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Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

A DESISTÊNCIA DE FERNANDO MELO DA CANDIDATURA AO SENADO

Lamentável que o Deputado petista tenha desistido tão cedo da possibilidade de concorrer a uma cadeira do Senado.

Com certeza houve algum tipo de barganha, do tipo, "você desiste do Senado e a gente garante a tua reeleição".

Fernando Melo deve saber muito bem aonde anda se metendo.

Ele conhece a força e o poder financeiro da máquina estatal petista, que no apagar das luzes da eleição passada garantiu a reeleição de Nilson Mourão.

A reeleição de Fernando Melo, vale ressaltar, é uma boa coisa para o Estado pois durante o seu mandato mostrou-se pró-ativo, buscando implementar ações práticas voltadas para o setor produtivo do Estado.

...Enquanto isso, um dos nossos parlamentares federais continua a imitar a Ivete Sangalo: se precisar ela canta até ópera. Tudo para estar na mídia.

Esperamos que em 2010 nossa população se livre dos parlamentares inativos (mudos, calados, neutros...) ou claramente aproveitadores, cujo resultado prático da passagem no parlamento federal (e estadual) se resume a nada (no caso dos mudos) ou a uma pobre coleção de manchetes de jornais locais endeusando uma trajetória igualmente vazia (no caso dos oportunistas).

Que os candidatos da oposição e da situação se espelhem na atuação do solitário Luiz Calixto. Meia dúzia de parlamentares como ele seguramente fariam uma diferença e tanto.

Foto: Câmara dos Deputados
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NOVA REGRA PARA EMBARQUE EM VOOS NACIONAIS

A partir de 1º de março, passageiro terá de mostrar identificação antes de entrar na aeronave

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) decidiu que a partir de 1º de março todos os passageiros que estiverem embarcando em voos domésticos deverão apresentar um documento de identificação com foto. Atualmente, o documento é exigido apenas na hora do check-in.

Embora a ANAC informe que este novo procedimento visa garantir mais segurança, a verdade é que a principal razão da sua implementação é a malandragem dos brasileiros, que, por razões que só deus pode explicar, fraudam até passagens aéreas. Outra razão para a implementação da medida pode ser a comercialização indiscriminada de bilhetes de passagens emitidos por meio dos programas de milhagens das maiores companhias aéreas nacionais.

A conferência do documento será feita pelos funcionários das companhias aéreas e só deverão ser aceitos documentos originais ou cópias autenticadas. Com isso se espera uma diminuição drástica na quantidade de pessoas que embarcam usando cartões de embarque emitidos em nome de terceiros.

Considerando que no nosso país sempre se dá um jeitinho para se burlar regras, é previsível um aumento exagerado na quantidade de passageiros tentando embarcar mediante a apresentação de Boletins de Ocorrências (BO´s), visto que o mesmo continua sendo admitido para embarque em casos de furto, roubo ou extravio do documento, desde que emitido há menos de 60 dias.

A exigência de indentificação positiva dos passageiros na hora do embarque já é praticada nos terminais da Europa e da América do Norte.

No Brasil, a nova medida vai beneficiar mais os passageiros que fazem check-in pela internet, nas máquinas de autoatendimento dos aeroportos, ou por celular, visto que não mais serão obrigados a carimbar seu cartão de embarque nos balcões das companhias aéreas antes da entrada na sala de embarque dos aeroportos. Isso significa que as filas de embarque irão diminuir.

Serão aceitos para embarque em voos domésticos: carteira de identidade (RG), carteira nacional de habilitação (modelo com fotografia, mesmo que vencida), carteira de trabalho, passaporte nacional, documento expedido por Ministério ou órgão subordinado à Presidência da República, carteira de identidade emitida por Conselho ou Federação de categoria profissional, licenças de piloto, comissário, mecânico de voo e despachante operacional de voo emitidas pela Anac. Também serão aceitos cartões de identidade expedidos pelos poderes Judiciário ou Legislativo.

Com informações do Diário de S. Paulo
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Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

CHÁVEZ CONTRA A DEMOCRACIA

Editorial do Estadão/06/02/2010

Com sua desmedida reação a um texto humorístico publicado pelo jornal de oposição Tal Cual - no qual se imagina a Venezuela sem seu atual presidente -, o governo de Hugo Chávez deu mais uma demonstração de sua imensa dificuldade em lidar com as instituições essenciais da democracia, entre as quais a imprensa livre, quando estas não atendem a seus objetivos políticos. O Ministério da Comunicação e Informação disse que o texto é "um convite a um plano golpista, genocida e terrorista, que é mascarado através do humor" e o próprio presidente Chávez, em programa de rádio e televisão, anunciou que pedirá ao Ministério Público a punição do jornal.

O diretor de Tal Cual, Teodoro Petkoff, um dos mais respeitados jornalistas do país, comentou com humor a irada reação oficial. "O governo tem dificuldade de entender textos de humor", disse ele ao jornal O Globo. Na verdade, porém, as dificuldades do governo de Chávez são muitas, e bem mais graves do que simplesmente não entender textos humorísticos. Há pouco, tirou do ar cinco canais de televisão por não terem transmitido um discurso de Chávez, o que desencadeou uma onda de protestos

Para se perpetuar no poder, além de tentar controlar a imprensa, o governo bolivariano de Chávez vem promovendo reformas que, mantendo as aparências de democracia, alteram o panorama eleitoral. As mudanças, obviamente, favorecem a situação e fortalecem o poder do governo central, em detrimento dos Estados.

Como a oposição boicotou a eleição de 2005, o governo controla a Assembleia Nacional. Mesmo com seu prestígio político em queda, o governo tentará manter, nas eleições de setembro, a maioria de dois terços que tem no Legislativo e é essencial para aprovar as reformas que lhe garantem cada vez mais poder e meios para Chávez permanecer no cargo. Já adotou uma regra que unifica ou divide circunscrições eleitorais, de acordo com critérios que favoreçam os candidatos situacionistas. Numa região em que a vantagem da oposição é exígua, anexou-se a ela uma região onde o chavismo é majoritário. Aquela em que a oposição é maioria foi dividida em duas ou mais, de modo a criar oportunidades para os políticos governistas. Estudos com base no resultado do referendo de fevereiro de 2009 mostram que, pela regras antigas, a oposição obteria 55 cadeiras e o governo, 107; com as novas circunscrições eleitorais, a bancada oposicionista se reduziria para 41 e a governista aumentaria para 121.

Em Caracas, dos cinco representantes, em dez, que poderia eleger pelas regras antigas, a oposição elegeria apenas dois com as novas regras.

Por sua vez, a criação de "regiões federais de desenvolvimento" dá ao governo central mais poderes para redistribuir recursos financeiros e reduz o poder de Estados e municípios, principalmente aqueles governados pela oposição.

Como observou a ex-presidente do Supremo Tribunal Cecilia Soza Gómez, em entrevista a Roberto Lameirinhas, do Estado, as instituições não funcionam adequadamente no país. Na avaliação da ex-juíza, que foi uma das primeira personalidades a se insurgir contra o regime de Chávez e renunciou ao cargo em protesto contra a intervenção do Executivo no Judiciário, a Venezuela vive sob um regime não previsto na Constituição.

O Judiciário julga, o Legislativo vota projetos, a imprensa parece livre, mas, na essência, tudo está sob controle do Executivo. "A independência dos poderes não existe", afirma Cecilia Soza Gómez. "Quando o presidente decide pela expropriação ou nacionalização de uma empresa privada, dois ou três dias depois a Assembleia Nacional aprova uma lei que amplia os poderes do Executivo para levar seu plano adiante. O Judiciário é controlado pelo Executivo. Não há debate nem pluralismo." Em resumo, o que se vê "é o governo utilizando as ferramentas formais da democracia para acabar com a democracia".

Mas Chávez vem perdendo apoio. Um grupo de ex-ministros e aliados pediu sua renúncia, pois, dizem eles, depois de 11 anos no poder, ele "não tem mais legitimidade nem capacidade para governar".

Comemorando esses 11 anos no poder na terça-feira, Chávez garantiu que nele permanecerá pelo menos por mais 11. São cada vez menores as possibilidades de cumprir a promessa.
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LULA E A RECRIAÇÃO DA TELEBRÁS

Por que Lula apoia recriação da Telebrás?

...O objetivo único do projeto é o aparelhamento do Estado, num ano eleitoral, pois, a rigor, o Brasil não precisa de nenhuma estatal para operar serviços de banda larga ou os serviços de telecomunicações governamentais

por Ethevaldo Siqueira/Estado de São Paulo
7 de fevereiro de 2010

Nunca antes na história deste País um governo cometeu tantos equívocos nas comunicações quanto o governo Lula. O último deles é a esdrúxula proposta governamental de ressuscitar a Telebrás, uma estatal já privatizada e em liquidação, e que não conta com equipes profissionais especializadas para tornar-se gestora do plano e da rede de banda larga do País, como pretende o governo federal.

Nada nos garante que a Telebrás possa “oferecer banda larga barata para toda a sociedade”, como afirma o presidente da República. Lula está mal assessorado. Se quisesse reduzir o custo dos novos serviços, começaria por desonerá-los dos brutais 43% de impostos que dão ao Brasil o triste título de campeão mundial de tributação sobre telecomunicações.

Além disso, bastariam algumas políticas públicas e uma boa parceria público-privada para alcançar os mesmos objetivos. Ah, mas isso não abriria 500 vagas para nomeação de amigos e correligionários.

Por trás de tudo, está ainda a manipulação das ações da moribunda Telebrás, com variações de cotações de até 900% nos últimos dois anos. É claro que, nesse período, muita gente ganhou com o sobe-e-desce das ações, ao sabor das especulações, boatos e rumores.

Lula sabe que a Telebrás nunca operou serviços de telecomunicações. Criada pela Lei 5.792, de julho de 1972, ela era, acima de tudo, uma empresa-holding do conjunto de operadoras de serviços de telecomunicações (as teles). E agora o governo quer mudar seu objeto, por decreto e sem a participação do Congresso.

O Brasil dispõe de moderna infraestrutura de telecomunicações, inclusive de satélites, fibra óptica, micro-ondas terrestres e cabos submarinos, implantada com investimentos privados da ordem de R$ 180 bilhões, que assegura abundante oferta de serviços, capaz de atender ao País e ao governo em todos os aspectos.

A infraestrutura de fibra óptica governamental não chega a 30 mil quilômetros de cabos, enquanto a rede privada nacional tem mais de 200 mil quilômetros. Não seria muito mais fácil e lógico integrar ambas as redes?

POR QUE ESTATAL?

O governo Lula não percebe que, no novo modelo institucional, o Estado tem um papel muito mais relevante e nobre do que o de operador ou gestor de qualquer rede. Cabe-lhe regular, fixar normas, formular políticas públicas, elaborar programas, estabelecer metas e objetivos, supervisionar, fiscalizar e agir proativamente no tocante à confiabilidade e à qualidade dos serviços, utilizar intensamente as novas tecnologias e a infra-estrutura existente visando à implementação do governo eletrônico, estimular as empresas privadas a inovar e a investir permanentemente em pesquisa e desenvolvimento, negociar e conduzir parcerias público-privadas, com a participação de todas as empresas operadoras.

Para que ressuscitar a Telebrás, se nos últimos 11 anos o Brasil passou de 24,5 milhões telefones para os atuais 212 milhões, saltando da média franciscana de 14 telefones por 100 habitantes para 111 por 100 habitantes? Uma densidade quase 8 vezes maior do que a de 1998. O número de internautas passou de 1 milhão para 60 milhões. A banda larga, praticamente inexistente em 1998, serve hoje a 12 milhões de brasileiros – o que é, realmente, muito pouco. E é cara, até porque é altamente tributada.

APARELHAMENTO

O objetivo único do projeto é o aparelhamento do Estado, num ano eleitoral, pois, a rigor, o Brasil não precisa de nenhuma estatal para operar serviços de banda larga ou os serviços de telecomunicações governamentais. É difícil levar a sério um projeto desses, sem que o País possa debatê-lo em profundidade, com a participação do Congresso e de todos os meios de comunicação.

Mesmo com discursos inflamados em defesa da “inclusão digital e da democratização do acesso à banda larga”, é difícil acreditar num projeto que nasceu nos bastidores do governo e sem a menor participação do Ministério das Comunicações, ao qual a Telebrás sempre esteve vinculada. E pior: contra a opinião desse ministério.

Imaginem se, amanhã, um pequeno grupo de funcionários de segundo escalão, ligados a outras áreas, resolvesse liderar um movimento nacional por uma reforma educacional, sem qualquer debate, sem a participação das universidades e do Ministério da Educação. E pior: contra a opinião da maioria dos especialistas do setor.

Pois é exatamente isso que está acontecendo no caso da reativação da Telebrás – num projeto em que os maiores interessados estão no segundo escalão do Palácio do Planalto, da Casa Civil e do Ministério do Planejamento. Sejamos francos: a reativação da Telebrás é uma proposta que interessa à ministra Dilma Rousseff, candidata de Lula, em plena campanha. Ambos preferem criar centenas de vagas para a nomeação de afilhados políticos num ano eleitoral.

O que espanta é a falta de reação do Congresso e, em especial, da oposição, a tudo isso. Parece até que deputados e senadores vivem noutro planeta. E com a campanha eleitoral começando a decolar, pouco se espera dos parlamentares nessa área.
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CONSUMO DE CRACK CRESCE SEM CONTROLE NO BRASIL

O GLOBO
07/02/2010

[Viciados em crack dormem nas ruas próximas à 'cracolândia', no Centro de São Paulo. Foto: Michel Filho/O Globo]

O crack, droga derivada da cocaína, está se tornando um flagelo nacional, espalhada pelo país em diferentes classes sociais e tomando até salas de aula, contam Catarina Alencastro e Odilon Rios em reportagem publicada pelo GLOBO neste domingo.

Em Maceió, a imagem dos santos despedaçados, num altar da escola estadual Benício Dantas, virou o símbolo da derrota dos professores na luta contra o tráfico de drogas. Invadida várias vezes, a escola já teve salas, pavilhões, corredores e banheiros destruídos e reconstruídos várias vezes. Há dois registros de tiroteio na escola, o ginásio de esportes virou uma cracolândia, e os alunos fumam maconha nas salas de aula. No turno da tarde, 25% dos estudantes desistiram de estudar na escola ano passado. Casos como esse são rotina em Maceió. Dados do Ministério Público Estadual indicam que 30% dos alunos das 120 escolas da rede pública estadual na capital alagoana, entre 10 e 20 anos, estão envolvidos com o tráfico ou viraram viciados.

Os dados oficiais mais recentes mostram que essa tragédia se repete em outras capitais e cidades brasileiras. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em sua última publicação, revelou um aumento na circulação do crack no Brasil. Em 2002, 200 quilos da droga foram apreendidos. Em 2007 - último dado disponível - foram 578 quilos apreendidos. O montante equivale a 81,7% do crack apreendido na América do Sul.

[Escola onde alunos consomem crack em Maceió, Alagoas. Foto: Odilon Rios Lima]

Em todo o país, os serviços de atendimento a dependentes químicos relatam que mais e mais pessoas, independentemente da classe social, vêm nos últimos anos procurando ajuda para se livrar do vício do crack. A droga já é a segunda maior causa de procura por atendimento nos centros do SUS especializados em abuso de álcool e drogas, o CAPS-AD. Nesses locais, o crack só perde para a bebida.

- A rede de tratamento em algumas regiões foi surpreendida pelo aumento da procura pelo tratamento (do crack), principalmente nas grandes cidades - constata Pedro Gabriel Delgado, coordenador do Programa de Saúde Mental do Ministério da Saúde.

Clique aqui para leer a matéria completa no O Globo.
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Domingo, Fevereiro 07, 2010

FROTA DE VEÍCULOS CRESCE MAIS ONDE HÁ MENOS DINHEIRO NO PAÍS

Rio Branco é a quarta cidade do país em aumento da frota de veículos novos, com índice de 12,3%. Em São Paulo, o centro financeiro e industrial do país, o aumento foi de 5,2%

Samantha Lima
da Folha de S.Paulo, no Rio

A crescente facilidade para financiar carros e, mais recentemente, os incentivos do governo falaram mais alto à população das capitais mais pobres do país, que lideraram o crescimento na frota de automóveis em 2009, durante a crise. A tomada das ruas nessas cidades preocupa especialistas, por faltar planejamento público e pelo fato de algumas já conviverem com congestionamentos.

Levantamento feito pela Folha mostra que em 10 das 15 capitais onde a frota cresceu acima da média entre 2008 e 2009 a renda per capita é inferior a R$ 14,5 mil reais, valor médio do Brasil. Os dados de expansão da frota são do Departamento Nacional de Trânsito e de renda per capita, do IBGE.

Durante o período, o governo manteve reduzido o IPI para carros novos. Benefício que será cortado no dia 31 de março.

As 15 capitais com aumento de frota superior à média estão fora do eixo Sul-Sudeste. Onze são do Norte ou Nordeste --que, com exceção de Manaus, são as que têm a pior renda.

Teresina, dona da pior renda per capita do país, R$ 8,3 mil, tem 10,6% mais carros do que tinha ao fim de 2008, ou 118,6 mil automóveis -um carro para cada seis pessoas.

A campeã em crescimento de frota na crise foi Porto Velho, com expansão de 15,7%. Hoje são 59,7 mil carros nas ruas da cidade, um para cada seis habitantes. A capital rondoniense tem a 10ª pior renda do país, R$ 11,7 mil. No Brasil, a frota cresceu 7,7% e chegou a 34,5 milhões de carros, dois para cada onze habitantes.

Dona da terceira maior renda per capita do país -R$ 29,4 mil- São Paulo absorveu 5,2% mais carros em 2009, segundo o Denatran. São mais 223 mil carros -ou duas frotas de Vitória- disputando espaço.

Segunda em renda, com R$ 41 mil por pessoa, Brasília tem 7,9% mais carros circulando do que há um ano, passando de 798 mil para 861 mil veículos.

O fenômeno de crescimento da frota em capitais pobres começou faz cinco anos. Desde então, a tendência é ainda mais forte. No crescimento de renda acumulado desde 2004, treze cidades cresciam mais do que a média nacional. Nove tinham renda abaixo da média.

Trânsito como rotina

A facilidade crescente de financiamento nos últimos anos, e a ascensão da classe C ao consumo --definição, segundo o Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas para famílias com renda entre R$ 1.064 e R$ 4.591- favorecem a chegada dos carros.

"Esse interior também foi beneficiado pela renda que vem da agroindústria nos últimos anos", complementa Marco Aurélio Cabral, professor de história econômica do Brasil do Ibmec-Rio. "O problema é que, com raras exceções, essas cidades não estão preparadas para ter mais carros em suas ruas".

De fato, os congestionamentos cada vez mais fazem parte da rotina dessas cidades, diz o professor da Fundação Dom Cabral Paulo Resende, especializado em transporte público. "Em Porto Velho, vivi instantes que lembrava São Paulo."

Cabral defende uma maior flexibilização dos orçamentos públicos no caso de projetos para planejamento urbano. "Ainda há tempo de planejar e fazer obras integradas", diz.

Para Resende, porém, há um problema mais grave a ser contornado. "Os gestores públicos da maioria dessas cidades não estão preparados para pensar na questão."

Nota do Blog: alguns meses atrás publicamos no Blog nota sobre o alto índice de retomada de veículos financiados no Acre (leia aqui). Na época as financeiras tentaram negar o fato. Mas a nota da folha só confirma o que sempre suspeitamos: quanto mais pobre, mais enjoado é o brasileiro. E no Acre não é diferente. Muitas pessoas passam fome, moram em barracos ou quarteirões, mas não abrem mão de financiar um carro. Tudo em busca de status.

Leia mais sobre o assunto:
- CRISE: 100 MIL VEÍCULOS RETOMADOS DE DEVEDORES
- O FENÔMENO DA 'NÃO RETOMADA' DE VEÍCULOS FINANCIADOS E NÃO PAGOS NO ACRE
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Sábado, Fevereiro 06, 2010

DENGUE E BROMÉLIAS

Bromélias não são focos perigosos para desenvolver vetores da dengue

Renata Moehlecke
Agência Fiocruz de Notícias

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), ambos unidades da Fiocruz, e do Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro concluíram que as plantas popularmente conhecidas como bromélias não são, como se imaginava, microhabitats importantes para o desenvolvimento de mosquitos das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus, dois dos principais vetores da dengue no Brasil. Para o estudo, foram capturados, durante quase um ano, aproximadamente 3 mil espécimes de mosquitos encontrados em 120 bromélias pertencentes a dez diferentes espécies da planta no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O espaço fica a menos de 200 metros de moradias do bairro da Gávea, área endêmica da doença no Estado do Rio de Janeiro.

“Bromélias são plantas ornamentais populares e comumente usadas em jardins públicos e privados. A abundância desse tipo de plantas onde a dengue é endêmica tem sido construída para representar uma ameaça para o controle da dengue”, comentam os pesquisadores em artigo publicado na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz. “Os resultados da coleta demonstraram que as espécies nativas de mosquitos Culex e Wyeomuia são os culicideos mais abundantes e o Ae. aegypti e Ae. albopictus são raramente encontrados nessas plantas, que não devem assim ser consideradas um problema para o controle da dengue”.

As bromélias verificadas foram expostas a chuvas e não foram tratadas com nenhum tipo de inseticida durante a pesquisa e nem nos dez meses anteriores a ela. Do total de mosquitos capturados, 77,2% eram do gênero Culex e 21,4% do Wyeomuia. Somente duas larvas de Ae. aegypti (0,07% do total de mosquitos) e cinco de Ae. albopictus foram coletadas (0,18%), o que sugere não serem essas duas espécies bons competidores em relação aos outros mosquitos habitantes naturais de bromélias ou que as fêmeas dessas espécies preferem não depositar seus ovos nesses locais. Os pesquisadores ainda alertam que, por contraste, formas imaturas de Ae. aegypti foram encontradas recipientes artificiais 5% das casas da vizinhança.

“Nossa hipótese é que as espécies de Ae. aegypti encontradas ocasionalmente em bromélias podem estar correlacionadas a altos níveis de infestação na área, sendo, assim, resultado de uma competição acirrada por habitats de oviposição”, afirmam os pesquisadores. “De qualquer forma, é necessário investigar a fauna de mosquitos encontrada em bromélias mantidas em ambientes domésticos (casas e quintais) devido ao fato de essas plantas serem populares em áreas consideradas endêmicas para dengue”.
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ANIMAL COM A LINGUAGEM MAIS SOFISTICADA DO MUNDO

Um pequeno roedor pode ter a linguagem mais sofisticada do mundo animal: com um único latido um animal pode alertar sobre o tipo e a direção de um predador oculto e até descrever a cor

Cientistas descobrem linguagem avançada em roedor nos EUA

BBC/O Globo

RIO - Um pequeno roedor pode ter a linguagem mais sofisticada do mundo animal. A afirmação é do acadêmico Con Slobodchikoff, que trabalha nos Estados Unidos e vem estudando há muito tempo o repertório vocal do chamado cão-da-pradaria-de-cauda-curta (Cynomys gunnisoni).

Com um único latido, diz o cientista, um animal pode alertar sobre o tipo e A direção de um predador oculto e até descrever a cor. Se a descoberta for confirmada, isso significa que estes roedores comunicam-se de uma maneira mais complexa até do que macacos e golfinhos.

Slobodchikoff dá detalhes das experiências que fez para revelar a estrutura oculta da linguagem do animal em um documentário exibido pela BBC.

O cão-da-pradaria-de-cauda-curta pertence à família dos esquilos e vive no norte dos Estados de Arizona, Novo México e sul do Colorado.

No passado, havia uma população de bilhões mas são considerados por fazendeiros como uma praga e seu número diminuiu acentuadamente. Mas os animais ainda existentes vivem em colônias de centenas de indivíduos e cavam uma complexa rede de tocas subterrâneas.

Quando um predador se aproxima, os pequenos roedores emitem uma série de ruídos. Durante 30 anos, Slobodchikoff e seus colegas gravaram estes sons.

Para analisá-los, os cientistas realizaram várias experiências, apresentando modelos diferentes de predadores e gravando a resposta diante de coiotes, falcões e texugos.

'Palavras diferentes'

Os pesquisadores descobriram que os cães-da-pradaria enfrentam tantos predadores que desenvolveram "palavras" diferentes para qualificá-los. Estas palavras são latidos e sons que contém números diferentes de vocalizações rítmicas e modulações de frequência.

Os cães-da-pradaria têm qualidades tonais diferentes, assim como vozes humanas, mas diferentes roedores usam as mesmas palavras para descrever os mesmos predadores, permitindo que o alarme seja entendido pelo resto da colônia.

Um único latido, por exemplo, pode dizer "coiote algo, magro ao longe, movendo-se rapidamente em direção à colônia".

Outros cientistas contestaram esta ideia pois significaria que, apenas com um latido breve, os cães-da-pradaria transmitem informações sobre tamanho, cor, direção e velocidade do deslocamento de um predador.

A equipe de Slobodchikoff acredita que os cães-da-pradaria incluem esta informação ao variar a modulação do chamado e a harmonia do latido. Ao fazer isso, eles podem incluir uma vasta quandidade de informações em um som muito breve.

"Cães-da-pradaria têm a linguagem natural mais complexa decodificada até agora. Eles têm palavras para diferentes predadores, eles têm palavras para descrever as características individuais de predadores diferentes, por isso é uma língua muito complexa, que tem muitos elementos", dissse Slobodchikoff.

No documentário, os cientistas registraram o primeiro chamado dos cães-da-pradaria "para alertar sobre texugos".

É sutil, mas sempre diferente de todas as outras chamadas. Quando o alarme é reproduzido para uma colônia de roedores, eles reagem de forma diferente em relação a quando o aviso é sobre coiotes.

Coiotes caçam de surpresa, então os roedores respondem fugindo instantaneamente. Texugos tentam cavar tocas e, quando os cães-da-pradaria são avisados sobre um texugo, ficam vigilantes.

Slobodchikoff acredita que os cães-da-pradaria podem ter evoluído esta linguagem complexa porque vivem em uma sociedade complexa alojada em um sistema de tocas complexo.

Eles vivem em "cidades" bem organizadas com centenas de indivíduos e também têm que competir com posseiros, como coelhos, cobras, tarântulas, corujas, texugos e raposas que, muitas vezes, entram em suas tocas.
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SÍFILIS NÃO FOI 'EXPORTADA' DAS AMÉRICAS PARA A EUROPA

Estudo da USP desmente que sífilis foi à Europa pós-Colombo

da Folha Online

[O Treponema pallidum é uma bactéria do tipo espiroqueta, ou seja, é uma bactéria com forma de espiral.]

Quem for ao portal do Ministério da Saúde pesquisar sobre a sífilis encontrará que a doença sexualmente transmissível, de péssima fama, foi levada por marinheiros de Cristóvão Colombo da América para a Europa, no final do século 15.

No entanto, de acordo com reportagem do colunista Marcelo Leite publicada nesta sexta-feira (5) na Folha de S. Paulo (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal), esta é uma informação errada. É o que conclui estudo que surgiu de um curso de pós-graduação da USP.

Alunos do curso escreveram um artigo que saiu no periódico "PLoS Neglected Tropical Diseases", dedicado a doenças tropicais negligenciadas, em janeiro: uma refutação da hipótese de que a doença só tenha chegado à Europa depois de 1492.

Os marinheiros de Colombo e as índias com quem tenham mantido relações sexuais foram inocentados da acusação de ter iniciado a epidemia que devastou Nápoles em 1495.

O estudo da USP inovou, ao complementar o registro histórico com ferramentas de biologia molecular. A ideia --usar um chamado "relógio molecular"-- partiu do aluno Fernando Lucas de Melo, primeiro autor do artigo na "PLoS".

A combinação de métodos não foi capaz, porém, de solucionar o mistério sobre a origem geográfica da sífilis. Só se sabe que ela estava presente no Novo e no Velho Mundo antes do Descobrimento, mas não qual continente exportou para o outro o "mal de Vênus" (a deusa do amor, origem da expressão "doença venérea").

Ilustração: Wikipedia
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Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

QUEDA NAS BOLSAS E VALORIZAÇÃO DO DÓLAR

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Em 2008 foi a crise do mercado imobiliário americano que causou a maior hecatombe financeira da história. Agora a Europa dá sinais que uma nova crise se avizinha. A impagável dívida da Grécia e a desconfiança sobre a saúde financeira de outros países europeus - especialmente a Espanha e Portugal - podem levar o mercado financeiro mundial a mergulhar no precipício novamente.

E está sobrando para o mercado financeiro brasileiro, o xodó dos investidores internacionais, que ganham aqui em um mês o que levariam um ano para obter na bolsa americana. Tudo graças a taxa de juros estratosférica do nosso país, que garante retornos invejáveis aos que se arriscam em aplicações no nosso mercado financeiro.

Com receio de uma contaminação global, investidores americanos e europeus estão retirando recursos aplicados na bolsa brasileira, causando uma queda acentuada do mercado e uma aceleração na desvalorização do real, tendo em vista que as aplicações em reais precisam ser convertidas em dólares antes de serem enviadas para fora do país.

Felizmente a nova crise internacional ainda não deu o ar da graça na nossa economia real.
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RASTREAMENTO DE GADO É REJEITADO PELOS PRODUTORES NOS EUA

Departamento de Agricultura abandona programa de rastreamento de rebanhos

By WILLIAM NEUMAN
The New York times
Tradução: Evandro Ferreira/Blog Ambiente Acreano

Depois de enfrentar forte resistência de fazendeiros e agricultores, o governo americano decidiu cancelar um programa nacional de rastreamento de animais cujo principal objetivo era auxiliar as autoridades a identificar de forma rápida a origem de eventos graves de doenças nos rebanhos do país.

Ao abandonar o programa atual, chamado de Sistema Nacional de Identificação Animal, o governo informa que deverá elaborar um novo programa de rastreamento capaz de angrariar amplo apoio de todos os setores envolvidos.

De acordo com fontes do Departamento de Agricultura Americano, durante a elaboração do novo programa caberia aos Estados a incumbência de elaborar muitos aspectos do mesmo, incluindo os requerimentos para a identificação dos rebanhos.

As novas regras federais serão desenvolvidas mas, conforme informações de funcionários do Departamento de Agricultura, elas serão aplicadas apenas aos animais envolvidos em comércio interestadual, como são o caso daqueles criados em um Estado e transportados para serem abatidos em outros. A expectativa é de que a nova legislação federal leve dois anos para ser criada.

O sistema de rastreamento que está sendo descartado agora foi criado pelo governo Bush em 2004, depois da descoberta, em fins de 2003, de gado infectado com o 'mal da vaca louca'. A participação dos fazendeiros e agricultores era voluntária, mas o objetivo final do programa era dar a cada animal um número único de identificação para ser inserido em um grande banco de dados, auxiliando no rastreamento dos animais e facilitando a localização rápida dos que eventualmente viessem a ser infectados com algum tipo de doença.

Clique aqui para ler o artigo completo no The New York Times (em inglês).

Nota do Blog: leitores, apesar do Brasil estar sendo o xodó dos países ricos, sendo agraciado com títulos de nova potência, liderança mundial e blá-blá, a verdade é que em casos específicos continuamos a ser tratados como uma pseudo-colônia. Os Europeus fazem exigências infinitas para permitir a entrada da carne brasileira em seu mercado e sistemas de rastreamento estão sendo exigidos dos produtores brasileiros. Será que eles farão o mesmo com os produtores americanos?

Foto: JAG Ranch/USA
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NA VENEZUELA, DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Três mil policiais impedem passeata de estudantes na Venezuela enquanto chavistas podiam circular livremente

Mariana Timóteo da Costa - Enviada especial de O Globo

RIO - Duas grandes manifestações realizadas na quinta-feira em Caracas mostraram bem a divisão política e as diferenças com que chavistas e antichavistas são tratados pelo governo na atual Venezuela. De um lado, na Praça Brión de Chacaíto, no leste da capital, milhares de opositores do presidente Hugo Chávez, liderados por estudantes, protestavam contra a perseguição aos meios de comunicação, as crises energética e econômica, e contra a presença do ministro cubano Ramiro Valdés no país.

Do outro lado, convocados pelo presidente, também milhares de simpatizantes de seu governo ocuparam a Praça Venezuela, no centro da capital, e foram em passeata até o Forte Tiúna, onde funciona a Academia Militar e onde o líder venezuelano liderou, com um ameaçador discurso contra a oposição, as comemorações do Dia da Dignidade Nacional.

O feriado foi decretado por ele para comemorar o aniversário de sua aparição no cenário político da Venezuela (em 4 de fevereiro de 1992, Chávez, à época um militar praticamente desconhecido, liderou um golpe de Estado contra o então presidente Carlos Andrés Pérez).

Críticas à presença de ministro cubano no país

Nenhum grande incidente foi registrado e os dois protestos foram relativamente pacíficos. Mas, Chávez - em seu uniforme militar - e seus simpatizantes puderam transitar livremente pela cidade. O presidente pôde ainda ameaçar os estudantes com palavras duras em um longo discurso transmitido ao vivo por rádios e redes de controladas por ele:

- Se nos buscarem pelo caminho das armas, nós vamos defender com todas as armas nossa revolução bolivariana.


Já seus opositores enfrentaram uma barreira policial de mais de três mil homens, que os proibiram de caminhar até o prédio da Assembleia Nacional, no Centro. Gritando frases como "Chávez tás ponchado" - algo como Chávez está fora, uma alusão ao jogo de beisebol, o esporte mais popular do país -; "Somos estudantes, queremos liberdade" e "Fora cubanos", e com faixas vermelhas que funcionavam como mordaças, os universitários, que receberam também a adesão de gerações mais velhas, mostraram-se revoltados com a barreira da polícia. Mas recuaram.

- Estamos cumprindo a Constituição, que garante nosso direito de ir e vir e diz que podemos protestar, desde que forma pacífica. Não vamos de forma alguma incitar a violência. Se os aliados de Chávez podem circular e se manifestar livremente, nós também deveríamos poder. Mas não está funcionando desta forma, falam que não temos autorização para marchar - reclamou Nizar el Fakih , um dos líderes do movimento estudantil.

Além da crise que afeta o país, especialmente por conta do desabastecimento de água e luz, e do fechamento de meios de comunicação, uma das maiores reclamações dos estudantes é contra a presença de Ramiro Valdés no país. O ministro de Informática e Comunicação de Cuba foi convocado por Chávez para tentar solucionar a crise energética na Venezuela .

Mas, segundo dissidentes do regime cubano baseados na Espanha e nos Estados Unidos, Valdés é conhecido como "o homem forte da censura em Cuba" que, nos anos 90, limitou o acesso dos habitantes da ilha à internet, criando ferramentas de controle do fluxo de informação que entra e sai pela rede, o que ocorre até esta sexta-feira.

- Chávez está assustado porque não pode controlar a internet, que tem muita força na Venezuela e está sendo usada como ferramenta de protesto. Mais uma vez, ele quer tirar nosso direito de nos expressar. O que uma pessoa especializada em telecomunicações entende de energia? Este cubano vai é ajudar a ditadura bolivariana - esbravejava a professora Belquis Alvarado, de 50 anos, que, por causa da barreira policial, voltou para casa horas depois, sem atingir o objetivo final da manifestação, que era caminhar até o centro de Caracas.

- Uma coisa boa é que Chávez ordenou a abertura das catracas do metrô, não precisamos enfrentar fila para pagar por passagens. Sempre que há eventos de grande porte na cidade, ele faz isso - elogiou a dona de casa Beatriz Torrealba, de 55 anos.


clique aqui para ler a matéria completa no O Globo.
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BANDA LARGA NO BRASIL

Governo planeja forçar queda de 70% no preço da banda larga

Julio Wiziack
da Folha de S. Paulo

O governo federal concorrerá com as operadoras que vendem banda larga para forçar a queda do preço do serviço em 70% e levar o acesso a 68% dos domicílios até 2014. Hoje, somente 19% estão conectados.

É o que afirmou o assessor especial da Presidência da República, Cezar Alvarez, durante um encontro com representantes da sociedade civil, no Palácio do Planalto, há dois dias.

Os participantes do encontro dizem também que Alvarez mencionou três ofertas da nova estatal aos consumidores. O plano seria vender pacotes mensais de R$ 15 (para velocidade de 256 Kbps), R$ 25 (512 Kbps) e R$ 35 (1 Mbps).

Ainda segundo eles, para atingir as metas, o governo disse que investirá entre R$ 3 bilhões e R$ 15 bilhões.

Essa diferença leva em conta a possibilidade de parcerias entre o governo e empresas, Estados e municípios. Muitos deles já têm rede de fibras óticas que poderia ser usada para massificar a internet.

Dobro de rede

O objetivo é mais que dobrar a atual rede de cabos e de fibras óticas pertencentes às estatais Eletrobrás e Eletronet, que proverão o serviço no país por meio da Telebrás.

Essa rede terá 31 mil km de fibras óticas, passando por 4.278 municípios e atingindo 68% dos domicílios.

Pelos cálculos do governo, esse índice seria de 33% em 2014, caso mantidas a atual configuração e a taxa de crescimento do mercado.

Nos bastidores, as operadoras fixas já planejam entrar na Justiça contra o plano do governo, alegando que ele representa a quebra do modelo de privatização.
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Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE: MARINA EM CIMA DO MURO?

"O crescimento dever ser um instrumento para o desenvolvimento''

Entrevista especial com Marina Silva
IHU On-line

Antes de subir no palco do Anfiteatro Pe. Werner da Unisinos, na tarde do último dia 27 de janeiro, para participar do 4º Seminário de Políticas Sociais, atividade organizada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, e integrada ao Fórum Social Mundial 2010, a senadora e pré-candidata à presidência da República pelo Partido Verde – PV, Marina Silva, aceitou conceder a entrevista que segue à IHU On-Line. Nela, ela fala sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte, sobre sua pré-candidatura à presidência, sobre o PV e o PSOL, sobre as prioridades para o Brasil, entre elas a proposta de melhor explorar o potencial ambiental do país, e sobre meio ambiente e sua relação com o crescimento econômico. Para a senadora, “é preciso requalificar essa história de crescimento pelo crescimento. O crescimento não é um fim em si mesmo. Ele é uma ferramenta, um instrumento para o desenvolvimento. E o desenvolvimento que nós advogamos é aquele que seja sustentável em todos os aspectos: econômico, ambiental, social e cultural”. Em sua palestra, Marina Silva falou ao lado do sociólogo Boaventura de Sousa Santos, sobre o papel público das políticas na garantia dos direitos sociais.

Marina Silva está em seu segundo mandato no Senado Federal, com duração até 31 de janeiro de 2011. De janeiro de 2003 a maio de 2008, foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula, de onde saiu no dia 13 de maio de 2008. Atualmente, Marina Silva participa como membro titular das comissões de Meio Ambiente, e de Constituição e Justiça e preside a subcomissão temporária do Fórum das Águas das Américas e do Fórum Mundial das Águas. Graduada em História, foi também professora, líder estudantil, sindical, vereadora e deputada estadual, além de ter cursado pós-graduação em Psicopedagogia. A biografia de Marina Silva fez com que ela fosse escolhida pelo jornal britânico The Guardian, em 2007, uma das 50 pessoas em condições de ajudar salvar o planeta.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Como sente as críticas feitas a você em relação a sua posição sobre Belo Monte?

Marina Silva – Primeiro é preciso saber a natureza das críticas. Porque, se é em relação a uma declaração que foi atribuída a mim em um jornal de circulação nacional, não condiz com a verdade. Quando eu me referi aos aproveitamentos hídricos da Amazônia eu estava falando de um modo geral, não especificamente em Belo Monte. Então, foi feita uma certa inflexão no sentido de colocar na minha boca algo que eu não disse. Logo, as críticas no mínimo foram injustas.

IHU On-Line - Mas então qual é a sua posição sobre Belo Monte?

Marina Silva – A minha posição em relação à Belo Monte é de que não teve um processo transparente até agora, que as comunidades não foram ouvidas - pelo menos eles estão dizendo que não foram ouvidos adequadamente. O Brasil ratificou a convenção 169, que pressupõe a audiência correta das comunidades indígenas, e isso não foi feito. Um empreendimento dessa magnitude não pode acontecer sem uma forte participação da sociedade. Então, a minha posição em relação à Belo Monte é de que o licenciamento, desde o início, negou a complexidade do empreendimento, mesmo que tenham sido feitos estudos para reposicioná-lo, ainda está muito aquém daquilo que os segmentos envolvidos, sobretudo as populações locais, gostariam que estivesse: o plano de desenvolvimento para a área de abrangência, a auscultação correta das comunidades. Agora, em relação à viabilidade ou não do empreendimento, isso é algo que se discute no mérito. E daí os licenciadores e o governo, que estão à frente do processo, têm que analisar a viabilidade ambiental, a viabilidade técnica e a oportunidade de conveniência. E como eu não sou o governo, não tenho condição de aferir, nesse momento, os processos que estão em curso.

"O Brasil é uma potência ambiental e tem que fazer jus a isso"

IHU On-Line – Pensando na sua eleição como presidente do Brasil. Quais seriam suas primeiras medidas, nos primeiros 100 dias? Quais suas principais metas e prioridades?

Marina Silva – Com certeza, acho que seria precipitado alguém que está na condição de pré-candidata já ficar falando em primeiros cem dias. Mas isso faz parte da alimentação do sonho.

IHU On-Line – Mas na sua visão o que é mais urgente para o Brasil?

Marina Silva – O que é mais urgente para todos os brasileiros é que esse país assuma o que ele é. O Brasil é uma potência ambiental, tem que fazer jus à potência ambiental que é. Para isso, é preciso que faça os investimentos corretos, para que a potência econômica que se avizinha – estão dizendo que, em breve, o Brasil será a quinta potência econômica do mundo – seja algo a ser compatibilizado em termos mais felizes, mais cuidadosos, com a saúde, com a educação, com a cultura, com a diversidade e com a proteção dos recursos naturais.

"O que é mais urgente para todos os brasileiros é que esse país assuma o que ele é. O Brasil é uma potência ambiental, tem que fazer jus à potência ambiental que é"

IHU On-Line - Como você pretende tratar na sua campanha da conciliação entre crescimento econômico e desenvolvimento sustentável?

Marina Silva – Primeiro, é preciso requalificar essa história de crescimento pelo crescimento. O crescimento não é um fim em si mesmo. Ele é uma ferramenta, um instrumento para o desenvolvimento. E o desenvolvimento que nós advogamos é aquele que seja sustentável em todos os aspectos: econômico, ambiental, social e cultural. Essa tradução será feita progressivamente, na mudança de paradigma da relação das indústrias com os recursos naturais, com o uso de novas tecnologias, que possam ser menos poluentes, que possam contaminar menos, que assumam esse papel da responsabilidade social e ambiental. Na agricultura também, que possamos ter uma produção sustentável, evitando os processos extensivos, lançando mão de práticas e tecnologias que nos levem a menos destruição das florestas, da biodiversidade, à maior preservação dos rios e córregos, até porque as catástrofes ambientais que estão acontecendo, prejudicando a economia e ceifando vidas, tem muito a ver com esse modelo predatório.

IHU On-Line – E como você vê a questão do carbono zero?

Marina Silva – Nós trabalhamos com a ideia da economia de baixo carbono. Essa é uma economia que, infelizmente, ainda não temos em nenhum lugar do mundo. Portanto, todos estamos no páreo para dar uma contribuição. E o Brasil talvez seja o país que reúne as melhores condições, pois tem um potencial enorme para fontes de energia limpa e segura, e isso já é uma vantagem e um diferencial em relação até mesmo aos países desenvolvidos. O Brasil tem milhões de hectares de área agricultável, em condições de ter uma produção agrícola altamente significativa, sem precisar destruir as suas florestas, seja o Cerrado, a Caatinga, a Mata Atlântica e a Amazônia. Então, o Brasil é o país que pode investir muito fortemente na economia de baixo carbono, desde que faça os investimentos corretos, no tempo correto e que tenha visão. Tendo a visão, podemos estabelecer os processos; tendo a visão e os processos, vamos, aos poucos, criando as estruturas e, com certeza, uma parte desta estrutura o Brasil já tem. Porque ele se difere de outros países que podem até ter a vontade, mas não têm os recursos naturais. O Brasil tem um grande potencial para a produção de energia de biomassa, energia solar, eólica, sem falar no grande potencial de hidroeletricidade que, se trabalhado corretamente, com os planos de desenvolvimento sustentável para a área de abrangência dos investimentos, é possível fazer esses aproveitamentos. Claro que temos um olhar panorâmico para o conjunto, e depois um olhar específico para cada empreendimento, para evitar injustiças e danos ambientais.

"As catástrofes ambientais que estão acontecendo, prejudicando a economia e ceifando vidas, tem muito a ver com esse modelo predatório"

IHU On-Line - Como você se posiciona em relação às alianças políticas do PV e à perda do apoio do PSOL à sua candidatura?

Marina Silva – Em primeiro lugar, o PV não tem alianças políticas ainda. O PSOL era uma negociação que vinha sendo feita, sabendo que havia dificuldades. Não é uma perda, porque não tinha ainda uma aliança. Era uma conversa que existia. E nós já sabíamos que havia dificuldade de parte a parte, não só da parte do PSOL com o PV, mas também da parte do PV com o PSOL. O que havia era uma grande vontade minha e da senadora Heloisa Helena de ficarmos juntas. Mas nós ficaremos juntas independentemente da aliança, porque eu vou apoiá-la lá em Alagoas.
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ACRE: PRODUÇÃO LOCAL DE TABACO É ECOLÓGICA, AFIRMA ESPECIALISTA

Tabaco ecológico da Amazônia

Ricardo Becker*
Presidente do Sindicato das Indústrias de Tabaco da Bahia

Antes de mais nada, gostaria de me desculpar pela ausência por tão prolongado período (a última vez que escrevi a coluna foi em fins de julho). É que tenho viajado muito por conta do cargo de Presidente do SINDITABACO/BA, que atualmente ocupo. Apesar de todas ferramentas que a moderna informática nos coloca a serviço, ainda não inventaram um dia com mais de 24 horas... Ou será que não estamos sabendo aproveitar melhor as 24 que temos disponíveis!?

Bem, voltando ao assunto desta, gostaria de compartilhar com meus leitores a última viagem que fiz por conta do meu trabalho como “tabaqueiro/charuteiro”. A convite da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) do Governo Estadual do Acre, fomos eu e um colega engenheiro agrônomo – o Odacir Tonelli Strada (também Diretor do Sinditabaco/BA), este sim especialista em tabaco – para Rio Branco. O convite tinha como objetivo (pasmem os senhores...) conhecer o plantio de tabaco feito por colonos ribeirinhos do Rio Iáco (ou Yaco como querem alguns) em plena floresta amazônica! A intenção do governo local era a de que vistoriássemos “in loco” o referido plantio e o fabrico do produto acabado, que é comercializado para os “atravessadores” (comerciantes fluviais) no período da águas, quando as embarcações de carga podem aportar e e sair carregadas. Fomos consultados para que após feita esta visita pudéssemos dar parecer técnico acerca das potencialidades com vistas na profissionalização da cadeia produtiva.

No entanto, a pergunta principal para nós era: por que o Governo Estadual do Acre estava tão interessado em incentivar o plantio de tabaco, a ponto de financiar a sua profissionalização? E justamente através de sua Secretaria de Meio Ambiente? Estávamos realmente intrigados.

Após um período de mais de dois meses de trocas recíprocas de e-mails, finalmente embarcamos para Rio Branco no dia 30/07! Lá fomos recebidos pelo Assessor direto do Secretário, que nos explanou resumindo a real intenção do convite: O Estado do Acre mantém atualmente intactos cerca de 88% da cobertura florestal de seu território original! Foi feito recentemente estudo de Plano de Manejo com o levantamento das áreas produtivas e seus respectivos produtos. Dentre eles está o cultivo de tabaco! E a idéia simples, porém genial, do governo estadual, mais especificamente da SEMA, é a de aperfeiçoar as diversas cadeias produtivas preexistentes, incentivando a profissionalização da agricultura familiar e fomentando o sistema de cooperativismo, para fixar o homem rural ao seu meio, evitando assim mais derrubada da floresta amazônica. Este homem e sua família tornar-se-ão, portanto, suficientemente aparelhados a ponto de se tornarem inclusive guardiães avançados desta floresta, dela tirando o seu pleno sustento!

Ficou então combinado que no dia seguinte iríamos iniciar a visita acompanhados de dois técnicos da SEMA – um engenheiro agrônomo e um florestal, além do nosso valente e competente motorista da picape Toyota Bandeirante cabine dupla (um verdadeiro trator naqueles intermináveis atoleiros...). E quando retornássemos teríamos nova reunião com o Secretário do meio Ambiente para relatório prévio do que tivéssemos constatado.

Do dia 01 ao dia 03 de julho nos embrenhamos na floresta amazônica do Acre. Foi uma das maiores aventuras de minha vida (olha que nos idos de 1982, jovem nos meus 20 e poucos anos, já tinha enfrentado a mesma floresta nas cercanias de Manaus e descido o Rio Amazonas durante uma semana rumo a Belém)! Na ida até as margens do Rio Iáco enfrentamos por cerca de 3 horas em percurso de pouco mais 90 km floresta adentro em estrada recém aberta denominada de “Ramal”. Pernoitamos na primeira noite em casa-sede de madeira sobre pau-a-pique (tipologia construtiva da região, uma vez que madeira lá é “mato”) de fazenda às margens do Iáco. No dia seguinte cedo levantamos acampamento (literalmente, pois dormíramos na varanda, em redes) e pegamos o barco a motor que já estava nos aguardando com seu também valoroso piloto. Após mais de 2 horas (para vencer distância de pouco mais de 30 km) nos desembarcou sãos e salvos no nosso destino – a plantação de tabaco de S. Chiquinho. Lá conhecemos sua família, mulher e 10 filhos, o mais novo caçula, uma macaquinho bugio – o “Orelhudo” – o mascotinho travesso, xodó de todos presentes! Fomos então finalmente conhecer o tal plantio ecológico de tabaco – técnica e sementes passadas de pais para filhos, a gerações e gerações, a ponto de não se saber a origem das sementes... É realmente ecológica porque não se adiciona nenhum tipo de adubo químico ao solo, não há nenhum tipo de praga e nem de aplicação de agrotóxico, e, a secagem das folhas colhidas é feita sob pequenas coberturas de palhas de palmáceas da região. Depois ficamos conhecendo também o subproduto comercializado: um cilindro de aprox. 1,50 m de comprimento por diâmetro médio de 5 a 6 cm, de folhas prensadas à seco por corda de sisal, que após tomar seu formato definitivo é substituída por fita de borracha natural de seringueira. Querem fumo de corda mais ecológico do que este, sem nenhum tipo de produto sintético nem em sua forma? É este cilindro que é vendido aos supracitados atravessadores e estes o revendem em “fatias” chamadas de “libras”. O sujeito que compra a libra tira uma fina fatia, esfarela o tabaco prensado e o apõe delicadamente sobre o “papelinho” – está pronto o cigarrinho para ser degustado pelo consumidor local.

No dia 03, após novo pernoite em redes, retornamos pelo mesmo caminho de dois dias antes: novamente 2 horas de barco, mais 3 horas de atoleiros e em seguida mais 2 horas de asfalto. Mas, valeu muito a pena a experiência e saber que se planta tabaco por este imenso Brasil afora e que isto ocorre a muitas gerações, hábito herdado por nós ditos homens civilizados, dos nossos antepassados indígenas. Estávamos carregando amostras de folhas de tabaco, devidamente acondicionadas, para procedermos o beneficiamento (processo de fermentação natural) e posterior manufatura de cigarrilhas e charutos para testes de degustação quando retornássemos a Cruz das Almas/BA. E teríamos no dia seguinte reunião com o Secretário da SEMA para passar nossa impressão técnica inicial. Mas, o resultado disto tudo é assunto para uma próxima coluna...

*Escreve a coluna 'Charutos' na revista ConceitoSA.
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Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

AGRICULTURA: SE SOMOS TÃO RICOS, POR QUE ESTAMOS TÃO POBRES?

Polan Lacki*
Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Neste nosso privilegiado Brasil, temos enormes potencialidades produtivas, tanto na agricultura como na pecuária; se soubéssemos explorá-las racionalmente, elas nos permitiriam gerar as riquezas que tanto necessitamos para reduzir a pobreza rural e também para solucionar vários dos nossos grandes problemas nacionais. A nossa agropecuária tem vocação para ser a mais poderosa “locomotiva” do desenvolvimento nacional.

Em primeiro lugar, temos vastas extensões de terras de boa qualidade, abundância de água, clima favorável que nos permite obter várias colheitas ao ano, produzir na contra-estação dos países ricos e criar gado exclusivamente a pasto, um enorme mercado consumidor e uma abundante mão-de-obra necessitada e desejosa de progredir com o fruto do seu trabalho.

Em segundo lugar, já dispomos dos conhecimentos (tecnologias e experiências bem-sucedidas) que são necessários para fazer uma muito eficiente produção, transformação e comercialização de produtos agropecuários. Infelizmente tais conhecimentos estão sendo adotados apenas por uma minoria de produtores rurais mais eficientes. Tal exclusão é solucionável porque muitas das mencionadas tecnologias e experiências são de baixo custo e fácil adoção; e graças a essas características, poderiam e deveriam estar beneficiando todos os produtores rurais do país. Infelizmente, isto não ocorre porque esses conhecimentos permanecem ociosos nas estações de pesquisa agropecuária, nas universidades, nas cooperativas, nos sites da Internet e nas propriedades dos agricultores mais eficientes. Enquanto essas valiosas tecnologias permanecem subutilizadas, a grande maioria dos produtores rurais tem graves problemas econômicos exatamente porque não às conhece ou não sabe aplicá-las de maneira correta. Isto acontece porque falta “construir” uma ponte que conecte os que sabem e sabem fazer com os que necessitam, urgentemente, aprender a saber e a saber fazer.

Em terceiro lugar, dispomos de métodos e meios de comunicação, eficazes e de baixíssimo custo (emissoras de rádio e televisão, e-mail, sites na Internet, etc.), através dos quais poderíamos e deveríamos difundir tais conhecimentos, rápida e massivamente, em benefício de todas as famílias rurais. Em resumo, temos à nossa disposição quase todos os requisitos necessários para fazer uma agricultura que, ao ser muito mais eficiente e mais produtiva, poderia gerar as riquezas que tanto necessitamos.

E se é assim, por que não o fazemos? Pelo elementar motivo de que a maioria dos nossos agricultores não possui as competências necessárias para corrigir as suas próprias ineficiências produtivas, gerenciais e comerciais, pois lhes faltam conhecimentos, habilidades, atitudes e até valores orientados ao empreendedorismo e ao autodesenvolvimento. E é principalmente por esta razão que muitos deles são tão dependentes do paternalismo estatal.

E por que os habitantes rurais não possuem as referidas competências? Basicamente pelos seguintes quatro motivos:

Primeiro: porque os conhecimentos que os seus pais lhes transmitiram já estão desatualizados e são insuficientes para que eles possam sobreviver economicamente na agricultura moderna e globalizada.

Segundo: porque as escolas fundamentais rurais (da primeira à oitava série) que, para a maioria dos habitantes do campo, são a única oportunidade de aprender algo útil para a vida e o trabalho no campo, ensinam às crianças muitos conteúdos irrelevantes; que em pouco ou nada contribuem a que eles se tornem produtores, administradores das suas propriedades e comercializadores das suas colheitas, mais eficientes e empreendedores. Existe um impressionante desencontro entre o que essas escolas fundamentais rurais estão ensinando e aquilo que os educandos realmente necessitam aprender. Grande parte dos seus conteúdos curriculares não tem nenhuma aplicação na solução dos problemas cotidianos que os educandos enfrentam – e continuarão enfrentando – nas suas vidas pessoais, familiares, produtivas e comunitárias.

Terceiro: porque os serviços estatais de extensão rural – que poderiam e deveriam compensar algumas das debilidades educativas até aqui analisadas – estão contaminados pelas interferências político-partidárias, burocratizados e excessivamente centralizados. Com tais restrições, os extensionistas, mesmo contra a sua vontade, dedicam mais tempo a tramitar propostas de crédito rural e a burocratizar nos escritórios que à sua função primordial que é a de capacitar os agricultores nas propriedades e comunidades rurais. As poucas vezes que conseguem ir ao campo, depois de enfrentar uma longa peregrinação burocrática para obter o veículo, o combustível e as diárias, muitos dos extensionistas não estão em condições técnicas de corrigir os erros que os agricultores cometem e de solucionar os problemas que os afetam; essas debilidades técnicas dos agentes de extensão rural ocorrem devido ao motivo descrito a seguir.

Quarto: porque, com poucas exceções de louváveis iniciativas inovadoras, as faculdades de ciências agrárias estão excessivamente “urbanizadas” e desconectadas da realidade concreta dos produtores rurais e dos potenciais empregadores dos seus egressos. Devido ao nosso rápido processo de urbanização, a maioria dos professores já é de origem urbana e não tem um adequado conhecimento vivencial dos problemas agrícolas e rurais. Além de não possuir tal vivência, as faculdades nem sequer consultam os empregadores e os produtores rurais para saber qual é o perfil profissional que o atual mercado de trabalho está necessitando. O ensino teórico realizado nas salas de aula e nos laboratórios raramente é complementado e validado com atividades práticas executadas nas propriedades, nas comunidades rurais, nas agroindústrias e nos mercados agrícolas. As esporádicas visitas ao campo geralmente ocorrem no último semestre do curso, quando o dano na formação dos estudantes já é irreversível. As faculdades estimulam os seus docentes a pesquisar e publicar artigos nas revistas científicas internacionais e os premiam por esses “papers” para efeito de salários, promoções e enquadramentos; pouco importando quantas pessoas se beneficiam com os resultados de tais pesquisas e qual é a contribuição real e efetiva que tais investigações oferecem à solução dos problemas concretos e cotidianos da grande maioria dos produtores rurais. Esquecem-se que são os agricultores e empregadores, e não os professores, a principal razão de ser da existência das faculdades. Enquanto isso ocorre, as atividades de extensão universitária, que permitiriam aproximar as faculdades ao conhecimento da realidade agrícola e rural, não recebem apoio nem são consideradas para efeito de promoções e enquadramentos dos docentes que as executam ou que desejariam executá-las.

Com uma formação tão teórica e divorciada das necessidades dos agricultores e dos empregadores, não é de surpreender que o mercado de trabalho esteja rechaçando os profissionais que delas provêm. As faculdades continuam formando profissionais para o desemprego e este existe não necessariamente porque a demanda é insuficiente e sim porque a oferta das faculdades é inadequada às reais necessidades dos demandantes do mundo moderno. Apesar de que na prédica preconizam o desenvolvimento rural com eqüidade e sem exclusões, as escolas superiores de agricultura priorizam e enfatizam o ensino de tecnologias sofisticadas e de alto custo, que beneficiam uns 5 ou 10% dos agricultores e pecuaristas de ponta; com tal elitização subestimam e desprezam as necessidades concretas de 90 ou 95% dos produtores rurais que requerem, em caráter prioritário, tecnologias menos sofisticadas e de baixo custo, a fim de que sejam compatíveis com os escassos recursos de que eles dispõem. Durante a sua passagem pela universidade, os estudantes têm poucas oportunidades de desenvolver a sua “engenhosidade” na criação de soluções mais pragmáticas e adequadas às adversas condições físico-produtivas e à escassez de recursos financeiros que caracterizam os agricultores mais pobres; os estudantes também têm poucas oportunidades de executar, com as suas próprias mãos, as atividades mais elementares e freqüentes que os produtores rurais realizam na sua vida cotidiana.

Nessas condições, como os futuros profissionais poderão ensinar aos agricultores a regular uma semeadeira, podar, enxertar, ordenhar uma vaca ou transformar “commodities” em produtos processados se, durante o seu período de estudos universitários, os estudantes nunca regularam uma semeadeira, podaram, enxertaram, ordenharam e processaram/transformaram commodities? Com tantas debilidades na formação dos egressos, como esperar que os serviços de extensão rural sejam eficientes e promovam as urgentes mudanças que necessitam os agricultores e a agricultura?

Felizmente, a correção ou eliminação da maioria das ineficiências e distorções descritas neste artigo depende, em boa medida, da decisão e da vontade pessoal dos diretores das escolas, dos professores e dos extensionistas. Ao contrário do que se costuma afirmar, a correção de muitas dessas distorções não requer altas decisões políticas do Poder Executivo, do Congresso Nacional, do Ministério de Educação, do Ministério de Agricultura, das secretarias estaduais de educação e agricultura ou dos reitores das universidades. As medidas que realmente dependem de ajudas externas podem ser postergadas a fim de que, de imediato, os educadores se concentrem na adoção daquelas medidas que realmente estão ao seu alcance. Nos sites:
- http://www.polanlacki.com.br
- http://www.polanlacki.com.br/agrobr
estão disponíveis textos que demonstram o muito que podem fazer os próprios professores e extensionistas para introduzir melhorias significativas no seu desempenho, mesmo que não contem com ajudas externas às suas respectivas instituições. Tais textos demonstram que, em muitos casos, as referidas ajudas são simplesmente prescindíveis.

Corrigir as distorções e ineficiências recém descritas deve ser a nossa grande prioridade. Enquanto não introduzirmos essas modificações no nosso sistema de educação rural – simples e de baixo custo, porém altamente eficazes e de um grande efeito multiplicador e emancipador – todos os grandes projetos de combate à pobreza rural continuarão fracassando e os gigantescos recursos neles aplicados continuarão sendo desperdiçados, pela seguinte e fundamental razão: os afetados pela pobreza rural não podem solucionar os seus problemas muitíssimo mais devido à inadequação e insuficiência de seus conhecimentos que à suposta insuficiência dos seus recursos materiais e financeiros.

E-mails do autor:
- Polan.Lacki@onda.com.br
- Polan.Lacki@uol.com.br


*Colaboração de Polan Lacki para o EcoDebate
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Sexta-feira, Novembro 06, 2009

VACINA ANTI-HIV: MITO OU REALIDADE

Pâmela Pinto
Agência Fiocruz de Notícias

Há pelo menos duas décadas, a busca de uma vacina para a Aids é um dos grandes objetivos da biomedicina. Até agora, muito esforço foi feito, mas o avanço ainda é lento. Mariza Morgado, chefe do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e atual vice-diretora de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Instituto, discutiu os desafios no desenvolvimento de uma vacina anti-HIV durante o Simpósio França Brasil, na Fiocruz.


A pesquisadora traçou uma retrospectiva dos protocolos em andamento na comunidade científica internacional para elaboração de uma vacina. Atualmente, existem mais de 50 protocolos em curso, mas a maioria ainda no estágio inicial do processo, no qual é verificada a segurança do protótipo. Um número menor atingiu, ao longo de duas décadas, a fase dois de estudos, quando é verificado se o produto induz a uma resposta imune. Apenas três projetos alcançaram a fase seguinte (IIb e III), que consiste em testes de eficácia: um primeiro na década de 1990 e outro concluído em 2007 (ambos abandonados pela inconsistência dos dados), além de um último com resultados apresentados recentemente, em 2009.

Entre as dificuldades encontradas para produção de uma vacina eficaz, Mariza apontou alguns aspectos. O primeiro é que o HIV é um retrovírus, capaz de se integrar ao material genético do hospedeiro, o que impossibilita o uso do vírus atenuado para a produção de vacina. Outras características são a grande variabilidade e a capacidade de recombinação do vírus, impedindo o sistema imune de montar uma resposta. O fato de não existirem pacientes curados também é outra barreira, pois não permite detectar os agentes de imunidades associados à proteção contra o vírus.

Em 23 de setembro deste ano, foi anunciada uma vacina com 30% de eficácia contra o HIV, desenvolvida numa cooperação entre os governos da Tailândia e dos Estados Unidos. O trabalho reuniu um total 16 mil pessoas, divididas em dois grupos, para participar de um protocolo de vacinação com quatro doses. Deste total, foi verificado cerca 30% de proteção. Os resultados oficiais deste protótipo de vacina foram detalhados durante a Conferência de Vacinas da Aids, em Paris.

“É muito difícil manter um protocolo com grande número pessoas e garantir que todos cumpram todo o processo de vacinação. Os cálculos de precisão serão realizados somente após a publicação destes dados e então saberemos qual é a eficácia de fato. Mas esta pesquisa sinaliza uma vantagem no sentido de que foi a primeira vez que se mostrou algum nível de eficácia como este ou, pelo menos, uma diferença no número de infecções entre os indivíduos vacinados e aqueles que receberam placebo. No entanto, não foi observada nenhuma diferença quanto à carga viral plasmática nos dois grupos”, avaliou Mariza.

A bióloga destaca outro ponto importante no debate sobre uma vacina anti-HIV: os protocolos em curso buscam a não evolução da doença no indivíduo infectado, já que uma vacina capaz de evitar a infecção, que ocorre por diversas vias, ainda é um objetivo distante de ser alcançado. “Se o indivíduo tem uma resposta imune capaz de estancar a passagem do vírus para outra célula, isso faz com que o sistema imune fique pouco comprometido. E com isso não se desenvolveria a doença”, explicou.

Mapeamento dos tipos brasileiros

O isolamento do HIV tipo 1, na década de 1980, realizado por pesquisadores do IOC, marcou o ingresso do Brasil no cenário internacional de pesquisa em Aids. O feito alavancou estudos que priorizam o aumento da qualidade de vida dos pacientes que vivem com o vírus. Parte deste trabalho é desenvolvida no Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do Instituto, que atua no mapeamento dos vírus circulantes em todo o país, bem como no monitoramento da capacidade dos indivíduos infectados reagirem a antígenos. ”Já identificamos vários subtipos circulantes do HIV nas diversas regiões brasileiras e a variabilidade destes vírus, o que é importante para avaliar a resposta imune dos indivíduos infectados. Numa perspectiva futura, este levantamento poderá gerar subsídios para potencializar a eficácia de uma vacina no país”, disse Marilda.

Aids no Brasil

De 1980 a junho de 2008, foram notificados 506.499 casos de Aids no país. Segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos. Os índices da doença são crescentes no Norte e Nordeste. Em números absolutos, o Brasil registrou 192.709 óbitos por Aids, de 1980 a 2006.

Para ler matérias sobre outras palestras do Simpósio França-Brasil, clique aqui.
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AQUECIMENTO GLOBAL PODERÁ SER BENÉFICO À PRODUÇÃO DE CANA

Com mudanças no clima, produção pode chegar a 120 toneladas por hectare em 2080

Por Antonio Carlos Quinto - acquinto@usp.br
Agência USP de Notícias

As mudanças climáticas e o aumento da concentração de CO2 aliados aos avanços tecnológicos poderão proporcionar um aumento significativo na produção de cana-de-açucar na região de Piracicaba, no interior de São Paulo, nos próximos 70 anos. Cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba estimam que a produção poderá atingir a 120 toneladas por hectare (t/h) em 2080. A estimativa é feita no estudo Mudanças climáticas e a expectativa de seus impactos na cultura da cana-de-açúcar na região de Piracicaba, SP, apresentado na Esalq pela engenheira ambiental Júlia Ribeiro Ferreira Gouvea, como sua dissertação de mestrado. “Nos últimos anos, a produtividade média vem atingindo cerca de 85 toneladas por hectare”, diz o professor Paulo Cesar Sentelhas, do Departamento de Ciências Exatas, que orientou o trabalho.

Segundo o docente, uma das principais fontes para a elaboração da pesquisa foi o quarto relatório do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) de 2007, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que apresentou cenários futuros de mudanças climáticas. “De outro lado, obtivemos dados de vários anos passados em relação à produtividade da cana obtidos junto a uma grande empresa do setor”, conta Júlia. Os cientistas também computaram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para estimar os avanços tecnológicos que poderão influir no aumento da produção.

“Tendo em mãos os dados de 80 anos passados, aplicamos um modelo matemático-fisiológico que nos permitiu estimar a produção dos próximos 70 anos”, explica Júlia. A esses dados, foram acrescentadas as informações do IPCC e do IBGE. Mas, segundo a engenheira, o que surpreendeu os pesquisadores foi verificar que o aquecimento global irá proporcionar aumento na produtividade da cultura.

Sentelhas explica que a cana-de-açúcar é uma gramínea do tipo C4, resistente à falta de água e mais robusta. “O efeito do aumento do CO2 e o consequente aquecimento do clima irá favorecer o processo de fotossíntese da cana-de-açucar. Além disso, temos o avanço tecnológico na implementação de técnicas de cultivo bem como os estudos que visam o melhoramento genético da planta”, descreve.

Escala de aquecimento

De acordo com o cenário estimado no estudo, a temperatura global deverá atingir um aumento médio de até 4 ºC no ano de 2100. A pesquisa mostra uma escala de previsão de aquecimento em que 2020 o aumento poderá ser de 1ºC, e em 2050, até 2ºC. “O aumento da temperatura acarretará no aumento da Produtividade Potencial [PP], já que essa variável afeta positivamente a eficiência do processo fotossintético das plantas C4”, descreve o pesquisador, lembrando que as alterações na radiação solar e na chuva terão menores impactos na produtividade. De acordo com o estudo, em relação à condição atual, a PP aumentará cerca de 15% em 2020, 33% em 2050 e 47% em 2080. Os cientistas também estimam a Produtividade Real (AP) que poderá aumentar em 2020 cerca de 12% em relação à condição atual, 32% em 2050, e 47% em 2080. “Podemos estimar uma produção de 90 toneladas por hectare em 2020, 107 t/h em 2050, e 120 t/h e 2080”, calcula Sentelhas.

Júlia explica que o ciclo da cana-de-açúcar naquela região varia de 12 a 18 meses. Ao lado da região de Ribeirão Preto, a região de Piracicaba é uma das principais produtoras de cana-de-açúcar do estado de São Paulo. O estudo teve início em 2006 e foi apresentado na Esalq no início de 2008.
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TÁCIO DE BRITO

PEGO DE BUCHA

Escrito por Luiz Calixto
Deputado Estadual e editor do Blog 'A Trincheira'

Sempre que vejo o Tácio de Brito por detrás do balcão da sua drogaria no bairro da Floresta tenho dúvidas se ele realmente meteu a mão no dinheiro do DERACRE, para merecer condenações.

Se meteu, escondeu muito bem porque não ostenta sinais de riqueza.

Nesta sentença da Justiça Federal provavelmente ele está pagando o pato pelo gabiru-mor Jorge Viana, governador à época da roubalheira.

Leia aqui no blog do Altino sobre a condenacão dele e de outros.

Centralizador , Jorge não permitia que nenhum contrato fosse assinado ou majorado sem o seu prévio conhecimento e autorização.

Só os bobos e aqueles que têm os pés no chão, e as mãos também, acreditarão que os reajustes foram decisão exclusiva do então diretor do Deracre.

Nem Tácio e nenhum outro secretário tinha autonomia para decidir, pricipalmente, sobre reajustes.

Ocorre que o governador manda, determina, mas não ordena despesas e nem deixa suas digitais em nenhum lugar.

Essa é a velha história do papagaio que come milho e o periquito leva a fama.
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POPULAÇÕES AMAZÔNICAS NÃO SÃO ALVOS PRIORITÁRIOS DOS PROJETOS HIDRELÉTRICOS

Por Fabíola Munhoz, do Amazônia.org.br

A governadora do Pará Ana Júlia Carepa (PT) defendeu na última terça-feira (13), em São Paulo, a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), como um projeto para a geração de energia limpa.

Para a governadora, o empreendimento é necessário porque irá render energia à população paraense e receita tributária ao governo do Estado, além de substituir as termelétricas poluentes que hoje abastecem a região.

Francisco Hernandez, um dos coordenadores do Painel de Especialistas que indicou falhas no Estudo/Relatório de Impactos Ambientais (EIA/RIMA) de Belo Monte, concedeu uma entrevista ao Site Amazonia.org.br, em que discorda do discurso da governadora paraense. Hernandez, que é pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), acredita que, ainda que o EIA de Belo Monte seja corrigido quanto às falhas apontadas por estudiosos, o projeto deve ser abandonado.

Para ele, a energia produzida pela usina será destinada à indústria, não à população, e o pouco recurso energético gerado com o empreendimento não compensará os altos custos financeiros e socioambientais da obra.

Confira a conversa.

Amazonia.org.br - A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, afirmou recentemente que irá cobrar a inclusão dos custos financeiros das linhas de transmissão que ligariam Belo Monte ao Sistema Interligado Nacional (SIN) na previsão de gastos do projeto. Caso isso aconteça, vai aumentar muito o custo da hidrelétrica?

Francisco Hernandez - Tínhamos notado no estudo dos primeiros volumes do EIA/RIMA que a conexão ao sistema de transmissão não era algo que estava definido. Ou seja, deixava-se para o futuro a discussão de como seria a conexão de Belo Monte, caso seja construída, ao sistema de transmissão. Isso causa problemas porque a potência proposta para Belo Monte é de cerca de 11mil MW e, para isso, a definição do porte e das características das linhas de transmissão e da subestação que seria acoplada à usina teriam que ser definidas.

Isso porque existe uma especificidade na usina de Belo Monte, segundo a qual, em alguns momentos do ano, ela produziria energia próxima a sua capacidade máxima. E, em alguns outros momentos, ela se tornaria excessivamente ociosa. Há necessidade de equipamentos específicos para que, no momento em que a usina gerasse pouca energia, houvesse uma adequação ao sistema de transmissão. Nos momentos em que a usina não opera ou operasse com transporte de energia baixo, você deveria manter as linhas de transmissão energizadas. Para isso, há a necessidade de equipamentos específicos. Essa especificidade deveria estar, no mínimo, sinalizada nos estudos de viabilidade e no estudo de impacto ambiental. É uma omissão que foi mencionada no nosso relatório. Portanto, essa preocupação da governadora é pertinente.

Amazonia.org.br - Ana Júlia também disse que uma das exigência do Pará será a de que parte da energia produzida seja aproveitada pela população do Estado. Essa condição pode tornar a obra favorável à região?

Hernandez - Essa indefinição do sistema de transmissão não permite dizer qual o destino nem o rumo dessa energia que será gerada porque a usina de Belo Monte, teoricamente, estaria ligada ao Sistema Interligado. Se existe uma preocupação do governo do Estado de que essa energia seja destinada ao governo, essa caracterização da capacidade das linhas de transmissão também tem que estar definida, ou seja, o reforço de uma linha em determinado sentido e não em outro. Outra questão é que historicamente as populações da Amazônia não são os alvos prioritários dos projetos hidrelétricos. O alvo é a indústria eletrointensiva, que consome muito energia, tem tarifas subsidiadas e emprega poucas pessoas. É uma indústria que faz exportação quase líquida de energia. Um exemplo é a indústria de alumínio primário.

Essas questões são fruto da indefinição do projeto de Belo Monte, em termos de subestimação dos custos e indefinição de como será a conexão da usina ao sistema de transmissão. Isso não nos permite dizer com certeza para onde iria essa energia, se para a indústria eletrointensiva ou para o SIN. Essa definição só se dará quando soubermos como Belo Monte se conecta ao sistema. Deveria ter sido ao mínimo mencionado no EIA/RIMA. Pois não podemos dissociar a geração da transmissão quando se fala em planejamento energético.

Amazonia.org.br - E as linhas de transmissão que interligariam Belo Monte ao Sistema Nacional também causariam impactos socioambientais?

Hernandez - Todas as linhas de transmissão têm suas conseqüências socioambientais, dentre as quais desapropriação de terras e desalojamento de populações que estão no trajeto das linhas de transmissão. A linha Tucuruí-Jurupari, pela qual se pretende conectar Belo Monte, passa por uma reserva extrativista, a Verde para Sempre. Isso é um aspecto delicado. São projetos distintos, mas que não podem ser dissociados. Em termo de custos gerais, imagina se esse dinheiro fosse emprestado pelo BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], que é um banco de caráter público? Esses custos e especificidades da linha de transmissão deveriam estar claras. É um projeto complexo que exige complexidade adicional na transmissão.

Amazonia.org.br - A governadora do Pará diz, em defesa da usina, que exigirá que parte do ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - aplicado à energia passe a ser cobrado no local de produção, rendendo receita ao governo do Estado. Isso pode garantir a realização das políticas públicas que serão necessárias à região, caso Belo Monte seja construída?

Hernandez - Essa é uma discussão pertinente do ponto de vista de política fiscal, mas o que alertamos em nossos pareceres é que a grande maioria dos programas propostos está indefinida. Portanto, não há condição sequer de calcularmos os custos dos programas sociais. O detalhamento dos programas sugeridos no EIA/RIMA é muito pequeno. Então, muitas vezes durante o estudo notamos que se propõe um programa de acompanhamento da malária, ou uma necessidade de aumento do sistema primário de saúde, mas não se colocam detalhes do programa. Isso deixa dúvidas na avaliação da quantidade de recursos públicos que devem ser alocados numa obra desse tipo. Acho que isso deveria ser objeto de preocupação do governo do Estado, pois, se muita coisa se transfere em termos de responsabilidade ao poder público, isso significa que o poder público vai necessariamente ter que alocar recursos para fazer com que os programas sejam efetivamente levados adiante. Se o detalhamento dos programas não é feito ainda, do ponto de vista da política pública do governo do Estado a ser sugerida, essa indefinição persiste.

Amazonia.org.br- É verdade que a construção de Belo Monte vai significar a geração de energia limpa para substituir as termelétricas que hoje abastecem a região?

Hernandez- A energia hidrelétrica é tida como renovável e limpa, mas isso não é verdade. A história da hidroeletricidade brasileira demonstra que o número de atingidos, pessoas reassentadas, realocadas, expulsas de suas terras por empreendimentos hidrelétricos, de acordo com dados da CPT [Comissão Pastoral da Terra] e do MAB [Movimento dos Atingidos por Barragens], ultrapassam um milhão de pessoas. Inclusive, o passivo social desses reassentamentos e os impactos sobre suas comunidades ainda não foi devidamente superado. Outro aspecto é que as hidrelétricas, especialmente as de grande porte, provocam conseqüências ambientais de grande volume. O relatório da Comissão Mundial de Barragens mostra claramente isso. Não podemos dizer que a conversão de energia hidrelétrica é limpa, principalmente em se tratando de Belo Monte, projeto numa região de extrema biodiversidade. Especialistas em ictiologia e em diversidade da Volta Grande do rio Xingu são taxativos em recomendar o abandono do projeto pela extrema perda da biodiversidade que acontecerá. Estamos questionando um projeto complicado, problemático e que traz severas consequências ambientais. É disso que se trata, e não de ser contra hidrelétrica.

Amazonia.org.br- Quais são as expectativas dos especialistas que integraram o Painel com relação à resposta do Ibama aos seus questionamentos?

Hernandez- Nossa expectativa é de que a promessa de Messias [Roberto Messias, presidente do Ibama] se cumpra e de que essas colocações assinadas por 28 especialistas e feitas, no conjunto, por 42 pesquisadores que compuseram o Painel, sejam estudadas com seriedade e profundidade. E que os proponentes do projeto respondam essas questões, inclusive de maneira pública.

Também consideramos que as populações ribeirinhas que não estão sendo consideradas como diretamente atingidas- indígenas das duas terras indígenas que serão afetadas e comunidades ribeirinhas, como as do Garimpo do Galo e da Vila da Ressaca-, devem ser ouvidas e esclarecidas sobre as conseqüências ambientais desse projeto. Por esse motivo, as oitivas indígenas também são necessárias.

Eles devem fazer os estudos necessários com o devido aprofundamento, embora haja uma pressão para que a LI saia antes do leilão proposto para a obra no fim do ano. Nós como estudiosos não podemos concordar. Se existem falhas gravíssimas no EIA, os estudos devem ser refeitos, a ponto de poderem oferecer à sociedade estudos que digam quais as conseqüências sociais do projeto e os programas de mitigação necessários, com determinados custos.

O Messias já teve que se retratar publicamente por ter dito que nenhum questionamento havia sido protocolado após as audiências publicas. Mas, no dia 1° de outubro, tínhamos nossos pareceres protocolados. O Ibama deve responder a isso. Esperamos que o instituto cumpra seu papel, não de simplesmente fazer questionamentos sobre o EIA, mas também sobre as criticas que foram apresentadas com relação aos impactos ambientais, e que tenha a capacidade de exigir mais desses estudos. Nossa outra expectativa é de que nosso trabalho e a divulgação feita pelas agências de notícias sensibilizem o governo de que Belo Monte é um equivoco de conseqüências ambientais e sociais seríssimas.

Amazonia.org.br - Há possibilidade de que sejam corrigidas as falhas do EIA/RIMA de Belo Monte e, diante disso, a obra se torne viável?

Hernandez - Pela quantidade de consequências ambientais, por esse projeto estar inserido numa região de biodiversidade tremenda da Amazônia, por essa ociosidade operativa, por essa complexidade da obra, que simultaneamente alaga e deixa com vazão drasticamente reduzida, o posicionamento do Painel é de que a obra deve ser abandonada por ser um grave equívoco.

Parte dos especialistas do painel esteve reunida com o presidente Lula e lideranças locais. Naquele instante, o recado foi este: o governo não deveria ter para si essa marca de uma obra de infraestrutrura com tamanhas consequências ambientais. Já tivemos a usina de Balbina, e não queremos que isso se repita. É uma obra complexa que compromete as Terras Indígenas (TIs) Paquiçamba e Arara, que terão seus modos de vida comprometidos porque, em determinadas épocas do ano, dentro do hidrograma proposto pela obra, teríamos redução de até cinco metros do nível de água de pontos da Volta Grande.

Isso compromete não só a capacidade reprodutiva de espécies animais, mas também a manutenção da floresta aluvial, que depende da dinâmica flutuante do rio Xingu, e as populações ribeirinhas que vivem à jusante da barragem principal. Assim como os índios das terras afetadas, essas populações não são consideradas como atingidas no EIA da obra. Isso é uma lacuna extremamente grave. Se isso fosse considerado, reforçaria nosso argumento de que o projeto deveria ser abandonado.

(Envolverde/Amazônia.org.br)
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KILIMANJARO FICARÁ SEM NEVE EM DUAS DÉCADAS

Gelo na maior montanha da África, que tem resistido por mais de 11 mil anos, poderá sumir em menos de duas décadas, indica pesquisa

Agência FAPESP – Ernest Hemingway, Ava Gardner e Gregory Peck perderam a vez para as mudanças climáticas globais. Se fosse hoje, As neves do Kilimanjaro, conto escrito em 1936 pelo autor norte-americano que virou um dos maiores sucessos de bilheteria nos cinemas em 1952, teria, no mínimo, que mudar o título.

O motivo é que as famosas neves no maior monte da África, com 5,8 mil metros, que sempre pareceram eternas, estão desaparecendo. Segundo um estudo que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da Proceedings of the National Academy of Sciences, o gelo no topo poderá desaparecer completamente nas próximas duas décadas.

Lonnie Thompson, da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, e colegas apontam que as temperaturas mais elevadas, em conjunto com as condições mais secas e com menos nuvens, estão contribuindo para a sublimação e o derretimento do gelo no alto da montanha na Tanzânia.

Os pesquisadores combinaram medidas da área congelada obtidas a partir de fotografias aéreas com dados sobre alterações na espessura do manto para determinar em que velocidade o gelo está sumindo.

Segundo eles, a área total coberta pelo gelo encolheu cerca de 85% entre 1912 e 2007. Se as condições climáticas atuais persistirem, o gelo poderá desaparecer em 2022 ou, no melhor dos cenários, em 2033.

Os autores do estudo destacam que embora as neves do Kilimanjaro tenham sobrevivido por 11.700 anos, incluindo secas históricas e alterações climáticas, sem ações de mitigação eficazes as condições atuais poderão não apenas eliminar o gelo na montanha, mas também promover um significativo impacto na vida das comunidades locais na África.

O artigo Glacier loss on Kilimanjaro continues unabated, de Lonnie Thompson e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.
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Quinta-feira, Novembro 05, 2009

BRASIL CONSOME 60% DE AÇÚCAR VIA PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS

Da Assessoria de Comunicação do Cepea
Agência USP de Notícias

É em balas, bolachas, chocolates, refrigerantes, laticínios, entre outros produtos industrializados, que estão 60% do açúcar que o brasileiro consome. É o que aponta o estudo sobre o Consumo e Comércio de Açúcar no Brasil: Ano-safra 2007/08, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.

Os outros 40% são consumidos na forma direta, ou seja, são adquiridos pelos consumidores no varejo, em embalagens de 1 ou 5 quilos (Kg). Segundo a pesquisa, 80% dessas compras são de açúcar refinado e apenas 20% de cristal. Indústrias alimentícias, ao contrário do consumidor doméstico, têm suas compras focadas no cristal, mas absorvem também parcela de refinado.

O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar, sendo que cerca de 65% da sua produção é exportada. Do que é comercializado no País, 84,5% do volume é de açúcar cristal, 14%, de refinado e 1,5% de açúcar líquido.

Empresas de refeições coletivas, também aquelas de produção artesanal (doces, bolos, balas etc) e ainda parte do varejo dão preferência às compras em fardos — embalagens de 30 kg com unidades de 1 ou 5 kg. Já a saca de 50 quilos é preferida por indústrias de alimentos e empacotadoras — estas últimas redistribuem o produto em embalagens de 1 ou 5 quilos. Os big bags (embalagens de grande porte, com menor custo, que chegam a pesar 1200 Kg) , por sua vez, são negociados basicamente por indústrias e atacadistas.

As usinas do estado de São Paulo são responsáveis por 86% do açúcar refinado que é comercializado no País, por 56,3% do açúcar cristal em sacas (de 50 kg) e por 22,2% do açúcar cristal em fardos.

Os números absolutos desta pesquisa devem ser divulgados nos próximos meses, após conclusão da segunda edição do projeto.

Demanda

O trabalho desenvolvido pelo Cepea objetivou caracterizar a demanda brasileira por açúcar. A pesquisa teve apoio financeiro da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e foi viabilizada pela colaboração mais de 300 usinas e também de empresas do segmento atacadista. O período de referência das informações é o ano-safra 2007/2008 das duas maiores regiões produtoras de açúcar: Centro-Sul e Norte/Nordeste.

Foram considerados os diferentes níveis do mercado — produtor/usina, atacado e varejo —, diferentes tipos de açúcar — cristal, VHP (basicamente para exportação), refinado e líquido — e também diferentes embalagens de comercialização — 1 ou 5 kg, fardo, saca, big bag.

A pesquisa foi realizada pelos professores Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, Heloisa Lee Burnquist, Mírian Rumenos Piedade Bacchi e também pelos pesquisadores da Esalq Carlos Eduardo Caldarelli, Ivelise Rasera Bragato, Mariana Martins de Oliveira Pessini, Marta Cristina Marjotta-Maistro e Maurício Jorge Pinto de Souza.
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Quarta-feira, Novembro 04, 2009

TIÃO VIANA, AGORA VOCÊ TEM A CHANCE DE SE REDIMIR!

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Com a aprovação da realização do referendo sobre o fuso horário na Câmara Federal - pela esmagadora maioria de 223 votos a favor e 123 contra – a matéria segue para o senado para ser votada por aquela casa.

E no Senado, Tião Viana (PT-AC), autor da lei que mudou o nosso fuso horário, vai ter a chance de cumprir uma promessa que fez publicamente aos seus eleitores - dentre os quais me incluo: "apoiar a realização de uma consulta popular para que a população acreana diga se está a favor ou contra o novo fuso horário".

Em julho de 2008, o Senador se comprometeu em apresentar projeto de consulta popular sobre o novo fuso horário no Senado. Não o fez porque o Deputado Flaviano Melo apresentou projeto similar na Câmara Federal.

Sem a chance de apresentar a proposta, Tião Viana tem agora a chance de mostrar ao povo acreano que cumprirá parcialmente o que prometeu. Para isso, ele deve tomar para si a responsabilidade de liderar a tramitação do projeto no Senado, garantindo que sua aprovação seja rápida e sem delongas. Fazendo isso, ele demonstrará a todos que o seu espírito democrático está acima das picuinhas, baixarias e interesses escusos que - infelizmente - ainda permeiam o Senado, sua casa legislativa há mais de 10 anos.

É bom que se diga que o referendo não é uma questão partidária. É um assunto de interesse popular que se estende muito além dos interesses eleitoreiros dos partidos da situação e da oposição acreana. É claro que o assunto vai ser explorado politicamente por alguns. Isso é normal e faz parte do jogo político e democrático que vivemos.

O próprio Tião sabe que esse assunto precisa ser 'passado a limpo' o mais breve possível. E hoje, passada a tempestade e acalmados os ânimos que se exarcebaram no Acre por ocasião da mudança do fuso horário ocorrida um ano atrás, temos absoluta certeza de que a consulta não se constituirá em um julgamento público do Senador.

Uma eventual derrota nesta consulta popular não abalará o patrimônio político extremamente positivo e produtivo que Tião construiu ao logo de sua trajetória política. Muito pelo contrário. Mostrará que errar é da natureza humana e ajudará o Senador a ser ainda mais cuidadoso durante a tomada de decisões de amplo alcance, como foi o caso do projeto que mudou nosso fuso horário.

Para quem almeja assumir a responsabilidade de dirigir politica e administrativamente a vida de mais de 650 mil acreanos a partir de janeiro de 2011, aceitar que esses mesmos acreanos ajudem a corrigir um equívoco é um ato de grandeza e humildade que indicará que o destino do Estado estará em boas mãos caso Tião Viana venha a ser eleito governador do Acre.

Por outro lado, trabalhar contra a consulta popular assumindo uma postura passiva - ou agindo nos bastidores contra a sua realização - levará os acreanos a repensar sobre a melhor pessoa para assumir os destinos do Estado.

Intransigência e persistência no erro, como todos sabemos, não fez e nunca fará parte da personalidade dos grandes Estadistas. Por isso, nos sentimos confortáveis para mandar o seguinte recado para o senador Tião Viana:

- Tião Viana, agora você tem a chance de se redimir!
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Terça-feira, Novembro 03, 2009

URGENTE! CÂMARA APROVA REFERENDO SOBRE FUSO HORÁRIO NO ACRE!

Plenário aprova referendo sobre fuso horário do Acre

Agência Câmara

O Plenário aprovou, por 223 votos a 123 e 5 abstenções, o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 981/08, do deputado Flaviano Melo (PMDB-AC), que prevê a realização de um referendo no estado do Acre para saber se a população é a favor ou contra a mudança de horário determinada pela Lei 11.662/08. A lei, em vigor desde junho do ano passado, diminuiu de duas para uma hora a diferença de fuso horário em relação a Brasília.

A matéria será enviada ao Senado para votação.
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AGRICULTURA FAMILIAR

Mensagem de Missao Tanizaki: defensor da agricultura familiar e do aguapé!

Sempre acreditei na Agricultura Familiar porque a maioria dos envolvidos estão começando a sua longa jornada na produção agropecuária, praticamente, sem conhecimento algum – muito melhor para se aprender & permanecer no Caminho SUSTENTÁVEL do Desenvolvimento SOCIAL & Econômico do Brasil, de FATO, SUSTENTÁVEL.

Esses Cidadãos Brasileiros não apresentam os menos VÍCIOS daqueles que “aprenderam” a atuar no Modelo MALÉFICO que era baseado nos ABUSOS das MULTINACIOANAIS NÃO – ÉTICAS que sempre visaram LUCROS a qualquer CUSTO.

Para Fortalecer a Agricultura Familiar e torná-la IRREVERSÍVEL é preciso orientar todos os Cidadãos Brasileiros que atuam nos Órgãos Públicos, Ong’s, Pesquisadores, Governantes & Parlamentares, entre outros, para que mostrem o Caminho SUSTENTÁVEL para que se tornem digno merecedor do referido Caminho SUSTENTÁVEL que cada um pode construir com da equipe BR do AGUAPÉ.

O Caminho SUSTENTÁVEL é a Produção Agropecuária ORGÂNICA que a Equipe BR do AGUAPÉ tem recomendado, com ÉTICA, porque tem consciência da importância & potencialidade do AGUAPÉ.

Um Abraço Fraterno a VOCÊ membro / Colaborador (ou pretendente),

MISSAO TANIZAKI
Fiscal Federal Agropecuário
Bacharel em Química
missao.tanizaki@agricultura.gov.br (Com Problemas)
missao.tanizaki@gmail.com (NOVO)
Equipe BR do AGUAPÉ
TUDO POR UM BRASIL & MUNDO MELHOR
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CHIP PARA RASTREAMENTO BOVINO

Primeiro chip nacional para rastreabilidade bovina entra em fase de testes

Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil

[Instalação de chip de identificação em bezerro. Foto: Embrapa Gado de Corte]

Brasília - O primeiro chip 100% brasileiro para rastreabilidade bovina entrará, nesta semana, na fase final de testes antes de começar a ser produzido em larga escala. Desenvolvido pelo Centro de Excelência em Tecnologia Avançada (Ceitec) de Porto Alegre, ele será testado em animais da Fazenda Experimental Santa Rita, no município de Prudente de Morais, em Minas Gerais.

Os ministros Sergio Resende, da Ciência e Tecnologia, Reinhold Stephanes, da Agricultura, e Dilma Rousseff, da Casa Civil, além do governador de Minas, Aécio Neves, participarão do lançamento da fase de testes em campo na quinta-feira (5), às 10h. A identificação eletrônica possibilita o acompanhamento de informações genéticas, zootécnicas e sanitárias de cada animal, desde o nascimento até o abate.

O sistema de rastreabilidade desenvolvido pelo Ceitec conta com um software de banco de dados, um coletor e um brinco que contém um chip e uma antena. Para colher os dados do animal, basta aproximar um bastão com um leitor do chip, preso na orelha do animal. As informações são repassadas a um computador por meio de cabo ou rádio. Cada leitor tem capacidade de armazenar até 7 mil dados.

A rastreabilidade vem sendo cada vez mais exigida por países compradores de carne. No início de 2008, a União Europeia embargou as importações de carne bovina brasileira devido a falhas no sistema de controle nacional e até hoje, um ano e meio depois, não retomou as compras no mesmo volume de antes do embargo.

De acordo com nota divulgada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, “o chip do boi faz parte da estratégia nacional de desenvolver um padrão brasileiro de rastreabilidade e, a partir daí, estimular a criação de um mercado comprador”. O chip nacional deve ter o preço como grande diferencial aos pecuaristas, na medida em que eliminará o pagamento da validação no exterior e de royalties.

O país tem cerca de 200 milhões de cabeças de gado bovino, segundo dados do Ministério da Agricultura, e é o maior exportador mundial de carne. As exportações do setor ultrapassam R$ 2 bilhões.
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NOVO FUSO HORÁRIO ACREANO: PLENÁRIO DA CÂMARA VOTA PROPOSTA DE REFERENDO HOJE

Janary Júnior
Agência Câmara

O Plenário pode votar hoje, em sessão extraordinária, três propostas. A primeira é o Projeto de Decreto Legislativo 981/08, do deputado Flaviano Melo (PMDB-AC), que dá à população do Acre a oportunidade de decidir sobre o fuso horário do estado. A matéria tramita em regime de urgência, aprovado na semana passada pelos deputados.

A Lei 11.662/08 reduziu a diferença entre o fuso do Acre e o horário oficial de Brasília, de duas para uma hora. O deputado Flaviano Melo quer que a mudança seja analisada pela população em um referendo.

As outras duas matérias que serão analisadas pelos deputados são as PECs 324/09 e a 47/03, ambas do Senado. A primeira torna o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) integrante e presidente natural do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A PEC foi aprovada em primeiro turno no início de outubro, e será colocada em votação novamente. A segunda proposta inclui a alimentação na lista dos direitos sociais estabelecidos pela Constituição.

Medidas Provisórias
As sessões ordinárias desta semana estão trancadas por duas medidas provisórias (MPs). Os deputados devem analisar emendas aprovadas pelos senadores às MPs 465/09, que autoriza a União a assegurar os financiamentos do BNDES para produção ou compra de bens de capital, e 466/09, que altera as regras de distribuição e geração de energia nos sistemas isolados da região Norte.

Há mais duas MPs, mas que não trancam a pauta: a 469/09, que libera R$ 2,1 bilhões do orçamento federal para financiar ações de prevenção e combate à gripe A (gripe suína); e a 470/09, que reforça o patrimônio da Caixa Econômica Federal em R$ 6 bilhões para ampliar a concessão de financiamentos bancários.

A Ordem do Dia da sessão ordinária começa às 16 horas.
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VIGAS FEITAS DE CONCRETO, FIBRA DE VIDRO E MADEIRA CERTIFICADA

Vigas híbridas feitas com lâminas de eucalipto coladas, reforço de fibra de vidro (na base) e ganchos metálicos (no topo) para ligar a estrutura ao concreto


Construções mais seguras e ecológicas

O emprego de vigas híbridas, feitas com lâminas de madeira coladas, concreto e reforço opcional de fibra de vidro, pode aumentar a segurança das construções, pois elas são mais resistentes que as vigas convencionais, feitas só com madeira ou concreto. Pensando em incentivar o uso desse material no país e torná-lo ecologicamente correto, um pesquisador paulista desenvolveu vigas híbridas feitas com madeira extraída de florestas certificadas.

“As vigas híbridas são pouco usadas nas construções brasileiras, mas o emprego desse material é uma tendência mundial forte que veio para ficar”, avalia o engenheiro civil José Luiz Miotto, que desenvolveu as novas vigas híbridas em seu doutorado na Universidade de São Paulo (USP).

As vigas são estruturas colocadas horizontalmente para sustentar o peso das construções. Por serem mais resistentes que as vigas compostas somente por um material, as híbridas permitem aumentar o espaço entre os pontos de apoio da construção. O pesquisador acrescenta que, apesar de serem mais indicadas para construções de médio e grande porte, as vigas híbridas podem ser usadas também em pequenas edificações.

O diferencial do produto desenvolvido por Miotto é a escolha da matéria-prima para a viga: o eucalipto (espécie híbrida de Eucalyptus grandis e Eucalyptus urophylla) certificado. “Fiz isso para incentivar as pesquisas com madeira proveniente de florestas plantadas”, explica o engenheiro.

Segundo ele, a madeira certificada tem pré-requisitos suficientes para amenizar o impacto ambiental das construções, por ser um recurso renovável, reaproveitável e cuja procedência garante a não agressão ao ambiente. Além disso, o eucalipto usado na pesquisa, embora tenha densidade menor do que as madeiras tradicionalmente empregadas em construções (como o ipê e a maçaranduba), não diminui a qualidade das vigas, o que pode reduzir a demanda por madeiras nobres.

Combinação de qualidades

Por se tratar de um recurso renovável e de procedência conhecida, o uso da madeira de eucalipto certificado minimiza o impacto ambiental das construções (foto: André Ribeiro).
Miotto explica que a ideia por trás das vigas híbridas é aproveitar o melhor de cada material usado e compensar suas fraquezas por meio da combinação deles. A madeira é biodegradável e barata, além de ser renovável. Entretanto, ela tem pouca tolerância à tração na presença de defeitos.

Para sanar esse problema, entram em cena o concreto e a fibra de vidro, que adicionam, respectivamente, rigidez e resistência à viga. O estudo mostra que o uso do concreto junto com a madeira e a fibra de vidro torna as vigas híbridas 134% mais rígidas e 28% mais resistentes.

No total, Miotto produziu 11 vigas com cinco metros de comprimento. O primeiro passo foi confeccionar a parte de madeira laminada colada, composta por 12 lâminas de três centímetros de espessura e nove centímetros de largura cada. No lado da viga que fica voltado para baixo, ele adicionou o reforço de fibra de vidro, com 0,5 milímetros de espessura. Por fim, o concreto foi colocado na parte de cima da viga e ligado a ela por meio de ganchos metálicos.

Para Miotto, o Brasil ainda engatinha no emprego de vigas híbridas na construção civil. A pequena tradição de uso desse tipo de estrutura e o número reduzido de empresas fabricantes da madeira laminada colada são as principais causas dessa situação.

O resultado é sentido no preço: as vigas híbridas ainda são mais caras que as vigas comuns. Entretanto, o engenheiro destaca que a qualidade e a resistência das estruturas híbridas saltam aos olhos. “Os preços são competitivos em países onde há muitos fabricantes desse material”, acrescenta. “No caso do Brasil, a falta de produtores faz com que o preço seja alto, mas não inviável.”

Raquel Oliveira
Ciência Hoje On-line

Foto: José Luiz Miotto
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Sábado, Outubro 31, 2009

MACARRÃO INSTANTÂNEO: CINCO VEZES MAIS GORDURA

Macarrão instantâneo tem cinco vezes mais gordura do que o tradicional, aponta teste

Ivy Farias
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - Pronto em apenas três minutos, o macarrão instantâneo é conhecido pela população como prático e ideal para quem não gosta, ou não sabe, cozinhar. Entretanto, o conjunto de macarrão e tempero pronto pode ser uma perigosa combinação para a saúde. A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) testou dez marcas do produto e constatou que as quantidades de sódio e gordura estão acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por outras sociedades médicas.

"Alguns produtos têm cerca de cinco vezes mais gordura do que o macarrão tradicional", atesta a coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci. Segundo a coordenadora, estes altos índices são consequência da fritura que o macarrão instantâneo é submetido para que possa ser cozido rapidamente depois. "Os valores de gordura e de sódio estão diferentes do informado no rótulo", explicou.

A pesquisa mostrou que alguns produtos contêm mais do que o dobro da quantidade de sódio recomendada para um adulto, o que de acordo com o cardiologista do Instituto do Coração (InCor) Paulo Camargo, pode acarretar vários riscos à saúde. "Pessoas com colesterol alto, hipertensão e crianças devem evitar ao máximo. Em geral, todo mundo deve evitar comer, porque não é um alimento saudável". O especialista explicou que o alto teor de sódio pode fazer com que a pressão arterial aumente, além de reter líquido e proporcionar problemas cardíacos. Segundo ele, as sociedades médicas e a OMS indicam que o consumo diário de um adulto não deve ultrapassar 2 gramas de sódio.

Mas o que fazer quando a fome é muita e o tempo é curto? A nutricionista Cristina Menna Barreto recomenda que se cozinhe mais macarrão tradicional e armazene. "Sem o molho, em um pote bem fechado, o macarrão de grano duro resiste de três a quatro dias na geladeira", explicou. De acordo com a Pro Teste, o macarrão tradicional também é mais econômico: 80 gramas custa R$ 0,30, enquanto o preço de um pacote de macarrão instantâneo com o mesmo peso custa entre R$ 0,48 e R$ 0,83 (os valores foram calculados com base em dados coletados em junho de 2009 em Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo).

Procurada pela Agência Brasil, a Piraquê, uma das marcas que foi testada, afirmou que o total de sódio do macarrão e do tempero é 1,8 grama. "Nós nos baseamos no índice da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cujo limite aceitável é 2,4 gramas", afirmou o engenheiro de produção da Piraquê, André Luiz Teixeira. À Agência, a Anvisa afirmou que seu limite é mesmo 2,4 gramas, de acordo com as normas técnicas da OMS.

Em nota, a Adria, outra marca testada, afirmou que "as quantidades de sódio e glutamato monossódico seguem o padrão praticado pelo segmento no mercado". Já o Carrefour informou que "irá fazer uma análise da composição nutricional com o objetivo de identificar possíveis melhorias no produto". O Grupo Pão de Açúcar, responsável pela marca Qualitá, ressaltou que desconhece o laboratório que fez o teste do macarrão e que contesta os resultados. De acordo com o Pão de Açúcar, "o produto em questão não apresenta teor de glutamato monossódico acima do permitido uma vez que não há determinação em relação a quantidade máxima para seu uso. A empresa esclarece que o glutamato monossódico é um aditivo que tem a função de realçar o sabor dos alimentos, sendo seu uso seguro, segundo parecer dos principais órgãos reguladores mundiais, como a OMS, e permitido pela Food and Drugs Administration (FDA-EUA) e também no Brasil pela Anvisa."

A Nestlé afirmou que seu macarrão está adequado para consumo e "que em relação ao sódio, desde 2005, a empresa adota medidas para redução desses teores em suas formulações". Procurada pela Agência, a Nissin, que teve duas marcas de macarrão testadas pela Pro Teste não foi encontrada. Por meio de sua assessoria de imprensa, o grupo Selmi, fabricante do macarrão Renata, explicou que suas quantidades de sódio estão de acordo com a legislação vigente.
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Sexta-feira, Outubro 30, 2009

30 ANOS DO ASSASSINATO DE SANTOS DIAS DA SILVA

Entrevista com Anízio Batista
IHU Online

Anízio Batista fez parte da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, onde foi companheiro de Santo Dias da Silva, um operário que militava com os trabalhadores desde a década de 1960. Mas Santo não se ateve apenas ao movimento sindical. Como católico, era membro ativo das CEBs e dos movimentos de bairro, onde lutava por transportes, escolas, melhorias nas vilas. Em outubro de 1979, os metalúrgicos iniciaram uma campanha salarial, onde reivindicavam aumento de 83%. Como os patrões não aceitaram, uma assembleia com seis mil trabalhadores foi feita e, então, uma nova greve começou. A Polícia Militar invadiu, nos primeiros dias da paralisação, diversas subsedes de sindicatos, e mais de 150 pessoas foram presas. Ao tentar negociar com trabalhadores e policiais em frente a uma fábrica, um PM atira pelas costas de Santo que morreu a caminho do hospital, no dia 30 de outubro de 1979. “No dia do enterro de Santo Dias, havia mais de 30 mil metalúrgicos participando do ato fúnebre para reconhecer sua importância e a força da oposição sindical metalúrgica”, contou-nos Anízio ao relembrar a morte do companheiro 30 anos depois. A entrevista foi concedida por telefone.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor conheceu Santo Dias e que impressão ele causou em você?

Anízio Batista – Conheci o Santo Dias dentro do movimento da Igreja ligado à Pastoral Operária, às comunidades de base e ao movimento sindical. Foram estas referências que tive ao conviver com o Santo Dias. Nós viemos do interior, somos filhos de lavradores e tivemos uma convivência muito importante, inclusive familiar. Costumávamos nos visitar muito, além das nossas grandes reuniões quase todos os dias e nos finais de semana.

IHU On-Line – Vocês eram militantes da Pastoral Operária. Como o senhor conheceu a Pastoral Operária?

Anízio Batista – Na época da repressão, tínhamos o movimento dentro da Igreja. Com os cristãos socialistas fundamos a Pastoral Operária. Quem deu uma grande força nesta caminhada da formação da Pastoral Operária em São Paulo foi Dom Paulo Evaristo Arns. Aí conheci mais de perto a vida de Santo Dias, mas já tinha conhecimento dele na área sindical, nas comissões de fábrica, nas reuniões da oposição sindical metalúrgica.

IHU On-Line – Vocês eram militantes da oposição sindical metalúrgica. Como faziam o trabalho de base na época, que métodos utilizavam?

Anízio Batista – Éramos militantes da oposição sindical. Como eu, que fui metalúrgico por mais de 30 anos, o Santo também era. Em 1978, ocorreu o primeiro trabalho mais importante do Santo Dias. Dentro do movimento sindical tínhamos um trabalho para derrubar os pelegos de nível nacional, e, em São Paulo, queríamos derrubar o Joaquinzão do comando dos metalúrgicos. Foi aí que encabecei uma chapa dentro de toda nossa discussão fabril, fui presidente, e Santo Dias, o vice. Isso foi decidido em uma convenção bem democrática, muito aberta com as lideranças sindicais. Enfrentamos uma máquina poderosa, a do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e ganhamos as eleições naquele ano, só que as eleições foram fraudadas. O procurador chegou a anular as eleições, mas, depois, o Ministro do Trabalho, que, naquele tempo, era o Arnaldo Prieto, empossou o Joaquinzão novamente e disse: “Meus amigos, o que passou, passou”. Não conseguimos ganhar e não houve uma nova eleição. Isso foi um trabalho de vários anos que vínhamos desenvolvendo e chegou a esse patamar em 1978. O trabalho de base era feito dentro das

Manifestação da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo
empresas e das fábricas. Formamos comissões de fábrica clandestinas, onde discutíamos os problemas da empresa, como a questão salarial, a melhora na refeição e uma série de mudanças que queríamos fazer na época. Assim como as nossas ações, organizamos comissões para discutir com a empresa, e, na maioria das vezes, fazíamos greve.

Era essa a nossa luta de mudança no movimento sindical. Dentro da Pastoral Operária, requisitávamos a participar da oposição sindical o pessoal que trabalhava conosco nas empresas e todos os operários que participavam dos movimentos da Igreja, nas comunidades de base. Fazíamos muita sindicalização do pessoal que trabalhava nas fábricas e também convidávamos o pessoal quando tínhamos as assembleias do sindicato, onde formávamos as propostas de reivindicação junto ao sindicato e, na maioria das vezes, ganhávamos as propostas contras os pelegos. Essa era uma luta árdua da época que não era tão fácil. Desenvolvemos o trabalho das comissões de fábrica que eram clandestinas, não se podia dizer que havia uma comissão aberta.

IHU On-Line – No dia da morte de Santo, onde o senhor estava? Como ficou sabendo de sua morte e qual foi a sua reação?

Anízio Batista – Na morte de Santo Dias, tínhamos decretado uma greve geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, por reivindicação salarial e algumas melhorias de refeição, de CIPAS, reconhecimento de comissões de fábrica. O Santo estava coordenando um bloco fabril na Zona Sul, e eu na Zona Oeste. Tínhamos uma assembleia à noite, estávamos nas greves pela manhã, e tínhamos assembleias por regiões. Dentro delas, decidíamos se íamos continuar a greve ou não. Quando liguei para o pessoal no local que ia acontecer a assembleia na Zona Sul, onde iria me encontrar com eles, fiquei sabendo da morte de Santo Dias. Logo que soube, não acreditei realmente no que tinha acontecido, fiquei duvidoso. Depois veio a confirmação que Santo tinha morrido, e Dom Paulo Evaristo Arns já estava no hospital. A morte dele foi no piquete de uma empresa eletrônica na Zona Sul. Fiquei muito decepcionado e triste por um companheiro morrer em uma luta por direitos do trabalhador.

IHU On-Line – Santo na época já era uma liderança reconhecida pela categoria?

Anízio Batista – Sim. O Santo era reconhecido pela categoria desde 1978, quando encabeçamos a chapa da oposição sindical e tínhamos todo um coletivo sindical dos partidos, então clandestinos. Era reconhecido, assim como outras lideranças, porque em todas as empresas onde trabalhamos, nós fazíamos as comissões de fábrica, as reuniões interfábricas etc. O Santo tinha uma capacidade organizativa muito grande.

IHU On-Line – É verdade que Santo mais ouvia do que falava e que cativava as pessoas pela clareza de sua argumentação?


Anízio Batista – O Santo tinha um dom de falar com os trabalhadores e entender a discussão do lado de lá. Muitas vezes, quem é mais instruído quer avançar numa luta muito mais do que é necessário. O Santo tinha uma capacidade de mostrar aos trabalhadores a importância daquele momento, a importância da reivindicação, da luta, o motivo da greve, porque tínhamos que assumir isso. Ele tinha uma capacidade de convencer realmente os trabalhadores.

IHU On-Line – Em 1978, o senhor foi cabeça de chapa nas eleições para o Sindicato dos Metalúrgicos, e Santo Dias foi indicado como vice. O que aconteceu nessas eleições?

Anízio Batista – Nessas eleições, foi uma guerra basicamente, uma batalha ferrenha, pois a oposição sindical, na época, tinha um trabalho muito enraizado dentro das empresas metalúrgicas de São Paulo, tínhamos um trabalho de coordenação muito planificado. Nessas eleições, por exemplo, não tínhamos o direito de ter um fiscal que acompanhasse as urnas e forçamos a barra. Fomos para o sindicato pela manhã e não deixamos as urnas saírem de lá enquanto não tivéssemos o direito de ter um fiscal junto, e aí foi uma batalha muito grande, briga para lá e para cá, polícia intervindo junto ao sindicato. Foi uma conquista dos trabalhadores, pois quebramos o tabu das fraudes nas eleições, foi muito importante esse trabalho que organizamos em 1978. Talvez a direita do país tinha que eliminar alguém para colocar medo nos trabalhadores. E o Santo, na greve de 1979, era muito reconhecido pela categoria. Podia ter sido o Santo, podia ter sido eu ou qualquer outra liderança, mas Santo Dias acabou sendo baleado na porta da fábrica. Ele não era de fazer enfrentamento com a polícia, ele era um cara de diálogo fosse com quem fosse. Sabendo da movimentação das lideranças, a direita quis eliminar alguém para amedrontar. Mas não foi isso que aconteceu, porque, no dia do enterro de Santo Dias, havia mais de 30 mil metalúrgicos participando do ato fúnebre reconhecendo sua importância e a força da oposição sindical metalúrgica.

IHU On-Line – Em que contexto vocês conheceram Lula que presidia o sindicato dos metalúrgicos do ABC?

Anízio Batista – Eu conheci o Lula antes do Santo, porque trabalhei em São Bernardo do Campo, na mesma empresa que o Lula trabalhava. Nessa época, eu já frequentava o sindicato, e o Lula nem era presidente do sindicato, não tinha uma liderança grande, embora fosse diretor. Ele se projetou a partir de 1975. Eu tive a oportunidade de conhecer o Lula nessa época, trocar muitas ideias e, mesmo quando encabeçamos a chapa em São Paulo, ele veio para as portas de fábrica conosco, dando apoio. Fiz muitas reuniões com ele, na casa dele ou na porta da fábrica. Nós tínhamos um entrosamento muito grande tanto com o Lula quanto com a direção do sindicato de São Bernardo que era muito combativo na época.

IHU On-Line – Os militantes da oposição sindical metalúrgica de São Paulo viam Lula como alguém despolitizado nos anos que antecederam a greve dos metalúrgicos do ABC?

Anízio Batista – Não, não é despolitizado. A questão era partidária. O Lula se projetou mais na área sindical e, na época, o pessoal achava que ele não tinha uma bagagem política partidária. Depois sim, o Lula se despertou para a área política. Na época do movimento sindical combativo, o Lula foi a ponta de lança, não podemos negar isso. Agora, politicamente, ele só se projetou depois de 1980, e aí começou uma outra fase da vida sindical e política do país, com o lançamento do Partido dos Trabalhadores. A partir daí, o Lula teve uma nova projeção. Tudo isso levou os trabalhadores, por exemplo, a chegar a formar um partido que fosse da classe trabalhadora.

IHU On-Line – Como o senhor avalia hoje a pessoa de Lula tendo presente a história de lutas no campo sindical e o seu governo?

Anízio Batista – Antes, tínhamos a visão de que Lula era uma liderança combativa do movimento sindical, como foi dentro do PT. Só que os movimentos sindical, popular e CEBs tiveram uma grande decepção, porque Lula não cumpriu as determinações dos trabalhadores e do próprio partido. Não quer dizer também que o governo foi péssimo. Mas deixou muito a desejar em relação à situação que vivem os trabalhadores.

IHU On-Line – De que maneira a prática de Santo Dias pode iluminar a prática sindical de hoje?

Anízio Batista – Precisamos compreender que a prática sindical de hoje é diferente, pois vivemos num mundo globalizado que levou milhões de trabalhadores a perderem seus empregos em função da modernização das indústrias. O quadro mudou muito. Dentro desse cenário, acho que os sindicatos, mesmo aqueles que estão nas mãos da CUT e outras centrais, deveriam ter os cursos sindicais que tínhamos no passado para preparar os trabalhadores para desenvolver essa prática dentro das empresas. Hoje, não temos, em nenhum sindicato aqui em São Paulo, não sei no sul, cursos para preparar o militante para que ele tenha uma presença para organizar a empresa. A CUT, que já foi uma das pioneiras mais combativas, hoje, para mim, está um lixo, não se formam lideranças. As lideranças do passado se encastelaram no poder. Estão lá há 20, 15 anos, e não querem deixar o poder. Todas as propostas que tínhamos em relação a isto foram derrubadas. A nossa prática do passado, de preparar o trabalhador acabou. Precisamos retomar esse trabalho.

IHU On-Line – Qual é o grande legado de Santo Dias?


Anízio Batista – O grande legado de Santo Dias é o fato de ele ter tido paciência para trabalhar com o ser humano. Além disso, a confiança no operário, as comunidades de base. O grande legado dele é esse.
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OS PALESTINOS DA AMAZÔNIA

Latuff
Revista NovaE

Cansados de esperar por uma reforma agrária que nunca chega,camponeses fazem a "revolução agrária" na Amazônia.Por Latuff *A convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO),passei uma semana na companhia de lavradores nos acampamentos da Ligados Camponeses Pobres (LCP), no interior do estado de Rondônia. Nestesmeus dias ao lado dos aldeões, tive a honra de comer de sua comida,participar de suas conversas, de sua rotina, tomar conhecimento desuas necessidades, de suas demandas e seus sonhos. Povo forte, quesofre o diabo, mas que não tem medo dele.

Por duas vezes passei a noite numa cabana de palha, onde vivem seuAbel e sua esposa Zilda. Reservaram uma cama pra mim, me receberam comtodo carinho e gentileza. Mesmo na simplicidade daquela choupana,havia uma extrema preocupação em me agradar, na melhor tradição dehospitalidade do homem do campo. Acordava-se bem cedo, ainda escuro."Bom dia, dormiu bem?". Escova de dentes na mão, rumo ao rio que beiraa cabana. No moedor a manivela, os grãos de café eram preparados parao desjejum. O leite fervia no fogão a lenha. A mesa posta, os copos,os talheres, o silêncio era discretamente interrompido tanto por mimquanto pelos pássaros. Daqui a pouco seu Abel já estava seguindo paraa roça, pra cortar lenha, pra capinar a terra, irrigar as mudas,trabalho árduo para transformar seu pequeno pedaço de selva em lar. Oslavradores humildes precisam de bem pouco para viver uma vida digna, enem mesmo isso lhes é permitido. Com o argumento do combate aodesmatamento, o IBAMA persegue e aplica multas altas aos que vivem daagricultura de subsistência, usam da Polícia Federal, da ForçaNacional de Segurança e mesmo tropas do Exército para sufocar ascomunidades, como no caso de Rio Pardo, onde barreiras foram erguidasnas entradas e saídas, pessoas e veículos revistados, postos decombustível do acampamento removidos, um rigor que não tem sidoaplicado aos latifundiários, que transformam vastas extensões defloresta nativa em pasto ou monocultura.

O histórico de violência naquela área já vem de longe. No BrasilColônia, o vale do Guaporé foi palco de disputas imperialistas entrePortugal e Espanha, que só terminaram com as demarcações de terraacordadas pelo Tratado de Madrid em 1750. No século 18 com o ciclo damineração e particularmente no final do século 19 com o ciclo daborracha, uma grande leva de migrantes de diversas partes do Brasilforam atraídos para a região, causando conflitos agrários com avizinha Bolívia, que foram resolvidos em 1903 com o Tratado dePetrópolis. Em 1943, como resultado do desmembramento de áreas dosestados do Amazonas e Mato Grosso, foi criado por Getúlio Vargas oTerritório Federal de Guaporé, tendo sido rebatizado para Rondônia em1956, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, militar que entre 1910e 1940 comandou expedições de Cuiabá até o Amazonas para instalarlinhas telegráficas e levar a boa e velha civilização branca para oseio dos povos indígenas. Rondônia torna-se estado em 1982.

A Liga dos Camponeses Pobres surgiu em agosto de 1995, quandotrabalhadores rurais que ocupavam terras da Fazenda Santa Elina, nacidade de Corumbiara, resistiram ao brutal despejo promovido porpoliciais e jagunços, resultando na morte de 11 pessoas (em númerosoficiais), incluindo a menina Vanessa de apenas 6 anos, no que ficouconhecido como o "Massacre de Corumbiara". De lá pra cá, cansados deesperar por uma reforma agrária que nunca chega, os camponeses e suasfamílias decidiram promover a "revolução agrária" no peito e na raça.São eles os acusados pela revista Isto É de serem sanguináriosguerrilheiros ligados (adivinhem) as FARC.

O que pude presenciar durante minha visita aos acampamentos foramtrabalhadores rurais e suas famílias armados, isso sim, de uma forçade vontade poderosa, capaz de enfrentar os rigores da AmazôniaOcidental. O clima equatorial, extremamente quente e úmido, onde o solinclemente castiga a carne, as doenças tropicais como a leshmaniose ea malária, que por aquelas bandas são tão comuns quanto um resfriado,animais selvagens como onças, porcos-do-mato e serpentes venenosas, umrisco sempre presente, oculto pela densa vegetação.

Mas não são os rigores da selva amazônica os maiores inimigos do povodo campo. São os fazendeiros milionários e seus exércitos particularesformados por assassinos de aluguel e policiais, cujas ações criminosassão sustentadas por políticos locais e a imprensa corrupta, quealimentada com verbas publicitárias e mesmo matérias pagas, tentademonizar a justa resistência dos pequenos agricultores. Os matadoressão conhecidos por todos, andam tranquilamente pelas ruas, por vezesostensivamente armados. Não são raras as execuções a luz do dia, avista de todos. Qualquer um que tenha coragem de, por exemplo,denunciar os pistoleiros num programa de rádio, corre o sério risco deser assassinado assim que por os pés pra fora da emissora. Conceitoscomo direitos humanos e cidadania inexistem nos cantões de Rondônia,onde a pistolagem é uma instituição consagrada pela sociedade. Numacorrida de taxi em Ariquemes, junto com mais três passageiros, passei

a viagem que durou cerca de 45 minutos ouvindo animadas histórias defazendeiros, políticos e mortes encomendadas. Uma delas reproduzoaqui.

Um homem pescava num rio. Conseguiu apanhar dois pintados. Amarrou ospeixes na garupa de sua bicicleta e seguiu tranquilamente por umaestrada. No meio do caminho foi parado por um fazendeiro e seu jagunçonuma caminhonete.

- "Onde você pescou isso?", perguntou o fazendeiro.

- "Naquele rio logo ali", respondeu o sujeito.

- "Então pode deixar por aí mesmo, que aquele rio é meu", disse ofazendeiro, no momento em que o capanga já saía do veículo de formaameaçadora. O pescador teve de fugir. Ao comentar esse caso com opessoal da LCP, me disseram que ele teve sorte de não ter sidosimplesmente baleado. Essa é somente uma das histórias que explica bema razão da revolta que o camponês de Rondônia traz consigo no peito.

Historicamente, a reforma agrária no Brasil nunca se deu de maneiraespontânea pelos governos, e sim pela pressão feita pelos movimentospopulares de luta pela terra, que no caso da LCP, sequer contam com oINCRA para assentar as famílias. Para os integrantes da LCP, nãoexiste o conceito de "desapropriação de terras improdutivas", vistoque mesmo as produtivas, estando em mãos de ricos fazendeiros,servirão invariavelmente aos interesses do agronegócio. Os camponesesda LCP escolhem as grandes fazendas, as ocupam, erguem lonas, resistemao ataque de jagunços, e depois de 2 a 3 meses fazem demarcação doslotes, o chamado "corte popular", inicialmente erguendo cabanas depalha e depois de madeira. Depois de algum tempo, os acampamentos seassemelham a povoados do velho oeste norte-americano, como no caso deJacinópolis, com farmácia, escola, mercado, tudo feito detábuas.

Diferente da confortável vida das grandes cidades, onde restaurantes,lanchonetes e supermercados estão logo ali na esquina, nas áreas deacampamento o supermercado mais próximo pode estar a 80km de estradasde terra acidentadas. É natural portanto que os camponeses tenham decaçar para comer, o que justifica a posse de velhas espingardas queservem também para a defesa contra onças e porcos selvagens. Operaçõesconstantes do IBAMA e das polícias, tentam tomar estes armamentosrústicos das mãos dos lavradores, impedindo que eles se defendam tantode animais ferozes quanto de pistoleiros. O direito a legítima defesatambém lhes é negado. Os camponeses, no entanto, seguem resistindo aestas agressões como podem. Fecham estradas, bloqueiam o avanço dapolícia com barricadas, criam seus próprios sistemas de vigilância esegurança. Não se entregam nunca.

São os palestinos da Amazônia.

* Latuff é cartunista.
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TOMADAS E PLUGUES VÃO MUDAR

Jabuticaba elétrica

Carolina Romanini
Revista VEJA

Obrigar os brasileiros a seguir um novo padrão e trocar todas as tomadas da casa é uma intervenção estatal absurda, inútil e dispendiosa. Deus nos livre dos comitês...

Focinho de porco não é tomada", dizem os brasileiros quando querem sinalizar que alguém se deixou enganar pelas aparências e fez uma escolha errada. Agora, um comitê, e tem sempre um comitê a abrigar especialistas em tudo, menos em bom senso, tirou dos brasileiros essa frase. Uma comissão convocada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) decidiu que os brasileiros terão de trocar todas as tomadas de suas casas para se adaptar ao novo padrão, com três pinos. A nova tomada é uma espécie de jabuticaba elétrica. Seu formato só existirá no Brasil. Isso não é incomum. A Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) criou na década de 80 um modelo de plugue e tomada para servir de padrão mundial. Em vão. Não colou. Cada país tende a adotar um padrão próprio. As razões para isso são, quase sempre, as piores possíveis. Elas vão do nacionalismo ao gosto sádico dos comitês de interferir na vida privada dos cidadãos.

Há centenas de modelos de plugue e tomada, sendo os mais comuns aqueles com pinos redondos ou retangulares (na vertical). Diante disso, o Brasil decidiu contribuir para a confusão geral. A partir do início do próximo ano, torna-se obrigatório em produtos fabricados por aqui ou importados o uso de um padrão de plugues e tomadas diferente de tudo aquilo que se utiliza no mundo. O plano da ABNT e do Inmetro (órgão federal responsável pelo controle de qualidade industrial) é substituir todos os terminais elétricos vendidos no país até julho de 2011. Prevê-se que a completa adaptação das residências ao novo padrão elétrico demore até duas décadas.

De modo genérico, pode-se dizer que os pinos redondos são preferidos nas regiões nas quais predomina o fornecimento de eletricidade em 220 volts, como a Europa. O pino retangular é mais usado com a voltagem 110, daí sua popularidade na América do Norte. No Brasil, dependendo da cidade, o fornecimento pode ser em 220 ou 110 volts, ou ambos. A variação na voltagem decorre, basicamente, da decisão tomada pela empresa que instalou a rede elétrica no passado. Estima-se que se possam encontrar nas casas brasileiras por volta de quinze modelos de tomada. Há cerca de trinta anos foi implantada no país a tomada popularmente conhecida como "universal". Ela aceita tanto o pino redondo quanto o retangular e tem a simpatia geral – mas não do comitê encarregado de complicar a questão. "Não faltaram sugestões para que a universal fosse adaptada às exigências de maior segurança e se tornasse o padrão brasileiro", diz o engenheiro eletricista Hilton Moreno, que acompanhou de perto o processo de mudança. Mas a ideia foi rejeitada no comitê.

O padrão brasileiro será de pino redondo, independentemente da voltagem. Estima-se que 80% dos plugues usados no país sejam desse tipo. Mas nem todos servirão nos furos da nova tomada, cujo tamanho varia de acordo com a amperagem. Será necessário recorrer a um adaptador. Porém é bom ser rápido, pois o Inmetro não quer saber de facilitar a vida de ninguém e pretende proibir a venda de adaptadores dentro de três anos. A necessidade de maior segurança é o motivo alegado pela ABNT para a mudança da qual ninguém sentia falta. Em teoria, alguém pode tocar nos pinos de uma tomada e tomar um choque. Não há estatísticas sobre a frequência e a gravidades desse tipo de incidente. Mas, como o novo sistema inclui um plugue com terminal sextavado para ser encaixado numa tomada com concavidade, a possibilidade de um choque, que já era pequena, se tornou ainda mais rara. Esse problema, isoladamente, poderia ser resolvido apenas com a padronização da concavidade nas tomadas do tipo "universal", ou em quaisquer outras que fossem usadas por um grande número de países. Resolveria, também, se o isolante que já existe em grande parte dos plugues brasileiros (aquela capinha preta de plástico que vai até a metade dos pinos metálicos) se tornasse obrigatório. Enfim, teria sido possível resolver a questão da segurança sem a necessidade de obrigar ao incômodo e dispendioso processo da troca por um modelo que só existirá dentro das fronteiras nacionais.

Mas, se as coisas fossem assim tão fáceis e baratas, para que um comitê? Coisas estranhas foram elucubradas por seus membros. Uma delas é o plano de usar plugues e tomadas para mexer na balança comercial brasileira. Ao criar um modelo nacional, o comitê entendeu que isso seria uma forma de ampliar o mercado de eletroeletrônicos produzidos no Brasil. "Essa mudança sem dúvida beneficiará as empresas brasileiras", diz Alfredo Lobo, diretor de qualidade do Inmetro. É uma ideia interessante: longe de ser confundida com focinho de porco, a tomada jabuticaba deve ser vista como uma bandeira do protecionismo comercial. É igualmente razoável imaginar o efeito contrário. "O fato de os terminais elétricos brasileiros terem ficado diferentes dos existentes no resto do mundo cria um problema que não existia", diz o engenheiro eletricista Norberto Nery, do Instituto Mauá de Tecnologia. "Agora os aparelhos importados precisarão seguir o padrão brasileiro e os exportados precisarão ser adaptados às normas estrangeiras."

A substituição de todos os tipos de tomada pelo novo padrão acarretará transtornos homéricos na vida do brasileiro. A nova tomada tem dois tamanhos, de acordo com a amperagem, que é a quantidade de eletricidade que passa da instalação elétrica para o aparelho. Os plugues e tomadas de 10 ampères, menos potentes, têm o diâmetro de 4 milímetros, e os de 20 ampères, utilizados em aparelhos como micro-ondas, têm 4,8 milímetros. A adaptação só será possível e realmente segura se as redes elétricas das habitações passarem por uma reforma completa e bem planejada. É preciso agora instalar a fiação e tomadas específicas em locais estratégicos, onde já se prevê a instalação de um equipamento eletroeletrônico de consumo adequado para cada terminal. No final, sobrou para nós.
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TOMADAS E PLUGUES VÃO MUDAR

Facilitar pra quê?

por Marcelo Paiva, Seção: Crônica 15:58:50.
Estadao.com

Uma nova tomada se torna obrigatória no Brasil.

Por questões de segurança, diz a Associação Brasileira de Normas Técnicas [ABNT], que criou junto com o Inmetro o modelo de 3 pinos aterrados em baixo relevo de 8 a 12 milímetros, em formato de hexágono, onde será encaixado o plugue.

Os fabricantes têm até janeiro de 2010 para se adaptarem aos novos padrões.

Os técnicos dizem que este formato geométrico evitará os choques. Choques? Nunca tomei um choque por causa de uma tomada.

Não está em curso mais um grande estelionato ao bolso do consumidor brasileiro?

O caso lembra o do Kit Primeiros Socorros, que todos os motoristas foram obrigados a comprar em dias, e se revelou ser ineficiente.

No mais, ao invés de copiar um padrão já existente, como o americano, a que todos nós somos familiarizados, já que até os computadores nacionais têm a saída de 3 pino do padrão ianque, ou o europeu, também em baixo relevo, mas redondo, inventamos um novo. Mais um. Síndrome de protecionismo.

E é sempre assim. Para não nos sentirmos colonizados, criamos padrões, complexo de país grande. A ditadura inventou o padrão PAL M, que só há no Brasil, para TV em cores, enquanto a América usava o NTSC, e a Alemanha o PAL, sem o M.

Nossos vídeos cassetes eram em PAL-M, e dava uma trabalheira para incluirmos outros sistemas e assistirmos a vídeos importados. Através de nossos DVDs não assistimos a filmes europeus e americanos, precisamos adaptá-los.

Mundo globalizado? A discussão sobre o padrão da TV digital durou anos, japoneses e americanos disputavam, decidiu-se aos 45 minutos do segundo tempo que inventaríamos um padrão único e próprio.

Com o fim do monopólio da Embratel e a privatização da telefonia, inventou-se um sistema complicado, que nenhuma avó ainda entendeu, que atrapalha as ligações interubano por celulares e a operação dos aparelhos, que dá um nó em todos, o indigesto “zero + operadora + código da cidade”, ou o padronizado pela imprensa, 0/XX/código, algo que só existe no Brasil.

Agora, as tomadas! Dei um role pela minha casa. Encontrei apenas um plugue que se encaixaria na nova tomada, a de um abajur. A maioria é americana.

E as americanas não se encaixam na nova tomada brasileira. Ninguém pensou em facilitar?

Lá vamos nós atrás de benjamins, extensões, adaptadores para a nova realidade. Tem muita gente que vai faturar alto por causa dessa mudança. E ao viajarmos teremos que sair com uma mala extra de adaptadores.

Obrigado ABNT.
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PEDIATRAS DEMORAM A DETECTAR DISTURBIOS DE COMUNICAÇÃO

Pediatra prefere encaminhar crianças com problemas de comunicação a outro médico especialista
Pediatra prefere encaminhar crianças com problemas de comunicação a outro médico especialista

Simone Aparecida Lopes-Herrera, uma das autoras do artigo, fonoaudióloga e professora da FOB, diz que essa demora “pode prejudicar o desenvolvimento da criança”. Ela considera que os médicos pediatras não estão preparados corretamente para diagnosticar problemas na fala e na linguagem. As formas mais comuns desses problemas são a demora para começar a falar e distúrbios fonológicos (troca de sons ao falar).

A pesquisadora conta que há uma situação comum nesses casos. “Os pais geralmente são os primeiros a detectar se a criança demora para começar a falar, ou não fala corretamente. E, em muitas vezes, o pediatra diz que ainda não é possível afirmar se há um problema. Mas em crianças de qualquer idade nós, fonoaudiólogos, temos como avaliar isso.”

No estudo, foram avaliados 79 pediatras por meio de um questionário específico com perguntas sobre as etapas do desenvolvimento da comunicação infantil e a forma de atuação dos profissionais nesses casos. Cerca de 90% dos entrevistados mostraram “preocupação” com a idade que a criança deve falar corretamente. Outra questão avaliou a preferência dos profissionais ao encaminhar os pacientes para outro médico especializado: 45,56% deles para otorrinolaringologista, 30,38% para neurologista, e apenas 15,19% afirmam encaminhar o paciente diretamente para o fonoaudiólogo.

Fala e linguagem

Um dado importante é o de que os pediatras que já trabalharam com um fonoaudiólogo têm maior conhecimento da área, porém, a maioria dos profissionais não sabe distinguir fala de linguagem, o que é importante para quem trabalha com saúde infantil.

A fonoaudióloga explica que a linguagem diz respeito à capacidade de representação, e a fala, da expressão. “Se eu digo ‘carro’, você consegue imaginar o que eu falo, você compreende o código. Isso está no domínio da linguagem. Agora, se uma criança diz ‘calo’, quando eu mostro um carro para ela, ela compreendeu a mensagem e pode estar apresentando um problema de fala. Quem tem condições de diagnosticar se o problema é de fala ou de linguagem é o profissional habilitado a isto, o fonoaudiólogo.”

Quando o profissional de saúde não sabe fazer essa distinção, segundo Simone, pode incorrer em grandes erros. “Uma criança com autismo, por exemplo, muitas vezes sabe pronunciar as palavras perfeitamente, isto é, ‘fala bem’, mas tem problemas na hora de entender o significado do que fala.”

A professora considera que os pediatras deveriam ter, na sua especialização, uma formação melhor sobre o desenvolvimento da fala e da linguagem infantil. “Nós observamos que eles não estão bem preparados, e a comunicação influi em toda a vida da criança, seja nas relações sociais, seja no aprendizado”.

O artigo Conhecimentos, atitudes e práticas dos médicos pediatras quanto ao desenvolvimento da comunicação oral, foi publicado na Revista Cefac – Atualização Científica em Fonoaudiologia e Educação e foi escrito em parceria com Luciana Paula Maximino, professora da FOB; Marina Viotti Ferreira, fonoaudióloga formada pela FOB; Danielle Tavares Oliveira, mestranda da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp); Dionísia Aparecida Cusin Lamônica, professora da FOB; Mariza Ribeiro Feniman, professora da FOB; Ana Carulina Pereira Spinardi; mestranda da FOB.

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LIXO ELETRÔNICO EM EXCESSO

Em artigo na Science, pesquisadores destacam falta de políticas eficazes para lidar com os equipamentos eletrônicos descartados, que têm componentes danosos à saúde humana e ao ambiente

Agência FAPESP – Há mais de dez anos tem crescido enormemente o uso de dispositivos eletrônicos portáteis, como computadores, telefones celulares e tocadores de música (primeiramente CD e, depois, arquivos digitais). Um dos resultados, que a princípio não parecia preocupante, é o acúmulo de lixo.

Eletrônicos hoje representam o tipo de resíduo sólido que mais cresce na maioria dos países, mesmo nos em desenvolvimento. Um dos grandes problemas de tal lixo está nas baterias, que contêm substâncias tóxicas e com grande potencial de agredir o ambiente.

Em artigo publicado na edição desta sexta-feira (30/10) da revista Science, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, comentam o problema e a ausência de políticas adequadas de reciclagem.

“O pequeno tamanho, a curta vida útil e os altos custos de reciclagem de tais produtos implicam que eles sejam comumente descartados sem muita preocupação com os impactos adversos disso para o ambiente e para a saúde pública”, apontam os autores.

Eles destacam que tais impactos ocorrem não apenas na hora de descartar os equipamentos eletrônicos, mas durante todo o ciclo de vida dos produtos, desde a fabricação ou mesmo antes, com a mineração dos metais pesados usados nas baterias.

“Isso cria riscos de toxicidade consideráveis em todo o mundo. Por exemplo, a concentração média de chumbo no sangue de crianças que vivem em Guiyu, na China, destino conhecido de lixo eletrônico, é de 15,2 microgramas por decilitro”, contam.

Segundo eles, não há nível seguro estabelecido para exposição ao chumbo, mas recomenda-se ação imediata para níveis acima de 15,2 microgramas por decilitro de sangue.

Os pesquisadores estimam que cada residência nos Estados Unidos guarde, em média, pelo menos quatro itens de lixo eletrônico pequenos (com 4,5 quilos ou menos) e entre dois e três itens grandes (com mais de 4,5 quilos). Isso representaria 747 milhões de itens, com peso superior a 1,36 milhão de toneladas.

O artigo aponta que, apesar do tamanho do problema, 67% da população no país não conhece as restrições e políticas voltadas para o descarte de lixo eletrônico. Além disso, segundo os autores, os Estados Unidos não contam com políticas públicas e fiscalização adequadas para a reciclagem e eliminação de substâncias danosas dos produtos eletrônicos.

Os pesquisadores pedem que os governos dos Estados Unidos e de outros países coloquem em prática medidas urgentes para lidar com os equipamentos eletrônicos descartados. Também destacam a necessidade de se buscar alternativas para os componentes que causem menos impactos à saúde humana e ao ambiente.

O artigo The electronics revolution: from e-wonderland to e-wasteland, de Oladele Ogunseitan e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
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Quinta-feira, Outubro 29, 2009

CPI DAS TARIFAS: CEMIG ADMITE QUE COBROU MAIS DO QUE DEVERIA

Reportagem - Juliano Pires
Edição - Pierre Triboli
Agência Câmara

O diretor-presidente das Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), Djalma Bastos de Morais, afirmou há pouco que as empresas do setor de energia sempre seguiram as leis e as regulamentações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ainda que tenham cometido alguns enganos. "Estamos com um problema complexo, de solução difícil. De fato, houve uma brecha na lei e fizemos essa cobrança [tarifas de valor acima do necessário]. Mas nunca de forma ilegal", afirmou.

Morais participa neste momento de audiência pública da CPI das Tarifas de Energia Elétrica. Os deputados convocaram a reunião para discutir com representantes de companhias energéticas e com o Ministério Público as denúncias veiculadas pela Folha de S. Paulo no último dia 18 de que o brasileiro pagou mais do que deveria pelas tarifas de energia nos últimos sete anos.

Segundo o diretor-presidente da Cemig, as empresas poderão formar um grupo de trabalho caso seja confirmado que os consumidores foram lesados devido ao valor das tarifas. Ele considerou, no entanto, que os consumidores não foram prejudicados, já que qualquer valor pago a mais teria sido investido na melhoria dos serviços das empresas.

O relator da CPI, deputado Alexandre Santos (PMDB-RJ), disse que aprova a atitude da Cemig de reconhecer eventuais erros de cobrança. Ele afirmou que a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) havia adotado uma postura "arrogante e afrontadora" sobre o assunto, em nota pública divulgada anteriormente.

Santos disse que esse posicionamento do setor não colaborava para o aumento da clareza e da transparência das tarifas e dificultava um entendimento em torno da reformulação do sistema de cobrança de contas. O relator elogiou, no entanto, a manifestação do diretor da Cemig.

"Vimos aqui um quadro que não é saudável para o setor de energia. Ficamos felizes em obter esse reconhecimento [do erro de cobrança], por parte da Cemig, em nome das demais empresas", disse o relator.

Nota do blog: é uma questão de tempo para a caixa preta da Eletroacre ser aberta e mostrar o quanto os consumidores acreanos desembolsaram a mais quando pagaram suas contas.
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FLORESTA ZERO: RURALISTAS INCLUEM ANISTIA A DESMATAMENTO NO CÓDIGO FLORESTAL

Em uma sessão tensa, marcada pela presença de ambientalistas acorrentados e sirenes ligadas, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados deu espaço à bancada ruralista para apresentar um substitutivo ao novo Código Florestal e incorporar ao texto uma anistia a todos os proprietários rurais que desmataram no País até 31 de julho de 2006

Lisandra Paraguassú, da Agência Estado

A confusão começou com um protesto de três ambientalistas da ONG Greenpeace, que se acorrentaram uns aos outros e ligaram uma sirene na comissão para tentar evitar a votação. Expulsos do plenário, a reunião foi suspensa por 20 minutos até que os ânimos se acalmassem, mas o relator e o presidente da comissão, Roberto Rocha (PSDB-MA), insistiam em manter a votação até que, respondendo a um pedido do líder do PSDB, José Aníbal (SP), Rocha retirou a proposta da pauta.

Apresentado por Montes como seu, o texto foi protocolado há duas semanas na comissão por deputados ligados à CNA, de acordo com informações dadas ao Estado pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), também presidente da Confederação. No entanto, não foi considerado pelos membros da comissão porque já havia passado o período de emendas. Ao assumir a relatoria, Marcos Montes o tomou como seu.

Essa versão do código florestal, se aprovada, permitirá que todo o desmatamento ilegal feito até 31 de julho de 2006 seja anistiado e as atividades agropecuárias existentes na área sejam mantidas. Segundo o relator, a data foi escolhida porque esse seria um período que o Ministério do Meio Ambiente teria a imagem exata do desmatamento no País e poderia dizer o que teria sido desmatado depois disso.

No entanto, a proibição de desmatamento nas chamadas Áreas de Preservação Permanente (encostas, cursos d’água, etc) e a determinação de reserva legal de 80% das propriedades na Amazônia é anterior a 2006.

O projeto ainda retira da Amazônia Legal 4,2 milhões de hectares de floresta que hoje estão nos Estados do Tocantins e Maranhão. Com isso, a reserva obrigatória cairia de 80% para 20%. “Isso é praticamente acabar com a floresta nessas regiões, onde já sobrou muito pouco”, afirma Nilo D’Avila, do Greenpeace, um dos ambientalistas que protestavam na sessão.

O substitutivo ainda repassa aos Estados o direito de determinar em suas leis o tamanho das áreas de proteção em torno de cursos d’água, encostas, lagoas, lagos, nascentes, beiras de chapadas e outras áreas consideradas de proteção para evitar erosão, desertificação e desmoronamento. Hoje, o governo federal determina o piso para isso, que pode ser de 50 metros a 500 metros, como em torno do rio Amazonas. A mudança abre espaço para casos da lei ambiental de Santa Catarina, que está sendo votada à revelia da legislação nacional e mantém uma faixa de apenas cinco metros em torno de rios e encostas.

“Na pressa, a bancada ruralista atropelou todo o processo. Não se apresenta um substitutivo novo, sem espaço para discussão, sem negociação. Fomos surpreendidos com essa proposta de última hora”, afirmou o deputado Edson Duarte.

A senadora Kátia Abreu, apesar de longe da comissão, confirma que a proposta foi apresentada por defensores do agronegócio, mas garante que o projeto estava na comissão há duas semanas. “Ninguém pode obrigar o deputado a votar, mas nada nos impede de apresentar a proposta que quisermos. Se nós das entidades de classe não podermos fazer lobby pelo nosso setor, o que estamos fazendo aqui?”, disse.

A ordem agora é acionar a bancada governista para tentar derrubar a proposta e manter as discussões na comissão especial que vai analisar as mudanças no código florestal, criada há algumas semanas na Câmara.

Reproduzido a partir do site Ecodebate
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FISIOTERAPEUTAS EM EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA

Os autores do trabalho entendem que o fisioterapeuta deve atuar em interação com outros profissionais, para ampliar e tornar mais rica a relação do indivíduo com o ambiente

Artigo defende inclusão de fisioterapeutas nas equipes de Saúde da Família

Informe Ensp

Com o objetivo de ampliar a eficácia da atenção básica, um artigo publicado na revista Ciência e Saúde Coletiva propõe o debate sobre a necessidade da inserção do profissional de fisioterapia nas equipes de Saúde da Família. O texto, elaborado pelos pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Marcelo Rasga Moreira, Antenor Amâncio Filho, Maria de Fátima Lobato Tavares e Mônica de Rezende, conclui que o processo de reforma sanitária ajudou na mudança do foco do objeto de trabalho desse profissional, "aproximando o fisioterapeuta de práticas preventivas e da promoção da saúde, típicas do primeiro nível do cuidado".

Segundo os autores, o artigo é resultado de estudo realizado no âmbito da linha de pesquisa que abriga o projeto Avaliação da inserção do fisioterapeuta na estratégia Saúde da Família: um estudo de caso, realizado entre 2005 e 2007 no município de Macaé (RJ), que resultou na dissertação de mestrado em saúde pública de Mônica de Rezende. Atualmente, a autora é doutoranda da Ensp, dando continuidade ao estudo por meio do projeto A relação entre a formação profissional e a prática na saúde da família: o caso da fisioterapia.

Para chegar aos resultados, foram analisados documentos legais que aprovam as normas para habilitação ao exercício da profissão de fisioterapeuta, que acabou mudando seu foco de atuação, nos anos 70 e 80, acompanhando a reforma sanitária. "Concluiu-se que tal mudança abriu importante espaço de integração ainda pouco trabalhado, sendo proposto seu aprofundamento na direção da reflexão para as formas de integração e a necessidade que se impõe aos gestores de planejar suas ações de forma articulada com a comunidade, a partir da análise da situação de saúde no nível local, garantindo a intervenção sobre problemas e grupos populacionais prioritários", afirmam os autores.

Historicamente, a fisioterapia surgiu como uma "especialidade paramédica" com o propósito de reabilitar e preparar pessoas fisicamente lesadas nas grandes guerras, em acidentes de trabalho ou por doenças oriundas das condições sanitárias precárias para o retorno à vida produtiva. Foi criada como profissão de nível superior no Brasil no final da década de 1960, por decreto-lei que estabeleceu que "é atividade privativa do fisioterapeuta executar métodos e técnicas fisioterápicas com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente".

Nos anos 80, a fisioterapia se adequou ao novo momento do cenário sanitário brasileiro, passando a ser "uma ciência aplicada cujo objeto de estudos é o movimento humano em todas as suas formas de expressão e potencialidades, quer nas suas alterações patológicas, quer nas suas repercussões psíquicas e orgânicas, com objetivos de preservar, manter, desenvolver ou restaurar a integridade de órgão, sistema ou função".

Tendo a fisioterapia nesse novo olhar, os autores do trabalho entendem que o fisioterapeuta deve atuar em interação com outros profissionais para melhor compreender e poder interferir positivamente, no sentido de ampliar e de tornar mais rica e prazerosa a relação permanente do indivíduo com seu ambiente. Dessa forma, atesta-se que "o fisioterapeuta é um profissional apto a atuar na atenção básica, tal como se configura na atualidade: o primeiro nível do sistema de assistência à saúde, articulado com os demais, com o intuito de garantir maior acesso aos cuidados e integralidade da atenção".

O Programa Saúde da Família (PSF) é adotado pelo governo federal como eixo estruturante da atenção básica no Sistema Único de Saúde. Hoje, chancelado como estratégia Saúde da Família, o modelo apresenta, introduz e induz mudanças relevantes no processo de trabalho em saúde, como resultado da transformação das unidades básicas de saúde (UBS) em unidades de Saúde da Família (USF), que se baseia, essencialmente, no trabalho das equipes multiprofissionais que reconhecem a necessidade da população atendida. "Nessa perspectiva, a integração de profissionais de várias categorias nas equipes de Saúde da Família permite distintos olhares, ampliando as possibilidades inovadoras das práticas do cuidado e aumentando o potencial de resolutividade, com qualidade e sem descaracterizar a proposta original", destacam.

Os autores buscam fomentar um debate sobre novas formas de integrar o fisioterapeuta às equipes, com suas atribuições indo além da atividade de reabilitação, fazendo com que ele se envolva e se comprometa com ações de promoção e proteção da saúde, de prevenção de doenças e de assistência. "Contudo, apesar das dificuldades encontradas até o momento, alguns municípios já incluíram o fisioterapeuta nas suas equipes de Saúde da Família. Tais vivências precisam ser observadas e analisadas. Estudos e investigações sobre esse fenômeno, buscando identificar as peculiaridades e especificidades de cada situação enfocada, precisam ser disseminados, gerando, inclusive, informações e dados que subsidiem a tomada de decisões que venham a fortalecer e criar inovações no processo de planejamento, gestão e educação na saúde", concluem.

(Foto: UnC-Caçador)
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Quarta-feira, Outubro 28, 2009

ANTIDEPRESSIVOS MELHORAM O HUMOR DE PESSOAS SAUDÁVEIS

Remédio trouxe melhora inesperada de humor em 30% dos voluntários

Por Nilbberth Silva - nilbberth.silva@usp.br
Agência USP de Notícias

Um estudo feito na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) concluiu que tomar baixas doses de antidepressivos altera o humor de pessoas saudáveis. Elas se irritam menos e ganham mais tolerância e eficiência.

A pesquisa analisou 120 voluntários rigorosamente saudáveis – eles não poderiam ter pais, irmãos, avós, tios ou primos com nenhum sintoma de doença psiquiátrica. Por 12 semanas eles tomaram aleatoriamente duas pílulas. Uma continha 40 miligramas de antidepressivos – doentes usam doses a partir de 75 mg – e a outra não tinha nenhum princípio ativo. Depois, especialistas analisaram as mudanças em diversas áreas da saúde mental e física – agressividade, personalidade, sono, alimentação e o cérebro.

Nas semanas em que tomaram os medicamentos, cerca de 30% dos voluntários apresentaram sensíveis melhoras no humor. Eles passaram se irritar menos e tolerar mais as situações adversas. Além disso, passaram a prestar mais atenção em suas tarefas diárias. No trabalho, eles ficaram menos aflitos com as exigências simultâneas e erraram menos. Nas semanas em que não tomaram os remédios, não relataram mudanças.

Entre os efeitos colaterais da medicação estavam sono picado – os pacientes passaram mais momentos da noite com sono leve – e aumento ou diminuição do apetite. Esses efeitos aconteciam com todos os pacientes que passaram pelo tratamento.

Os pesquisadores não sabem explicar por que os remédios causaram essas mudanças, nem por que as alterações aconteceram somente com um terço dos voluntários. Essas pessoas eram menos medrosas, irritadas e impulsivas e mais resilientes – aceitavam com mais facilidade e resignação os problemas da vida.

Humor inesperado

A pesquisa foi feita para esclarecer porque alguns pacientes psiquiátricos que tomavam antidepressivos ganhavam um humor melhor enquanto recebiam o remédio do que antes de ter a doença. Os resultados mostram para os médicos que o bom humor, em muitos casos, é um efeito extra do remédio.

A utilização de voluntários normais é uma rotina no teste de efeitos de medicamentos. “Não estamos propondo que as pessoas saudáveis usem antidepressivos – não queremos mudar o seu temperamento”, esclarece o professor da FMUSP, Valentim Gentil Filho, responsável pelo projeto temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Não há nenhuma indicação médica para tratar pessoas normais - a medicina se preocupa com a prevenção ou o tratamento das doenças.”

Para explicar as descobertas e discutir com a sociedade as questões éticas, científicas, filosóficas e biológicas que a pesquisa levanta, o grupo vai realizar no dia 14 de novembro um simpósio aberto a interessados no assunto.

O projeto Estudo psicológico da regulação emocional a partir dos efeitos de antidepressivos foi desenvolvido no Laboratório de Investigações Médicas 23 (LIM 23), do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP.
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CÂMARA APROVA REGIME DE URGÊNCIA PARA REFERENDO SOBRE MUDANÇA DO FUSO HORÁRIO NO ACRE

Projeto de Flaviano Melo (PMDB-AC) foi aprovado por 267 votos a favor e 40 contra. Partido dos Trabalhadores (PT) trabalhou ativamente contra a aprovação.

Apesar das manobras do PT, lideradas pelos deputados Nilson Mourão (PT-AC) e José Genoíno (PT-SP), a Câmara aprovou na tarde desta terça-feira o requerimento de urgência do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), para garantir a votação no plenário da Casa do Projeto de Decreto Legislativo 981/2008, de autoria do deputado Flaviano Melo (PMDB-AC). Foram 267 votos favoráveis e 40 contrários. "É uma vitória do Acre e de seu povo", comemorou Flaviano. Os deputados Sérgio Petecão (PMN-AC) e Ilderlei Cordeiro (PPS-AC) votaram a favor da proposta.

O referendo foi proposto por Flaviano depois da sanção da Lei 11.662, de 24 de abril de 2008, que alterou o fuso horário no Acre, no Pará e em parte do Amazonas. A mudança da hora oficial surgiu de um projeto do senador Tião Viana (PT-AC), no qual a população não opinou sobre o assunto. "E foi com o intuito de corrigir esse absurdo que apresentei no projeto do referendo", explica Flaviano. A proposta de Flaviano prevê que o referendo seja realizado concomitantemente com a primeira eleição subseqüente à aprovação do projeto.

Durante a votação, o PT tentou, por várias vezes, impedir a aprovação do requerimento que garante a votação do projeto de referendo de Flaviano Melo. A primeira tentativa partiu o vice-líder do PT, José Genoino (SP). Para isso, tentou inverter a pauta de votação. Alegou, numa demonstração de desprezo pelo Acre, que a matéria que garante o referendo "é assunto paroquial e não merece regime de urgência".

Em seguida, o deputado Nilson Mourão também foi à tribuna tentar impedir a votação. Disse que não caberá a urgência na matéria, porque, segundo ele, "no Acre ninguém está pedindo referendo algum". Mourão queria que o projeto continuasse "seguindo seu curso normal nas comissões". Mas o petista esqueceu-se de dizer que o PDC 981/2008 arrasta-se há mais de 3 meses na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, sem parecer definitivo.

Os argumentos de Genoino e Mourão não foram suficientes para impedir a votação.

Exercício da democracia

Ao defender a aprovação do requerimento de urgência, o deputado Flaviano Melo lembrou que realizar o referendo do fuso horário no Acre é garantir à população o exercício da democracia. Flaviano lembrou, exemplo, que os acreanos estavam há 95 anos acostumados com uma hora oficial que, de uma hora para outra, foi mudada sem uma consulta prévia. "Essa mudança, empurrada goela abaixo, está causando prejuízos e transtornos aos acreanos", disse Flaviano. Para acompanhar o horário de Brasília, o acreano tem que sair para o trabalho com o dia ainda escuro. "As nossas crianças são as quem mais sofrem", ressaltou.

Com o referendo, diz Flaviano, "caberá à população dizer se aceita ou não mudar o fuso horário". Sérgio Petecão e Ilderlei Cordeiro também apoiaram o pedido de urgência para garantir a votação do projeto de Flaviano em plenário. "Com essa medida, vamos corrigir uma injustiça", disse Petecão. Na opinião do deputado, o povo é quem deve decidir acerca da mudança do horário. Ilderlei também reconhece que a alteração na hora oficial do Acre prejudica a população, principalmente as crianças que tem de madrugar para chegar à escola. "Isso é um grande absurso", disse Ilderlei. O deputado avalia que o projeto de Flaviano vai ajudar a corrigir o equívoco cometido por meio do projeto do senador Tião Viana. A proposta do senador, que resultou na Lei 11.662, mudou a hora oficial do Acre.
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O NOVO JORNALISMO ACREANO

Josafá Batista
Do Blog do Josafá

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac), Marcos Vicentti, anunciou hoje em entrevista ao programa Boa Tarde Rio Branco a realização de um evento público para discutir um "novo jornalismo"; algo capaz, segundo ele, de adequar-se "ao novo momento que o Acre vive atualmente".

Taí uma coisa que não pretendo perder (como diz a Beth Passos, "nem sob tortura!"). Entre outras questões, quero saber o que é esse "novo momento" e quais as suas implicações REAIS para a vida das pessoas: sem desconsiderar a beleza dos nossos novos, verdes e belos monumentos e praças, a miséria, o desemprego e a violência não só se mantém nos mesmos espaços da cidade como também dispararam em intensidade!

Que novo momento é esse que não tem implicações práticas na vida da maioria das pessoas?

Obviamente isso tem a ver com o tipo do jornalismo que se pratica hoje, não só no Acre como no resto do país: diferentemente da velha concepção positivista, a História não é escrita por "grandes homens" e suas "grandes realizações". A História é escrita por processos sociais, sendo tais processos ao mesmo tempo manifestos e ocultados ao longo da sua realização.

Não é por acaso, por exemplo, que o PROCESSO do desgaste da política tradicional acreana tenha produzido as novas lideranças políticas que governam no Acre atualmente, assim como não é coincidência que essas lideranças lutem para ocultar o seu próprio desgaste ao colocar-se, na própria imprensa, como a quintessência final, a realização da História da política acreana - e nesse processo costumam inclusive negar fatos históricos concretos, como rebeliões de presidiários, corrupção, violência urbana, negociatas com os barões da nossa mídia etc.

Curiosamente o mesmo processo é seguido por muitos críticos (ou supostos críticos) desta trajetória. Altino Machado e Toinho Alves, só para citar dois intelectuais orgânicos dessa nova fase histórica, fazem crítica ao poder no exato tom que os atuais donos desse poder usam para criticar os donos - antigos - do mesmo poder.

Altino e Toinho - e há outros - não se colocam como atores de um processo social, não reconhecem que a crise do jornalismo sintomatiza uma crise de um sistema inteiro.

A crise da nossa imprensa é mero sintoma da crise de comunicação social.

A crise não é de informação, de notícia. A crise é de expressão, da - falta de - debate, da percepção muito clara da população de que este tipo de jornalismo atual só transmite um único tipo de visão da sociedade: a visão dos proprietários, dos salvadores de coisa alguma, dos coronéis de barranco high-tech ávidos pelo tilintar do erário público em seus bolsos sem fundos...

A origem da crise é até meio óbvia: não pode haver comunicação social se os meios de produzi-la são restritos a meia dúzia de comerciantes da informação.

A solução para as crises, a da imprensa e a da comunicação, não é outra senão a democratização dos meios de comunicação. É o controle social das empresas que produzem a ação comunicacional, e com elas o próprio ato de comunicar.

Absurdo? Absurdo é alguém desconhecer hoje em dia a origem suja das pomposas empresas de comunicação que atuam no Acre hoje, todas erguidas sobre camadas de dinheiro público, e portanto social.

Portanto, a César o que é de César, a Deus o que é de Deus, e ao povo o que é do povo!
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Terça-feira, Outubro 27, 2009

GESTÃO DE TERRAS INDÍGENAS É TEMA DE ENCONTRO DE ONGs NO ACRE

Leandro Chaves
Comissão Pró-Índio do Acre-CPI

Do dia 14 ao dia 24 de outubro, representantes de dez organizações não-governamentais de várias localidades do país estiveram reunidos no Acre. O objetivo da visita foi a participação em um intercâmbio para a discussão da formação para gestão territorial e ambiental de terras indígenas. As instituições integram a Rede de Cooperação Alternativa (RCA), que organiza esses encontros para a troca de experiências sobre temáticas relacionadas aos povos indígena.

Participaram deste intercâmbio instituições indígenas como a Associação Terra Indígena Xingu (Atix), Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina), Hutukara Associação Yanomami (HAY), Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Organização dos Professores Indígenas do Acre (Opiac) e Vity-Cate Associação Timbira. Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC), Centro de Trabalho Indigenistas (CTI), Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena (Iepé) e Instituto Socioambiental (ISA) participaram enquanto organizações indigenistas.

A primeira fase do encontro teve início no dia 16 de outubro no município de Marechal Thaumaturgo, no Centro de Formação Yorenka Ãtame (Saberes da Floresta) - uma escola que desenvolve, junto aos moradores da região, projetos para a prática de manejo de recursos naturais. Benki Pianko, coordenador da escola e uma das lideranças do povo Ashaninka, mostrou aos cerca de 30 participantes as atividades que a instituição vem realizando desde a sua criação, em 2007. Depois, o grupo se dirigiu à comunidade Ashaninka do Rio Amônia, na Aldeia Apiwtxa, para conhecerem as práticas de gestão territorial e ambiental realizadas pelo povo.

“Esse é um intercâmbio para fortalecer as demais comunidades em seus propósitos de desenvolvimento. A nossa comunidade vai estar sempre preparada, esperando essas pessoas que queiram fazer esses encontros e estaremos juntos para desenvolver cada vez mais a sustentabilidade sem agressão à natureza”, afirmou Benki.

A segunda etapa se iniciou nesta quarta-feira, 21, em Rio Branco, no Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF) da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC). Nesta fase, cada uma das dez organizações apresentou aos participantes seu histórico institucional, projetos e atividades desenvolvidas.

Erivaldo Almeida, do povo Piratapuia, do Amazonas, é liderança da Foirn. Para ele, “o intercâmbio da RCA é uma política que faz a gente conhecer as atividades de outras regiões e de outros povos para podermos traçar uma única política para o movimento indígena”. Para Alberto Hapuhy, do povo Kraô, “a gente está aqui tratando dos assuntos dos povos indígenas do Brasil, como eles estão vivendo. Isso foi a nossa visita. Está valendo a pena a gente conhecer outros lugares”.
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FLORESTA AMAZÔNICA PODE ESTAR ABSORVENDO MENOS CARBONO DO QUE O ESTIMADO

A constatação é do pesquisador Júlio Tota, do Inpa e do Programa LBA, que defendeu a afirmação como tese de doutorado nesta segunda-feira (26)

Por Mário Bentes
Ascom INPA

A floresta amazônica, conhecida mundialmente como sendo responsável pela absorção de grandes quantidades de carbono da atmosfera, pode estar executando a tarefa em escala bem menor do que acredita boa parte da comunidade científica internacional.

A constatação é do pesquisador Júlio Tota, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA).

De acordo com o pesquisador, que defendeu a afirmação como tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Clima e Ambiente na manhã desta segunda-feira (26), o resultado partiu de um trabalho comparativo entre o monitoramento das trocas gasosas entre a biosfera e a atmosfera na região amazônica feitas por duas torres do Programa LBA e um trabalho paralelo de monitoramento, realizado pelo pesquisador ao longo de seis anos.

As torres de monitoramento do Programa LBA, responsáveis por medir os “fluxos verticais” de vapor de água, energia e gás carbônico entre a floresta e a atmosfera, ficam situadas em dois pontos distintos da região amazônica: na Floresta Nacional do Tapajós, em Santarém (PA), e na Reserva Biológica do Cuieiras, em Manaus.

A pesquisa de Tota consistiu na instalação – ao redor das torres – de equipamentos complementares que permitiram monitorar, também, o chamado “escoamento horizontal” do carbono.

Método atual não é preciso

“O atual modo de monitoramento, criado nos anos 50 e que é usado pelas torres do Programa LBA, leva em consideração duas variáveis, que são o fluxo vertical turbulento e o fluxo de armazenamento abaixo do nível de medida, em geral acima da floresta”, explica o cientista.

O método, conhecido como Covariância de Vórtices Turbulentos – ou Eddy Covariance System (ECS), mede as trocas líquidas de gases do ecossistema (também conhecido como Net Ecosystem Exchange – NEE) –, e segundo Tota, o mesmo não é suficientemente preciso para definir exatamente o saldo resultante médio entre a absorção e a liberação de gás carbônico por parte da floresta.

“O método não considera um processo que agora sabemos ser importante para minimizar as incertezas das estimativas, que são os fluxos horizontais de gases dentro da floresta, muito comuns em áreas de topografia com presença de declives e vales, como a que existe nas proximidades de Manaus”, explica Tota.

O trabalho começou em 2003, em Santarém, que possui relevo relativamente suave e mais homogêneo em relação a Manaus. Apesar disso, o experimento mostrou a existência de fluxos horizontais de gás carbônico, chamados por ele “escoamento horizontal ou drenagem” de gases.

“A simples existência deste novo processo levam a ser questionáveis as estimativas de grande absorção de gás carbônico reportadas por estudos já realizados na Amazônia sobre as trocas de gás carbônico entre a biosfera e a atmosfera”, afirma o cientista.

Tota ressalta ainda que em Manaus, a partir de 2005, o resultado de seu estudo serviu para demonstrar que a mesma metodologia de medidas para Santarém não foram adequadas e suficientes para estimar quantitativamente os fluxos horizontais.

“O terreno mais acidentado tornou a análise dos fluxos horizontais mais difícil de ser feita, pois as interações das micro-circulações do ar acima e abaixo da floresta e a distribuição espacial do gás carbônico precisariam de maior detalhamento experimental e equipamentos para serem quantificadas”, diz.

Ignorando o relevo

Quando foi criado, o método de ECS – usado atualmente em todo o planeta para estimar o NEE – não considerava processos de escoamento horizontal oriundos das variações de relevo das áreas estudadas.

Em um primeiro momento, o método pareceu apresentar resultados satisfatórios quando aplicado para monitoramento em escala de tempo não muito longa e sob condições ideais de relevo e homogeneidade da superfície.

“Isso acontecia porque o método foi pensado para se aplicar em áreas sem relevo e homogêneas, onde foi testado inicialmente nos anos 50. As análises das estimativas feitas por outros métodos foram comparativamente muito próximos aos de ECS, o que o fez ser aceito como preciso”, analisa Tota.

‘Fumaças coloridas’

Quando iniciou o experimento em Manaus, Júlio Tota realizou um processo curioso para definir, no entorno da área de alcance da torre principal do LBA, os locais para a instalação dos equipamentos complementares de monitoramento.

“Eu usei equipamentos para liberar fumaça colorida em várias partes da área estudada. Desta forma pude observar o deslocamento das camadas de ar entre as árvores sob os declives e vales”, explica.

Com isso, Tota observou que boa parte das camadas de ar se moviam de forma a acompanhar o declive da área. “Em muitos casos, o deslocamento desceu até os vales, em uma trajetória que fugia completamente do alcance do monitoramento da torre do LBA, que analisa, principalmente, o deslocamento vertical e as camadas mais superiores”, diz, ressaltando que, por esta razão, os resultados estimados pelas torres passariam a ser considerados incompletos.

Método brasileiro

Os equipamentos usados, batizados por Tota como DRAINO (“Dreno”, em português), termo para definir “drenagem de ar”, foram integralmente doados ao LBA pelo professor e co-orientador da tese de doutorado de Júlio Tota, o cientista David Fitzjarrald, da State University of New York (SUNY). Mas todo o trabalho de desenho e montagem de equipamentos foi desenvolvido por Tota.

A apresentação oficial do trabalho de Júlio Tota, orientado pela professora Maria Assunção Faus da Silva Dias, da Universidade de São Paulo (USP), rendeu o primeiro título de doutorado no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Clima e Ambiente, criado por meio de parceria entre Inpa e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Estiveram presentes na defesa da tese do pesquisador o diretor em exercício do Inpa, Wanderli Pedro Tadei, a reitora da UEA, Marilene Corrêa, e outros cientistas do Instituto, que assistiram e interagiram com a apresentação de Júlio Tota. Ainda esta semana, outros pesquisadores do Inpa defendes teses, desta vez em nível de mestrado.
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Segunda-feira, Outubro 26, 2009

SLOW NEWS

Felipe Mendonça
do Blog Picaretas da Távola Redonda

Acabei de participar de um seminário sobre novas mídias e redes sociais aqui no Acre que teve a presença do tchuki-tchuki multimídia Marcelo Tas. Gosto muito do assunto e achei boa a exposição dele e dos outros participantes. Gostei no sentido de ter aprendido um pouco mais de algo novo. No entanto, saí do evento com uma sensação de aflição e dúvida.

A tônica do evento era mostrar o quão as novas ferramentas de mídias e as redes sociais virtuais (twitter, facebook, orkut, e não sei o que mais...) é o que há de importante no momento e sentenciam: se você estiver fora desse mundo, você estará fora do mundo. O enfoque do evento buscou sempre o individuo, excessivamente no individuo (o que não chega a ser uma surpresa no mundo de hoje).

Ou seja, estamos construindo um mundo por computadores pessoais, palm tops, iphones e outras quinquilharias que cabem na sua mão e que reproduz, sem retoques, o paradoxo do nosso tempo: Tá todo mundo junto, mas separado.

Não trata aqui de ser uma reação contra a internet e tudo de novo que surge. Isso é bobagem. A internet veio para modificar nossas vidas drasticamente e já mudou (a minha profundamente). O que me angustia é a correria, é o sentimento de que sempre (se me propuser a entrar nessa celeuma “individuo-comunicativa”) vou estar defasado, tamanha é a velocidade das inovações. São instrumentos criados por necessidades que você não tem e que muda sua vida de tal forma que você não entende como vivia sem essas necessidades que você nunca teve. E definitivamente, não é porque não estou no Twitter ou no Orkut que estou menos ou mais antenado de quem está... não é só isso que me atualiza.

Hoje a informação e as novas ferramentas de mídia são tão velozes que se assemelham a equipamento de informática: antes de sair da caixa, já está desatualizado. Onde mesmo estamos querendo chegar? A quantidade de informação que despenca em nossas cabeças todo dia não nos permite a reflexão: de quem é aquela informação? qual o seu objetivo? suas conseqüências? Outro exemplo: hoje não se cansa mais de ouvir uma música. Pela possibilidade de se acessar, literalmente, todas as músicas do mundo, se você se detiver em uma por duas ou três vezes, vai ter sempre alguém pra te dizer impaciente: de novo?

E como não tenho talento e competência para prever como serão as próximas maiores novidades dos últimos tempos da última semana, pelo menos o movimento de reação a isso tudo eu já me proponho a lançar. Assim como já existe o movimento slow food, uma corrente contra os fast food que acaba com a nossa saúde, eu proponho o slow news. Isso! Quero preservar o meu direito de saber menos, buscar as informações que procuro e não deixar que elas me procurem. Não quero mais que o Fantástico invada o auto-exílio do Belchior com a desculpa de que “seus telespectadores querem saber dele”. Quero gastar meu CD do Chico sem me preocupar com a nova bobagem do Caetano.

Pra iniciar, façamos o seguinte: saiamos da internet 6 horas por dia. Vamos beber alguma, ler um livro, fazer sexo, o que lhe passar pela cabeça. O que acham?

- Tá bom! Tá bom! Vamos começar de meia-noite a seis pra não assustar... até essa hora eu já atualizei meu blog (ops!).
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Sábado, Outubro 24, 2009

PROCURADOR WILLIAMS JOÃO DA SILVA, DO MP ACREANO, É SUPENSO POR DESTRUIR E DANIFICAR A FLORESTA

Procurador de Justiça do Acre é suspenso por 45 dias

Do Globo Online
Plantão | Publicada em 22/10/2009 às 17h55m


BRASÍLIA - O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) suspendeu por 45 dias o procurador de Justiça do Ministério Público do Acre Williams João Silva, por conduta incompatível com o exercício do cargo e pelo descumprimento de dever funcional.

Proprietário de uma fazenda no município de Sena Madureira (AC), o procurador destruiu e danificou entre 2003 e 2004 , sem autorização de órgãos competentes, floresta primária e espécies de flora nativa (castanheiras e seringueiras) protegidas por lei, localizadas em área vizinha pertencente a outro proprietário, bem como desmatou floresta de preservação permanente.

Ainda conforme relatório, o procurador de Justiça fez uso de papel timbrado do Ministério Público do Acre para emitir recibos de pagamentos de roçadas e derrubadas de matas em suas propriedades. O relator do processo disciplinar , conselheiro Sérgio Feltrin, argumentou que procurador deve ser punido "pelas infrações caracterizadas como violadoras de vedação legal e pelo descumprimento do dever funcional de manter, pública e particularmente, conduta ilibada e compatível com o exercício do cargo.

A decisão do Conselho Nacional anunciada na terça-feira determina também que o procurador de Justiça tenha, durante os 45 dias de sanção, suspensos os direitos e vantagens decorrentes do exercício do cargo.
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Segunda-feira, Outubro 19, 2009

O ATAQUE DO MST ÀS LARANJEIRAS

"Por que não nos indignamos com a captura do patrimônio público que ocorre todos os dias em nosso país?", pergunta Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 19-10-2009. "Não aceito - afirma o ex-ministro dos governos Sarney e Fernando Henrique Cardoso - a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais".

Indignação com as laranjeiras

Luiz Carlos Bresser-Pereira
Folha de S. Paulo

Há uma semana, duas queridas amigas disseram-me da sua indignação contra os invasores de uma fazenda e a destruição de pés de laranja. Uma delas perguntou-me antes de qualquer outra palavra: "E as laranjeiras?" - como se na pergunta tudo estivesse dito.

Essa reação foi provavelmente repetida por muitos brasileiros que viram na TV aquelas cenas. Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais".

Quando ouvi o relato indignado, perguntei à amiga por que o MST havia feito aquilo. Sua resposta foi o que ouvira na TV de uma das mulheres que participara da invasão: "Para plantar feijão". Não tinha outra resposta porque o noticiário televisivo omitiu as razões: primeiro, que a fazenda é fruto de grilagem contestada pelo Incra; segundo, que, conforme a frase igualmente indignada de um dos dirigentes do MST publicada nesta Folha em 11 deste mês, "transformaram suco de laranja em seres humanos, como se nós tivéssemos destruído uma geração; o que o MST quis demonstrar foi que somos contra a monocultura".

Talvez os dois argumentos não sejam suficientes para justificar a ação, mas não devemos esquecer que a lógica dos movimentos populares implica sempre algum desrespeito à lei. Não deixa de ser surpreendente indignação tão grande contra ofensa tão pequena se a comparamos, por exemplo, com o pagamento, pelo Estado brasileiro, de bilhões de reais em juros calculados segundo taxas injustificáveis ou com a formação de cartéis para ganhar concorrências públicas ou com remunerações a funcionários públicos que nada têm a ver com o valor de seu trabalho.

Por que não nos indignarmos com o fenômeno mais amplo da captura ou privatização do patrimônio público que ocorre todos os dias no país? Uma resposta a essa pergunta seria a de que os espíritos conservadores estão preocupados em resguardar seu valor maior - o princípio da ordem -, que estaria sendo ameaçado pelo desrespeito à propriedade.

Enquanto o leitor pensa nessa questão, que talvez favoreça o MST, tenho outra pergunta igualmente incômoda, mas, desta vez, incômoda para o outro lado: por que os economistas que criticam a suposta superioridade da grande exploração agrícola e defendem a agricultura familiar com os argumentos de que ela diminui a desigualdade social, aumenta o emprego e é compatível com a eficiência na produção de um número importante de alimentos não realizam estudos que demonstrem esse fato?

A resposta a essa pergunta pode estar no Censo Agropecuário de 2006: embora ocupe apenas um quarto da área cultivada, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção e emprega quase três quartos da mão de obra no campo.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, nesta Folha listou esses fatos e afirmou que uma "longa jornada de lutas sociais" levou o Estado brasileiro a reconhecer a importância econômica e social da agricultura familiar. Pode ser, mas ainda não entendo por que bons economistas agrícolas não demonstram esse fato com mais clareza. Essa demonstração não seria tão difícil - e talvez ajudasse minhas queridas amigas a não se indignarem tanto com as laranjeiras.

*Reproduzido a partir do site IHU Online
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MULHERES ALCOÓLATRAS

As mulheres alcoolistas são ao mesmo tempo vítimas e agressoras na violência doméstica. A conclusão é de um estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP com 62 mulheres, 32 delas alcoólatras. O estudo também mostra que essas famílias eram desestruturadas e que as meninas aprendem com as mães a usar o álcool para resolver seus problemas diários

Por Nilbberth Silva
Agência USP de Notícias

Mulheres alcoólatras aprendem a consumir bebidas com as mães

A psicóloga Ana Beatriz avaliou em sua pesquisa de doutorado não só as mulheres, bem como suas famílias e aquelas em que elas e suas mães cresceram. Em seguida, analisou como as três gerações se relacionavam dentro de casa.

As mulheres alcoólatras aprendiam a beber e a ser violentas com suas mães, que, por sua vez, sofriam violência da avó. “Essas mulheres repetem o que é conhecido”, explica Ana Beatriz. “Elas até desejam fazer diferente, mas não têm repertório para isso, já que o modelo de aprendizagem da violência é passado de geração a geração”.

As mulheres alcoolistas tinham mães com o mesmo vício em 23,3% dos casos. O companheiro também era viciado em 20 % dos casos. A maioria das mulheres e suas mães havia sofrido agressão sexual, física ou verbal. As mães de mulheres alcoolistas também eram autoritárias e centralizavam as decisões, enquanto nas famílias de mulheres sem o vício o poder era dividido entre o casal.

Disfunções

A psicóloga classificou as relações entre os membros das famílias de alcoólatras como disfuncionais. “Nessas famílias não existia suporte e apoio entre os membros” descreve Ana Beatriz. “Além disso, as regras familiares para lidar com problemas diários não são bem estabelecidas. Isso gera crises familiares e sofrimento”.

Geralmente, a relação das filhas que se tornaria alcoólatra com as mães era conflituosa. Já os pais tinham uma relação de proximidade exagerada com a filha. Os pais se aliavam às filhas para brigar com as companheiras. As mães sentiam ciúmes do relacionamento entre pais e filhas, o que aumentava as agressões.

A maioria das mulheres alcoolistas contou que os familiares tinham uma proximidade excessiva entre si, e não reconheciam os limites para que a intimidade não se tornasse invasiva. O uso de drogas foi uma maneira de declarar independência da família. “Mas a pessoa acaba dependente do álcool como é da família”, constata psicóloga.

Família desestruturada é um fator de risco para desenvolver alcoolismo, mas não condição obrigatória. Ter um membro alcoólatra causa desestrutura na família.

Ajuda

Segundo a psicóloga, a pesquisa é a primeira no Brasil a descrever a transmissão entre gerações da estrutura de famílias de mulheres alcoólatras e mostra a importância da prevenção. “Se o profissional de saúde for trabalhar com essas mulheres e tentar mudar o padrão e comportamento delas, as filhas poderão experimentar um ambiente familiar diferente, em que elas não repitam os mesmo erros de suas mães”.

Mulheres que precisem de ajuda gratuita para enfrentar o alcoolismo podem procurar o Programa de Atenção à Mulher Dependente Química (PROMUD) do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP. O programa presta atendimento multidisciplinar destinado exclusivamente a mulheres. O telefone para primeiro contato é (11) 3082-1876.
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ENTREVISTA COM MANOEL CUNHA, PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DOS SERINGUEIROS

Por Redação da WWF-Brasil/Envolverde

Manoel Cunha é presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas da Amazônia, o antigo Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), formado por 27 lideranças de diferentes segmentos agroextrativistas de todos os estados da Amazônia.

Manoel Cunha tem participado de vários debates sobre mudanças climáticas no Brasil e no exterior. Está confirmada sua ida a Copenhague, onde espera-se que seja assinado o novo acordo global de clima em dezembro de 2009.

Com a simplicidade de quem mora na floresta, mas astúcia de quem participa ativamente de fóruns sobre o aquecimento global, Manoel Cunha dá sua visão sobre clima, emissões, fim do desmatamento e políticas brasileiras e internacionais sobre o tema.

Ele concedeu entrevista para as jornalistas do WWF-Brasil Ligia Barros e Mariana Ramos durante o seminário “O Papel das Áreas Protegidas na Redução das Emissões por Desmatamento” no último dia 8/10.

WWF-Brasil – Como o senhor entende as mudanças climáticas?

Manoel Cunha – Como entendo é uma pergunta meio difícil de responder. Há um desequilíbrio. É como se as mudanças climáticas fossem pedras. Tem um monte de pedras caindo sobre nossas cabeças, sem a gente saber quem está mandando, de onde vêm, porque elas estão caindo sobre nós, quem é o responsável e para quem podemos pedir socorro. Essa é a dor maior.

WWF-Brasil – Como o senhor vê o aquecimento global afetando as comunidades na Amazônia?

Manoel Cunha – O povo que vive na floresta é o mais fragilizado com essa questão das mudanças climáticas. Porque, como a gente vive no seio do meio ambiente, qualquer desequilíbrio nos afeta diretamente. É diferente quando se mora na cidade, se estiver muito quente, pode-se colocar um ar condicionado mais poderoso. Lá, não tem para onde correr. E há outras inúmeras ações oriundas das mudanças climáticas afetando diretamente as populações como grandes secas, grandes cheias, período da seca sendo prolongado por mais de um mês etc. A gente também percebe que aquelas espécies que afloravam em determinada época, já não conseguem aflorar mais porque o solo já não tem mais água suficiente para a planta vingar.

Então, há problemas econômicos para os extrativistas porque muitas dessas espécies são castanha-do-brasil e andiroba, que têm alto valor. Outras não afetam o bolso, mas são úteis para a vida dos animais, pois sem aquela fruta, os animais vêm comer a planta do extrativista. Aí a pessoa quer matar o animal, então vai gerando todo um desequilíbrio.

Além disso, não temos mais a friagem. A friagem, para nós que vivemos sem calendário, sem nada no meio da floresta, é algo culturalmente muito importante. Eram o marco da passagem do inverno para o verão. E, nessa época, fazíamos as plantações na praias das margens dos rios, que quando são descobertas são terras muito férteis. Minha mãe fica sempre esperando a friagem. Mas como não chega, ela perde a época de plantar. Como minha mãe, muitas pessoas não plantam esperando a friagem. Então, como são alimentos para o consumo ali na comunidade, muitas vezes não temos melancia ou batata-doce para o café da manhã. E é isso que comemos pela manhã porque não temos pão, não temos muita coisa. Nossas refeições são baseadas no que a biodiversidade, a natureza, nos oferecem, que é a batata-doce, o cará, a pupunha, entre outras.

WWF-Brasil – O senhor tem participado de muitos debates sobre o tema. Esteve até nos Estados Unidos no segundo semestre de 2009 para falar sobre isso. Como o senhor vê o seu papel nessas discussões?

Manoel Cunha – Estou muito contente por estar participando desses debates. Volto para as comunidades dizendo: “povo, isso aqui está caindo porque os caboclos lá desenvolvidos poluíram muito, mas que esse roçadinho que a gente queima aqui para fazer a lavoura comunitária também contribui para as mudanças climáticas. É preciso tomar cuidado para não queimar além do necessário, para não pegar fogo na floresta”. Agora estamos começando a descobrir as causas, os culpados e o quê que a gente pode fazer para proteger a floresta.

WWF-Brasil – O que o senhor acha que as comunidades podem fazer para ajudar a deter o aquecimento global?

Manoel Cunha – Se olharmos as emissões causadoras das mudanças climáticas, a parte de cabe a nós, que são as emissões e degradação da floresta e mau uso do solo, acho que nós temos um papel fundamental. Sei que 20% das emissões do mundo têm essa causa. E isso tem tudo a ver com as comunidades e com a política.

WWF-Brasil – Por que com a política?

Manoel Cunha – Porque se as políticas para valorização da floresta não melhorarem, se não encontrarmos uma maneira de melhorar a vida das pessoas que vivem lá, o desmatamento vai continuar. As pessoas guardam e cuidam do que tem importância para sua vida. Se não houver valor na floresta, os próprios extrativistas vão sair de suas áreas atrás de outras alternativas de vida e aí esses locais serão alvo fácil para grilagem, avanço da soja e da pecuária. Não terá jeito de controlar o desmatamento.

Nós somos os verdadeiros guardiões da floresta. Todo o desmatamento da Amazônia passou por cima de alguma população tradicional, de algum seringueiro, de algum castanheiro, de algum pescador artesanal. E ele só deixou passar porque ou a força foi menor ou porque não está contente com a vida que leva na floresta.

Além disso, temos que mudar hábitos e costumes. Por exemplo, tem família que tem o hábito de botar fogo em tudo que vê seco. Isso é um hábito: “passei aqui, tinha uma grande caída seca e eu botei fogo”. Estamos trabalhando seriamente para mudar isso. Acho que as comunidades têm como contribuir com coisas pequenas, mas que têm muito valor quando junta ao montante final de emissões.

Mas, acho que a maior contribuição das famílias que vivem na Amazônia é a soma de esforços para encontrar uma forma de valorizar a floresta. Assim, as comunidades vão voltar a fazer os “empates”, como nós tínhamos nos anos 1980, quando nos sentíamos felizes com o preço da borracha. Vamos voltar a cuidar da floresta, disso eu não tenho dúvida.

WWF-Brasil – Então há motivos para o senhor participar cada vez mais desses tipos de discussão sobre a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD). Como o senhor vê o REDD e as comunidades?

Manoel Cunha – Chamo as políticas existentes em nosso país de políticas de incentivo ao desmatamento. Porque houve uma época que tinha um recurso no governo que pagava até 700 mil para quem destruísse a floresta e usasse a área para outra atividade. Mas nunca vi uma proposta ou um programa consolidado para quem vive conservando floresta.

Nessa discussão sobre REDD, estamos vendo essa oportunidade. Pela primeira vez, a gente tem um mecanismo pelo qual poderá haver recompensa para quem resistiu ao desmatamento, ao uso desordenado dos recursos naturais e conservou a biodiversidade.
Isso para nós é importante. Mesmo que isso esteja consolidado apenas tecnicamente, e ainda não politicamente, é um mecanismo que se pode medir e mostrar. Isso me deixa muito contente. Vemos dentro do REDD uma das formas de encontrar o valor da floresta, para que as famílias possam viver bem nela e dela. E, assim, fazer novamente a barreira ao uso desordenado dos recursos.

Quando me fazem essa pergunta, sempre conto uma história: na minha reserva, no Médio Juruá, vendemos óleo de andiroba para a empresa de cosméticos Natura, a R$ 23 cada quilo. Isso é muito dinheiro para nós. O quilo do peixe, por exemplo, custa R$ 1,20. O de borracha, R$ 1,50 e o de farinha, R$ 0,90.

Então, imagine como a comunidade cuida da andirobeira: é como se fosse um filho. Se alguém vê um corte na árvore, as comunidades querem saber quem fez aquilo e levam o assunto até o líder comunitário para que ele chame a atenção de quem fez o corte. Eles temem que aquele corte possa atrapalhar o desenvolvimento da planta. E ela é uma boa fonte re renda. É esse valor que a andiroba tem no Médio Juruá que queremos que a floresta tenha como um todo. Porque assim as pessoas cuidam. Não só naquela região, mas na Amazônia, no Cerrado e em todos os outros biomas.

Talvez esse REDD possa ser uma porta para isso. Mas não é tudo. Vejo como alguns degraus de uma escada, que pode levar a uma realidade onde haja valor para a floresta. Aí sim vamos ter uma verdadeira diminuição no desmatamento.

Crédito da imagem: Ana Cintia GAZZELLI/WWF-Brasil

(Envolverde/WWF-Brasil)
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PESQUISA: PLATINA PODE SER UM METAL EXTRATERRESTRE

Estudo publicado na Nature Geoscience aponta que alguns metais preciosos, como a platina, não têm origem nos processos que levaram à formação do planeta há mais de 4 bilhões de anos

Metais extraterrestres

Agência FAPESP – Segundo um novo estudo feito por geólogos da Universidade de Toronto (Canadá) e da Universidade de Maryland (Estados Unidos), a riqueza de alguns minerais abaixo da superfície da Terra pode ter origem extraterrestre.

“A temperatura extrema na qual o núcleo da Terra se formou há mais de 4 brilhões de anos teria eliminado completamente qualquer metal precioso da crosta rochosa e o depositado no núcleo”, disse James Brenan, do Departamento de Geologia da Universidade de Toronto e coautor do estudo publicado na revista Nature Geoscience neste domingo (18/10).

“Desse modo, a pergunta é por que há, atualmente, concentrações detectáveis, e mesmo capazes de serem extraídas pela mineração, de metais preciosos como platina ou ródio, na porção rochosa da Terra? Os resultados de nossos estudos indicam que eles não poderiam ter parado ali por qualquer processo interno”, disse Brenan.

Há tempos os cientistas especulam que de 4 a 4,5 bilhões de anos atrás a Terra era uma massa fria de rocha misturada com ferro e o metal teria sido derretido pelo calor gerado do impacto de objetos de grande massa na superfície do planeta que então se formava.

O processo teria feito com que o ferro se separasse da rocha e formasse o núcleo do planeta. Brenan e William McDonough, da Universidade de Maryland, recriaram a pressão e temperatura extremas do processo, submetendo uma mistura semelhante a temperaturas acima de 2.000º C e medindo a composição de rocha e ferro resultante.

Como o metal foi eliminado da rocha no processo, os cientistas estimam que o mesmo teria ocorrido quando a Terra foi formada. Ou seja, alguns metais, como os metais de transição ósmio e irídio, não poderiam derivar de processos internos.

Segundo eles, algum tipo da fonte externa teria contribuído para a sua presença na porção rochosa exterior da Terra. “Como uma ‘chuva’ de detritos extraterrestres, tais como cometas ou meteoritos”, apontou Brenan.

“A noção dessa chuva extraterrestre também pode explicar outro mistério, que é como a porção rochosa da Terra acabou tendo hidrogênio, carbono e fósforo, os componentes essenciais da vida, que provavelmente foram perdidos durante a violenta formação do planeta”, disse.

O estudo teve apoio da Nasa, a agência espacial norte-americana, e do Conselho de Pesquisas em Ciências Naturais e Engenharias do Canadá.

O artigo Core formation and metal-silicate fractionation of osmium and iridium from gold, de James M. Brenan e William F. McDonough, pode ser lido por assinantes da Nature Geoscience em www.nature.com/naturegeoscience.

(Ilustração: David A. Aguilar/CfA)
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Sábado, Outubro 17, 2009

EMIR SADER: "SAPATOS OU SANDÁLIAS"

“Melhor um mafioso de sapato que um ignorante de sandália.” O comentário preconceituoso foi feito por uma mulher branca, no vôo de Santa Cruz de la Sierra a Cochabamba. Dá uma idéia do sentimento dessa minoria branca, que sempre governou a Bolívia, durante séculos, ao sentir que o país lhes tinha sido expropriado pelas mãos da grande maioria de povos indígenas – 64% da população se reconhecem como de origem indígena – aymaras, quéchuas, guaranis ou de outras nacionalidades -, mas nunca tinham governo o país.

Na época da campanha eleitoral havia uma charge em um jornal boliviano, em que quatro mulheres brancas jogavam baralho, quando uma delas pergunta:

- Mas um índio pode ser presidente?

Ao que respondeu uma outra:

- Sim, da Índia.

A forma usual de se dirigir a Evo Morales, presidente da república, é chamá-lo de “esse índio de merda”. No ano passado, na praça central de Cochabamba, estudantes brancos submeteram índios e índios a vexames públicos, violentamente. O racismo da direita, da imprensa e dos governos da região oriental é extremado.

Esse sentimento se aguçou quando as pesquisas eleitorais confirmam o que as eleições do ano passado já haviam revelado: o governo de Evo Morales goza de ampla maioria no país e desta vez deve conseguir não apenas a reeleição e repetir a maioria na Câmara de Deputados, mas conquistar a maioria do Senado, talvez até com 2/3 dos parlamentares. A oposição, derrotada politicamente, concorre com vários candidatos, sempre muito atrás – mesmo somados – da votação prevista para Evo.

Um deles, candidato também nas eleições passadas, Samuel Doria, é quem detêm a marca da Burger King na Bolívia. Seu lema, pintado nas paredes daqui de Cochabamba: “Fazer Bolívia voltar a trabalhar”. Expressa outro preconceito: o de que a região ocidental do país, em que está La Paz e os estados de maioria esmagadora de indígenas, vivem do Estado, de políticas sociais, de subsídios, etc., enquanto o dinamismo e o trabalho ficariam por conta da região majoritariamente branca – a região oriental.

Depois de tentativas de deslegitimação do governo, promovendo projetos autonômicos nas províncias, de forma violenta, a direita se viu derrotada na consulta sobre confirmação de mandatos em agosto do ano passado. Diante dos resultados, promoveu atos violentos de ocupação de prédios do governo federal, agressão a fucnionarios públicos, até que um dos governadores da região oriental, do estado de Pando -, reprimiu uma mobilização de camponeses, matando a vários deles. Isso por si só já gerou seu isolamento, mas o governo passou a atuar, com a prisão do governador e uma grande mobilização de 100 mil pessoas dirigidas por Evo Morales em La Paz. A oposição passou à defensiva, derrotada politicamente. Um dos reflexos dessa derrota é não ter conseguido se unificar e lançar vários candidatos.

A vitória de Evo Morales, com maioria – com a possibilidade de chegar a 2/3 no Senado – permitirá que todo o processo, recém iniciado, de refundação do Estado boliviano, com todo o novo embasamento legal que isso requer, poderá ser feito conforme as orientações do governo. A direita ainda não está derrotada economicamente, dispõe de grande poder econômico – ainda que enfraquecido – e do poder midiático, graças ao monopólio que exerce, tal como acontece nos outros países do continente.

Mas, a três anos e meio da sua primeira eleição, o governo boliviano caminha, seguro, para a sua consolidação. Elabora neste momento uma lei de gestão pública do novo Estado multinacional e autonômico, avançando no projeto de refundação do Estado boliviano. O ex-presidente Sanchez de Losada, refugiado nos EUA, com pedido de extradição pelo governo boliviano para responder na Justiça pelas dezenas de mortes de responsabilidade do seu governo, quando tentava evitar sua queda, representa bem o “mafioso com sapato”. Evo, de sandálias, a saberia indígena, camponesa, popular, que para os preconceitos racistas aparece como “ignorância”.
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O FIM DOS LIXÕES?

Relatório sobre política de resíduos sólidos propõe fim dos lixões

Marcello Larcher e Newton Araújo
Foto:Sônia Baioccchi
Agência Câmara

Aprovado na quinta-feira (15), o relatório final sobre a criação de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos propõe como principal medida a proibição da disposição final dos resíduos ou rejeitos em rios, córregos, mares, lagos ou a céu aberto. O relatório foi aprovado por um grupo de trabalho que analisou 79 propostas em tramitação na Câmara.

Na prática, a medida pretende acabar com os "lixões" e obrigar os municípios a criarem programas para lidar com os resíduos produzidos em seu território. A proposta não permite a queima desses materiais a céu aberto e dificulta o licenciamento para a queima controlada em recipientes.

Quanto aos rejeitos que sobrarem, eles serão depositados em aterros sanitários, como explica o relator da proposta, deputado Arnaldo Jardim (PSDB-SP). "Nós vamos ter toda uma orientação no que diz respeito à questão dos resíduos, para que aquela figura que todos nós temos na mente - dos lixões com criança catando coisa, com animal do lado - isso possa de uma forma definitiva ser banido da história do nosso País."

Licenciamentos

De acordo com o relatório, os aterros sanitários vão passar por licenciamentos específicos, e serão proibidas atividades como a catação e a criação de animais nas proximidades. Da mesma forma, as habitações temporárias ou permanentes, serão proibidas. Em várias cidades os lixões atraem essas atividades, e se transformam em favelas com graves problemas de saúde pública.

Outra medida importante é a obrigatoriedade do uso de embalagens reutilizáveis ou recicláveis. A proposta dificulta exceções a essa regra, que dependerão de licença especial. Nos municípios onde a coleta seletiva for regulamentada, será responsabilidade dos consumidores e de seus condomínios a separação dos materiais para coleta.

Para fazer frente às mudanças, a proposta estabelece planos para o setor, em cada nível da Federação, e reforça que os municípios são responsáveis pelos resíduos. Todos os níveis terão de fazer um diagnóstico do tratamento de resíduos, e linhas de financiamento federal serão abertas para criar uma estrutura de coleta e tratamento nas cidades interessadas.

Cooperativas de catadores

A União e os estados terão papéis complementares, como vem sendo feito em municípios limítrofes principalmente, e no financiamento de alternativas para o tratamento de lixo.

Recursos da União, pela proposta, serão priorizados para soluções intermunicipais, de forma a fomentar alternativas economicamente viáveis e sustentáveis de lidar com resíduos, com ênfase nas cooperativas de catadores e outras experiências de sucesso.

Além das linhas de crédito ao setor público e o incentivo a pesquisas e tecnologia na área, a proposta concede até 50% de abatimento nas alíquotas do IPI sobre máquinas e equipamentos a serem usados em reciclagem ou por aterros sanitários e industriais.

Essa regra vale para parcerias ou empresas privadas, e são ainda melhores para empresas que utilizarem material reciclado. O texto dá às empresas a chance de aproveitarem, como crédito presumido do IPI, até 50% do imposto a pagar. O percentual será proporcional ao teor de matérias-primas recicladas usadas no processo de industrialização.
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MARX E LÊNIN MERECERIAM NOBEL DE ECONOMIA

Marx previu a miséria crescente dos trabalhadores e Lênin previu a subordinação da produção de bens à acumulação de lucros do capital financeiro com a compra e venda de instrumentos de papel. As suas previsões são de longe superiores aos "modelos de risco" aos quais tem sido atribuído o Prêmio Nobel e estão mais próximos da moeda do que as previsões do presidente do Federal Reserve, de secretários do Tesouro dos EUA e de economistas nobelizados tais como Paul Krugman, o qual acredita que mais crédito e mais dívida são a solução para a crise econômica. A análise é de Paul Craig Roberts.

Paul Craig Roberts (*)
Counterpunch

"O capital é trabalho morto, o qual, como um vampiro, vive apenas para sugar o trabalho vivo, e quanto mais sobreviver, mais trabalho sugará". (Karl Marx)

Se Karl Marx e V. I. Lênin hoje estivessem vivos, seriam os principais candidatos ao Prêmio Nobel de Ciência Econômica.

Marx previu a miséria crescente dos trabalhadores e Lênin previu a subordinação da produção de bens à acumulação de lucros do capital financeiro com a compra e venda de instrumentos de papel. As suas previsões são de longe superiores aos "modelos de risco" aos quais tem sido atribuído o Prêmio Nobel e estão mais próximos da moeda do que as previsões do presidente do Federal Reserve, de secretários do Tesouro dos EUA e de economistas nobelizados tais como Paul Krugman, o qual acredita que mais crédito e mais dívida são a solução para a crise econômica.

Na primeira década do século XXI não houve qualquer aumento no rendimento real dos trabalhadores americanos. Houve sim um declínio agudo na sua riqueza. No século XXI os americanos sofreram dois grandes crashes no mercado de acções e a destruição da sua riqueza imobiliária.

Alguns estudos concluíram que os rendimentos reais dos americanos, excepto para a oligarquia financeira dos super ricos, são menores hoje do que na década de 1980 e mesmo da de 1970. Não examinei estes estudos de rendimento familiar para determinar se eles foram enviesados pelo aumento nos divórcios e pela percentagem de famílias monoparentais. Contudo, durante a última década é claro que o salário líquido real declinou.

A causa principal deste declínio é a deslocalização (offshoring) de empregos americanos de alto valor acrescentado. Tanto empregos na manufatura como em serviços profissionais, tais como engenharia de software e trabalho com tecnologia de informação, foram relocalizados em países com forças de trabalho grandes e baratas.

A aniquilação de empregos classe média foi disfarçada pelo crescimento na dívida do consumidor. Quando os rendimentos dos norteamericanos cessaram de crescer, a dívida do consumidor expandiu-se para substituir o crescimento do rendimento e manter a procura do consumir em ascensão. Ao contrário de aumentos nos rendimentos do consumidor devidos ao crescimento da produtividade, há um limite para a expansão do endividamento. Quando aquele limite é atingido, a economia cessa de crescer.

A pauperização dos trabalhadores não resultou do agravamento de crises de super-produção de bens e serviços mas sim do poder do capital financeiro para forçar a relocalização da produção para mercados internos em terras estrangeiras. As pressões da Wall Street, incluindo pressões de tomadas de controle (takeovers), forçaram firmas manufatureiras americanas a "aumentar os rendimentos dos acionistas". Isto foi feito pela substituição de trabalho americano por trabalho barato estrangeiro.

Corporações deslocalizadas ou que passam a encomendar fora a sua produção manufactureira, divorciando portanto os rendimentos dos americanos da produção dos bens que eles consomem. O passo seguinte no processo aproveitou-se da alta velocidade da Internet para mover empregos em serviços profissionais, tais como engenharia, para fora. O terceiro passo foi substituir o resto da força de trabalho interna por estrangeiros trazidos para cá a um terço do salário com o H-1B [1] , L-1 [2] e outros vistos de trabalho.

Este processo pelo qual o capital financeiro destruiu as perspectivas de emprego de norteamericanos foi endossado pelo economistas do "livre mercado", os quais receberam privilégios pela deslocalização de firmas em troca da propaganda de que os americanos beneficiar-se-ia com uma "Nova Economia" baseada em serviços financeiros, e pelos seus sócios no negócio da educação, os quais justificavam vistos de trabalho para estrangeiros com base na mentira de que a América produz poucos engenheiros e cientistas.

Nos dias de Marx, a religião era o ópio das massas. Hoje são os media. Basta ver a informação dos media que facilita a capacidade da oligarquia financeira de iludir o povo.

A oligarquia financeira está a anunciar uma recuperação enquanto o desemprego nos EUA e os arrestos de lares estão em aumento. Este anúncio deve a sua credibilidade às altas posições de onde vêem, aos problemas de informação sobre folhas de pagamento que exageram o emprego e à eliminação para dentro do buraco da memória de qualquer americano desempregado durante mais de um ano.

Em 2 de Outubro o estatístico John William do www.shadowstats.com informou que o Bureau of Labor Statistics havia anunciado uma revisão da sua estimativa preliminar do indicador anual do emprego em 2009. O BLS descobriu que o emprego em 2009 fora super-declarado em cerca de um 1 milhão de postos de trabalho. John Williams acredita que a diferença foi realmente de dois milhões de postos de trabalho. Ele informa que "o modelo nascimento-morte actualmente acrescenta [um ilusório] ganho líquido de cerca de 900 mil empregos por ano à informação sobre emprego".

O número de empregos nas folhas de pagamentos não agrícolas é sempre a manchete da informação. Contudo, Williams acredita que o inquérito às famílias de desempregados é estatisticamente mais correcto do que o inquérito às folhas de pagamento. O BLS nunca foi capaz de reconciliar a diferença nos números nos dois inquéritos ao emprego. Na sexta-feira passada, o número de empregos perdidos apresentado nas manchetes era de 263 mil para o mês de Setembro. Contudo, o número no inquérito às famílias era de 785 mil empregos perdidos no mês de Setembro.

A manchete da taxa de desemprego de 9,8% é uma medida reduzida ao essencial que em grande medida subdeclara o desemprego. As agências de informação do governo sabem disto e relatam outro número de desempregados, conhecido como U-6. Esta medida do desemprego nos EUA fixava-se nos 17% em Setembro de 2009.

Quando os trabalhadores desencorajados pelo desemprego a longo prazo são acrescentados outra vez ao total dos desempregados, a taxa de desemprego em Setembro de 2009 eleva-se a 21,4%.

O desemprego de cidadãos americanos poderia realmente ser ainda mais alto. Quando a Microsoft ou alguma outra firma substitui milhares de trabalhadores americanos por estrangeiros com vistos H-1B, a Microsoft não relata um declínio de empregados na folha de pagamento. No entanto, vários milhares de americanos ficam então sem empregos. Multiplique isto pelo número de firmas dos EUA que estão apoiar-se em companhias estrangeiras fornecedoras de mão-de-obra para tecnologia de informação ("body shops") para substituir a sua força de trabalho americana com trabalho barato estrangeiro ano após ano e o resultado são centenas de milhares de desempregados americanos não relatados.

Obviamente, com mais de um quinto da força de trabalho americana desempregada e os remanescentes enterrados em hipotecas e dívidas de cartões de crédito, a recuperação económica não está no quadro.

O que está acontecendo é que as centenas de milhares de milhões de dólares de dinheiro do TARP dado aos grandes bancos e os milhões de milhões (trillions) de dólares que foram acrescentados ao balanço da Reserva Federal foram despejados no mercado de acções, produzindo uma outra bolha, e na aquisição de bancos mais pequenos por bancos "demasiado grandes para falir". O resultado é mais concentração financeira.

A expansão da dívida subjacente a esta bolha corroeu novamente a credibilidade do dólar como divisa de reserva. Quando o dólar começar a ir, tomadores de decisão em pânico elevarão as taxas de juros a fim de proteger a capacidade de contração de empréstimos do Tesouro. Quando as taxas de juros ascendem, o que resta da economia dos EUA afundará.

Se o governo não pode contrair empréstimos, ele imprimirá dinheiro para pagar as suas contas. A hiper-inflação atingirá a população norteamericana. O desemprego maciço e a inflação maciça infligirão ao povo norteamericano uma miséria que nem mesmo Marx e Lênin poderiam conceber.

Enquanto isso, economistas da América continuam fingindo que estão lidando com uma recessão normal do pós-guerra que requer meramente uma expansão da moeda e do crédito a fim de restaurar o crescimento econômico. 07/Outubro/2009

[1] H-1B: categoria de visto para não imigrantes que permite ao patronato dos EUA procurar ajuda temporária de estrangeiros qualificados que tenham bacharelado.

[2] L-1: documento de visto para entrar nos EUA como não imigrante e válido por períodos de tempo de até três anos. São geralmente concedidos para empregados de companhias internacionais com escritórios nos EUA.

[*] Ex-secretário assistente do Tesouro na administração Reagan, co-autor de The Tyranny of Good Intentions. (PaulCraigRoberts@yahoo.com)

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/roberts10072009.html

Este artigo (em português) encontra-se em http://resistir.info/.
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