BREVE HISTÓRIA DA ASCENSÃO E QUEDA DO COMÉRCIO DO ‘MARFIM VEGETAL’ NO MERCADO MUNDIAL
Evandro
Ferreira
Blog Ambiente Acreano
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A designação do nome científico da jarina está relacionada a esta característica. Quando, entre 1779 e 1778, os exploradores espanhóis José Antonio Pavón Jiménez e Hipólito Ruiz López encontraram a palmeira jarina em algum lugar na floresta peruana, lhes chamou a atenção não apenas as sementes, mas também os frutos disformes, com projeções lenhosas irregulares que davam a impressão de possuir algum tipo de má formação. Por essa razão eles a batizaram de Phytelephas, um nome derivado de uma palavra grega que se traduz como planta (=Phyto) elefante (=elephas). Um perfeito nome de batismo, pois além de expressar as características dos frutos, ele também remete às características das sementes, que lembram o marfim extraído das presas dos elefantes.

O ciclo
econômico de exploração das sementes dessas palmeiras nas florestas da América
do Sul e da América Central que se seguiu durou cerca de cinquenta anos e foi
tão marcante que no Brasil e nos outros países produtores até hoje é comum se
chamar as sementes de marfim vegetal, uma tradução literal do nome comercial em
inglês.

Para o Equador, a exportação de marfim vegetal foi ainda mais importante e os
primeiros registros de exportação das sementes deste país datam de 1865. Em 1929
as exportações do Equador atingiram 25.791 toneladas.
No
princípio, as sementes de marfim vegetal eram mais utilizadas para a confecção
artesanal de pequenos objetos de decoração, o mesmo tipo de uso do marfim
animal. Entretanto, com a revolução industrial em pleno vapor, máquinas para a
fabricação de botões a partir das sementes do marfim vegetal foram criadas e
imediatamente causaram um grande boom no comércio das sementes.

Entretanto,
da mesma forma que ocorreu com muitos corantes e fibras têxteis naturais, o
marfim vegetal foi substituído por produtos sintéticos mais baratos. Por volta
de 1930, os primeiros materiais plásticos rudimentares, conhecidos como
baquelite, começaram a substituir as sementes de marfim vegetal como
matéria-prima para a produção de botões.
As
exportações da Colômbia começaram a declinar nos anos 20 e cessaram por
completo em meados de 1935. No Equador a produção continuou, mas as exportações
declinaram depois de 1941, por ocasião da entrada dos Estados Unidos na Guerra,
e desapareceram da pauta de exportação daquele país por volta de 1945. A
descoberta de polímeros plásticos na década de 50 pôs um fim na demanda para as
sementes e provocou o completo desaparecimento da indústria americana de botões
de marfim vegetal alguns anos depois.
Sobre a
produção na Amazônia brasileira no início do século XX, Onofre de Andrade, em
seu livro “Amazônia, esboço histórico, geographia physica, geographia humana e
ethnographia do rio Juruá” (1937) informa que o “o Juruá já attingiu a
exportação de 100.000 kgs, annualmente. Se o transporte fosse fácil, a
exportação poderia subir a mais de 1.000.000 kgs. O Rio Envira, sobretudo, é
privilegiado em matéria de jarina”. No Brasil a última fábrica de botões feitos
com sementes de marfim vegetal fechou nos anos 70.

Até hoje
a produção de botões no Equador nunca cessou por completo e pequenas indústrias
continuam a produzir discos não beneficiados de marfim vegetal que são
exportados para o Japão, Alemanha e Itália para a fabricação de botões usados
em vestuários de alto preço.
No Acre,
a maior utilidade das sementes do marfim vegetal é para a confecção de objetos
artesanais, especialmente pequenas esculturas e biojóias.
Para
saber mais:
-
Armstrong, W. P. 1991. Vegetable ivory: saving
elephants & South American rain forests. Zoonooz 64(9): 17-19.
- Barfod, A. 1989. The rise and fall of the vegetable ivory. Principes 33(4): 181-190.
- Barfod, A. 1989. The rise and fall of the vegetable ivory. Principes 33(4): 181-190.
- Barfod, A., H. B. Pedersen & B. Bergman. 1990. The vegetable ivory
is still alive and doing fine in Ecuador. Economic Botany 44(3): 293-400.
- Costa, M. L.; S. F. S. Rodrigues; H. Hohn. 2006. Jarina: o marfim das biojóias da Amazônia. Revista Escola de Minas 59(4): 367-371.
- Dalling, J. W.; K. I. Harms; J. R. Eberhard; I. Candanedo. 1996. Natural history and uses of tagua (Phytelephas seemannii) in Panama. Principes 40(1): 16-23.
Crédito das imagens (de cima para baixo): Natural Button Ecuador, Quito and Ecuator: the lando of Ecuador; Vegetable Ivory (W. P. Armostrong).
Link para Fábrica de Botôes de Marfim Vegetal no Equador
- Costa, M. L.; S. F. S. Rodrigues; H. Hohn. 2006. Jarina: o marfim das biojóias da Amazônia. Revista Escola de Minas 59(4): 367-371.
- Dalling, J. W.; K. I. Harms; J. R. Eberhard; I. Candanedo. 1996. Natural history and uses of tagua (Phytelephas seemannii) in Panama. Principes 40(1): 16-23.
Crédito das imagens (de cima para baixo): Natural Button Ecuador, Quito and Ecuator: the lando of Ecuador; Vegetable Ivory (W. P. Armostrong).
Link para Fábrica de Botôes de Marfim Vegetal no Equador
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