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segunda-feira, julho 28, 2008

MATERNIDADES DE RIO BRANCO SEM PESSOAL QUALIFICADO

Estudo revela que apenas 28% dos profissionais de enfermagem estão qualificados, segundo critérios da Organização Mundial de Saúde, para atuar nas maternidades de Rio Branco

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Um estudo publicado na edição 42 da Revista da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, que circulou em junho, revela que apenas 28% dos integrantes das equipes de enfermagem que atendem nas duas principais maternidades de Rio Branco são considerados qualificados, conforme os critérios e requisitos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde e pela Confederação Internacional das Parteiras, para atuar em mulheres durante o processo do parto e nascimento.

Para fazer a pesquisa, as responsáveis pelo estudo, Leila Maria Geromel Dotto, Professora da Universidade Federal do Acre, e Marli Vilela Mamede, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, realizaram entrevistas com 30 profissionais de enfermagem que atuam nas duas maternidades.

Uma das maternidades pertence à Secretaria Estadual de Saúde e atende exclusivamente a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Possui 69 leitos e duas salas de parto que funcionam também como sala de exames e de admissão para as gestantes. O quadro de pessoal conta com 144 profissionais de enferemagem (31 enfermeiras, sendo 22 delas enfermeiras obstétricas, 107 auxiliares de enfermagem e seis técnicos de enfermagem), 20 médicos obstetras, três médicos residentes em obstetrícia e nove pediatras. Esta instituição é referência no Acre para gestação de alto risco. Ela realiza anualmente cerca de 2.800 partos, dos quais cerca de 62% são normais.

A outra maternidade pertence a um hospital filantrópico e atende clientela do SUS, convênios e particulares. Possui 158 leitos (32 são leitos obstétricos) e no centro obstétrico existem duas salas de parto e nove leitos no pré-parto. Ela possui em seu quadro de pessoal 169 profissionais de enfermagem (24 enfermeiras, 62 técnicos em enfermagem e 83 auxiliares de enfermagem) e nove obstetras que realizam plantão de 24 horas, no centro obstétrico. Anualmente são realizados cerca de 5.400 partos, dos quais pouco mais de 65% são normais.

Os resultados do estudo mostraram que, dos 25 profissionais de enfermagem que realizam parto normal (83,3% dos pesquisadors), a grande maioria (72%) recebeu treinamento por meio de educação informal, isto é, acompanhando e sendo acompanhados por outro profissional durante a jornada de trabalho. Em muitos desses casos, o "treinamento" durou apenas 10 dias.

Um aspecto preocupante revelado pela pesquisa foi que entre as profissionais incluídas no estudo consideradas aptas para realizar o parto apenas 68% realizavam rotineiramente o trabalho. As demais tinham outras atribuições e somente realizavam partos em situações de grande demanda ou quando a parturiente chegava à maternidade em período expulsivo e os outros profissionais responsáveis pela realizar do parto (enfermeiras obstétricas e médicos) estavam ocupados com outros procedimentos ou partos.

Parte do problema da falta de pessoal qualificado nas maternidades pesquisadas decorre do fato histórico de que no Acre faltam profissionais da área de saúde, principalmente, com formação especializada. Em 2004, o número de profissionais de saúde por 1.000 habitantes no Brasil era de 1,42 para médicos, 0,55 para enfermeiros, 0,86 para técnicos de enfermagem e 2,52 para auxiliares de enfermagem. No Acre estes indicadores são: 0,72 médico, 0,64 enfermeiro, 0,22 técnico de enfermagem e 1,9 auxiliar de enfermagem por 1.000 habitantes.

Os autores concluem seu estudo indicando a necessidade de continuidade no processo de formação e qualificação de enfermeiras obstétricas para o parto e nascimento, assim como o estímulo à inserção das egressas desses cursos nas instituições e serviços de atenção à saúde materna.

Clique aqui para ler a íntegra do artigo no Blog Biodiversidade Acreana.
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