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segunda-feira, junho 23, 2008

NOVO FUSO HORÁRIO: NÃO HOUVE APOIO EXPLÍCITO DO GOVERNO DO ESTADO

Balanço final sugere que ônus de ir avante com a mudança ficou para a assessoria do Senador Tião Viana e empresários de sua base de apoio. Governo e políticos locais, com exceção do Deputado Moisés Diniz, se omitiram claramente

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

O Governo Binho Marques não apoiou a mudança do fuso horário acreano. Essa é a conclusão mais óbvia depois de meses de um debate acirrado durante o qual nenhuma nota oficial de apoio ao projeto de Tião Viana foi emitida para clarificar a posição da administração Estadual em relação à mudança.

O máximo que se viu na TV e na imprensa escrita local foram alguns secretários e outros servidores do primeiro escalão esclarecendo que a hora do início das aulas e do funcionamento das repartições públicas não seria alterada.

Dentre os políticos locais apenas o Deputado Moisés Diniz (PC do B) defendeu por algum tempo e de forma consistente a proposta de mudança. Entretanto, quando o debate se acirrou ele se eximiu da defesa aberta da mesma. Deve ter suas razões.

A maior prova do desinteresse do Governo do Estado com a mudança é a aparente situação de 'cada um que se vire' em que se transformou a adequação dos diversos setores da economia à mudança que acontece amanhã. Do contrário, a decisão sobre o novo horário de funcionamento dos bancos teria sido tomada há mais tempo e não repousaria unicamente nas mãos do sindicato dos bancários e seus patrões, que ainda vão se reunir para decidir o que vai ser melhor para os acreanos apenas no dia 10 de julho.

E olha que este era um dos maiores argumentos dos defensores da mudança pois, segundo eles, mudar o fuso horário do Acre seria fundamental para integrar financeiramente o Estado ao resto do país. O fuso horário vai mudar e o expediente bancário local continua com apenas 5 horas e se encerrará duas horas antes do resto do país. Quem pode entender uma coisa dessas?

Até a fraca e confusa campanha publicitária que precedeu a implementação da mudança (uma exigência legal, diga-se de passagem) não foi, como geralmente acontece em outros casos, 'adotada' pelas autoridades governamentais, que em ocasiões como essas sempre procuram tirar algum tipo de dividendo político. Especialmente quando a medida tem grande apelo popular.

Diante disso, o que se pode concluir?

Que a mudança parece ter tido um impacto muito negativo junto à população. De outra forma já teríamos testemunhado publicações incessantes nos diários locais mostrando o franco apoio da opinião pública à mudança.

Isso talvez justifique o fato de que durante o acirrado debate que precedeu a implementação da mudança, apenas o Senador, sua assessoria de imprensa e alguns empresários de sua base de apoio permaneceram na trincheira dos favoráveis à mudança. E nunca a assessoria do Senador teve tanto trabalho para mostrar à população as vantagens de um de seus projetos. Na verdade, ficaram na defensiva a maior parte do tempo.

Por alguns instantes ficou nítida a impressão de que, convencido da impopularidade da medida, o Senador Tião Viana quis 'deserdar o filho problemático'. E parece que isso só não aconteceu porque sua assessoria e alguns apoiadores locais extremamente leais a ele não deram o braço a torcer. Na prática, foram eles que assumiram o fardo.

E passaram por constrangimentos. Tudo porque tiveram que lidar com o fato do próprio Senador ter retirado, sem justificativa alguma, a proposta de consulta pública para decidir a mudança. Além disso, sem dados concretos e usando de argumentos no mínimo vagos, foram obrigados a assinar várias matérias publicadas nos diários locais. Do meio para o fim começaram a perder credibilidade porque os leitores passaram a vê-los como meros assessores de imprensa do Senador, e não repórteres dos diários onde as matérias eram publicadas.

Mesmo as matérias que não eram assinadas pelos assessores de imprensa do Senador, em muitos casos se resumiam a reciclar releases do seu gabinete. Quem leu, por exemplo, a matéria da repórter Val Sales publicada neste domingo no Página 20, vai ver que, afora as fotografias, ela difere pouca coisa de outra publicada no mesmo periódico no início de maio.

Entretanto, o fecho 'com chave de ouro' da missão assumida pela assessoria de imprensa do Senador e empresários de sua base de apoio foi uma matéria publicada neste domingo pelo jornal A Tribuna.

Com direito a chamada em primeira página, ela apresenta a opinião do marqueteiro Gilberto Braga (foto), dono da agência de propaganda Cia. de Selva, responsável pela conta publicitária da Prefeitura e do Governo do Estado. É emblemático que este empresário seja o responsável pela elaboração de toda a campanha publicitária relativa à implementação do novo fuso horário. Embora a matéria não seja assinada, não se sabe se o repórter que a redigiu agiu espontaneamente ou foi 'convocado' a elaborar a mesma.

O interessante da matéria é que ela mostra que a Cia. de Selva nunca prestou serviço tão completo como nesse caso da campanha de implantação do novo fuso horário. O dinheiro que a empresa ganhou foi mais que bem pago pois o dono da agência não apenas elaborou a campanha de marketing. Ele também fez, por meio de entrevistas e artigos que fez publicar na imprensa local, 'os esclarecimentos necessários' para que não restasse qualquer dúvida sobre a questão.

Ele fez o papel que geralmente as autoridades do executivo ou os políticos (ou seus assessores) fazem quando têm que assumir o bônus ou o "ônus" de explicar à população ações ou mudanças de grande interesse social. Digo isso porque na época em que o carnaval da gameleira foi transferido para a arena da floresta houve ampla campanha publicitária. Da mesma forma, muita gente criticou a mudança. Mas quem foi a público fazer a defesa e justificar a mudança foram as autoridades. O autor das peças publicitárias permaneceu anônimo.

Por esta razão, restando menos de um dia para a concretização da mudança do nosso fuso horário, um balanço final da jornada que levou à mesma sugere que o Governo e as bancadas de apoio, local e federal, se limitaram a observar tudo a uma distância segura. Como que enviando um claro sinal ao Senador Tião Viana e sua assessoria: "assumam a paternidade que o filho é de vocês!"
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