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quarta-feira, outubro 07, 2009

NÍVEL ESCOLAR INFLUI NO APRENDIZADO DE TAREFAS EM IDOSOS

Por Antonio Carlos Quinto - acquinto@usp.br
Agência USP de Notícias

[A Escolaridade influi no aprendizado e reprodução de novas tarefas]

A capacidade de pessoas idosas reproduzir movimentos sequenciais — prática aplicada em tratamentos fisioterápicos — pode estar intimamente ligada ao nível de escolaridade. Os resultados são de uma pesquisa realizada no Laboratório de Aprendizagem Motora da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) com pessoas acima dos 60 anos (homens e mulheres) e alfabetizadas. Voluntários com melhor nível escolar conseguiram melhor desempenho nos testes. “O que variou foi o grau de escolaridade dos voluntários”, diz a professora Maria Elisa Pimentel Piemonte, da Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Fofito) da FMUSP. “O estudo evidencia que as habilidades desenvolvidas na ‘escola da vida’, não substituem as habilidades mentais treinadas na escola formal, levando a deficiências de aprendizagem mesmo de tarefas simples como as motoras, que perduram até o final da vida”, afirma.

Maria Elisa orientou a dissertação de mestrado Aprendizagem de movimentos sequenciais de dedos em idosos saudáveis: efeitos da escolaridade, da fisioterapeuta Erica Tardelli das Neves. Para o estudo foram selecionadas pessoas de um centro de convivência da Prefeitura de São Paulo, no bairro de Santo Amaro. “Os voluntários foram divididos em dois grupos, um considerado de baixa escolaridade, com 1 a 4 anos de estudo, e outro que consideramos de alta escolaridade, com 8 anos ou mais de estudos. No primeiro grupo, a idade média foi de 66 anos e 5 meses. No segundo, 68,3 anos e 6 meses”, descreve Erica. Um dos principais critérios para a realização dos testes foi a homogeneidade entre os voluntários. “Antes da aplicação dos testes, todos foram submetidos a um miniexame para verificar o estado mental e se não possuíam qualquer tipo de deficiência cognitiva”, lembra a professora Maria Elisa.

Memorização

Na primeira parte do trabalho, os voluntários foram orientados a memorizar uma sequência determinada de movimentos com os dedos de umas das mãos. “Já nesta primeira etapa, os que tinham menor escolaridade apresentaram mais dificuldades”, conta Maria Elisa. Numa segunda etapa, aconteceu o que a pesquisadora chamou de familiarização das tarefas a serem realizadas. As etapas fizeram parte da avaliação realizada antes do treinamento propriamente dito. Nos treinamentos foram cerca de 4.800 movimentos, realizados em 8 sessões, realizadas durante 4 semanas. “O grupo de baixa escolaridade foi mais lento durante todo o experimento”, conta a professora, “embora os dois grupos apresentaram melhora no desempenho.”

[Voluntários tiveram de memorizar e repetir sequências de movimento (*)]

Na aferição das sequências corretas, o grupo de alta escolaridade apresentou uma melhora progressiva do desempenho ao longo das sessões de treino, enquanto o outro apresentou melhora apenas até a quarta sessão. “A partir daí não houve mais nenhuma evolução. Percebemos que foi atingido um patamar, um limite comparativamente inferior ao desempenho inicial do grupo de alta escolaridade”, diz a professora.

Resultados semelhantes foram verificados em relação aos erros nas sequências. As pesquisadoras avaliaram que no grupo de alta escolaridade houve média de erro de 1%. “Com o aumento da velocidade na realização das sequências de movimentos houve diminuição nas chances de erro entre essas pessoas”, conta Maria Elisa. Já no outro grupo, os de baixa escolaridade, quanto mais se aumentou a velocidade mais eles ficaram suscetíveis a erros.” Assim, ao contrario do esperado, com o treino esse grupo, apesar de aumentar a velocidade dos movimentos, apresentou uma piora da eficiência.

Para as pesquisadoras, o estudo evidencia que a falta dos anos de escolaridade pode ter trazido prejuízos para estas pessoas em algumas funções cerebrais comuns a várias tarefas. “Ainda devem ser realizadas outras pesquisas para que novas estratégias sejam definidas em tratamentos fisioterápicos para beneficiar pessoas de baixa escolaridade”, afirma a professora. Ela não considera que uma diferenciação no tratamento seria uma atitude discriminatória, mas sim necessária. “Podemos concluir que para minimizar as deficiências decorrentes da baixa escolaridade as estratégias de treinamento devam ser diferenciadas”, aconselha.

(*) Imagem cedida pela pesquisadora
Publicado por Evandro Ferreira 1 comentários Digg! Link Permanente Envie este artigo para um amigo

1 Comments:

Blogger Isaac Melo said...

Caro Evandro,
o conteúdo de seu blog é de uma riqueza enorme.
Quanta coisa tenho aprendido. Falta é tempo para ler tudo isso.

Um forte abraço!

09:41  

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