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quarta-feira, agosto 02, 2006

BÚFALOS EM RONDÔNIA: FORA DE CONTROLE

NOS ANOS 50 PROJETO DE CRIAÇÃO FRACASSOU E 30 INDIVÍDUOS FORAM ABANDONADOS: POPULAÇÃO HOJE É DE 4 MIL INDIVÍDUOS

OS "PIONEIROS" MIGRARAM PARA O VALE DO GUAPORÉ, SE TORNARAM "SELVAGENS" E HOJE SÃO CONSIDERADOS ESPÉCIE INVASORA!

Com recursos do programa PROBIO, está sendo desenvolvido no vizinho estado de Rondônia o projeto "Búfalos Selvagens da Rebio do Guaporé (RO)", de autoria dos pesquisadores da Embrapa Rondônia e do Ibama. Estão colaborando também o Ministério do Meio Ambiente, por meio do PROBIO, órgãos como a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron), ONGs e associações comunitárias.

Em sua primeira etapa o projeto realizou um diagnóstico e censo da população de búfalos usando aviões. Foram realizados ainda um seminário com a comunidade técnico-científica e as populações locais no município de Costa Marques para discutir propostas de pesquisas e controle dos búfalos. O projeto tem como objetivo principal a retirada de todos os animais da reserva.

O censo estimou que a população de búfalos selvagens na REBIO Guaporé, na fronteira com a Bolívia, seja de aproximadamente 4 mil indivíduos. Divididos em grupos de 30 a 100 cabeças, os animais nunca tiveram contato com o homem e agora estão se reproduzindo em massa, destruindo uma reserva ambiental de 600 mil hectares protegida por lei.

Os pesquisadores ainda não conseguiram nenhum indivíduo para estudo, como previsto no projeto.

- "Os animais são tão selvagens que atacam até os helicópteros que tentam pousar na floresta”, diz Francisco Leônidas, biólogo da Embrapa em Rondônia.

ANIMAIS TRAZIDOS DA ILHA DE MARAJÓ NOS ANOS 50

Os búfalos selvagens de Rondônia são nativos da Ásia e foram introduzidos inicialmente na Ilha de Marajó (PA), que detém 80% da população desses animais. No Pará e no resto do país, no entanto, os búfalos são domesticados, bastante úteis e convivem pacificamente com o homem. Em Rondônia, eles são tão selvagens que atacam até a onça, o predador mais temido da selva. “Como são considerados animais invasores na floresta, eles não têm predadores naturais”, explica o biólogo Salvatore Rossy, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Assim como no Pará, os búfalos do Vale do Guaporé foram levados para lá pelas mãos do homem. Na década de 50, o governo de Rondônia teve a idéia de transportar 30 cabeças da Ilha do Marajó para a fazenda Pau D’Óleo. A idéia era que o rebanho produzisse leite, carne e ajudasse a desenvolver comunidades carentes da região. O projeto não deu certo e os 30 búfalos foram soltos na floresta, em 1953. Todos, até então, eram dóceis. O bando solitário seguiu para o Vale do Guaporé, uma região pantanosa. No alagado, eles encontraram as condições ideais para reprodução. Hoje, 53 anos depois da soltura, os búfalos transformaram-se num problema ecológico. Aquela geração dócil não existe mais. A nova geração é selvagem, embrutecida e violenta. E mais: eles nunca viram um homem pela frente. Quando o vê, a manada se junta em grupo de 30 e ataca.

- "Têm animais com chifres de dois metros de comprimento”, ressalta Leônidas, que já liderou uma equipe que tentou laçar búfalos selvagens em Rondônia. Atualmente, Rondônia tem a única manada de búfalos selvagens do Brasil. Como andam em bando e como não são típicos da região, eles estão causando um desastre ecológico sem precedentes na reserva ecológica. Por onde caminham, os animas pisam pelo pântano e acabam drenando o solo, destruindo diversos ecossistemas. Em algumas regiões, eles estão drenando cabeceiras de rios e alterando o curso d’água, além de destruírem igarapés.

- “Esses animais têm que ser capturados o mais rápido possível, caso contrário estaremos diante de um problema ecológico tão grave que é impossível até fazer prognósticos”, prevê Leônidas.

Para se ter uma noção da selvageria desses búfalos, uma manada de 20 deles estava sendo observada por aviões por uma equipe de pesquisadores. A manada entrou numa fazenda abandonada e se deparou com a sucata de um trator abandonado. Ao ver a máquina, um dos animais se assustou e correu para chifrar o veículo.

- “Eles nunca haviam visto um trator. Na imaginação deles, aquilo era uma ameaça. Ao correr contra a máquina, o animal bateu com a cabeça na lâmina e morreu na hora”, relata Leônidas.

ANIMAIS NÃO MORREM COM TIROS DE ESPINGARDA

Robustos, os búfalos do Guaporé não morrem com tiros de espingardas. Segundo especialistas, eles só podem ser abatidos com tiros de fuzil, já que a maioria deles, aparentemente, pesa mais de uma tonelada.

- “Nossa maior preocupação é que eles cheguem até as seis aldeais indígenas do Vale”, ressalta o agente da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Rondônia, Marco Antônio Messias.

Uma equipe de pesquisadores franceses já tentou laçar um dos búfalos selvagens do Vale do Guaporé para pesquisa. A manada tinha penas 28 animais e parte deles eram filhotes.

- “O problema é que, enquanto um deles é laçado, a manada, a princípio, foge. Mas pelo menos cinco deles voltam na mesma pisada para enfrentar o laçador e salvar o companheiro”, conta Leônidas. Como eles impõem medo, a saída é soltar o animal.

MIGRAÇÃO PARA OUTRAS ÁREAS

Uma outra pesquisa feita com os búfalos selvagens do Vale do Guaporé aponta que os animais estão migrando lentamente para outras regiões da Amazônia, inclusive para o lado boliviano da selva.

- “O maior problema desses animais é a superpopulação aliada à selvageria. As fêmeas ficam muito mais ferozes por conta da cria. Elas têm que deixar as onças bem longe dos filhotes. Já os machos ficam ainda mais bravos porque disputam as fêmeas em lutas. Os machos derrotados saem do bando e ficam ainda mais revoltados”, descreve Leônidas num relatório sobre a pesquisa feita com os búfalos no Vale do Guaporé.

O estudo da Embrapa de Rondônia concluiu que a solução do problema é a captura dos animais para domesticá-los ou o abatimento. Mas a equipe não dá conta de apanhar nem os búfalos mais novos. No caso do abatimento, uma das possibilidades seria alimentação. Mas como são animais 100% selvagens, a carne torna-se imprópria para consumo, já que nunca foram vacinados para prevenção de febre aftosa, tuberculose e brucelose. Além do mais, algumas organizações não-governamentais são contra o sacrifício dos búfalos selvagens.

- “Enquanto isso, eles estão correndo feito loucos na mata”, avisa o biólogo Salvatore Rossy.

Fonte: Ullisses Campbell, Correio Braziliense, 23/06/2006
Publicado por Evandro Ferreira 4 comentários Digg! Link Permanente Envie este artigo para um amigo

4 Comments:

Blogger Fabiana said...

Sou Presidente da Fundação Centro Tecnológico de Búfalos e Desenvolvimento Agropecuário e a 2 anos venho contactando órgão Rondonia para tentarmos uma soluçao para o problema. Estou aguardando para essas próximas semanas chamado Gov. para reuniao exposição plano.
Eduardo Aziz Haik

15:04  
Blogger Evandro Ferreira said...

Prezado Eduardo,
Não sei qual a sua posição a respeito: extermínio ou manejo. Acho que é manejo. Se for o caso, sugiro ler os artigos publicados no Blog e que abordam a questão da megafauna no Brasil. Boa sorte com o Cassol.

OS BÚFALOS DO GUAPORÉ E A REINTRODUÇÃO DA MEGAFAUNA NA AMAZÔNIA
http://ambienteacreano.blogspot.com/2008/06/bfalos-do-guapor-e-reintroduo-da.html

PARQUES DO PLEISTOCENO NO BRASIL
http://ambienteacreano.blogspot.com/2008/06/parques-do-pleistoceno-no-brasil.html

15:17  
Anonymous Anônimo said...

O governo de Rondônia deveria regular a cacada de búfalo, assim, alem de trazer renda para o estado, faria-se o controle da população.

18:26  
Anonymous Anônimo said...

No período pleistocênico o Brasil era detentor de uma diversificada megafauna.Se ela ainda existisse aquí constituiria um notável patrimonio natural a ser explorado pelos safaris de turismo ou de caça, como acontece na Africa. De repente , Rondonia conta com uma manada de animal notável,base para sustentar caça e turismo .Considero suprema ignorancia~o não aproveitamento sustentável deste recurso. fabio.marton@gmail.com

14:48  

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