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sábado, julho 31, 2010

AGROPECUÁRIA E O EFEITO ESTUFA

De 2006 a 2050, práticas agropecuárias poderão lançar, só no estado do Mato Grosso, entre 3 e 15,9 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera. A estimativa é de estudo que defende modelos de conservação para mudar o quadro

Agropecuária do bem ou do mal?
Por: Larissa Rangel

[Área desmatada para agricultura no Mato Grosso: só no estado, as atividades agropecuárias associadas ao desmatamento podem lançar até 15 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera até 2050 (foto: Leonardo F. Freitas – CC BY-NC-SA 2.0)]

Área desmatada para agricultura no Mato Grosso: só no estado, as atividades agropecuárias associadas ao desmatamento podem lançar até 15 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera até 2050 (foto: Leonardo F. Freitas – CC BY-NC-SA 2.0).

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Brown e do Centro de Ecossistemas, nos Estados Unidos, analisaram diferentes modelos de uso de solo na agricultura e pecuária e garantem que as práticas atuais podem gerar profundos impactos ambientais.

O artigo, publicado nesta semana no periódico PNAS, mostra que, até 2050, o equivalente a 15,9 bilhões de toneladas de gás carbônico pode ser lançado na atmosfera por causa das queimadas e pecuária extensiva praticadas em partes do Norte e do Centro-oeste do país.

A Amazônia é conhecida por sua importância nos ciclos do carbono e das águas. Mas vem sendo cada vez mais ameaçada pelo avanço agrícola na região. “O estudo procurou mapear principalmente os estados de Rondônia e Mato Grosso, que respondem por 50% do desmatamento amazônico”, explica o agrônomo Carlos Eduardo Cerri, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, um dos autores do estudo.
75% do gás carbônico que o país emite são derivados do desmatamento e de práticas agrícolas

Segundo a pesquisa, atividades agropecuárias baseadas no desmatamento são as principais fontes de emissão dos gases de efeito estufa.

Aproximadamente 75% do gás carbônico que o país emite são derivados do desmatamento e de práticas agrícolas: além das emissões causadas pela derrubada de florestas, a forma como a terra vai ser usada depois contribui para parcela substancial de lançamento de gases. Apenas 25% são derivados da queima de combustíveis fosseis.

A conta do carbono

[Desmatamento florestal para pastagem gado em área da Amazônia no Pará (foto: Leonardo F. Freitas – CC BY-NC-SA 2.0)]

Por ser o gás de efeito-estufa mais abundante na atmosfera, o CO2 se tornou referência no cálculo de emissão de gases e do potencial de aquecimento global, que mede o quão potente um gás é para aquecer a terra, expressas em unidades de CO2 equivalente. O metano tem potencial de aquecimento global 25, ou seja, é 25 vezes mais potente para aquecer a terra que o CO2. E o óxido nitroso, 298 vezes mais potente.
"Alternativas agropecuárias podem ajudar a reduzir a emissão dos gases"

Na pecuária, o metano é emitido pela fermentação intestinal de ruminantes. Já o óxido nitroso é lançado quando se adiciona adubo nitrogenado ao solo.

“Embora os dados sejam alarmantes, é importante ter em mente que determinadas alternativas agropecuárias podem ajudar a reduzir a emissão desses gases”, esclarece Cerri.

Desmatamento para gado
Desmatamento florestal para pastagem gado em área da Amazônia no Pará (foto: Leonardo F. Freitas – CC BY-NC-SA 2.0).

Cenário atual versus ideal

Os pesquisadores analisaram as consequências de dois cenários possíveis: o de manejo da terra convencional e o de manejo controlado e conservacionista. Para chegar aos resultados, foram usados aparelhos de sensoriamento remoto (via satélite) e programas de simulação, e coletados dados em trabalhos de campo – feitos em diferentes regiões do Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rondônia, no chamado ‘arco do desmatamento’.
O artigo propõe técnicas de plantio direto, onde o solo é pouco perturbado e há rotação de culturas

O modelo agrícola atual é baseado no manejo convencional da terra, cujas técnicas incluem o uso intenso do arado e da grade em máquinas, que causam maior perturbação ao solo.

Para Cerri, o modelo é inadequado para o Brasil, tendo sido herdado da Europa e não pensado para um clima tropical. “Há um excesso de preparo do solo”, afirma ele, explicando que isso leva matéria orgânica fresca à superfície, e sua decomposição por microrganismos do solo causa mais emissões. O método ideal visaria à menor perturbação possível.

Como solução para a agricultura, o artigo propõe técnicas de plantio direto, onde pequenos sulcos são abertos para depositar as sementes. A palha e restos vegetais não aproveitados na colheita são mantidos na superfície do solo, que permanece pouco perturbado.

No caso da plantação de milho, por exemplo, a palha que fica após o cultivo se transforma em húmus. Outro passo do plantio direto é a rotação de culturas, já que o monocultivo restringe a vida do solo.

Para a pecuária, a alternativa é reduzir a prática de pecuária extensiva, em que os gados pastam por mais tempo e emitem mais metano. A saída seria melhorar a qualidade das pastagens, permitindo que o gado engorde em um tempo menor, o que traz benefícios tanto para o produtor quanto para o consumidor.
“A grande dificuldade é que faltam incentivos para a implantação de novos modelos para a agricultura e pecuária no nosso país”

Com as pastagens recuperadas, a gramínea que cresce extrai mais CO2 da atmosfera. “Uma pastagem bem manejada pode mudar de uma área emissora para uma sequestradora de gás carbônico”, garante o agrônomo.

O estudo mostra como os impactos ambientais gerados pelas atuais práticas agrícolas podem afetar o próprio setor agropecuário.

As mudanças nos padrões de chuva e nas temperaturas se refletirão no crescimento dos sistemas biológicos, alterando o ciclo produtivo. “A grande dificuldade é que faltam incentivos para a implantação de novos modelos para a agricultura e pecuária no nosso país”, lamenta Cerri.
Publicado por Evandro Ferreira 0 comentários Digg! Link Permanente Envie este artigo para um amigo

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