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23 março 2006

INPA: ESTUDO PARA PREVER FUTURAS SECAS E CHEIAS

2006-03-21 - 17:10:19 Grace Soares/Ascom

Pesquisador desenvolve modelo de cálculo utilizando dados meteorológicos e oceanográficos para prever picos de cheia e seca dos rios do baixo-médio Solimões.

Um dos grandes desafios enfrentados, atualmente, pela sociedade e pelo Estado brasileiro é prever e, conseqüentemente, articular alternativas de monitoramento dos impactos gerados pela ação inevitável e implacável de alguns fenômenos naturais. Na região amazônica, preparar a população para enfrentar grandes secas e enchentes é um dos objetivos do estudo encabeçado por Jochen Schöngart, doutor em Ciências Florestais e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Schöngart conta que pesquisas em torno da influência de fatores como a chuva e a inundação no crescimento das árvores, despertaram nele a necessidade de elaborar modelos simples que mostrem a relação entre os picos de cheia e seca dos rios da região, a partir da análise de dados oceanográficos e meteorológicos. Na prática, as informações geradas por esses cálculos deverão ser repassadas à população de modo que seja possível articular planos de emergência, frente à ameaça iminente de grandes cheias e secas.

A pesquisa recebe financiamento do Instituto Max- Planck de Limnologia, cuja sede é na Alemanha, mas que há mais de 35 anos conta com uma base de pesquisas no Inpa. Em quase dois anos de estudos destinados a esse projeto, Schöngart afirma que os resultados parciais do trabalho já permitem que ele faça uma previsão do pulso de inundação (força que acarreta na cheia e na seca dos rios) para esse ano. “Os dados referentes ao nível da água, diariamente coletados e armazenados no Porto de Manaus desde 1903, refletem quanto de chuva cai nas cabeceiras dos rios. Esses dados são usados na composição do modelo múltiplo que desenvolvi, o qual analisa quais fatores externos explicam a variação dos picos de cheia e seca ao longo dos anos para prever os próximos picos de cheia e seca dos rios”, explica o pesquisador.

O ponto central do estudo está no fato de as cheias e secas refletirem a variação de chuvas nas cabeceiras dos rios numa área de aproximadamente 3 milhões de km². De acordo com Schöngart e outros pesquisadores, os oceanos são a fonte controladora dessas chuvas. Se as águas dos oceanos tropicais esquentam ou esfriam, as conseqüências dessas mudanças atingem muitas regiões no mundo de forma diferenciada. “O El Niño, que é o fenômeno de aquecimento das águas do Pacífico Tropical, gera grandes secas na Amazônia e fortes chuvas no sudeste do País. Ao contrário, a La Niña, que é o resfriamento do Pacífico equatorial, traz consigo uma maior incidência de chuva na região amazônica”, diz Schöngart. Atualmente, a Amazônia vem sofrendo a influência da La Niña, que deverá durar de três a seis meses, e, por isso, há previsão de um pico pronunciado de cheia para esse ano, devido ao fenômeno.

“De acordo com meus cálculos, esse ano estamos esperando uma cheia de 28,9 metros acima do nível do mar. Não será grande, se comparada a de 1999, considerada uma das maiores, atingindo 29,3 metros”, destaca.

Metodologia – Para o cálculo dos picos do pulso de inundação, são coletados dados no Porto de Manaus, que correspondem às variações sazonais de chuvas nas cabeceiras. “A pesquisa faz uma previsão das secas e cheias para as áreas alagáveis do médio-baixo Solimões. As medições são feitas em Manaus, mas representam um padrão de toda a área que abrange cerca de 3 milhões de km²”, salienta Schöngart.

A margem de erro nos cálculos é baixa. Testes revelaram uma harmonia entre os dados previstos e os registrados posteriormente. De acordo com o pesquisador, em 61% dos casos estudados, a margem de erro é de menos de 50 centímetros, na previsão do nível de vazante. A previsão para a seca severa do ano passado pecou por uma diferença somente de 4 centímetros.

“Aplicando o modelo proposto, é possível prever a cheia do ano com até quatro meses de antecedência; final de fevereiro já é possível fazer os cálculos. Os índices da vazante são obtidos há dois meses do início do fenômeno, ou no final de agosto”, destaca Schöngart afirmando que os últimos dados do ano passado revelaram uma seca severa, como foi comprovado, e há previsão para esse ano de uma grande cheia.

Ciência com aplicação social – A pesquisa já se encontra em sua fase final. Os dados serão encaminhados para publicação em revista científica especializada. Schöngart espera melhorar as condições de vida da população local, a partir da aplicabilidade dos resultados obtidos com o estudo. “Com base nos cálculos dos picos do pulso de inundação, as comunidades, principalmente do interior, poderão planejar suas atividades em tempo suficiente, de modo que não fiquem carentes de alimentação, água, transporte e serviços de saúde e ensino”, ratifica o pesquisador.

Além de sua aplicação social, os cálculos também terão importância nas práticas de manejo de recursos naturais em áreas alagáveis, maximizando a economia da região. “De posse dos dados relativos às altitudes das águas, os ribeirinhos e comunitários poderão projetar medidas de manejo levando-se em consideração esses índices. Como por exemplo: eles podem prever quais áreas florestais vão alagar e conforme às previsões executar o corte e arrasto das árvores de uma forma eficaz”, ressalta Schöngart. O pesquisador conta como parceiro na socialização desses dados o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, com o qual já existe um convênio de cooperação científica.

“Esses modelos são instrumentos poderosos e vêm ganhando importância ainda maior. Estamos vivendo no século de grandes mudanças climáticas. Como essas mudanças vão afetar a Amazônia? Será que secas e cheias serão mais severas no futuro?”, questiona Schöngart. Essas preocupações são motivadas pela tendência do aquecimento dos oceanos que poderão causar menor incidência de chuvas na região amazônica. “Temperaturas superficiais do Atlântico e Pacífico explicam 82% da variabilidade das secas na Amazônia”, finaliza Schöngart.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

gostei desse ambiente, não somente por ser um ambiente acreno, mas por ser também, um ambiente de intermédio informativo, cultural e também um lugar virtual agradável.

;]

23/03/2006 09:49  

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