AMBIENTE ACREANO: AGÊNCIA DE "NEGÓCIOS" DO ACRE E A SEPLANDS
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quinta-feira, janeiro 17, 2008

AGÊNCIA DE "NEGÓCIOS" DO ACRE E A SEPLANDS

Agora deu para entender porque a Agência de Negócios do Acre foi fechada

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Faz algum tempo que publicamos no blog um artigo sobre a exploração e o potencial das fibras da palmeira piaçava no vale do rio juruá. O objetivo era divulgar que naquela região tem um produto com potencial de mercado tão grande quanto a piaçava amazonense, explorada e comercializada na região do entorno de Barcelos.

Deu certo. Alguns dias atrás recebi um e-mail de um cidadão espanhol interessado em obter mais informações sobre o produto para, eventualmente, realizar aquisição das fibras. Informei a ele que conhecia algumas pessoas que poderiam ajudá-lo e que em breve responderia com nomes e respectivos contatos.

Meu plano era colocar o empresário em contato com a Agência de Negócios do Acre (ANAC), que tem como função básica a promoção de produtos acreanos. Agências como a ANAC existem em quase todos os lugares, especialmente em países exportadores como Taiwan e Coréia onde desempenham papel crucial para o sucesso desses países no mercado internacional.

Fiz o mais fácil. Busquei o telefone da agência acreana e liguei. Fui educadamente atendido pela telefonista que informou:

- Senhor, este telefone não é mais da ANAC. Ele pertence a SEPLANDS. Ocorre que o novo governador ainda não nomeou ninguem para a agência, mas o senhor pode falar com o Caio que agora é o responsável pelos assuntos relacionados com a ANAC.

Obviamente que a tradução da informação dada pela telefonista é a seguinte: a ANAC foi extinta.

Para não perder a "viagem" solicitei um número de contato para falar com o Sr. Caio. Ela passou um celular. Liguei e questionei se ele era mesmo o responsável sobre os assuntos da ANAC. Ele confirmou e diante do fato, solicitei "audiência" com o mesmo para explicar o assunto e passar a bola a quem, mais do que eu, deveria entender sobre promoção de produtos genuinamente acreanos.

O Sr. Caio marcou o encontro para as 15 horas. Aceitei a sugestão de horário contrariado pois a SEPLANDS fica no centro da cidade e eu trabalho no campus da UFAC. Como uso veículo próprio nestes deslocamentos, teria que "matar" o trabalho na parte inicial da tarde aguardando para falar com servidor da SEPLANDS.

Para adiantar o assunto, solicitei e-mail e enviei link para o artigo sobre piaçava e cópias das mensagens que troquei com o empresário espanhol interessado em comprar piaçava.

Pouco antes do horário combinado cheguei ao escritório do Sr. Caio na SEPLANDS. Fica na sala do BID (?!?!). O encontro foi incrívelmente improdutivo! Pura perda de tempo. Durou pouco mais de 5 minutos.

Resumindo o resumido encontro: aparentemente o Sr. Caio não tinha lido absolutamente nada do que eu havia encaminhado! Ele não tinha a menor idéia do que se tratava. Parceia que se referia ao assunto pela primeira vez.

E olha que logo depois que eu me apresentei ele disse que "já havia lido a matéria e a minha mensagem sobre o assunto". Mas ficou claro que ele estava "por fora" quando iniciou a conversa com a seguinte pergunta:

- Que dizer que o senhor quer importar piaçava?

Eu até tentei argumentar e explicar a situação. Mas no lugar de ouvir os argumentos na íntegra, ele "pegou um gancho" da minha explicação (quando ouviu a frase "produto da piaçava") e se apressou em dizer que eu deveria ir na SEAPROF pois lá ele "achava" que existia um setor responsável por esse tipo de produto.

Imaginem! Da SEPLANDS para a SEAPROF. De lá sabe-se deus para onde...Nesta altura da vida confesso que não tenho mais paciência para cair nestas armadilhas dos burocratas. Alterei o tom da voz (sempre que fico contrariado isso acontece...) e me retirei o mais rápido que pude, sem nem dar boa tarde. Perder tempo para que?

É sempre assim. Burocratas sempre tentam fazer o mais fácil e mandar o "problema" para bem longe deles. E olha que eu não levei um problema. Mas uma oportunidade potencial de promover um produto extrativista acreano.

Deixei para lá esta idéia de ANAC, Governo, Sr. Caio e SEPLANDS. Não tem futuro. Fui direto na fábrica de vassouras Imperador e coloquei o proprietário da mesma em contato com os espanhóis. Espero que eles possam se entender e gerar negócios para gerar renda e emprego no Acre.

Da visita à SEPLANDS só lamento os R$ 2 de estacionamento que tive que pagar.

Depois disso entendi porque a ANAC foi fechada. Quem precisa dela? Aliás, quem tem tempo para seguir "as orientações" de burocratas que não demonstram o mínimo interesse em promover os produtos acreanos?

Certo fez o governador Binho de repassar o dinheiro que seria enterrado na ANAC para o SEBRAE. Quem sabe agora as coisas vão funcionar melhor.
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