AMBIENTE ACREANO: Julho 2010
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sábado, julho 31, 2010

SATÉLITE CBERS-2B CHEGA AO FIM DE SUA VIDA ÚTIL

Mais de 300 mil imagens obtidas pelo satélite sino-brasileiro, lançado em 2007, foram fornecidas gratuitamente a usuários de dezenas de países

Agência FAPESP – O CBERS-2B, do programa de Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres, lançado em setembro de 2007, teve suas operações encerradas. A decisão foi do Comitê Conjunto do Programa, em reunião na semana passada no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).

O satélite gerou aproximadamente 74 mil imagens com a câmera CCD, 11 mil com a WFI e 300 mil com a HRC, apenas sobre a América do Sul. O total de órbitas percorridas chegou a 13 mil.

Segundo o Inpe, foram distribuídas gratuitamente cerca de 270 mil imagens deste satélite a usuários brasileiros e outras 60 mil a usuários de mais de 40 países. Todas as imagens geradas pelo CBERS-2B podem ser acessadas gratuitamente pela internet.

Técnicos brasileiros e chineses tentavam restabelecer a operação normal do CBERS-2B desde março, quando foram verificados problemas no satélite, o terceiro lançado pelo programa.

Em 16 de abril, os centros de controle brasileiro e chinês não conseguiram estabelecer contato com o veículo que, desde então, tem enviado sinais intermitentes indicando falta de energia. Como as chances de se restabelecer o funcionamento normal são mínimas, a Agência Chinesa de Tecnologia Espacial (Cast) e o Inpe, responsável no Brasil pelo Programa CBERS, deram como encerrada sua vida útil.

O próximo satélite do programa será o CBERS-3, que tem lançamento previsto para o segundo semestre de 2011. Primeiro da segunda geração de satélites desenvolvidos pela parceria sino-brasileira, o CBERS-3 marcará uma evolução em relação aos CBERS-1, 2 e 2B.

Assim como o CBERS-4, que deve ser lançado em 2014, o CBERS-3 será mais sofisticado e terá quatro câmeras imageadoras, enquanto os anteriores contavam com três.

O encerramento da operação do CBERS-2B reduz o número de imagens utilizadas em programas como Prodes e Deter, que monitoram o desmatamento na Amazônia. A continuidade dos programas é garantida pelo uso de imagens dos satélites americanos Terra/Modis e Landsat-5 e do indiano Resourcesat.

Mesmo operando em condições não ideais, o Inpe afirma que continuará a fornecer os dados necessários ao monitoramento do território brasileiro.

Imagens geradas pelo CBERS-2B podem ser acessadas em: www.dgi.inpe.br/CDSR.

(Ilustração: Inpe)
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AGROPECUÁRIA E O EFEITO ESTUFA

De 2006 a 2050, práticas agropecuárias poderão lançar, só no estado do Mato Grosso, entre 3 e 15,9 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera. A estimativa é de estudo que defende modelos de conservação para mudar o quadro

Agropecuária do bem ou do mal?
Por: Larissa Rangel

[Área desmatada para agricultura no Mato Grosso: só no estado, as atividades agropecuárias associadas ao desmatamento podem lançar até 15 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera até 2050 (foto: Leonardo F. Freitas – CC BY-NC-SA 2.0)]

Área desmatada para agricultura no Mato Grosso: só no estado, as atividades agropecuárias associadas ao desmatamento podem lançar até 15 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera até 2050 (foto: Leonardo F. Freitas – CC BY-NC-SA 2.0).

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Brown e do Centro de Ecossistemas, nos Estados Unidos, analisaram diferentes modelos de uso de solo na agricultura e pecuária e garantem que as práticas atuais podem gerar profundos impactos ambientais.

O artigo, publicado nesta semana no periódico PNAS, mostra que, até 2050, o equivalente a 15,9 bilhões de toneladas de gás carbônico pode ser lançado na atmosfera por causa das queimadas e pecuária extensiva praticadas em partes do Norte e do Centro-oeste do país.

A Amazônia é conhecida por sua importância nos ciclos do carbono e das águas. Mas vem sendo cada vez mais ameaçada pelo avanço agrícola na região. “O estudo procurou mapear principalmente os estados de Rondônia e Mato Grosso, que respondem por 50% do desmatamento amazônico”, explica o agrônomo Carlos Eduardo Cerri, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, um dos autores do estudo.
75% do gás carbônico que o país emite são derivados do desmatamento e de práticas agrícolas

Segundo a pesquisa, atividades agropecuárias baseadas no desmatamento são as principais fontes de emissão dos gases de efeito estufa.

Aproximadamente 75% do gás carbônico que o país emite são derivados do desmatamento e de práticas agrícolas: além das emissões causadas pela derrubada de florestas, a forma como a terra vai ser usada depois contribui para parcela substancial de lançamento de gases. Apenas 25% são derivados da queima de combustíveis fosseis.

A conta do carbono

[Desmatamento florestal para pastagem gado em área da Amazônia no Pará (foto: Leonardo F. Freitas – CC BY-NC-SA 2.0)]

Por ser o gás de efeito-estufa mais abundante na atmosfera, o CO2 se tornou referência no cálculo de emissão de gases e do potencial de aquecimento global, que mede o quão potente um gás é para aquecer a terra, expressas em unidades de CO2 equivalente. O metano tem potencial de aquecimento global 25, ou seja, é 25 vezes mais potente para aquecer a terra que o CO2. E o óxido nitroso, 298 vezes mais potente.
"Alternativas agropecuárias podem ajudar a reduzir a emissão dos gases"

Na pecuária, o metano é emitido pela fermentação intestinal de ruminantes. Já o óxido nitroso é lançado quando se adiciona adubo nitrogenado ao solo.

“Embora os dados sejam alarmantes, é importante ter em mente que determinadas alternativas agropecuárias podem ajudar a reduzir a emissão desses gases”, esclarece Cerri.

Desmatamento para gado
Desmatamento florestal para pastagem gado em área da Amazônia no Pará (foto: Leonardo F. Freitas – CC BY-NC-SA 2.0).

Cenário atual versus ideal

Os pesquisadores analisaram as consequências de dois cenários possíveis: o de manejo da terra convencional e o de manejo controlado e conservacionista. Para chegar aos resultados, foram usados aparelhos de sensoriamento remoto (via satélite) e programas de simulação, e coletados dados em trabalhos de campo – feitos em diferentes regiões do Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rondônia, no chamado ‘arco do desmatamento’.
O artigo propõe técnicas de plantio direto, onde o solo é pouco perturbado e há rotação de culturas

O modelo agrícola atual é baseado no manejo convencional da terra, cujas técnicas incluem o uso intenso do arado e da grade em máquinas, que causam maior perturbação ao solo.

Para Cerri, o modelo é inadequado para o Brasil, tendo sido herdado da Europa e não pensado para um clima tropical. “Há um excesso de preparo do solo”, afirma ele, explicando que isso leva matéria orgânica fresca à superfície, e sua decomposição por microrganismos do solo causa mais emissões. O método ideal visaria à menor perturbação possível.

Como solução para a agricultura, o artigo propõe técnicas de plantio direto, onde pequenos sulcos são abertos para depositar as sementes. A palha e restos vegetais não aproveitados na colheita são mantidos na superfície do solo, que permanece pouco perturbado.

No caso da plantação de milho, por exemplo, a palha que fica após o cultivo se transforma em húmus. Outro passo do plantio direto é a rotação de culturas, já que o monocultivo restringe a vida do solo.

Para a pecuária, a alternativa é reduzir a prática de pecuária extensiva, em que os gados pastam por mais tempo e emitem mais metano. A saída seria melhorar a qualidade das pastagens, permitindo que o gado engorde em um tempo menor, o que traz benefícios tanto para o produtor quanto para o consumidor.
“A grande dificuldade é que faltam incentivos para a implantação de novos modelos para a agricultura e pecuária no nosso país”

Com as pastagens recuperadas, a gramínea que cresce extrai mais CO2 da atmosfera. “Uma pastagem bem manejada pode mudar de uma área emissora para uma sequestradora de gás carbônico”, garante o agrônomo.

O estudo mostra como os impactos ambientais gerados pelas atuais práticas agrícolas podem afetar o próprio setor agropecuário.

As mudanças nos padrões de chuva e nas temperaturas se refletirão no crescimento dos sistemas biológicos, alterando o ciclo produtivo. “A grande dificuldade é que faltam incentivos para a implantação de novos modelos para a agricultura e pecuária no nosso país”, lamenta Cerri.
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sexta-feira, julho 30, 2010

HOMENS MORREM MAIS QUE MULHERES POR CAUSAS VIOLENTAS

Paulo Roberto Andrade
Agência USP de Notícias

No Brasil, nascem mais meninos que meninas. Porém, a partir da adolescência, essa proporção se inverte e aumenta gradativamente a favor das mulheres, terminando, na velhice, com uma proporção de homens bem menor que a de mulheres. Um estudo recente da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP investigou o tema da mortalidade masculina, mostrando que homens morrem mais que mulheres, por várias causas. A maior diferença entre os sexos foi observada nas mortes pelas causas violentas ou causas externas.

A enfermeira Carolina Terra de Moraes Luizaga, autora da pesquisa, observou que os homens estão morrendo mais que as mulheres em praticamente todas as faixas de idade, e revela não haver, no Brasil, um estudo específico sobre o assunto. “Isto já vinha sendo indicado em estatísticas mundiais e em alguns estudos brasileiros, mas não havia estudo específico que descrevesse a tendência da mortalidade no sexo masculino”, destaca.

Os dados analisados na pesquisa foram coletados na internet, provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos grandes sistemas de informação do Ministério da Saúde, como o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). Carolina descreveu a mortalidade masculina, no período de 1979 a 2007, em três capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Ela explica que essas regiões, reconhecidamente, disponibilizam dados válidos e confiáveis.

De um modo geral, os dados mostraram uma diminuição relativa de crianças e jovens na população e um aumento na proporção de idosos. Carolina verificou que nascem cerca de 5% mais meninos do que meninas. “O maior número de homens, manteve-se até os 14 anos de idade, nas capitais paulistana e carioca, e até os 19 anos, em Porto Alegre”, ressalta.

A partir destas idades, o número de mulheres passa a ser maior. E, conforme a idade avança, a proporção de homens diminui cada vez mais, até que, entre os idosos, os dados mostraram uma média de 62 homens para cada 100 mulheres. Carolina explica que “o declínio do número de homens na população está associado à sua maior mortalidade, que chegou a ser 72% maior que a feminina.”

Causas violentas

As causas violentas de morte, também chamadas de causas externas, como as agressões e os acidentes de transporte, foram a primeira causa de morte masculina dos 5 até os 44 anos, em São Paulo e Rio de Janeiro e, dos 5 aos 34 anos, em Porto Alegre. Para se ter uma ideia do impacto destas mortes em homens, com dados de 2005 a 2007, verificou-se que a taxa de mortalidade para a população masculina de 20 a 24 anos variou, nas três capitais, de 166 a 336 mortes para cada cem mil homens.

“Nas idades seguintes, as doenças cardiocirculatórias ficaram em primeiro lugar, acometendo a população masculina em uma velocidade de 260 a 289 mortes para cada 100 mil homens e, em segundo lugar, o câncer, cuja força de mortalidade não passou de 213 mortes para cada 100 mil homens”, explica Carolina.

Os resultados mostraram que os homens são mais vulneráveis do que as mulheres. “Sob o enfoque biológico, pode-se citar a maior predisposição para ocorrência de doenças graves. Do ponto de vista social, o sexo masculino tende a apresentar um comportamento mais arriscado, favorecendo condutas agressivas e a direção perigosa de veículos e ainda consumindo álcool e cigarro com maior frequência do que as mulheres, por exemplo”, esclarece a pesquisadora.

Carolina alerta para a necessidade de uma intervenção urgente na saúde do homem, já que eles estão morrendo cada vez mais e, na maioria das vezes, por causas que podem ser prevenidas e evitadas. “Quando se discute a questão de gênero, o foco da atenção é voltado sempre às mulheres, mas os indicadores de saúde têm mostrado que os homens também requerem atenção e investimentos, baseados em políticas públicas específicas de saúde e voltadas à prevenção das doenças”, conclui a pesquisadora.

O estudo foi apresentado como dissertação de mestrado, em abril de 2010, na FSP. A orientação foi da professora Sabina Léa Davidson Gotlieb.
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quinta-feira, julho 29, 2010

ANTIGUIDADE DO AQUECIMENTO GLOBAL

Aquecimento global começou antes da Revolução Industrial

Ana Carolina Athanásio
Agência USP de Notícias

O início da interferência humana no meio ambiente e, consequentemente, no clima ocorreu em períodos anteriores à Revolução Industrial, que teve início em meados do século XVIII na Inglaterra. Uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) mostra que, mesmo antes do surgimento das grandes indústrias o planeta já sofria com aumento de temperatura e o início do aquecimento global.

Baseada em coleta, comparações e análise crítica das informações da literatura produzidas mundialmente sobre o tema, a advogada Aretha Sanchez mostra em sua dissertação de mestrado – Atividades humanas e mudanças climático -ambientais: Uma relação inevitável – orientada pelo professor e pesquisador do Ipen Luiz Antonio Mai e defendida em julho de 2009, que povoados como os Maias e Mochicas, na América Latina, Acádios, no Iraque, povos da Groenlândia Nórdica entre outros sofreram colapsos e desapareceram devido a essa modificação climática local.

Os antigos integrantes desses povoados usaram grande parte dos recursos naturais existentes nos locais em que viviam e foram obrigados a sair de sua região de origem após a deteriorização intensa do ambiente. O desmatamento, a caça, a pesca, o desenvolvimento da agricultura e a poluição das águas foram causas determinantes para a modificação climática regional e, consequentemente, a extinção de importantes povoados.

Apesar da gravidade dessas interferências, a pesquisadora afirma que foram necessárias para que as populações pudessem se desenvolver. “Para que possa haver desenvolvimento, o homem interferiu no meio ambiente e consequentemente no clima. Na época das primeiras interferências climáticas, as populações não tinham consciência de que o uso e a intervenção no meio ambiente pudessem levar seus povoados a extinção. Nós temos esse conhecimento e devemos tentar diminuir essas modificações ambientais”, explica Aretha.

As interferências ocorridas anteriormente à Revolução Industrial foram muito significativas para as modificações do clima em determinadas regiões do planeta. Segundo a pesquisadora, “houve um aumento de até 4ºC na Europa e na América do Norte. Apesar de o aumento de temperatura ter sido regional, podemos falar que foi causado pela interferência do homem no meio ambiente, um ‘aquecimento global’ em escala menor se comparado aos problemas climáticos atuais”.

Mesmo com os malefícios causados por esse aumento significativo na temperatura em certas regiões do globo, que ocasionou desequilíbrio ambiental e extinguiu povoados importantes, Aretha salienta que se não fossem essas interferências iniciais, as populações tanto da América do Norte quanto da Europa não se desenvolveriam da forma como se desenvolveram.

Desigualdade e meio ambiente

Os grandes problemas ambientais relacionados ao mau uso dos recursos naturais são causados, em parte, pela desigualdade social. Segundo a pesquisadora, a falta de acesso ao conhecimento e conscientização ecológica atrelada às deficiências educacionais são fatores que tornam as intervenções ambientais mais rotineiras e problemáticas.

“Não há investimentos necessários para que todos tenham esse tipo de educação e desenvolvam consciência ecológica. Um exemplo dessa falta de conhecimento pode ser visto atualmente no Brasil: as pessoas invadem áreas suscetíveis a deslizamento, como as margens de rios, as quais deveriam ser de total controle ambiental. A interferência no ambiente é tamanha que ocasiona enchentes e coloca milhares de vidas em risco”, explica Aretha.

Exatamente pelo fato de grande parte das populações atuais terem maior conhecimento das causas e efeitos das interferências humanas na natureza, é necessário encontrar maneiras de manter o desenvolvimento sem causar tantos danos ao ambiente. “Antigamente não havia consciência do que estava acontecendo e por que alguns povoados se extinguiram. Hoje há essa consciência e conhecimento dos possíveis problemas que enfrentaremos, como o aquecimento global e outras alterações ambientais. Por isso, precisamos procurar uma forma, seja por meio da ciência ou da educação, que nos ajude a frear ou estabilizar as modificações climáticas”, conclui a pesquisadora.
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quarta-feira, julho 28, 2010

VOCE SABE O QUE É 'ESQUENTAR O GADO' NO ACRE?

"Se eu fosse pecurista no Acre eu procuraria colocar alguém mais preparado para ocupar a vaga do Sr. Veronez. Alguém com uma visão e ação proativa. Alguém que não tivesse medo de admitir que o futuro da pecuária no Acre passa, inexoravelmente, pela certificação da produção"

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

A maioria de vocês sabe o que é 'esquentar documento de carro' ou 'esquentar documento de produto importado irregularmente'.

Se não sabe, explico de forma sintética: significa que um bem ou objeto em condição irregular tem sua documentação adulterada ou falsificada para parecer, aos olhos da fiscalização, que é regular.

Pois bem leitores, incluam no seu vocabulário esse novo termo: 'esquentar o gado'.

Ele não se refere a cozinhar ou assar a carne de gado no fogo, mas a uma artimanha que em breve será regra na pecuária amazônica em razão da pressão de ambientalistas e empresários do setor de processamento e venda de carne. A organização ambientalista é a Greenpeace e os empresários são os proprietários dos maiores frigoríficos brasileiros - que estão se consolidando em um par de megaempresas - e grandes redes de supermercados.

Em uma ação coordenada, eles estão condicionando a aquisição do gado da região à prova de que os produtores interessados em vender atendem à legislação ambiental.

Embora vago, o termo 'atender a legislação ambiental' envolve uma série de requisitos que vão da ficha limpa dos pecuaristas junto aos órgãos ambientais à bisbilhotagem por satélite de suas propriedades para saber se eles desmataram mais do que deviam.

Podem acreditar, mas não é o IBAMA e IMAC que estão por trás disso. É uma iniciativa puramente extra governamental que envolve ambientalistas e empresas que fazem parte da cadeia de comercialização da carne no Brasil.

De um lado os frigoríficos estão ansiosos para escancarar de vez as portas do mercado mundial aos seus produtos e de outro as grandes redes de supermercados do país estão interessadas em vender produtos 'ecologicamente corretos', que não derivem de irregularidades ambientais.

Os ambientalistas e essas empresas cansaram de esperar pelo Governo, que vem tentando colocar o setor dentro da lei faz muitos anos, mas o máximo que consegue é lavrar multas que nunca serão pagas ou que, por esperteza de políticos que representam a classe no Congresso, cedo ou tarde serão anistiadas, como parece que vai acontecer caso o Código Florestal seja aprovado conforme a proposta do comunista-ruralista Aldo Rebelo (PC do B).

A ação ambientalista-empresarial resultou, neste primeiro momento, em uma lista de pecuaristas que podemos chamar de 'ficha suja' porque suas propriedades apresentam alguma forma de irregularidade ambiental. Os que fazem parte dessa lista não poderão vender seu gado para as empresas que aderiram à iniciativa.

Sem poder vender seus animais diretamente para os frigoríficos, restará a eles apenas a venda indireta, via um vizinho ou amigo pecuarista que esteja regular. É aqui que o termo 'esquentar o gado' se aplica.

Uma das consequências da pressão ambientalista-empresarial sobre os pecuaristas da Amazônia será o alastramento de diversas estratégias destinadas a facilitar a vida daqueles que eventualmente vierem a fazer parte da lista dos pecuaristas ficha suja.

E quais estratégias serão postas em prática caso o cerco armado pelos ambientalistas e empresários impeça o acesso dos pecuaristas ficha-suja ao mercado?

Não sou pecuarista mas de cara acho que a marcação do gado em fazenda de ficha suja vai cair em desuso rapidamente. Eles evitarão isso pois sabem que quando o gado for esquentado a marca vai ser a 'pista' para a fiscalização descobrir a fraude. Se ela não for eliminada, ela irá ajudar o trabalho da fiscalização durante o abate. Vai ser pão e mel a fiscalização da comercialização de animais provenientes das fazendas dos ficha suja.

As marcas dos fazendeiros que estão dentro da lei vão ser valorizadas ao extremo e virarão objeto de desejo de muitos ficha suja.

- Quanto vocês acham que os que aceitarem esquentar gado cobrarão pelo serivço? A cobrança vai ser em arroba ou um percentual sobre o preço de venda?

É bom que os que vierem a aceitar 'esquentar gado' fiquem espertos com a Receita Federal. Seguramente ela vai notar se o rebanho de um ou outro pecuarista duplicar ou triplicar de um ano para o outro.

E digo mais. Se a mania de 'esquentar o gado' se espalhar pela região, a produtividade da criação de gado na Amazônia, que pouco ultrapassa 1 cabeça/hectare, vai aumentar exponencialmente. Não vai ser o milagre da multiplicação dos peixes, mas do gado.

Diante da provável estigmatização de seus animais no mercado, fica a impressão que muitos fazendeiros ficha suja irão 'implorar' às autoridades para regularizar suas pendências ambientais o mais rápido possível. Sem contar que aqueles que forem procurados para 'esquentar gado' vão 'fazer a festa' com o desespero dos ilegais.

Refletindo sobre o tema, creio que quem ganha são aqueles que sempre atenderam as demandas da lei. Quem tem a reserva legal dentro dos limites impostos pela legislação, quem nunca fez derrubada ilegal. Isso é muito positivo. Mas o mais gratificante é saber que tudo isso só está acontecendo porque pela primeira vez uma medida de controle das ilegalidades do setor pecuário amazônico atinge de forma rápida e objetiva o que mais importa para esses empresários: o bolso.

Belo trabalho Greenpeace, JBS, Marfrig e Minerva!

E o melhor é que o cerco aos ilegais vai continuar sem maior oposição por parte daqueles que deveriam defender os pecuaristas e que estão dando provas de completo despreparo e falta de argumentos sólidos para contrapor a onda moralizadora da atividade.

Me refiro a reação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), Assuero Doca Veronez, que diz que tudo não passa de uma "patifaria" dos frigoríficos.

[clique aqui para ler nota do jornal 'A Tribuna' sobre o tema].

Se eu fosse pecurista no Acre eu procuraria colocar alguém mais preparado para ocupar a vaga do Sr. Veronez. Alguém com uma visão e ação proativa. Alguém que não tivesse medo de admitir que o futuro da pecuária no Acre passa, inexoravelmente, pela certificação da produção. A exploração madeireira do Acre já caminha nessa direção.

- Sr. Veronez, bravatas públicas não são suficientes para garantir o futuro da pecuária acreana. Muito menos 'apelar' para que os órgãos ambientais assumam algo que já fazem de forma ineficaz e que não resolveu o problema desde que a pecuária foi eleita como a vilã do desmatamento na Amazônia.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac) precisa, na sua condução, de alguém com visão mais realista do futuro da pecuária acreana.

- Quem se habilita para assumir o posto do Sr. Veronez?

Embora seja um cargo de representação de classe, o posto ocupado pelo Sr. Veronez é estratégico para a economia acreana. Espero sinceramente que Tião Viana, eleito Governador, meta sua colher no assunto para colocar o setor no caminho certo.

Crédito da imagem: Valter Campanato/ABr
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terça-feira, julho 27, 2010

OBESIDADE E HIPERTENSÃO EM INDÍGENAS

Agência FAPESP – Um inquérito nacional sobre a saúde e nutrição dos povos indígenas aponta um aumento nos casos de obesidade, hipertensão arterial e diabetes.

Segundo o Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas, coordenado por pesquisadores da Fundação Nacional Oswaldo Cruz (Fiocruz), também são elevadas as prevalências de desnutrição em crianças e de anemia em mulheres e crianças.

O estudo apresenta uma radiografia das condições de vida dos povos indígenas, que representam menos de 1% do contingente populacional brasileiro, e indica uma mudança no perfil epidemiológico-nutricional.

A tuberculose se destacou como uma das mais importantes causas de morbimortalidade indígena em todo o país, em geral apresentando coeficientes de incidência superiores aos observados na população brasileira geral.

Outra doença que preocupa é a malária, que atinge principalmente as populações indígenas situadas na região Norte, no oeste do Maranhão e no norte do Centro-Oeste.

O estudo chama a atenção para as condições ambientais favoráveis à transmissão de parasitas e microrganismos veiculados pela água e alimentos contaminados, que resultam em elevadas taxas de morbimortalidade por gastroenterites. Cerca de 60% das mortes em crianças com menos de um ano tem relação com o problema.

Uma em cada três crianças indígenas sofre de desnutrição, segundo o inquérito. Na região Norte, as prevalências foram de mais de 40%. Ao se olhar para outros parâmetros nutricionais, como a anemia, os índices ultrapassam os 50%.

Uma das explicações, segundo os pesquisadores, são as drásticas transformações nos estilos de vida associadas ao contato e à proximidade com os problemas típicos das grande cidades. O estudo verifica ainda tendência à redução na frequência e intensidade de atividades físicas, como decorrência de alterações importantes nas estratégias de subsistência e nos padrões de assentamento.

De acordo com a Fiocruz, os resultados do inquérito aprofundam e ampliam o conhecimento sobre saúde indígena no Brasil e os dados poderão subsidiar estratégias e políticas de saúde.
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MERCADO DE LIVROS NO BRASIL

Excesso de competição marca mercado do livro no Brasil

Nilbberth Silva
Agência USP de Notícias

O mercado do livro no País enfrenta dificuldades crônicas próprias da área e excesso de competição. As editoras de sucesso são aquelas que têm vantagens, como a vinculação a empresas maiores, multinacionais estrangeiras, organizações religiosas ou sistemas de ensino. Os leitores aprendem a ler por imposição e, para muitos, a leitura é um hábito difícil e não prazeroso. Essas são algumas conclusões de uma tese de doutorado defendida em novembro de 2008 na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP pelo editor José Rosa.

Com cerca de 20 mil funcionários e movimentando apenas R$ 3 bilhões, a indústria editorial tem uma importância econômica pequena no Brasil.

Fabricantes de livros têm problemas com falta de tempo das pessoas para a leitura, dificuldade de achar o livro “certo” em meio à grande oferta, escassez de bibliotecas e altos preços dos livros. Além disso, segundo o Instituto Brasileiro de Alfabetização Funcional (INAF) apenas 26% dos brasileiros de 15 a 64 anos mostraram capacidade de ler, entender e resumir textos longos e encontrar informações neles — alfabetização plena.

Além disso, um pequeno número de editoras domina uma parcela grande do mercado. “O Brasil tem, aproximadamente, 600 editoras. Dessas, 30 provavelmente detém 70% do faturamento da indústria do livro”, explica Rosa.

Editoras de sucesso geralmente estão vinculadas a grupos de mídia, a editoras globalizadas, redes comerciais, sistemas de ensino, ou a outras empresas, universidades e grupos religiosos. As editoras mais expostas à dificuldades do mercado são as pequenas nacionais e independentes. Essas têm menos poder de negociação, mas, como têm custos menores, acomodam-se melhor às mudanças do mercado editorial e a insucessos de seus lançamentos.

Editoras menores sobrevivem vendendo poucos livros, em geral e especializados em algum segmento. “O custo de montar uma editora é baixo, por isso é facil entrar no mercado. Mas é difícil vender livros e permanecer”, conta o pesquisador. Mesmo assim, no Brasil a quantidade de títulos aumenta — são lançados por volta de 1500 por mês. “Esses títulos têm menores tiragens. As livrarias não dão vazão a tudo”, explica Rosa.

Para escrever a tese, Rosa partiu de sua experiência profissional de 20 anos, analisou dados estatísticos e pequisas internacionais, entrevistou donos de livrarias e administradores bem sucedidos de editoras. Por fim, conversou com dez pessoas que lêem mais de 20 livros por ano e 12 que não tinham o hábito de ler, mesmo tendo condições para isso. A tese foi orientada pelo professor Mitsuru Yanaze.

Comportamento dos leitores

José Rosa obteve informações iniciais sobre o comportamento do leitor que podem dar base a outros pesquisadores, para maior aprofundamento. A tese mostra que leitores assíduos aprenderam a ler cedo e têm potencial para gastar tempo e dinheiro com o livro. Eles não prezam, necessariamente, pela qualidade e começaram a ler em razão de alguma necessidade.

Para a maioria das pessoas, ler é um exercício difícil e não-prazeroso. Ele geralmente surge por auto-imposição, imposição da escola, igreja, trabalho, ou por descoberta de livros que motivem muito o leitor. Depois, a leitura torna-se cada vez mais prazerosa. O pesquisador também percebeu que o livro é universalmente valorizado, até por quem nunca leu um.

Para o pesquisador, o futuro da indústria do livro é incerto. “O estilo de texto do livro deve sobreviver, mas em formatos digitais”, explica. “O livro digital é mais ecológico, com custos de produção e distribuição menores”. Rosa também considera possível que o livro perca a importância que teve no passado: ” Com a internet a pessoa acessa a informação e cultura sem passar pelo livro impresso”, explica.
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segunda-feira, julho 26, 2010

O EFEITO PSICOLÓGICO DE PRAÇAS E PARQUES SOBRE O CALOR

Pesquisa indica que usuários de praças e parques se sentem confortáveis, mesmo quando os índices medidos mostram grande desconforto térmico

Desconforto que não se sente

Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Algumas características ambientais de praças e parques, como temperatura, umidade relativa do ar, radiação solar, presença e localização de equipamentos, podem influenciar a utilização desses espaços públicos abertos.

Uma pesquisa realizada na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade Estadual Paulista (Unesp) caracterizou os microclimas e as condições de conforto térmico em espaços públicos de permanência (arborizados e áridos) e de passagem em três cidades do interior paulista: Campinas, Bauru e Presidente Prudente.

De acordo com Lucila Chebel Labaki, professora titular da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, o confronto entre as condições de conforto real e calculado e a percepção dos usuários em relação à sensação e à satisfação térmica aponta uma diferença significativa entre os espaços.

“O que nos chamou a atenção é que, apesar de os dados calculados evidenciarem de uma maneira geral um grande desconforto térmico nesses espaços, causado pelo frio ou calor, a maioria dos usuários relatou se sentir confortável”, disse Lucila à Agência FAPESP.

Segundo ela, o estudo sugere que o prazer de estar em espaço público, associado ao tempo livre, decorre de uma somatória de fatores, dentre os quais o microclima, mas esse não é decisivo para a percepção de conforto.

Lucila coordenou a pesquisa “Conforto térmico em espaços públicos abertos: aplicação de uma metodologia em cidades do interior paulista”, apoiada pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Colaboraram com o estudo as professoras Maria Solange Gurgel de Castro Fontes, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Unesp em Bauru, Carolina Lotufo Bueno Bartholomei, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp em Presidente Prudente, e alunos da pós-graduação e graduação.

Além de caracterizar os espaços escolhidos, o estudo monitorou condições microclimáticas (temperatura do ar, umidade relativa e velocidade do ar, radiação solar) ao utilizar o índice PET (Temperatura Equivalente Fisiológica, da sigla em inglês), que engloba uma série de fatores – como temperatura, umidade relativa do ar, radiação solar, entre outros – para avaliar o conforto térmico.

Além disso, também foram aplicados questionários junto aos usuários dos espaços para identificar a sensação e satisfação térmica em diferentes condições de tempo (frio e seco, quente e úmido, quente e seco).

Segundo Lucila, o conforto térmico depende de quatro fatores ambientais: temperatura do ar, temperatura radiante média, umidade relativa do ar e velocidade do ar.

Temperatura radiante média é o valor médio entre a radiação térmica que incide sobre as superfícies do local – objetos e seres vivos –, e as aquece, e a radiação que elas emitem de volta para o ambiente. Já os fatores pessoais que influem no conforto térmico são roupas e atividade física.

Segundo Lucila, a avaliação do conforto térmico nesses espaços requer não apenas o conhecimento das condições microclimáticas, que são importantes para cálculos térmicos. “Exige-se também a análise dos aspectos de cada ambiente e de como influenciam os usos, o tempo de permanência e a percepção dos usuários sobre o lugar”, indicou.

Foram analisados três tipos de locais na área urbana de cada cidade, entre 2008 e 2009, levando-se em conta os espaços de permanência com relação aos de passagem e arborizados ou pouco arborizados (áridos).

Em Campinas, foram escolhidos o Parque Portugal (conhecido como Parque Taquaral), a Praça Imprensa Fluminense (que abriga o Centro de Convivência) e a Praça Largo do Pará.

Em Bauru, as análises foram feitas na Praça da Paz, no Bosque da Comunidade e no Calçadão da rua Batista de Carvalho. Em Presidente Prudente, as áreas escolhidas foram a Praça Nove de Julho, o Parque do Povo e o Calçadão da rua Tenente Nicolau Maffei.

A partir de uma estação meteorológica móvel desenvolvida para o projeto no Laboratório de Conforto Ambiental e Física da Unicamp, os pesquisadores verificaram que a sensação térmica variou entre as categorias de espaços públicos abertos.

Para os espaços de permanência “arborizados”, a sensação de neutralidade térmica (nem quente nem frio) ocorreu em 62% da amostra. Dentro da faixa de temperatura de neutralidade térmica medida pelo índice PET (no intervalo de 18º C a 26º C), o percentual aumentou para 70,8%.

Nos espaços de permanência “pouco arborizados”, a sensação de neutralidade foi de 42% e de 51,5% na mesma faixa PET. Já para os espaços de passagem a sensação de neutralidade térmica foi verificada em 45% da amostra e, para o intervalo do índice PET, o percentual elevou-se para 59,5%.

A análise geral dos resultados indica que 51% dos indivíduos consideraram-se “termicamente neutros” nos vários espaços e condições climáticas avaliados, e para o intervalo de temperatura de neutralidade no índice PET o percentual de satisfeitos foi de 61%.

Espaços planejados

Segundo Lucila, as características físicas dos espaços públicos abertos alteram as condições microclimáticas, influenciando no comportamento dos usuários e na dinâmica de uso dos espaços. “Em espaços arborizados há maior possibilidade de conforto térmico e a faixa de neutralidade para a sensação térmica é mais ampla do que para os demais espaços”, explicou.

“Pudemos observar que existe necessidade de um planejamento melhor de praças e de outros ambientes de espaços abertos, de modo que possam ser utilizados com maior conforto pela população”, disse.

De acordo com a professora da Unicamp, um dos objetivos da pesquisa é poder auxiliar em projetos urbanísticos de áreas externas. O uso da vegetação e a escolha de materiais que compõem parques e praças são de extrema importância em projetos urbanísticos. “A sombra da árvore é muito diferente do sombreamento de um prédio, por exemplo”, destacou.

Em outro estudo de Lucila apoiado pela FAPESP, concluído em 1999, com cinco espécies que arborizam áreas urbanas de Campinas (SP) – sibipiruna, ipê-roxo, magnólia, chuva-de-ouro e jatobá –, a pesquisadora verificou que todas as árvores analisadas reduziam bastante os efeitos da radiação solar e ofereciam maior conforto térmico.

As análises nos espaços nas três cidades no interior de São Paulo permitiram identificar um melhor desempenho para as áreas arborizadas.

“Isso não apenas pelas características microclimáticas, mas também porque os espaços mais arborizados oferecem mais opções de permanência, pela disponibilidade de mobiliários e equipamentos de lazer e exercícios, por exemplo”, disse.

Por outro lado, segundo Lucila, os aspectos que mais contribuíram para o comprometimento da qualidade dos espaços pouco arborizados, além do microclima, foram a quantidade e qualidade dos bancos, localização inadequada e uso de materiais menos confortáveis para tais assentos, como concreto.

A pesquisadora salienta que, embora a arborização contribua para o conforto térmico não há uma relação direta entre melhor conforto e arborização. “Mas nos espaços analisados observou-se essa relação. Pode ser que uma maior preocupação do poder público com a arborização de uma área implique maior cuidado com os outros aspectos”, destacou.
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BIOMONITORAMENTO URBANO

Árvores urbanas são alternativas para biomonitoramento

Caio Rodrigo Albuquerque
Agência USP de Notícias/Assecom Esalq

A interação das árvores do Parque Ibirapuera (Zona Sul de São Paulo) com a poluição atmosférica da cidade é objeto de pesquisa da engenheira agrônoma Tiana Carla Lopes Moreira, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Segundo o estudo, a floresta urbana é capaz de reter e absorver os poluentes atmosféricos além de poder ser utilizada como biomonitor de baixo custo em localizações privilegiadas.

O Parque Ibirapuera, localizado na Zona Sul de São Paulo, próximo ao centro da cidade, tem uma floresta urbana heterogênea e dentro dele existem as principais árvores encontradas nas ruas da cidade. Orientada pelo professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, do Departamento de Ciências Florestais (LCF) da Esalq, Tiana promoveu um levantamento da vegetação arbórea do Parque, identificando 51 famílias e trezentos e trinta e seis espécies diferentes. Considerando a abundância e a altura das árvores, a pesquisadora coletou, entre fevereiro e março de 2009, folhas de paineiras, jacarandá mimoso e ipê roxo.

“As espécies encontradas no Ibirapuera permitem a compreensão do comportamento delas no contexto urbano com forte influência da poluição atmosférica”, conta Tiana. Por meio da técnica de fluorescência de raio X, a pesquisa determinou os elementos presentes nas folhas de árvores, identificando aqueles provenientes de emissões veiculares para que se fizesse uma relação desses com a interação da vegetação e como essa pode ser utilizada para amenizar os ambientes poluídos e para o biomonitoramento. “Buscamos verificar se existiam diferenças na retenção de poluentes de espécies arbóreas comuns na cidade de São Paulo e se é possível utilizar folhas de árvores como bioacumuladores de poluentes atmosférico”, ressalta a autora do trabalho.

Alguns elementos como ferro, cobre e cromo apareceram mais nas bordas do parque. Todos os elementos mostraram altas concentrações próximas à área de lombada eletrônica, indicando que o desgaste de peças do sistema de frenagem é um dos maiores contribuintes para a contaminação do ar. Como a circulação de veículos no interior do parque não é restrita, a pesquisadora registrou ainda concentrações elevadas de bário (presente em velas de ignição) e cádmio (proveniente do desgaste de pneus) em áreas internas.

Filtro

Uma das respostas obtidas por Tiana é que a vegetação pode apresentar funções de filtros amenizando os altos índices de poluição, mas para que possa ter um efeito protetor da área interna do parque é preciso analisar a composição e a densidade dessa vegetação. Ela pondera que seu estudo não avaliou a densidade, mas a partir de uma observação visual é possível perceber que a área do Ibirapuera não possui uma alta densidade e portanto não serve como barreira aos poluentes, atuando apenas como filtros.

A agrônoma lembra que o Parque Ibirapuera não foi desenhado para desenvolver função de proteção de poluentes, mas sugere que “as regiões mais próximas às avenidas, na periferia do Parque, ou seja, onde encontramos as maiores concentrações desses elementos, poderiam ter sua densidade aumentada sem interferir no desenho paisagístico.”

Localizado no bairro de Moema, o Ibirapuera foi concebido em 1954 por arquitetos como Oscar Niemeyer, Ulhôa Cavalcanti, Zenon Lotufo, Eduardo Knesse de Mello, Ícaro de Castro Mello, além do paisagista Augusto Teixeira Mendes. Possui ciclovias, treze quadras iluminadas, pistas de cooper, passeios, áreas de descanso e três lagos artificiais, somando uma área de 157 mil metros quadrados.

A pesquisadora realizou o estudo no Programa de Pós Graduação em Recursos Florestais da Esalq, com a colaboração do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e da Faculdade de Medicina (FM) da USP. Tiana destaca a possibilidade em utilizar as folhas de vegetação arbórea para bioacumulação de elementos causadores da poluição atmosférica. “Além disso, trata-se de um método econômico de biomonitoramento”, destaca. “A compreensão de como a floresta urbana interage com a poluição atmosférica é importante tanto para o planejamento urbano quanto para a saúde pública.”
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domingo, julho 25, 2010

GOLPE 'BOA NOITE CINDERELA': POUCO NOTIFICADO E DE DIFÍCIL CARACTERIZAÇÃO

Katia Machado
Agência Fiocruz de Notícias

[O Boa noite, Cinderela normalmente pega a pessoa em situações em que está sozinha]

Um dos golpes mais antigos do mundo, o agora chamado Boa noite, Cinderela, que consiste em dopar a vítima com drogas, inseridas, em geral, em bebidas alcoólicas, para praticar danos como assalto ou estupro, foi tema do primeiro debate promovido pelo recém-criado Laboratório de Estudos de Gênero (LEG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Como explica a pesquisadora Anna Marina Barbará Pinheiro, coordenadora do LEG, o golpe é propiciado por um conjunto de drogas conhecidas como rape-drugs, ou drogas de violação, que causam efeito depressor no sistema nervoso central, principalmente, quando combinadas com o álcool. Os medicamentos são hipnóticos ou sedativos potentes, bastante nocivos, provocando sonolência e diminuição das atividades corticais. As vítimas são preferencialmente homossexuais masculinos e mulheres, com foco nas prostitutas.

O grande problema desse crime, tipificado pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) e pela Organização dos Estados Americanos (OEA) como tortura e conhecido em todo mundo, é que raramente consegue ser caracterizado e registrado em delegacias policiais, pois as pessoas atingidas sentem-se constrangidas e não se lembram do que lhes aconteceu. “Ou se lembram de maneira fragmentada”, como observou o sociólogo e professor do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ Paulo Baía, que abriu a mesa Boa noite Cinderela, sexualidades periféricas e novas formas de violência. Paulo atendeu mais de 600 casos do golpe, quando esteve à frente da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro, entre 2006 e 2007.

A expressão “sexualidades periféricas”, do título do evento, refere-se a fetiches sexuais e a desejos colocados em prática em proporções diferenciadas individualmente, “mas que nem sempre assumimos”, definiu Anna. Segundo a coordenadora, a mesma expressão é usada na obra do filósofo Michel Foucault (1926-1984), para designar toda sexualidade externa à norma heterossexual.

De acordo com Paulo Baía, o espectro de vítimas do golpe é amplo. Além de homossexuais e prostitutas, outros grupos, também vulneráveis, são atacados. Ele conheceu casos de moradores de favelas que foram dopados pela própria polícia para que delatassem traficantes de drogas e de mulheres dopadas por seus maridos com a intenção de descobrir traições extraconjugais — a exemplo de Cleópatra, a rainha do Egito, que, segundo estudos, teria feito o mesmo com o imperador Marco Antonio. Além disso, a prática também é usada para fazer vítimas de sequestro relâmpago e se abusar sexualmente de mulheres e crianças, a exemplo de Roger Abdelmassih, 65 anos, um dos maiores especialistas da América Latina em fertilização in vitro. O médico fora acusado, em 2009, de estuprar pelo menos 51 mulheres durante procedimentos clínicos em seu consultório em São Paulo.

Preconceito

A médica e representante da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos Maria do Espírito Santo Tavares dos Santos frisou o quanto as mulheres são vítimas do Boa Noite, Cinderela e de outros atos de violência. Segundo a palestrante, com base nos dados da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), dos 269.977 atendimentos realizados em 2008, 94,1% dos registros de relatos de violência são casos de violência doméstica e familiar contra as mulheres, 63% trazem o cônjuge como autor das agressões e 65% relatam que a frequência da violência é diária. “Nesse sentido, o debate sobre a violência contra a mulher torna-se cada vez mais imperioso”.

O número real de vítimas do golpe é desconhecido. “Há grande subnotificação”, confirmou Anna, em entrevista à Radis. Ela informou que, das 1.110 denúncias feitas ao Disque-Defesa Homossexual do Centro de Referência contra a Violência e Discriminação Homossexual (Cerconvidh) — órgão da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos do Consumidor do Rio de Janeiro, criado em dezembro de 2006 — 32,8% eram casos do golpe.

Especialistas concordam que o crime está bastante associado à solidão, e ao desejo de se encontrar companhia o mais rápido possível, o que torna as pessoas mais vulneráveis, seja qual for o sexo ou a orientação sexual. “À exceção de casos como os de policiais e moradores de favelas, o Boa noite, Cinderela normalmente pega a pessoa em situações em que está sozinha, numa noite de paquera, por exemplo”, confirmou Gabriela Leite, representante da Rede Brasileira de Prostitutas, também participante do debate. Ela chamou atenção para o preconceito com que muitas vezes a vítima é tratada. “Conheço amigas que foram questionadas, na Delegacia da Mulher, sobre o que faziam na rua tarde da noite, como se fossem culpadas pelo crime”, contou Gabriela, para quem toda sexualidade é periférica. ”No que se refere a sexo, ainda precisamos fazer muitas coisas às escondidas”.

Autora de livro que tem como título o mesmo nome do golpe, Boa Noite, Cinderela (Zit Editora), Maria Teresa Moreira explicou que o crime é um tipo de violência silenciosa e inusitada. Ela revelou no debate que escrever o livro, no qual apresenta relatos de homens homossexuais sobre a vergonha de terem caído no golpe, mexeu com suas cismas, medos e fantasias. “Falo dos que estavam à procura de alguém e acordam muitas vezes roubados ou violentados”, contou, emocionada.
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domingo, julho 18, 2010

MUSEU 'CASA EDUARDO RIBEIRO'

A ‘belle époque’ de Manaus: Casa de governador do Amazonas no século XIX é reconstruída e vira museu

Cristina Romanelli
Revista de História da Biblioteca Nacional

Em pleno século XIX, o maranhense Eduardo Ribeiro (1862-1900), negro e pobre, resolveu ser jornalista. Foi aluno de Benjamin Constant (1836-1891) e colega de trabalho de Aluisio Azevedo (1857-1913). Mudou-se para Manaus e acabou virando governador do estado do Amazonas. Como se não bastasse, ele ainda foi o responsável por uma grande transformação na capital, que passou a ser conhecida como “Paris dos trópicos”. Mais de cem anos depois, é inaugurada a Casa Museu Eduardo Ribeiro. A antiga residência, que estava em ruínas, foi reconstruída e restaurada, com móveis e decoração da época. Além disso, o acervo tem documentos como o álbum de fotos da cidade feito em 1901 e exemplares originais de duas Constituições do estado.

“Manaus era uma aldeia. Ele transformou a cidade. Fez um plano urbano, trouxe água encanada, luz elétrica, telégrafo. Construiu o porto, o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, o Palácio do Governo. Também reformou e modernizou o ensino, a saúde, e aumentou a arrecadação do estado com um plano de gestão financeira”, conta Robério Braga, secretário de Cultura do estado do Amazonas e curador do museu.

Construída no período da economia da borracha (1880-1914), a casa de três andares fica a pouco mais de cem metros do Teatro Amazonas (1881), no centro histórico de Manaus. Depois de ser residência de Ribeiro, ainda foi ocupada pela família do engenheiro Bretislau de Castro, por repartições federais de saúde e pelo Conselho Regional de Medicina. O térreo hoje é a sede da Academia Amazonense de Medicina, onde funciona um Museu Digital. Alguns cômodos foram dedicados à história de Bretislau de Castro, com documentos variados, como fotos da família.

“A casa estava abandonada, em ruínas, e só tinha quatro paredes”, afirma Braga. Ela foi reconstruída de 2007 até o início deste ano, a partir de fotos e vídeos, e mobiliada conforme o inventário de Eduardo Ribeiro, publicado na imprensa. Além dos móveis, nos dois andares superiores há roupas, objetos pessoais, equipamentos de trabalho e utensílios domésticos que tentam recriar o modo de vida do final do século XIX e do início do século XX. Entre os documentos expostos estão um mapa de Manaus de 1892 e as plantas originais do Teatro Amazonas, assinadas por Ribeiro.

Além das exposições, o museu tem uma atividade diferente, para quem quer sentir como era viver cem anos atrás. Duas vezes por semana, artistas com roupas características da belle époque contam histórias sobre o período da borracha e sobre a vida pessoal e política dos antigos moradores do palacete. Depois disso, os visitantes seguem para um dos salões da casa e participam de um sarau com piano. O passeio termina nos jardins, onde é realizado outro sarau, com instrumentos como violino e flauta.

Saiba mais - Serviço:

A Casa Museu Eduardo Ribeiro fica na Rua José Clemente, 322, Centro – Manaus. De segunda a sexta, das 9h às 17h, e aos domingos, das 16h às 21h.

Foto: Blog FDOTS
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sábado, julho 17, 2010

'CÓDIGO FLORESTAL: BANQUETE INDIGESTO'

O novo código florestal aprovado por comissão da Câmara é de embrulhar o estômago, avalia Jean-Remy Guimarães. O cardápio inclui redução das áreas de preservação, anistia aos desmatadores, aumento das emissões de gases-estufa e extinção de espécies.

Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Especial para Ciência Hoje

[Madeira de desmatamento na Amazônia. Se aprovado, o novo Código Florestal Brasileiro pode levar ao desmatamento de 70 milhões de hectares e lançar na atmosfera até 31 bilhões de toneladas de gases-estufa Foto: Wilson Dias/Agência Brasil - CC 2.5 - BY]

As notícias da conturbada apresentação, discussão e aprovação da proposta do novo Código Florestal Brasileiro no início do mês na Comissão Especial da Câmara são de arrepiar. O nível da discussão foi tão rasteiro quanto ficará a vegetação nativa se a proposta for aprovada em plenário e, depois, no Senado.

A notícia desse retrocesso obsceno me remete a muitos temas já comentados em colunas anteriores. Penso, em especial, na pesada herança da escravidão e da monocultura, no embate histórico – e pelo jeito ainda vigente – entre o Brasil urbano, cosmopolita e moderno e o Brasil das elites rurais, patriarcal, arcaico e predatório, como brilhantemente descrito por Giberto Freyre e Sergio Buarque de Hollanda, respectivamente em Casa grande e senzala e Raízes do Brasil.

O nível da discussão na Câmara foi tão rasteiro quanto ficará a vegetação nativa se a proposta for aprovada

O Brasil moderno se comprometeu diante do mundo a uma redução de 39% nas suas emissões até 2020, por ocasião da COP-15 em Copenhague.

O Brasil arcaico afunda essa meta propondo medidas que, segundo os professores Jean-Paul Metzger da Universidade de São Paulo (USP), e Thomas Lewinsohn, da Universidade de São Paulo (Unicamp), poderão levar ao desmatamento de 70 milhões de hectares enquanto outros 40 milhões deixarão de ser recuperados.

Se confirmada essa previsão, as emissões brasileiras de gases do efeito-estufa terão um acréscimo de, por baixo, 25 bilhões de toneladas (31 bilhões no cenário mais pessimista). É uma façanha e tanto. Como vamos conseguir assumir essa posição de vanguarda do atraso?

Mata ciliar
[Os limites legais para preservação da mata ciliar – nome dado à vegetação que ocorre nas margens dos rios – serão reduzidos se for aprovado o novo Código Florestal Brasileiro. Foto: Pedro Biondi / CC 2.0 - BY-NC]

Poucos convivas

O banquete da devastação é uma longa série de iguarias. Citamos aqui apenas os principais quitutes. Como entrada, redução das áreas de preservação obrigatória às margens dos rios, que passarão a ser medidas a partir das bordas menores, quando os rios estão com o menor fluxo de água.

Imagine a diferença que isso vai representar em rios com bordas planas e enchentes sazonais! É a maior brecha para o desmatamento. Mas as matas ciliares dos rios menores não escaparão assim tão facilmente, já que aqueles com até 5 metros de largura terão sua área de proteção reduzida de 30 para 15 metros.
A sobremesa é a anistia para os responsáveis por desmatamento ilegal até 22 de julho de 2008

A seguir, um dos pratos principais: os proprietários de terras com até quatro módulos fiscais não precisarão recompor a vegetação devastada. A área do modulo fiscal varia de estado para estado, podendo chegar a 400 hectares na Amazônia.

E finalmente a gloriosa sobremesa, amarga para a nação e dulcérrima para os poucos beneficiados: anistia para os responsáveis por desmatamento ilegal até 22 de julho de 2008 e perdão das multas correspondentes, bastando para isso aderir a um certo Programa de Regularização Ambiental.

O governo deixará de arrecadar um bom dinheiro por conta das multas anistiadas. As estimativas variam em função do período contemplado ou de quem fez os cálculos – cerca de 8 bilhões de reais segundo o Greenpeace, ou R$ 10,6 bilhões nos cálculos do Ibama. Tudo é grande no Brasil, não é mesmo?

Se você paga suas multas de trânsito, seus impostos e taxas em dia, ou é um fazendeiro que cumpriu a lei nesse período, deve estar se sentindo um otário. E é de fato esta a mensagem: ignore a lei, vá infringindo até ela ser mudada e as dívidas, perdoadas.
Se você paga suas multas e impostos em dia, deve estar se sentindo um otário

Ora, direis, por que tanta indignação? Já vimos esse filme tantas vezes... No tempo em que o agronegócio brasileiro se reduzia aos usineiros do Nordeste, já era excelente negócio e prática corrente tomar empréstimos e não pagá-los, graças aos esforços de uma ativa bancada legislando em causa própria junto ao rei, imperador ou parlamento.

Extinção com alvará

Portanto, o novo código florestal nem é tão novo assim nos autores, nos métodos, nos efeitos. Os professores citados mais acima estimam, com base na área florestal perdida e no numero de espécies que vivem ali, que um grande número de espécies serão extintas, com autorização legal.

E eu que estava quase exultante com as notícias – de apenas alguns dias atrás – de que a Comunidade Europeia tomaria medidas duríssimas contra empresas que comprassem madeira que não tivesse origem comprovadamente legal... Querem legalidade? Tomem legalidade! Mais uma vez o mundo se curva diante do Brasil.

O agronegócio como trator
[O agronegócio como trator: há séculos os grandes proprietários de terra no Brasil se beneficiam de decisões governamentais que nem sempre levam em conta o melhor para a sociedade ou o meio ambiente. Foto: Flickr.com/izolan - CC 2.0 - BY-NC-SA].

Mais uma vez, fica caracterizada a vocação do agronegócio como trator. Um trator que avança sobre áreas nativas, deixando atrás de si um rastro de terras degradadas. Na última coluna, eu contava sobre um dado perturbador revelado sem querer em palestra do presidente da Embrapa: as áreas em exploração agrícola ou pecuária e as áreas já degradadas pelas mesmas atividades são da mesma ordem. E vamos em frente, matando a galinha dos ovos de ouro em nome de interesses paroquiais, imediatos e preguiçosos.

Aumentar a produção agrícola às custas da expansão da fronteira agrícola sobre novas áreas florestais é coisa de Brasil arcaico. Investir em tecnologia para aumentar a produção via maior produtividade é coisa de Brasil moderno, um exemplo de convívio possível – embora não predominante – entre esses dois Brasis. Ou será coisa de otário?
Os convivas do banquete querem confiar o galinheiro às raposas

Deve ser porque os convivas do banquete não estão satisfeitos. Querem ainda que estados e, sobretudo, municípios possam decidir sobre a redução de áreas de reserva legal e de áreas de proteção ambiental ao longo dos rios ou aprovar projetos de exploração madeireira nas reservas legais.

Desafios como esses são impossíveis para administrações que nem têm órgão ambiental ou pessoal capacitado para tal. E menos ainda independência em relação aos ruralistas locais, que são frequentemente os próprios prefeitos, secretários, vereadores. As raposas cuidando do galinheiro.

Em nível estadual, não haverá capacidade para avaliar a enxurrada de pedidos de alteração se o código for aprovado. Terão que acionar a indústria do carimbo ou colocar meio mundo na ilegalidade – até a próxima alteração dos critérios de legalidade.

E eu com isso?

A Amazônia e o Pantanal são regiões distantes. Por que devo me preocupar? Afinal, o dióxido de carbono é inodoro, como o dinheiro. Sobram motivos, como mais perturbação climática, mais rios secando, assoreando, provocando enchentes desastrosas, menor geração de hidreletricidade, mais calor ainda. Mais gastos e sofrimento, menos emprego, salário, água na torneira e lugares decentes onde viver.
O dióxido de carbono é inodoro, como o dinheiro

Ah, e eu já ia esquecendo, porque o cardápio é longo: você não sentirá apenas efeitos indiretos, embora dolorosos. Se você mora no litoral ou fora das regiões citadas acima, saiba que topos de morro, várzeas e restingas perderão qualquer proteção.

Guarde bem aquelas fotos das ultimas férias: em breve elas serão história.

Como gritaram vários parlamentares ao final da votação do relatório do deputado Aldo Rebelo, do PC do B, na Comissão Especial da Câmara: “Brasil! Brasil! Brasil!”
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sexta-feira, julho 16, 2010

CLONAGEM DE PALMITO DE PUPUNHA

Palmito pupunha é clonado por métodos biotecnológicos

Antonio Carlos Quinto
Agência USP de Notícias

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da USP, em Piracicaba, o professor Marcílio de Almeida, do Departamento de Ciências Biológicas vem desenvolvendo há anos pesquisas relacionadas à clonagem do palmito pupunha. O objetivo é desenvolver um protocolo para propagação de mudas clonais de pupunheiras em larga escala e em curto prazo, por meio da técnica de cultivo in vitro ou micropropagação.

[Clonagem visa produzir plantas com maior capacidade de brotação e resistência]

Segundo o professor, o que o conduziu a esses estudos foram as vantagens que a espécie apresenta em relação aos demais palmiteiros, tanto do ponto de vista econômico, como ecológico. “A pupunheira é considerada ecologicamente correta por apresentar vantagens que compensam seu cultivo, uma vez que o palmito cultivado no Brasil segue uma tendência mundial que prevê a substituição de produtos de origem extrativista por produtos cultivados, protegendo sobremaneira a Mata Atlântica”, diz o cientista.

Além disso, entre as vantagens da espécie em relação aos demais palmiteiros está a produtividade. Enquanto as demais levam de 6 a 8 anos para produzir um único palmito, na pupunheira o primeiro corte ocorre entre 15 e 18 meses após o plantio no campo e, depois, pode-se cortar em intervalos de 30 dias, garantindo renda mensal, por até 20 anos. “Associado a isso destaca-se o sabor suave, coloração marfim e maciez do produto”, diz Almeida.

[A coloração marfim é característica da espécie, devido a presença de pigmentos (xantofila)]

Ele ressalta que a importância do cultivo da pupunheira é tão destacada que foi formada em 2008 a Associação Brasileira das Indústrias do Palmito de Pupunha (ABRAPP) que conta com apoio da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Com as experiências de clonagem, o pesquisador visa produzir plantas com maior capacidade de brotação e resistência a doenças. As plantas submetidas aos testes em laboratório são cedidas pela empresa Inaceres Agrícola e Industrial Ltda. localizada em Uruçuca, na Bahia. “Lá, eles selecionam as matrizes que são enviadas ao laboratório para testes de clonagem”, conta o pesquisador.

Parceria produtiva

As pesquisas realizadas pelo professor Marcílio Almeida geraram projetos de mestrado, doutorado e pós doutorado visando sempre ampliar as áreas de conhecimento com a espécie. O projeto de pós doutorado realizado pela bióloga Cristina Vieira de Almeida propiciou a instalação da InVitroPalm Consultoria, empresa residente na Esalqtec, Incubadora Tecnológica em Piracicaba. Em parceria com a Inaceres, as empresas contam com apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia para realização de pesquisas na área de clonagem de pupunheiras.

[Fases de desenvolvimento de pupunheiras in vitro para obtenção de clones]

Cristina conta que as matrizes são enviadas à InVitroPalm a cada dois meses e os resultados dos estudos já atingiram cerca de 80% de sucesso. Nos laboratórios os pesquisadores retiram das matrizes o ápice caulinar de aproximadamente 1 centímetro (cm) e o inoculam em meio de cultura específico.

Cada ápice chega a produzir entre 10 e 15 novas plantas, repetindo-se de forma exponencial. Os pesquisadores afirmam que a micropropagação é de fundamental importância para a propagação de espécies vegetais economicamente importantes para a multiplicação em larga escala de genótipos superiores.

Imagens cedidas pelos pesquisadores
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MARACUJÁ COM TAMANHO DE MELÕES

Com técnicas de manejo aliadas ao desenvolvimento de híbridos, pesquisadores da Embrapa obtêm maracujás com até 650 gramas

Agência FAPESP – No município de Sítio d’Abadia, interior de Goiás, o agricultor Lúcio da Silva tem colhido maracujás que chegam a pesar 650 gramas e têm dimensões próximas às de melões. A superfruta é o produto de uma pesquisa da Embrapa Cerrados, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em Planaltina (DF).

Desde 2008, a unidade disponibiliza três tipos de maracujás híbridos que, aliados a boas práticas de manejo da cultura, têm obtido bons resultados em vários Estados brasileiros.

Segundo a Embrapa, a produção de Silva também apresenta alto rendimento de polpa e boas condições fitossanitárias, o que valoriza esse maracujá no mercado. O produtor agora pretende aumentar a área plantada com os híbridos.

Para obter frutos com essa qualidade, além das sementes híbridas, é necessário o manejo adequado, o que inclui a correção do solo, irrigação, controle fitossanitário, podas, adubações entre outras práticas.

As sementes podem ser solicitadas na Embrapa Transferência de Tecnologia, pelo telefone (19) 3749-8888 ou e-mail sac@campinas.snt.embrapa.br.

(Foto: Embrapa)

Nota do Blog: Não me impressiono com estas notas que tentam dar um crédito maior do que se deveria dar a pesquisas e pesquisadores de algumas empresas que vem a público divulgar façanhas que derivam mais de causas naturais do que manipulação científica. Esse maracujá gigante, por exemplo, existe naturalmente nas florestas do Acre. Coletar o material, reproduzir em um campo experimental, fazer um ou dois cruzamentos para conferir uma ou outra resistência a uma doença agrícola, tudo em um espaço de poucos anos, não dá direito a ninguém clamar que desenvolveu uma 'nova variedade'. Ainda mais quando se recomenda que ao se cultivar a mesma, os agricultores devem observar 'boas práticas de manejo'...

Poucos sabem, mas, apenas para dar um exemplo, a maior parte do cacau cultivado no Brasil foi coletado aqui na Amazônia, muitos na região do Purus. Entre a floresta e os campos de cultivos se passaram poucas gerações de experimentos no campo. Por isso quando a gente encontra cacau na mata, muitos mateiros afirmam com conhecimento de causa que ele é idêntico ao 'cultivado'. Não é surpresa alguma o país ter ficado para trás no cultivo de cacau e seringueiras. Em ciência, mais do que em muitos outros campos, a pressa é inimiga da perfeição. Não é a toa que os melhores clones de seringueira cultivados no país são 'importados' da Malásia.
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OCORRÊNCIA DO VÍRUS DA HEPATITE 'E' NO BRAISL É INVESTIGADA

Marina Schneider
Agência Fiocruz de Notícias

[Débora: os estudos sobre a hepatite E no Brasil ainda são muito recentes se comparados com os de doenças causadas por outros vírus. Foto: Gutemberg Brito]

A hepatite é uma doença inflamatória que atinge o fígado e compromete o desempenho de suas funções podendo evoluir, conforme a gravidade do caso, para cirrose ou câncer. A hepatite pode apresentar etiologia viral, tóxica ou autoimune. A doença pode ter forma aguda (auto-limitada e raramente fulminante) ou evoluir para cronicidade. As hepatites mais comuns são de origem viral e causadas pelos vírus A, B, C, Delta e E. As hepatites B, C e D podem ser transmitidas principalmente por via sexual, vertical (mãe-filho) e parenteral. No caso das hepatites A e E, a principal via de contágio é fecal-oral, por meio da ingestão de água e alimentos contaminados. Neste conjunto, a hepatite E vem merecendo especial atenção dos pesquisadores.

Para investigar a presença da hepatite E no Brasil, 64 amostras sorológicas de pacientes com hepatite aguda sem etiologia definida (ou seja, com agente causador desconhecido) foram selecionadas pelo Grupo de Atendimento para Hepatites Virais do Laboratório de Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). O material foi submetido a testes sorológicos e moleculares no Laboratório de Desenvolvimento Tecnológico em Virologia do IOC. As análises possibilitaram o diagnóstico laboratorial do vírus E (HEV, na sigla em inglês) em um dos pacientes acometidos pela forma aguda da hepatite. Anticorpos específicos da classe IgG (anti-HEV) para este vírus já haviam sido encontrados em diferentes grupos populacionais no Brasil, indicando um contato anterior destas pessoas com o HEV, mas, até então, nenhum caso de hepatite E aguda havia sido registrado.

A pesquisa, realizada por meio de uma colaboração entre os laboratórios de Desenvolvimento Tecnológico em Virologia, Hepatites Virais e de Virologia Comparada e Ambiental do IOC, é descrita no artigo First report of a human autochtonous hepatitis E virus infection, publicado no periódico científico Journal of Clinical Virology. “Os estudos sobre a hepatite E no Brasil ainda são muito recentes se compararmos com os de doenças causadas por outros vírus”, afirma Débora Regina Lopes dos Santos, uma das autoras do artigo. “O que se observa ao longo da história é que as regiões consideradas não endêmicas, como o Brasil, apresentam evidências sorológicas quando são realizados estudos de prevalência, indicando que uma possível razão desta alta prevalência para a hepatite E seja a manutenção do vírus em reservatório animal”, declara Débora, que defendeu sua tese de doutorado em biologia parasitária no IOC em abril deste ano.

Segundo ela, há pesquisas no mundo que detectaram a existência do HEV em animais, principalmente em suínos, mas ela destaca que a transmissão zoonótica por meio de contato direto com animais ou consumo de carne infectada ainda está sob investigação. “Um estudo realizado no Japão comparou a sequência nucleotídica do vírus encontrado em um paciente infectado com o HEV detectado em amostras de fígado de porco consumido pelo paciente. Observou-se que as sequências eram similares”, relata.

Os pesquisadores afirmam que a provável transmissão do vírus para humanos por via zoonótica pode contribuir para a presença dos anticorpos anti-HEV na população brasileira. No entanto, segundo o estudo, ainda é necessária a caracterização molecular dos vírus encontrados em casos autóctones no Brasil para investigar esta possibilidade. No trabalho publicado no Journal of Clinical Virology, a amostra do paciente demonstrou estar relacionada a outra amostra de suíno, caracterizada em outro estudo realizado pelo grupo em colaboração com a Universidade Federal do Mato Grosso e com o pesquisador do Laboratório de Neurovirulência de Biomanguinhos/Fiocruz Renato Sérgio Marchevsky.

De acordo com Marcelo Alves Pinto, chefe do Laboratório de Desenvolvimento Tecnológico em Virologia do IOC e coordenador da pesquisa, um dos objetivos do estudo é chamar a atenção das instituições de saúde pública para a possibilidade de haver mais casos não diagnosticados laboratorialmente e, portanto não notificados, permanecendo fora das estatísticas do Ministério da Saúde. “Se pensarmos em termos de saúde pública, a gravidade desta doença pode não ser evidente, mas o papel de uma instituição de pesquisa comprometida com o binômio saúde/sociedade é dar um retorno ao público sobre os estudos realizados, assim como, fornecer informação e possíveis estratégias para dinamização do diagnóstico no futuro”, destaca Débora.

Ela lembra que casos agudos e fulminantes já foram descritos em países como a Argentina. Um surto de outro genótipo do HEV, não associado à transmissão zoonótica, foi descrito no México e em Cuba além de países asiáticos. “Apesar de nenhum surto ter sido registrado no Brasil até o momento, é importante que as autoridades de saúde tenham conhecimento”, declara. Cozinhar bem a carne antes do consumo e manter boas condições de saneamento básico e higiene são ações importantes para prevenir a doença. Segundo os pesquisadores, o estudo servirá como ponto de partida para pesquisas mais amplas.

A hepatite E

A hepatite E é causada pelo vírus E (um RNA-vírus) e sua transmissão é fecal-oral, ocorrendo por meio do consumo de água ou alimentos contaminados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também informa, em sua página na internet (em inglês), que existe a possibilidade de transmissão zoonótica do vírus, considerando que este vírus circula em granjas de suínos. De acordo com a OMS, o primeiro caso comprovado de epidemia de hepatite E foi relatado na década de 1980.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), apesar de as condições sanitárias serem deficientes em muitas regiões, não foi descrita nenhuma epidemia causada pelo vírus E no Brasil. Já na África, Ásia, México, e, recentemente, em Cuba, surtos foram registrados. Ainda de acordo com o MS, a hepatite E causa quadros graves principalmente em gestantes. O pesquisador do IOC, Marcelo Alves Pinto, informa que, geralmente, a doença apresenta um quadro clínico semelhante ao da hepatite A. “De uma maneira geral, ela difere da hepatite B e da C por apresentar-se nas formas sub-clínica e aguda. Apesar de deixar o indivíduo incapacitado durante muito tempo, é uma doença auto-limitada”, completa.
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quinta-feira, julho 15, 2010

XVI OFICINA DE AGENTES AGROFLORESTAIS INDÍGENAS DO ACRE

“Cada um fazia o seu trabalho sozinho, sem se preocupar com a comunidade, mas os sistemas agroflorestais que aprendemos no curso da CPI, está ajudando a reaprender o conhecimento de fazer manejo com preservação dos recursos naturais e a trabalhar no coletivo” [Tuin Kaxinawá, Agente Agroflorestal Indígena da Terra Indígena Humaitá, em Tarauacá-Acre]

Lígia Kloster Apel*
Começou no último dia 12 de julho e se estende até o dia 10 de agosto, o XVI Curso de Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre – AAFIs, promovido pela Comissão Pró-índio do Acre, no Centro de Formação Povos da Floresta em Rio Branco. Dos 126 AAFIs que participam do formação, 30 estão concluindo, com este curso, o ensino médio profissionalizante. Ele é, para estes indígenas, a última etapa de formação nesta área que faz parte da trajetória de apoio às nações indígenas acreanas que a CPI/AC vem desenvolvendo ao longo da sua história.

Com uma linha de formação que tem como princípio a autoria e participação indígena, a CPI/AC organizou seus cursos com a especificidade própria do seu público: uma formação continuada para a vida indígena que prima pela organização e coordenação da Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena, pelo planejamento participativo do uso dos recursos naturais com repovoamento de espécies aquáticas e florestais, pela implementação de sistemas agroflorestais e agroecologia, recuperando sementes e fortalecendo o plantio de árvores frutíferas, pelo aproveitamento de madeira caída dos roçados para produção de artefatos e esculturas focalizadas na mitologia indígena, entre outras ações de sustentabilidade socioambiental. Esses e outros aprendizados são construídos a partir da realidade da comunidade indígena e com o olhar que o próprio índio tem do seu contexto, das suas necessidades e da sua história.

Nesta perspectiva, o ensino Médio Profissionalizante dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre, que tem uma carga horária de 2.680 horas/aula, prevê em seu currículo, disciplinas de conhecimentos básicos como língua indígena, língua portuguesa, matemática e geografia com ênfase em cartografia; e disciplinas profissionalizantes como os Sistemas Agroflorestais, geologia indígena e artes e ofícios, entre outras. Está organizado com aulas teóricas, presenciais no Centro de Formação Povos da Floresta da CPI/AC, aulas teóricas e práticas presencias nas Terras Indígenas com assessores da CPI/AC e aulas práticas, chamadas de formação a distância, que se traduzem na aplicação do aprendizado em sua comunidade mensurado e avaliado através de produtos como Diário de Trabalho e relatórios dos Sistemas Agroflorestais implementados e da vigilância e fiscalização realizadas em conjunto com a comunidade.

Para o Agente Agroflorestal Indígena Antonio Ferreira, o Tuin Kaxinawá, da Aldeia Novo Futuro, Terra Indígena Humaitá, em Tarauacá, esse aprendizado vem resgatar o jeito de plantar e cultivar sem destruir e, também, o jeito coletivo de se trabalhar. “Cada um fazia o seu trabalho sozinho, sem se preocupar com a comunidade, mas os sistemas agroflorestais que aprendemos no curso da CPI, está ajudando a reaprender o conhecimento de fazer manejo com preservação dos recursos naturais e a trabalhar no coletivo”. Para Nilson, só o trabalho coletivo, quando todos aceitam os conhecimentos, vai dar sustentabilidade para as aldeias e garantir o sucesso da Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas.

Em dezembro de 2009, a Comissão Pró-Índio do Acre obteve a aprovação da sua proposta curricular para a Formação Profissional e Técnica de Agentes Agroflorestais Indígenas. “Essa aprovação reforça o trabalho dos AAFIs, que é muito importante porque eles são responsáveis pela proteção da floresta, das águas,pelo manejo dos recursos naturais e da biodiversidade. Com o trabalho deles, todos nós somos beneficiados, porque afinal, é dessa proteção que depende a preservação do planeta”. Afirma Vera Olinda, diretora do Centro de Formação Povos da Floresta, da CPI/AC.

* Assessoria de Comunicação - Comissão Pró-Índio do Acre
Fotos: Amaaiac
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A MORTE DE ANA EUNICE E O AMADORISMO DE NOSSA POLÍCIA

Violência e Amadorismo

Escrito por Luiz Calixto - Deputado Estadual

Custa-me acreditar, até porque ele não tem a menor necessidade disso, que o Major Ricardo queira esconder as falhas na segurança pública do governo petista jogando a culpa na justiça(leia).

Se é verdade que juíza progrediu a pena do bandido que assassinou hediondamente a Ana Eunice, é verdade também que esta o fez com base em leis que não foram aprovadas por magistrados, mas por políticos e sancionadas pelo presidente da República.

Se as leis são frouxas e permissivas a culpa é dos deputados federais e senadores, dentre os quais 11 são acreanos e nada propõem para mudar o atual quadro.

As regras do regime de liberdade é que, via de regra, não são acompanhadas e vigiadas e a polícia também tem parte da culpa.

Ana foi vítima da violência generalizada e do amadorismo.

Como explicar que um bandido desarmado tenha tomado a arma de um vigilante, como foi o caso?

E os negociadores da PM?

Porque não pediram uma prova de que Ana ainda estava viva durante a negociação?

Quantos atiradores de elite estavam posicionados para abater o bandido, ao menor vacilo deste? Nenhum.

Nessas horas o melhor é ser humilde e reconhecer as falhas.

(Foto: Arquivo/Agazeta.net)
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WORKSHOP SOBRE GEOGLIFOS EM CAPIXABA

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

O grupo de paleontólogos liderados pelo professor Alceu Ranzi realiza hoje na cidade de Capixaba um Workshop para debater os geoglifos existentes naquele município. A iniciativa é da empresa Alcool Verde, que apresentará suas iniciativas em relação à conservação dessas estruturas naquele município.









Workshop “Geoglifos em Debate: Iniciativas da Álcool Verde no município de Capixaba – Acre”





















Data: 15 de Julho de 2010
Local: Centro de Florestania de Capixaba
Programação:

13:30 - Credenciamento
14:00 - Abertura
14:15 – Geoglifos e sua inserção na paisagem de Capixaba, Acre - Dra. Denise Schan
15:00 - Preservando o Patrimônio Arqueológico- Álcool Verde
15:45 – Potencial Arqueológico - Prefeitura de Capixaba
16:15 - Visita guiada ao Geoglifo Bimbarra
17:00 - Encerramento
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quarta-feira, julho 14, 2010

IMPUGNAÇÕES DE CANDIDATURAS: MPE-AC ESCLARECE

Prezado professor e blogueiro,

Com relação às dúvidas levantadas em seu post “LEI DA FICHA LIMPA: GOL CONTRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL DO ACRE?” de 14/7/2010, a assessoria de comunicação do Ministério Público Eleitoral no Acre vem esclarecer o que segue:

A Lei Complementar n° 135/2010 que recentemente alterou a LC n° 64/1990, inclui, literalmente, em seu Art. 2°, alínea “g”, nos casos de inelegibilidade a que estarão sujeitos os candidatos a cargos eletivos: “os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição;”.

Nota-se, análise mais acurada, que o “espírito da lei” anterior, conforme citado em seu blog, não foi alterado para excluir os órgãos competentes para julgar contas públicas (TCE e TCU) que, baseados em decisões colegiadas, condenam gestores por irregularidades administrativas.

Todos os casos de pedidos de registro de candidaturas impugnados pelo MPE/AC, com base neste dispositivo, são casos com decisão transitada em julgado, irrecorríveis e sem suspensão ou anulação por ordem judicial. Portanto, uma leitura pouco mais cuidadosa mostraria que não há equívoco primário, infantilidade ou desperdício de recursos públicos na aplicação da Lei. O Ministério Público cumpriu o seu dever aplicando o disposto na legislação, caberá ao TRE/AC acatar, ou não, o entendimento da Procuradoria.

Hermington Franco
Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal no Acre
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LEI DA FICHA LIMPA: GOL CONTRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL DO ACRE?

Embora ainda seja cedo para falar, tudo indica que ao pedir a impugnação de registro de candidaturas com base em condenações do TCU/TCE o Ministério Público Eleitoral fez um gol contra a nova 'Lei da Ficha Limpa'

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Cegueira coletiva de uma imprensa sem senso crítico de um lado e um possível equívoco primário por parte do Ministério Público Eleitoral do Acre (MPE-AC) de outro.

Somente isso pode explicar a ampla divulgação do pedido de impugnação de candidaturas em razão dos nomes dos postulantes constarem em listas do TCE/TCU.

A falta de senso crítico da nossa imprensa deriva do fato de que ninguém questionou a decisão do MPE-AC de impugnar candidaturas com base em decisões do TCU/TCE. Questionar neste caso significaria colocar nas matérias que embora o MPE-AC tivesse pedido a impugnação, tais solicitações tem base jurídica tênue tendo em vista que TCU/TCE não são tribunais que exaram decisões judiciais. No lugar disso, a maioria dos órgãos de imprensa locais se conteve em publicar na íntegra as notas da ASCOM do MPE-AC. Perderam a oportunidade de mostrar o 'outro lado' da notícia. Ctrl-C+Ctrl-V. Assim é fácil fazer jornalismo...

Ocorre que a lei que estabeleceu a 'limpeza' dos candidatos nesta eleição de 2010 é clara como a luz do dia ao afirmar que só serão impugnadas as candidaturas daquelas pessoas condenadas pela Justiça em decisão colegiada. E como todos sabem, o TCU/TCE são órgãos administrativos que apenas fiscalizam. Resumindo: TCE/TCU não tem poder judicial algum. Suas condenações são meramente administrativas e não judiciais.

Portanto, pedir impugnação de candidatura com base em decisões de TCU/TCE é uma infantilidade que beira o desconhecimento puro e simples das novas regras impostas pela Lei da Ficha Limpa. Ou pior: o MPE-AC parece que parou no tempo.

Pelas regras anteriores à entrada em vigor da Lei da Ficha Limpa, se um político entrava para a lista de administradores que cometeram irregularidades na execução dos gastos, isso o impedia de se candidatar pois bastava ao MPE entrar com denúncia pedindo a impugnação da sua candidatura. Esse era o 'espírito da lei' anterior. Com a nova lei, é preciso que haja condenação na Justiça (TJs, TSJ, STF, TREs). E são essas decisões judiciais - devidamente certificadas - que fornecem o comprovante material do ato doloso de improbidade que deveria acompanhar o pedido de impugnação.

Sem isso, é perda de tempo e de recursos (tempo de servidores, materiais de expediente, etc) o MPE-AC pedir a impugnação das candidaturas. Aos impugnados por essa razão basta contestar na justiça que a decisão lhes será favorável.

Embora ainda seja cedo para falar, mas desse episódio vai ficar a impressão de que o MPE-AC, ao pedir a impugnação de registro de candidaturas com base em condenações do TCU/TCE, fez um gol contra a nova Lei da Ficha Limpa.

Explico: como a imprensa está dando ampla divulgação às ações do MPE-AC, sempre se referindo às maravilhas da nova lei, inicialmente a memória coletiva da sociedade se convencerá que essa nova lei é mesmo muito boa pois impediu candidaturas de administradores públicos - prefeitos, reitores, ex-prefeitos, governadores e outros - cujas contas foram rejeitadas por conter algum tipo de irregularidade.

Acontece que quando a propaganda gratuita no rádio e TV começar os tais 'impugnados' - se apelaram para a justiça - estarão lá informando a todos que está tudo certo, que suas candidaturas estão de vento em popa, que querem ser eleitos - e alguns serão.

Nesse momento a população ficará confusa e vai questionar a nova Lei, afirmando, como sempre faz, que ela 'não pegou'. Alguns mais esclarecidos irão, com certeza, culpar o MPE-AC.

O que a sociedade ganha com isso?
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VENTO DERRUBA MEIO BILHÃO DE ÁRVORES NA AMAZÔNIA

Tempestades que varreram a Amazônia de sudoeste a nordeste derrubaram meio bilhão de árvores em janeiro de 2005. Tamanho estimado da área atingida é de 9.000 km², que equivale a quase uma Jamaica. É mais do que tudo o que se desmatou na Amazônia em 2009.

Reinaldo José Lopes
Folha de S. Paulo

Em três dias de janeiro de 2005, meio bilhão de árvores podem ter sido mortas por tempestades enfileiradas que varreram a Amazônia de sudoeste a nordeste.

A área do estrago, estimada em 9.000 km2, equivale a quase uma Jamaica. É mais do que tudo o que se desmatou na Amazônia em 2009.

Para os pesquisadores responsáveis por descrever o fenômeno, o desastre pode ser uma amostra incômoda do que o aquecimento global trará para a floresta.

Numa Terra mais quente, eventos do tipo podem ficar mais comuns. Isso poderia causar, por sua vez, um círculo vicioso: mais calor mataria mais árvores, o que liberaria mais carbono no ar, aumentando o calor.

O estudo descrevendo a megaderrubada será publicado na revista científica "Geophysical Research Letters" e tem coautoria de cientistas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Unesp.

"Creio que se trate de um fenômeno meteorológico relativamente comum. O que ocorre é que ele ainda não havia sido reportado", disse à Folha o meteorologista Carlos Raupp, da Unesp.

Raupp explica que os pesquisadores detectaram uma grande linha de instabilidade --aglomerados de tempestades que se alinham por até 1.000 km de extensão.

Entre 16 e 18 de janeiro de 2005, um monstro desses saiu da Bolívia e partiu rumo à ilha de Marajó. No caminho, ventos de até 145 km/h mataram gente em Manaus, Manacapuru e Santarém.

Fechando as contas

Tempos depois, a equipe usou dados de satélite e observações de campo para comprovar o estrago deixado pelo vento na região de Manaus.

Estimam que, só ali, a linha de instabilidade causou a morte de umas 500 mil árvores --o que ajudou o grupo a fechar as contas da destruição da mata em 2005.

Isso porque, embora a grande mortalidade de árvores na Amazônia nesse ano tenha sido atribuída à seca severa que também assolou a região, "a área de Manaus não chegou a ser afetada", lembra Raupp. A explicação mais plausível, pelo tipo de dano à vegetação, é que a tempestade seja a culpada.

Embora o número de meio bilhão de árvores seja uma extrapolação, já que os cientistas não possuem dados para a Amazônia inteira, Raupp diz que ele faz sentido diante do trajeto da tormenta.

"Em geral, um clima mais quente pode trazer mais tempestades severas, porque a atmosfera consegue reter mais vapor d'água", diz Raupp. Supertormentas como a 2005, portanto, poderiam causar estragos piores na Amazônia do futuro.
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