AMBIENTE ACREANO: DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE PALMEIRAS EM FRAGMENTOS DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL RAIMUNDO IRINEU SERRA, RIO BRANCO, AC.(1)
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segunda-feira, maio 17, 2010

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE PALMEIRAS EM FRAGMENTOS DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL RAIMUNDO IRINEU SERRA, RIO BRANCO, AC.(1)

Anelena Lima de Carvalho (2), Evandro José Linhares Ferreira (3, 4), Joanna Marie Tucker Lima (5)

Introdução

[Foto de uricuri Attalea phalerata, a espécie de palmeira mais abundante da APA Irineu Serra]

As palmeiras apresentam ampla distribuição nos trópicos e subtrópicos, onde são um dos mais abundantes e diversos grupos de plantas nas florestas úmidas Neotropicais. Exibem hábitos variados, desde estipes subterrâneos e de pequeno porte até formas arborescentes, sendo raramente trepadeiras, com ou sem espinhos. Em plantas, os indivíduos de uma espécie ou população podem se distribuir ao acaso em intervalos regulares ou formar agrupamentos localizados. Assim, no estudo do arranjo espacial de plantas em populações naturais é costumeiro distinguir três padrões básicos de distribuição: aleatório, agregado ou agrupado e regular ou uniforme. Isto se deve a causas intrínsecas, próprias de cada espécie, ou extrínsecas, influenciadas por fatores ambientais, ou a ambas. Existe uma generalização de que a maioria das espécies tropicais arborescentes ocorre, quando atinge a maturidade, em densidade muito baixa e com padrão espacial uniforme. Mesmo nos casos em que se apresentam agrupadas devido a dispersão das sementes, o agrupamento tende a decrescer em florestas maduras. No presente estudo, foi investigado o padrão de distribuição espacial das palmeiras em função do estádio de desenvolvimento das plantas em fragmentos de floresta primária e secundária.

Metodologia

O estudo foi realizado na Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra (APARIS), que possui área total de 843 hectares e está localizada em Rio Branco, Acre. A APARIS apresenta apenas 30% de sua área coberta por vegetação florestal, em grande parte florestas secundárias em diferentes estádios de recuperação e uma pequena mancha de floresta primária. Para este estudo foram selecionados três fragmentos de floresta secundária com idade média de 7,5, 27,5 e 37,5 anos, e um fragmento de floresta primária. Em cada fragmento foram instaladas, de forma sistemática, cinco parcelas de 20 x 20 m (400 m²), distribuídas alternadamente ao longo de um transecto de 100 m. Todas as palmeiras foram contabilizadas e identificadas. Elas foram divididas em duas classes: jovens, que inclui plântulas e indivíduos imaturos, e adultos em estádio reprodutivo. Os jovens foram divididos em 3 classes de tamanho e os adultos em 2 classes. A análise da distribuição espacial foi determinada mediante a aplicação do índice de Payandeh (Pi), onde Pi<1 5 =" tendência">1,5 = distribuição agregada ou agrupada. Os dados foram tabulados em Microsoft Office Excel 2007 e analisados no programa Mata Nativa 2.0.

Resultados

[Tabela 1 - Índice de agregação das palmeiras jovens da Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra, Rio Branco – AC]

Foram identificados 1.034 indivíduos, classificados em 19 espécies e 12 gêneros. Uma análise das espécies mais representativas nas áreas demonstrou o seguinte resultado: a espécie uricuri Attalea phalerata apresentou distribuição agrupada quando jovem em todas as áreas estudadas e os adultos apresentaram tendência ao agrupamento nas áreas de floresta secundárias e distribuição não agrupada na área de floresta primária.

[Tabela 2 - Índice de agregação das palmeiras adultas da Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra, Rio Branco – AC]

Murmuru Astrocaryum ulei apresentou distribuição do tipo agrupada quando jovem em todas as áreas enquanto os adultos apresentaram distribuição não agrupada nas áreas de floresta secundária. Bacaba Oenocarpus mapora apresentou distribuição não agrupada quando jovem na área de floresta secundária e agrupada na área de floresta primária, os adultos apresentaram distribuição não agrupada na área de floresta secundária. Açai Euterpe precatoria apresentou distribuição agrupada quando jovem e não agrupado quando adulto na área de floresta primária. A espécie paxiubinha Socratea exorrhiza apresentou distribuição do tipo não agrupada na área de floresta primária. As espécies do gênero Bactris apresentaram distribuição não agrupada quando jovem em todas as áreas, e os adultos apresentaram distribuição não agrupada na área de floresta secundária.

Conclusão

O padrão de distribuição espacial da maioria das espécies de palmeiras da APARIS variou com o estádio de desenvolvimento das plantas e o estádio sucessional da área. Foi verificado que a alta concentração de indivíduos nos estádios iniciais de desenvolvimento registrado neste estudo ocorre na área de influência direta das prováveis plantas parentais, sugerindo que a forma predominante de dispersão natural das sementes das espécies estudadas tem sido a gravidade. Esse fato pode ser explicado pela aparente ausência da maioria dos dispersores naturais, como roedores, que são raros nos fragmentos florestais da APARIS. Existem vários métodos confiáveis para a determinação de estimativas de densidade populacional, e todos os correntemente utilizados apresentam algum inconveniente. No caso do índice de Payandeh é importante esclarecer que a determinação do grau de agregação das espécies se baseia na razão entre a variância e a média. Apesar dessa diversidade de métodos, o entendimento da distribuição espacial das espécies também depende do conhecimento da história natural das mesmas, de dados relacionados com a taxa de mortalidade e natalidade, bem como aqueles na escala de comunidade envolvendo interações com outras espécies e efeitos de condições ambientais.

Instituição de Fomento: ZEAS/Prefeitura Municipal de Rio Branco e Secretaria Municipal de Meio Ambiente/PMRB

(1) Trabalho originalmente apresentado durante a 61a. Reunião Anual da SBPC, realizada entre 12 e 17 de julho de 2009 em Manaus-AM.
(2) Mestre em Ciências de Florestas Tropicais (INPA)
(3) Núcleo de Pesquisas no Acre do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA
(4) Herbário do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre-UFAC
(5) University of Florida, School of Natural Resources and Environment, USA.
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