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quinta-feira, maio 24, 2012

O GENERAL DA EDUCAÇÃO

Raimundo Barros Lima*

Hoje a comunidade educacional acreana, está em festa e agradecida a Deus pela passagem de mais um aniversário do general da educação acrea-na, professor Raimundo Gomes de Oliveira; eterno diretor do Colégio Acreano, por votação popular e a maior personalidade da educação acreana no século XX.

Conheci-o por intermédio do meu querido e saudoso amigo, José Chalub Leite, durante suas caminhadas para o cumprimento de sua função mais nobre: ser jornalista.

Ao chegarmos no Colégio Acreano , disse-me: Vamos visitar meu amigo diretor. Lá estava aquele senhor taciturno, compenetrado ao trabalho, naquela mesa companheira por décadas na luta e aprimoramento do ensino acreano, e, em particular, para aquele colégio, seus alunos, mestres, funcionários os quais se confundiam com sua família.

Imagino, que durante quatro décadas dedicadas ao Colégio Acreano, ao sacerdócio do ensino da mais pura qualidade; esse senhor professor, passou mais tempo lá, que em sua residência, pois trabalhava das 7h30 às 20h no mínimo diariamente.

“Boa tarde professor“ . Ao perceber nossa presença, o perfil de general transformou-se em uma pessoa dócil, amiga e atenciosa. Foi-se uma parte da tarde, com papos diversos, sobre educação e questões cotidianas.
Começa uma amizade.

O Naylor Jorge; poeta, jornalista, historiador e anarquista no bom sentido da sua vida, após umas doses disse: “sou contra a Ditadura, mas gosto de um disciplinador no Ensino, e, esse perfil tem o professor Raimundo Gomes de Oliveira (Raimundo Louro), por isso, que o ensino do Colégio Acreano é de alta qualidade“.

Aplaudido pelos presentes: Foch, Barros, Edson Martins , Saul , João Papagaio que concordaram e brindaram pela saúde do ilustre mestre.

O professor Raimundo Gomes de Oliveira tem o seguinte perfil:

Nasceu em 24.05.1924, em Capanema – Pará, porém com dois (2) anos sua família desembarcou em Sena Madureira, onde viveu parte de sua infância. Ele se considera senamadureirense da gema. Seus pais José Vicente de Oliveira e Vandira Gomes de Oliveira, foram seus maiores ídolos e sustentáculo de sua brilhante carreira profissional. Casado com Edite Abreu de Oliveira, musa e dona do seu coração, o qual conquistou em Xapuri , quando o mestre Raimundo prestava seus conhecimentos, no Instituto Divina Providência, de 1955 a 1958.

Aquele professor de olhos azuis embalou e destruiu jovens corações das moças residentes em Brasiléia, Taraua-cá, Rio Brando e Xapuri. Contudo, foi a bela Edite, meiga e educada, que conquistou e prendeu o jovem Raimundo, para um casamento eterno.

Raimundo Gomes, desde criança demonstrava aptidão para os estudos, sua escolaridade foi exemplar: fez o curso primário no Grupo Escolar 7 de Setembro; ginasial no Colégio Acreano; colegial na Escola Normal Lourenço Filho; superior bacharel em Direito, Universidade Federal do Acre. Todos esses cursos em Rio Branco, conduziu-os com dedicação, aproveitamento e suprema inteligência.

O professor Gomes participou de vários cursos de especialização e aperfeiçoamentos na área de ensino, sendo os mais importantes: aperfeiçoamentos de Ensino, promovido pela Universidade Católica de Campinas – São Paulo; Administração da Legislação de Ensino – organizado pelo Centro de Administração Técnicas do Estado; Curso de professores do Ensino Médio, na disciplina de Português - organizado pela Inspetoria Seccional e Ensino Secundário do Amazonas.

A carreira profissional - Filho de famílias que primavam pelo trabalho, Raimundo Gomes de Oliveira sempre almejava trabalhar, já no inicio de sua juventude, para lhes proporcionar condições de vida ainda melhores. Sua primeira oportunidade de emprego aconteceu quando estudava no Colégio Acreano, convidado pelo diretor Pimentel Gomes (Agrônomo, escritor de livros de Matemática e Estatística), então responsável pelo setor Agropecuário, no governo Silvestre Coelho. As famílias Gomes eram amigas, quando Aymoré, filho do Dr. Pimentel, adoeceu, o colega Raimundo, começou a organizar as disciplinas ministradas no Colégio Acreano e repassá-las com firmes orientações. Percebendo sua capacidade para manipular números, designou-o, para o exercício da função de observador meteorológico na antiga Estação Experimental (hoje bairro) Agropecuária do governo. “Foi meu primeiro emprego, ao qual dediquei-me com muito amor, assiduidade e disciplina”.

Com a saída de Jarine, chefe do setor, o mestre assume o cargo de chefia do setor de meteorologia. Começa também sua carreira profissional de funcionário publico; O segundo setor de trabalho foi no Departamento de Viação e Obras Públicas.

Seu Grande sacerdócio, educação, começou em 1950. Com a profunda paixão, competência e amor o mestre Raimundo Gomes exerceu o Magistério desde os governos Guiomard Santos, até Orleir Cameli. Diretor do Colégio Acreano de 1966 a 1999, é uma vida! Passando pelo período negro da revolução até a democracia.

No período de 1950 a 1954 foi professor das disciplinas de Português e Francês, nas escolas Normal Lourenço Filho e Técnica de Comércio Acreano, Ginásio Nossa Senhora das Dores, Colégio Acreano até 1954; Instituto Divina Providência (Xapuri), 1955/1958; diretor da Escola Normal e Grupo Escolar João Ribeiro-Tarauacá, 1959/1963. “‘Fui recebido com um lindo baile e um recital no thea-tro de Tarauacá, por professores, pais, alunos e convidados, foi emocionante”.

O professor “Raimundo Louro” retoma sua brilhante carreira administrativa no ensino acreano em 1965, como vice-diretor do Colégio Acreano: diretor em 16 de maio de 1966, desde aquela data o Colégio Acreano obteve destaque no cenário educacional acreano e na Região Norte, onde formavam-se brilhantes acreanos, cujo capital intelectual foram demonstrados por governadores, desembargadores, funcionários públicos , professores, políticos. “Sou muito bem recebido e amado por meus ex-alunos”, diz Raimundo Gomes.

O cotidiano: Missões, alegrias e tristezas.

O professor Raimundo Gomes de Oliveira recebeu durante sua dedicação ao ensino acreano, em especial no Colégio Acreano, séries de homenagens, placas comemorativas, versos, cartões, poemas, festas surpresas, troféus, comendas as quais o emocionaram muito, felizmente, todas em vida, como reconhecimento aos seus serviços prestados ao desenvolvimento de ensino, como sejam: Honra ao Mérito - Universidade Federal do Acre; Educador do Ano – Imprensa escrita do Acre; Ordem da Estrela do Acre no grau “CAVALHEIRO“ - Governo do Estado do Acre, Medalha de Mérito Funcional – Governo do Estado do Acre; Cidadão Rio-branquense – Câmara Municipal de Rio Branco; Medalha de Honra ao Mérito Educacional – Conselho Educacio-nal de Educação; Certidão de Relevantes Serviços Prestados – Poder Judiciário; Medalha Cel. Manoel Fontinnelle de Castro – Polícia Militar do Estado do Acre; pelo decreto nº 57, de 13 de março de 1987, foi denominada de “Prof. Raimundo Gomes de Oliveira“ , a escola de primeiro grau construída no Conjunto Tucumã em 12 de outubro de 1988, uma bela homenagem, que o emocionou bastante e cunhou o nome de um educador apaixonado por sua missão no planeta Terra.

No carnaval de 1990, a Escola de Samba Cadeia Velha o escolheu para homenagear, como tema central do samba enredo. Foi a glória. Os amigos, alunos, professores e funcionários que puderam participar do desfile o fizeram com muita garra e agradecida alegria. O homenageado adentrou a avenida em um carro alegórico com a réplica do Colégio Acreano, aplausos, êxtase na avenida, gritos de campeão da educação e a escola campeã do carnaval.

Nos 70 (setenta) anos do Colégio Acre 1973 a 2003 recebeu uma placa comemorativa; em dezembro de 2010 recebeu a honrosa comenda Volta da Empresa – Poder executivo municipal de Rio Branco.

Raimundo Gomes de Oliveira teve nas páginas de sua vida uma missão importante, que o satisfaz e alegra seu coração até hoje: Participou como um dos principais articuladores da fundação da Casa do Estudante Acreano, uma peça importante no teatro da resistência política, desenvolvimento da educação acreana; fonte de propostas para criação do ensino universitário acreano.

Em uma das campanhas memoráveis, na qual houve envolvimento de toda a classe estudantil, Raimundo Louro é eleito primeiro presidente da Casa, de 1951 a 1954. Naquele período o presidente procurou dar uma independência total àquela representação estudantil, em relação aos demais segmentos políticos. “Fomos independentes e corajosos”.

Sua administração foi marcada por valorização da classe estudantil, intercâmbio com os estudantes da região Norte, na área de esporte, música, teatro, coordenou os primeiros jogos interestaduais. Acontecimentos marcantes para a inter-relação de amizade, lazer e conhecimentos regionais.

O mestre Raimundo é um exímio pianista clássico, e um apreciador da música popular brasileira, ele detém em seu acervo dezenas de cd’s clássicos, musicas regionais e MPB. Em função desse dom divino, no governo Edgar Cerqueira, em 1963, ele recebe uma missão especial: dirigir a Rádio Difusora Acreana “O senhor tem a missão de melhorar a programação da Rádio , incluindo músicas clássicas , brasileiras e regionais, avisos e informações educativas , com um porém; quebre todos os discos de Waldic Soriano. Não permito que nenhuma música toque nas rádios da Capital e interior“.

A missão foi cumprida, mas os discos foram solicitados, em doação, por um jovem, que iniciava sua carreira artística na rádio, em Cruzeiro do Sul, com nome de família tradicional dos nauás Osmir de Albuquerque Lima. Raimundo antes recomendou: “Não deixe tocar nenhuma música, senão somos exilados”“.

Um detalhe especial. Em palácio o governador Cerqueira, por ocasião da audiência, doou todos os discos clássicos à Rádio Difusora, pertencentes à sua coleção particular e o mestre Raimundo realizou um concerto de musica clássica a família e convidados do governador.

No teatro da vida, Raimundo Gomes teve algumas tristezas em função de ações administrativas e pessoais, contudo as que mais o emocionam até hoje são: a viagem de 1943, em plena II Guerra Mundial, com destino a Manaus para regularização junto ao Exército, e, possível ida para frente de batalha.

O ilustre futuro pracinha, com amigos, entre os quais o “Barrinho“, o guru eterno Zé Leite (como você faz falta, meu amigo), zarparam para Manaus. “Barrinho” de avião da FAB, Raimundo Louro de lancha, saída em julho/43, chegada setembro/43. Essa epopeia teve momentos de alegria e tristeza.

Momentos de profunda tristeza sair de Rio Branco, deixar os amigos, família. Sua irmã Nazira estava adoentada e ele tomou uma decisão: “não me despedi de ninguém, chorei muito”, falecimento de uma amiga, fome no Seringal Paunin , temporal no Solimões “Não morreram todos os passageiros, por milagres divino”, já em Manaus, a notícia do falecimento de sua querida irmã Nazira. Alegrias: encontro com amigos acreanos em Manaus, lá estava “Barrinho”, todos sob a tutela do representante do Acre, a embaixada acreana, a maior alegria: encontro com um coronel amigo: “Vocês estão liberados da frente de batalha. Os alemães estão sob controle dos aliados”. Fogos, carnaval e alegria, bebemoraram a liberdade.

Os quase pracinhas retornaram ao Acre, com sua situação no Exército regularizada. Foram e são felizes, curtindo as belezas do cotidiano acreano e trabalhando em prol do bem estar da população acreana.

Analisando a vida do professor Raimundo Gomes de Oliveira, vislumbro a honra daqueles guerreiros do século passado e início do presente, em participarem da luta pelo desenvolvimento do ex-território e do Estado do Acre. E, constato quanto é triste envelhecer fisicamente neste país. Quando estamos no auge de nossa capacidade intelectual, somos humilhados, jogados nos profundos porões da depressão, onde nossa companheira é a solidão, alguns têm a família como sustentáculo das nossas deficiências físicas, amenizando nossas dores, dando nos carinho e conforto.

Felizmente temos hoje no Acre uma equipe de anjos comandada pela senhora Mariazinha Leitão, compostas por médicos, nutricionistas, enfermeiros, voluntários, todos capacitados para lidar com as doenças da terceira idade, cujas orientações têm amenizado a vida de centenas de pessoas acometidas por doenças comuns da terceira idade. Que Deus lhes proteja e permita que tenham vida longa, para continuarem amenizando as dores, confortando e orientando as famílias das pessoas necessitadas.

Que excelente se existisse como na Inglaterra, uma Câmara dos Lordes, onde os assuntos importantes são filtrados e analisados. Sonhos! Sonhos!

Mas, se os governantes percebessem como seria oportuna uma reunião, mesmo que trimestral com os Lordes Acreanos receberiam alguns conselhos importantes, alguns puxões de orelha. Fica a sugestão.

Alô! Fundações (Elias Mansour, Garibaldi Brasil), essas pessoas que fizeram e fazem história acreana precisam ter suas vidas documentadas em vídeos, livros. Muitos deles já estão no Oriente eterno. Seremos um Estado sem memórias. Grande parte do material fotográfico, jornalístico, documentos, comendas, medalhas do professor Raimundo, necessita ser preservada, exposta, é fonte de história da educação acreana. Dá para escrever um livro.

Ao prestar essa homenagem de nascimento do professor Raimundo Gomes de Oliveira, externo aos demais colegas professores, que a cada minuto retiram da escuridão centenas de jovens e adultos, quer do meio rural e urbano, encaminhando-os para os portais da luz, do saber e da cidadania.

Parabéns querido mestre. Que permaneçamos por muito tempo neste planeta Terra, no Acre, abençoado por Deus. Felicitações a sua esposa Edite, ao seu filho Carlinho e demais familiares.

* Raimundo Barros Lima (Barrinho) - Eng.º Agrônomo e professor.
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