AMBIENTE ACREANO: ESTUDO APONTA ALTA DESNUTRIÇÃO EM CRIANÇAS DE ACRELÂNDIA E ASSIS BRASIL
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segunda-feira, abril 23, 2012

ESTUDO APONTA ALTA DESNUTRIÇÃO EM CRIANÇAS DE ACRELÂNDIA E ASSIS BRASIL

Estudo realizado com crianças de menos de 5 anos em Acrelândia e Assis Brasil revela alta deficiência nutricional. O déficit de crescimento, em relação à idade das crianças, é 40% superior à média brasileira, e o déficit de peso, para a estatura, é 108% superior ao índice nacional

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

[Corrigida e atualizada às 13:30h]

Nos últimos anos foi observado um notável declínio na desnutrição em crianças brasileiras menores de 5 anos. Contudo, as desigualdades regionais persistem e a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS/Ministério da Saúde) de 2006 revelou que a Região Norte manteve o dobro da prevalência do déficit de estatura e peso em relação à média brasileira, sugerindo vulnerabilidade das crianças da região às condições de pobreza, insegurança alimentar e precário acesso aos serviços de saúde. Diante desse contexto, pesquisadores da USP, UFAC e UFMG investigaram a prevalência da desnutrição em crianças menores de 5 anos e os fatores a ela associados nos municípios de Acrelândia e Assis Brasil, no Acre.

O estudo consistiu na avaliação de 667 crianças, sendo 49,3% do sexo masculino e 50,7% do sexo feminino. Por faixa etária, foram analisadas 246 crianças de 0 a 23 meses e 421 de 24 a 60 meses.

Os resultados indicaram que a prevalência de déficit de estatura para idade é um importante problema de saúde pública e nutricional nos municípios estudados, com prevalência geral de 9,9%, um valor cerca de 40% superior ao observado no restante do Brasil, que é de 7%. Os fatores associados a esse déficit foram: pobreza, analfabetismo do pai ou padrasto, ausência da mãe biológica no domicílio, ter 2 ou mais irmãos menores e exposição ao esgoto a céu aberto no âmbito domiciliar.

Com relação ao déficit de peso para estatura, a prevalência geral foi de 4,1%, ou cerca de 108% superior ao índice nacional, que é de 1,98%. O único fator associado foi o baixo peso ao nascer. Contribui para essa situação o fato de que embora o aleitamento materno tenha sido iniciado para a maioria das crianças estudadas (97,5%), sua prevalência exclusiva até o sexto mês foi de apenas 33,6%.

Os estratos com menor renda familiar per capita tiveram maior prevalência de déficit de estatura para idade. Para os autores, a elevada proporção de pobreza no Acre pode ser considerada como o principal fator da alta prevalência de desnutrição encontrada. Outros estudos realizados no país demonstraram que o incremento na escolaridade materna e aumento do poder aquisitivo entre as famílias mais pobres são responsáveis por mais de 21% do declínio da prevalência de déficit de estatura para idade no país.

A desnutrição infantil observada em Acrelândia e Assis Brasil também está associada à presença de esgoto a céu aberto. Em 2000 foi estimado que apenas 34% dos domicílios no Acre estavam interligados à rede de abastecimento de água e 17,6% eram atendidos pela rede de esgotamento sanitário.

A pesquisa revelou que a ausência da mãe biológica no domicílio favorece a desnutrição infantil, pois elas tendem a alocar mais recursos para a compra de alimentos que os pais. A existência de um maior número de irmãos menores, que elevam os gastos familiares e reduzem o tempo e os recursos alocados para o cuidado de cada criança, também favorecem a desnutrição. O analfabetismo do pai ou padrasto tem efeito negativo na nutrição das crianças porque influencia na realização de práticas adequadas de saúde e alimentação, e dificulta a compreensão de informações orientadas pelos serviços de saúde ou veiculadas em outras instâncias.

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O artigo “Desnutrição em crianças menores de 60 meses em dois municípios no Estado do Acre: prevalência e fatores associados”, de autoria de Orivaldo Florêncio de Souza, Maria Helena D’Aquino Benício, Teresa Gontijo de Castro, Pascoal Torres Muniz e Marly Augusto Cardoso, foi publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia (Vol. 15, Nº 1, páginas 211-221. 2012). Para ler a íntegra do artigo clique aqui.
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