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sábado, fevereiro 05, 2011

A UM DOS MENINOS DO PT

"Não votei em ti para tu receberes uma pensão eterna porque você não é, diante de Deus, melhor do que ninguém para tanto. Sua condição de homem público neste país tão injusto não é outra: melhorar a vida das pessoas, não enriquecer a sua"

Aldo Nascimento*

Desde meus 16 anos, voto no Partido dos Trabalhadores, legenda que defendeu um dia ética na política. Minha filiação é antiga, mas confesso que nunca fui “carola petista”, participava sem intenção de ocupar espaços institucionais. Eu pertencia à ordem dos militantes anônimos.

Você, um dos quadros nacionais do PT; eu, nem a moldura. Se muito, um mero anônimo espectador à margem da galeria da história. Você, o protagonista.

Reconheço que, desde que os meninos do PT chegaram ao poder, Rio Branco e o estado do Acre conquistaram outros ares, outras paisagens, por isso, embora minha paciência de (e)leitor tenha chegado ao limite, é preciso haver equilíbrio entre o reconhecimento e a crítica.

Hoje, não sou petista, mas permaneço como homem de esquerda [termo em desuso], estou mais livre para criticar o narcisismo do Partido dos Trabalhadores, para discordar de sua propaganda oficial, para não admitir pensões de ex-governadores.

Pensões

Neste blogue, sempre critiquei a mordomia das pensões assegurada por aqueles que inventam suas próprias leis, legislam em causa própria. Houve um tempo em que o PT acriano discordava de tais pensões, mas, uma vez no poder, os meninos do PT não discordavam mais.

Certa vez, senador, quando o senhor esteve no jornal A Tribuna, eu lhe perguntei se seria justo um ex-governador receber pensão eterna. O senhor se justificou, mas nós sabemos que nada justifica esse acinte, esse vexame, esse insulto, essa afronta, nem mesmo a Constituição.

Pagarei a multa

Menino joga pedra em cachorro, puxa rabo do gato, mata passarinho com bodoque. Um evangélico petista afirmou certa vez que Deus escolheu Jorge Viana para libertar o povo acriano do mal.

Talvez, por causa disso, Jorge, o escolhido do Senhor, tenha cometido a travessura de alterar a lei na Assembleia Legislativa para receber uma pensão eterna como ex-governador, sem nunca ter dado a devida contribuição ao tesouro estadual.

No passado, não votei em teu nome para legitimar tuas mordomias como homem público. Meu voto jamais teve medíocre intenção. Não votei em teu nome para você se enriquecer com dinheiro público.

Não votei em ti para tu receberes uma pensão eterna porque você não é, diante de Deus, melhor do que ninguém para tanto. Sua condição de homem público neste país tão injusto não é outra: melhorar a vida das pessoas, não enriquecer a sua.

Você é apenas um mortal como tantos, um homem que morrerá como outros morrerão. É bem verdade que tua história estará nos livros ou tua imagem pendurada na parede do Palácio Rio Branco, e eu serei esquecido após a missa de 7º dia.

O futuro, entretanto, não saberá de ti daqui a 500, daqui a mil ou daqui a dois mil anos. Até você será esquecido, Jorge Viana, até você será devorado pelo deus Crono. Segundo as leis da física, as estrelas, depois de anãs brancas, também morrem.

Reconheço as transformações que teu governo proporcionou ao Acre, mas não posso fazer disso uma moeda de troca, a tua pensão eterna como ex-governador. Meu voto não é para aumentar tua conta bancária. Por isso, em futuras eleições, meu voto já se nega a aumentar patrimônio de homens públicos.

Nas próximas eleições, quando o PT colocar seus nomes na urna eletrônica, não sairei de casa para votar. Só irei à Justiça Eleitoral no dia seguinte para pagar a multa. Meu voto vale R$ 3,5, é pouco, mas o seu preço é mais digno que tua vergonhosa pensão.

*Editor do Blog 'Língua'
Publicado por Evandro Ferreira 0 comentários Digg! Link Permanente Envie este artigo para um amigo

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