.

Foi Transa que que me deu coragem de fazer os trabalhos com A Outra Banda da Terra. Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartner. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Markey e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70.

Gosto do disco todo. Como gravação, a melhor é Triste Bahia. Tem o Mora na Filosofia, que é um grande samba, uma grande letra e o Monsueto é um gênio. Me orgulho imensamente deste som que a gente tirou em grupo."

Destaques: Triste Bahia, Nine out of Ten, Mora na filosofia (samba do Monsueto, aqui numa versão que o deixaria boquiaberto), You don't know me, It's a long way. Todas, afinal.

Fonte: www.umaslinhas.blogspot.com

Nota: busquei muito este disco. Encontrei por acaso em uma loja de CD do aeroporto internacional de Brasília. Nem me preocupei com o preço...Uma jóia. Recomendo.
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COARI: PETRÓLEO E CORRUPÇÃO

Federal desvenda fraudes em Coari

Mário Adolfo Filho
Especial para A CRÍTICA

“As investigações detectaram que Adail Pinheiro (prefeito de Coari) (Foto ao lado) é o comandante de todo um esquema fraudulento”. A afirmação foi feita, na manhã de ontem, pelo titular da Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz), da Polícia Federal, Jocenildo Cavalcante. Ele se referiu à Operação Vorax, deflagrada pela PF em parceria com a Receita Federal para desarticular uma organização criminosa no Município localizado a 370 quilômetros de Manaus.

No total, foram expedidos pela 2ª Vara da Justiça Federal 48 mandados de busca e apreensão e 23 de prisão. A quadrilha é acusada, pela PF, de crimes de sonegação fiscal, fraudes em licitações, desvio de verbas e crimes contra a administração pública em Coari que superam R$ 30 milhões nos últimos cinco anos.

Estão envolvidos no esquema 75 empresas de construção civil, fornecimento de mercadorias (inclusive medicamentos) e promoções de eventos. “Muitas destas empresas foram criadas apenas para participar e vencer licitações viciadas no Município e tinham a Prefeitura de Coari como único cliente”, informou Cavalcante. Também participavam das fraudes órgãos como a Comissão de Licitações, Secretaria de Finanças, Gabinete, Secretaria de Saúde e Secretaria de Obras.

Presos

Os nomes dos presos não foram divulgados pela PF, que segue uma nova recomendação nacional para não haver exposição dos acusados. Mas A CRÍTICA conseguiu confirmar que foram presos, em Manaus, Carlos Eduardo Pinheiro e Elizabeth Pinheiro, ambos irmãos de Adail Pinheiro, Adriano Salan, ex-secretário de governo do Município, e o assessor Haroldo Portela. Na capital, também prenderam Fábio Marques Martins (Mega Models), Sônia da Silva Santos, Andréa Domingos de Abreu, Marilza Félix Barroso, Jorge Michel Pereira, Edmilson Ricardo Façanha de Carvalho, Jacson Bezerra Lopes, Ediovan Costa, Ezequiel da Rocha e o médico Durval Herculano Carriço.

Em Coari, foram presos Cezário Menezes, dono da Construtora Menezes, que prestava serviços à Prefeitura; Antônio Maria Aguiar Nascimento, segurança particular do prefeito Adail Pinheiro e ex-comandante da guarda municipal; Valter Braga Ferreira, membro da Comissão de Licitação; Paulo Bonilla, secretário de Obras; Paulo Sérgio Chagas, sub-secretário de Obras; e Rome Sineide Gomes, secretária de Finanças.

Em uma casa em um conjunto residencial de Coari, federais apreenderam R$ 7 milhões de reais guardados em sete malas que estavam em poder de um dos integrantes do bando.

NOTA DO BLOG: O que acontece em Coari, uma cidade miserável, cuja prefeitura recebe milhões de reais por ano a título de royalties por conta do campo de produção de gás de Urucú, é o prenúncio do que ocorrerá no Acre 'quando for encontrado' petróleo ou gás em algum desses municípios do interior. Nós, cidadãos de bem, podemos ficar indignados com episódios como esse. Mas alguns políticos mal intencionados e seus assessores devem, com certeza, estar lendo as notícias relacionadas a esse episódio com o maior interesse para 'aprender'com os 'erros' dos políticos amazonenses, ou seja, se tiverem que fazer o mesmo no Acre, não pretendem deixar que a justiça descubra as maracutais assim tão facilmente.
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DIREITO DE MORAR

Mais de um terço da população urbana mundial mora em favelas. Nomeada para o cargo de relatora especial da ONU para o direito à moradia, a arquiteta brasileira Raquel Rolnik diz como o Brasil pode contribuir para mudar essa situação

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Considerada uma das principais especialistas brasileiras em habitação, a arquiteta Raquel Rolnik assumirá, em maio, o posto de relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à moradia.

Professora titular da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), onde leciona desde 1985, Raquel foi eleita por unanimidade pelos representantes de todos os governos. Ela será a segunda titular da relatoria desde sua criação em 2002, substituindo o indiano Miloon Khotari.

Entre 2003 e 2007, Raquel chefiou a Secretaria Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades, onde foi responsável pela implementação de uma das mais relevantes iniciativas brasileiras na área de urbanismo e habitação: o Estatuto da Cidade.

Especialista em planos diretores, a urbanista também foi chefe do Departamento de Planejamento da Prefeitura de São Paulo entre 1989 e 1992. Em 1995, concluiu doutorado no Departamento de História das Ciências e das Artes da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos.

Ao lado de Raquel, o único brasileiro a ocupar um posto de relatoria na ONU é o sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, relator especial de Direitos Humanos em Mianmar, antiga Birmânia.

Experiência internacional é algo que não falta a Raquel, após ter atuado como consultora de política urbana e habitacional no Uruguai, Argentina, Colômbia e Equador. Também trabalhou junto ao UN-Hábitat – órgão da ONU voltado para a habitação – e no Banco Interamericano de Desenvolvimento. Recentemente elaborou um plano de urbanização para o governo de transição do Kosovo.

A arquiteta exercerá suas funções no órgão internacional como extensão de sua atividade acadêmica. Ela acaba de ser concursada na instituição em que se graduou – a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) – e passará a lecionar no segundo semestre de 2008.

Em entrevista à Agência FAPESP, Raquel explica as principais atribuições do cargo e comenta a contribuição da experiência brasileira nas políticas de habitação.


Agência FAPESP – Quais são as principais funções exercidas pelo relator especial para o direito à moradia?
Raquel Rolnik – O cargo consiste em uma assessoria ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, que tem sede em Genebra, na Suíça. O conselho acompanha a implementação dos chamados direitos econômicos e sociais, entre os quais está o direito à moradia. O relator fornece ao conselho uma visão de qual é a situação no mundo em relação à implementação desse direito: ele recebe denúncias de violações do direito, faz inspeções independentes nos países e apresenta relatórios ao conselho.

Agência FAPESP – A atuação se baseará principalmente na apuração de denúncias?
Raquel Rolnik – Uma das missões da relatoria é apurar denúncias. Mas minha expectativa é ter uma ação mais proativa. O objetivo, além de apurar as denúncias, é procurar uma plataforma para resolver o conflito. Isto é, encontrar uma solução, em nível de políticas públicas, que seja capaz de dar diretrizes para uma ação efetiva. O cargo tem uma relação muito grande com o Estado. Meu perfil de atuação será mais propositivo.

Agência FAPESP – Qual é a situação atual do Brasil em relação ao resto do mundo na questão de moradia?
Raquel Rolnik – Quase um terço da população do planeta mora em favelas e outros tipos de assentamentos precários. A situação do Brasil nesse contexto não está nem entre as melhores, nem entre as piores. Mesmo assim, temos problemas graves. Hoje, 60% da produção de moradia no Brasil é ilegal e irregular. Isso significa que a precariedade ainda avança. Por outro lado, temos uma série de iniciativas importantes para combater esse problema.

Agência FAPESP – A experiência brasileira com o Estatuto da Cidade teve relação com a sua escolha para o cargo?
Raquel Rolnik – Não tenho a menor dúvida de que pesou muito na escolha. Temos uma longa trajetória de protagonismo social na questão da moradia. Tivemos um processo coletivo, da qual fui apenas uma das participantes, de construção de políticas pioneiras no campo das políticas habitacionais. Além disso, temos uma pauta que vai no sentido de políticas urbanas voltadas para o reconhecimento de direitos. O Estatuto da Cidade inscreveu o direito à moradia no nosso marco regulatório. Toda a sociedade, a universidade e o Estado tiveram um papel importante nesse processo.

Agência FAPESP – Por que o problema da habitação continua sendo tão grave?
Raquel Rolnik – Esse novo marco regulatório ainda está em um processo lento de regulamentação. Embora o Brasil esteja em uma situação de vanguarda no tema da habitação – com o protagonismo social e participação de todas as esferas de governo –, o problema está muito longe de ser resolvido.

Agência FAPESP – Quando falamos em vanguarda, podemos dizer que o Brasil inovou nessa área?
Raquel Rolnik – Sim, diversas iniciativas nos deram uma projeção internacional. Mostramos que estamos agindo efetivamente, com mais de 20 anos de prática de urbanização de favelas, por exemplo. Agora temos uma imensa responsabilidade, no sentido de provar que essas teses são corretas. Para isso, é preciso implementar essas políticas. Levar a experiência do Estatuto da Cidade para outros países seria uma iniciativa importante.

Agência FAPESP – Qual a participação de movimentos sociais nesse contexto?
Raquel Rolnik – O Brasil tem uma experiência ímpar nesse aspecto. Os movimentos sociais começaram a se estruturar porque moradores de assentamentos precários ou movimentos de sem-teto, com contribuição de pesquisadores e técnicos, passaram a ter consciência de que a habitação era um direito que lhes havia sido negado. Cada vez mais esses movimentos passaram a ser formuladores e elaboradores de políticas. Uma das principais conquistas do novo marco regulatório, que é o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS), foi fruto de um projeto de lei reivindicado por 16 anos pelos movimentos. E agora está virando realidade.

Agência FAPESP – Como funciona o SNHIS?
Raquel Rolnik – Ele foi aprovado pelo Congresso Nacional em 2005 e começou a ser implantado no fim de 2007. Foi inspirado no funcionamento do SUS [Sistema Único de Saúde]. É um fundo especial voltado para auxílio à moradia a pessoas com renda até três salários mínimos. O aspecto principal é que ele envolve as três esferas de governo e, de acordo com um plano, cada instância repassa os recursos a outra, até que a esfera municipal agregue sua porção para intervenções junto à população.

Agência FAPESP – Os movimentos sociais parecem ser especialmente efetivos na questão da moradia. Por que isso ocorre?
Raquel Rolnik – Isso não é algo regular, há altos e baixos na participação dos movimentos. Mas posso dizer que os movimentos de moradia têm uma trajetória muito particular. Um dos pontos mais importantes é que houve um processo de formação das lideranças. Isso ajudou os movimentos a saírem, muito cedo, da esfera da pura pressão para o debate efetivo das políticas públicas. A articulação com profissionais da área, das universidades e ONGs foi muito importante.

Agência FAPESP – Desde quando a moradia passou a ser considerada um direito fundamental?
Raquel Rolnik – Os direitos econômicos e sociais são um novo campo, em relação a outros direitos. No Brasil, eles estão inscritos na Constituição apenas desde 2000. Não constavam em 1988. A ONU criou a relatoria há pouco mais de seis anos.

Agência FAPESP – Qual o principal gargalo para a questão da moradia no Brasil?
Raquel Rolnik – O gargalo fundamental, máximo, no Brasil é o chamado acesso ao solo urbano. Os mais pobres não têm esse acesso e é por isso que eles produzem moradia na irregularidade e na ilegalidade. É por isso também que as políticas públicas são geralmente voltadas para a produção de moradia em lugares distantes do centro, reproduzindo a situação de exclusão. Isto é, as próprias iniciativas do Estado seguem uma lógica de manter os mais pobres na periferia. Os mecanismos que levam a isso são o principal gargalo.

Agência FAPESP – As suas atividades acadêmicas serão mantidas?
Raquel Rolnik – Sim, o cargo não é uma missão em tempo integral. Eu acabei de passar em um concurso para docente da USP, onde começarei a lecionar no segundo semestre, em dedicação exclusiva. Vou desempenhar a função na ONU como meu projeto de extensão na USP. É um cargo voluntário, não remunerado, cujo trabalho será feito a distância, com duas ou três missões anuais.

Crédito da imagem: World Pressq/Fiocruz
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ALTA INCIDÊNCIA DE 'HEPATITE B' ENTRE GESTANTES ACREANAS

Percentual de gestantes infectadas ainda é muito alto. Estudo encontrou antígenos no sangue de 2,1% das pesquisadas e em 16% dos filhos recém nascidos

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Estudo realizado em uma maternidade de Rio Branco por pesquisadores da Universidade Federal do Acre e da Universidade Federal da Bahia aponta que o nível de infecção de gestantes e respectivos neonatos (filhos) com o vírus da hepatite B ainda é muito elevado, quando comparada com outras regiões do país.


A prevalência de mães infectadas pelo vírus da hepatite B foi de 2,1% e dos neonatos 16%. A infecção não se associou ao uso de drogas endovenosas, transfusão sanguínea, realização de sorologia contra a hepatite B no pré-natal e história vacinal contra o vírus da hepatite B. O mais surpreendente foi que 83% das mães portadoras do VHB não sabiam ser portadoras.

Um estudo realizado no interior do estado do Amazonas encontrou uma prevalência ainda maior, com 3,2% de gestantes infectadas (Kiesslich e outros, 2003) para HbsAg, e de 38,3% para anti-HBc. Estes autores afirmam que na Amazônia Ocidental, particularmente nas regiões dos rios Juruá e Purus, a presença de antigenemia tenha sido detectada em 4 a 8% das gestantes pesquisadas.

Em outras regiões do país o índice de infecção é muito mais baixo. Ele ficou entre 0,4 a 1,0% de antígenos em gestantes no Estado de São Paulo, e 1,7% na Bahia.

A Hepatite B é uma doença que causa uma grande variedade de sintomas, que vão desde um leve quadro intestinal e sintomas inespecíficos, até formas ictéricas clássicas. A principal complicação da doença se relaciona com a não eliminação viral após o quadro agudo, tornando o paciente um portador crônico do vírus e potencial transmissor, que muitas vezes evolui com hepatite crônica, cirrose hepática e hepatocarcinoma.

A probabilidade de uma criança de mãe portadora crônica de Hepatite B nascer com o vírus alcança os 90%. Estima-se que, caso a infecção ocorra por transmissão vertical, a chance de cronificação é de cerca de 70 a 90%. Cerca de 20 a 25% dos casos crônicos com replicação viral evoluem para doença hepática avançada, a cirrose.

O estudo acreano foi realizado entre outubro e dezembro de 2003 e incluiu 283 gestantes e seus recém-nascidos. As amostras foram coletadas dos vasos da placenta, por punção direta das artérias e veia. Foram pesquisados o AgHBs e anti-HBs em todos os pacientes.

Os autores do estudo concluem que a prevalência de mães portadoras de vírus da hepatite B é elevada, mesmo após o pré-natal e a presença de antígenos do vírus da hepatite B no sangue da artéria umbilical, demonstra o importante papel da transmissão vertical intra-uterina (AU).

É esta forma de transmissão vertical, ou seja, a transmissão da mãe para o filho durante a gestação ou parto, a responsável por 35 a 40% dos casos novos de hepatite B. Ela também é a mais importante forma de transmissão nas áreas de elevada prevalência, pois é por meio dela que o vírus é mantido na população e expõe as pessoas aos quadros crônicos mais graves.

O artigo 'Prevalência de infecção pelo VHB em gestantes atendidas em uma maternidade da região Amazônica brasileira' foi publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (5(1):1-6, jan.-fev. 2007) e tem como autores os pesquisadores Flávia C. F Santos, Ludmila Vitvitski, Raymundo Paraná, José Tavares-Neto, Kátia Acuna e Rinauro Santos Júnior.

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ÍNDIOS. UMA OPINIÃO DIFERENTE

Aconteceu novamente

Jorge Nascimento
Editor do Blog do @creucho

Outro dia no artigo “Peguei um copo com água e joguei nele porque não tinha flecha”, publicado por mim (no blog do @acreucho), no dia 15/05/2008, fiz um alerta a respeito da agressividade dos índios para conosco, os brancos. Hoje, aconteceu novamente, com o Engenheiro Paulo Fernando Rezende, funcionário da Eletrobrás, que fazia uma palestra para os moradores da região de Belo Monte, em Altamira no Estado do Pará, sobre o projeto da Usina Belo Monte e o impacto ambiental que causaria.

O Engenheiro Paulo, foi agredido por índios enfurecidos a golpes de facão e acabou ferido, sendo atendido num hospital de Altamira.

Fica aqui, uma advertência, às nossas autoridades.

Qualquer de nós, brasileiros, que pagamos impostos, que sustentamos todos os funcionários públicos deste país, que pagamos pelos luxos e mordomias desta corja de políticos incompetentes, se for pego na rua com um insignificante canivete no bolso, seremos presos e autuados por porte de arma branca.

Pergunto:

Porque os índios podem andar livremente, armados com arco e flecha, paus, facões e outras armas próprias deles, em qualquer lugar?

Porque os índios podem agredir a quem quiserem, sem que nada lhes aconteça?

Porque podem ameaçar, estuprar e praticar toda sorte de delitos, como invadir propriedades federais, seqüestrar, fazer reféns e outras estripulias e nada lhes acontece?

O General Heleno disse e acho que qualquer pessoa inteligente neste país vai concordar, o governo não sabe como lidar com o problema dos índios.

Possivelmente, estas coisas poderão preocupar alguma autoridade, quando começarem as mortes...

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A PERVERSA PATENTE DO FEIJÃO AMARELO

A revogação da patente de um tipo de feijão comum nos Estados Unidos é saudada como o fim de um engano, mas não terá maior impacto no México, onde é pouco cultivado e consumido

Por Diego Cevallos*
19/05/2008

México, 19 de maio (Terramérica) - Patentear uma invenção nos Estados Unidos e usufruir seus direitos representa na teoria um incentivo à inovação e à ciência. Porém, nos fatos pode ser incentivo para o roubo, como ocorreu com uma variedade de feijão mexicano. Após oito anos de tramitação, o Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos revogou, no final de abril, a patente de um tipo de feijão comum (Phaseolus vulgaris L.) que foi concedida ao norte-americano Larry Proctor, que dizia tê-lo inventado com duvidosa evidência empírica. Foi um caso de biopirataria demonstrativo de que o sistema de patentes nos Estados Unidos “pode chegar a ter efeitos perversos”, disse ao Terramérica Jorge Mario Martínez, do escritório mexicano da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Conseguir a anulação da patente custou mais de meio milhão de dólares em advogados, intervenção de ativistas sociais, do governo do México e do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), com sede na cidade colombiana de Cali. Além disso, representou perdas para os agricultores mexicanos, que não podiam vender nos Estados Unidos uma leguminosa exatamente igual à de Proctor, presidente da empresa de sementes POD-NERS. Entre advogados e trâmites, o suposto inventor obteve lucros com um feijão que havia comprado em um mercado do México, em 1994.

Do pacote adquirido selecionou os grãos amarelos e os cultivou. Depois pegou os de melhor aspecto até conseguir, mediante cruzamentos, o que descreveu como uma população uniforme e de cor amarela. Em 1996, pediu a patente, que lhe foi concedida em abril de 1999 com o nome de Enola. Neste caso, as normas do Escritório de Patentes foram “um claro incentivo ao mau comportamento, a ganhar por meio de um engano”, disse Martínez, que coordenou o livro “Geração e Proteção do Conhecimento: Propriedade Intelectual, Inovação e Desenvolvimento Econômico”, apresentado em abril pela Cepal. O livro indica que o sistema norte-americano de patentes, o mais desenvolvido do mundo, foi criado para incentivar a inovação e a pesquisa científica.

Entretanto, com o passar do tempo muitas patentes se converteram em moeda de troca entre corporações e em ingredientes de um mercado onde os paises do Sul em desenvolvimento perdem, tanto por falta de inovação quanto por escasso conhecimento e uso do instrumento da propriedade intelectual. “Sei de um costarriquenho, de quem roubaram seu invento, que foi se informar sobre o que poderia fazer, pois o patentearam nos Estados Unidos. Foi aconselhado que era melhor esquecer o assunto, a menos que estivesse disposto a gastar, durante anos, dinheiro com advogados e viagens sem que nada lhe garantisse a revogação da patente”, disse Martínez.

Segundo Silvia Ribeiro, pesquisadora e diretora do não-governamental Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC), o feijão mexicano mostra claramente o quanto pode ser “ruim” o sistema norte-americano de patentes. “Neste caso agiram sem nenhum rigor, pois desde o princípio nós advertimos com o grupo que essa patente não tinha sentido. Foi o roubo de um feijão mexicano”, afirmou Ribeiro ao Terramérica. A patente mostrou que a biopirataria pode chegar a extremos, acrescentou. Biopirataria é um termo criado por alguns ecologistas para definir o registro doloso de conhecimentos alheios e ancestrais sobre plantas ou seres vivos originários do Sul.

Atribui-se, em geral, essa prátca a cientistas e empresas do mundo rico.
Conseguir a revogação da patente do Enola parecia simples, assim que no primeiro ano e depois de receber a queixa dos agricultores e do ETC, o governo do México interveio junto ao escritório norte-americano de patentes. Mas não teve êxito, apesar de gastar US$ 250 mil com advogados. O CIAT tomou a proposta, argumentando que era necessário defender os direitos de milhões de camponeses latino-americanos que cultivam essa leguminosa há séculos. O CIAT abriga a maior reserva mundial deste alimento, com 35 mil variedades, 260 delas amarelas e seis idênticas ao Enola.

O diretor-geral desse centro, Geoffrey Hawtin, saudou a medida, mas repudiou que tenha demorado tanto tempo. O demandado apelou para mecanismos legais a fim de adiar a decisão e continuar se aproveitando economicamente do feijão, afirmou. “Sem necessidade, os agricultores tiveram que sofrer durante vários anos ameaças jurídicas e intimidações simplesmente por plantar, vender ou exportar um feijão cultivado durante gerações”, acrescentou. Entretanto, os dados disponíveis não sugerem que o caso Proctor tenha representado uma debacle no México, pois o feijão amarelo é pouco exportado e pouco consumido, ao contrário do preto.

No México, a produção de feijão, majoritariamente preto, passou de 887.808 toneladas em 2000 para 1,36 milhão de toneladas em 2006. Nesse mesmo período, as exportações para os Estados Unidos aumentaram de 5.525 para 12.203 toneladas. Quanto às importações, entre 2000 e 2006 dispararam de 61.869 para 130.741 toneladas. No país, 1,8 milhões de hectares estão semeados com feijão e 570 mil pessoas o cultivam. Embora seja um trabalho antiqüíssimo, seu rendimento médio é de 731 quilos por hectare, contra 1,6 toneladas nos Estados Unidos.

* O autor é correspondente da IPS/Envolverde.
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É FÁCIL FICAR MILIONÁRIO NO BRASIL

Míriam Leitão

A Aneel negou hoje (20/05) um pedido um tanto quanto interessante do empresário Eike Batista. Eike pretendia construir uma termelétrica no Amapá para fornecer energia para si mesmo. Até aí, tudo bem. Mas sua idéia era vender a energia para a companhia estadual com o preço de mercado (mais alto), e recomprar a mesma energia, só que subsidiada, como acontece nos estados do Norte, para usar na sua empresa MMX Amapá Mineração Ltda. Ou seja, ele iria usar os incentivos para ganhar dinheiro também na transação energética. Ah, um detalhe: quem paga esse subsídio são todos os consumidores do sistema interligado nacional.

Numa entrevista recente que fiz com ele, Eike defendeu sua proposta como legítima. Disse que teria direito ao subsídio porque toda a energia é subsidiada lá, e ele, como todo mundo, tem direito a comprar a energia subsidiada. O que complicou o caso foi que ele queria vender a sua energia para a estatal estadual por algo como (R$) 600 o MWH e recomprar por um terço do preço. Quando a proposta chegou à Aneel foi recebida com perplexidade, mas agora a agência decidiu simplesmente negar o pedido da MMX.

Nota do blog: não se iludam. O playboy vai, cedo ou tarde, conseguir o que quer. Nada que um agrado aqui outro alí não resolva. Em nosso país, investir para agradar gestores públicos é uma atividade altamente rentável. É fácil ficar milionário no Brasil.
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Terça-feira, Maio 20, 2008

CALOR!

Depois de um alívio nos primeiros dias do mês, a temperatura voltou a subir em nossa cidade. Nestes últimos dias está quase insuportável.

Vejam o gráfico do INMET ao lado. Dá para ver que desde o dia 15, quinta-feira, a temperatura média subiu, ficando sempre acima de 25°C. A máxima, faz três dias que sempre fica acima dos 30°. Quem aguenta?

E a previsão para os próximos três dias é que vamos continuar com esse calor que incomoda.
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ESCOLARIDADE E SAÚDE BUCAL

Existe associação entre fatores socioeconômicos e a auto-avaliação da saúde bucal, segundo pesquisa feita na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz. O estudo constatou que indivíduos com maior escolaridade e renda têm uma melhor percepção de sua saúde bucal

Maior escolaridade está associada a melhor auto-avaliação da saúde bucal

Fernanda Marques
Agência Fiocruz de Notícias

Existe associação entre fatores socioeconômicos e a auto-avaliação da saúde bucal, segundo pesquisa feita na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz. O estudo, na forma de dissertação de mestrado, constatou, por exemplo, que indivíduos com maior escolaridade e renda têm uma melhor percepção de sua saúde bucal. O trabalho analisou dados relativos a mais de 1,8 mil adultos de quatro municípios do Estado do Rio de Janeiro.


A autora da dissertação, a dentista Hérika Chaves de Mendonça, tinha como objetivo identificar os principais fatores que influenciam a auto-avaliação, ou seja, a percepção subjetiva das pessoas em relação a sua saúde bucal. Foram analisadas variáveis relacionadas à saúde bucal, tais como freqüência de visita ao dentista e relato de perda de dentes e uso de prótese, e variáveis sócio-demográficas: sexo, idade, escolaridade, cor da pele e renda domiciliar per capita. Foi investigada também a cobertura de domicílios de baixa renda (até R$ 400) pelo Programa Saúde da Família (PSF). Os dados analisados por Hérika foram retirados da Pesquisa Mundial de Saúde – Atenção Básica (PMS – AB).

Os resultados mostram que as pessoas, em sua maioria, avaliam positivamente sua saúde bucal: mais de 60% dos entrevistados consideraram-na boa ou excelente, contra apenas menos de 10% que a classificaram como ruim ou péssima. Os pesquisadores também constataram a influência da escolaridade. Entre os indivíduos com ensino fundamental completo, 68% consideraram sua saúde bucal boa ou excelente, enquanto esse percentual não ultrapassou os 50% entre aqueles com ensino fundamental incompleto.

Outra constatação da pesquisa é que os jovens, de modo geral, avaliam melhor sua saúde bucal – a pior auto-avaliação é feita na faixa etária de 45 a 59 anos. Além disso, Hérika também verificou que os idosos vão ao dentista com menor freqüência, sendo que a consulta odontológica regular foi associada a uma melhor auto-avaliação da saúde bucal. “Autores afirmam que visitas regulares ao dentista conduzem a uma melhor percepção de saúde bucal por duas razões principais: os efeitos positivos produzidos por uma maior oportunidade de receber ações preventivas e a ocorrência de um bem-estar psicológico associado ao cuidado com a saúde”, diz.

Contudo, considerando-se todos os participantes desta pesquisa, apenas 35,4% relataram visita odontológica pelo menos uma vez por ano e 56,9% mencionaram só procurar o dentista quando tinham algum problema. “Estima-se que 30 milhões de brasileiros jamais visitaram um consultório odontológico”, afirma Hérika, que contou com a orientação da pesquisadora Celia Landmann Szwarcwald, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fiocruz.

Também chamam a atenção os dados relativos à auto-avaliação da saúde bucal e à perda dentária em indivíduos com 60 anos ou mais. “Entre os idosos, neste estudo, grandes percentuais de perda de dentes foram observados e a maioria relatou não usar prótese odontológica. Contraditoriamente, mais de 60% destas pessoas avaliaram bem sua saúde bucal”, diz a pesquisadora. Segundo ela, os idosos aceitam a perda de dentes como um processo natural e inevitável do envelhecimento – o que é um engano – e, devido aos repetidos problemas com seus dentes, consideram a substituição deles por próteses como uma melhora de sua saúde bucal. “Contudo, estudos mostram que as próteses conferem apenas 25% da capacidade de mastigação quamdo comparadas aos dentes naturais. Além disso, há evidências de que um maior número de dentes perdidos representa maiores impactos negativos na qualidade de vida”, argumenta.

Conforme demonstram os resultados obtidos por Hérika, parece haver diferenças entre as condições clínicas (objetivas) e a percepção subjetiva que as pessoas têm de sua saúde bucal. De acordo com a dentista, conhecer a percepção subjetiva do indivíduo é importante, mas esta variável não deve ser analisada isoladamente. “Entre coortes mais jovens, deve-se considerar comportamentos relacionados à saúde bucal. Já entre idosos, deve-se avaliar tais comportamentos e a presença de tratamento reabilitador (uso de prótese). Além disso, vários autores mencionam a influência da percepção do indivíduo nos comportamentos relacionados à saúde e na aceitação de medidas de promoção de saúde”, diz Hérika.

Como considerações finais, a pesquisadora destaca a grande desigualdade social associada à saúde bucal e a importância das ações de promoção de saúde, objetivando mudanças de hábitos e a incorporação de comportamentos preventivos. Como forma de alcançar esta promoção de saúde, ela ressalta a efetiva atuação do PSF, articulando ações curativas e preventivas e considerando os valores e percepções dos indivíduos.
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PARA MARINA SILVA: "POLÍTICA SEM TEOLOGIA É PURO NEGÓCIO"

Por Leonardo Boff*

A saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente representa uma pesada perda de qualidade política do governo Lula. Por qualidade política entendo a competência do governante de manter a unidade dos contrários, contrários esses, inerentes a todo convívio social e democrático, que confere dinamismo e vida à sociedade. Marina Silva representava um pólo decisivo no governo e fundamental para uma política responsável pelo futuro da vida e da integridade do Planeta: o cuidado com o ambiente inteiro e com as condições ecológicas que garantem a vida em toda sua imensa diversidade. No outro pólo estão outros, em maior número, que perseguem um projeto, que nos remete ao século XIX, de crescimento material acelerado e a todo custo, sem considerar a mutação das consciências ocorrida no Brasil e no mundo face principalmente às perigosas transformações negativas do estado da Terra, ocasionadas, em grande parte, por aquele projeto. Missão do governante é ser um homem de síntese, capaz de articular os pólos e ter a sabedoria suficiente para decisões estratégicas, mesmo difíceis, que garantam o futuro de nossa existência neste pequeno Planeta. O atual presidente mostrou essa capacidade de síntese. Mas desta vez, parece-nos, se operou desastroso desequilíbrio. Com a ausência de Marina Silva, há o risco do pensamento único e da obsessão furiosa pelo crescimento fazendo crescer nossa dívida para com a natureza e as gerações futuras.

A ex-ministra Marina Silva mantinha tenaz coerência com a missão que se propôs de introduzir a partir de seu Ministério a transversalidade do cuidado ecológico em todas as instancias do poder, no esforço de conferir uma direção inovadora e à altura dos desafios contemporâneos ao desenvolvimento sócio-ambiental sustentável. Foi vista como obstáculo ao crescimento e como empecilho à modernização. E efetivamente era e precisava se-lo. Não é possível com tudo o que sabemos da história e da experiência recente continuar com o tipo de crescimento retrógrado que visa a acumulação à custa da devastação da natureza e do aprofundamento das desigualdades sociais. Há que se estigmatizar essa modernização conservadora e socialmente criadora de tantas vitimas no campo e nas cidades. As pressões contra a ministra vindas do interior do próprio governo e do exterior, de grupos poderosos ligados à pecuária e ao agronegócio solaparam a sustentação política e a viabilidade de seu trabalho, especialmente, com referência à preservação da floresta amazônica. Retirou-se do ministério pela porta da frente, com elevado espírito público e ético, protestando lealdade e fidelidade ao presidente.

Marina Silva era uma das reservas éticas do governo, uma referência de credibilidade para o Brasil e para o mundo. Mas ética era pouco para ela. Movia-a uma inspiração espiritual, de serviço à vida e de proteção a todo o Criado. Ela me faz lembrar a frase de um dos grandes pensadores da escola de Frankfurt que foi um rigoroso marxista e materialista: Max Horkheimer. No final de sua vida escreveu um instigante livro:"Saudade do totalmente Outro". Ai, como marxista e não como cristão, diz:"uma política, sem teologia, é puro negocio". E explicava:"teologia significa aqui, a consciência de que o mundo não é a verdade absoluta, que não é o fim; teologia é a esperança de que tudo não se acabe na injustiça que tanto marca o mundo, que a injustiça não detenha a última palavra". Estimo que Marina Silva mostrou em sua vida e prática a verdade desta sentença. Por isso todos lhe somos agradecidos e devedores.

* Leonardo Boff é teólogo, escritor, professor emérito de ética da UERJ e membro da Comissão da Carta da Terra.

(Envolverde/O autor)
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Segunda-feira, Maio 19, 2008

82% DOS JORNALISTAS USAM BLOGS COMO FONTE


O portal Comunique-se (a maior comunidade brasileira de jornalistas na internet) divulgou um interessante e revelador estudo. A empresa Textual consultou profissionais de mídia no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília, agora em maio. Nada menos que 82% dos jornalistas entrevistados reconheceram que utilizam blogs como fonte de pesquisa para suas matérias e reportagens.

Esse dado me fez lembrar de uma polêmica imensa gerada pelo Estadão, que realizou uma campanha publicitária satirizando os blogs, ano passado. A peça criada pela agência Talent colocava um macaco copiando e colando textos na internet. E as pessoas lendo o blog do macaco (pensando se tratar de uma pessoa) e achando ele um gênio. A idéia era dizer que apenas a mídia tradicional é confiável. Só que a reação foi tão grande na blogosfera que o tradicional jornalão fez publicar um pedido de desculpas e promoveu um debate sobre credibilidade na web.

O modelo de blog casado com notícias relevantes no Brasil pegou feito fogo em gasolina. Acho que existia uma grande vontade das pessoas de acabar com a via de mão única da mídia tradicional. As pessoas queriam questionar as notícias, acrescentar informações. Hoje somos todos provedores de conteúdo e não mais simples consumidores.

A mídia tradicional demorou em entender isso. Pior. Teve medo quando aconteceu. Estava confortavelmente deitada em berço explêndido, com seus leitores/telespectadores domesticados e amordaçados. Isso tudo mudou. E já tem muito jornalão bebendo na fonte dos blogs, como revela a pesquisa citada.

E olha que estamos apenas no começo…

Autor: Marco Bahé - 19/05/08 às 14:09
Editor do Blog Acerto de Contas
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MINC, MEU NOME É MINC






















Originalmente publicado no JB Online
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SAÚDE: PACIENTES DA ERA 'INTERNET', MÉDICOS SOB PRESSÃO

Inovações tecnológicas e internet ampliam o acesso à informação e a possibilidade de interatividade. Na área de saúde esse fenômeno gerou o surgimento do chamado "paciente informado", aquele que busca informações sobre o diagnóstico, o sintoma, o medicamento e o custo de internação e tratamento de doenças, e acredita que seu saber deve ser levado em consideração pelo médico durante a consulta

Paciente informado pela 'web': fenômeno que altera a relação médico-paciente

Informe Ensp/Agência Fiocruz de Notícias

As inovações tecnológicas e a internet ampliaram infinitamente as fontes de informação e a possibilidade de interatividade. Nesse contexto, a saúde aparece como uma das áreas onde há cada vez mais informação disponível para um número cada vez maior de interessados.

Entre outras coisas, esse fenômeno gera o surgimento do chamado "paciente informado", aquele que busca na rede informações sobre o diagnóstico, o sintoma, o medicamento e o custo de internação e tratamento de doenças, e acredita que seu saber deve ser levado em consideração pelo médico durante a consulta.

Até que ponto isso interfere na autoridade e no prestígio social do médico e altera a relação médico-paciente, baseada tradicionalmente na assimetria de informações? Responder essa pergunta é o objetivo da pesquisa O impacto da internet na saúde: a percepção da população de baixa renda do Estado do Rio de Janeiro, contemplada pela Faperj no programa Pensa Rio – Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos para o Estado do Rio de Janeiro.

O perfil desses consumidores de informação em saúde na internet tem se mostrado bastante variado. Por outro lado, os sites que tratam de temas e questões relativas à saúde-doença também já são incontáveis: alguns mantidos por empresas ligadas ao setor, outros organizados por pacientes ou profissionais da área, grupos de auto-ajuda de pacientes portadores de uma determinada doença, associações profissionais, organizações governamentais e não-governamentais, instituições de ensino e pesquisa etc. Há também fóruns interativos que oferecem informações e permitem, cada vez mais, a troca de experiências entre consumidores de serviços de saúde.

Esse cenário sempre gera discussões importantes sobre as dificuldades encontradas por pacientes leigos com a linguagem médica e com a incerteza advinda da multiplicidade de informações. “Muitas vezes a informação sobre saúde disponível na internet é incompleta, contraditória, incorreta ou até fraudulenta.

O cidadão comum, por sua vez, tem dificuldade de distinguir, por exemplo, o certo do enganoso ou o inédito do tradicional”, afirma o pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz e coordenador do estudo, Luis David Castiel. E ele enfatiza: “Independentemente do perfil e das razões que levam as pessoas a buscar informações sobre saúde e da qualidade da informação disponível, o impacto da internet na prevenção e promoção da saúde de milhares de cidadãos em todo o mundo é inquestionável e vem sendo alvo crescente de investigação acadêmica, principalmente nos EUA e na Europa. No Brasil, no entanto, essa produção ainda é pouco expressiva.”.

O foco do projeto, no entanto, é a influência que um dos fenômenos decorrentes desse quadro exerce sobre a relação médico-paciente. “O "paciente informado", que tem sido considerado por um grande número de autores um fruto da melhoria do nível educacional da população e da ampliação do acesso às informações técnico-científicas, não é apenas um paciente que tem informações questões relativas ao seu estado de saúde. Ele se sente, de alguma forma, um especialista cuja opinião deve ser levada em consideração pelo médico durante a consulta”, explica Castiel.

O projeto será desenvolvido por uma equipe formada pelos pesquisadores Maria Cristina Rodrigues Guilam, do Centro de Estudos de Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh); André de Faria Pereira Neto, do Departamento de Pesquisa da Casa de Oswaldo Cruz (COC); e Valéria Ferreira Romano, do mestrado em saúde da família da Faculdade de Me