AMBIENTE ACREANO: COMUNIDADES DE PALMEIRAS DA APA IRINEU SERRA EM RIO BRANCO (*) (**)
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quarta-feira, abril 14, 2010

COMUNIDADES DE PALMEIRAS DA APA IRINEU SERRA EM RIO BRANCO (*) (**)

Anelena Lima de Carvalho (1, 4), Evandro José Linhares Ferreira (2, 4) e Joanna Marie Tucker Lima (3, 4)

Introdução

A Amazônia abriga aproximadamente 50% dos gêneros e 30% das espécies de palmeiras Neotropicais (Arecaceae), consideradas como um dos recursos vegetais mais úteis para o homem.

Embora as pesquisas sobre Arecaceae tenham avançado nas últimas décadas, nos estudos fitossociológicos realizados atualmente na Amazônia os critérios de inclusão utilizados na amostragem dos indivíduos quase sempre excluem as palmeiras.

Quando estas são incluídas, poucas espécies são mencionadas em função do DAP mínimo e devido a isso os dados disponíveis sobre a composição florística e dinâmica da família ainda são muito escassos.

Estudos sobre a distribuição e estrutura das espécies florestais tem focado, na maioria das vezes, nas espécies arbóreas e/ou arbustivas. Tais estudos contribuem para caracterizar a vegetação como um todo e através destas análises podem ser obtidos, como principais resultados, o conhecimento da composição das espécies, organização, ecologia e classificação das comunidades.

O presente trabalho teve como objetivo descrever a estrutura populacional da comunidade de palmeiras de uma área de proteção ambiental formada por fragmentos florestais secundários e uma pequena mancha de floresta primária, visando um maior conhecimento sobre alguns aspectos relacionados à ecologia destas plantas.

Metodologia

O estudo foi realizado na Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra (APARIS), que possui 843 hectares e fica localizada em Rio Branco, Acre. Originalmente, a vegetação da APARIS era do tipo Floresta Ombrófila Aberta com Bambu e Palmeiras no sub-bosque.

Para este estudo, selecionaram-se três fragmentos de floresta secundária em diferentes estádios sucessionais e idade média de 7,5, 27,5 e 37,5 anos, e um fragmento de floresta primária. Em cada fragmento foram instaladas, de forma sistemática, cinco parcelas de 20 x 20 m (400 m²), distribuídas alternadamente ao longo de um transecto de 100 m.

Todas as plântulas e indivíduos adultos de palmeiras foram contabilizados e identificados.

Os parâmetros fitossociológicos calculados foram Densidade Relativa (DR) e Freqüência Relativa (FR). As palmeiras estudadas foram divididas em cinco classes segundo o tamanho e características vegetativo-reprodutivas, a saber: classe 1: indivíduos até 0,5 m de altura; classe 2: indivíduos com 0,5-1 m altura, sem estipe aparente; classe 3: indivíduos com mais de 1m de altura, sem estipe aparente; classe 4: indivíduos com estipe aparente, não reprodutivos, e classe 5: indivíduos em estádio reprodutivo.

Os dados foram tabulados em Microsoft Office Excel 2007 e analisados no programa Mata Nativa 2.0.

Resultados

[Figura 1. Estrutura populacional das comunidades de palmeiras caulescentes amostradas APARIS]

Foram amostrados 1.034 indivíduos, pertencentes a 12 gêneros e 19 espécies de palmeiras.


A espécie Attalea phalerata apresentou a maior densidade e freqüência relativa, tendo sido encontrados 845 indivíduos, que correspondem a 81,72% do total de indivíduos amostrados.

Uma classificação de todos os indivíduos de palmeiras amostrados nos quatro fragmentos estudados resultou na seguinte distribuição, por classe de tamanho: 34,27% estão incluídos na classe 1; 20,67% na classe 2; 37,10% classe 3; 4,13% classe 4; e apenas 3,80% são da classe 5.

[Figura 2. Estrutura populacional das comunidades de palmeiras caulescentes amostradas na APARIS]

No fragmento de floresta secundária com idade média de 7,5 anos, 56,32% do total de indivíduos caulescentes pertencem a 1ª classe, ou seja, mais da metade dos indivíduos eram plântulas. Nos fragmentos com idades médias de 27,5 anos e de 37,5 anos, o maior percentual de indivíduos acaulescentes e caulescentes amostrados integrava a 3ª classe de tamanho. Na área de floresta primária, as espécies acaulescentes representaram 66,66% dos indivíduos da 5ª classe, não sendo registradas plantas desse tipo na 1ª e 3ª classe de tamanho. Dentre as espécies caulescentes, 45,74% dos indivíduos amostrados faziam parte da 2ª classe de tamanho. Não foram encontrados indivíduos na 5 ª classe, ou seja, os indivíduos adultos em estágio reprodutivo estavam ausentes.

Conclusões

[Tabela 1. Parâmetros fitossociológicos das espécies de palmeiras encontradas nos fragmentos de floresta secundária e primária da APARIS. DR = Densidade relativa (%);FR = freqüência relativa (%)]

Em áreas fragmentadas como a APARIS, espécies como Attalea phalerata, que possuem sementes mecanicamente mais resistentes, são beneficiadas com o desaparecimento de seus predadores especializados (roedores).

Além disso, seu estipe geralmente é recoberto por bainhas foliares persistentes que funcionam como isolante das altas temperaturas em caso de fogo, e sua gema apical também está bem protegida por bainhas foliares de folhas vivas. Isto geralmente leva a uma situação de alta taxa de recrutamento de plântulas e dominância da espécie.

A estrutura populacional em todos os fragmentos apresentou-se deficiente, com um número reduzido de plântulas e adultos reprodutivos para maioria das espécies avaliadas, indicando que a sobrevivência de grande parte delas se encontra ameaçada.

O número baixo das plântulas de palmeiras pode ser influenciado pela falta de indivíduos reprodutivos e pelo isolamento dos fragmentos das áreas mais velhas, que poderiam servir como fontes de semente. Outros eventos atípicos, como queimadas acidentais, podem estar eliminando as plântulas do local.

Instituição de fomento: ZEAS/Prefeitura Municipal de Rio Branco-PMRB e Secretaria Municipal de Meio Ambiente/PMRB.

(*) Título original do trabalho: 'ESTRUTURA POPULACIONAL DA COMUNIDADE DE PALMEIRAS (ARECACEAE) DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL RAIMUNDO IRINEU SERRA, RIO BRANCO, ACRE, BRASIL'
(**) Trabalho originalmente apresentado durante a 61a. Reunião Anual da SBPC, realizada em julho de 2009 na cidade de Manaus-AM.

(1) Mestre em Ciências de Florestas Tropicais, INPA/Fundação SOS Amazônia
(2) Pesquisado do Núcleo de Pesquisas no Acre do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA
(3) Doutoranda, University of Florida, School of Natural Resources and Environment, USA
(4) Herbário do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre-UFAC
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