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quarta-feira, março 11, 2009

COM ESSE ACORDO, NÃO TEM ACORDO!

Felipe Cruz Mendonça
Servidor público, acrEano e escrivinhador nas horas vagas

ATENÇÃO! ATENÇÃO! Mais uma do diário mensal mais lido no SOZA. Direto do meu Acre querido, a terrinha onde os agentes penitenciários começam o ano com uma reivindicação sensacional! Acreditem vocês que os mesmos querem lutar pelo direito de dormir durante o plantão noturno. Já imagino até a cena:
- Vem pessoal! Vamos fugir por ali e não façam barulho. Se o carcereiro acordar vai melar nossa fuga e o pior: vão querer hora extra por ter que trabalhar no plantão deles e vão onerar ainda mais os cofres públicos.
HA!HA!HA! Etâ bandido consciente! HA!HA!HA!
Esse meu Acre, como diria a Nem de Madureira, é uma bença!
*
Meus amigos, fora a gracinha acima no quartel, começo o ano irritado e já lançando uma nova campanha com o título: "Esqueçam o Acre, peloamordeDeus". Vocês sabem o que aprontaram com a gente agora? Na calada da noite da passagem do ano, com esse novo acordo ortográfico da língua portuguesa, que visa preservar a "integridade" da língua de Camões, acreano passou a ser escrito com i, transformando-nos num esquisito e indigesto acriano. Nos tiraram a alegria contagiante do eeeeeee! e nos deixaram com um ressabiado iiiiii!

Segundo o novo acordo, "escreve-se com i, e não com e, antes da sílaba tônica, os adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos mistos de formação vernácula -iano e -iense, os quais são o resultado da combinação dos sufixos -ano e -ense com um i de origem analógica (baseado em palavras onde -ano e -ense estão precedidos de i pertencente ao tema: horaciano, italiano, duriense, flaviense, etc.): açoriano, acriano (de Acre), camoniano, goisiano (relativo a Damião de Góis), siniense (de Sines), sofocliano, torriano, torriense [de Torre(s)];"
Entenderam? Nem eu.

Lendo essa explicação, começo a me achar um prodígio por ter aprendido a falar, ler e escrever em português. Só fico imaginando como deve ser um i digital agora que descobri que existe o i analógico. Ha! Ha! Ha!

Em que pese minha santa ignorância vernácula e a minha eterna má vontade crônica que tenho com tudo que não concordo, eu pergunto: mas pra quê mesmo uniformizar a língua portuguesa entre os países de língua portuguesa? Qual é o problema, por exemplo, de Moçambique e Angola tomarem um rumo de uma língua afro-portuguesa, se lá o português deles já é diferente do nosso? Afinal de contas, a língua é uma coisa viva, principalmente, na boca das pessoas. A partir do momento em que a língua falada não segue mais os rumos da língua escrita, por que então modificar uma gramática já tão complexa pra uniformizar uma língua que já não é mais uniforme? Além do que, se formos observar o índice de alfabetização dos países de língua portuguesa no mundo como o próprio Moçambique com 62% de analfabetismo e Guiné Bissau com 56%, esse acordo corre risco de naufragar não por desobediência, mas por falta de quem cumpra-o.

E essa mudança foi atrapalhar quem? Quem? O Acre... a Geni brasileira! Parecem até que estão de marcação com a terrinha ultimamente. Só em 2008 o Acre já mudou de hora, cresceu lá pros rumos do Amazonas e agora mudaram nossa identidade. Por mais que alguns relaxados já falassem com som de i, já vou dizendo que o acreano escrito com qualquer outra letra que não o e, não tá falando com a gente. Eu hein! Com essa onda de mudanças, já tô até vendo a hora em que vão proibir de colocar o tucupi no tacacá, a farinha no feijão e, quiçá, vão inventar de mudar o nome do Acre pra Docinho, alegando que Acre é um nome muito azedo. Faça-me o favor!

Por isso, eu peço encarecidamente a todos: esqueçam do Acre! Deixa nóis aqui no cantinho, quietinho, bunitinho e caladinho. Ah! Não tem gente que vive falando que o Acre não existe? É isso mesmo pessoal. O Acre de fato não existe. Na verdade isso tudo que venho falando pra vocês nesses 6 anos eu escrevo em Copacabana, mais ou menos ali no posto 1, na Prado Júnior. É tudo coisa da minha cabeça... eu juro! Era uma pegadinha...hã?hã? Engraçado né? Aonde já se viu, falar que o Acre existe. Só doido mesmo! O Acre é uma espécie de Atlântida da floresta: todo mundo fala que existe, mas nunca ninguém viu. E como ninguém viu, não precisa ficar importunando, né não?

Ai Brasil: mira em nóis, mas erra!

Originalmente publicado no blog 'Diário de um acreano", em 17 de janeiro de 2009.
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