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Na Web No BLOG AMBIENTE ACREANO

07 maio 2006

COCÃO, O BABAÇU ACREANO

O cocão é uma palmeira nativa do vale do rio Juruá, no Estado do Acre, que pode ser considerada o "babaçu" acreano. A razão é que seus frutos são tão grandes quanto os do babaçu (muito comum no Maranhão). Até a forma de aproveitamento do cocão se parece com a do babaçu.

Botanicamente, ela pertence ao mesmo grupo de outras palmeiras muito conhecidas dos acreanos: "uricuri" (Attalea phalerata), "jaci" (Attaea butyraceae) e "coco najá" (Maximiliana maripa). Será que ela também é parente do babaçu? A resposta mais correta é "mais ou menos". O babaçu foi botanicamente descrito no gênero Orbygnia. O cocão pertence ao gênero Attalea. Com os passar dos anos, alguns estudiosos sugeriram que estes dois gêneros botânicos eram (são) tão similares que não valeria a pena mante-los separados. Assim, por um tempo ambas as espécies foram colocadas dentro do gênero Attalea e podiam, popularmente falando, ser considerados irmãos. Atualmente, é aceito a separação de gêneros e eles podem ser considerados primos.

Fotos: J. Ribamar, rio Muru, Tarauacá-Ac (2006)






Em nosso Estado ela só pode ser encontrado no vale do Juruá, a partir do rio Envira. Além do oeste do Acre, o cocão ocorre também no Peru (Loreto, Madre de Dios e Ucayali). Geralmente ela é mais comum em florestas primárias de terra firme e em algumas localidades no rio Muru (Município de Tarauacá), forma extensas populações em áreas de pastagens cultivadas. Exatamente como o babaçu.

No vale do rio Juruá ela é muito apreciada pelos seringueiros, ribeirinhos e pequenos agricultores porque o endosperma das sementes, ou a "carne branca de dentro do coco", é muito usada para a extração de um óleo comestível, usado em substituição ao óleo de soja.

Fotos: J. Ribamar, rio Muru, Tarauacá-Ac (2006)






A extração do óleo é um processo manual e requer as seguintes atividades:
a) Coleta dos frutos e extração do endosperma por quebra manual do endocarpo, usando um terçado ou pedaço de madeira;
b) Moagem ou maceração das amêndoas em moinho ou "pilão", de maneira a transformá-las em uma massa, a mais fina e homogênea possível;
c) Aquecimento da massa em água quente para separação preliminar do óleo, que tende a flutuar naturalmente e é retirado com uso de uma concha;
d) Filtragem e decantação dos sedimentos em suspensão, usando-se tecidos de algodão, deixando o óleo "descansar" de um dia para o outro (uma noite);
e) Armazenamento do óleo em vidro escuro.

No vale do Acre, que inclui as cidades de Rio Branco, Xapuri e Brasiléia, é comum temperar pratos nobres usando o "leite da castanha" (Castanha do Brasil). Tudo fica mais saboroso. Lá na Juruá, nos lugares onde o cocão pode ser encontrado facilmente, se usa o leite do "cocão". Que tal uma paca no "leite do cocão"? No rio Moa eu lembro que comi jacaré no "leite do cocão" e estava uma delícia.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Creio ser o cocão o exemplo mais concreto para um dispersor tipo "megafauna".

09/05/2006, 06:20  
Blogger Roberval Souza said...

Existe o Cocao aqui em Alagoas tambem. Meu avo conta que quando os cacadores subiam nele para cacar bichos e desciam, ao passar de um ano ele estava morto. Isso foi comprovador por varias experiencias feitas pelos cacadores. A ciencia nao explica.

20/08/2009, 12:16  

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