AMBIENTE ACREANO: ALTA TAXA DE CRIANÇAS QUE NASCEM ABAIXO DO PESO EM CRUZEIRO DO SUL
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sexta-feira, setembro 11, 2009

ALTA TAXA DE CRIANÇAS QUE NASCEM ABAIXO DO PESO EM CRUZEIRO DO SUL

Na cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre, a proporção de crianças que apresentam baixo peso ao nascer (inferior a 2,5 quilos) é de 9,13%, porcentagem considerada alta quando comparada a de países desenvolvidos (4% a 6%). Segundo o estudo, crianças não-brancas e poucas consultas no pré-natal estão associadas ao baixo peso

Agência USP de Notícias

As informações são da pesquisa realizada pela enfermeira e professora universitária Raquel da Rocha Paiva Maia, a partir da análise dos dados de 3.220 declarações de nascidos vivos referentes aos partos de mães residentes naquele município nos anos de 2006 e 2007. A cidade, que fica 710 quilômetros a oeste de Rio Branco, tem cerca de 74 mil habitantes e é a segunda maior do estado.

Segundo o estudo, os fatores associados ao baixo peso ao nascer são: a prematuridade; o fato de ser uma criança não-branca, nascer no próprio domicílio; ser um bebê do sexo feminino; ser mãe adolescente, ser mãe solteira, não trabalhar; e um baixo número de consultas no pré-natal.

Raquel é autora da pesquisa de mestrado Fatores associados ao baixo peso ao nascer no Município de Cruzeiro do Sul, Acre apresentada no ultimo dia 30 de julho na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Trata-se do primeiro trabalho do “Programa Minter/Dinter”, um convênio entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e a FSP, com financiamento do Ministério da Saúde (MS). O orientador do trabalho foi o professor José Maria Pacheco Souza, do departamento de Epidemiologia da FSP.

De acordo com a pesquisadora, algumas das ações necessárias para que haja uma mudança no quadro encontrado na cidade são: a ampliação da assistência pré-natal, com seis consultas, no mínimo, durante a gestação; a implantação de ações de educação em saúde, entre elas a orientação sexual; e o planejamento familiar, com orientações sobre métodos contraceptivos, além do aumento do número de unidades básicas de saúde (UBS) que prestam assistência às mulheres na zona rural.

“Cruzeiro do Sul tem no total 19 UBS, sendo que 4 estão localizadas em áreas rurais, mas existe a necessidade de ampliar este número”, aponta Raquel, que é docente do curso de Enfermagem da UFAC. De acordo com a pesquisadora, não se podendo prevenir o baixo peso ao nascer, a criança deveria ter acesso a um acompanhamento mais intenso.

“Vários estudos já comprovaram que a mortalidade infantil é maior em crianças que nascem com baixo peso ao nascer. Na idade pré-escolar, elas são mais sucetíveis a problemas de déficit de atenção, desnutrição, etc. E na vida adulta, há maiores riscos de adoecer e morrer prematuramente de doença cardiovascular, hipertensão e diabetes”, afirma. Raquel lembra que além de todas essas repercussões, o custo ligado ao tratamento das complicações decorrentes do baixo peso ao nascer, tanto para a família como para o governo, são altas.

Declaração

A declaração de nascido vivo é um documento implementado pelo Ministério da Saúde (MS) que deve ser preenchido no momento do nascimento da criança por pessoas presentes na sala de parto ou, em caso de parto domiciliar, quem preenche é uma pessoa treinada para tal, no cartório, durante o registro da criança. O documento, após o preenchimento, é enviado para órgãos do governo municipal ou estadual para tabulação e inserção dos dados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) do MS.

A pesquisadora utilizou alguns dados de interesse constantes na declaração, referentes à mãe (idade, estado civil, escolaridade, ocupação, se mora na zona urbana ou rural, número de partos anteriores); à gestação (duração, número de consultas do pré-natal), ao parto (vaginal ou cesárea) e ao recém-nascido (sexo, raça e peso ao nascer).

“A cidade de Cruzeiro do Sul vem apresentando nos últimos anos uma elevação na proporção de BPN. Em 1995, o município apresentou uma porcentagem de 6,9% subindo para 8,5%, em 2005. No entanto, esses dados precisam ser avaliados com cuidado, considerando que o nível de preenchimento e captação de dados do SINASC, no município, pode ter mudado no decorrer desse período”, pondera Raquel.

Entre os fatores associados ao baixo peso, do total de mães, a pesquisadora constatou que 85,53% eram solteiras. “Entretanto vale lembrar que muitos casais que moram juntos acabam selecionando a opção “mãe solteira” na declaração de nascido vivo pois não existe no formulário a opção “união estável” ou algo do gênero”.

Minter/Dinter

O “Programa Minter/Dinter” (mestrado e doutorado interinstitucional) tem o objetivo de formar mestres e doutores sem que os mesmos permaneçam afastados da UFAC, fixando pesquisadores no próprio estado, o que reverte para pesquisas que possam contribuir com a realidade local. O Programa começou em 2007 e, atualmente, possui vinte e quatro alunos (16 mestrandos e 8 doutorandos, 2 formados) e tem previsão de término para 2011.

O Programa é coordenado pelos professore da FSP Néia Schor, do Departamento de Saúde Materno-Infantil, e Delsio Natal, do Departamento de Epidemiologia; além do professor Pascoal Torres Muniz, vice-reitor da UFAC.

Com informações da Assessoria de Comunicação da FSP
Publicado por Evandro Ferreira 0 comentários Digg! Link Permanente Envie este artigo para um amigo

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