AMBIENTE ACREANO: XVI OFICINA DE AGENTES AGROFLORESTAIS INDÍGENAS DO ACRE
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quinta-feira, julho 15, 2010

XVI OFICINA DE AGENTES AGROFLORESTAIS INDÍGENAS DO ACRE

“Cada um fazia o seu trabalho sozinho, sem se preocupar com a comunidade, mas os sistemas agroflorestais que aprendemos no curso da CPI, está ajudando a reaprender o conhecimento de fazer manejo com preservação dos recursos naturais e a trabalhar no coletivo” [Tuin Kaxinawá, Agente Agroflorestal Indígena da Terra Indígena Humaitá, em Tarauacá-Acre]

Lígia Kloster Apel*
Começou no último dia 12 de julho e se estende até o dia 10 de agosto, o XVI Curso de Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre – AAFIs, promovido pela Comissão Pró-índio do Acre, no Centro de Formação Povos da Floresta em Rio Branco. Dos 126 AAFIs que participam do formação, 30 estão concluindo, com este curso, o ensino médio profissionalizante. Ele é, para estes indígenas, a última etapa de formação nesta área que faz parte da trajetória de apoio às nações indígenas acreanas que a CPI/AC vem desenvolvendo ao longo da sua história.

Com uma linha de formação que tem como princípio a autoria e participação indígena, a CPI/AC organizou seus cursos com a especificidade própria do seu público: uma formação continuada para a vida indígena que prima pela organização e coordenação da Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena, pelo planejamento participativo do uso dos recursos naturais com repovoamento de espécies aquáticas e florestais, pela implementação de sistemas agroflorestais e agroecologia, recuperando sementes e fortalecendo o plantio de árvores frutíferas, pelo aproveitamento de madeira caída dos roçados para produção de artefatos e esculturas focalizadas na mitologia indígena, entre outras ações de sustentabilidade socioambiental. Esses e outros aprendizados são construídos a partir da realidade da comunidade indígena e com o olhar que o próprio índio tem do seu contexto, das suas necessidades e da sua história.

Nesta perspectiva, o ensino Médio Profissionalizante dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre, que tem uma carga horária de 2.680 horas/aula, prevê em seu currículo, disciplinas de conhecimentos básicos como língua indígena, língua portuguesa, matemática e geografia com ênfase em cartografia; e disciplinas profissionalizantes como os Sistemas Agroflorestais, geologia indígena e artes e ofícios, entre outras. Está organizado com aulas teóricas, presenciais no Centro de Formação Povos da Floresta da CPI/AC, aulas teóricas e práticas presencias nas Terras Indígenas com assessores da CPI/AC e aulas práticas, chamadas de formação a distância, que se traduzem na aplicação do aprendizado em sua comunidade mensurado e avaliado através de produtos como Diário de Trabalho e relatórios dos Sistemas Agroflorestais implementados e da vigilância e fiscalização realizadas em conjunto com a comunidade.

Para o Agente Agroflorestal Indígena Antonio Ferreira, o Tuin Kaxinawá, da Aldeia Novo Futuro, Terra Indígena Humaitá, em Tarauacá, esse aprendizado vem resgatar o jeito de plantar e cultivar sem destruir e, também, o jeito coletivo de se trabalhar. “Cada um fazia o seu trabalho sozinho, sem se preocupar com a comunidade, mas os sistemas agroflorestais que aprendemos no curso da CPI, está ajudando a reaprender o conhecimento de fazer manejo com preservação dos recursos naturais e a trabalhar no coletivo”. Para Nilson, só o trabalho coletivo, quando todos aceitam os conhecimentos, vai dar sustentabilidade para as aldeias e garantir o sucesso da Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas.

Em dezembro de 2009, a Comissão Pró-Índio do Acre obteve a aprovação da sua proposta curricular para a Formação Profissional e Técnica de Agentes Agroflorestais Indígenas. “Essa aprovação reforça o trabalho dos AAFIs, que é muito importante porque eles são responsáveis pela proteção da floresta, das águas,pelo manejo dos recursos naturais e da biodiversidade. Com o trabalho deles, todos nós somos beneficiados, porque afinal, é dessa proteção que depende a preservação do planeta”. Afirma Vera Olinda, diretora do Centro de Formação Povos da Floresta, da CPI/AC.

* Assessoria de Comunicação - Comissão Pró-Índio do Acre
Fotos: Amaaiac
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