AMBIENTE ACREANO: MÉTODOS DE AMADURECIMENTO ARTIFICAL DE BURITI
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quinta-feira, janeiro 10, 2013

MÉTODOS DE AMADURECIMENTO ARTIFICAL DE BURITI

Sâmara Regina Santana Albuquerque (1), Janice Ferreira do Nascimento (2), Elessandro Santiago Oliveira (1), Anelise Maria Regiane (3), e Evandro J. L. Ferreira (5).

Introdução

O buriti (Mauritia flexuosa) é uma palmeira de grande porte que costuma formar grandes populações oligárquicas em regiões alagadas e de solo ácido. Possui distribuição ampla, tendo sido registrada a sua ocorrência na Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Trinidad, Venezuela e Brasil (Acre, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Pará, Minas Gerais, São Paulo, Piauí e Maranhão). No Acre é encontrado na maioria dos Municípios, mas as maiores populações ocorrem nas cercanias da cidade de Cruzeiro do Sul e ao longo de rios e outros cursos de água da bacia do rio Juruá [1]. 3.7-5.3cm de comprimento e 3-5.2cm de diâmetro

Os frutos do buriti apresentam aspecto escamoso, formato oblongo e coloração vermelho-escuro, quando maduros. Possuem comprimento médio de 3.7-5.3cm e diâmetro de 3-5.2cm. Pesam em média 32,6g, sendo constituídos de 50% de polpa, 45,2% de semente e 7,8% de casca [2]. A polpa, que possui entre 3 e 30 vezes mais Unidades Internacionais-I.U. de provitamina A do que a “cenoura” (Daucus carota), é de cor laranjada quando madura [3].

As folhas podem ser usadas para cobertura de habitações rústicas e as fibras da epiderme servem para a confecção de tecidos, cordas, redes, chapéus e bolsas. Além disso, os frutos têm grande utilização na culinária regional, no preparo de doces e geléias e na extração do óleo [4].

O óleo extraído da polpa, além de possuir características físico-químicas adequadas para uso em cosméticos, também tem potencial para ser usado na produção de Biodiesel. Entretanto, seu melhor aproveitamento qualitativo e quantitativo requer que os frutos usados apresentem maturação homogênea, garantindo alto rendimento na operação de despolpamento dos mesmos.

Material e métodos 

Foram colhidos 10 cachos com frutos não amadurecidos de uma população natural da espécie localizada no km 7 da BR 317, no município de Senador Guiomard, Acre. Os cachos foram transportados para a Unidade de Tecnologia de Alimentos (UTAL) da Universidade Federal do Acre, onde foram selecionados os frutos e estabelecidos os experimentos de maturação artificial. Teve-se o cuidado de usar apenas frutos intactos para evitar contaminação por microorganismos.


Os tratamentos usados foram os seguintes:

a) Método do carbureto: sete lotes de 100 frutos foram pesados e distribuídos em cestos plásticos previamente numerados. Os lotes foram colocados em uma câmara rudimentar feita com lona de polietileno e expostos ao gás acetileno, obtido através da reação de 350g de carbureto e 2 litros de água mantidos em recipiente de alumínio. Diariamente foi feita a reposição da água e do carbureto, retirados e pesados 100 frutos. Destes, 10 eram separados para detalhada análise visual. Os demais eram processados em despolpadeira elétrica para analisar o grau de maturação do mesocarpo.

b) Maturação em água: 500 frutos foram pesados e submergidos em uma caixa d’água fechada exposta ao sol. A água foi trocada diariamente para evitar a fermentação precoce dos frutos e a cada 24 horas foram retirados e pesados 100 frutos, dos quais dez eram separados para detalhada análise visual. Os demais eram processados em despolpadeira elétrica para analisar o grau de maturação do mesocarpo.

c) Método do sol: cinco lotes de 100 frutos foram pesados e distribuídos em bandejas de aço inoxidável (previamente enumeradas), cobertas com lona de polietileno e expostas ao sol. A cada 24 horas uma bandeja foi retirada e seus frutos pesados. Em seguida 10 frutos eram separados para detalhada análise visual e os demais eram processados em despolpadeira elétrica para analisar o grau de maturação do mesocarpo.

Para todos os tratamentos, a análise visual detalhada consistiu na avaliação dos seguintes critérios: cor da casca, desprendimento da casca, cor da polpa, consistência da polpa e aderência do pedúnculo. Depois disso os frutos maduros foram descascados e despolpados manualmente com facas e colheres de aço inoxidável. Os frutos verdes ou de vez foram colocados em béquer com água aquecida (80°C) a fim de facilitar o despolpamento manual. Para verificar a eficiência dos diferentes métodos de amadurecimento, foi realizada a análise centesimal da polpa de cada uma das amostras obtidas de cada dia e método. A quantificação dos teores de umidade foi feita em estufa a 90°C, até peso constante. O Lipídio foi obtido por extração com éter de petróleo em extrator de Soxhlet. O índice de acidez do óleo foi determinado por titulação com solução 0,1N de hidróxido de Sódio (NaOH) utilizando o óleo extraído decorrente da análise de lipídios. Os procedimentos realizados estão de acordo com as normas do Instituto Adolfo Lutz [5].

Resultados e Discussões 

A reposta dos frutos aos três métodos de maturação artificial são observados nas tabelas 1, 2 e 3. A análise visual permite concluir que conforme ocorre a maturação a casca do fruto torna-se cor de vinho e fica mais desprendida da polpa. Esta, por sua vez, torna-se mais tenra e escura, alcançando cor laranja, tem a umidade diminuída e o teor de lipídios aumentado. O fruto maduro desprende-se facilmente do pedúnculo. O método de exposição ao sol (método tradicional de maturação) não mostrou-se eficiente pois não houve maturação e sim desidratação dos frutos. O método de imersão em água leva à maturação não-uniforme dos frutos. Ou seja, os frutos podem ou não estar maduros no tempo proposto para este fim (até 5 dias). O método do carbureto mostrou-se mais indicado, uma vez que os frutos mostraram estágio de maturação uniforme. Na utilização do carbureto são necessários 5 dias para maturação completa.

Agradecimentos 

Ao CNPq, Unidade de Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Acre e Fazenda Nichteroy. Referências

[1] FERREIRA, E. J. L. F. Manual das palmeiras do Acre, Brasil. Disponível em: www.nybg.org/bsci/acre/www1/manual_palmeiras.html. Acesso em: 10 Agosto 2005.

[2] ALBUQUERQUE, S. R. S., REGIANE, A. M., Estudo do fruto do buriti (Mauritia flexuosa) para obtenção de óleo e síntese de biodiesel. 29a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, Águas de Lindóia, São Paulo.

[3] ALTAMAN, R.R.A., CORDEIRO, M. M. C, A industrialização do fruto do buriti( mauritia Vnifera ou Mauritia flexuosa). 5 ed. Manaus: Sergio Cardoso & CIA. LTDA. 1964.

[4] ALMEIDA, S. P. de.; SILVA, J. A. da. Piqui e buriti: importância alimentar para a população dos cerrados. Planaltina: Embrapa-CPAC, 1994. 38 p.


[5] INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz: Métodos físicos e químicos para análise de alimentos. 3. ed. São Paulo: Instituto Adolfo. 1985.

Tabela 1. Avaliação das características visuais do fruto de buriti (Mauritia flexuosa) maturados pelo método do carbureto. N. d. – não determinado











Tabela 2. Avaliação das características visuais do fruto de buriti (Mauritia flexuosa) maturados pelo método de imersão em água.










Tabela 3. Avaliação das características visuais do fruto de buriti (Mauritia flexuosa) maturados pelo método de exposição ao sol. N. d. – não determinado

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