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quarta-feira, janeiro 23, 2008

BORRACHA ESCOLAR COM MATERIAL TÓXICO

Borracha escolar TK Plast da Faber-Castell tem produto nocivo à saúde que pode causar problemas de rins, pulmão e possivelmente até desenvolver câncer. Fabricante afirma que tirou substância da fórmula em setembro passado. 'Pro Teste' questiona porque fabricante não recolheu o produto do mercado

Saulo Luz, Agestado

Teste feito pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) constatou que as borrachas TK Plast ( branca e amarela), da Faber-Castell, têm alto índice de ftalato (substância tóxica adicionada a plásticos para deixá-los mais maleáveis), que pode causar problemas de saúde aos usuários. O fabricante garante que deixou de usar o ftalato na borracha em setembro do ano passado, mas descarta recolher as mais antigas do mercado.

Segundo Maria Inês Dolci, coordenadora da Pro Teste, “no caso de ingestão, o ftalato pode acarretar problemas de rins, pulmão e possivelmente até desenvolver câncer”.

Enquanto a legislação só permite a concentração de 0,1% de ftalato no peso da amostra, a borracha TK Plast apresentou 5% da substância, o que representa 50 vezes mais.“É necessário saber qual componente da família dos ftalatos está presente na borracha, pois a tolerância varia para cada tipo. Mas, seja qual for, com 50 vezes acima do permitido tem de se retirar o produto do mercado”, diz Sandra Farsky, especialista em toxicologia, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).

A Pro Teste encaminhou a documentação com o resultado dos testes à Faber-Castell, ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, e ao Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

O DPDC informou que o teste está sendo avaliado e, portanto, não tem posição definida sobre o assunto. Já o Inmetro informa que borracha é um produto que não possui órgão regulamentador.

Em nota, a Faber-Castell admite que a TK Plast era o único produto da sua linha que tinha ftalato, mas retirou o insumo completamente da sua produção em 17 de setembro de 2007,“mesmo não havendo estudos conclusivos sobre o tema e não há restrição da substância nos Estados Unidos. A restrição buscou resguardar a saúde do consumidor”. A empresa diz que não foi procurada antes da divulgação dos resultados do teste nem tem conhecimento da metodologia utilizada pela Pro Teste.

Mesmo com a retirada do ftalato da produção pela Faber-Castell, a Pro Teste questiona por que os produtos que já estavam no mercado não foram recolhidos.“Queremos saber da empresa e do DPDC o porquê de não ter sido realizado recall”, diz Maria Inês. Outro problema é que devem existir lotes antigos que estão no mercado e a fábrica precisa identificar quais não devem ser vendidos.“Os lojistas têm de ser informados, isso porque, os dados sobre procedência e lote só existem nas caixas de 24 unidades do produto. Ao comprar por unidade, o consumidor não tem como identificar a data de sua produção, que pode ser antes de 17 de setembro.”

Data só existe na caixa

Por motivos técnicos, diz a Faber-Castell, não é possível especificar os números dos lotes que possuem a substância ftalato. Apesar disso, as caixas enviadas aos lojistas têm marcada a data de fabricação. Portanto, é possível aos lojistas conferirem se a borracha foi fabricada antes da data em que o ftalato foi retirado definitivamente da composição.

A Pro Teste testou a toxicidade de nove tipos de itens de papelaria, três marcas de cada, mas só a borracha TK Plast apresentou problemas. Como não foi feito o recall, os consumidores não estão sabendo do resultado do teste.

O taxista Álvaro Nolasco, por exemplo, sempre optou por borrachas e outros produtos da Faber-Castell, por confiar na marca. Ao comprar, ontem, material escolar para seu filho Pedro Augusto, que está no jardim da infância, ele foi pego de surpresa com a informação sobre a existência de substância tóxica na composição da borracha.“Sempre confiei nos produtos da Fabel-Castell, mas, diante dessa notícia, vou levar outra marca”, disse Nolasco.
Publicado por Evandro Ferreira 2 comentários Digg! Envie este artigo para um amigo

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Quem diria hein? cada uma que acontece neste País. E o pior é que é a borracha que eu sempre usei desde pequeno. Alguém tem de fazer algo.

15:24  
Anonymous Anônimo said...

estou em um curso tècnico o professor pediu um trabalho sobre cadeia produtiva,nosso tema foi a borracha escolar
gostaria de saber passo a passo da fabricação da borracha escolar

15:57  

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