AMBIENTE ACREANO: AUMENTO DA PRODUTIVIDADE NA PECUÁRIA DE CORTE
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segunda-feira, outubro 24, 2011

AUMENTO DA PRODUTIVIDADE NA PECUÁRIA DE CORTE

Estudo da USP/Pirassununga elevou a produção de carne para 600 kg/ha, ante os 54 kg da pecuária tradicional. O investimento necessário é de cerca de R$ 5 mil/ha e a taxa de retorno [lucro] é de 11% ao ano. Vale lembrar que a aplicação na poupança traz um retorno de cerca de 7%.

Valéria Dias
Agência USP de Notícias

Na pecuária de corte tradicional brasileira, cada hectare (ha) de terra — que equivale a 10 mil metros quadrados (m²) — é usado para a pastagem de um único animal, levando a uma estimativa de produção anual média de carne em torno de 54 quilos (kg)/ha. Porém, neste mesmo espaço, quase do tamanho de um campo de futebol, é possível criar, ao mesmo tempo, 8 animais e ainda assim elevar a produção de carne para 600 Kg/ha ao ano. Essa alta produtividade pode ser encontrada no sistema de pastagens de alta lotação de animais, desenvolvido na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, em Pirassununga.

“Essa produção elevada decorre de uma série de fatores que incluem, entre outros, nível alto de adubação da pastagem com nitrogênio e o confinamento do gado durante os meses de inverno. Nesse período de estiagem, o gado recebe uma dieta a base de milho, soja, cana-de-açúcar e ureia a fim de levar a um desempenho máximo dos animais”, explica o professor Luis Felipe Prada e Silva, do Laboratório de Pesquisa de Gado de Corte, do Departamento de Nutrição e Produção Animal (VNP) da FMVZ.

De acordo com o professor, “Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes [ABIEC] indicam que, no Brasil, em 2010, foram produzidas 9,2 milhões de toneladas de carne em equivalentes de carcaça. Se dividirmos este número por 170 milhões de hectares, que é a área de pasto existente no país, chegaremos ao número de produção anual de carne de 54 Kg / ha”, esclarece.

Prada e Silva comenta que, atualmente, a pecuária de corte tradicional, no estado de São Paulo, está deixando de ser atrativa, pois não consegue ser tão competitiva em relação ao cultivo de cana-de-açúcar ou laranja, ou mesmo à pecuária leiteira. “A criação de gado de corte está mudando para o norte do País, em regiões de terras mais baratas e de fronteira. Com isso, há uma intensificação do desmatamento de florestas. Vende-se a madeira de forma a ocupar a área desmatada com pastos destinados a pecuária de corte”, explica o coordenador do Laboratório.

No entanto, como mostram os estudos da FMVZ, é possível sim inverter este quadro. “Nosso objetivo é promover a intensificação da pecuária de corte, tornando possível que um número maior de animais sejam criados numa mesma área, com alta produtividade”, destaca o professor. Os professores Augusto Hauber Gameiro e Angélica Pereira, do VNP, também integram o projeto, além de cerca de 15 pesquisadores, entre mestrandos e doutorandos, que desenvolvem estudos com o grupo.

Uma dessas pesquisas foi desenvolvida pelo pesquisador Rinaldo Rodrigues. Orientado pelo professor Gameiro, Rodrigues realizou, durante o seu mestrado, uma análise econômica da iniciativa implantada no campus de Pirassununga. A conclusão do trabalho é que o sistema de pastagens de alta lotação de animais é competitivo mesmo em regiões de terras mais caras utilizadas para a plantação de laranja e cana-de-açúcar.

Diferenciais

O sistema começou a ser implantado em 2009 numa área de 25 ha do campus de Pirassununga e passou a funcionar plenamente em 2010. A criação, atualmente, conta com 240 animais, de bezerros a animais adultos. A maioria é criada no pasto. Já os machos adultos próximos ao abate (de 16 a 20 meses) ficam em confinamento. “A média nacional para o abate de machos é de 36 a 48 meses”, informa o pesquisador.

No sistema desenvolvido na USP, as fêmeas têm a primeira cria aos 24 meses. No Brasil, isso ocorre, em média, entre os 36 e os 48 meses. A fertilidade também é outro diferencial: na média brasileira, a cada 100 vacas expostas aos touros, entre 50% a 60% ficarão prenhes. No sistema implantado na FMVZ, esse índice é de 90%.

A adubação do pasto é outro ponto importante. “A maioria dos pecuaristas não cultivam o hábito de adubar o pasto. Em nosso sistema, chegamos a utilizar cerca de 300 quilos de nitrogênio por hectare ao ano”, destaca.

Luis Felipe Prada e Silva ressalta que um dos focos do grupo de pesquisa é convencer o governo de que existem formas eficientes de prevenir o desmatamento das florestas do norte do País. “Isso pode ser feito fornecendo crédito para os pecuaristas investirem em suas propriedades a fim de se adaptarem ao sistema de pastagens de alta lotação de animais”, diz. Segundo o professor, o investimento ficaria em torno de R$ 5 mil por ha para a adaptação da propriedade ao confinamento, manutenção de pastos, cochos, sem contar o valor dos animais. “Nossos estudos indicam que a taxa interna de retorno [lucro] é de 11% ao ano. Vale lembrar que a aplicação na poupança traz um retorno de cerca de 7%.”

Imagens cedidas pelo pesquisador
Publicado por Evandro Ferreira 2 comentários Digg! Link Permanente Envie este artigo para um amigo

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Evandro, aqui no Acre temos uma boa experiência na intensificação da atividade pecuária. Pena que ainda sejam poucos os que fazem uso de mais tecnologia para produzir mais em áreas menores. Como exemplo, somos o estado com a maior taxa de lotação (1,77 /ha)no Brasil. Nos últimos anos, uma grande área de pastagens vem sendo reformada. Isto irá repercutir brevemente em mais produtividade, com implicância direta na capacidade "de poupança" que a atividade pecuária representa para pequenos, médios e grandes produtores do Acre.
Mauro Ribeiro
(em tempo: não sei como faz pra enviar o comentário, daí tô tentando via "anônimo", mas jamais gostaria de usar tal prerrogativa daninha, ok?
Um abraço,
Mauro Ribeiro

18:32  
Blogger Evandro Ferreira said...

Prezado Mauro,
Sou da opinião que as limitações de ordem legislativa e ambiental só serão superadas com o uso de tecnologias, algo que o Brasil dispõe.
A mecanização de extensas áreas por parte de agricultores para o plantio de milho e outras culturas - com o apoio do Governo do Acre - é um passo importante para mudar a opinião que está impregnada na mente de muitos por aqui de que terra no Acre só serve para criar boi.
Evandro

13:43  

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