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terça-feira, fevereiro 02, 2016

HOMOGENOCENO

Alceu Ranzi* e Evandro Ferreira**

Algum tempo atrás o Dr. Evandro Ferreira escreveu sobre o Antropoceno. Antropoceno seria uma nova época geológica marcada pelas alterações do planeta executadas pela ação do homem. Muito embora haja quase um consenso de que a ação do homem está ensejando a criação de uma nova época geológica, ainda existem divergências quanto à correta denominação dessa ‘época do homem’.

Além do termo Antropoceno, existe outro muito em voga, o Homogenoceno, derivado do grego antigo e que tem o seguinte significado: homo-, mesmo, geno-, tipo, ceno-, novo [em relação a período temporal]. Em outras palavras, Homogenoceno é a fase da história do planeta em que o mundo está cada vez mais homogêneo.

Apenas desde o início desse século é que se começou a falar do Homogenoceno. Um dos principais postulantes do Homogenoceno é o escritor Charles Mann, autor do livro ‘1493’ que trata da globalização - de coisas boas e ruins – decorrentes da descoberta da América. Para Mann, a descoberta do ‘Novo Mundo’ marcou o fim da trajetória separada dos continentes e transformou nosso planeta em uma única e gigantesca província ecológica. Mann já veio ao Acre para ver as obras deixadas pelos construtores dos geoglifos.

Para entendermos o significado abrangente do Homogenoceno temos que voltar alguns milhões de anos no tempo geológico. Alfred Wegener, um cientista alemão, propôs no início do século passado que a disposição atual dos continentes indicava que um dia deveria ter havido a Pangeia, um continente único cercado pelo oceano. Um dos fortes argumentos usado por Wegener seria o contorno das zonas costeiras da África e América do Sul. Ambas pareciam se encaixar.

Pelas suas ideias, Wegner foi ridicularizado. Mas os paleontólogos, entre outros estudiosos, vieram em socorro do alemão. A favor de Wegner, podemos citar o réptil Mesosaurus, cujos esqueletos fósseis podem ser encontrados na África e na América do Sul. Outro réptil fóssil é o Lystrossaurus, animal terrestre, com restos encontrados na África, Madagascar, Índia e Antártida. No mundo vegetal, uma samambaia fóssil, conhecida cientificamente como Glossopteris, é encontrada na América do Sul, Índia e Austrália. Para nós, na Amazônia, a pirambóia (Lepidosiren paradoxa), um peixe pulmonado ósseo, é um bom exemplo, pois ocorre na América do Sul e na África, indicando um passado comum. Essas e outras descobertas indicam um continente único. Wegener morreu antes de ter sua genialidade reconhecida.

Foi a separação da Pangeia, em vários blocos, que permitiu a diversidade biológica. Entre outras causas, o tempo, a distribuição geográfica e o isolamento dos grupos originais, levou a especiação. Isso durou milhões de anos e o isolamento de muitos dos seres vivos foi rompido com o início das navegações e descobrimentos. Essa fase é lembrada principalmente pela viagem de Colombo, que na prática também significou uma nova união entre a Eurásia e a América.

As viagens de descobrimento, protagonizadas em especial pelos Espanhóis e Portugueses, foram fatores primordiais para a realização de trocas biológicas em velocidade muito acima da normalidade geológica. Pelas caravelas o Brasil voltou a ficar ligado com a África como no tempo do Gondwana.

Em uma recente viagem do primeiro autor desse artigo pela África oriental, além de elefantes, leões e girafas, foi possível notar várias das nossas plantas ornamentais nos jardins das casas africanas. Entre tantas, as que mais chamaram a atenção foram a espada de são jorge e a comigo-ninguém-pode.

São vários os exemplos que confirmam a existência do Homogenoceno. Vamos citar alguns que fazem parte do nosso dia a dia. Nossa refeição da manhã normalmente contém café, cultivado no Brasil, mas originário das terras altas da Etiópia. Para misturar com o café usamos leite de vaca, adoçado com açúcar. A cana é originária do sul e sudeste asiático e as vacas foram trazidas da Europa para colonizar as Américas. O outro elemento das nossas manhãs é o pão, feito de trigo, originário da Eurásia.

No nosso almoço poderemos ter feijão, arroz e carne de frango, porco ou de boi...nesse caso só o feijão é brasileiro. Na salada vamos com alface, cebola e tomate, temperados com azeite, vinagre...aqui só se salva o tomate.

Não podemos esquecer do cravo, da canela e da noz-moscada, as especiarias que foram uma das razões para as viagens dos descobrimentos!

Fumar cigarros de tabaco é um hábito mundial. Antes de Colombo só os índios americanos conheciam o tabaco. O tabaco é mais um elemento do Homogenoceno global que era bem conhecido dos Pajés do Brasil. No Acre é bem conhecido o tabaco do Alto Juruá.

Além do tomate e do tabaco, entre outras culturas importantes, a América contribuiu para o Homogenoceno com a mandioca, o milho e a batata. Essas culturas salvaram da fome milhões de pessoas em todo o mundo. Todas as indicações científicas conduzem para o Oeste da Amazônia como fonte original da mandioca.

Também nós, na Amazônia, temos contribuído com o Homogenoceno. Além das nossas pimentas tipo murupi e olho de peixe, a borracha foi nossa participação mais escandalosa para estabelecer o Homogenoceno. Por último, e já nos tempos atuais, o açaí está conquistando espaço nos supermercados de todos os continentes.

Como nos lembra Charles Mann, sempre que estivermos sentados à mesa para uma refeição, não importa em qual região do mundo, certamente vamos ter em nossos pratos uma amostra do Homogenoceno.

Bom Apetite!

P.S. Existem outros fatores que estão tornando o nosso mundo cada vez mais homogêneo, com destaque para a internet, FaceBook, Google, Bolsa de valores, petróleo, aviões à jato, língua inglesa, migrações humanas em massa, etc.

*Paleontólogo e ex-professor da UFAC
**Engenheiro Agrônomo e pesquisador do INPA e do Parque Zoobotânico da UFAC.

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segunda-feira, janeiro 11, 2016

SOJA FAZ RENASCER ESTRADA AMAZÔNICA

Por Fabiana Frayssinet, da IPS Miritituba, Brasil, 7/1/2016 – A rodovia BR-163, antigo sonho colonizador da Amazônia dos militares brasileiros, foi ressuscitada pelos agroexportadores, dentro de um plano para reduzir custos através de suas hidrovias. Mas sua reconstrução acentuou problemas históricos de desmatamento e posse da terra, e anuncia novos conflitos sociais.A imagem da Amazônia, uma floresta tropical úmida que abriga a maior diversidade do planeta, pouco se assemelha à dos 350 quilômetros que unem os municípios de Santaréme Itaituba, ambos no Estado do Pará. 

Entre os atuais terminais portuários, o de Santarém, onde confluem os rios Amazonas e seu grande afluente Tapajós, e o distrito de Miritituba, às margens deste último, em Itaituba,se vislumbra pequenos arvoredos salpicados por grandes plantações de soja. O gado bovino pastando mansamente ou descansando à sombra das escassas árvores, se abrigando das altas temperaturas acentuadas pelo desmatamento, é a única espécie visível de mamífero.

“Há 30 anos, quando viemos para cá, era só floresta”, contou à IPS a camponesa Rosineide Maciel, que junto com sua família observa uma máquina nivelando um trecho da estrada em frente ao seu rancho. Ela não esquece aquele tempo quando, junto a milhares de migrantes brasileiros, chegou atraída pela oferta de terras dos planos de ocupação amazônica, oferecidos pelos governos militares da época.

Graças à pavimentação da estrada, desde 2009, demora menos para transportar sua mandioca, o arroz e os corantes até Rurópolis, a 200 quilômetros de sua propriedade. “Depois que a estrada melhorou, ficou mais fácil. Antes, para chegar a Rurópolis havia muitos altos e baixos. Se tinha lama, demorávamos três dias”, recordou Maciel.

A BR-163, construída na década de 1970 e que chegou a ficar praticamente intransitável, une Cuiabá, capital do Estado do Mato Grosso – principal produtor e exportador nacional de soja –, a Santarém. Dos seus 1.400 quilômetros, onde é intenso o tráfego de caminhões carregados com toneladas de soja e milho, ainda faltam cerca de 200 para serem asfaltados e outros tantos estão cheios de lombadas. 

No inverno, a baixa visibilidade provocada pela poeira vermelha amazônica, e, no verão, a lama geradapelas intensas chuvas causam acidentes diários. Ainda assim, comparada com o passado, é um paraíso para os caminhoneiros que em época de colheita a percorrem pelo menos cinco vezespor mês. “Quando começou a vir a soja para Santarém, há três anos, às vezes eu demorava de dez a 15 dias. Hoje fazemos o percurso em três, se não chove”, detalhou à IPS o caminhoneiro Pedro Gomes, do norte do Mato Grosso. 

A BR-163 termina em Santarém, na entrada de um porto da empresa norte-americana Cargill, onde embarca seus grãos e os transporta pelo rio Amazonas para o Oceano Atlântico, e dali para os principais mercados mundiais, como China e Europa.Esse e outros portos construídos ou planejados por outras companhias em Santarém, Mirititubae Barcarena (em Belém, capital do Pará, na desembocadura do Amazonas) são parte de uma infraestrutura logística que, somada à pavimentação da estrada, busca economizar custos com frete terrestre e marítimo.

Dessa maneira, foram reduzidos,a partir do Mato Grosso, os dois mil quilômetros que os caminhões percorriam até os saturados portos das regiões Sul e Sudeste do país, como Santos, no Estado de São Paulo, ou Paranaguá, no Estado do Paraná. A Associação de Produtores de Soja do Mato Grosso calcula em US$ 40 a economia do frete por tonelada.

“A saída por portos do Norte, como Santarém, dá competitividade. A BR-163 é fundamental, um corredor de exportação e uma necessidade para o país e a região”, ressaltou José de Lima, diretor de Planejamento de Santarém. Porém, o modelo agroexportador é questionado por outros. Com a consequente explosão da soja no Pará, aumentou a ocupação ilegal e subiu o preço da terra.

“A pavimentação da BR-163 aqueceu o mercado de terras. Em uma região onde impera a posse ilegal de terras e não existe ordenamento territorial, issogera uma série de conflitos sociais e ambientais”, explicou à IPS Maurício Torres, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). “Se desmata não para produzir, mas para a apropriação fraudulenta da terra. Uma frase comum usada na região da BR-163 é que ‘dono é quem desmata’, ou seja, o desmatamento ilegal passa a ser um instrumento de apropriação de terras públicas”, acrescentou.

Em 2006, o governo lançou um programa de desenvolvimento sustentável para a área de influência da BR-163, para reduzir os impactos socioambientais provocados pela sua reconstrução, mediante projetos autossustentáveis para as comunidades locais. Mas foi “um pouco abandonado”, disse à IPS a reitora da Ufopa, Raimunda Nogueira.“Se as comunidades ao redor da BR-163 não forem fortalecidas, a tendência é que passem por um processo de transformação incrível, por exemplo, que o preço da terra aumente e os pequenos vendam, aumentando os latifúndios”, acrescentou.

O desmatamento em grande escala teve lugar na década de 1980, com a exploração da madeira. Porém, isso não deixou áreas “desnudas”, segundo a reitora, porque a agricultura de subsistência “manteve diversas escalas de regeneração florestal”. Mas, “quando os grandes produtores chegaram, cortaram todas essas áreas em fase de regeneração que mantinham certo equilíbrio”, pontuou Nogueira, que estima que cerca de 120 mil hectares foram transformados em plantações de soja.

Por sua vez, Torres se refere ao surgimento de outros problemas sociais, como a prostituição, inclusive de menores de idade. “Há cidades centenárias do Paráque poderiam se converter em grandes bordéis de caminhoneiros”, ressaltou.Os moradores de Campo Verde, povoado de seis mil habitantes a 30 quilômetros de Miritituba, que vivem da produção de palmito e de serrarias, já antecipam esses efeitos nos canteiros de construção.

O povoado ficará na junção da BR-163 e com a Transamazônica, estrada com mais de quatro mil quilômetros que cruza todo o norte brasileiro.“Por aqui vão passar apenas os transportadores de soja. Calcula-se que serão, em média, 1.500 caminhões por dia. Calcule os acidentes que teremos com todos esses caminhoneiros que vêm como loucos e nem freiam”, questionou à IPS a líder comunitária do povoado, Celeste Ghizone, que também teme a chegada da criminalidade e das drogas.

A nova logística permitirá exportar, a partir de 2020, 20 milhões de toneladas de grãos, dos 42 milhões que Mato Grosso produz atualmente. O sonho das empresas agrícolas é continuar ampliando o corredor da soja, construindo uma ferrovia até Miritituba.“É importante destacar que a BR-163 asfaltada não é uma infraestrutura local, mas serve para os grandes produtores de soja do Mato Grosso. O Estado do Pará se converterá em um mero corredor de transporte de soja”, lamentou Torres. Envolverde/IPS Foto: Fabiana Frayssinet/IPS
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terça-feira, dezembro 15, 2015

ACORDO DE PARIS: TODOS PODEM GANHAR SE TIVEREM VONTADE POLÍTICA

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

A aprovação do ‘Acordo de Paris’ por parte de representantes de 195 países no dia 12 de dezembro de 2015, resultado das negociações levadas a cabo durante a 21ª Conferência das Partes (COP-21) das Nações Unidas, representa o primeiro marco jurídico universal na luta contra o aquecimento global.

O acordo obriga as nações signatárias a desenvolver estratégias para limitar em valores bem abaixo de 2ºC o aumento médio da temperatura da Terra até o ano 2100, com o compromisso de se alcançar 1,5ºC. Essa diminuição tem como parâmetro os valores da temperatura média global observados no planeta antes do início da revolução industrial, em meados de 1800.  

A importância histórica do momento foi capitalizada pelo presidente da França, François Hollande, que, empolgado por estar à frente da reunião, exortou os delegatários internacionais a considerar que o "...12 de dezembro de 2015 poderá ser um dia não somente histórico, mas uma grande data para a humanidade, pois celebrou o primeiro acordo universal de nossa história”. Ele finalizou sua fala ressaltando ser “algo raro na vida ter a oportunidade de mudar o mundo. Vocês a tem. Aproveitem!"

Apesar da euforia política, a concretização das ambiciosas metas assumidas pelos 195 países concordantes é algo difícil de ser alcançado e esse aspecto foi bem sintetizado pelo presidente americano Barack Obama em discurso proferido na noite da celebração do acordo reconheceu, quando afirmou que "o problema não está resolvido com o acordo de Paris".

A razão decorre de alguns fatos preocupantes. O aquecimento do planeta já está, conforme informações da Organização Meteorológica Mundial, próximo de 1ºC em 2015. E os compromissos de redução de emissões de gases do efeito estufa anunciados antes do início da COP-21 por 187 países farão com que as emissões do planeta atinjam em 2030 a marca de 55 gigatoneladas de CO2, número incompatível com a meta de 2°C e que, na verdade, colocam o planeta em uma trajetória de aumento de +3ºC.

Considerando que na atualidade as emissões de CO2 estão por volta de 52 gigatoneladas, vai ser necessário, para atingir as metas acordadas em Paris, baixar as emissões para 40 gigatoneladas até 2030. O problema é que o acordo não especifica quais serão as metas de redução obrigatórias para cada país. Ele apenas prevê uma revisão, a cada cinco anos (a primeira em 2023), das metas que cada país se dispôs a cumprir voluntariamente.

Nesse aspecto o acordo foi pouco objetivo, vago até, porque, como criticou o governo americano, na prática as metas não existem. Foi facultado a cada um dos países signatários ‘levar tarefas’ para cumprir em casa.

Mas será que todos irão conseguir cumprir o acordado?

A resposta é muito complexa, pois depende de decisões políticas e econômicas internas no âmbito de cada país.

No caso do Brasil, as metas propostas para 2030 incluem uma redução de 43% das emissões de gases causadores do efeito estufa, plantio de 12 milhões de hectares de florestas e o fim do desmatamento ilegal em todo o país. São factíveis? Algumas sim, como o plantio de florestas. Mas outras, como o fim do desmatamento ilegal e a redução das emissões dependem da ‘vontade política’ dos futuros governantes em querer alcançá-las.

Quando as condições econômicas são favoráveis é mais fácil implementar certas ações que, em geral, causam danos políticos aos administradores. Foi o que aconteceu no Brasil nos últimos 10 anos. A redução de 85% do desmatamento a partir de 2005 permitiu uma redução de mais de 41% nas emissões de CO2 até o final de 2012. Essa diminuição ocorreu em um ambiente econômico extremamente favorável, com emprego e renda em alta. Nessas condições, a fiscalização e o controle do desmatamento ou de qualquer outra atividade ilegal e/ou danosa para o meio ambiente tende a ter menor impacto social e político.

Entretanto, quando as condições econômicas são desfavoráveis, como a que o país está atravessando agora, a fiscalização e o controle do desmatamento e da redução de emissões não serão executadas tão facilmente, pois atividades geradoras de empregos e renda para a população tendem a ser vistas com beneplácito, mesmo quando causam problemas ambientais.

Nessas horas, poucos administradores públicos terão vontade e coragem política de se opor ou farão 'corpo mole' para fiscalizar atividades de supressão de florestas para a expansão de áreas agrícolas e pecuárias, ou mesmo à criação de indústrias poluentes e consumidoras de recursos extraídos da natureza, como a mineração e a siderurgia.

Em outras situações, planos já consolidados deverão ser completamente revistos, como no caso da geração de energia do país, que terá que ser reescrito, pois os investimentos previstos até 2024 indicam que 71% dos recursos deverão ser dirigidos para o aproveitamento de combustíveis fósseis – basicamente o desenvolvimento de campos de produção do pré-sal.

Nesse caso, é quase inacreditável que com o orçamento de investimentos restrito e acossados pela necessidade de gerar emprego e renda, futuros governantes resolvam privilegiar a implantação de parques eólicos ou solares, em detrimento do desenvolvimento dos campos petroliferos do pré-sal.

Se por um lado o acordo de Paris pode enfrentar problemas localizados em alguns dos países signatários para alcançar algumas de suas metas, por outro ele representa uma grande oportunidade para os países que pretendem incentivar a agricultura, pecuária e a indústria em geral de baixo carbono.

Para financiar as iniciativas voltadas para o cumprimento de metas acertadas em Paris, foi definido um piso mínimo que os países desenvolvidos deverão investir em países pobres para adaptar suas economias sem ocorram aumento de emissões de gases causadores do efeito estufa: US$ 100 bilhões/ano. Supõe-se que a captação de parte desses recursos será facilitada nos países que tenham condições administrativas e experiências exitosas no campo da economia de baixo carbono.

Nesse aspecto, o Acre parece estar na vanguarda para tirar proveito da situação. Vários programas foram e estão sendo implementados com o objetivo de gerar compensações financeiras para produtores rurais que não desmatam ou que promovem o reflorestamento. Já faz alguns anos que foi criado o Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação dos Serviços Ambientais (IMC) para estabelecer, controlar e promover os mecanismos de investimento em serviços ambientais e garantir a repartição de benefícios aos seus provedores. Além disso, o IMC atua no desenvolvimento de estratégias de adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas no Estado.

A vantagem decorrente da existência de políticas na área ambiental e de uma instituição dedicada à sua execução – o IMC – só poderá ser traduzida na captação efetiva dos recursos financeiros previstos no acordo de Paris se a vontade política das futuras administrações estaduais sinalizarem que irão manter ou mesmo ampliar a estrutura e a ação do IMC e de órgãos relacionados.

Não sei se isso acontecerá caso a atual corrente política que administra o Estado seja derrotada nas eleições majoritárias de 2018. E porque digo isso? A maioria das reclamações na área ambiental aqui no Acre são quase sempre relacionadas à atuação dos órgãos de fiscalização e controle de ilegalidades ambientais – especialmente desmatamentos. E na maioria das vezes que algum prejudicado vem a público reclamar da ‘perseguição’ desses órgãos fiscalizadores, integrantes da oposição política não se furtam em apoiar de forma quase irrestrita tais reclamos, como que sinalizando que ‘fiscalizar é errado, desmatar é certo’.


É preciso que todos, independente de cores políticas, se conscientizem que sem fiscalização e controle não tem floresta. E sem floresta o Acre perde o grande atrativo para a captação de parte dos recursos previstos pelo acordo de Paris. 

Foto: Arnaud Bouissou/ COP21
Resumo deste artigo foi publicado no jornal A Gazeta de 15/12/2015
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sexta-feira, dezembro 04, 2015

MARINA SILVA: "IMPEACHMENT NÃO É GOLPE E DEVE SER DISCUTIDO LOGO"

Em entrevista a ÉPOCA, Marina Silva defende que não há razões suficientes para afastar a presidente no texto acolhido por Cunha

Ruth de Aquino
04/12/2015 - 15h28 - Atualizado 04/12/2015 15h58


Marina Silva durante entrevista em São Paulo (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)Com um legado de quase 20 milhões de votos na eleição do ano passado e com 21% da preferência dos brasileiros para as eleições presidenciais de 2018, Marina falou longamente a EPOCA, às vésperas de ir a Paris para a Conferência do Clima. Usava um colar que ganhou dos xavantes no Mato Grosso. "Esta é uma versão feminina, eu estava usando antes a maior, masculina e os índios me fizeram trocar por esse outro, mais delicado." Marina costuma dizer que seu corpo frágil não deveria assustar ninguém. Mas parece que assusta. Deve ser pelo discurso da ética, aliado a uma serenidade estoica, sem nenhum resquício de vingança ou ressentimento.

EPOCA - Em sua opinião, havia razões suficientes no texto do jurista Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, para abrir um processo de impeachment contra a presidente Dilma?
Marina Silva - Os fatos que estão ali, no texto, já eram de conhecimento da Rede e a única novidade é que Eduardo Cunha, presidente da Câmara, resolveu acolher. Ainda não são suficientes os argumentos para um afastamento, mas debateremos com independência e isenção, sem barganhar com ninguém, sem nenhum acordo. O fundamental é dar apoio a todas as investigações de corrupção e desvios, feitas pelo Ministério Público e pelo TSE.

EPOCA - A senhora acha um erro ter sido acolhido o processo de impeachment?
Marina - Não estamos contestando o acolhimento. O impeachment não é golpista, é um instrumento previsto na Constituição. Obviamente no decorrer do processo firmaremos nossas posições. Achamos que o mais importante é que o processo que está no TSE seja devidamente debatido. Se o PT tem um líder do governo preso e um tesoureiro preso, se o PMDB tem um presidente da Câmara e um presidente do Senado igualmente denunciados, deveríamos pensar na inviabilização da chapa como um todo. Não adianta pensar que as denúncias que pesam sobre o PT não pesam também sobre o PMDB, ambos estão envolvidos em denúncias de corrupção.

EPOCA - É benéfico para o Brasil que a irresponsabilidade fiscal, resultando numa crise econômica profunda, seja reconhecida pelo país como um compromisso moral do presidente da República, passível de ser punido até com o afastamento se não for cumprido?
Marina - O descumprimento às regras referentes ao Orçamento público é grave. Essa é uma lei que deve ser respeitada e cumprida, mas que foi implementada após a Constituição. Juristas discordam se a irresponsabilidade fiscal deve ou não ser considerada justificativa para se afastar um presidente. Isso está suscitando dúvidas. Queremos dirimir todas as dúvidas. Porque um impeachment não se resume a uma tecnicalidade; também é um processo político. Nossa plataforma de sustentação é a Constituição.

EPOCA - O fato de o processo de impeachment ter sido aceito por um presidente da Câmara sem credibilidade e ameaçado de cassação deslegitima, por si só, o processo?
Marina - O processo de impeachment, já disse, é legal. Cunha está no exercício do cargo e o encaminhou do ponto de vista legal. Não importam aí seus motivos por trás da atitude. Quanto a ser legítimo, o que é diferente de ser legal, acho que tanto o Executivo quanto o Legislativo, que se acusam mutuamente hoje de chantagem, carecem de legitimidade.

EPOCA - A seu ver, o recesso parlamentar deve ou não ser suspenso para que se analise sem demora o que está na mesa, nos corações e nas mentes dos brasileiros?
Marina - A minha posição pessoal ainda não é posição da Rede. Tenho tendência a evitar a protelação. Nós não podemos expor o país a uma situação indefinida, a prejuízos no grau de investimento que podem ser irreversíveis. O debate deve ser feito da melhor forma possível para se ter todos os elementos de acordo com a responsabilidade que esse processo exige. Temos uma faca de dois gumes. Se por um lado o imediatismo tira o país de um maior desgaste econômico e social, do outro lado o encurtamento pode trazer prejuízos democráticos, se o debate for açodado e intempestivo. A sociedade precisa ter um tempo para processar tudo isso.  Seja para condenar ou inocentar, precisamos no momento de serenidade para pensar no que é melhor para o Brasil e sua população.

ÉPOCA – O PT pode ser responsabilizado pelas prisões de seus representantes?
Marina - Sem entrar no mérito do dolo praticado, o partido tem responsabilidade com os quadros que tem. E se um senador da República comete ilegalidades irrefutáveis como o senador Delcídio do Amaral e como tesoureiros também, o partido não pode achar que não tem nada a ver com isso. Eu confio no trabalho da Justiça, da Polícia Federal e do Ministério Público. Tenho dito desde o início e tenho pago um preço alto por isso, que não se deveria ter uma ansiedade tóxica pelo impeachment da presidente. Impeachment não se fabrica. Ele se explicita em função das razões legais que o amparam.

>> Marina defende diálogo de Lula com FHC

ÉPOCA – Por que não há mais manifestações nas ruas?
Marina - As manifestações foram antecipatórias. Já diziam isso aí. Queremos o combate a corrupção. Queremos que o Brasil preste bons serviços. Agora, no ponto a que chegamos, não há uma saída fácil. Até bem pouco tempo eu achava que estávamos no fundo do poço. De duas semanas para cá, me sinto como se estivéssemos num poço sem fundo. Quando você cai num buraco, sente uma vertigem. Você procura uma borda para se segurar. Precisamos criar uma superfície de sustentação. Essa borda se cria buscando os homens e mulheres de bem mais preocupados com a nação do que com eleições. Temos dois trilhos: o das investigações independentes com total apoio para explicitar e punir. E o trilho dos rumos. Reconhecer erros atuais e históricos, criando uma agenda independente dos partidos. Só discutimos o ajuste fiscal. Precisamos discutir o ajuste Brasil.

>> Marina diz que impeachment pode aprofundar o caos

ÉPOCA – Quais são seus objetivos com a Rede nas próximas eleições?
Marina - Se você me perguntar nas próximas gerações, fica mais fácil falar (sorrisos). Nas próximas eleições, vou ter mais dificuldade. A Rede é uma tentativa, um experimento, como tantos no mundo hoje, de respeitar o novo sujeito político e as novas estruturas de poder não viciadas em se perpetuar. Pensamos na nação e não nas eleições, pensamos em programas de longo prazo para o curto prazo político. E não em programas de curto prazo para alongar o prazo no Poder. Vemos experiências parecidas na Índia, na Argentina, na Itália. Por isso não fizemos uma escolha pragmática, de recrutar deputados, para ter 20, 30, pensando em fundo partidário, tempo de televisão. Vamos participar de eleição? Onde for possível, legitimamente. Na maioria das cidades, não teremos candidatura.

EPOCA - A senhora se considera a personificação da terceira via?
Marina - Todo título autoimputado deve preocupar o político, ele deve verificar sua legitimidade e sua validade. Os brasileiros não me quiseram no segundo turno no ano passado. Mesmo assim, mais de 20 milhões de pessoas votaram em mim, passando pelo fogo, pela água e pelos ares. Não fiz de tudo para ganhar. Dilma sim, fez tudo para ganhar, até mesmo convencer que o país não vivia uma insolvência, uma situação pré-falimentar. Ela ganhou perdendo. Mas meus eleitores e eu continuamos a achar que é possível ganhar ganhando. Converso com os dois legados, do Lula e do Fernando Henrique. Devemos institucionalizar as conquistas e não repudiá-las.

EPOCA - Seu discurso costuma ser de uma otimista com o Brasil, mesmo no meio da crise.
Marina - Sabe por quê? Porque já temos 50% de tudo que é necessário para o Brasil dar certo. Ele é gigante por sua própria natureza. Precisa se tornar gigante pela natureza das decisões que a gente toma. Não decisões a curto prazo para alongar o prazo dos políticos. Mas decisões de longo prazo no curto prazo que temos.

EPOCA - O PT tem salvação?
Marina - A situação está tão seria e dramática que prefiro gastar minha energia para saber se a economia tem salvação. Não foi catástrofe, nem guerra, foi por incapacidade. Agora é saber como a gente salva o Brasil e a democracia. E como recupera conquistas como a estabilidade econômica e a inclusão social. O Brasil poderia estar liderando um novo processo. Qualquer um que colocar sua pessoa ou seu partido na frente do país não entendeu nada o que está acontecendo. Somos um polo estabilizador da América Latina, um continente com um grave problema na Venezuela. Quando se é democrata, deve-se saudar a alternância no poder e isso me deixou feliz na Argentina. Não se pode ter um projeto de poder que só funciona comigo. É a escolha de Sofia, ou é meu projeto maravilhoso ou é a democracia. Temos de ter instituições que garantam ganhos da sociedade quando se elegem partidos diferentes, com outras ideologias. No Brasil tivemos uma experiência muito interessante na transição do FH para o Lula. Ali foi uma sinalização do que poderia ser o início de um caminho virtuoso, onde se reconhecem conquistas alheias.

EPOCA - O que deu errado?
Marina - Infelizmente a ideia de pensar um projeto de 20 anos no poder nos levou ao reducionismo e a uma polarização absurda. Foi um erro histórico, tanto do PT quanto do PSDB. São dois partidos da social democracia – um ligado aos movimentos  populares e a uma parte da intelectualidade, outro ligado ao empresariado e a uma parte da intelectualidade. Ao ganhar o poder, buscaram alianças, para governar, muito mais incompatíveis com sua história do que se tivessem feito um movimento com mais sentido. O que faz mais sentido? FHC dialogar com Lula ou com Antônio Carlos Magalhães? Depois de uma transição respeitosa, democrática e republicana, o que era mais coerente? Um diálogo de Lula com FHC ou com Sarney, Collor e Renan? A polarização nos levou a um ponto em que nós não aposentamos a velha república. Precisamos pensar no que fazer para que o país continue próspero, socialmente justo, politicamente democrático culturalmente diverso, ambientalmente sustentável, independente de você. aí saímos da partidarização e da fulanização para a institucionalização das conquistas.

ÉPOCA – O que falta na agenda Brasil?
Marina - Acabar com desvio de impostos que fazem com que 500 mi jovens tirem zero na prova de redação. Mudar uma matriz energética que não aposta nas energias do século 21, usando eólica, biomassa, solar, e que fica gastando dinheiro no megawatt/hora de diesel, de carvão e de gás a R$ 750. Como aceitar que se captem recursos a 11%, 14% e se empreste a 4% de juros para um grupo de ungidos e escolhidos, sem que isso passe pelo Congresso? Precisamos de uma agenda estratégica. Temos um presidencialismo de coalizão que, com duas figuras fortes, o Lula e o Fernando Henrique Cardoso, mascarava sua insuficiência e suas fragilidades. Eles conseguiam que partidos e sociedade gravitassem em torno de grande parte do que almejavam. Com uma pessoa que não vem do mundo da política e não tem sua própria força gravitacional, o presidencialismo de coalizão virou presidencialismo de confusão e agora de desmoralização.

ÉPOCA – A senhora tem seus valores, sua posição de vida e sua religião...
Marina - (interrompendo) - Muitas pessoas têm religião. O Lula tem religião e foi presidente da República. O Fernando Henrique tinha uma religião, não sei se hoje tem, também foi presidente da república.

ÉPOCA – Minha pergunta é se o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não estaria prestando um desserviço aos evangélicos com sua postura conservadora e a mistura de política com religião, promovendo até cultos na Câmara.
Marina - Existem preconceitos históricos contra evangélicos, contra negros, contra mulheres, contra católicos, dependendo das circunstâncias e da região do mundo. Nunca ninguém me viu instrumentalizando minha religião, nem quando eu era católica nem agora, que sou evangélica. Eu fiquei 16 anos como senadora. Nunca instrumentalizei mas também nunca neguei minha religião. E nunca mudei discurso dependendo da plateia. O que defendo eu digo publicamente para as pessoas poderem escolher se me aceitam ou não. Sobre os cultos, não sei se promovem missas na Câmara. Se o regimento interno não proibir essas manifestações de fé, não vejo mal.

ÉPOCA – Mas o Brasil é um estado laico.
Marina - Sim, mas não podemos confundir um Estado laico com um estado ateu. É laico para defender os direitos de quem crê e quem não crê.

ÉPOCA – A senhora está aliviada por não estar no Senado num momento de crise como o atual?
Marina - Não diria alívio. Fico orgulhosa de o Senado ter respeitado o Supremo Tribunal Federal e ter decidido pelo voto aberto. Eu decidi não ter o terceiro mandato de senadora. Não sou política profissional. É uma escolha minha. Já cumpri minha função no Parlamento. Para mim, política é um serviço.
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POR QUE O APARTAMENTO ERA DE LULA? PORQUE “OUVI FALAR”, DIZ ‘O GLOBO’

Assim funciona o jornalismo no jornal O GLOBO: POR QUE O APARTAMENTO ERA DE LULA? PORQUE “OUVI FALAR”, DIZ ‘O GLOBO’

Fernando Brito do Blog Tijolaço

Aconteceu hoje (03/12) a audiência do ex-presidente Lula e os jornalista de O GLOBO que afirmaram que um apartamento no Guarujá era propriedade do ex-presidente e sua compra envolvia empresas que teriam ligação com a Lava Jato e com o doleiro Alberto Youssef.

Lula move ação por danos morais contra eles na 46ª Vara Cível do Rio de Janeiro.

Os repórteres, que afirmaram peremptoriamente a seus leitores que o apartamento era de Lula e que havia sido luxuosamente reformado pela empreiteira OAS para agradar o ex-presidente, não provaram sua informação no tribunal.

Entretanto, eles disseram ao juiz que tinham apenas OUVIDO FALAR disso por meio de “fontes” anônimas, mas não chegaram a ver nenhum documento que comprovasse a suposta informação, segundo informa nota do Instituto Lula.

Eu também ouvi falar um monte de coisas sobre várias pessoas e nem por isso publico.

Mas é que este é um blog sujo que depende dos cliques que os leitores dão nos anúncios do Google. Ao contrário de O GLOBO, meu blog não é um paradigma do bom jornalismo empresarial.

Mas que seria o máximo um direito de resposta em O Globo, seria. E com o título:

“LULA NÃO TEM APARTAMENTO DO GUARUJÁ. O GLOBO ERROU, PORQUE OUVIU DIZER.”
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quarta-feira, dezembro 02, 2015

RECOMENDAÇÕES DO ‘X FÓRUM MAP’ REALIZADO EM RIO BRANCO

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

A região sul-ocidental da Amazônia, formado pelo departamento peruano de Madre de Dios, o estado brasileiro do Acre e o departamento boliviano de Pando, aqui denominado de Região MAP, tem sofrido com a crise planetária que inclui não apenas eventos climáticos extremos, mas também os valores humanos em uma magnitude nunca vista antes. 

A conjunção dessa crise planetária com as aspirações de desenvolvimento emanadas pela população da região MAP – planos de integração regional, avanços em infraestrutura – criam demandas cada vez mais acentuadas sobre os recursos naturais e os ecossistemas regionais, e estão convertendo a região em um cenário de mudanças globais no qual a ocorrência de eventos bioclimáticos extremos, pobreza, fome, doenças, analfabetismo e a contínua degradação ambiental são motivo de grande preocupação para a sociedade regional.


Uma alternativa para enfrentar essa difícil situação é a integração de iniciativas relativas ao meio ambiente e ao desenvolvimento trinacional resultantes das discussões realizadas durante o X Fórum MAP, acontecido em Rio Branco entre 9 e 11 de novembro de 2015. 


Tivemos a oportunidade de participar do planejamento e da organização do evento, que foi coordenado pelo Parque Zoobotânico da UFAC e contou com o apoio importante e indispensável da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Embrapa-Acre, Comissão Pró-Índio, INPA, IFAC, ICMBio, Earth Innovation Institute, WWF,  Sebrae, Secretaria de Pequenos Négocios do Acre, Ministério Público do Acre, Assembléia Legislativa, Eletronorte, OTCA, Corpo de Bombeiros do Acre. 


Apesar de ter sido organizado praticamente de última hora, ficamos surpresos com o nível de interesse das pessoas do Brasil, da Bolívia e do Peru. O Fórum congregou 477 participantes registrados representando mais de 150 instituições, dentre as quais, 50 instituições estaduais, 14 universidades, mais de 30 ONGs, 9 organizações indígenas e 1 organização internacional de cooperação. 


Neste ano o evento priorizou a discussão de cinco linhas estratégicas de ação: 1) Gestão de Riscos Ambientais, 2) Floresta, Solo e Água, 3) Economia e Infraestrutura, 4) Planejamento Regional e Uso da Terra e 5) Direitos Humanos e Ambientais. As discussões em cada linha estratégica contaram com palestras motivadoras, indicativos de propostas de colaboração trinacional e, ao final, recomendações e indicativos de linhas de ação. 


Embora tímidas diante da magnitude da crise civilizatória, estas linhas de ação são passos essenciais para a busca de soluções duradouras para a região MAP. A lista de propostas resultantes do ‘X Fórum MAP’ é extensa. Por essa razão, apresentamos abaixo apenas algumas que consideramos mais relevantes.


1- Gestão de Riscos Ambientais: 

a) Desenvolver medidas intercomparáveis e globalmente aceitas dos danos e prejuízos associados a eventos extremos para dimensionar programas de adaptação e mitigação visando aumentar a resiliência de comunidades, cidades e regiões; 
b) Ampliar o acesso a informações sobre eventos extremos, custos, riscos e previsões para facilitar a tomada de decisão na Região MAP e permitir a emissão de alertas antecipados;
c) Estabelecer o Comitê de Bacia do Rio Acre e elaborar o seu plano envolvendo instituições dos três países; 
d) Valorizar os serviços ambientais remunerando a produção sem o uso do fogo e estimulando a iniciativa privada para valorizar produtos produzidos sem o uso do fogo.

2- Floresta, solo e água: 

a) Constituir grupos de trabalho para facilitar o diálogo e a interação descentralizada entre todos os atores fazendo uso dos recursos naturais da Região MAP; 
b) Realizar análise de cenários futuros na bacia do Rio Acre e do impacto na regulação hídrica e no desenvolvimento socioeconômico da região, sob o contexto de mudanças climáticas e eventos extremos; e 
c) Desenvolver uma agenda comum para compartilhar capacidades estabelecidas e sanar necessidades na Região MAP.

3- Economia e infraestrutura: 

a) Promover a diversificação de produtos sustentáveis (florestais e agroflorestais) via inovação tecnológica e intercâmbio de experiências exitosas; 
b) Promover a região MAP como destino de ecoturismo; 
c) Promover um passe fronteiriço direto entre o Peru e a Bolívia na Região MAP; 
d) Promover a integração empresarial na Região MAP; 
e) Promover feiras de integração de economia solidária envolvendo a província de Tambopata (Peru) com Pando e Beni (Bolívia), Província de Tahuamanu (Peru) e Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia e Rio Branco, no Brasil.

4- Planejamento regional e uso da terra: 

a) Mapear boas práticas de ordenamento territorial na Região MAP para ser replicado como boas experiências; 
b) Implementar sistema único de monitoramento na Região MAP para avaliar atividades econômicas que causam desmatamento e geram ameaças e riscos, bem como os direitos de uso dos recursos naturais e a ocupação da terra; 
c) Construir um projeto de ordenamento territorial conjunto para os próximos 15 anos para que as políticas públicas – construídas com a participação do movimento social – sejam implementadas de maneira harmonizada; 
d) Titular os territórios indígenas, respeitando-os e informando-os sobre a gestão compartilhada das bacias transnacionais; 
e) Harmonizar os marcos nacionais com os marcos internacionais de defesa dos direitos territoriais desses povos; 
f) Reafirmar o reconhecimento, pelas políticas pública, dos povos indígenas em isolamento voluntário na Região MAP; 
g) Afirmação das políticas de gestão territorial dos territórios indígenas e desenhar políticas públicas para os povos indígenas que vivem nas áreas naturais protegidas como resultado do ordenamento territorial; 
h) Reconhecer a existência do corredor territorial Pano-Aruak e outros, e articular esforços entre os setores governamentais e as ONGs do Peru e do Brasil para lograr sua proteção integrada; 
i) Impulsionar a gestão integrada das Áreas Naturais Protegidas na fronteira Peru-Brasil dentro da Região MAP, local aonde nascem muitos rios transfronteiriços, especialmente o Rio Acre, e que além de contribuir com serviços ecossistêmicos para todos, são áreas de refúgio dos povos em isolamento voluntário.

5- Direitos humanos e ambientais: 

a) Articular e defender os Direitos Humanos e Ambientais através de diálogos participativos, qualificados, justos e igualitários, evitando considerar os imigrantes como delinquentes e contribuir para não criminalizar a imigração, mas sim os coiotes; 
b) Impulsionar a discussão dos Direitos Humanos e Ambientais envolvendo possibilidades de intercambiar prisioneiros, estabelecer área de livre circulação de mercadorias, serviços e pessoas na tríplice fronteira; criar uma câmara de discussão sobre o fluxo migratório da Região MAP e o tráfico de pessoas; 
c) Denunciar práticas de destruição da floresta e a ausência do Estado através da promoção da consciência humana, dos princípios do bem comum e da precaução, e se posicionar criticamente sobre a gestão florestal no município acreano de Manoel Urbano; 
d) Promover o uso responsável dos recursos naturais através do ecoturismo como alternativa de desenvolvimento ambiental, econômico e social.

A íntegra das sugestões derivadas do ‘X Fórum MAP’ podem ser acessadas no site do evento no endereço http://www.ufac.br/map/index.html.
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segunda-feira, novembro 30, 2015

CRISE NA CONTAX

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

A revista Exame informa em sua edição n° 1102 de 25/11/2015 que a Contax, a maior empresa de call center do país ficou sem dinheiro para pagar suas dívidas, que somam 1,5 bilhão de reais.

Segundo a reportagem, ao perceber que não teria como honrar debêntures que vencem em dezembro e fevereiro, a empresa inciou uma ampla renegociação com seus credores para tentar alongar as dívidas.


A conclusão do plano depende da venda de uma de suas subsidiárias, a Allus, que atua em outros países da América Latina e poderia valer, nas contas de analistas, 800 milhões de reais. O objetivo é usar 350 milhões de reais para reforçar o caixa e o restante para pagar os credores.


Segundo a revista, a Contax vem sofrendo com a crise econômica. Cerca de 30% de sua capacidade de atendimento está ociosa, enquanto a média do setor é infrerior a 15%. Apenas neste ano, a ação da empresa caiu 90% e vale 1 real. Em nota, a companhia informou que procura "obter consenso" com os credores para alongar seu endividamento e adequá-lo às suas "perspectivas operacionais".


Para os acreanos, uma importante indagação fica no ar diante das precárias condições econômicas da empresa: até quando estarão garantidos os empregos de milhares de jovens contratados para atuar na unidade da empresa localizada em Rio Branco?


Segundo notícias divulgadas na imprensa local, a empresa investiu 40 milhões de reais na construção de sua sede em Rio Branco e contou com apoio do governo do Estado e da prefeitura da cidade, que auxiliaram na pré-capacitação dos primeiros contratados e na disponibilização de novas linhas de transportes públicos para facilitar o acesso dos funcionários à sede da empresa.


Foto: Gleison Miranda/Assecom-AC
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quinta-feira, novembro 26, 2015

PARA A MÍDIA, O BANQUEIRO PRESO NÃO É AMIGO DE AÉCIO

Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo


O senador Aécio Neves é um homem sem amigos, para a imprensa. 

Ele não é amigo de Perrela, o homem em cujo helicóptero foi encontrada meia tonelada de pasta de cocaína.


Ele também não é amigo de Andre Esteves, o banqueiro preso hoje na Lava Jato.


Em contraste, Lula, segundo a mídia, é um homem cheio de amigos. Você é informado ubiquamente em jornais e revistas, por exemplo, que ele é amigo de um pecuarista preso na Lava Jato como o banqueiro Esteves.


Fui ver o que a decana do jornalismo econômico, Míriam Leitão, deu em seu blog no Globo sobre Esteves hoje.


Nenhuma menção a Aécio. Esteves se aproximou, nos últimos anos, do governo, disse Míriam.  Este seu pecado, para Míriam: aproximar-se de Lula e Dilma.


A empresa para a qual Míriam trabalha sempre esteve longe de governos, naturalmente, a começar pelos da ditadura militar, e depois seguindo por Sarney. Distância absoluta, o que dá a Míriam força para falar nos males trazidos pela proximidade com governos.


Não é notícia, nem para Míriam e nem para ninguém na imprensa, que Andre Esteves pagou uma viagem para Nova York para Aécio e acompanhante em 2013. Ele era então senador.


Em Nova York, Aécio falou num encontro com investidores estrangeiros promovido por Esteves. O casal Neves ficou hospedado num dos hotéis mais tradicionais de Nova York, o Waldorf Astoria.


Repare. Ninguém discute se é ético um banco patrocinar uma viagem a Nova York para um senador da República. Foi sua lua de mel. Aécio acabara de se casar. 


Míriam, como o resto da mídia, ignorou esta viagem de Aécio em seu texto. Será que ela acha moralmente aceitável este tipo de coisa? (Do episódio ficou o boato de que Esteves foi padrinho de casamento de Aécio. Não é verdade.)


Suspeito que para ela, assim como para a maior parte dos conservadores, haja duas formas de analisar uma mamata como a oferecida por Esteves a Aécio.


Para figuras como Aécio, tudo bem. Mas se fosse para alguém do PT seria um escândalo.


O Brasil vive a tragédia da dupla visão sobre episódios idênticos.


Fui ver o perfil do site da Folha sobre Andre Esteves. Mais uma vez, nenhuma citação a Aécio. Havia até, na última frase, a afirmação de que Esteves é sócio minoritário dos Frias no Uol.


Mais silêncio absoluto sobre Aécio. É um homem sem amigos. O oposto de Lula.


Esta é a "mídia não enviesada", na definição antológica do juiz Sérgio Moro, outro luminoso exemplo de isenção.
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terça-feira, novembro 24, 2015

RESERVAS EXTRATIVISTAS HOJE, FLORESTAS VAZIAS AMANHÃ (I)

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Em 1992 o biólogo americano Kent Redford publicou na Revista BioScience (vol.42, n°.6, p. 412-422) um artigo intitulado “Empty Forest” (Floresta vazia) no qual nos alertava, usando um trocadilho em inglês, do seguinte: “We must not let a forest full of trees fool us into believing all is well”. Uma tradução da frase resulta em algo assim: “Não podemos deixar uma floresta cheia de árvores nos enganar, fazendo-nos acreditar que tudo está bem”.

Na época da publicação do artigo, início dos anos 90, a destruição das florestas tropicais no mundo estava se intensificando novamente, depois de uma diminuição causada pela recessão econômica global do final dos anos 80. Até então, estimava-se que desde 1960 cerca de 20% das florestas tropicais do planeta haviam sido destruídas. 


Apesar da situação crítica, a luta contra a destruição das florestas tropicais mundiais nessa época era mais difusa e não havia um movimento global como temos hoje – liderado por governos e entidades da sociedade civil – capaz de impor limites e, efetivamente, promover a sua diminuição. Naquela época ONGs de atuação global, como o WWF e o Greenpeace, não priorizavam as florestas tropicais. No Brasil, a luta contra a destruição da Amazônia era liderada por organizações de extrativistas e indígenas. 


Para compensar a devastação em curso, governantes de países que abrigavam florestas tropicais foram obrigados a tomar medidas de proteção para as mesmas. No Brasil, milhões de hectares de florestas da Amazônia foram transformados em Reservas Extrativistas. Outros milhões de hectares, no Brasil e no mundo, foram designados ‘florestas’ ou ‘parques’ sob a tutela estatal. 


Na maioria desses casos, entretanto, prevaleceu, na criação dessas áreas de ‘proteção’, o conceito de conservação e proteção na qual o homem continua a ter o direito de explorar – de forma comercial ou apenas com fins de subsistência – os recursos nelas contidos. As exceções foram as áreas indígenas e as áreas de proteção integral nas quais é vedada qualquer tipo de exploração de recursos naturais.


Quando Kent Redford publicou seu artigo, ele foi muito crítico em relação à onda de criação de áreas de proteção de florestas tropicais daquele período porque se por um lado isso era uma forma de mostrar à sociedade que as florestas estavam efetivamente sendo protegidas, por outro a possibilidade de continuidade da exploração das mesmas se constituía em uma ameaça real à sobrevivência daquelas florestas no longo prazo.


Redford observou que embora algumas florestas exploradas pelo homem possam aparentar um bom estado de conservação, elas não mantêm, necessariamente, sua integridade biológica. A caça intensiva e indiscriminada de animais de médio e grande porte e a exploração madeireira que retira da floresta espécies frutíferas chaves para a alimentação da fauna silvestre podem, no longo prazo, afetar a biodiversidade e diminuir as chances de recuperação dessas florestas.  

Desprovidas de animais, especialmente os polinizadores e dispersores de suas próprias plantas, extensas áreas florestais aparentemente intactas ficarão ‘vazias ou silenciosas’ e paulatinamente perderão numerosas espécies arbóreas, arbustivas, epifíticas e lianescentes que entrarão em processo de extinção pela falta dos animais que as ajudavam a se perpetuar no ambiente florestal. 


Obviamente que essas ‘florestas vazias’ de vida animal permanecerão de pé por muito tempo porque algumas espécies de plantas podem viver por dezenas ou centenas de anos. Entretanto, na medida em que essas plantas – agora relíquias vivas – forem morrendo, a floresta vai ficar menos diversa e empobrecida. 


Você, leitor, deve estar curioso: esse fenômeno de ‘florestas vazias’ ou silenciosas está acontecendo na Amazônia e no Acre? 


Sim, e faz bastante tempo. 

A pressão de ambientalistas contra a exploração e destruição indiscriminada das florestas tropicais, especialmente para a ‘garimpagem’ de espécies madeireiras de alto valor comercial e posterior conversão em áreas agropecuárias, forçou os pesquisadores a desenvolver técnicas de exploração florestal de baixo impacto ambiental. Atualmente a exploração madeireira mediante o uso dessas técnicas é uma prática amplamente difundida por toda a região. 


No caso do Acre, apesar de causar baixo impacto a outras árvores da floresta e à rede hidrográfica local, a exploração madeireira é danosa porque não discrimina as espécies madeireiras que explora. E a fauna silvestre é uma das principais vítimas de todo o processo.


Da lista de aproximadamente 50-60 espécies passíveis de exploração no Estado, pelo menos 20-25 tem potencial para ser classificadas como espécies-chaves para a alimentação da fauna silvestre. Essas espécies, conhecidas em inglês como “keystone plant resources”, são vitais para a estabilidade e a diversidade da comunidade de plantas em uma floresta. Elas geralmente são abundantes, produzem anualmente recursos nutritivos (frutos, sementes, néctar, etc.) de forma regular, especialmente durante o período de escassez dos mesmos na floresta, e alimentam uma grande diversidade de animais silvestres. 


É digno de nota que a Assembleia Legislativa do Acre aprovou em 2008 um projeto de lei para impedir a exploração de espécies madeireiras importantes para a alimentação da fauna silvestre local. Infelizmente o governador de então, Binho Marques (PT), vetou o mesmo porque sua entrada em vigor implicaria na diminuição em quase 50% do número de espécies madeireiras exploradas nas florestas acreanas. Dentre as espécies citadas no projeto vetado destacavam-se a gameleira, andiroba, castanhanara, mirindiba, piquí, manitê, copaíba, caxinguba, gamelinha, toarí, envira-cajú, guariúba, cajuzinho e ingá-ferro. 


Artigo continua...
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segunda-feira, novembro 23, 2015

PESTICIDAS REDUZEM CAPACIDADE DE ABELHAS PARA POLINIZAR

Fábio de Castro
O Estado de S. Paulo

Colônias de abelhas sem ferrão expostas a pesticidas neonicotinoides reduzem sua capacidade de polinizar culturas agrícolas, de acordo com um novo estudo publicado na quinta-­feira, 19/11, na revista Nature.

Esse tipo de pesticida, ­ o mais utilizado no mundo, ­ foi banido na Europa desde 2013 depois de diversos estudos terem indicado que sua aplicação afeta o comportamento e a reprodução das abelhas.

Os estudos feitos até agora, no entanto, avaliavam apenas os efeitos dos pesticidas na mortalidade de abelhas, enquanto a nova pesquisa mostrou seus impactos nos importantes serviços de polinização que elas fornecem.

As abelhas são responsáveis por polinizar mais de 50% das plantas das florestas tropicais, 80% das do cerrado e 73% de todas as culturas agrícolas do mundo, de acordo com o projeto Polinizadores do Brasil, finalizado em outubro, com o envolvimento de cientistas de 18 instituições, sob coordenação do FundoBrasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

Experimentos realizados pelo projeto mostraram que a presença das abelhas aumenta a polinização ­ e consequentemente a produtividade ­ de culturas como algodão, tomate, melão, castanha, canola, maça e caju. Certas culturas, como a do maracujá, maçã e melão, são polinizadas exclusivamente por abelhas e não existiriam sem esses insetos.

No estudo da Nature, uma equipe internacional liderada por Dara Anne Stanley, da Universidade Royal Holloway, de Londres (Reino Unido), os pesquisadores estudaram como a exposição a baixos níveis de um pesticida neonicotinoide (theamethoxam) afeta a capacidade das abelhas para polinizar flores de macieira.

Os cientistas expuseram 24 colônias de abelhas a diferentes níveis de thiamethoxam por 13 dias e depois permitiram que elas tivessem acesso a plantações de macieiras. Os autores observaram não apenas o comportamento geral das colônias, mas também o comportamento individual das abelhas.  

Eles concluíram que as colônias expostas a neonicotinoides fazem menos visitas às flores de macieiras, coletando o pólen com menos frequência e produzindo maças com menos sementes, demonstrando uma taxa reduzida de serviços de polinização.

De acordo com Elina Niño, professora da Universidade da Califórnia, em Davis (Estados Unidos), o novo estudo traz uma importante contribuição sobre os estudos dos impactos dos neocotinoides. "É um estudo interessante, já que investiga não apenas como a exposição a pesticidas neonicotinoides afeta as abelhas, mas também como afeta seu 'produto final' ­ a fruta. É isso que as abelhas nos fornecem: polinização para garantir a segurança alimentar", afirmou Niño.

Complexidade. Segundo Gene Robinson, da Universidade de Illinois em Urbana­Champaign (Estados Unidos), o estudo mostrou que, embora as colônias de abelhas tratadas com pesticida neonicotinoide tenham produzido maçãs com número reduzido de sementes, o mesmo não aconteceu com as abelhas que eram expostas individualmente ao pesticida.

"Este estudo destaca as complexidades da vida das sociedades de insetos e ilustra por que é importante pesquisar a ação de pesticidas tanto no âmbito dos indivíduos, como no âmbito das colônias. Essa é o único caminho para que possamos compreender verdadeiramente a influência dessas substâncias nas abelhas", afirmou Robinson.

Para Felix Wäckers, da Universidade Lancaster (Reino Unido) afirmou que, embora o novo estudo não seja surpreendente, levando em conta as evidências anteriormente reportadas de impactos dos neonicotinoides no comportamento dos polinizadores, o estudo é importante por demonstrar pela primeira vez que a exposição ao pesticida de fato compromete a polinização de culturas.

"Isso mostra que os fazendeiros têm um prejuízo econômico quando usam esse grupo de produtos para proteger suas plantações", afirmou Wäckers.

Foto: Cristiano Menezes/Embrapa
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sexta-feira, novembro 13, 2015

G20 CONTINUA GASTANDO US$ 452 BILHÕES POR ANO COM SUBSÍDIOS À PRODUÇÃO DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

Um novo relatório do Overseas Development Institute e da Oil Change International reúne, pela primeira vez, informações detalhadas sobre os subsídios dos países do G20 para a produção de petróleo, gás e carvão.

James Rush/Overseas Development Institute

No relatório "Promessas Vazias: os subsídios do G20 para a produção de petróleo, gás e carvão", os pesquisadores mostram que o apoio do G20 somente para produção de combustíveis fósseis (US$ 452 bilhões) foi quase quatro vezes maior que todos os subsídios globais para as energias renováveis (US$ 121 bilhões).  Esses subsídios persistem apesar dos imperativos globais para manter três quartos das atuais reservas de combustíveis fósseis no chão e dos cada vez mais baixos retornos sobre o carvão e sobre reservas de petróleo e gás novas e de acesso mais difícil.

O relatório, publicado antes da cúpula do G20 em Antalya, Turquia, examina três tipos de apoio dos governos do G20 em 2013 e 2014 - os anos mais recentes com dados comparáveis. Ele analisa subsídios nacionais estendidos através de gastos e benefícios fiscais diretos; investimentos das empresas estatais, tanto nacionais como internacionais; e finanças públicas estendidas através de, por exemplo, empréstimos de bancos e instituições financeiras estatais.


Outras importantes conclusões do relatório são:


- Os governos do G20 forneceram quase US$ 78 bilhões por ano em subsídios nacionais para a produção de combustíveis fósseis; empresas estatais do G20 investiram US$ 286 bilhões e estima-se que as  finanças públicas ratearam US$ 88 bilhões por ano  a mais em 2013 e 2014;


- O Japão proveu mais financiamento público para a produção de combustíveis fósseis em 2013 e 2014 do que qualquer outro país do G-20, com média de US$ 19 bilhões por ano, com US $ 2,8 bilhões por ano somente para o carvão;


- O Reino Unido destaca-se como a única nação do G7 a aumentar significativamente o seu apoio para a indústria de combustíveis fósseis, com ainda mais incentivos fiscais e apoio destinados às empresas que operam no Mar do Norte em 2015;


- Os Estados Unidos forneceram mais de US$ 20 bilhões em subsídios nacionais, apesar dos apelos de Obama para abandonar o apoio ao petróleo, gás e carvão. Certas isenções fiscais no Alasca são tão significativas que, no caso de um imposto sobre a produção, o estado está distribuindo às empresas mais do que esse imposto gera em receitas para o Estado.

- Austrália e Brasil ambos forneceram aproximadamente US$ 5 bilhões em subsídios nacionais, inclusive para o desenvolvimento da exploração de combustíveis fósseis em áreas cada vez mais distantes e difíceis;

- A Rússia forneceu quase US$ 23 bilhões em subsídios nacionais, o patamar mais elevado de todos os países do G20;


- O investimento da China na produção de combustíveis fósseis em casa e no exterior, por meio de suas empresas estatais, ultrapassou de longe qualquer outro país do G20, alcançando quase US$ 77 bilhões anualmente;


- O investimento por empresas estatais do G20 na produção de combustíveis fósseis é altamente significativo. Os governos do G20 têm uma tremenda oportunidade para enfrentar o desafio do clima, deslocando o investimento de empresas estatais em direção à energia limpa;


- A Turquia – que sediará o último encontro do G20 antes das negociações climáticas em Paris, em dezembro deste ano - está dando incentivos fiscais em seu programa que prevê a construção de mais usinas de carvão do que qualquer outro país da OCDE, elevando potencialmente as suas próprias emissões de gases de efeito estufa em 94% nos próximos 15 anos.


Shelagh Whitley, do Overseas Development Institute, disse: "os governos do G20 estão pagando aos produtores de combustíveis fósseis para minar suas próprias políticas de mudanças climáticas. Acabar com estes subsídios reequilibraria os mercados de energia e permitiria a igualdade de condições para alternativas limpas e eficientes". Stephen Kretzmann, diretor da Oil Change International, falou: "continuar a financiar indústria de combustíveis fósseis hoje é como acelerar em direção a uma parede que nós podemos ver claramente. Os líderes do G20 precisam desacelerar e dar a volta antes que venhamos a esbarrar no desastre climático".


No final de setembro de 2015, os EUA e a China juntamente priorizaram o estabelecimento de um prazo concreto para a eliminação progressiva dos subsídios aos combustíveis fósseis como uma tarefa fundamental da China durante a presidência do G20 em 2016. Em linha com esta dinâmica, o relatório recomenda aos governos do G20 adotar prazos rigorosos para a eliminação progressiva dos subsídios à produção de combustíveis fósseis, aumentar a transparência através de uma melhor comunicação dos subsídios aos combustíveis fósseis, e transferir o apoio governamental a bens públicos mais amplos, incluindo o desenvolvimento de baixo carbono e o acesso universal à energia.


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