AMBIENTE ACREANO: TRABALHOS DA UFAC/INPA-ACRE NA SBPC
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terça-feira, julho 14, 2009

TRABALHOS DA UFAC/INPA-ACRE NA SBPC

E. Ciências Agrárias - 3. Recursos Florestais e Engenharia Florestal - 4. Conservação da Natureza

Riqueza e diversidade de palmeiras (Arecaceae) em fragmentos de floresta primária e secundária da Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra, Rio Branco, Acre, Brasil


Evandro José Linhares Ferreira (1), (2) (evandro@inpa.gov.br); Anelena Lima de Carvalho (2), (3); Joanna Marie Tucker Lima (2), (4)

1. Núcleo de Pesquisas no Acre do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA
2. Herbário do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre-UFAC
3. Mestranda em Ciências de Florestas Tropicais (INPA
4. University of Florida, School of Natural Resources and Environment, USA

INTRODUÇÃO:

A família Arecaceae é uma das mais importantes da Amazônia pela sua ampla distribuição, abundância e, principalmente, diversidade de usos, importância sociocultural e econômica. Entre os usos, destacam-se o alimentar (frutos in natura, óleo, palmito e bebidas), artesanal e industrial (sementes e fibras) e construção civil (estipes e folhas). Apesar disso, mudanças socioeconômicas e culturais em curso na região, responsáveis pelo desmatamento da floresta e a migração das populações rurais, tendem a ameaçar a existência de muitas espécies e diminuir a importância sociocultural de outras. Um dos aspectos mais importantes afetando a existência de muitas espécies de palmeiras na Amazônia é o processo de fragmentação florestal, que pode desencadear mudanças imprevisíveis na estrutura florestal e na cadeia alimentar da fauna local, diminuindo o valor biológico dessas áreas. Diante dessa situação, o presente estudo objetivou conhecer e comparar a riqueza e diversidade de palmeiras em fragmentos de floresta primária e secundária, contribuindo para o entendimento do processo de estabelecimento desse grupo em áreas que foram submetidas ao desmatamento e uso agropecuário, fornecendo indicadores sobre o comportamento de algumas espécies no contexto atual de desmatamento na Amazônia.

METODOLOGIA:

O estudo foi realizado na Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra (APARIS), com área de 843 hectares, localizada em Rio Branco, Acre. A vegetação original da APARIS era de Floresta Ombrófila Aberta com Bambu e Palmeiras no sub-bosque. Hoje, apenas 30% da unidade apresenta cobertura florestal, em sua maioria fragmentos florestais secundária em vários estádios de regeneração, além de um pequeno fragmento de floresta primária. Para o estudo, foram selecionados três fragmentos de floresta secundária em estádios sucessionais, com idade média de 7,5, 27,5 e 37,5 anos, e um fragmento de floresta primária. As informações sobre os fragmentos e os dados sobre as espécies foram obtidos por meio de entrevistas com moradores e coleta de dados in loco. Em cada fragmento estudado foram instaladas, de forma sistemática, cinco parcelas de 20 x 20 m (400 m²), distribuídas alternadamente ao longo de um transecto de 100 m. Todos os indivíduos de palmeiras, plântulas e adultos, foram levantados e identificados. A diversidade foi calculada pelo índice de Shannon-Wiener (H’) e índice de equabilidade de Pielou (J). Para análise de similaridade florística foi utilizado o índice de Jaccard (SJ). Os dados, foram tabulados em Microsoft Office Excel 2007 e analisados no programa Mata Nativa 2.0.

RESULTADOS:

Foram identificados 1.034 indivíduos, pertencentes a 12 gêneros e 19 espécies de palmeiras, assim distribuídos: 419 indivíduos em cinco gêneros e oito espécies no fragmento com 7,5 anos, 128 indivíduos em sete gêneros e dez espécies no fragmento com 27,5 anos, 386 indivíduos em seis gêneros e seis espécies no fragmento com 37,5 anos, e 101 indivíduos em nove gêneros e 11 espécies na área de floresta primária. A maior riqueza e diversidade, calculada pelos índices de Shannon-Wiener e equabilidade de Pielou, foi encontradas na floresta primária (S=11 e H’=1,65; J=0,69), seguida pelo fragmento secundário de 27,5 anos (S=10 e H’=1,44; J=0,63). A similaridade foi maior entre a área de floresta primária e o fragmento florestal de 7,5 anos (SJ=0,46), seguida pela similaridade entre a floresta primária e o fragmento de 27,5 anos (SJ=0,31). Condições ambientais similares, como topografia e drenagem, podem explicar parcialmente estas similaridades. O fragmento com idade de 37,5 anos apresentou baixa similaridade com as demais áreas e menor valor de riqueza de espécies. Isto pode ser explicado pela ocorrência, no fragmento, de recorrentes perturbações como corte e queima, proposital ou acidental, que impedem a sobrevivência de algumas espécies muito sensíveis a alterações do habitat.

CONCLUSÕES:

Pode-se concluir que a fragmentação decorrente da derrubada e da ocorrência de perturbações derivadas de queimadas e abertura de trilhas no interior dos fragmentos florestais estão afetando a riqueza e a diversidade das palmeiras na área da APARIS. O fogo, corte raso ou mesmo a eliminação de indivíduos em estádio reprodutivo podem estar limitando a disponibilidade de sementes e, consequentemente, o recrutamento de novas plântulas. Isto pode comprometer a sobrevivência de espécies incapazes de se adaptar em ambiente diverso de florestas primárias, como é o caso de Euterpe precatoria, Socratea exorrhiza e Phytelephas macrocarpa. Por outro lado, algumas espécies menos frequentes em florestas primárias, porém mais resistentes a antropização e capazes de se adaptar facilmente em novos ambientes, como são os casos de Attalea phalerata Maximiliana maripa, Astrocaryum ulei, e Bactris maraja, poderão sobreviver e perdurar nessas áreas fragmentadas.

Instituição de fomento: ZEAS/Prefeitura Municipal de Rio Branco-PMRB e Secretaria Municipal de Meio Ambiente/PMRB

Palavras-chave: palmeiras; fragmento florestal; Acre.
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