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04 novembro 2005

ARRASTÃO CONTRA A MALÁRIA EM CRUZEIRO DO SUL, ACRE

Do jornal A TRIBUNA (4/11/2005)
Cruzeiro do Sul - Um avião, tipo Hércules, da Força Aérea Brasileira (FAB), deverá chegar ainda nesta semana a Cruzeiro do Sul, trazendo mais de 17 toneladas em medicamentos e equipamentos, além de pelo menos 40 especialistas em endemias para combater a incidência de malária que assola a região e que fechou outubro com o registro de quase quatro mil casos só em três municípios.
O anúncio das novas estratégias de combate à doença foi feito ontem em Cruzeiro do Sul pelo governador Jorge Viana e, em Brasília, pelo senador Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado. De acordo com o governador e o senador, a idéia é fazer uma espécie de arrastão - o chamado inquérito hemoscópio - em que cem por cento da população dos municípios mais atingidos, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, sejam submetidos a exames.
Ontem, enquanto o governador Jorge Viana se reunia em Cruzeiro do Sul com os prefeitos dos municípios mais atingidos, o senador Tião Viana, em Brasília, obtinha, com o ministro da Defesa, o vice-presidente José Alencar, a garantia da liberação do avião da Força Aérea Brasiléia para o transporte dos equipamentos e medicamentos. O senador obteve ainda a garantia de que R$ 500 mil serão liberados pelo Ministério da Saúde para que a Prefeitura de Mâncio Lima, até aqui o município mais atingido, faça drenagem urbana em áreas alagadiças, os locais apontados como focos de reprodução do mosquito transmissor da doença. Os recursos são oriundos de emenda parlamentar de autoria do deputado federal João Tota (PL-AC), cuja liberação foi defendida por Tião Viana como fundamental para ajudar no combate à doença.
Paralelo ao trabalho nas áreas alagadiças, a coordenadoria iniciará, no próximo sábado, a coleta de lâminas de todo a população do município. A operação vai se estender para outros municípios a fim de que cem por cento das suas populações sejam examinados. "Há pessoas assintomáticas, aquelas que contraem a doença, mas não desenvolvem o sintoma, sendo um foco de contaminação. É que o mosquito que atingir essa pessoa, ao picar outra pessoa já fez a transmissão. Então, há idéia é também localizar essa pessoa, tratar as que estão doente e evitar a propagação da doença", disse Evandro Moura, coordenador de endemias no Vale do Juruá.
De acordo com os dados da Coordenadoria de Endemias da Secretaria de Saúde no Vale do Juruá, em outubro, a região registrou 3.820 casos da doença, sendo dois mil em Cruzeiro do Sul, 990 em Mâncio Lima e 830 em Rodrigues Alves. Os números são relativamente superiores aos dados do Ministério da Saúde, cujo serviço de informações de vigilância epidemiológica informa que, no mesmo período, nos três municípios os casos notificados forma 3.791.
O Ministério da Saúde informa que, em outubro, no Estado inteiro, houve 3.997 casos de malária, sendo que os 3.791 foram apenas em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Dos três municípios, Mâncio Lima era o que, proporcionalmente, parecia sem nenhum controle sobre a doença até julho, quando foram registrados 1.172 casos numa população estimada, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), em 8.699 mil pessoas.
Considerando que nos meses anteriores, foram notificados outros 2.005 casos, Mâncio Lima chegou a figurar como o município a registrar, proporcionalmente, o maior índice da doença no Brasil.
Os números, no entanto, começam a mudar fruto do intenso trabalho desenvolvido pelo governo do Estado em parceria com o Ministério da Saúde e as prefeituras da região. Dos 1.172 casos registrados em julho em Mâncio Lima, o número caiu para 707 em agosto e em setembro voltou a subir, chegando a 834 casos, e agora em outubro caiu para 626, segundo os dados oficiais do Ministério da Saúde.