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24 setembro 2007

‘HORA NACIONAL' NO PAÍS

Alessandro Malveira, especial para A CRÍTICA

Empresários amazonenses do setor de radiodifusão, principalmente os proprietários de emissoras de televisão, trabalham uma articulação política para aprovar, na Câmara Federal, projeto de lei que cria a 'hora nacional'. Se aprovado, todos os 27 Estados do País terão como horário oficial o de Brasília.A criação da 'hora nacional' é apontada por esses empresários como uma possível solução para o problema criado para esse segmento pela portaria nº 1.220/2007, do Ministério da Justiça.

A portaria estabelece a classificação indicativa de programas de televisão por faixas etárias e determina horários para sua exibição, fazendo os ajustes em função do fuso horário, o que obriga, por exemplo, os empresários amazonenses a gravar toda a programação para exibi-la com uma hora de atraso em relação a Brasília.

A proposta será apresentada na Câmara pela deputada federal Rebecca Garcia (PP), também empresária do setor."É claro que essa posição da Rebecca é em função de um trabalho do Sindicato (Sindicato das Empresas de Radiodifusão do Estado do Amazonas-Sinderpam). Fizemos uma reunião entre Sinderpam e a Comissão da Amazônia, se discutiu muito a idéia de acabar com fuso horário. A classificação na TV e uma série de coisas que a gente iria resolver", defendeu o presidente Sinderpam e da Associação Amazonense de Rádio e Televisão (Amert), Rui Alencar.

Alencar, que também é diretor da TV A Crítica/Record, informa que o Sinderpam já conversou sobre o tema com outros setores empresariais, que, segundo ele, dariam apoio à idéia da 'hora nacional'. Ele disse que membros do sindicato já teriam conversado com o governador Eduardo Braga (PMDB) e com o prefeito de Manaus, Serafim Corrêa (PSB), e que os dois teriam "acenado de forma a concordar com essa posição".

"Temos o aval da classe empresarial, do comércio, da indústria e da agricultura. Já temos contato com o presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM) e estamos articulando conversas com a classe trabalhadora", disse Rui Alencar.O presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomercio), José Roberto Tadros, que participou de reuniões com membros do Sinderpam, se disse "de plano acordo' com a unificação nacional dos horários. "Vejo com bons olhos, porque uma coisa é o horário oficial, outra é o horário de trabalho. Cada instituição, cada empresa, tem o direito de estabelecer seus horários. O comércio, que abre às 8h, passará a abrir às 9h. Aqui, na Federação do Comércio, começamos a trabalhar às 8h30, começaríamos às 9h30 e terminaríamos às 18h30. Não existiriam dificuldades", disse.

Tadros repetiu o argumento de Rui Alencar segundo o qual a exibição de programas gravados passaria a respeitar a classificação por faixa etária e os horários determinados pelo Ministério da Justiça prejudicariam os amazonenses pela defasagem de uma hora em relação a Brasília."Não podemos aceitar que uma cidade de 2 milhões de habitantes receba as informações atrasadas. O Jornal Nacional sai às 8h de Brasília e vai passar aqui uma hora depois. Todos nós precisamos estar bem informados em tempo real. Tivemos uma reunião, eu, o Phelippe (Daou), o Rui Alencar e o Milton (Cordeiro) e vimos que isso (gravação dos programas) vai criar problema muito sério para os canais de TV", argumentou o empresário.