AMBIENTE ACREANO: Dezembro 2008
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quarta-feira, dezembro 31, 2008

IDOSOS E OS MOVIMENTOS SOCIAIS

Idosos devem estar entre os protagonistas dos movimentos sociais

Informe Ensp

O pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz José Luiz Telles assumiu, no final de outubro deste ano, a presidência do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI). O CNDI tem como objetivo elaborar as diretrizes, instrumentos, normas e prioridades da Política Nacional do Idoso, bem como controlar e fiscalizar as ações de execução. Há dois anos coordenando a Área Técnica da Saúde do Idoso do Ministério da Saúde (MS), Telles participou de diversas iniciativas em favor da melhoria das condições de saúde dessa população. Em entrevista ao Informe Ensp, o pesquisador fez um balanço das atividades realizadas pelo MS nesses dois anos e comentou os principais objetivos e desafios de sua gestão à frente do CNDI.

Em 2006, o senhor foi nomeado pelo atual ministro da saúde, José Gomes Temporão, na época secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, como coordenador da Área Técnica da Saúde do Idoso. Naquele período, em entrevista ao Informe Ensp, o senhor informou que sua principal meta seria ajudar o MS a priorizar o tratamento de saúde das pessoas da terceira idade no SUS. Pode contar um pouco sobre o trabalho desenvolvido à frente da coordenação nos últimos anos?

José Luiz Telles: Em 2006, o ministério lançou o Pacto pela Vida, no qual a saúde do idoso aparece como prioridade nas três esferas de governo. Nós compactuamos com municípios e estados algumas ações consideradas estratégicas nesse campo. Vamos fechar o ano de 2008 com a distribuição de 10 milhões de exemplares da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, atingindo mais de 50% da população desssa faixa etária. O objetivo da caderneta é dar instrumentos aos profissionais da atenção básica para identificar situações de risco, incapacidades e elaborar situações de prevenção. Com a caderneta vamos distribuir 70 mil exemplares do Caderno de atenção básica em envelhecimento da saúde da pessoa idosa. A intenção é que os profissionais de Saúde da Família de cada unidade básica tenham em mãos o caderno, que traz alguns protocolos clínicos que orientam para a sua prática profissional.

Além disso, nós lançamos em Salvador, em setembro deste ano, o primeiro curso de aperfeiçoamento em envelhecimento em saúde da pessoa idosa utilizando a tecnologia a distancia. Fizemos um convênio com a Ensp para que 500 profissionais da atenção básica das regiões Norte e Nordeste tivessem acesso a um material didático produzido sobre o que há de melhor na gerontologia e na geriatria. Como disse, o curso foi lançado em setembro e o material já está chegando aos alunos. Essa é a primeira turma e esperamos que a educação a distância chegue a todo o território nacional. Escolhemos essas regiões porque nelas encontramos menores condições de formação de recursos humanos.

Portanto, essas três ações em conjunto - a caderneta, o caderno de atenção básica e o curso de a distância - configuram uma política de priorização da capacidade da atenção básica em dar respostas às questões especificas de saúde da velhice. A meta é qualificar esse nível de atenção para que dê mais respostas.

Além disso, o ministério demonstrou uma grande preocupação com os idosos "caidores", e também com os problemas relacionados à violência doméstica. Comente as ações realizadas para enfrentar esses dois problemas.

Telles: Nós lançamos o Guia prático do cuidador, buscando dar um instrumento que possibilite ao cuidador do idoso ter mais competência no seu hábito de cuidar. Lançamos também com as escolas técnicas de Saúde, o Programa Nacional de Formação de Cuidadores de Idosos. Isso significa dizer que a rede de escolas técnicas de Saúde e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz estão incluídas, que o MS abraçou a formação de cuidadores de idosos, o que traz uma perspectiva nova para essa área. Na medida em que as escolas técnicas têm a capacidade de fazer cursos descentralizados, temos a possibilidade de formar um contingente expressivo de pessoas que cuidarão dos idosos que apresentam algum grau de dependência. Portanto, trata-se de um conjunto de ações que definimos em 2006, que foram pactuados e que conseguimos colocar na rua, permitindo uma instrumentalização maior para lidar com as questões próprias da velhice.

De acordo com o Ministério da Saúde, 27% das internações dos 93 mil idosos são em decorrência de violência e agressões, sejam elas explícitas - as físicas, por exemplo - ou mais sutis, como os casos de negligência e de abuso psicológico. Para se ter uma idéia, esse conjunto de agressões é a causa de 3,5% dos óbitos de pessoas idosas. Que ações o ministério pretende desenvolver para combater esses abusos?

Telles: A violência é um problema muito sério, que afeta a população mais vulnerável, como as crianças, as mulheres e a população idosa. Trata-se de um problema multidimensional. A agenda social que será construída por todos os ministérios que compõem a Política Nacional do Idoso, será anunciada pelo presidente da República na 2ª Conferência Nacional de Direitos do Idoso. Vamos propor que a violência seja um dos pontos centrais da atuação do governo. Isso implica dizer que as ações deverão ser coordenadas pela Secretaria Especial de Direitos Humanos e executadas pelos ministérios da Saúde e da assistência social, pelo Ministério Público. Enfim, uma ação coordenada, incluindo organizações da sociedade civil.

Na saúde, já temos ações importantes, como o Sistema de Vigilância de Violência e Agravos, instituído pelo MS. Existe um formulário eletrônico para notificação que pode ser utilizado diante de qualquer suspeita de violência, em qualquer faixa etária. Além disso, precisamos fortalecer as instâncias de polícia e as delegacias especiais de idosos, que hoje são poucas. Enfim, temos que somar esforços para que isso seja minimizado, pois se trata de uma complexidade muito grande.

O senhor destacou a importância da formação do profissional que atua com a população idosa e comentou o lançamento do curso de aperfeiçoamento que pretende formar profissionais do Norte e Nordeste. E o curso de especialização em envelhecimento da saúde da pessoa idosa?

Telles: O curso de especialização em envelhecimento da saúde da pessoa idosa já se tornou uma referência nacional. Talvez seja o único curso no Brasil que traz para a área da gerontologia a perspectiva da saúde publica, isto é, da gestão de serviços, da organização de ações de prevenção, e todo o curso é pautado por aquilo que o MS tem definido como áreas, ações e políticas prioritárias. É um curso que tradicionalmente tem uma procura grande de alunos.

No final de outubro o senhor foi indicado para a presidência do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI). Quais serão os principais planos e desafios na sua gestão?

Telles: Uma primeira questão importantíssima é que o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso é uma instância de controle social das políticas públicas voltadas para as pessoas idosas. Da mesma forma que na saúde temos o Conselho Nacional de Saúde, na assistência social temos o Conselho Nacional de Assistência Social, temos o CNDI, do qual participam como membros 14 representantes do governo e 14 representantes da sociedade civil. Na gestão de 2009 a 2010, a presidência coube a um representante do governo e o Ministério da Saúde indicou meu nome. Este é um fator importante e um reconhecimento do trabalho que o ministério vem fazendo durante esses últimos anos para colocar em prática todas as diretrizes que constam na Política Nacional da Saúde da Pessoa Idosa.

O que vai marcar a minha gestão é a clara percepção de que as políticas sociais, hoje, são descentralizadas. Isso implica que o trabalho do Conselho Nacional deve ser pautado pelo fortalecimento das instâncias locais de controle social, isto é, fortalecer os conselhos dos direitos do idoso dos estados e fazer com que esses conselhos estaduais fomentem a construção dos conselhos municipais da saúde do idoso.

Uma segunda questão é que o movimento de controle social das políticas públicas tem vários segmentos, como a assistência sócia e os portadores de deficiência. Dessa forma, o CNDI tem que estar junto a esses conselhos nacionais, fazendo com que a interface entre a saúde e essas áreas seja melhor explorada. Isso fortalecerá o movimento social como um todo. Uma terceira questão importante é o próprio papel do conselho em formular diretrizes, acompanhar a aplicação das políticas públicas e fazer o monitoramento das políticas, no sentido de sempre buscar aperfeiçoar e ampliar as conquistas sociais. Outra questão muito importante desse conjunto de diretrizes é a clara percepção de que a população idosa deve ser a principal protagonista desses movimentos sociais. Não estamos falando só em fazer políticas para os idosos, mas fazer com que os espaços públicos sejam cada vez mais permeáveis para a participação dessa população.

Um dado relevante é que, nos dias 18, 19 e 20 de março de 2009, haverá a 2ª Conferência Nacional de Direitos da Pessoa Idosa. O evento será promovido em Brasília e terá 600 delegados de todo o país, que avaliarão os avanços em termos de políticas públicas nesses dois anos. A conferência será um marco do processo de protagonismo da pessoa idosa e nós, do conselho, nos pautaremos para fortalecer cada vez mais as instâncias de participação social da pessoa idosa.
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FELIZ ANO NOVO!



















@charge do jornal 'A Crítica'
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A NOVA ORDEM NO EXTRATIVISMO DA AMAZÔNIA

Do aviamento às cooperativas de trabalhadores*

O imperialismo na Amazônia revela como — através da sua política de ecologismo — imprime o caráter semifeudal nas relações de produção e de trabalho

Nazira Correia Camely**

Revista Nova Democracia

Ao final do século XIX, a economia da Amazônia atendia aos interesses do capital monopolista internacional como fornecedora da borracha, matéria-prima de fundamental importância para o desenvolvimento do capitalismo em sua fase monopolista. Essa economia foi caracterizada como sistema de aviamento, que consistia na manutenção da dependência do seringueiro ao patrão seringalista através do endividamento. Com a falência dos seringais e a expansão da frente agropecuária na Amazônia, nos anos 70 do século XX ocorre o acirramento da luta pela terra nesta região.

No Acre, a luta pela terra é descaracterizada quando o imperialismo alicia antigos ativistas para os movimentos de "defesa do meio ambiente”. Aqui, o exemplo mais famoso é o de Chico Mendes, transformado mais tarde em agente ambientalista.

No final dos anos 80 são criadas na Amazônia as Reservas Extrativistas (Resexs), que passam a cumprir vários papéis: garantir a preservação de recursos naturais para uso futuro dos monopólios; produzir, no lugar de alimentos para as populações camponesas, produtos exóticos para os mercados dos países imperialistas; criar no campo uma população não identificada com os camponeses de outras regiões, mas atendendo interesses mediatos dos imperialistas. Em meados dos 80, instituições vinculadas ao imperialismo, como Ongs ianques e inglesas, atuavam com um conjunto de indivíduos da pequena burguesia, alguns vinculados ao PCdoB, outros ao PT/Igreja Católica, desenvolvendo cooperativas de produção no atendimento das demandas dos seringueiros nas áreas de saúde e instrução pública.

As cooperativas visavam enfrentar os atravessadores (marreteiros) na comercialização da borracha, momento em que a maioria dos seringalistas (proprietários dos seringais), falidos, já transferiam suas propriedade para grandes pecuaristas. Em 1988 é fundada a Cooperativa Agroextrativista de Xapuri (Caex), e em 1993 a Cooperativa Agroextrativista de Brasiléa (Capeb), ambas com usinas de beneficiamento de castanha, agregando-lhes os nomes de duas personalidades assassinadas, Chico Mendes e Wilson Pinheiro, respectivamente.

A Caex recebeu apoio e financiamento de Ongs e Fundações de governos imperialistas como a Cultural Survival Enterprise; Fundação Ford; Fundação Inter-Americana (organismo do Estado ianque); World Wildlife Fund (WWF); Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); instituições dos EUA; a Ong Novib, da Holanda; do governo da Áustria e também de instituições brasileiras como o BNDES e Ibama.

O montante de recursos recebidos pela Caex, no período entre dezembro de 1988 e julho de 1989, alcançou a cifra de US$ 1,8 milhões.
Relações de produção nas cooperativas

A Castanha do Brasil (Bertholletia excelsa) é árvore secular encontrada em várias regiões da floresta amazônica, principalmente no Brasil, Peru e Bolívia. Por ordem de concentração, sua maior incidência ocorre no Acre, Amazonas, Pará e ao norte do Mato Grosso.

Em 1990, começou a funcionar em Xapuri a Usina de Beneficiamento de Castanha Chico Mendes, com a maior parte de sua força de trabalho composta por quebradoras de castanha, assim designadas pela atividade de quebra da casca da castanha para a retirada da amêndoa. A maioria dessas trabalhadoras era constituída por antigas moradoras dos seringais da região, expulsas com suas famílias no período dos violentos conflitos de terra na frente de expansão da economia agropecuária, principalmente na região do Vale do Acre, nos municípios de Brasiléia e Xapuri.

Nos seringais, as mulheres já exerciam a atividade de quebra da castanha para diversos usos da fruta, como o leite e o óleo, enquanto os homens ocupavam-se da atividade de coleta dos ouriços no período da safra. Esse "saber fazer” das mulheres no uso doméstico da castanha foi apropriado pela cooperativa ao contratá-las para a atividade de quebra da castanha. Nas atividades fabris essa apropriação representa a característica de todas as coisas que no capitalismo toma a forma de mercadorias, inclusive os homens e mulheres ao venderem sua força de trabalho. A produção no interior da usina concentrava mais trabalhadoras no setor de quebra, com 90% de participação das mulheres. Inicialmente, de 1990 a 1992, foram contratadas mais de 100 mulheres para a usina, em regime de CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), destacando-se carteira de trabalho assinada, com garantia de benefícios e Previdência Social.

O processo de trabalho na Usina abrange inicialmente a etapa de seleção e lavagem das castanhas que chegam dos seringais. Depois as castanhas passam por um processo de imersão de várias horas onde permanecem num caldeirão para que sua casca seja dilatada, facilitando a fase seguinte, em que as trabalhadoras, auxiliadas por martelos manuais, passam longas horas sentadas executando a quebragem.

A quebra requer muita habilidade, sendo que a maior quantidade obtida de castanhas inteiras garante a melhor qualidade do produto, por isto denominado de castanhas inteiras (tipo 1), castanhas quebradas (tipo 2) e castanhas muito quebradas (tipo 3). Os tipos 2 e 3, depois da retirada das cascas, são utilizados pelas indústrias em doces, biscoitos etc. A quebra da castanha é a fase do processo da produção que impõe às trabalhadoras um ritmo e intensidade de trabalho alto e fatigante — uma extensa jornada de trabalho acompanhada de riscos de acidentes. Aí, como as castanhas chegam do processo de imersão ainda muito quentes, é comum as trabalhadoras queimarem os dedos e receberem golpes involuntários desferidos durante o uso prolongado do martelo manual.

Pior, muito pior

Estratégias ecológicas e de "flexibilização” promovem a piora das condições de vida das trabalhadoras. Em 1992 foi elaborado na Caex o "Projeto Castanha” que objetivava: 1) levar para os seringais da Resex Chico Mendes a atividade de beneficiamento da castanha com a instalação de mini e micro usinas que objetivavam o "aumento da renda de famílias” da reserva extrativista e, principalmente, promover uma atividade em termos "ecologicamente corretos” que agregassem mais valor aos chamados produtos da floresta, como é o caso da castanha, e promovessem atividades econômicas que garantissem a floresta em pé — no caso, as castanheiras; 2) flexibilização da produção e do trabalho com o objetivo de reduzir custos, principalmente os da força de trabalho.

A função ecológica do "projeto castanha” tem como objetivo garantir aos interesses imperialistas a preservação de recursos estratégicos para a indústria da biotecnologia. Daí a necessidade de preservação dos recursos naturais. E novamente, aparecem os agentes do imperialismo que financiaram e promoveram a descaracterização da luta pela terra no Acre em benefício da "preservação” do meio ambiente.

A "flexibilização da produção” é a estratégia utilizada com o objetivo de retirar mais valor do processo de trabalho, para dar um fôlego financeiro à Cooperativa. Para tanto, a Caex demitiu as trabalhadoras e estabeleceu um contrato com outras mulheres, onde elas se comprometiam a efetuar o processo da quebra da castanha nas suas casas, obedecendo aos padrões de produção e normas de higiene, estratégia que pretendia garantir a mesma qualidade do produto obtido na Usina.

Em 1999, a remuneração das trabalhadoras correspondia ao valor da produção obtida com a quebra das castanhas em seus domicílios: R$ 0,55 por quilo de castanha quebrada inteira (tipo 1); R$ 0,35 por quilo de castanha de tipo 2 e R$ 0,25 por quilo de castanha de tipo 3. Para alcançarem o valor do salário mínimo da época as trabalhadoras tinham que trabalhar até doze horas por dia e contar com o trabalho de outros membros da família para obter da quantidade de quilos de castanha quebradas um rendimento mínimo.

Na cidade de Brasiléia, na fronteira com a Bolívia (e palco de luta dos seringueiros nos anos 70), o cooperativismo representado pela Cooperativa Agroextrativista de Brasiléia, colocou as quebradoras de castanha deste município em situação igualmente difícil. A Capeb, fundada em 1993, possui a Usina de Beneficiamento de Castanha Wilson Pinheiro, que funcionou no período de 1999 a meados de 2002, chegando a contratar no período de maior produção até 100 trabalhadoras. A relação de trabalho dessa cooperativa com as trabalhadoras não originou, em nenhum momento, um contrato formal nos moldes da CLT. As trabalhadoras na Usina recebiam por produção. Ou seja, não tinham a garantia do salário mínimo. Produziam na usina em condições de trabalho semelhantes às já descritas na Usina Chico Mendes, apesar de, na relação capital x trabalho, a legislação laboral populista da época Vargas, incorporada na Lei brasileira, garantir determinados direitos trabalhistas e previdenciários. A não realização deste contrato coloca os trabalhadores numa situação de exploração ainda mais intensa.

Aqui, as mulheres trabalhavam em média de dez a doze horas por dia, e muitas não recebiam o valor do salário mínimo. Aquelas cuja remuneração superava um pouco o salário mínimo graças a uma produção maior, com a permissão da gerência da Usina levavam para lá membros de sua família, principalmente os filhos pequenos.

Em 2001 e 2002, a Capeb contratou uma cooperativa de serviços, a Coopserv, para que esta assumisse a relação laboral com as trabalhadoras. A Coopserv — a exemplo das cooperativas que funcionam com o objetivo de retirar das empresas as responsabilidades trabalhistas, ao estilo do que se denominou chamar cooperativas de "gatos”, por serem atravessadoras no fornecimento da força de trabalho às empresas — surgiu como prestadora de serviços para a prefeitura local, na época também administrada pelo PT.

As trabalhadoras de Brasiléia residem nos bairros mais pobres, com os mesmos problemas das cidades maiores: extrema miséria, nenhum saneamento básico, altíssimo desemprego, tráfico de drogas etc. Em novembro de 2003, nas entrevistas que realizei neste local, famílias inteiras não dispunham de nenhum rendimento. Muitas eram chefiadas por mulheres, as quais permanecem longos períodos sem seus companheiros — que vão trabalhar por temporadas nas fazendas da redondeza e também na região fronteiriça com Bolívia, no Departamento do Pando, como coletores de castanha, nas atividades da construção civil ou da pecuária.

Inicialmente, a proposta cooperativista da Caex e Capeb alardeava combater o sistema de aviamento que ainda perdurava nos seringais da região. Mas, a partir da descentralização da produção para os domicílios das mulheres quebradoras, vemos em documentos da Caex que esta paga as trabalhadoras com mercadorias. A prática se reporta à relação de aviamento do seringueiro com o patrão, na qual este adiantava produtos de primeira necessidade que o seringueiro pagava com a produção de borracha. No final resultava sempre um saldo positivo a favor do patrão. No sistema capitalista, relações, que no geral são reconhecidamente arcaicas e superadas, muitas vezes são recuperadas e engendradas sob formas aparentemente novas de relações sociais de produção. Na realidade, escamoteiam a lógica da produção capitalista que tem na exploração e apropriação dos valores gerados pelo trabalho a base de sua reprodução.

Ongs que financiam a Caex e o "Projeto Castanha”

1 - Cultural Survival Enterprise — Ong norte-americana que trabalha com comércio de produtos provenientes das florestas tropicais.

2 - Fundação Ford — Instituição filantrópica norte americana, fundada em 1936. Atua em vários países do mundo tendo como principal objetivos reduzir a pobreza e a injustiça, promover valores democráticos e a cooperação internacional.

3 - Fundação Inter-Americana (IAF) — Organismo público criado pelo governo dos EUA em 1969, proporciona ajuda financeira direta para os esforços de auto-ajuda da população pobre da América Latina e Caribe.

4 - World Wildlife Fund (WWF) — Ong fundada na Suíça em 1961 e atua no Brasil desde 1971. É um fundo mundial para a vida silvestre.

5 - Novib — Instituição holandesa que atua em países da América Latina e África com o objetivo de "promover políticas de desenvolvimento que combatam a pobreza"

*Artigo baseado na dissertação de mestrado "Cooperativas e trabalhadores da pós-modernidade: o estudo de caso das quebradoras de castanha da Usina Chico Mendes”, apresentada ao curso de pós-graduação em economia da UFF.
**Nazira Correia Camely é Professora do Departamento de Economia da Universidade Federal do Acre – UFAC ( nazira@ufac.br)
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PASSAGENS AÉREAS INFLACIONAM PARA CRUZEIRO DO SUL

Passagens subiram mais de 60%. Duas novas companhias aéreas se preparam para voar em 2009 em Cruzeiro do Sul

Francisco Costa
Blog Repórter 24 Horas

Cruzeiro do Sul - Como se não bastasse o isolamento geográfico que atravessa a população dos municípios que formam a região do Vale do Juruá (Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Feijó, Tarauacá), que não possuem rodovias concluídas interligando o estado ao restante do país, os moradores destas cidades foram surpreendidas com um reajuste repentino nas tarifas de passagens aéreas neste fim de ano.

A empresa Gol Linhas Aéreas herdou o monopólio da Rico Linhas Aéreas que fazia os trechos Manaus, Acre, Rondônia. Rico, enfurecida com entrada da Gol no mercado acreano, decidiu retirar suas aeronaves, alegando que não tinha condições de manter toda a estrutura e a concorrência. Já a Gol, prometeu tarifas menores e vôos frequentes.

Sem ninguém para disputar o mercado, vieram os abusos que ocorrem geralmente no período de festas, quando os valores das tarifas são reajustados mesmo sem nenhuma autorização do governo federal. Para se ter uma idéia o trecho entre Rio Branco, Cruzeiro do Sul chega no mínimo a R$ 500, 00; geralmente cobrava-se cerca de R$ 250, 00. Enquanto que o mesmo percurso é feito entre Rio Branco e Rondônia por até R$ 90,00; pela mesma companhia. Os vôos partem sempre lotados.

PROCON, Ministério Público e nenhum parlamentar questionou até agora os valores abusivos aparentemente sem justificativa cobrados pela GOL. Como a justiça não fiscaliza, a companhia vai aproveitando para reverter os prejuízos do ano todo.

Nesta terça feira, 30, durante entrevista ao programa Juruá Música e Informação na Rádio Juruá FM, de propriedade da família Cameli, o assunto foi discutido.

O deputado federal Gladson Cameli (PP), foi interrogado pelo jornalista Leandro Altherman sobre o alto valor das passagens aéreas no fim de ano, impossibilitando os moradores da cidade de passar férias e rever familiares em outras capitais. Gladson titubeou na resposta e disse apenas que em setembro de 2009, duas novas empresas aéreas vão concorrer com a Gol no Acre.

A princípio por autorização da Embraer as aeronaves fariam pernoite em Cruzeiro do Sul, decolando no dia seguinte às oito horas da manhã. TRIP e outra companhia ainda não identificada estariam dispostas a voar na região.
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INFORMAÇÃO: ARMAS CONTRA O CÂNCER DE PELE E HANSENÍASE

Informe Ensp

O câncer de pele e a hanseníase são duas doenças muito comuns entre a população brasileira. Elas têm preocupado especialistas e, ao longo dos anos, vêm ganhando atenção especial desses profissionais. Há dez anos, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove a Campanha Nacional contra o Câncer de Pele e, por mais um ano, a Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz abraça essa causa e inclui a luta pelo controle da hanseníase na mesma campanha. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a previsão para 2008 é de cerca de 115 mil diagnósticos de câncer de pele no país. Além disso, 80% dos casos de hanseníase na América Latina estão concentrados no Brasil. Abaixo, a entrevista concedida pelos médicos dermatologistas Ziadir Francisco Coutinho, do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria da Ensp, e José Augusto Nery, chefe do Ambulatório Souza Araújo.

Qual o principal objetivo da Campanha Nacional contra o Câncer de Pele e por que a Fiocruz incluiu a hanseníase nessa luta?

Ziadir Coutinho: O grande objetivo da campanha é sensibilizar e educar a população sobre os perigos da exposição excessiva ao sol. Lutamos contra um hábito, uma cultura, já que, no Brasil, a moda é ser bronzeado. Com isso, as pessoas se expõem nos horários em que a radiação ultravioleta está mais forte. A exposição excessiva ao sol e a falta de proteção adequada aumentam o risco de desenvolver câncer de pele. Além disso, esse mau hábito também causa o envelhecimento precoce da pele. A cada ano, os números vêm aumentando e isso preocupa os profissionais. Dados do Inca apontam que a previsão para o ano de 2008 é de cerca de 115 mil diagnósticos de câncer de pele no país.

José Augusto Nery: A união do combate à hanseníase a essa campanha começou há dois anos e partiu de uma idéia do Ziadir. Seu objetivo é o mesmo do câncer de pele, sensibilizar pacientes e profissionais da área. A hanseníase é uma doença endêmica no Brasil. Ao todo, surgem 50 mil novos casos por ano, e somente no Rio de Janeiro, estado de grande infestação, são cerca de 3,5 mil novos casos da doença. A hanseníase é uma doença prima-irmã da tuberculose. Elas seguem o mesmo padrão epidemiológico, acometendo principalmente grupos menos favorecidos, como pessoas de baixa renda e baixa qualidade de vida. Mas isso não significa que ela não apareça entre as pessoas de classes sociais mais altas. A hanseníase, ou lepra, ainda é uma doença muito estigmatizada, apesar de ser completamente curável. O que queremos com essa campanha é dar visibilidade aos seus sinais e sintomas, pois encontramos muitos profissionais que têm dificuldade de diagnosticá-la.

Quais são as principais formas de apresentação e de prevenção dessas doenças?

Coutinho: O câncer de pele aparece na forma de pintas e manchas que mudam de cor, textura ou tamanho. Por isso, as pessoas devem fazer o auto-exame regularmente, para identificar sinais precoces de tumores e observar pintas e manchas suspeitas. Além disso, é sempre bom lembrar que, seguindo algumas dicas, toda população pode se proteger e evitar o câncer. Mesmo nos dias nublados ou chuvosos, a Terra recebe radiações ultravioletas e devemos nos proteger. Isso justifica o uso diário do protetor solar. Na praia, o perigo aumenta porque a areia reflete 100% dos raios incidentes.

Algumas outras dicas são: proteger-se dos raios solares usando bonés e roupas; passar o protetor solar meia hora antes de se expor ao sol e, quando estiver na praia, passar o protetor de duas em duas horas. No caso de pessoas mais claras, o ideal é permanecer debaixo da barraca. A melhor forma de prevenir é se proteger. Vale lembrar que o efeito da radiação ultravioleta é cumulativo. Com isso, as alterações da pele podem se manifestar muitos anos depois.

Nery: A hanseníase é transmitida pelo ar e sua contaminação se dá por meio das vias respiratórias. Portanto, a melhor forma de prevenção é a informação. Sensível aos sinais e sintomas e com informações adequadas, um especialista é capaz de fazer um diagnóstico rápido e, conseqüentemente, iniciar de imediato o tratamento com o paciente. Somente isso pode controlar a disseminação da doença no país. O Ambulatório Souza Araújo é um centro de referência no tratamento da hanseníase. Ele é formado por uma equipe de profissionais altamente qualificados e está preparado para receber moradores de toda a cidade do Rio.

O Brasil apresenta a segunda maior taxa de detecção da doença em todo o mundo, perdendo somente para a Índia. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a taxa de detecção máxima da hanseníase deve ser de um para cada 100 mil habitantes, mas nosso país apresenta um número quatro vezes maior que o determinado. Somos o primeiro no ranking da América Latina, concentrando 80% dos casos. O maior problema da hanseníase é que, normalmente, pela falta de informação e de sensibilidade do profissional, essa doença demora a ser detectada. E, enquanto isso, a pessoa contaminada continua disseminando a doença.

A principal característica da hanseníase são manchas brancas ou avermelhadas, que apresentam alterações de cor e de sensibilidade. Além disso, a sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades do corpo, como mãos, pés e cotovelos também não alguns sintomas.

Existem diferentes tipos de câncer de pele e de hanseníase. Quais são os mais perigosos?

Coutinho: Ao todo, temos três tipos de câncer de pele: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma. O melanoma é o câncer que causa metástase. Ele representa cerca de 4% ou 6 mil casos anuais do total de cânceres de pele, tem uma rápida evolução, mas, se identificado precocemente, pode ser tratado. Os outros dois tipos também são perigosos, porém sua ação é menos severa no organismo. O carcinoma basocelular representa quase 75% dos casos, e o espinocelular cerca de 25%.

Nery: A hanseníase apresenta dois tipos de infecção: paucibacilar e multibacilar. O paucibacilar é o doente que apenas carrega a doença, seus sinais e sintomas, mas não tem a capacidade de transmiti-la. Já o paciente multibacilar, além de apresentar todos os sinais e sintomas, é capaz de disseminar a doença. A hanseníase é transmitida pelas vias respiratórias, mas a maioria das pessoas apresenta uma resistência natural à bactéria e, por causa disso, não adoecem. O tratamento da hanseníase é oferecido gratuitamente em todos os postos de saúde do país. Seu tratamento é feito com um coquetel de medicamentos, composto de três tipos de antibióticos e é chamado de poliquimioterapia (PQT). O tempo do tratamento varia de acordo com o tipo de infecção do paciente, podendo durar de 6 a 24 meses.

(Foto: Virginia Damas)
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terça-feira, dezembro 30, 2008

MERLA ALBUQUERQUE DEPUTADO. QUEM VAI PAGAR A CONTA?

Quem ressarcirá os cofres públicos das depesas decorrentes da posse de Merla Albuquerque? A quem deveremos enviar a fatura? Ao Desembargador Feliciano Vasconcelos? Ao presidente da Assembléia Legislativa e a mesa diretora da casa?

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

A justiça comum acreana, por meio do desembargador Feliciano Vasconcelos, deu parecer favorável a um pedido do PT para que Merla Albuquerque, primeiro suplente do PT, mas não o primeiro suplente da coligação pela qual disputou as últimas eleições para a Assembléia Legislativa, assuma a cadeira de Deputado Estadual no lugar de Juarez Leitão (PT), que se despede do parlamento para assumir o comando da cidade de Feijó.

As opiniões de quem entende, mas não decide legalmente quem deveria assumir a vaga de Juarez, posto que isso deveria ser função da justiça eleitoral, são de que a vaga de Juarez deveria ser preenchida por Dinha Carvalho, hoje primeira suplente da coligação que elegeu Merla, considerando que Roberto Filho está impedido de assumir (clique aqui para rever o resultado da eleição 2006).

Clique aqui para ler o que pensa o Deputado Luiz Calixto e aqui para ler o esclarecedor artigo de Leonildo Rosas, jornalista do Página 20.

De concreto existe a certeza de que a decisão de Feliciano Vasconcelos é liminar, temporária, frágil e não se sustentará nos tribunais superiores. Essa é a opinião de um jurista consultado por um articulista do jornal A Tribuna, porta-voz não oficial do governo do Estado. Isso acontecerá quando Dinha Carvalho resolver agir para garantir a vaga que lhe pertence de direito.

É a mesma situação vivida por Josemir Anute, que assumiu a vaga no lugar de Naluh Gouveia e era, à época, o primeiro suplente da coligação. Merla, por intermédio do PT, entrou na justiça local requerendo a vaga. Ganhou mas não levou porque Josemir reverteu a disputa no TSE, em Brasília. Dinha também ganhará sua vaga no STF ou TSE, em Brasília.

Não restam dúvidas que Dinha deverá assumir como Deputada. Resta saber quando, caso Merla Albuquerque venha a tomar posse, considerando que a nossa justiça abre possibilidades para um leque quase infindável de medidas protelatórias.

Quando isso acontecer, nós, os contribuintes, é que pagaremos as despesas geradas pela posse de Merla. Ocorre que Dinha Carvalho, a partir do momento em que tomar posse, terá direito a receber todas as verbas, inclusive salário pessoal e de assessores, retroativas à posse de Merla. O valor seguramente será elevado, mas mais importante do que isso é saber quem pagará essa conta?

Merla dificilmente devolverá aos cofres públicos o que recebeu alegando que o fez com base em uma decisão judicial. Então quem assumirá o ônus?

Os contribuinte querem saber:

- Quem ressarcirá os cofres públicos das depesas decorrentes da possível posse de Merla Albuquerque? A quem deveremos enviar a fatura? Ao Desembargador Feliciano Vasconcelos? Ao presidente da Assembléia Legislativa e a mesa diretora da casa?

Não podemos deixar isso para lá, como se dinheiro jorrasse de torneira para sustentar situações como as que se configuram com o presente caso.

Seria desejável que o MP eleitoral tomasse alguma providência para não deixar mais essa conta dependudara. Que tal uma liminar para impedir a posse de Merla tomando como base o risco de injustificadas despesas para os cofres públicos?

A Mesa Diretora da Assembléia, e provavelmente seu presidente, estarão se escudando na desculpa que apenas estão cumprindo decisão judicial caso Merla venha a ser empossado.

Apesar disso, vamos ver qual a atitude do presidente da Assembléia, Deputado Edvaldo Magalhães (PC do B), que até agora tem conduzido o nosso legislativo de forma irretocável. Se der posse a Merla Albuquerque sem maiores delongas vai dar a impressão que estará agindo por interesse considerando sua postura por ocasião da disputa Josemir Anute x Merla Albuquerque.

Na época (veja artigo abaixo) ele deixou claro que faltava "visão por parte de quem entrou com a ação para tomar o mandato do primeiro-suplente Josemir Anute (PR)". Edvaldo ficou revoltado com a decisão do TRE à época afirmando: "A decisão do TRE fere de morte o instituto das alianças partidárias. Agride princípios constitucionais e subtrai direitos legitimamente conquistados através do voto popular."

O mesmo se aplica à presente situação. Vamos esperar para ver se Edvaldo Magalhães irá se insurgir vebalmente contra a decisão do TJ acreano, que atropelou o direito dos suplentes que ficaram à frente de Merla Albuquerque.

De concreto, este episódio deixa claro que a conta a será assumida pelos contribuintes e que fica nítido que a condução de Merla Albuquerque à Assembléia faz parte do cumprimento de um acordo político firmado pelos dirigentes da Frente Popular que viabilizou a eleição de Juarez Leitão à prefeitura de Feijó (clique aqui para ler artigo do Deputado Luiz Calixto sobre o assunto). Esse deve ter sido parte do preço do apoio de última hora do atual prefeito, Francimar Fernandes, que por coincidência é pai de Merla.

Foto: autoria desconhecida, retirada do blog do Deputado Luiz Calixto.
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MERLA ALBUQUERQUE DEPUTADO ESTADUAL. PARA QUE SERVE O TRE?

Para nada? Esta é a impressão que ficou com o provável desfecho, no dia de hoje (30/12), da posse do terceiro suplente - segundo depois do impedimento de Roberto Filho - Merla Albuquerque.

O que levou os advogados de Merla a optar pela justiça comum, quando existe a justiça eleitoral para decidir a questão, que se configura, sob todos os aspectos, com um 'típico' caso para a justiça eleitoral?

O que podemos pensar? Que o Merla foi na Assembléia para sondar as possibilidades de assumir o posto do Juarez leitão e obteve o seguinte conselho:

- Olha Merla, podemos até dar posse a você, mas para isso tem que haver alguma decisão da justiça, uma liminar, um mandado de segurança...qualquer coisa que tanha uma ordem de um juíz!

E foi o que o Merla fez. Não contou pipoca. Ou contou com a certeza de que obteria a medida liminar. Com ela em mãos foi só chegar na Assembléia e livrar a cara dos parlamentares que lhe darão posse. Será que foi tão simples assim?

Agora todo mundo vai encher o peito e dizer que 'cumpriu uma ordem judicial', que 'decisão judicial não se discute, se cumpre', etc. Existe desculpa melhor?

Este episódio deixará os contribuintes (eleitores) confusos.

Como a justiça comum pode decidir assunto eminentemente eleitoral? Porque o Desembargador do TJ não rejeitou o pedido e informou aos advogados de Merla que a instância correta é o Tribunal Regional Eleitoral, que foi criado e vive para resolver conflitos derivados de matéria eleitoral?

Eles (os juízes da justiça comum) não vivem dizendo que existe excesso de ações tramitando por lá? Que por isso a justiça é lenta? Não seria lógico que essa ação eleitoral fosse remetida para o TRE?

Diante desta situação mais que confusa, fica a pergunta:

- Se a justiça comum pode decidir, mesmo que liminarmente assunto de competência da justiça eleitoral, então para que serve a justiça eleitoral? Só para organizar as eleições?
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EDVALDO MAGALHÃES E A DISPUTA MERLA ALBUQUERQUE X JOSEMIR ANUTE

Entrevista Coletiva |
19 de julho de 2008
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Em entrevista coletiva posicionei-me acerca da decisão do TRE na polêmica travada em torno de quem pertence à vaga deixada pela então deputada Naluh Gouveia.

Os jornais deste sábado trazem ampla cobertura nas páginas de política. Cada um com seu enfoque.

Abaixo, retomo os pontos que enfatizei acerca da polêmica.

1. Confronto entre instituições

O Acre alcançou um bom nível de amadurecimento na relação entre poderes e instituições. Não haverá política de confronto por conta de divergências de pontos de vista e posicionamento de ordem política ou jurídica. O respeito e a boa relação entre poderes não anula o direito de discordar. Respeitamos a decisão tomada pelo Tribunal Regional Eleitoral, discordamos frontalmente do seu conteúdo.

2. Há diferentes olhares sobre o tema

A polêmica não se esgota no âmbito da Justiça Eleitoral do Acre. A corte está dividida e somente o TSE irá decidir de forma terminativa. Até lá cumpriremos com zelo o que for decidido, sem pressa e sem protelações.

3. Disputa entre Anute e Merla

O debate não pode ser fulanizado. Não se trata de uma disputa entre o deputado Josemir Anute e o suplente Merla Albuquerque. O que está em jogo é algo mais profundo, da luta e das conquistas democráticas das ultimas décadas na política acreana: a conquista das alianças. Foi num ambiente de força das alianças que o Acre conseguiu virar páginas escandalosas de sua história.

As conquistas políticas e administrativas dos últimos anos podem estar em jogo quando se nega as alianças subtraindo os benefícios que os partidos aliados podem ter fruto dos pactos eleitorais legitimamente construídos para as disputas havidas e as que estão em curso.

A decisão do TRE fere de morte o instituto das alianças partidárias. Agride princípios constitucionais e subtrai direitos legitimamente conquistados através do voto popular.

4. O ato da mesa ao dar posse ao deputado Josemir Anute

A mesa diretora da Assembléia empossou o primeiro suplente da coligação Frente Popular I (PT, PCdoB,PMN,PP e PR) devidamente diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral, com o ato de diplomação transitado e julgado. Seis meses depois o mesmo TRE afirma que a vaga não mais lhe pertence. Isso cria insegurança jurídica. Os agentes políticos estão a se perguntar qual a regra que vale. É como se alterassem as regras do jogo depois do jogo jogado.

O que está em debate do ponto de vista jurídico na é o ato da mesa diretora em dar posse ao primeiro suplente da FPA I, mas a decisão do TRE em definir quem é o deputado com direito à vaga de Naluh Gouveia. O TRE está a questionar sua própria decisão.

5. A fidelidade Partidária

A resolução adotada pelo TSE que disciplina a fidelidade partidária veio para impedir o troca-troca indiscriminado de partido por parte dos detentores de mandato eletivo. O espírito da resolução foca nesta chaga que fragilizava por demais as organizações partidárias e transformava os mandatos em moeda de troca.

Ao não prevê a possibilidade de desfiliação justificada para concorrer à vaga de Conselheiro (a) de Tribunal de Contas, utilizou-se a brecha jurídica para transformar a então deputada Naluh Gouveia numa parlamentar infiel, único meio para reivindicar seu mandato para o partido. Adotou-se este caminho doloroso para alcançar um fim, um fim que não justifica o meio. Todos sabem que a deputada Naluh Gouveia foi fiel aos ideários do PT até o último dia de sua militância partidária.

6. A eleição da Deputada Naluh para o Tribunal de Contas

A deputada Naluh contou com a totalidade dos votos de seus correligionários do PT para eleger-se conselheira do TCE/AC. Os demais deputados integrantes da Frente Popular também votaram com Naluh. O diretório Regional do PT divulgou nota pública apoiando sua eleição e seu entendimento acerca de quem pertence à vaga. As principais lideranças do PT estiveram ativamente participando do processo da escolha. Como transformar este ato em infidelidade partidária? Naluh só foi ao Tribunal de Constas porque contou com o apoio decisivo de seu partido.

A utilização do instrumento da infidelidade partidária é forçar demais a barra jurídica. A conseqüência imediata é a subtração de direitos. Algo grave no processo democrático.

7. O futuro das alianças

O instituto da coligação proporcional tem garantia constitucional. Já tentaram por vezes acabar com as alianças proporcionais. Um dos entraves aos conservadores plantados no Congresso Nacional tem sido a "inconveniência" da constituição. A vontade dos grandes partidos e dentre eles, dos mais conservadores, é impedir que os pequenos partidos possam se construir ao longo do tempo em partidos de porte médio e sonhar em ser grande. Foi assim com a adoção da cláusula de barreira, decisão votada no Congresso Nacional e derrubada a seguir pela Justiça brasileira.

A tentativa de subtração deste importante instrumento democrático que é a possibilidade da aliança política para as disputas proporcionais faz parte de um pensamento conservador, atrasado e de direita. Atitudes assim diminuem os espaços de atuação democrática de forças populares e das organizações diversas do nosso povo. Limitar a atuação política não é atitude nobre para quem defende a democracia e seu aperfeiçoamento. Não se pode tergiversar quando o que está em jogo é o processo democrático.

8. Os acordos de bastidores

Muito se aventou a possibilidade de está em curso a construção de um acordão político para se tentar resolver a disputa em torna da vaga da deputada Naluh Gouveia. Tal acordo implicaria em abdicação de recursos, afastamentos de mandato e apoios eleitorais. Os engenheiros políticos desta trama esqueceram de combinar com a democracia.

Acordo político se faz todo dia e toda hora. Numa casa política como é a Assembléia Legislativa do Acre o que mais ocorre são entendimentos, conversações e busca de construção de maiorias em cada debate e a cada embate que surge. São legítimos os acordos e entendimentos.

Só não me convidem para fazer acordo que diminua a democracia.

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PROFESSORES, CHARLATÃES E PRESEPEIROS: A UFAC EM QUESTÃO

(Gerson R. Albuquerque*)

“...O mal é um fenômeno superficial, e em vez de radical, é meramente extremo.
Nós resistimos ao mal em não nos deixando ser levados pela superfície das coisas, em parando e começando a pensar, ou seja, em alcançando uma outra dimensão que não o horizonte de cada dia.
Em outras palavras, quanto mais superficial alguém for, mais provável será que ele ceda ao mal...”
(Hannah Arendt)


Ruptura ou quebra de ritos protocolares; paixões exacerbadas em avaliação de candidato(a)s em concursos públicos para professores; horários de aulas em determinados cursos de graduação, impunemente, ministrados pela metade e lançados por inteiro nas cadernetas e diários de classe; cartas apócrifas, subvencionadas e covardemente “distribuídas” por certos professores no interior do campus universitário; plágios e outras imoralidades em vestibulares; professores com contratos de trabalho em regime de Dedicação Exclusiva ministrando cursos em faculdades privadas ou “gerenciando” empresas que vendem graduação e especialização como mercadorias de última geração a “crédulos” clientes de fins de semana; “professores” com formação em história vendendo aulas de neuropsicologia, didática do ensino superior, avaliação escolar, ensino e desempenho escolar em faculdades particulares, num total desrespeito aos estudantes dessas escolas; processos administrativos, convenientemente, “desaparecendo” ou “perdendo-se” no gabinete da reitoria para reaparecerem em circunstâncias dadas - a privilegiar sempre o particular em detrimento do coletivo.

Esse “cenário” opaco, referenciado com galhofa, sensacionalismo e nenhuma investigação séria por setores da imprensa e blogueiros de plantão, parece sintetizar a vida cotidiana e a prática acadêmica de todos os professores da Universidade Federal do Acre. Não por acaso, vem se constituindo numa espécie de senso comum a idéia de que os mesmos “não fazem nada”, são “presepeiros”, “ganham bons salários e trabalham pouco” ou “não trabalham”, entre outros epítetos com os quais os mais de quatrocentos professores da Ufac têm sido rotulados.

Uma pequena parte desse senso comum se deve à ignorância ou a obscuros propósitos de muitos escrevinhadores, escribas e/ou editores que insistem em prestar seus desserviços à sociedades local. No entanto, a parte substancial das coisas ditas ou antevistas pelo “povo” se deve às práticas desvirtuosas e a sine cura acadêmica de uns impares da categoria docente que, contando com a hipocrisia institucional e o silêncio conivente da maioria, lidam com os fundamentos de uma instituição pública com base nos fundamentos de seus interesses pessoais, financeiros ou privados.

Não obstante a tudo isso, é preciso deixar claro que o coletivo dos professores da Ufac não é formado por presepeiros e nem charlatães, como tem sido alardeado nas mídias e em outros “condutores da opinião pública”. Em breve consulta aos dicionários, destacamos que professor - do latim professore - é a pessoa que ensina, é um mestre. Mestre - do latim magistru – é o que se dedica a ensinar algo a alguém; uma pessoa ou um ser exemplar, grande, importante, distinto, extraordinário, não-vulgar. A partir dessa perspectiva, devemos ressaltar que professor não faz pilantragem, não falseia, não faz charlatanice e nem presepada. Quem se denomina ou auto-denomina professor na Ufac ou em qualquer outra instituição de ensino não desenvolve presepadas ou charlatanices. Se o faz, professor não é.

O presepeiro, caracterizam ainda os dicionários, é um fanfarrão. Daí o adjetivo de impostor – do latim impositore ou impostore – que é um embusteiro, um hipócrita, um charlatão. Charlatão – do italiano ciarlatano – é o indivíduo que tira proveito ou explora a boa-fé da sociedade ou do público, um embusteiro, um trapaceiro, um hipócrita, um impostor, um mentiroso.

Portanto, se na categoria de professores da Universidade Federal do Acre, existem aqueles que fazem trapaça, fraude, plágio ou outras pilantragens dessa natureza, esses indivíduos não se constituem professores, mas impostores, embusteiros, hipócritas, trapaceiros, mentirosos, presepeiros, charlatães ou qualquer outro adjetivo dessa monta, menos professores.

Este debate se faz necessário não por uma questão semântica, mas porque o resultado da história de quatro décadas dessa instituição - que sintetiza a própria história do ensino superior no Acre - é a comprovação prática, irrefutável do trabalho sério, comprometido e engajado de seus professores na formação de varias gerações de profissionais que atuam em diversificados setores da sociedade local e nacional.

O que está em jogo não é uma questão que tem a ver meramente com a identidade, mas como a dignidade dos professores da Universidade Federal do Acre. Aqueles que se utilizam da condição de professor para disseminar suas pilantragens, atentam contra o nome dessa instituição e contra a honra de seus docentes. Obscurecem as trajetórias de profissionais como Jorge Araken, Georgete Nemetala, Francisca Leite (França), Cleusa Rancy, Rômulo Garcia, Ana Shirley, Pedro Martinello, Laélia Rodrigues, Chirley Trelha, Valdir Calixto, Mário Lima, Pedro Vicente, Carolina Sampaio, Alceu Ranzy, somente para citar alguns dentre as centenas de outros professores que atuaram ou atuam nessa Ifes.

Os não-professores, os presepeiros ou charlatães que divorciaram o discurso da ação, tramando contra a coisa pública e a possibilidade de se preservar os mínimos pactos do viver em sociedade como um ser político, compreendido aqui – na dimensão arendtiana - como aquele que se movimenta guiado pela íntima articulação entre o discurso e a ação, vivem em função e a serviço de seus egos e jactam-se em sua própria incapacidade de pensar.

Suas práticas desonestas em salas de aula e bancas de concurso público, suas articulações e manobras, seus clichês e jargões, seus ranços autoritários, suas malandrices, arrogância e subjugação do público ao privado, evidenciam a condição não apenas de seres estúpidos, mas de seres desprovidos de pensamento reflexivo – no dizer de Hannah Arendt, citada em epígrafe - e, portanto, de seres superficiais, rasteiros, que se utilizam de todas as formas de violência para fazer valer seus intentos medíocres.

Numa recente reunião do Conselho Universitário, em meio a sérias denúncias de desvios de posturas por parte de integrantes de uma banca examinadora de concurso público, os presentes foram surpreendidos com a fala de um conselheiro, ressaltando que “tudo é relativo” e que a “história tem muitas verdades”. Esse discurso circunstancial de quem se acumplicia com práticas imorais, proferido ali, no âmbito do mais importante colegiado de deliberação dessa Ifes, com rompantes intelectuais, evidencia a banalização das práticas anti-acadêmicas, bem como a onda de cinismo e o desrespeito para com a instituição e os demais profissionais que nela atuam.

Continuar em silêncio, ser tolerante com o intolerável – como tem sido a máxima que, muitas vezes, rege as relações institucionais – não nos ajuda em nada e, tampouco, assegura a sobrevivência de uma instituição que pertence a toda sociedade. É necessário manter acesa a chama do pensamento e da reflexão contra a apatia e fazer o combate aberto aos presepeiros ou charlatães que – do alto de sua irreflexão – lançam mão dos velhos jargões e frases de efeito auto-envaidecedoras, como passaporte para continuar transitando impunemente em meio aos professores e à comunidade universitária.

Manter o combate à mediocridade e à infâmia é condição para preservar a dignidade dos docentes da Ufac. Essa manutenção passa pela reafirmação dos valores que regem o livre pensar, o debate aberto, a liberdade de opinião e de expressão e a convivência com o outro tendo por base o direito à diferença, à preservação da res publica e do espaço público contra todas as formas de intervenção privatizantes e totalizantes.

Ítalo Calvino, encerra seu livro “As Cidades Invisíveis”, com Marco Polo advertindo ao poderoso Kublai Khan, que o inferno é aqui, onde “vivemos todos os dias, que formamos estando juntos”. Porém, numa ressalva à qual nos apegamos para encerrar este texto, arremata que nesse inferno “existem duas maneiras de sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas...”

Em meio ao “caos”, a patologia da inversão de valores, ao desenfreado assédio da “razão cínica” e ao balcão de negócios dos “tempos modernos” que intenta pulverizar a prática docente e a universidade pública em programas e pacotes fechados, tais como os reunis, prounis, aceleras brasis; em meio aos impostores, embusteiros, hipócritas e trapaceiros que lhes obscurecem a imagem ante a opinião pública, os professores da Ufac são chamados a fazer escolhas todos os dias e, nesse processo - retomando a significativa advertência de Marco Polo a Kublai Khan - “...tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço”.

*Gerson Albuquerque é professor da Universidade Federal do Acre
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MAIS DIA

Antonio Alves*

Decidi dar por encerrado o ano e começar logo outro. Aqui, no íntimo, os dias já mudaram. Terão mudado, talvez, nas boas horas que passei na Terra, curando as bicheiras do Rapaz -aquele cachorro vadio- e olhando o açude encher depois de cada chuva. Já disseram que sou lento, talvez dê certo começar antes.

Também decidi não me preocupar. Um sonho me avisou. Passei muito tempo com medo de não ser suficientemente engraçadinho e diplomático, preocupado em não ferir as susceptibilidades de alguém. Bom, às vezes posso não estar inspirado e dizer palavras inadequadas, mas o importante é que sejam sinceras e o resto se ajeita. De minha parte, também tenho engolido muito sapo e até agora nem morri por isso.

E já não ligo se trezentos me amam e quatrocentos me odeiam, e nem uns nem outros pensam por um minuto no que digo. Resolvi não sofrer, só isso. Palavra é semente que o vento leva e ninguém sabe onde vai brotar. Muito aprendo com as samaúmas.

De todo modo, não é bom a gente ficar se oferecendo. O melhor mesmo é ir passando, cumprimentando a todo mundo com um toque na aba, parando e tirando o chapéu quando encontra padre ou moça bonita. A vida é uma estrada, dizem, e ninguém sabe o que tem lá na frente. Tem gente que se convida ou fica reclamando por não ser convidado. Mas a mim, quem me merece? Eu mereço a estrada e tenho perna é pra andar.

Não gosto de muita festa, mas também não sou de chorar desgraça. A essa altura da vida, já conheço minhas manias e mantenho algumas preferências. Não troco aquele livro velho, lido e relido e trelido, por certas novidades muito apresentadas e de pouco proveito. Não uso enfeite -nem corrente, nem anel- e o melhor relógio é o tempo. Gosto do tabaco preto, não muito velho e ainda molhento, o café forte e amargo, mas tomo de qualquer jeito. O que me dá gastura e desimpaciência é ver gente falando da vida alheia, não é bom pra minha saúde e procuro sair de perto. Tem gente que fala mal até de si mesmo, é uma doença triste.

Os tempos são difíceis, mas são os que temos. Vez em quando tenho que pegar o pau pra me defender ou a algum inocente, mas não saio correndo atrás. Passa um ano, depois outro, a lança vai virando bastão e vou ficando mais retirado até que um dia só me vê quem procura. Mas demora, não é pra esse ano ainda não. Esse que, aliás, tou começando mais cedo porque tenho muita coisa pra fazer.

Estou por aqui.

* Antonio Alves é jornalista e editor do Blog 'Espírito da Coisa'
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segunda-feira, dezembro 29, 2008

QUAL A COR DOS NOSSOS POLÍTICOS?

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PADRÃO DE CONSUMO ALCOÓLICO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA

Pesquisa mostra que metade da população não bebe, um quarto bebe muito e um quarto bebe pouco. É um pouco diferente da visão que tínhamos: a de que no Brasil todo mundo bebe um pouco

Informe Ensp

Ronaldo Laranjeira é professor-titular do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), trabalhando com ênfase em alcoolismo e dependência em outras drogas. Suas principais áreas de pesquisa são:tratamento da dependência química, o impacto das políticas públicas do álcool e outras drogas, bases biológicas da dependência e avaliação epidemiológica do uso de substâncias. Recentemente, coordenou o 1º Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, cujos resultados foram apresentados no 7º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, promovido em setembro, em Porto Alegre. "Quanto mais precoce for o uso regular de álcool, maiores serão as chances de o jovem se tornar um adulto dependente", afirma.

A pesquisa apresentada traz dados inéditos? Quantas pessoas estiveram envolvidas nessa pesquisa?

Ronaldo Laranjeira: O diferencial dessa pesquisa é que ela usou uma amostra probabilística da população brasileira. Pela primeira vez, uma amostra representativa da população será apresentada em um estudo e a primeira vez que será possível ter um perfil de como o brasileiro bebe. Ao todo, foram 3.007 pessoas com mais de 13 anos de idade, de 147 municípios brasileiros, buscando representar toda a população brasileira.

Que dados que mais lhe chamaram a atenção?

Laranjeira: Um deles foi o que afirma que 48% da população brasileira não bebe. Nós sempre falamos, e existia um certo consenso dos especialistas de que o número de não bebedores era em torno de 10% e 15%. Para a nossa surpresa, 58% das mulheres e 35% dos homens não bebem. Outro mostra que cerca de 40% das pessoas entre 18 e 24 anos já beberam em excesso pelo menos uma vez. Desse total, 22% bebem uma vez por semana ou mais.

Quais são os estados que mais vendem bebida? e quais os que consomem menos?

Laranjeira: Na pesquisa, não conseguimos fazer, tão detalhadamente, por estados. Podemos falar por regiões. No Sul, temos um tipo de beber regular e em menor quantidade. Já no Nordeste, temos um beber menos freqüente e em maiores quantidades, temos um perfil mais complexo do que nós gostaríamos de ver. Entre o Rio de Janeiro e São Paulo não há muita diferença. Por um lado 48% da população não bebe e 25% quando bebe, bebe muito. Essa parcela da população representa praticamente 80% de todo consumo de álcool do Brasil. Então, o perfil global é o seguinte: metade da população não bebe, um quarto bebe muito e um quarto bebe pouco. É um pouco diferente da visão que tínhamos, a de que, no Brasil, todo mundo bebe um pouco, o que não se comprovou como uma verdade.

Podemos afirmar que essa população que bebe muito são os chamados 'bebedores de final de semana'?

Laranjeira: Não necessariamente. Desses 25% que bebem muito, encontramos desde aquela pessoa que quando bebe, bebe muito, mais do que cinco doses de álcool e aqueles que bebem quase todos os dias. Temos sim um conjunto de bebedores pesados.

Na sua opinião qual o efeito da Lei Seca no consumo dos brasileiros?
Laranjeira: Temos a repercussão por dados indiretos, pois essa pesquisa foi feita antes da implementação da Lei Seca. Por esses dados, sabemos que houve desde a diminuição de atendimentos nos pronto-socorros nos finais de semana ou de mortes por acidentes chamadas pelo Serviço Médico de Urgência (Samu). Todos esses indicadores mostram que a lei diminuiu o padrão de consumo, especialmente o considerado mais problemático. Mas, ao mesmo tempo, já existem dados mostrando que eventualmente o impacto inicial da Lei Seca está começando a diminuir, principalmente nas regiões onde não é feita a fiscalização. Houve um impacto inicial pela mudança conceitual da lei e pela enorme repercussão na mídia. A percepção do risco das pessoas nesses primeiros meses da Lei Seca aumentou muito e, por isso, houve uma mudança no comportamento. Contudo, não está acontecendo uma fiscalização rigorosa em grande parte do país.

Quando será possível fazer uma análise mais segura sobre o impacto da Lei?
Laranjeira: Estamos iniciando, na cidade de São Paulo, outra fase dessa pesquisa. A pesquisa anterior mostrou que 30% dos motoristas, dirigindo sexta e sábado à noite, apresentavam algum nível de álcool no sangue, e eses dados foram apresentados na Abrasco. Eu acho que houve um impacto na população, e sabemos que, em São Paulo, está havendo uma fiscalização razoável. Nos finais de semana, temos, regularmente, várias pessoas sendo presas devido à lei.

Que outros dados relevantes você apresentou no simpósio?
Laranjeira: Apresentamos um outro trabalho que mostrava o impacto e o fechamento dos bares na cidade de Diadema (SP). Essa cidade é considerada uma das mais violentas do Brasil. Nós acompanhamos, por quatro anos, o impacto do fechamento dos bares das 23 às 6 horas da manhã. Esse impacto foi publicado inclusive no American Journal of Public Health, há poucos meses, apresentando uma queda significativa de mais de 60% dos homicídios. O estudo mostrou que essa queda aconteceu justamente pelo fechamento dos bares naquele horário, uma vez que metade dos homicídios aconteciam dentro da imediações dos bares.

Que posição ficou Diadema depois de ser considerada a cidade mais violenta?
Laranjeira: A posição vem caindo mês a mês. Antes, o grupo de mortos era de 108 para um grupo de 100 mil habitantes em Diadema. Atualmente, está menos de 20. Ela deixou de fazer parte dos 10% das cidades mais violentas e está agora no outro extremo. Esse impacto foi pela fiscalização. O grande diferencial foi que praticamente todos os bares fecham à noite.

Então, o grande diferencial para uma medida como essa ter um efeito real - seja a Lei Seca ou a necessidade dos fechamentos dos bares - é ser apoiada por uma fiscalização eficiente?
Laranjeira: Sem dúvida. Se não houver fiscalização, nós vamos perder a oportunidade de implantar uma lei boa, e se ela não for implementada de forma adequada, poderá virar uma letra morta.
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sexta-feira, dezembro 26, 2008

ERROS DE ADMINISTRAÇÃO DE ANTIMICROBIANOS NO BRASIL

Estudo realizado por pesquisadores de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Acre mostrou que os erros de administração de antimicrobianos no Brasil são preocupantes. Foram verificados 1500 erros em 4958 observações realizadas durante 30 dias em unidades de clínica médica de cinco hospitais das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Os erros de medicação, assim como o uso inadequado de medicamentos, passaram a ser considerados um problema de saúde pública em função do impacto assistencial e da elevada incidência nos serviços de saúde. A dimensão do problema fica bem caracterizada por estudos epidemiológicos divulgados pelo Institute of Medicine, que estimam que cada paciente internado em hospitais norte-americanos esteja sujeito a um erro de medicação por dia, e que, anualmente, ocorrem nesses serviços de saúde, aproximadamente, 400.000 eventos adversos evitáveis relacionados a medicamentos.

Os fatores que aumentam o potencial para erros de medicação são múltiplos: falta de profissionais de saúde; excesso de trabalho; carga horária pesada; maior número de pacientes exigindo cuidados de alta complexidade e com polifarmacoterapia; crescimento no número, variedade e potencial de toxicidade dos medicamentos; complexidade tecnológica para o cuidado e o aumento da pressão para reduzir custos e aumentar resultados. Profissionais de saúde, mesmo altamente capacitados e experientes, quando expostos a ambientes de trabalho com estas características, podem cometer erros devidos a tais fatores sistêmicos.

Investigações realizadas para analisar erros de medicação segundo a classe terapêutica, identificaram que a freqüência desse evento com antimicrobianos varia de 4,9% a 39%. Esses resultados são preocupantes, pois os antimicrobianos representam uma das classes mais prescritas em hospitais, sendo responsáveis por uma parcela elevada das despesas com medicamentos. É também crescente a preocupação com o uso inadequado, considerando-se que esse constitui o principal fator associado ao aparecimento de resistência microbiana.

Método da pesquisa

As instituições investigadas foram selecionadas, por possuírem vínculo com universidades públicas estaduais ou federais, fazerem parte da Rede de Hospitais Sentinela da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e serem campo de estágio para as instituições formadoras de profissionais de saúde do País. A unidade de clínica médica foi selecionada, por possuir leitos destinados a pacientes portadores de doenças crônico-degenerativas que, usualmente, utilizam um número elevado de medicamentos durante um longo período, englobando diversas classes terapêuticas.

Para coleta dos dados, foram realizadas observações não participantes e diretas das atividades dos profissionais de enfermagem responsáveis pela administração de medicamentos. Para tanto, quinze auxiliares de pesquisa receberam treinamento de vinte horas e durante 30 dias realizaram as observações seguindo um roteiro estruturado validado por especialistas envolvidos com a temática. Após as observações da administração dos medicamentos, os observadores confrontaram as informações obtidas com as prescrições, a fim de detectar se ocorreu algum erro de medicação.

Os erros de medicação foram classificados segundo a tipologia da American Society of Health System Pharmacists: erro de dose, erro de medicamento não prescrito, erro de via, erro de paciente e erro de horário. Foi considerado erro de horário a situação em que o medicamento foi administrado em um período superior a 60 minutos de antecedência ou de atraso em relação ao horário de administração definido na prescrição ou no plano de administração elaborado pelo enfermeiro ou técnico de enfermagem.

Resultados preocupantes

Os resultados permitiram, em uma primeira abordagem, identificar e analisar os erros de medicação com antimicrobianos durante o processo da administração de medicamentos. Foram realizadas 4958 observações da administração dos medicamentos, nas quais foram identificados 1500 (30,24%) erros de medicação. Desse total, 277 (18,5%) erros envolveram medicamentos antimicrobianos e essa incidência é compatível com outros estudos publicados na literatura internacional.

A categoria de erro mais freqüente foi a de horário, envolvendo 243 (87,7%) medicamentos antimicrobianos administrados, sendo que, desses, 140 (57,6%) foram administrados com antecedência em relação ao horário planejado. A alta incidência de erros de horário possivelmente tem como principais determinantes fatores internos ao processo de administração, como o planejamento de horário pela equipe de enfermagem, que concentra um número elevado de medicamentos em determinados períodos, geralmente o da manhã, fazendo com que aqueles que requerem pontualidade na administração, como antimicrobianos, não tenham seu horário cumprido, devido à alta demanda de serviço na unidade. Outro fator que pode gerar erro de horário é o funcionamento inadequado do sistema de distribuição de medicamentos da farmácia hospitalar, que leva a atrasos na entrega dos medicamentos e, conseqüentemente, na sua administração.

Os erros de dose foram a segunda categoria mais freqüente, envolvendo dezenove (6,9%) medicamentos. Estes erros podem estar associados à falhas no cálculo matemático durante o preparo do medicamento. Na casuística desse estudo, os erros de dose são preocupantes, considerando-se que, em unidades de clínica médica, é comum a internação de pacientes geriátricos, que apresentam diminuição da função hepática e renal, assim como a diminuição do metabolismo e da eliminação dos medicamentos.

O estudo demonstra que os erros de dose e de horário podem comprometer a resposta terapêutica do antimicrobiano. A administração errada do antimicrobiano pode impedir que ele alcance o local da infecção, mantenha concentrações suficientes no foco da infecção para exercer sua ação, e permaneça no local tempo suficiente para inibir a multiplicação ou matar os microorganismos.

Erros na forma de aplicação

Ao analisar as formas farmacêuticas dos medicamentos, as de uso parenteral foram as mais freqüentemente envolvidas nos erros com antimicrobianos estando presentes em 253 (91,3%) erros. Vale destacar que 230 (94,65%) erros de horário e dezessete (89,5%) erros de dose envolveram antimicrobianos na forma para uso parenteral.

A administração de medicamentos antimicrobianos pela via parenteral corresponde a uma proporção significativa nos hospitais. Erros relacionados com a administração parenteral, principalmente os que envolvem a via endovenosa, podem apresentar ainda maior gravidade, considerando-se que a dose é administrada diretamente na corrente sanguínea, levando a um efeito rápido, sendo necessário monitorizar o paciente para a ocorrência de reações adversas.

Antimicrobianos envolvidos nos erros

Entre os antimicrobianos associados com erros estão as cefalosporinas de terceira geração e as penicilinas de amplo espectro, grupos que têm contribuído para o aumento da resistência de bactérias produtoras de beta lactamase extendida. Atualmente, esses microrganismos também representam uma grande preocupação referente à resistência bacteriana.

A ceftriaxona, cefalosporina de terceira geração, foi o medicamento envolvido no maior número de erros no presente estudo. A elaboração conjunta pela equipe de enfermagem e de farmácia de um manual de utilização de medicamentos abordando aspectos como preparo, esquemas de administração, interações, incompatibilidades, reações adversas é uma iniciativa que contribui para a segurança da utilização de medicamentos.

A maior preocupação com a resistência dos microrganismos está relacionada com o uso da vancomicina. A redução da sensibilidade do Staphylococcus aureus à vancomicina representa uma grande preocupação, por se tratar de uma das últimas opções terapêuticas a esse microrganismo. Outra questão alvo de maior ou igual preocupação é a resistência de Enterococcus à vancomicina. O surgimento de resistência pode ser favorecido por erros de horário e de dose.

No estudo também foi identificado que seis (16,7%) medicamentos antimicrobianos associados com erro possuíam intervalo terapêutico estreito. Vale destacar que 47,4% dos erros de dose e 21,8% dos erros de horário envolveram antimicrobianos de intervalo terapêutico estreito, sendo vancomicina, amicacina e clindamicina os principais fármacos associados. Deve ser ressaltado, também, que os medicamentos de intervalo terapêutico estreito necessitam de monitorização terapêutica, a fim de determinar a dose que produza o máximo de efetividade aliada ao mínimo de efeitos tóxicos.

Os 277 erros envolveram 36 medicamentos antimicrobianos, sendo 32 antibacterianos e quatro antifúngicos. As fluorquinolonas (13,9%), as associações de penicilinas com inibidores de beta lactamase (13,9%) e os macrolídeos (8,3%) foram as classes mais freqüentes.

A resistência às quinolonas, classe terapêutica mais freqüente neste estudo, é um problema emergente, devido ao crescente número de cepas hospitalares de Enterobacteriaceae e Pseudomonas aeruginosa resistentes às quinolonas. Os erros de horário podem levar à ocorrência de interações que comprometem a absorção, pois aumentam a probabilidade de co-administração de medicamentos.

A incidência das infecções fúngicas teve um aumento significativo nos últimos anos. Paralelamente, pode ser observada uma gravidade maior dessas infecções, principalmente nos pacientes hospitalizados. Sendo assim, a identificação de quatro antifúngicos associados com erros de administração desperta preocupação, considerando-se a situação clínica dos pacientes para os quais é prescrita essa terapêutica.

Recomendações

Assim como o uso irracional, os erros de medicação com antimicrobianos têm conseqüências individuais e coletivas, porque, além de afetarem o indivíduo que faz uso do medicamento, afetam de maneira significativa a microbiota do ambiente hospitalar. Essas conseqüências abrangem desde a elevação dos gastos com medicamentos, inefetividade terapêutica, aumento da hospitalização devido a eventos adversos, recrudescimento das infecções até o mais grave, o aumento da resistência microbiana.

Entre as medidas preventivas efetivas de eventos adversos com antimicrobianos podem ser citadas: dupla checagem das diluições e cálculos da dosagem dos medicamentos, atenção aos erros de comunicação advindos da prescrição médica, cuidado com as informações verbais, identificação segura do paciente bem como a orientação sobre sua farmacoterapia. Outra estratégia recomendada é a participação do farmacêutico clínico na unidade de internação como um elemento-chave dentro da equipe de saúde para realizar o seguimento da farmacoterapia e contribuir para o uso racional de medicamentos.

O conhecimento da equipe de saúde em farmacoterapia contribui significativamente para a prevenção de erros de medicação. Dessa forma, é recomendável que haja investimentos em educação continuada, cursos de reciclagem e treinamentos periódicos, incentivo à realização de investigações científicas sobre o sistema de utilização de medicamentos, inclusive em relação aos erros de medicação, com a finalidade de identificar suas causas e propor melhorias.

Conclusões

Ações para promover o uso racional de antimicrobianos envolvendo todas as fases do processo de utilização devem ser desenvolvidas pelas comissões de farmácia e terapêutica e de controle de infecção hospitalar, visando a conter a expansão da resistência microbiana nos serviços de saúde. Os profissionais de saúde presentes nessas comissões devem, ao participar do planejamento das ações preventivas e educativas, incorporar aspectos que explicitem claramente suas atividades e funções na prevenção da resistência microbiana e no uso racional de antimicrobianos. Paralelamente, a equipe de saúde deve ser conscientizada da importância do uso seguro de antimicrobianos para o controle da resistência.

Para garantir a segurança do paciente, é essencial conscientizar os profissionais de que uma resposta terapêutica adequada e sem danos ao paciente é responsabilidade de toda a equipe de saúde. A abordagem dos erros de medicação de forma sistêmica é essencial na implantação e melhoria das práticas assistenciais visando maior segurança no cuidado em saúde.

O erro de medicação é evitável e deve ser analisado e revertido em educação e melhoria do sistema, promovendo o fortalecimento do processo de administração de medicamentos tornando-o mais seguro.

Clique aqui para ler no Blog Biodiversidade Acreana, a íntegra do artigo 'Erros de administração de antimicrobianos identificados em estudo multicêntrico brasileiro', originalmente publicada na Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, de autoria dos pesquisadores Tatiane Cristina MarquesI (Universidade de São Paulo), Adriano Max Moreira Reis (Universidade de São Paulo), Ana Elisa Bauer de Camargo Silva (Universidade Federal de Goiás), Fernanda Raphael Escobar Gimenes (Universidade Camilo Castelo Branco), Simone Perufo Opitz (Universidade Federal do Acre), Thalyta Cardoso Alux Teixeira (Universidade de São Paulo), Rhanna Emanuela Fontenele Lima (Universidade de São Paulo) e Silvia Helena De Bortoli Cassiani (Universidade de São Paulo).
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quarta-feira, dezembro 24, 2008

FELIZ NATAL

"Sugestões de presente de natal: para o seu inimigo, o perdão; para um oponente, tolerância; para um amigo, o seu coração; para um cliente, serviço; para tudo, caridade; para toda criança, um exemplo bom. Para você: respeito."

Oren Arnold.

FELIZ NATAL PARA TODOS, UM PRÓSPERO ANO DE 2009.

Sao os votos de Evandro Ferreira, Editor do Blog Ambiente Acreano
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FUSO HORÁRIO ÚNICO NO BRASIL

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

A coluna Bom Dia, do diário acreano 'A Tribuna', informa que o senador Amazonense Arthur Virgílio (PSDB-AM) propôs projeto para unificar os fusos horários do Brasil. Se aprovado, todo o país deverá ajustar seu relógio para se igualar ao atual fuso horário de Brasília.

Já havíamos alertado sobre essa possibilidade anteriormente (clique aqui para ler sobre isso), especialmente se aceitássemos calados a mudança de fuso horário imposta à população acreana pelo projeto do Senador Tião Viana (PT-AC).

Com viés claramente bajulador, a nota na coluna do diário acreano tenta passar a impressão que apenas alguns críticos fizeram escândalo com a mudança do nosso fuso. Todos foram testemunhas: a mudança foi um desastre, inclusive político para o seu autor. E a realização do referendo proposto pelo Deputado Federal Flaviano Melo (PMDB-AC) vai passar a limpo a questão.

Aliás, o deputado peemedebista atirou no que viu e parece que vai acertar no que não viu. A nova proposta de Arthur Virgílio vai suscitar, com toda certeza, debates acirrados por todo o país pois existem pessoas inteligentes em todos os lugares (lembrem que toda a unanimidade é burra...). Seu projeto vai colocar o Acre na vanguarda sobre a questão. E vai ser interessante ver o país de olho nos acreanos debatendo e votando a mudança autoritária do seu fuso horário.

Quanto ao projeto do senador amazonense, contém os mesmos defeitos do projeto do senador acreano Tião Viana: sua justificativa é vaga, e se refere a um suposto 'transtorno' causado pela diferença de hora entre a capital e as demais regiões do país. Fala ainda de um fantasioso 'obstáculo à integração' do espaço espaço econômico nacional' e o 'prejuízo à integração econômica' das populações e atividades realizadas na porção mais ocidental da área continental brasileira.

Mas o mais fantasioso do projeto de fuso horário único é quando Arthur Virgílio fala nos 'benefícios às populações residentes nas regiões orientais do país, levando-as a ter participação plena na vida econômica, política e cultural dos centros desenvolvidos do Sul e do Sudeste".

Sugiro ao Deputado Flaviano Melo convidar o senador amazonense a vir ao Acre comprovar seus argumentos. Aqui, sem a menor dúvida, ele terá trabalho em comprovar que a mudança do fuso horário tornou os horários dos vôos chegando e saindo do Estado mais convenientes, que o crescimento econômico do Acre deu um salto espetacular e que os políticos acreanos finalmente se 'alinharam' com os de outras regiões do país, passando a ter grande prestígio no establishment nacional. Nossos artistas agora podem fazer shows em horários compatíveis com as grades das grandes emissoras nacionais e por essa razão o Acre se integrou culturalmente ao resto do país.

Se Arthur Virgílio procurar muito, pode ser que encontre alguém da opinião de que o novo fuso horário só trouxe coisas boas para o Acre.

E para finalizar, a confirmação da previsão de Arthur Virgílio de que a mudança para um fuso horário único no país "será...uma das condições indispensáveis para que a sociedade brasileira possa vencer os desníveis econômicos e sociais que ainda dividem o país em regiões ricas e regiões pobres”, pode ser feita no Acre, que já mudou seu fuso.

Para isso sugiro que algum dos apoiadores do novo fuso horário acreano mostre ao senador que, definitivamente, o Acre, depois da mudança do seu fuso horário, tem amplas chances de superar o desnível sócio-econômico que o separa, por exemplo, de estados como Santa Catarina ou Rio Grande do Sul.

Alguns políticos brasileiros não têm jeito mesmo. Não sabem e nunca saberão o que é a verdadeira democracia...
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O NOVO FUSO HORÁRIO ACREANO

De novo o fuso

Geisy Negreiros*

Eu sei que hoje é véspera de Natal, leitor, e desde já desejo um Feliz Natal e próspero 2009 para todos. Mas não quero falar do Natal, nem das festas de final de ano, nem da crise financeira e muito menos de consumismo e comércio. Quero falar do fuso horário, que após cerca de seis meses da aplicação no Acre, a discussão volta a tona com a proposta do deputado Flaviano Melo para realização de um referendo, no qual a população será consultada se quer ou não “uma hora mais certa”.

Sempre fui a favor de um referendo, ninguém melhor do que a própria sociedade para dizer se prefere acordar uma hora mais cedo e sair do trabalho com o sol raiando no final do dia. Depois do choque inicial, do sono insuportável de manhã, não sei dizer se já me acostumei com o novo fuso. Continuo acordando com sono e a relação com o resto do Brasil e com os bancos não mudou lá essas coisas.

Além disso, a grade da televisão, salvo quando es-tamos no horário de verão (que melhora um pouquinho) continua uma bomba. Sou uma noveleira assumida e quando estou em casa o que mais faço é assistir televisão, como todo bom brasileiro. Mas nem a mudança do fuso, que di-ziam que iria amenizar os atrasos que tivemos com a decisão da Justiça, amenizou. Então pra mim, não melhorou foi quase nada. Nunca mais assisti o Jô e o programa Altas Horas, está passando mesmo altas horas da madruga.

Tá bom, a mudança do fuso não foi de todo ruim, ficamos com o mesmo horário da Bolívia e no horário de verão ficamos com apenas duas horas de diferença em relação a Brasília. Fora isso, quais foram as mudanças sentidas? Não lembro de mais nenhuma. Se a mudança do fuso era aprovada pela maioria da população eu não sei, só não me lembro de terem me perguntado nada.

Apesar das boas intenções que tiveram ao modificar o fuso, não podemos deixar esta discussão de lado, afinal nossos relógios biológicos foram alterados. Se a maioria aprova a mudança ou não isto deve ser decidido em um plebiscito sim. Agora, passado os seis meses, temos condições de fazer um comparativo e tomar a decisão mais acertada.

*Geisy Negreiros é jornalista. O artigo acima foi originalmente publicado no jornal A Gazeta em 24/12/2008
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A NOVA PONTE SOBRE O IGARAPÉ SÃO FRANCISCO

Antes da inauguração da nova ponte sobre o igarapé São Francisco, no bairro de mesmo nome, eu já havia observado que a passarela de pedestres da mesma era 'protegida' por uma espécie de armação e ferro que havia ficado mais baixa do que normalmente se observa em outras pontes.

A impressão que se tinha antes da inauguração da mesma era de que estava faltando alguma coisa. Era como se o projetista da ponte tivesse errado no desing da parte destinada aos pedestres.

Será que essa foi a causa no atraso da obra? Se foi, pelo menos esse aspecto não foi resolvido.

Estou fora de Rio Branco, mas pelas imagens divulgadas, fica a nítida impressão de que pessoas mais altas ou que carregam a famosa 'galhada' na cabeça terão que ter cuidado para não se ferir quando estiverem atravessando a nova ponte.

Crédito da imagem: Foto originalmente publicada no jornal Página 20 em 24/12/2008.
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ESSES ABRAÇOS QUE NÃO DURAM UM DIA

Moisés Diniz *

Fico impressionado com o comportamento das pessoas nestes dias de resguardo de Natal e aguardo de Ano Novo. É como se uma luz incandescente emergisse de cada veia e de cada neurônio. É um espetáculo o que acontece no cérebro de cada pessoa.

As pessoas ficam mais alegres, acreditam mais, reduzem os seus medos. Acreditam que o 13º salário vai quitar todas as dívidas e que, de uma hora para outra, a vida vai ser bem melhor no ano que vai nascer.

Aquele que te fez sofrer aperta a tua mão e tu respondes com ternura ao mesmo aperto de mãos. O carrasco que te algemou recebe um abraço teu, mesmo que não tenhas mãos.

O menino da periferia, de cor negra e já sem dentes básicos, aguarda inquieto aquele embrulho que vai lhe trazer alegria. O seu pobre pai, alcoolizado na esquina, não percebe o tamanho do sonho do filho. E se percebe se alcooliza para não perceber.

A menina adolescente acredita que são verdadeiras aquelas palavras lindas que ouviu no celular, que só liga a cobrar, e que não vai demorar a chegada daquele príncipe encantado.

Ela não sabe que aquele calhorda quer apenas se aproveitar de sua carne tenra. Que do outro lado da vila, da vida, da palafita ele dorme numa mansão inconsolável e que o seu sonho juvenil vai acordar com os gritos da primeira briga de rua do ano.

O dono do boteco na ponta da rua acredita que todo o bairro esquecido pelos homens do poder vai se lembrar de quitar as suas dívidas. Ele sonha encher, no ano que vem e que chega nas primeiras luzes e nos mais sutis apertos de mão, as prateleiras com mais feijão e açúcar, bolacha, sardinha e arroz, palito de fósforo, pouco papel, goiabada e cibalena, muito sal, farinha e pão dormido, lâmina de barbear semanal,

O homem do boteco é como a gente que vende sonhos a prazo, não exige assinatura, não cobra a fatura e nem digital. Tudo fica aguardando o Natal, o Ano Novo que vai chegar como búfalo, locomotiva e temporal.

Esses dias especiais vão trazer de volta o meu emprego, a minha alegria, o meu pão, a mulher perdida, a conta esquecida que o vizinho não pagou. Vai ter leite em toda mama, vergonha em todo homem, beleza em toda dama.

Não serei mais tão estúpido a ponto de não perceber os olhares do povo que exige mais abrigo, escola e pão. Vou abraçar o amanhecer e ver que a vida não passa de um pedaço do universo que também se partiu.

Verei que a felicidade humana é como um pouco de carne na boca sempre faminta de um rico qualquer. E que cada um alimenta o seu animal a partir do tamanho da alma do seu próprio dono.

Por isso me incomodam esses abraços, que parecem laços, pedaços de sonhos que não vão se realizar, como se uma serpente engolisse a outra que também lhe quer bem.

Neste Natal as serpentes de cada mente humana vão abraçar as outras serpentes. Será um abraço de quem come e dorme, veste e acorda a custa do trabalho humano, dos outros trabalhos que não são os seus.

Neste final de ano incerto eu vou abraçar meus amigos que ainda não conheci. Pois sei o quanto é fácil abraçar o meu irmão, minha filha, meu parente. Como abraçar os que choram nas ruas nas quais eu não ando, nas periferias que me fazem medo?

Como dizer ‘Feliz Natal’ para quem não nasceu e ‘Feliz Novo Ano’ para quem envelheceu? Por que abraçar as serpentes que cultivamos e fingir que não vemos a dor que elas produzem lá mais distante, onde meus olhos não alcançam, minha solidariedade não atinge e minha voz não leva nenhum acalanto?

Um Natal assim me deixa doente, é como uma doença antiga, do tempo em que o meu coração se partiu em três, quatro pedaços colossais, a amar meus desejos pequenos e a esquecer os desejos gigantes da humanidade.

Queria um Natal diferente, onde o homem amasse de fato a si mesmo e aos outros. Que as árvores não fossem sufocadas pelos coronéis do carbono, nem as águas, nem o ar, nem as larvas, nem as sementes, nem os pássaros sadios, os doentes, nem as raízes, nem os lagos, nem os homens, nem os peixes, nem os animais de pele, de escama, de asas, nem as lagartas, nem a terra.

Nenhum pedaço de sol eu posso dar, nenhuma esmola que não agüenta uma investigação. Por isso eu vou proteger o sol neste Natal, a única beleza natural que eu posso cuidar. Abraçar a lua não me deixará em conflito com os donos do poder.

Acho que vou acabar abraçando a chuva aqui nesta Amazônia indecente, que fica nua nas aldeias indígenas e não se preocupa com a cretinice dos apóstatas do verde e apóstolos do medo e da moral divina.

Vou abraçar o vento, vou falar com os pedaços soltos de asfalto, porque sei que eles são restos mortais milenares de nossos antepassados, de nossas árvores, animais, tudo que se acumulou no subsolo invisível do planeta. Com eles conversarei.

Pedirei perdão aos entes da floresta, aos meninos pobres e às adolescentes convertidas à prostituição, aos desempregados do capital, aos negros, aos povos indígenas, aos homossexuais, aos africanos, palestinos, aos latinos e iraquianos.

Feliz Natal ao homem das margens dos igarapés amazônicos, às mulheres que não lhe deram a oportunidade de pintar o cabelo, os lábios, usar um bracelete, um vestido de moda, aos pássaros que não se vestem contra o frio ou para adornar a noite.

Lutarei contra os meus medos e as minhas antipatias ao novo, ao desconhecido e a tudo aquilo que maltrata e provoca dúvida, preconceito e aversão. Uma idéia nova, uma pessoa doente, sem lar e esperança, uma nódoa na minha blusa de linho, um desvio no meu caminho, um medo de repartir, de amar.

Feliz Natal aos homens de sonho nobre, de idéias encantadas e coletivas. Que cada silêncio de rua faça nascer uma fogueira de sonhos.

Feliz Natal à humanidade que não se rende ao atraso de acumular sempre as mesmas dores no costado dos fracos e as mais iluminadas alegrias nas almas de poucos.

Feliz Natal!

* Professor e deputado estadual do PC do B do Acre
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