AMBIENTE ACREANO: Outubro 2009
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sábado, outubro 31, 2009

MACARRÃO INSTANTÂNEO: CINCO VEZES MAIS GORDURA

Macarrão instantâneo tem cinco vezes mais gordura do que o tradicional, aponta teste

Ivy Farias
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - Pronto em apenas três minutos, o macarrão instantâneo é conhecido pela população como prático e ideal para quem não gosta, ou não sabe, cozinhar. Entretanto, o conjunto de macarrão e tempero pronto pode ser uma perigosa combinação para a saúde. A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) testou dez marcas do produto e constatou que as quantidades de sódio e gordura estão acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por outras sociedades médicas.

"Alguns produtos têm cerca de cinco vezes mais gordura do que o macarrão tradicional", atesta a coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci. Segundo a coordenadora, estes altos índices são consequência da fritura que o macarrão instantâneo é submetido para que possa ser cozido rapidamente depois. "Os valores de gordura e de sódio estão diferentes do informado no rótulo", explicou.

A pesquisa mostrou que alguns produtos contêm mais do que o dobro da quantidade de sódio recomendada para um adulto, o que de acordo com o cardiologista do Instituto do Coração (InCor) Paulo Camargo, pode acarretar vários riscos à saúde. "Pessoas com colesterol alto, hipertensão e crianças devem evitar ao máximo. Em geral, todo mundo deve evitar comer, porque não é um alimento saudável". O especialista explicou que o alto teor de sódio pode fazer com que a pressão arterial aumente, além de reter líquido e proporcionar problemas cardíacos. Segundo ele, as sociedades médicas e a OMS indicam que o consumo diário de um adulto não deve ultrapassar 2 gramas de sódio.

Mas o que fazer quando a fome é muita e o tempo é curto? A nutricionista Cristina Menna Barreto recomenda que se cozinhe mais macarrão tradicional e armazene. "Sem o molho, em um pote bem fechado, o macarrão de grano duro resiste de três a quatro dias na geladeira", explicou. De acordo com a Pro Teste, o macarrão tradicional também é mais econômico: 80 gramas custa R$ 0,30, enquanto o preço de um pacote de macarrão instantâneo com o mesmo peso custa entre R$ 0,48 e R$ 0,83 (os valores foram calculados com base em dados coletados em junho de 2009 em Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo).

Procurada pela Agência Brasil, a Piraquê, uma das marcas que foi testada, afirmou que o total de sódio do macarrão e do tempero é 1,8 grama. "Nós nos baseamos no índice da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cujo limite aceitável é 2,4 gramas", afirmou o engenheiro de produção da Piraquê, André Luiz Teixeira. À Agência, a Anvisa afirmou que seu limite é mesmo 2,4 gramas, de acordo com as normas técnicas da OMS.

Em nota, a Adria, outra marca testada, afirmou que "as quantidades de sódio e glutamato monossódico seguem o padrão praticado pelo segmento no mercado". Já o Carrefour informou que "irá fazer uma análise da composição nutricional com o objetivo de identificar possíveis melhorias no produto". O Grupo Pão de Açúcar, responsável pela marca Qualitá, ressaltou que desconhece o laboratório que fez o teste do macarrão e que contesta os resultados. De acordo com o Pão de Açúcar, "o produto em questão não apresenta teor de glutamato monossódico acima do permitido uma vez que não há determinação em relação a quantidade máxima para seu uso. A empresa esclarece que o glutamato monossódico é um aditivo que tem a função de realçar o sabor dos alimentos, sendo seu uso seguro, segundo parecer dos principais órgãos reguladores mundiais, como a OMS, e permitido pela Food and Drugs Administration (FDA-EUA) e também no Brasil pela Anvisa."

A Nestlé afirmou que seu macarrão está adequado para consumo e "que em relação ao sódio, desde 2005, a empresa adota medidas para redução desses teores em suas formulações". Procurada pela Agência, a Nissin, que teve duas marcas de macarrão testadas pela Pro Teste não foi encontrada. Por meio de sua assessoria de imprensa, o grupo Selmi, fabricante do macarrão Renata, explicou que suas quantidades de sódio estão de acordo com a legislação vigente.
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sexta-feira, outubro 30, 2009

30 ANOS DO ASSASSINATO DE SANTOS DIAS DA SILVA

Entrevista com Anízio Batista
IHU Online

Anízio Batista fez parte da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, onde foi companheiro de Santo Dias da Silva, um operário que militava com os trabalhadores desde a década de 1960. Mas Santo não se ateve apenas ao movimento sindical. Como católico, era membro ativo das CEBs e dos movimentos de bairro, onde lutava por transportes, escolas, melhorias nas vilas. Em outubro de 1979, os metalúrgicos iniciaram uma campanha salarial, onde reivindicavam aumento de 83%. Como os patrões não aceitaram, uma assembleia com seis mil trabalhadores foi feita e, então, uma nova greve começou. A Polícia Militar invadiu, nos primeiros dias da paralisação, diversas subsedes de sindicatos, e mais de 150 pessoas foram presas. Ao tentar negociar com trabalhadores e policiais em frente a uma fábrica, um PM atira pelas costas de Santo que morreu a caminho do hospital, no dia 30 de outubro de 1979. “No dia do enterro de Santo Dias, havia mais de 30 mil metalúrgicos participando do ato fúnebre para reconhecer sua importância e a força da oposição sindical metalúrgica”, contou-nos Anízio ao relembrar a morte do companheiro 30 anos depois. A entrevista foi concedida por telefone.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor conheceu Santo Dias e que impressão ele causou em você?

Anízio Batista – Conheci o Santo Dias dentro do movimento da Igreja ligado à Pastoral Operária, às comunidades de base e ao movimento sindical. Foram estas referências que tive ao conviver com o Santo Dias. Nós viemos do interior, somos filhos de lavradores e tivemos uma convivência muito importante, inclusive familiar. Costumávamos nos visitar muito, além das nossas grandes reuniões quase todos os dias e nos finais de semana.

IHU On-Line – Vocês eram militantes da Pastoral Operária. Como o senhor conheceu a Pastoral Operária?

Anízio Batista – Na época da repressão, tínhamos o movimento dentro da Igreja. Com os cristãos socialistas fundamos a Pastoral Operária. Quem deu uma grande força nesta caminhada da formação da Pastoral Operária em São Paulo foi Dom Paulo Evaristo Arns. Aí conheci mais de perto a vida de Santo Dias, mas já tinha conhecimento dele na área sindical, nas comissões de fábrica, nas reuniões da oposição sindical metalúrgica.

IHU On-Line – Vocês eram militantes da oposição sindical metalúrgica. Como faziam o trabalho de base na época, que métodos utilizavam?

Anízio Batista – Éramos militantes da oposição sindical. Como eu, que fui metalúrgico por mais de 30 anos, o Santo também era. Em 1978, ocorreu o primeiro trabalho mais importante do Santo Dias. Dentro do movimento sindical tínhamos um trabalho para derrubar os pelegos de nível nacional, e, em São Paulo, queríamos derrubar o Joaquinzão do comando dos metalúrgicos. Foi aí que encabecei uma chapa dentro de toda nossa discussão fabril, fui presidente, e Santo Dias, o vice. Isso foi decidido em uma convenção bem democrática, muito aberta com as lideranças sindicais. Enfrentamos uma máquina poderosa, a do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e ganhamos as eleições naquele ano, só que as eleições foram fraudadas. O procurador chegou a anular as eleições, mas, depois, o Ministro do Trabalho, que, naquele tempo, era o Arnaldo Prieto, empossou o Joaquinzão novamente e disse: “Meus amigos, o que passou, passou”. Não conseguimos ganhar e não houve uma nova eleição. Isso foi um trabalho de vários anos que vínhamos desenvolvendo e chegou a esse patamar em 1978. O trabalho de base era feito dentro das

Manifestação da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo
empresas e das fábricas. Formamos comissões de fábrica clandestinas, onde discutíamos os problemas da empresa, como a questão salarial, a melhora na refeição e uma série de mudanças que queríamos fazer na época. Assim como as nossas ações, organizamos comissões para discutir com a empresa, e, na maioria das vezes, fazíamos greve.

Era essa a nossa luta de mudança no movimento sindical. Dentro da Pastoral Operária, requisitávamos a participar da oposição sindical o pessoal que trabalhava conosco nas empresas e todos os operários que participavam dos movimentos da Igreja, nas comunidades de base. Fazíamos muita sindicalização do pessoal que trabalhava nas fábricas e também convidávamos o pessoal quando tínhamos as assembleias do sindicato, onde formávamos as propostas de reivindicação junto ao sindicato e, na maioria das vezes, ganhávamos as propostas contras os pelegos. Essa era uma luta árdua da época que não era tão fácil. Desenvolvemos o trabalho das comissões de fábrica que eram clandestinas, não se podia dizer que havia uma comissão aberta.

IHU On-Line – No dia da morte de Santo, onde o senhor estava? Como ficou sabendo de sua morte e qual foi a sua reação?

Anízio Batista – Na morte de Santo Dias, tínhamos decretado uma greve geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, por reivindicação salarial e algumas melhorias de refeição, de CIPAS, reconhecimento de comissões de fábrica. O Santo estava coordenando um bloco fabril na Zona Sul, e eu na Zona Oeste. Tínhamos uma assembleia à noite, estávamos nas greves pela manhã, e tínhamos assembleias por regiões. Dentro delas, decidíamos se íamos continuar a greve ou não. Quando liguei para o pessoal no local que ia acontecer a assembleia na Zona Sul, onde iria me encontrar com eles, fiquei sabendo da morte de Santo Dias. Logo que soube, não acreditei realmente no que tinha acontecido, fiquei duvidoso. Depois veio a confirmação que Santo tinha morrido, e Dom Paulo Evaristo Arns já estava no hospital. A morte dele foi no piquete de uma empresa eletrônica na Zona Sul. Fiquei muito decepcionado e triste por um companheiro morrer em uma luta por direitos do trabalhador.

IHU On-Line – Santo na época já era uma liderança reconhecida pela categoria?

Anízio Batista – Sim. O Santo era reconhecido pela categoria desde 1978, quando encabeçamos a chapa da oposição sindical e tínhamos todo um coletivo sindical dos partidos, então clandestinos. Era reconhecido, assim como outras lideranças, porque em todas as empresas onde trabalhamos, nós fazíamos as comissões de fábrica, as reuniões interfábricas etc. O Santo tinha uma capacidade organizativa muito grande.

IHU On-Line – É verdade que Santo mais ouvia do que falava e que cativava as pessoas pela clareza de sua argumentação?


Anízio Batista – O Santo tinha um dom de falar com os trabalhadores e entender a discussão do lado de lá. Muitas vezes, quem é mais instruído quer avançar numa luta muito mais do que é necessário. O Santo tinha uma capacidade de mostrar aos trabalhadores a importância daquele momento, a importância da reivindicação, da luta, o motivo da greve, porque tínhamos que assumir isso. Ele tinha uma capacidade de convencer realmente os trabalhadores.

IHU On-Line – Em 1978, o senhor foi cabeça de chapa nas eleições para o Sindicato dos Metalúrgicos, e Santo Dias foi indicado como vice. O que aconteceu nessas eleições?

Anízio Batista – Nessas eleições, foi uma guerra basicamente, uma batalha ferrenha, pois a oposição sindical, na época, tinha um trabalho muito enraizado dentro das empresas metalúrgicas de São Paulo, tínhamos um trabalho de coordenação muito planificado. Nessas eleições, por exemplo, não tínhamos o direito de ter um fiscal que acompanhasse as urnas e forçamos a barra. Fomos para o sindicato pela manhã e não deixamos as urnas saírem de lá enquanto não tivéssemos o direito de ter um fiscal junto, e aí foi uma batalha muito grande, briga para lá e para cá, polícia intervindo junto ao sindicato. Foi uma conquista dos trabalhadores, pois quebramos o tabu das fraudes nas eleições, foi muito importante esse trabalho que organizamos em 1978. Talvez a direita do país tinha que eliminar alguém para colocar medo nos trabalhadores. E o Santo, na greve de 1979, era muito reconhecido pela categoria. Podia ter sido o Santo, podia ter sido eu ou qualquer outra liderança, mas Santo Dias acabou sendo baleado na porta da fábrica. Ele não era de fazer enfrentamento com a polícia, ele era um cara de diálogo fosse com quem fosse. Sabendo da movimentação das lideranças, a direita quis eliminar alguém para amedrontar. Mas não foi isso que aconteceu, porque, no dia do enterro de Santo Dias, havia mais de 30 mil metalúrgicos participando do ato fúnebre reconhecendo sua importância e a força da oposição sindical metalúrgica.

IHU On-Line – Em que contexto vocês conheceram Lula que presidia o sindicato dos metalúrgicos do ABC?

Anízio Batista – Eu conheci o Lula antes do Santo, porque trabalhei em São Bernardo do Campo, na mesma empresa que o Lula trabalhava. Nessa época, eu já frequentava o sindicato, e o Lula nem era presidente do sindicato, não tinha uma liderança grande, embora fosse diretor. Ele se projetou a partir de 1975. Eu tive a oportunidade de conhecer o Lula nessa época, trocar muitas ideias e, mesmo quando encabeçamos a chapa em São Paulo, ele veio para as portas de fábrica conosco, dando apoio. Fiz muitas reuniões com ele, na casa dele ou na porta da fábrica. Nós tínhamos um entrosamento muito grande tanto com o Lula quanto com a direção do sindicato de São Bernardo que era muito combativo na época.

IHU On-Line – Os militantes da oposição sindical metalúrgica de São Paulo viam Lula como alguém despolitizado nos anos que antecederam a greve dos metalúrgicos do ABC?

Anízio Batista – Não, não é despolitizado. A questão era partidária. O Lula se projetou mais na área sindical e, na época, o pessoal achava que ele não tinha uma bagagem política partidária. Depois sim, o Lula se despertou para a área política. Na época do movimento sindical combativo, o Lula foi a ponta de lança, não podemos negar isso. Agora, politicamente, ele só se projetou depois de 1980, e aí começou uma outra fase da vida sindical e política do país, com o lançamento do Partido dos Trabalhadores. A partir daí, o Lula teve uma nova projeção. Tudo isso levou os trabalhadores, por exemplo, a chegar a formar um partido que fosse da classe trabalhadora.

IHU On-Line – Como o senhor avalia hoje a pessoa de Lula tendo presente a história de lutas no campo sindical e o seu governo?

Anízio Batista – Antes, tínhamos a visão de que Lula era uma liderança combativa do movimento sindical, como foi dentro do PT. Só que os movimentos sindical, popular e CEBs tiveram uma grande decepção, porque Lula não cumpriu as determinações dos trabalhadores e do próprio partido. Não quer dizer também que o governo foi péssimo. Mas deixou muito a desejar em relação à situação que vivem os trabalhadores.

IHU On-Line – De que maneira a prática de Santo Dias pode iluminar a prática sindical de hoje?

Anízio Batista – Precisamos compreender que a prática sindical de hoje é diferente, pois vivemos num mundo globalizado que levou milhões de trabalhadores a perderem seus empregos em função da modernização das indústrias. O quadro mudou muito. Dentro desse cenário, acho que os sindicatos, mesmo aqueles que estão nas mãos da CUT e outras centrais, deveriam ter os cursos sindicais que tínhamos no passado para preparar os trabalhadores para desenvolver essa prática dentro das empresas. Hoje, não temos, em nenhum sindicato aqui em São Paulo, não sei no sul, cursos para preparar o militante para que ele tenha uma presença para organizar a empresa. A CUT, que já foi uma das pioneiras mais combativas, hoje, para mim, está um lixo, não se formam lideranças. As lideranças do passado se encastelaram no poder. Estão lá há 20, 15 anos, e não querem deixar o poder. Todas as propostas que tínhamos em relação a isto foram derrubadas. A nossa prática do passado, de preparar o trabalhador acabou. Precisamos retomar esse trabalho.

IHU On-Line – Qual é o grande legado de Santo Dias?


Anízio Batista – O grande legado de Santo Dias é o fato de ele ter tido paciência para trabalhar com o ser humano. Além disso, a confiança no operário, as comunidades de base. O grande legado dele é esse.
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OS PALESTINOS DA AMAZÔNIA

Latuff
Revista NovaE

Cansados de esperar por uma reforma agrária que nunca chega,camponeses fazem a "revolução agrária" na Amazônia.Por Latuff *A convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO),passei uma semana na companhia de lavradores nos acampamentos da Ligados Camponeses Pobres (LCP), no interior do estado de Rondônia. Nestesmeus dias ao lado dos aldeões, tive a honra de comer de sua comida,participar de suas conversas, de sua rotina, tomar conhecimento desuas necessidades, de suas demandas e seus sonhos. Povo forte, quesofre o diabo, mas que não tem medo dele.

Por duas vezes passei a noite numa cabana de palha, onde vivem seuAbel e sua esposa Zilda. Reservaram uma cama pra mim, me receberam comtodo carinho e gentileza. Mesmo na simplicidade daquela choupana,havia uma extrema preocupação em me agradar, na melhor tradição dehospitalidade do homem do campo. Acordava-se bem cedo, ainda escuro."Bom dia, dormiu bem?". Escova de dentes na mão, rumo ao rio que beiraa cabana. No moedor a manivela, os grãos de café eram preparados parao desjejum. O leite fervia no fogão a lenha. A mesa posta, os copos,os talheres, o silêncio era discretamente interrompido tanto por mimquanto pelos pássaros. Daqui a pouco seu Abel já estava seguindo paraa roça, pra cortar lenha, pra capinar a terra, irrigar as mudas,trabalho árduo para transformar seu pequeno pedaço de selva em lar. Oslavradores humildes precisam de bem pouco para viver uma vida digna, enem mesmo isso lhes é permitido. Com o argumento do combate aodesmatamento, o IBAMA persegue e aplica multas altas aos que vivem daagricultura de subsistência, usam da Polícia Federal, da ForçaNacional de Segurança e mesmo tropas do Exército para sufocar ascomunidades, como no caso de Rio Pardo, onde barreiras foram erguidasnas entradas e saídas, pessoas e veículos revistados, postos decombustível do acampamento removidos, um rigor que não tem sidoaplicado aos latifundiários, que transformam vastas extensões defloresta nativa em pasto ou monocultura.

O histórico de violência naquela área já vem de longe. No BrasilColônia, o vale do Guaporé foi palco de disputas imperialistas entrePortugal e Espanha, que só terminaram com as demarcações de terraacordadas pelo Tratado de Madrid em 1750. No século 18 com o ciclo damineração e particularmente no final do século 19 com o ciclo daborracha, uma grande leva de migrantes de diversas partes do Brasilforam atraídos para a região, causando conflitos agrários com avizinha Bolívia, que foram resolvidos em 1903 com o Tratado dePetrópolis. Em 1943, como resultado do desmembramento de áreas dosestados do Amazonas e Mato Grosso, foi criado por Getúlio Vargas oTerritório Federal de Guaporé, tendo sido rebatizado para Rondônia em1956, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, militar que entre 1910e 1940 comandou expedições de Cuiabá até o Amazonas para instalarlinhas telegráficas e levar a boa e velha civilização branca para oseio dos povos indígenas. Rondônia torna-se estado em 1982.

A Liga dos Camponeses Pobres surgiu em agosto de 1995, quandotrabalhadores rurais que ocupavam terras da Fazenda Santa Elina, nacidade de Corumbiara, resistiram ao brutal despejo promovido porpoliciais e jagunços, resultando na morte de 11 pessoas (em númerosoficiais), incluindo a menina Vanessa de apenas 6 anos, no que ficouconhecido como o "Massacre de Corumbiara". De lá pra cá, cansados deesperar por uma reforma agrária que nunca chega, os camponeses e suasfamílias decidiram promover a "revolução agrária" no peito e na raça.São eles os acusados pela revista Isto É de serem sanguináriosguerrilheiros ligados (adivinhem) as FARC.

O que pude presenciar durante minha visita aos acampamentos foramtrabalhadores rurais e suas famílias armados, isso sim, de uma forçade vontade poderosa, capaz de enfrentar os rigores da AmazôniaOcidental. O clima equatorial, extremamente quente e úmido, onde o solinclemente castiga a carne, as doenças tropicais como a leshmaniose ea malária, que por aquelas bandas são tão comuns quanto um resfriado,animais selvagens como onças, porcos-do-mato e serpentes venenosas, umrisco sempre presente, oculto pela densa vegetação.

Mas não são os rigores da selva amazônica os maiores inimigos do povodo campo. São os fazendeiros milionários e seus exércitos particularesformados por assassinos de aluguel e policiais, cujas ações criminosassão sustentadas por políticos locais e a imprensa corrupta, quealimentada com verbas publicitárias e mesmo matérias pagas, tentademonizar a justa resistência dos pequenos agricultores. Os matadoressão conhecidos por todos, andam tranquilamente pelas ruas, por vezesostensivamente armados. Não são raras as execuções a luz do dia, avista de todos. Qualquer um que tenha coragem de, por exemplo,denunciar os pistoleiros num programa de rádio, corre o sério risco deser assassinado assim que por os pés pra fora da emissora. Conceitoscomo direitos humanos e cidadania inexistem nos cantões de Rondônia,onde a pistolagem é uma instituição consagrada pela sociedade. Numacorrida de taxi em Ariquemes, junto com mais três passageiros, passei

a viagem que durou cerca de 45 minutos ouvindo animadas histórias defazendeiros, políticos e mortes encomendadas. Uma delas reproduzoaqui.

Um homem pescava num rio. Conseguiu apanhar dois pintados. Amarrou ospeixes na garupa de sua bicicleta e seguiu tranquilamente por umaestrada. No meio do caminho foi parado por um fazendeiro e seu jagunçonuma caminhonete.

- "Onde você pescou isso?", perguntou o fazendeiro.

- "Naquele rio logo ali", respondeu o sujeito.

- "Então pode deixar por aí mesmo, que aquele rio é meu", disse ofazendeiro, no momento em que o capanga já saía do veículo de formaameaçadora. O pescador teve de fugir. Ao comentar esse caso com opessoal da LCP, me disseram que ele teve sorte de não ter sidosimplesmente baleado. Essa é somente uma das histórias que explica bema razão da revolta que o camponês de Rondônia traz consigo no peito.

Historicamente, a reforma agrária no Brasil nunca se deu de maneiraespontânea pelos governos, e sim pela pressão feita pelos movimentospopulares de luta pela terra, que no caso da LCP, sequer contam com oINCRA para assentar as famílias. Para os integrantes da LCP, nãoexiste o conceito de "desapropriação de terras improdutivas", vistoque mesmo as produtivas, estando em mãos de ricos fazendeiros,servirão invariavelmente aos interesses do agronegócio. Os camponesesda LCP escolhem as grandes fazendas, as ocupam, erguem lonas, resistemao ataque de jagunços, e depois de 2 a 3 meses fazem demarcação doslotes, o chamado "corte popular", inicialmente erguendo cabanas depalha e depois de madeira. Depois de algum tempo, os acampamentos seassemelham a povoados do velho oeste norte-americano, como no caso deJacinópolis, com farmácia, escola, mercado, tudo feito detábuas.

Diferente da confortável vida das grandes cidades, onde restaurantes,lanchonetes e supermercados estão logo ali na esquina, nas áreas deacampamento o supermercado mais próximo pode estar a 80km de estradasde terra acidentadas. É natural portanto que os camponeses tenham decaçar para comer, o que justifica a posse de velhas espingardas queservem também para a defesa contra onças e porcos selvagens. Operaçõesconstantes do IBAMA e das polícias, tentam tomar estes armamentosrústicos das mãos dos lavradores, impedindo que eles se defendam tantode animais ferozes quanto de pistoleiros. O direito a legítima defesatambém lhes é negado. Os camponeses, no entanto, seguem resistindo aestas agressões como podem. Fecham estradas, bloqueiam o avanço dapolícia com barricadas, criam seus próprios sistemas de vigilância esegurança. Não se entregam nunca.

São os palestinos da Amazônia.

* Latuff é cartunista.
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TOMADAS E PLUGUES VÃO MUDAR

Jabuticaba elétrica

Carolina Romanini
Revista VEJA

Obrigar os brasileiros a seguir um novo padrão e trocar todas as tomadas da casa é uma intervenção estatal absurda, inútil e dispendiosa. Deus nos livre dos comitês...

Focinho de porco não é tomada", dizem os brasileiros quando querem sinalizar que alguém se deixou enganar pelas aparências e fez uma escolha errada. Agora, um comitê, e tem sempre um comitê a abrigar especialistas em tudo, menos em bom senso, tirou dos brasileiros essa frase. Uma comissão convocada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) decidiu que os brasileiros terão de trocar todas as tomadas de suas casas para se adaptar ao novo padrão, com três pinos. A nova tomada é uma espécie de jabuticaba elétrica. Seu formato só existirá no Brasil. Isso não é incomum. A Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) criou na década de 80 um modelo de plugue e tomada para servir de padrão mundial. Em vão. Não colou. Cada país tende a adotar um padrão próprio. As razões para isso são, quase sempre, as piores possíveis. Elas vão do nacionalismo ao gosto sádico dos comitês de interferir na vida privada dos cidadãos.

Há centenas de modelos de plugue e tomada, sendo os mais comuns aqueles com pinos redondos ou retangulares (na vertical). Diante disso, o Brasil decidiu contribuir para a confusão geral. A partir do início do próximo ano, torna-se obrigatório em produtos fabricados por aqui ou importados o uso de um padrão de plugues e tomadas diferente de tudo aquilo que se utiliza no mundo. O plano da ABNT e do Inmetro (órgão federal responsável pelo controle de qualidade industrial) é substituir todos os terminais elétricos vendidos no país até julho de 2011. Prevê-se que a completa adaptação das residências ao novo padrão elétrico demore até duas décadas.

De modo genérico, pode-se dizer que os pinos redondos são preferidos nas regiões nas quais predomina o fornecimento de eletricidade em 220 volts, como a Europa. O pino retangular é mais usado com a voltagem 110, daí sua popularidade na América do Norte. No Brasil, dependendo da cidade, o fornecimento pode ser em 220 ou 110 volts, ou ambos. A variação na voltagem decorre, basicamente, da decisão tomada pela empresa que instalou a rede elétrica no passado. Estima-se que se possam encontrar nas casas brasileiras por volta de quinze modelos de tomada. Há cerca de trinta anos foi implantada no país a tomada popularmente conhecida como "universal". Ela aceita tanto o pino redondo quanto o retangular e tem a simpatia geral – mas não do comitê encarregado de complicar a questão. "Não faltaram sugestões para que a universal fosse adaptada às exigências de maior segurança e se tornasse o padrão brasileiro", diz o engenheiro eletricista Hilton Moreno, que acompanhou de perto o processo de mudança. Mas a ideia foi rejeitada no comitê.

O padrão brasileiro será de pino redondo, independentemente da voltagem. Estima-se que 80% dos plugues usados no país sejam desse tipo. Mas nem todos servirão nos furos da nova tomada, cujo tamanho varia de acordo com a amperagem. Será necessário recorrer a um adaptador. Porém é bom ser rápido, pois o Inmetro não quer saber de facilitar a vida de ninguém e pretende proibir a venda de adaptadores dentro de três anos. A necessidade de maior segurança é o motivo alegado pela ABNT para a mudança da qual ninguém sentia falta. Em teoria, alguém pode tocar nos pinos de uma tomada e tomar um choque. Não há estatísticas sobre a frequência e a gravidades desse tipo de incidente. Mas, como o novo sistema inclui um plugue com terminal sextavado para ser encaixado numa tomada com concavidade, a possibilidade de um choque, que já era pequena, se tornou ainda mais rara. Esse problema, isoladamente, poderia ser resolvido apenas com a padronização da concavidade nas tomadas do tipo "universal", ou em quaisquer outras que fossem usadas por um grande número de países. Resolveria, também, se o isolante que já existe em grande parte dos plugues brasileiros (aquela capinha preta de plástico que vai até a metade dos pinos metálicos) se tornasse obrigatório. Enfim, teria sido possível resolver a questão da segurança sem a necessidade de obrigar ao incômodo e dispendioso processo da troca por um modelo que só existirá dentro das fronteiras nacionais.

Mas, se as coisas fossem assim tão fáceis e baratas, para que um comitê? Coisas estranhas foram elucubradas por seus membros. Uma delas é o plano de usar plugues e tomadas para mexer na balança comercial brasileira. Ao criar um modelo nacional, o comitê entendeu que isso seria uma forma de ampliar o mercado de eletroeletrônicos produzidos no Brasil. "Essa mudança sem dúvida beneficiará as empresas brasileiras", diz Alfredo Lobo, diretor de qualidade do Inmetro. É uma ideia interessante: longe de ser confundida com focinho de porco, a tomada jabuticaba deve ser vista como uma bandeira do protecionismo comercial. É igualmente razoável imaginar o efeito contrário. "O fato de os terminais elétricos brasileiros terem ficado diferentes dos existentes no resto do mundo cria um problema que não existia", diz o engenheiro eletricista Norberto Nery, do Instituto Mauá de Tecnologia. "Agora os aparelhos importados precisarão seguir o padrão brasileiro e os exportados precisarão ser adaptados às normas estrangeiras."

A substituição de todos os tipos de tomada pelo novo padrão acarretará transtornos homéricos na vida do brasileiro. A nova tomada tem dois tamanhos, de acordo com a amperagem, que é a quantidade de eletricidade que passa da instalação elétrica para o aparelho. Os plugues e tomadas de 10 ampères, menos potentes, têm o diâmetro de 4 milímetros, e os de 20 ampères, utilizados em aparelhos como micro-ondas, têm 4,8 milímetros. A adaptação só será possível e realmente segura se as redes elétricas das habitações passarem por uma reforma completa e bem planejada. É preciso agora instalar a fiação e tomadas específicas em locais estratégicos, onde já se prevê a instalação de um equipamento eletroeletrônico de consumo adequado para cada terminal. No final, sobrou para nós.
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TOMADAS E PLUGUES VÃO MUDAR

Facilitar pra quê?

por Marcelo Paiva, Seção: Crônica 15:58:50.
Estadao.com

Uma nova tomada se torna obrigatória no Brasil.

Por questões de segurança, diz a Associação Brasileira de Normas Técnicas [ABNT], que criou junto com o Inmetro o modelo de 3 pinos aterrados em baixo relevo de 8 a 12 milímetros, em formato de hexágono, onde será encaixado o plugue.

Os fabricantes têm até janeiro de 2010 para se adaptarem aos novos padrões.

Os técnicos dizem que este formato geométrico evitará os choques. Choques? Nunca tomei um choque por causa de uma tomada.

Não está em curso mais um grande estelionato ao bolso do consumidor brasileiro?

O caso lembra o do Kit Primeiros Socorros, que todos os motoristas foram obrigados a comprar em dias, e se revelou ser ineficiente.

No mais, ao invés de copiar um padrão já existente, como o americano, a que todos nós somos familiarizados, já que até os computadores nacionais têm a saída de 3 pino do padrão ianque, ou o europeu, também em baixo relevo, mas redondo, inventamos um novo. Mais um. Síndrome de protecionismo.

E é sempre assim. Para não nos sentirmos colonizados, criamos padrões, complexo de país grande. A ditadura inventou o padrão PAL M, que só há no Brasil, para TV em cores, enquanto a América usava o NTSC, e a Alemanha o PAL, sem o M.

Nossos vídeos cassetes eram em PAL-M, e dava uma trabalheira para incluirmos outros sistemas e assistirmos a vídeos importados. Através de nossos DVDs não assistimos a filmes europeus e americanos, precisamos adaptá-los.

Mundo globalizado? A discussão sobre o padrão da TV digital durou anos, japoneses e americanos disputavam, decidiu-se aos 45 minutos do segundo tempo que inventaríamos um padrão único e próprio.

Com o fim do monopólio da Embratel e a privatização da telefonia, inventou-se um sistema complicado, que nenhuma avó ainda entendeu, que atrapalha as ligações interubano por celulares e a operação dos aparelhos, que dá um nó em todos, o indigesto “zero + operadora + código da cidade”, ou o padronizado pela imprensa, 0/XX/código, algo que só existe no Brasil.

Agora, as tomadas! Dei um role pela minha casa. Encontrei apenas um plugue que se encaixaria na nova tomada, a de um abajur. A maioria é americana.

E as americanas não se encaixam na nova tomada brasileira. Ninguém pensou em facilitar?

Lá vamos nós atrás de benjamins, extensões, adaptadores para a nova realidade. Tem muita gente que vai faturar alto por causa dessa mudança. E ao viajarmos teremos que sair com uma mala extra de adaptadores.

Obrigado ABNT.
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PEDIATRAS DEMORAM A DETECTAR DISTURBIOS DE COMUNICAÇÃO

Pediatra prefere encaminhar crianças com problemas de comunicação a outro médico especialista
Pediatra prefere encaminhar crianças com problemas de comunicação a outro médico especialista

Simone Aparecida Lopes-Herrera, uma das autoras do artigo, fonoaudióloga e professora da FOB, diz que essa demora “pode prejudicar o desenvolvimento da criança”. Ela considera que os médicos pediatras não estão preparados corretamente para diagnosticar problemas na fala e na linguagem. As formas mais comuns desses problemas são a demora para começar a falar e distúrbios fonológicos (troca de sons ao falar).

A pesquisadora conta que há uma situação comum nesses casos. “Os pais geralmente são os primeiros a detectar se a criança demora para começar a falar, ou não fala corretamente. E, em muitas vezes, o pediatra diz que ainda não é possível afirmar se há um problema. Mas em crianças de qualquer idade nós, fonoaudiólogos, temos como avaliar isso.”

No estudo, foram avaliados 79 pediatras por meio de um questionário específico com perguntas sobre as etapas do desenvolvimento da comunicação infantil e a forma de atuação dos profissionais nesses casos. Cerca de 90% dos entrevistados mostraram “preocupação” com a idade que a criança deve falar corretamente. Outra questão avaliou a preferência dos profissionais ao encaminhar os pacientes para outro médico especializado: 45,56% deles para otorrinolaringologista, 30,38% para neurologista, e apenas 15,19% afirmam encaminhar o paciente diretamente para o fonoaudiólogo.

Fala e linguagem

Um dado importante é o de que os pediatras que já trabalharam com um fonoaudiólogo têm maior conhecimento da área, porém, a maioria dos profissionais não sabe distinguir fala de linguagem, o que é importante para quem trabalha com saúde infantil.

A fonoaudióloga explica que a linguagem diz respeito à capacidade de representação, e a fala, da expressão. “Se eu digo ‘carro’, você consegue imaginar o que eu falo, você compreende o código. Isso está no domínio da linguagem. Agora, se uma criança diz ‘calo’, quando eu mostro um carro para ela, ela compreendeu a mensagem e pode estar apresentando um problema de fala. Quem tem condições de diagnosticar se o problema é de fala ou de linguagem é o profissional habilitado a isto, o fonoaudiólogo.”

Quando o profissional de saúde não sabe fazer essa distinção, segundo Simone, pode incorrer em grandes erros. “Uma criança com autismo, por exemplo, muitas vezes sabe pronunciar as palavras perfeitamente, isto é, ‘fala bem’, mas tem problemas na hora de entender o significado do que fala.”

A professora considera que os pediatras deveriam ter, na sua especialização, uma formação melhor sobre o desenvolvimento da fala e da linguagem infantil. “Nós observamos que eles não estão bem preparados, e a comunicação influi em toda a vida da criança, seja nas relações sociais, seja no aprendizado”.

O artigo Conhecimentos, atitudes e práticas dos médicos pediatras quanto ao desenvolvimento da comunicação oral, foi publicado na Revista Cefac – Atualização Científica em Fonoaudiologia e Educação e foi escrito em parceria com Luciana Paula Maximino, professora da FOB; Marina Viotti Ferreira, fonoaudióloga formada pela FOB; Danielle Tavares Oliveira, mestranda da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp); Dionísia Aparecida Cusin Lamônica, professora da FOB; Mariza Ribeiro Feniman, professora da FOB; Ana Carulina Pereira Spinardi; mestranda da FOB.

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LIXO ELETRÔNICO EM EXCESSO

Em artigo na Science, pesquisadores destacam falta de políticas eficazes para lidar com os equipamentos eletrônicos descartados, que têm componentes danosos à saúde humana e ao ambiente

Agência FAPESP – Há mais de dez anos tem crescido enormemente o uso de dispositivos eletrônicos portáteis, como computadores, telefones celulares e tocadores de música (primeiramente CD e, depois, arquivos digitais). Um dos resultados, que a princípio não parecia preocupante, é o acúmulo de lixo.

Eletrônicos hoje representam o tipo de resíduo sólido que mais cresce na maioria dos países, mesmo nos em desenvolvimento. Um dos grandes problemas de tal lixo está nas baterias, que contêm substâncias tóxicas e com grande potencial de agredir o ambiente.

Em artigo publicado na edição desta sexta-feira (30/10) da revista Science, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, comentam o problema e a ausência de políticas adequadas de reciclagem.

“O pequeno tamanho, a curta vida útil e os altos custos de reciclagem de tais produtos implicam que eles sejam comumente descartados sem muita preocupação com os impactos adversos disso para o ambiente e para a saúde pública”, apontam os autores.

Eles destacam que tais impactos ocorrem não apenas na hora de descartar os equipamentos eletrônicos, mas durante todo o ciclo de vida dos produtos, desde a fabricação ou mesmo antes, com a mineração dos metais pesados usados nas baterias.

“Isso cria riscos de toxicidade consideráveis em todo o mundo. Por exemplo, a concentração média de chumbo no sangue de crianças que vivem em Guiyu, na China, destino conhecido de lixo eletrônico, é de 15,2 microgramas por decilitro”, contam.

Segundo eles, não há nível seguro estabelecido para exposição ao chumbo, mas recomenda-se ação imediata para níveis acima de 15,2 microgramas por decilitro de sangue.

Os pesquisadores estimam que cada residência nos Estados Unidos guarde, em média, pelo menos quatro itens de lixo eletrônico pequenos (com 4,5 quilos ou menos) e entre dois e três itens grandes (com mais de 4,5 quilos). Isso representaria 747 milhões de itens, com peso superior a 1,36 milhão de toneladas.

O artigo aponta que, apesar do tamanho do problema, 67% da população no país não conhece as restrições e políticas voltadas para o descarte de lixo eletrônico. Além disso, segundo os autores, os Estados Unidos não contam com políticas públicas e fiscalização adequadas para a reciclagem e eliminação de substâncias danosas dos produtos eletrônicos.

Os pesquisadores pedem que os governos dos Estados Unidos e de outros países coloquem em prática medidas urgentes para lidar com os equipamentos eletrônicos descartados. Também destacam a necessidade de se buscar alternativas para os componentes que causem menos impactos à saúde humana e ao ambiente.

O artigo The electronics revolution: from e-wonderland to e-wasteland, de Oladele Ogunseitan e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
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quinta-feira, outubro 29, 2009

CPI DAS TARIFAS: CEMIG ADMITE QUE COBROU MAIS DO QUE DEVERIA

Reportagem - Juliano Pires
Edição - Pierre Triboli
Agência Câmara

O diretor-presidente das Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), Djalma Bastos de Morais, afirmou há pouco que as empresas do setor de energia sempre seguiram as leis e as regulamentações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ainda que tenham cometido alguns enganos. "Estamos com um problema complexo, de solução difícil. De fato, houve uma brecha na lei e fizemos essa cobrança [tarifas de valor acima do necessário]. Mas nunca de forma ilegal", afirmou.

Morais participa neste momento de audiência pública da CPI das Tarifas de Energia Elétrica. Os deputados convocaram a reunião para discutir com representantes de companhias energéticas e com o Ministério Público as denúncias veiculadas pela Folha de S. Paulo no último dia 18 de que o brasileiro pagou mais do que deveria pelas tarifas de energia nos últimos sete anos.

Segundo o diretor-presidente da Cemig, as empresas poderão formar um grupo de trabalho caso seja confirmado que os consumidores foram lesados devido ao valor das tarifas. Ele considerou, no entanto, que os consumidores não foram prejudicados, já que qualquer valor pago a mais teria sido investido na melhoria dos serviços das empresas.

O relator da CPI, deputado Alexandre Santos (PMDB-RJ), disse que aprova a atitude da Cemig de reconhecer eventuais erros de cobrança. Ele afirmou que a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) havia adotado uma postura "arrogante e afrontadora" sobre o assunto, em nota pública divulgada anteriormente.

Santos disse que esse posicionamento do setor não colaborava para o aumento da clareza e da transparência das tarifas e dificultava um entendimento em torno da reformulação do sistema de cobrança de contas. O relator elogiou, no entanto, a manifestação do diretor da Cemig.

"Vimos aqui um quadro que não é saudável para o setor de energia. Ficamos felizes em obter esse reconhecimento [do erro de cobrança], por parte da Cemig, em nome das demais empresas", disse o relator.

Nota do blog: é uma questão de tempo para a caixa preta da Eletroacre ser aberta e mostrar o quanto os consumidores acreanos desembolsaram a mais quando pagaram suas contas.
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FLORESTA ZERO: RURALISTAS INCLUEM ANISTIA A DESMATAMENTO NO CÓDIGO FLORESTAL

Em uma sessão tensa, marcada pela presença de ambientalistas acorrentados e sirenes ligadas, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados deu espaço à bancada ruralista para apresentar um substitutivo ao novo Código Florestal e incorporar ao texto uma anistia a todos os proprietários rurais que desmataram no País até 31 de julho de 2006

Lisandra Paraguassú, da Agência Estado

A confusão começou com um protesto de três ambientalistas da ONG Greenpeace, que se acorrentaram uns aos outros e ligaram uma sirene na comissão para tentar evitar a votação. Expulsos do plenário, a reunião foi suspensa por 20 minutos até que os ânimos se acalmassem, mas o relator e o presidente da comissão, Roberto Rocha (PSDB-MA), insistiam em manter a votação até que, respondendo a um pedido do líder do PSDB, José Aníbal (SP), Rocha retirou a proposta da pauta.

Apresentado por Montes como seu, o texto foi protocolado há duas semanas na comissão por deputados ligados à CNA, de acordo com informações dadas ao Estado pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), também presidente da Confederação. No entanto, não foi considerado pelos membros da comissão porque já havia passado o período de emendas. Ao assumir a relatoria, Marcos Montes o tomou como seu.

Essa versão do código florestal, se aprovada, permitirá que todo o desmatamento ilegal feito até 31 de julho de 2006 seja anistiado e as atividades agropecuárias existentes na área sejam mantidas. Segundo o relator, a data foi escolhida porque esse seria um período que o Ministério do Meio Ambiente teria a imagem exata do desmatamento no País e poderia dizer o que teria sido desmatado depois disso.

No entanto, a proibição de desmatamento nas chamadas Áreas de Preservação Permanente (encostas, cursos d’água, etc) e a determinação de reserva legal de 80% das propriedades na Amazônia é anterior a 2006.

O projeto ainda retira da Amazônia Legal 4,2 milhões de hectares de floresta que hoje estão nos Estados do Tocantins e Maranhão. Com isso, a reserva obrigatória cairia de 80% para 20%. “Isso é praticamente acabar com a floresta nessas regiões, onde já sobrou muito pouco”, afirma Nilo D’Avila, do Greenpeace, um dos ambientalistas que protestavam na sessão.

O substitutivo ainda repassa aos Estados o direito de determinar em suas leis o tamanho das áreas de proteção em torno de cursos d’água, encostas, lagoas, lagos, nascentes, beiras de chapadas e outras áreas consideradas de proteção para evitar erosão, desertificação e desmoronamento. Hoje, o governo federal determina o piso para isso, que pode ser de 50 metros a 500 metros, como em torno do rio Amazonas. A mudança abre espaço para casos da lei ambiental de Santa Catarina, que está sendo votada à revelia da legislação nacional e mantém uma faixa de apenas cinco metros em torno de rios e encostas.

“Na pressa, a bancada ruralista atropelou todo o processo. Não se apresenta um substitutivo novo, sem espaço para discussão, sem negociação. Fomos surpreendidos com essa proposta de última hora”, afirmou o deputado Edson Duarte.

A senadora Kátia Abreu, apesar de longe da comissão, confirma que a proposta foi apresentada por defensores do agronegócio, mas garante que o projeto estava na comissão há duas semanas. “Ninguém pode obrigar o deputado a votar, mas nada nos impede de apresentar a proposta que quisermos. Se nós das entidades de classe não podermos fazer lobby pelo nosso setor, o que estamos fazendo aqui?”, disse.

A ordem agora é acionar a bancada governista para tentar derrubar a proposta e manter as discussões na comissão especial que vai analisar as mudanças no código florestal, criada há algumas semanas na Câmara.

Reproduzido a partir do site Ecodebate
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FISIOTERAPEUTAS EM EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA

Os autores do trabalho entendem que o fisioterapeuta deve atuar em interação com outros profissionais, para ampliar e tornar mais rica a relação do indivíduo com o ambiente

Artigo defende inclusão de fisioterapeutas nas equipes de Saúde da Família

Informe Ensp

Com o objetivo de ampliar a eficácia da atenção básica, um artigo publicado na revista Ciência e Saúde Coletiva propõe o debate sobre a necessidade da inserção do profissional de fisioterapia nas equipes de Saúde da Família. O texto, elaborado pelos pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Marcelo Rasga Moreira, Antenor Amâncio Filho, Maria de Fátima Lobato Tavares e Mônica de Rezende, conclui que o processo de reforma sanitária ajudou na mudança do foco do objeto de trabalho desse profissional, "aproximando o fisioterapeuta de práticas preventivas e da promoção da saúde, típicas do primeiro nível do cuidado".

Segundo os autores, o artigo é resultado de estudo realizado no âmbito da linha de pesquisa que abriga o projeto Avaliação da inserção do fisioterapeuta na estratégia Saúde da Família: um estudo de caso, realizado entre 2005 e 2007 no município de Macaé (RJ), que resultou na dissertação de mestrado em saúde pública de Mônica de Rezende. Atualmente, a autora é doutoranda da Ensp, dando continuidade ao estudo por meio do projeto A relação entre a formação profissional e a prática na saúde da família: o caso da fisioterapia.

Para chegar aos resultados, foram analisados documentos legais que aprovam as normas para habilitação ao exercício da profissão de fisioterapeuta, que acabou mudando seu foco de atuação, nos anos 70 e 80, acompanhando a reforma sanitária. "Concluiu-se que tal mudança abriu importante espaço de integração ainda pouco trabalhado, sendo proposto seu aprofundamento na direção da reflexão para as formas de integração e a necessidade que se impõe aos gestores de planejar suas ações de forma articulada com a comunidade, a partir da análise da situação de saúde no nível local, garantindo a intervenção sobre problemas e grupos populacionais prioritários", afirmam os autores.

Historicamente, a fisioterapia surgiu como uma "especialidade paramédica" com o propósito de reabilitar e preparar pessoas fisicamente lesadas nas grandes guerras, em acidentes de trabalho ou por doenças oriundas das condições sanitárias precárias para o retorno à vida produtiva. Foi criada como profissão de nível superior no Brasil no final da década de 1960, por decreto-lei que estabeleceu que "é atividade privativa do fisioterapeuta executar métodos e técnicas fisioterápicas com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente".

Nos anos 80, a fisioterapia se adequou ao novo momento do cenário sanitário brasileiro, passando a ser "uma ciência aplicada cujo objeto de estudos é o movimento humano em todas as suas formas de expressão e potencialidades, quer nas suas alterações patológicas, quer nas suas repercussões psíquicas e orgânicas, com objetivos de preservar, manter, desenvolver ou restaurar a integridade de órgão, sistema ou função".

Tendo a fisioterapia nesse novo olhar, os autores do trabalho entendem que o fisioterapeuta deve atuar em interação com outros profissionais para melhor compreender e poder interferir positivamente, no sentido de ampliar e de tornar mais rica e prazerosa a relação permanente do indivíduo com seu ambiente. Dessa forma, atesta-se que "o fisioterapeuta é um profissional apto a atuar na atenção básica, tal como se configura na atualidade: o primeiro nível do sistema de assistência à saúde, articulado com os demais, com o intuito de garantir maior acesso aos cuidados e integralidade da atenção".

O Programa Saúde da Família (PSF) é adotado pelo governo federal como eixo estruturante da atenção básica no Sistema Único de Saúde. Hoje, chancelado como estratégia Saúde da Família, o modelo apresenta, introduz e induz mudanças relevantes no processo de trabalho em saúde, como resultado da transformação das unidades básicas de saúde (UBS) em unidades de Saúde da Família (USF), que se baseia, essencialmente, no trabalho das equipes multiprofissionais que reconhecem a necessidade da população atendida. "Nessa perspectiva, a integração de profissionais de várias categorias nas equipes de Saúde da Família permite distintos olhares, ampliando as possibilidades inovadoras das práticas do cuidado e aumentando o potencial de resolutividade, com qualidade e sem descaracterizar a proposta original", destacam.

Os autores buscam fomentar um debate sobre novas formas de integrar o fisioterapeuta às equipes, com suas atribuições indo além da atividade de reabilitação, fazendo com que ele se envolva e se comprometa com ações de promoção e proteção da saúde, de prevenção de doenças e de assistência. "Contudo, apesar das dificuldades encontradas até o momento, alguns municípios já incluíram o fisioterapeuta nas suas equipes de Saúde da Família. Tais vivências precisam ser observadas e analisadas. Estudos e investigações sobre esse fenômeno, buscando identificar as peculiaridades e especificidades de cada situação enfocada, precisam ser disseminados, gerando, inclusive, informações e dados que subsidiem a tomada de decisões que venham a fortalecer e criar inovações no processo de planejamento, gestão e educação na saúde", concluem.

(Foto: UnC-Caçador)
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quarta-feira, outubro 28, 2009

ANTIDEPRESSIVOS MELHORAM O HUMOR DE PESSOAS SAUDÁVEIS

Remédio trouxe melhora inesperada de humor em 30% dos voluntários

Por Nilbberth Silva - nilbberth.silva@usp.br
Agência USP de Notícias

Um estudo feito na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) concluiu que tomar baixas doses de antidepressivos altera o humor de pessoas saudáveis. Elas se irritam menos e ganham mais tolerância e eficiência.

A pesquisa analisou 120 voluntários rigorosamente saudáveis – eles não poderiam ter pais, irmãos, avós, tios ou primos com nenhum sintoma de doença psiquiátrica. Por 12 semanas eles tomaram aleatoriamente duas pílulas. Uma continha 40 miligramas de antidepressivos – doentes usam doses a partir de 75 mg – e a outra não tinha nenhum princípio ativo. Depois, especialistas analisaram as mudanças em diversas áreas da saúde mental e física – agressividade, personalidade, sono, alimentação e o cérebro.

Nas semanas em que tomaram os medicamentos, cerca de 30% dos voluntários apresentaram sensíveis melhoras no humor. Eles passaram se irritar menos e tolerar mais as situações adversas. Além disso, passaram a prestar mais atenção em suas tarefas diárias. No trabalho, eles ficaram menos aflitos com as exigências simultâneas e erraram menos. Nas semanas em que não tomaram os remédios, não relataram mudanças.

Entre os efeitos colaterais da medicação estavam sono picado – os pacientes passaram mais momentos da noite com sono leve – e aumento ou diminuição do apetite. Esses efeitos aconteciam com todos os pacientes que passaram pelo tratamento.

Os pesquisadores não sabem explicar por que os remédios causaram essas mudanças, nem por que as alterações aconteceram somente com um terço dos voluntários. Essas pessoas eram menos medrosas, irritadas e impulsivas e mais resilientes – aceitavam com mais facilidade e resignação os problemas da vida.

Humor inesperado

A pesquisa foi feita para esclarecer porque alguns pacientes psiquiátricos que tomavam antidepressivos ganhavam um humor melhor enquanto recebiam o remédio do que antes de ter a doença. Os resultados mostram para os médicos que o bom humor, em muitos casos, é um efeito extra do remédio.

A utilização de voluntários normais é uma rotina no teste de efeitos de medicamentos. “Não estamos propondo que as pessoas saudáveis usem antidepressivos – não queremos mudar o seu temperamento”, esclarece o professor da FMUSP, Valentim Gentil Filho, responsável pelo projeto temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Não há nenhuma indicação médica para tratar pessoas normais - a medicina se preocupa com a prevenção ou o tratamento das doenças.”

Para explicar as descobertas e discutir com a sociedade as questões éticas, científicas, filosóficas e biológicas que a pesquisa levanta, o grupo vai realizar no dia 14 de novembro um simpósio aberto a interessados no assunto.

O projeto Estudo psicológico da regulação emocional a partir dos efeitos de antidepressivos foi desenvolvido no Laboratório de Investigações Médicas 23 (LIM 23), do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP.
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CÂMARA APROVA REGIME DE URGÊNCIA PARA REFERENDO SOBRE MUDANÇA DO FUSO HORÁRIO NO ACRE

Projeto de Flaviano Melo (PMDB-AC) foi aprovado por 267 votos a favor e 40 contra. Partido dos Trabalhadores (PT) trabalhou ativamente contra a aprovação.

Apesar das manobras do PT, lideradas pelos deputados Nilson Mourão (PT-AC) e José Genoíno (PT-SP), a Câmara aprovou na tarde desta terça-feira o requerimento de urgência do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), para garantir a votação no plenário da Casa do Projeto de Decreto Legislativo 981/2008, de autoria do deputado Flaviano Melo (PMDB-AC). Foram 267 votos favoráveis e 40 contrários. "É uma vitória do Acre e de seu povo", comemorou Flaviano. Os deputados Sérgio Petecão (PMN-AC) e Ilderlei Cordeiro (PPS-AC) votaram a favor da proposta.

O referendo foi proposto por Flaviano depois da sanção da Lei 11.662, de 24 de abril de 2008, que alterou o fuso horário no Acre, no Pará e em parte do Amazonas. A mudança da hora oficial surgiu de um projeto do senador Tião Viana (PT-AC), no qual a população não opinou sobre o assunto. "E foi com o intuito de corrigir esse absurdo que apresentei no projeto do referendo", explica Flaviano. A proposta de Flaviano prevê que o referendo seja realizado concomitantemente com a primeira eleição subseqüente à aprovação do projeto.

Durante a votação, o PT tentou, por várias vezes, impedir a aprovação do requerimento que garante a votação do projeto de referendo de Flaviano Melo. A primeira tentativa partiu o vice-líder do PT, José Genoino (SP). Para isso, tentou inverter a pauta de votação. Alegou, numa demonstração de desprezo pelo Acre, que a matéria que garante o referendo "é assunto paroquial e não merece regime de urgência".

Em seguida, o deputado Nilson Mourão também foi à tribuna tentar impedir a votação. Disse que não caberá a urgência na matéria, porque, segundo ele, "no Acre ninguém está pedindo referendo algum". Mourão queria que o projeto continuasse "seguindo seu curso normal nas comissões". Mas o petista esqueceu-se de dizer que o PDC 981/2008 arrasta-se há mais de 3 meses na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, sem parecer definitivo.

Os argumentos de Genoino e Mourão não foram suficientes para impedir a votação.

Exercício da democracia

Ao defender a aprovação do requerimento de urgência, o deputado Flaviano Melo lembrou que realizar o referendo do fuso horário no Acre é garantir à população o exercício da democracia. Flaviano lembrou, exemplo, que os acreanos estavam há 95 anos acostumados com uma hora oficial que, de uma hora para outra, foi mudada sem uma consulta prévia. "Essa mudança, empurrada goela abaixo, está causando prejuízos e transtornos aos acreanos", disse Flaviano. Para acompanhar o horário de Brasília, o acreano tem que sair para o trabalho com o dia ainda escuro. "As nossas crianças são as quem mais sofrem", ressaltou.

Com o referendo, diz Flaviano, "caberá à população dizer se aceita ou não mudar o fuso horário". Sérgio Petecão e Ilderlei Cordeiro também apoiaram o pedido de urgência para garantir a votação do projeto de Flaviano em plenário. "Com essa medida, vamos corrigir uma injustiça", disse Petecão. Na opinião do deputado, o povo é quem deve decidir acerca da mudança do horário. Ilderlei também reconhece que a alteração na hora oficial do Acre prejudica a população, principalmente as crianças que tem de madrugar para chegar à escola. "Isso é um grande absurso", disse Ilderlei. O deputado avalia que o projeto de Flaviano vai ajudar a corrigir o equívoco cometido por meio do projeto do senador Tião Viana. A proposta do senador, que resultou na Lei 11.662, mudou a hora oficial do Acre.
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O NOVO JORNALISMO ACREANO

Josafá Batista
Do Blog do Josafá

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac), Marcos Vicentti, anunciou hoje em entrevista ao programa Boa Tarde Rio Branco a realização de um evento público para discutir um "novo jornalismo"; algo capaz, segundo ele, de adequar-se "ao novo momento que o Acre vive atualmente".

Taí uma coisa que não pretendo perder (como diz a Beth Passos, "nem sob tortura!"). Entre outras questões, quero saber o que é esse "novo momento" e quais as suas implicações REAIS para a vida das pessoas: sem desconsiderar a beleza dos nossos novos, verdes e belos monumentos e praças, a miséria, o desemprego e a violência não só se mantém nos mesmos espaços da cidade como também dispararam em intensidade!

Que novo momento é esse que não tem implicações práticas na vida da maioria das pessoas?

Obviamente isso tem a ver com o tipo do jornalismo que se pratica hoje, não só no Acre como no resto do país: diferentemente da velha concepção positivista, a História não é escrita por "grandes homens" e suas "grandes realizações". A História é escrita por processos sociais, sendo tais processos ao mesmo tempo manifestos e ocultados ao longo da sua realização.

Não é por acaso, por exemplo, que o PROCESSO do desgaste da política tradicional acreana tenha produzido as novas lideranças políticas que governam no Acre atualmente, assim como não é coincidência que essas lideranças lutem para ocultar o seu próprio desgaste ao colocar-se, na própria imprensa, como a quintessência final, a realização da História da política acreana - e nesse processo costumam inclusive negar fatos históricos concretos, como rebeliões de presidiários, corrupção, violência urbana, negociatas com os barões da nossa mídia etc.

Curiosamente o mesmo processo é seguido por muitos críticos (ou supostos críticos) desta trajetória. Altino Machado e Toinho Alves, só para citar dois intelectuais orgânicos dessa nova fase histórica, fazem crítica ao poder no exato tom que os atuais donos desse poder usam para criticar os donos - antigos - do mesmo poder.

Altino e Toinho - e há outros - não se colocam como atores de um processo social, não reconhecem que a crise do jornalismo sintomatiza uma crise de um sistema inteiro.

A crise da nossa imprensa é mero sintoma da crise de comunicação social.

A crise não é de informação, de notícia. A crise é de expressão, da - falta de - debate, da percepção muito clara da população de que este tipo de jornalismo atual só transmite um único tipo de visão da sociedade: a visão dos proprietários, dos salvadores de coisa alguma, dos coronéis de barranco high-tech ávidos pelo tilintar do erário público em seus bolsos sem fundos...

A origem da crise é até meio óbvia: não pode haver comunicação social se os meios de produzi-la são restritos a meia dúzia de comerciantes da informação.

A solução para as crises, a da imprensa e a da comunicação, não é outra senão a democratização dos meios de comunicação. É o controle social das empresas que produzem a ação comunicacional, e com elas o próprio ato de comunicar.

Absurdo? Absurdo é alguém desconhecer hoje em dia a origem suja das pomposas empresas de comunicação que atuam no Acre hoje, todas erguidas sobre camadas de dinheiro público, e portanto social.

Portanto, a César o que é de César, a Deus o que é de Deus, e ao povo o que é do povo!
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terça-feira, outubro 27, 2009

GESTÃO DE TERRAS INDÍGENAS É TEMA DE ENCONTRO DE ONGs NO ACRE

Leandro Chaves
Comissão Pró-Índio do Acre-CPI

Do dia 14 ao dia 24 de outubro, representantes de dez organizações não-governamentais de várias localidades do país estiveram reunidos no Acre. O objetivo da visita foi a participação em um intercâmbio para a discussão da formação para gestão territorial e ambiental de terras indígenas. As instituições integram a Rede de Cooperação Alternativa (RCA), que organiza esses encontros para a troca de experiências sobre temáticas relacionadas aos povos indígena.

Participaram deste intercâmbio instituições indígenas como a Associação Terra Indígena Xingu (Atix), Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina), Hutukara Associação Yanomami (HAY), Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Organização dos Professores Indígenas do Acre (Opiac) e Vity-Cate Associação Timbira. Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC), Centro de Trabalho Indigenistas (CTI), Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena (Iepé) e Instituto Socioambiental (ISA) participaram enquanto organizações indigenistas.

A primeira fase do encontro teve início no dia 16 de outubro no município de Marechal Thaumaturgo, no Centro de Formação Yorenka Ãtame (Saberes da Floresta) - uma escola que desenvolve, junto aos moradores da região, projetos para a prática de manejo de recursos naturais. Benki Pianko, coordenador da escola e uma das lideranças do povo Ashaninka, mostrou aos cerca de 30 participantes as atividades que a instituição vem realizando desde a sua criação, em 2007. Depois, o grupo se dirigiu à comunidade Ashaninka do Rio Amônia, na Aldeia Apiwtxa, para conhecerem as práticas de gestão territorial e ambiental realizadas pelo povo.

“Esse é um intercâmbio para fortalecer as demais comunidades em seus propósitos de desenvolvimento. A nossa comunidade vai estar sempre preparada, esperando essas pessoas que queiram fazer esses encontros e estaremos juntos para desenvolver cada vez mais a sustentabilidade sem agressão à natureza”, afirmou Benki.

A segunda etapa se iniciou nesta quarta-feira, 21, em Rio Branco, no Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF) da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC). Nesta fase, cada uma das dez organizações apresentou aos participantes seu histórico institucional, projetos e atividades desenvolvidas.

Erivaldo Almeida, do povo Piratapuia, do Amazonas, é liderança da Foirn. Para ele, “o intercâmbio da RCA é uma política que faz a gente conhecer as atividades de outras regiões e de outros povos para podermos traçar uma única política para o movimento indígena”. Para Alberto Hapuhy, do povo Kraô, “a gente está aqui tratando dos assuntos dos povos indígenas do Brasil, como eles estão vivendo. Isso foi a nossa visita. Está valendo a pena a gente conhecer outros lugares”.
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FLORESTA AMAZÔNICA PODE ESTAR ABSORVENDO MENOS CARBONO DO QUE O ESTIMADO

A constatação é do pesquisador Júlio Tota, do Inpa e do Programa LBA, que defendeu a afirmação como tese de doutorado nesta segunda-feira (26)

Por Mário Bentes
Ascom INPA

A floresta amazônica, conhecida mundialmente como sendo responsável pela absorção de grandes quantidades de carbono da atmosfera, pode estar executando a tarefa em escala bem menor do que acredita boa parte da comunidade científica internacional.

A constatação é do pesquisador Júlio Tota, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA).

De acordo com o pesquisador, que defendeu a afirmação como tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Clima e Ambiente na manhã desta segunda-feira (26), o resultado partiu de um trabalho comparativo entre o monitoramento das trocas gasosas entre a biosfera e a atmosfera na região amazônica feitas por duas torres do Programa LBA e um trabalho paralelo de monitoramento, realizado pelo pesquisador ao longo de seis anos.

As torres de monitoramento do Programa LBA, responsáveis por medir os “fluxos verticais” de vapor de água, energia e gás carbônico entre a floresta e a atmosfera, ficam situadas em dois pontos distintos da região amazônica: na Floresta Nacional do Tapajós, em Santarém (PA), e na Reserva Biológica do Cuieiras, em Manaus.

A pesquisa de Tota consistiu na instalação – ao redor das torres – de equipamentos complementares que permitiram monitorar, também, o chamado “escoamento horizontal” do carbono.

Método atual não é preciso

“O atual modo de monitoramento, criado nos anos 50 e que é usado pelas torres do Programa LBA, leva em consideração duas variáveis, que são o fluxo vertical turbulento e o fluxo de armazenamento abaixo do nível de medida, em geral acima da floresta”, explica o cientista.

O método, conhecido como Covariância de Vórtices Turbulentos – ou Eddy Covariance System (ECS), mede as trocas líquidas de gases do ecossistema (também conhecido como Net Ecosystem Exchange – NEE) –, e segundo Tota, o mesmo não é suficientemente preciso para definir exatamente o saldo resultante médio entre a absorção e a liberação de gás carbônico por parte da floresta.

“O método não considera um processo que agora sabemos ser importante para minimizar as incertezas das estimativas, que são os fluxos horizontais de gases dentro da floresta, muito comuns em áreas de topografia com presença de declives e vales, como a que existe nas proximidades de Manaus”, explica Tota.

O trabalho começou em 2003, em Santarém, que possui relevo relativamente suave e mais homogêneo em relação a Manaus. Apesar disso, o experimento mostrou a existência de fluxos horizontais de gás carbônico, chamados por ele “escoamento horizontal ou drenagem” de gases.

“A simples existência deste novo processo levam a ser questionáveis as estimativas de grande absorção de gás carbônico reportadas por estudos já realizados na Amazônia sobre as trocas de gás carbônico entre a biosfera e a atmosfera”, afirma o cientista.

Tota ressalta ainda que em Manaus, a partir de 2005, o resultado de seu estudo serviu para demonstrar que a mesma metodologia de medidas para Santarém não foram adequadas e suficientes para estimar quantitativamente os fluxos horizontais.

“O terreno mais acidentado tornou a análise dos fluxos horizontais mais difícil de ser feita, pois as interações das micro-circulações do ar acima e abaixo da floresta e a distribuição espacial do gás carbônico precisariam de maior detalhamento experimental e equipamentos para serem quantificadas”, diz.

Ignorando o relevo

Quando foi criado, o método de ECS – usado atualmente em todo o planeta para estimar o NEE – não considerava processos de escoamento horizontal oriundos das variações de relevo das áreas estudadas.

Em um primeiro momento, o método pareceu apresentar resultados satisfatórios quando aplicado para monitoramento em escala de tempo não muito longa e sob condições ideais de relevo e homogeneidade da superfície.

“Isso acontecia porque o método foi pensado para se aplicar em áreas sem relevo e homogêneas, onde foi testado inicialmente nos anos 50. As análises das estimativas feitas por outros métodos foram comparativamente muito próximos aos de ECS, o que o fez ser aceito como preciso”, analisa Tota.

‘Fumaças coloridas’

Quando iniciou o experimento em Manaus, Júlio Tota realizou um processo curioso para definir, no entorno da área de alcance da torre principal do LBA, os locais para a instalação dos equipamentos complementares de monitoramento.

“Eu usei equipamentos para liberar fumaça colorida em várias partes da área estudada. Desta forma pude observar o deslocamento das camadas de ar entre as árvores sob os declives e vales”, explica.

Com isso, Tota observou que boa parte das camadas de ar se moviam de forma a acompanhar o declive da área. “Em muitos casos, o deslocamento desceu até os vales, em uma trajetória que fugia completamente do alcance do monitoramento da torre do LBA, que analisa, principalmente, o deslocamento vertical e as camadas mais superiores”, diz, ressaltando que, por esta razão, os resultados estimados pelas torres passariam a ser considerados incompletos.

Método brasileiro

Os equipamentos usados, batizados por Tota como DRAINO (“Dreno”, em português), termo para definir “drenagem de ar”, foram integralmente doados ao LBA pelo professor e co-orientador da tese de doutorado de Júlio Tota, o cientista David Fitzjarrald, da State University of New York (SUNY). Mas todo o trabalho de desenho e montagem de equipamentos foi desenvolvido por Tota.

A apresentação oficial do trabalho de Júlio Tota, orientado pela professora Maria Assunção Faus da Silva Dias, da Universidade de São Paulo (USP), rendeu o primeiro título de doutorado no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Clima e Ambiente, criado por meio de parceria entre Inpa e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Estiveram presentes na defesa da tese do pesquisador o diretor em exercício do Inpa, Wanderli Pedro Tadei, a reitora da UEA, Marilene Corrêa, e outros cientistas do Instituto, que assistiram e interagiram com a apresentação de Júlio Tota. Ainda esta semana, outros pesquisadores do Inpa defendes teses, desta vez em nível de mestrado.
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segunda-feira, outubro 26, 2009

SLOW NEWS

Felipe Mendonça
do Blog Picaretas da Távola Redonda

Acabei de participar de um seminário sobre novas mídias e redes sociais aqui no Acre que teve a presença do tchuki-tchuki multimídia Marcelo Tas. Gosto muito do assunto e achei boa a exposição dele e dos outros participantes. Gostei no sentido de ter aprendido um pouco mais de algo novo. No entanto, saí do evento com uma sensação de aflição e dúvida.

A tônica do evento era mostrar o quão as novas ferramentas de mídias e as redes sociais virtuais (twitter, facebook, orkut, e não sei o que mais...) é o que há de importante no momento e sentenciam: se você estiver fora desse mundo, você estará fora do mundo. O enfoque do evento buscou sempre o individuo, excessivamente no individuo (o que não chega a ser uma surpresa no mundo de hoje).

Ou seja, estamos construindo um mundo por computadores pessoais, palm tops, iphones e outras quinquilharias que cabem na sua mão e que reproduz, sem retoques, o paradoxo do nosso tempo: Tá todo mundo junto, mas separado.

Não trata aqui de ser uma reação contra a internet e tudo de novo que surge. Isso é bobagem. A internet veio para modificar nossas vidas drasticamente e já mudou (a minha profundamente). O que me angustia é a correria, é o sentimento de que sempre (se me propuser a entrar nessa celeuma “individuo-comunicativa”) vou estar defasado, tamanha é a velocidade das inovações. São instrumentos criados por necessidades que você não tem e que muda sua vida de tal forma que você não entende como vivia sem essas necessidades que você nunca teve. E definitivamente, não é porque não estou no Twitter ou no Orkut que estou menos ou mais antenado de quem está... não é só isso que me atualiza.

Hoje a informação e as novas ferramentas de mídia são tão velozes que se assemelham a equipamento de informática: antes de sair da caixa, já está desatualizado. Onde mesmo estamos querendo chegar? A quantidade de informação que despenca em nossas cabeças todo dia não nos permite a reflexão: de quem é aquela informação? qual o seu objetivo? suas conseqüências? Outro exemplo: hoje não se cansa mais de ouvir uma música. Pela possibilidade de se acessar, literalmente, todas as músicas do mundo, se você se detiver em uma por duas ou três vezes, vai ter sempre alguém pra te dizer impaciente: de novo?

E como não tenho talento e competência para prever como serão as próximas maiores novidades dos últimos tempos da última semana, pelo menos o movimento de reação a isso tudo eu já me proponho a lançar. Assim como já existe o movimento slow food, uma corrente contra os fast food que acaba com a nossa saúde, eu proponho o slow news. Isso! Quero preservar o meu direito de saber menos, buscar as informações que procuro e não deixar que elas me procurem. Não quero mais que o Fantástico invada o auto-exílio do Belchior com a desculpa de que “seus telespectadores querem saber dele”. Quero gastar meu CD do Chico sem me preocupar com a nova bobagem do Caetano.

Pra iniciar, façamos o seguinte: saiamos da internet 6 horas por dia. Vamos beber alguma, ler um livro, fazer sexo, o que lhe passar pela cabeça. O que acham?

- Tá bom! Tá bom! Vamos começar de meia-noite a seis pra não assustar... até essa hora eu já atualizei meu blog (ops!).
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sábado, outubro 24, 2009

PROCURADOR WILLIAMS JOÃO DA SILVA, DO MP ACREANO, É SUPENSO POR DESTRUIR E DANIFICAR A FLORESTA

Procurador de Justiça do Acre é suspenso por 45 dias

Do Globo Online
Plantão | Publicada em 22/10/2009 às 17h55m


BRASÍLIA - O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) suspendeu por 45 dias o procurador de Justiça do Ministério Público do Acre Williams João Silva, por conduta incompatível com o exercício do cargo e pelo descumprimento de dever funcional.

Proprietário de uma fazenda no município de Sena Madureira (AC), o procurador destruiu e danificou entre 2003 e 2004 , sem autorização de órgãos competentes, floresta primária e espécies de flora nativa (castanheiras e seringueiras) protegidas por lei, localizadas em área vizinha pertencente a outro proprietário, bem como desmatou floresta de preservação permanente.

Ainda conforme relatório, o procurador de Justiça fez uso de papel timbrado do Ministério Público do Acre para emitir recibos de pagamentos de roçadas e derrubadas de matas em suas propriedades. O relator do processo disciplinar , conselheiro Sérgio Feltrin, argumentou que procurador deve ser punido "pelas infrações caracterizadas como violadoras de vedação legal e pelo descumprimento do dever funcional de manter, pública e particularmente, conduta ilibada e compatível com o exercício do cargo.

A decisão do Conselho Nacional anunciada na terça-feira determina também que o procurador de Justiça tenha, durante os 45 dias de sanção, suspensos os direitos e vantagens decorrentes do exercício do cargo.
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segunda-feira, outubro 19, 2009

O ATAQUE DO MST ÀS LARANJEIRAS

"Por que não nos indignamos com a captura do patrimônio público que ocorre todos os dias em nosso país?", pergunta Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 19-10-2009. "Não aceito - afirma o ex-ministro dos governos Sarney e Fernando Henrique Cardoso - a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais".

Indignação com as laranjeiras

Luiz Carlos Bresser-Pereira
Folha de S. Paulo

Há uma semana, duas queridas amigas disseram-me da sua indignação contra os invasores de uma fazenda e a destruição de pés de laranja. Uma delas perguntou-me antes de qualquer outra palavra: "E as laranjeiras?" - como se na pergunta tudo estivesse dito.

Essa reação foi provavelmente repetida por muitos brasileiros que viram na TV aquelas cenas. Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais".

Quando ouvi o relato indignado, perguntei à amiga por que o MST havia feito aquilo. Sua resposta foi o que ouvira na TV de uma das mulheres que participara da invasão: "Para plantar feijão". Não tinha outra resposta porque o noticiário televisivo omitiu as razões: primeiro, que a fazenda é fruto de grilagem contestada pelo Incra; segundo, que, conforme a frase igualmente indignada de um dos dirigentes do MST publicada nesta Folha em 11 deste mês, "transformaram suco de laranja em seres humanos, como se nós tivéssemos destruído uma geração; o que o MST quis demonstrar foi que somos contra a monocultura".

Talvez os dois argumentos não sejam suficientes para justificar a ação, mas não devemos esquecer que a lógica dos movimentos populares implica sempre algum desrespeito à lei. Não deixa de ser surpreendente indignação tão grande contra ofensa tão pequena se a comparamos, por exemplo, com o pagamento, pelo Estado brasileiro, de bilhões de reais em juros calculados segundo taxas injustificáveis ou com a formação de cartéis para ganhar concorrências públicas ou com remunerações a funcionários públicos que nada têm a ver com o valor de seu trabalho.

Por que não nos indignarmos com o fenômeno mais amplo da captura ou privatização do patrimônio público que ocorre todos os dias no país? Uma resposta a essa pergunta seria a de que os espíritos conservadores estão preocupados em resguardar seu valor maior - o princípio da ordem -, que estaria sendo ameaçado pelo desrespeito à propriedade.

Enquanto o leitor pensa nessa questão, que talvez favoreça o MST, tenho outra pergunta igualmente incômoda, mas, desta vez, incômoda para o outro lado: por que os economistas que criticam a suposta superioridade da grande exploração agrícola e defendem a agricultura familiar com os argumentos de que ela diminui a desigualdade social, aumenta o emprego e é compatível com a eficiência na produção de um número importante de alimentos não realizam estudos que demonstrem esse fato?

A resposta a essa pergunta pode estar no Censo Agropecuário de 2006: embora ocupe apenas um quarto da área cultivada, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção e emprega quase três quartos da mão de obra no campo.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, nesta Folha listou esses fatos e afirmou que uma "longa jornada de lutas sociais" levou o Estado brasileiro a reconhecer a importância econômica e social da agricultura familiar. Pode ser, mas ainda não entendo por que bons economistas agrícolas não demonstram esse fato com mais clareza. Essa demonstração não seria tão difícil - e talvez ajudasse minhas queridas amigas a não se indignarem tanto com as laranjeiras.

*Reproduzido a partir do site IHU Online
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MULHERES ALCOÓLATRAS

As mulheres alcoolistas são ao mesmo tempo vítimas e agressoras na violência doméstica. A conclusão é de um estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP com 62 mulheres, 32 delas alcoólatras. O estudo também mostra que essas famílias eram desestruturadas e que as meninas aprendem com as mães a usar o álcool para resolver seus problemas diários

Por Nilbberth Silva
Agência USP de Notícias

Mulheres alcoólatras aprendem a consumir bebidas com as mães

A psicóloga Ana Beatriz avaliou em sua pesquisa de doutorado não só as mulheres, bem como suas famílias e aquelas em que elas e suas mães cresceram. Em seguida, analisou como as três gerações se relacionavam dentro de casa.

As mulheres alcoólatras aprendiam a beber e a ser violentas com suas mães, que, por sua vez, sofriam violência da avó. “Essas mulheres repetem o que é conhecido”, explica Ana Beatriz. “Elas até desejam fazer diferente, mas não têm repertório para isso, já que o modelo de aprendizagem da violência é passado de geração a geração”.

As mulheres alcoolistas tinham mães com o mesmo vício em 23,3% dos casos. O companheiro também era viciado em 20 % dos casos. A maioria das mulheres e suas mães havia sofrido agressão sexual, física ou verbal. As mães de mulheres alcoolistas também eram autoritárias e centralizavam as decisões, enquanto nas famílias de mulheres sem o vício o poder era dividido entre o casal.

Disfunções

A psicóloga classificou as relações entre os membros das famílias de alcoólatras como disfuncionais. “Nessas famílias não existia suporte e apoio entre os membros” descreve Ana Beatriz. “Além disso, as regras familiares para lidar com problemas diários não são bem estabelecidas. Isso gera crises familiares e sofrimento”.

Geralmente, a relação das filhas que se tornaria alcoólatra com as mães era conflituosa. Já os pais tinham uma relação de proximidade exagerada com a filha. Os pais se aliavam às filhas para brigar com as companheiras. As mães sentiam ciúmes do relacionamento entre pais e filhas, o que aumentava as agressões.

A maioria das mulheres alcoolistas contou que os familiares tinham uma proximidade excessiva entre si, e não reconheciam os limites para que a intimidade não se tornasse invasiva. O uso de drogas foi uma maneira de declarar independência da família. “Mas a pessoa acaba dependente do álcool como é da família”, constata psicóloga.

Família desestruturada é um fator de risco para desenvolver alcoolismo, mas não condição obrigatória. Ter um membro alcoólatra causa desestrutura na família.

Ajuda

Segundo a psicóloga, a pesquisa é a primeira no Brasil a descrever a transmissão entre gerações da estrutura de famílias de mulheres alcoólatras e mostra a importância da prevenção. “Se o profissional de saúde for trabalhar com essas mulheres e tentar mudar o padrão e comportamento delas, as filhas poderão experimentar um ambiente familiar diferente, em que elas não repitam os mesmo erros de suas mães”.

Mulheres que precisem de ajuda gratuita para enfrentar o alcoolismo podem procurar o Programa de Atenção à Mulher Dependente Química (PROMUD) do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP. O programa presta atendimento multidisciplinar destinado exclusivamente a mulheres. O telefone para primeiro contato é (11) 3082-1876.
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ENTREVISTA COM MANOEL CUNHA, PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DOS SERINGUEIROS

Por Redação da WWF-Brasil/Envolverde

Manoel Cunha é presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas da Amazônia, o antigo Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), formado por 27 lideranças de diferentes segmentos agroextrativistas de todos os estados da Amazônia.

Manoel Cunha tem participado de vários debates sobre mudanças climáticas no Brasil e no exterior. Está confirmada sua ida a Copenhague, onde espera-se que seja assinado o novo acordo global de clima em dezembro de 2009.

Com a simplicidade de quem mora na floresta, mas astúcia de quem participa ativamente de fóruns sobre o aquecimento global, Manoel Cunha dá sua visão sobre clima, emissões, fim do desmatamento e políticas brasileiras e internacionais sobre o tema.

Ele concedeu entrevista para as jornalistas do WWF-Brasil Ligia Barros e Mariana Ramos durante o seminário “O Papel das Áreas Protegidas na Redução das Emissões por Desmatamento” no último dia 8/10.

WWF-Brasil – Como o senhor entende as mudanças climáticas?

Manoel Cunha – Como entendo é uma pergunta meio difícil de responder. Há um desequilíbrio. É como se as mudanças climáticas fossem pedras. Tem um monte de pedras caindo sobre nossas cabeças, sem a gente saber quem está mandando, de onde vêm, porque elas estão caindo sobre nós, quem é o responsável e para quem podemos pedir socorro. Essa é a dor maior.

WWF-Brasil – Como o senhor vê o aquecimento global afetando as comunidades na Amazônia?

Manoel Cunha – O povo que vive na floresta é o mais fragilizado com essa questão das mudanças climáticas. Porque, como a gente vive no seio do meio ambiente, qualquer desequilíbrio nos afeta diretamente. É diferente quando se mora na cidade, se estiver muito quente, pode-se colocar um ar condicionado mais poderoso. Lá, não tem para onde correr. E há outras inúmeras ações oriundas das mudanças climáticas afetando diretamente as populações como grandes secas, grandes cheias, período da seca sendo prolongado por mais de um mês etc. A gente também percebe que aquelas espécies que afloravam em determinada época, já não conseguem aflorar mais porque o solo já não tem mais água suficiente para a planta vingar.

Então, há problemas econômicos para os extrativistas porque muitas dessas espécies são castanha-do-brasil e andiroba, que têm alto valor. Outras não afetam o bolso, mas são úteis para a vida dos animais, pois sem aquela fruta, os animais vêm comer a planta do extrativista. Aí a pessoa quer matar o animal, então vai gerando todo um desequilíbrio.

Além disso, não temos mais a friagem. A friagem, para nós que vivemos sem calendário, sem nada no meio da floresta, é algo culturalmente muito importante. Eram o marco da passagem do inverno para o verão. E, nessa época, fazíamos as plantações na praias das margens dos rios, que quando são descobertas são terras muito férteis. Minha mãe fica sempre esperando a friagem. Mas como não chega, ela perde a época de plantar. Como minha mãe, muitas pessoas não plantam esperando a friagem. Então, como são alimentos para o consumo ali na comunidade, muitas vezes não temos melancia ou batata-doce para o café da manhã. E é isso que comemos pela manhã porque não temos pão, não temos muita coisa. Nossas refeições são baseadas no que a biodiversidade, a natureza, nos oferecem, que é a batata-doce, o cará, a pupunha, entre outras.

WWF-Brasil – O senhor tem participado de muitos debates sobre o tema. Esteve até nos Estados Unidos no segundo semestre de 2009 para falar sobre isso. Como o senhor vê o seu papel nessas discussões?

Manoel Cunha – Estou muito contente por estar participando desses debates. Volto para as comunidades dizendo: “povo, isso aqui está caindo porque os caboclos lá desenvolvidos poluíram muito, mas que esse roçadinho que a gente queima aqui para fazer a lavoura comunitária também contribui para as mudanças climáticas. É preciso tomar cuidado para não queimar além do necessário, para não pegar fogo na floresta”. Agora estamos começando a descobrir as causas, os culpados e o quê que a gente pode fazer para proteger a floresta.

WWF-Brasil – O que o senhor acha que as comunidades podem fazer para ajudar a deter o aquecimento global?

Manoel Cunha – Se olharmos as emissões causadoras das mudanças climáticas, a parte de cabe a nós, que são as emissões e degradação da floresta e mau uso do solo, acho que nós temos um papel fundamental. Sei que 20% das emissões do mundo têm essa causa. E isso tem tudo a ver com as comunidades e com a política.

WWF-Brasil – Por que com a política?

Manoel Cunha – Porque se as políticas para valorização da floresta não melhorarem, se não encontrarmos uma maneira de melhorar a vida das pessoas que vivem lá, o desmatamento vai continuar. As pessoas guardam e cuidam do que tem importância para sua vida. Se não houver valor na floresta, os próprios extrativistas vão sair de suas áreas atrás de outras alternativas de vida e aí esses locais serão alvo fácil para grilagem, avanço da soja e da pecuária. Não terá jeito de controlar o desmatamento.

Nós somos os verdadeiros guardiões da floresta. Todo o desmatamento da Amazônia passou por cima de alguma população tradicional, de algum seringueiro, de algum castanheiro, de algum pescador artesanal. E ele só deixou passar porque ou a força foi menor ou porque não está contente com a vida que leva na floresta.

Além disso, temos que mudar hábitos e costumes. Por exemplo, tem família que tem o hábito de botar fogo em tudo que vê seco. Isso é um hábito: “passei aqui, tinha uma grande caída seca e eu botei fogo”. Estamos trabalhando seriamente para mudar isso. Acho que as comunidades têm como contribuir com coisas pequenas, mas que têm muito valor quando junta ao montante final de emissões.

Mas, acho que a maior contribuição das famílias que vivem na Amazônia é a soma de esforços para encontrar uma forma de valorizar a floresta. Assim, as comunidades vão voltar a fazer os “empates”, como nós tínhamos nos anos 1980, quando nos sentíamos felizes com o preço da borracha. Vamos voltar a cuidar da floresta, disso eu não tenho dúvida.

WWF-Brasil – Então há motivos para o senhor participar cada vez mais desses tipos de discussão sobre a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD). Como o senhor vê o REDD e as comunidades?

Manoel Cunha – Chamo as políticas existentes em nosso país de políticas de incentivo ao desmatamento. Porque houve uma época que tinha um recurso no governo que pagava até 700 mil para quem destruísse a floresta e usasse a área para outra atividade. Mas nunca vi uma proposta ou um programa consolidado para quem vive conservando floresta.

Nessa discussão sobre REDD, estamos vendo essa oportunidade. Pela primeira vez, a gente tem um mecanismo pelo qual poderá haver recompensa para quem resistiu ao desmatamento, ao uso desordenado dos recursos naturais e conservou a biodiversidade.
Isso para nós é importante. Mesmo que isso esteja consolidado apenas tecnicamente, e ainda não politicamente, é um mecanismo que se pode medir e mostrar. Isso me deixa muito contente. Vemos dentro do REDD uma das formas de encontrar o valor da floresta, para que as famílias possam viver bem nela e dela. E, assim, fazer novamente a barreira ao uso desordenado dos recursos.

Quando me fazem essa pergunta, sempre conto uma história: na minha reserva, no Médio Juruá, vendemos óleo de andiroba para a empresa de cosméticos Natura, a R$ 23 cada quilo. Isso é muito dinheiro para nós. O quilo do peixe, por exemplo, custa R$ 1,20. O de borracha, R$ 1,50 e o de farinha, R$ 0,90.

Então, imagine como a comunidade cuida da andirobeira: é como se fosse um filho. Se alguém vê um corte na árvore, as comunidades querem saber quem fez aquilo e levam o assunto até o líder comunitário para que ele chame a atenção de quem fez o corte. Eles temem que aquele corte possa atrapalhar o desenvolvimento da planta. E ela é uma boa fonte re renda. É esse valor que a andiroba tem no Médio Juruá que queremos que a floresta tenha como um todo. Porque assim as pessoas cuidam. Não só naquela região, mas na Amazônia, no Cerrado e em todos os outros biomas.

Talvez esse REDD possa ser uma porta para isso. Mas não é tudo. Vejo como alguns degraus de uma escada, que pode levar a uma realidade onde haja valor para a floresta. Aí sim vamos ter uma verdadeira diminuição no desmatamento.

Crédito da imagem: Ana Cintia GAZZELLI/WWF-Brasil

(Envolverde/WWF-Brasil)
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