AMBIENTE ACREANO: ESTUDO INDICA ALTA QUALIDADE DA CASTANHA-DO-BRASIL INDUSTRIALIZADA NO ACRE
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segunda-feira, junho 04, 2012

ESTUDO INDICA ALTA QUALIDADE DA CASTANHA-DO-BRASIL INDUSTRIALIZADA NO ACRE

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

A coleta de castanha-do-brasil é um dos mais importantes recursos econômicos da Amazônia e ocupa lugar destacado no extrativismo regional. No Acre ela envolve cerca de 4.400 famílias e o desenvolvimento da atividade tem se revelado como uma das mais eficientes estratégias para a conservação das florestas locais.

Em 2011 a produção acreana foi de aproximadamente 11 mil toneladas ou 37% da produção brasileira, fazendo do estado o maior produtor nacional. Em 2011 uma lata de castanha, equivalente a 11 kg, foi comercializada por preços que variaram entre R$ 11 e R$ 22. Em 2012 a expectativa é de que o preço máximo chegue a R$ 30.

As três usinas de beneficiamento de castanha existentes no Acre, localizadas em Brasiléia, Sena Madureira e Xapuri ainda não conseguem adquirir e beneficiar toda a produção de castanha coletada no estado, fazendo com que muitos extrativistas acreanos vendam castanha não beneficiada para outros estados e países vizinhos.

Apesar de sua importância sócio-econômica e ambiental, o modo de produção extrativista da castanha a torna suscetível, ao longo de sua cadeia produtiva, a diversos tipos de contaminações por fungos produtores de micotoxinas, como as aflatoxinas. A exposição humana a micotoxinas está epidemiologicamente associada à alta incidência de câncer hepático, sobretudo em países tropicais.

A contaminação por fungos produtores de aflatoxinas é considerada elevada nas usinas de beneficiamento de castanha, mesmo que o descascamento e a seleção visual para a retirada das castanhas possivelmente contaminadas, dentre outros procedimentos, possam reduzir o nível de contaminação.

Diante desse contexto, um estudo realizado sob a liderança da pesquisadora Virgínia de Souza Álvares, da Embrapa Acre, avaliou a qualidade de três marcas de castanha-do-brasil beneficiadas e comercializadas no mercado de Rio Branco. O estudo foi publicado na edição de junho de 2012 da revista Acta Amazônica.

Os resultados da pesquisa indicaram que o teor de umidade das castanhas analisadas foi aceitável e variou de 2,00% a 3,12%, indicando que as amostras eram estáveis sob o ponto de vista microbiológico, ou seja, com baixa quantidade de água disponível para a proliferação dos microrganismos. Segundo os autores, as amostras com menores índices de umidades foram aquelas embaladas a vácuo em sacos aluminizados.

As amostras apresentaram baixos valores de contaminação por fungos, provavelmente resultado do processo de autoclavagem que as castanhas são submetidas durante a industrialização. Um estudo anterior encontrou índices de contaminação três vezes superior em amostras de castanhas in natura colhidas na floresta e em um armazém comunitário de uma associação extrativista de Brasiléia, fato que ressalta os riscos do consumo de castanhas in natura adquiridas em mercados e feiras livres da cidade.

A contaminação por aflatoxinas se mostrou dentro dos limites máximos tolerados pelas normas da ANVISA. Entretanto, embora as amostras de castanhas embaladas à vácuo em sacos aluminizados não apresentassem fungos potencialmente produtores de aflatoxina, elas estavam contaminadas por esta toxina. Este resultado ressalta a importância da observação de estritas práticas higiênicas na manipulação das amêndoas durante o beneficiamento.

Os autores concluem o estudo afirmando que a baixa contaminação de aflatoxina observada nas amostras analisadas pode ser consequência da grande divulgação, entre os extrativistas e beneficiadores de castanha acreanos, do uso de boas práticas no manejo da castanha, desde a coleta na floresta, até a manipulação das amêndoas nas indústrias.

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O artigo “Qualidade da castanha-do-brasil do comércio de Rio Branco, Acre”, de autoria de Virgínia de Souza Álvares, Izabela Miranda de Castro, David Aquino da Costa, Angélica Costa de Lima e Ailson Luiz Sudan Madruga foi publicado na revista Acta Amazônica, vol. 42, nº2, de junho de 2012. Clique aqui para ler a íntegra do artigo.

Crédito da imagem: site Contilnet
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