AMBIENTE ACREANO: Agosto 2010
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terça-feira, agosto 31, 2010

CRAVEIRO COSTA

O LEGADO DE CRAVEIRO COSTA AO ACRE ANTIGO

Isaac Melo
Editor do Blog Alma Acreana

[Craveiro Costa]

Hospital de São Vicente. Maceió. O relógio da sala marcava 10 horas e 30 minutos. O dia era 31 de Agosto. 1934 era o ano. Naquela manhã, Craveiro Costa havia saido, como de costume, para o trabalho. Encontrava-se no Gabinete do Tesouro do Estado de Alagoas. Sentiu um desconforto no peito, uma nuvem turva a lhe envolver. Momentos depois, no hospital, familiares e amigos choravam ante o corpo desfalecido do então diretor do Departamento de Produção e Trabalho do Estado.

A história do Acre é uma miscelânea de outras pequenas histórias, cujos protagonistas vão de gentes simples e anônimas a personagens marcantes da história brasileira. Pessoas que por motivações diversas ali foram se estabelecer. Nessa amálgama de gentes e histórias se sublinha o nome do alagoano João Craveiro Costa.

Nascido em Maceió, a 22 de Janeiro de 1871 (4?), Craveiro Costa se inscreve na história daqueles que ao descender de família pobre consegue alcançar um alto prestígio social. Ao perder o pai muito cedo, teve que deixar os estudos para ajudar a mãe e o fez como caixeiro-servente de uma casa comercial. Era estudioso, afeito à leitura. E logo ascendeu profissionalmente. Ainda jovem começou a escrever nos jornais de Maceió tornando-se um jornalista audacioso, planfetário que nas páginas do famoso e histórico jornal alagoano “Guttemberg” tomaria a defesa do que os seus opositores chamavam de “Oligarquia Malta”.

Aos 26 anos teve que deixar seu estado. Estabeleceu-se, primeiramente, em São Paulo, e logo após Rio de Janeiro. Passou a trabalhar como guarda-livros em vários estabelecimentos comerciais. Retornou a Alagoas para novamente deixá-la, a 19 de Fevereiro de 1903, com destino à Manaus. Ali demora pouco e retorna mais uma vez a seu estado. Devido seus conhecimentos em Contabilidade passa, então, a trabalhar, respectivamente, na Contadoria da Recebedoria Central, e na Contadoria Geral do Estado. É a partir de então que Craveiro Costa passa a ser uma referência em relação a temas como Economia e Estatísticas.

A relação de Craveiro Costa com o Acre se afirma, ainda mais, a partir de 1910 quando recém-casado com sua conterrânea Laura Guimarães Passos destinam-se à cidade de Cruzeiro do Sul, onde estabelecem residência. Todavia, dois anos depois a senhora Laura Passos viria a falecer ao conceber o primeiro filho. Tempos depois, Craveiro Costa contrai segundo matrimônio, a 11 de dezembro de 1915, com a também viúva Adelaide Sampaio Figueiredo, acreana, com quem viveria até os últimos dias.

[Laura Guimarães Passos e Craveiro Costa]

Os anos em que permaneceu no Acre, Craveiro viveu-os com intensidade na vida pública, política e intelectual. Num tempo em que escola era artigo de luxo e dela poucos podiam desfrutar e quase inexistia Craveiro Costa ajudou a fundar os primeiros grupos escolares do Juruá. Da educação, no Acre antigo, muito se ocupou o alagoano. Assim, em 05 de Março de 1907 era nomeado Inspetor Escolar do Departamento do Alto Juruá; em 29 de Dezembro se tornaria lente de História Universal e diretor do Liceu Afonso Pena; também ocuparia, entre Março de 1912 a Abril de 1913, o cargo de Secretário Geral do Governo do Departamento; de 1913 a 1917 desempenharia a função de Inspetor de Instrução Pública; e em 15 de Outubro de 1919, assumia a direção do Grupo Escolar Brasil.

Assim que o Acre foi incorporado ao Brasil iniciou-se a luta pela sua autonomia política, o que se tornaria uma realidade muitas décadas depois, junho de 1962. Com esse fim, em 1907, foi fundado o Partido Autonomista Acreano, do qual mais adiante Craveiro Costa iria fazer parte. Integrando o Partido Autonomista do Alto Juruá Craveiro funda o jornal O Estado – órgão oficial do Partido e do qual permanece como diretor até deixar o Acre. O primeiro número saiu a 12 de Agosto de 1916, com conteúdo político, noticioso e literário. Craveiro Costa também esteve à frente, como redator, do jornal O Cruzeiro do Sul, o segundo jornal na história de Cruzeiro do Sul, que havia sido fundado pelo então prefeito coronel Thaumaturgo de Azevedo, como órgão oficial do governo Departamental, em 1906.

Craveiro foi uma ardorosa voz que se ergueu a favor da autonomia acreana. E assim o veremos, em Junho de 1910, quando se torna o advogado do Departamento do Alto Juruá ao compor a célebre comissão da qual fazia parte também Francisco Riquet e Alfredo Teles de Menezes, cuja missão era esclarecer as autoridades brasileiras a respeito da situação acreana.

Muitos outros fatos e contribuições se registram da presença de Craveiro Costa em terras acreanas. Mas aquele, sobretudo, pelo qual será lembrado e merecerá figurar na historiografia acreana se dará a partir de 1922, ano em que retorna, definitivamente, para Alagoas a convite do então governador Fernandes Lima. Na bagagem, Craveiro leva a experiência dos anos vividos no Acre e a profunda dedicação e identificação com o povo e sua causa, que será expresso de modo admirálvel em O Fim da Epopéia, assim chamada a primeira edição, de 1924, de A Conquista do Deserto Ocidental.

O livro surgiu a partir de uma série de artigos intitulados “A Conquista do Deserto Ocidental”, publicados por Craveiro a partir de 1922 no Jornal de Alagoas. Não se trata de uma interpretação, propriamente, é antes uma apresentação de fatos históricos que o autor realiza. Uma apresentação apologética à causa acreana e um discurso ferrenho e combativo às autoridades federais que deixavam o povo acreano à mercê do descaso e abandono.

[Adelaide Sampaio, segunda esposa de Craveiro Costa]

É comum olhar desconfiado para certos “defensores” do Acre antigo, pois geralmente visavam seus próprios interesses ou a consolidação e monopolização do poder. No entanto, é necessário que se faça justiça a Craveiro. No Acre não fez fortunas. Chegou, permaneceu e retornou pobre para sua terra. Morava numa modesta casa construída sob um morro, tão comum na geografia de Cruzeiro do Sul. Não possuía terras, nem seringais. Fora no Acre tão somente educador, funcionário público, literato, jornalista. Afeito a família como era, quis apenas retribuir à terra que gerou seus filhos um pouco de sua gratidão.

Muitos ignoram, todavia, é Craveiro Costa uma das primeiras vozes a se levantar no Acre em defesa do seringueiro escravisado e a denunciar a formação de grandes latifúndios que exploravam e provocavam a fome, a morte e o desespero de famílias humildes. Ele é vibrátil na defesa do Acre. Paulo Silveira, que esborçou uma biografia do autor, ressalta que o livro é um hino que canta a liberdade, impugna a injustiça, combate a corrupção.

Era um homem afeito às letras. Escreveu obras de grande valor histórico como a obra biográfica “O Visconde de Sinimbu” (1937), uma verdadeira lição de história brasileira, sem exageros e paixões, cujos exemplares logo se esgotaram e hoje é raridade. O mesmo se pode dizer de “História das Alagoas”, considerado um dos melhores trabalhos já feitos sobre o Estado. Enfim, Craveiro deixou uma obra de grande valor histórico, sociológico e humanístico demonstrado por um acurado senso de pesquisa e por uma sensibilidade aos problemas sócio-econômicos.

Assim foi Craveiro Costa, um homem que se dedicou ao jornalismo, a literatura, ao serviço público, deixando-se guiar sempre pela ética e os valores, os quais expressou na defesa dos camponeses do Acre (seringueiros) e de Alagoas (colhedores de algodão). Quando de sua morte era um nome de referência em assuntos relativos à Economia, Estatísticas e Contabilidade em todo o Estado. É tanto que, ali, ao redor de seu féretro encontravam-se gente simples e as mais eminentes autoridades da intelectualidade e da política alagoana.

O menino que começou a vida como caixeiro-servente se tornaria um personagem relevante na história de dois estados, e ajudaria a escrever um capítulo importante na história, tanto de Alagoas como na do Acre. O pensamento de Craveiro Costa resiste como testamento e testemunho. Testamento de amor as duas terras que habitou e defendeu. Testemunho de uma época que ficou registrada por meio de seus escritos, e que nos permite, hoje, contemplá-la, tal como filme antigo, saudoso e pujante.

REFERÊNCIAS

SILVEIRA, Paulo de Castro. Craveiro Costa. Maceió: Sergasa, 1983.

COSTA, Craveiro. A Conquista do Deserto Ocidental. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974.
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segunda-feira, agosto 30, 2010

VAMOS ADERIR À COMISSÃO QUE VAI LUTAR PELA VOLTA DO VELHO FUSO HORÁRIO!

Encerra-se hoje (30) o prazo para a adesão das pessoas interessadas em fazer parte da comissão oficial que irá atuar na campanha pela volta do nosso velho fuso horário.

Para isso basta fazer requerimento ao presidente do TRE solicitando a desão à FRENTE DE RESGATE DO NOSSO ANTIGO HORÁRIO [vejam modelo abaixo]:

SOLICITAÇÃO DE ADESÃO À 'FRENTE DE RESGATE DO NOSSO ANTIGO FUSO HORÁRIO'


Exmo. Senhor
ARQUILAU DE CASTRO MELO
Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Acre


Senhor Presidente,

__(nome completo)___, brasileiro(a),__(estado civil)__, __(profissão)__, portador da Cédula de Identidade R.G. nº ___________, residente na Rua _____________, nº ______, Bairro de _________, cidade e Município de _______________, vem à presença de V.Exa. requerer a ADESÃO à 'FRENTE DE RESGATE DO NOSSO ANTIGO FUSO HORÁRIO' (Comissão do Não) que irá atuar na consulta popular que irá decidir pela mudança do fuso horário em vigor no estado do Acre.


Pede Deferimento



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Local/data


_______________________
Nome/assinatura
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#CHEGA DE QUEIMADAS

Miriam Leitão
O Globo

O Brasil arde como nunca. Mais precisamente, 135% a mais do que no ano passado, segundo medição do NOAA-15, um dos nove satélites que o Inpe usa para monitorar o problema. Não é sazonal. É o resultado de outros crimes e do descuido do governo em combatê-los: o desmatamento, o fogo na mata e no pasto, as serrarias ilegais, as carvoarias. A seca ajuda a propagar, mas não é a causa do fogo.

O clima está seco, muito seco. A baixa umidade relativa do ar se espalha por grande parte do Brasil. O que já seria fonte de problemas brônquios é agravado pela fumaça que encobre grande parte do país provocada por milhares de focos de incêndio. Quantos, é difícil saber, porque se for usado só um satélite dá para ver o aumento percentual, mas a contabilidade pode ser parcial; se forem usados todos os satélites, haverá dupla contagem. Na página do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está registrado que usando-se só o satélite de referência houve no país, de primeiro de janeiro a 26 de agosto, o incrível número de 41.636 focos de incêndio, e apenas do dia 26 para o dia 27 os focos foram 1.391. O campeão é Mato Grosso, com aumento de 183% em relação a 2009 e 11.529 incêndios.

Claro que nada disso é aceitável. Mas a grande pergunta é por que o Brasil pega fogo desse jeito? Quando se conversa com técnicos do Inpe, o que eles dizem com todas as letras é que deixada quieta a natureza não pega fogo sozinha. A secura cria as condições propícias para o problema se propagar. Mas a origem do fogo é humana.

O pesquisador Paulo Barreto, do Imazon, explica as várias formas de queimadas que já viu em suas viagens pela Amazônia, onde vive:

— A seca torna o país mais vulnerável, mas a ameaça do fogo é criada por gente. O fogo é usado para limpar o solo depois do desmatamento, ou então para reformar o pasto de uma forma rápida e barata. Quando se desmata para tirar a madeira, sem qualquer técnica, fica muita árvore morta na floresta, muita vegetação seca. Isso torna a área propícia à propagação do fogo, venha ele de alguma área desmatada próxima ou algum pasto sendo reformado nas proximidades.

Os crimes vão assim se associando. Quando se desmata uma área, o proprietário — na maior parte das vezes, grileiro — tira as melhores madeiras e põe fogo no resto para limpar tudo e preparar para o plantio. Nos pastos, a forma mais preguiçosa de preparar é pôr fogo em tudo. Quando se invade uma área para tirar a madeira dessa forma predatória, cada árvore que cai derruba dezenas de outras que, mortas e ressecadas, tornam toda a área vulnerável a incêndio.

Há outros focos que nascem das práticas desatualizadas da agricultura, mesmo quando ela é legal. As áreas de plantios e pastos são preparados frequentemente com o fogo. E ele se alastra. Muitas vezes causa conflito entre vizinhos que, ou se protegem com aceiros — uma espécie de cordão de isolamento feito com uma parte sem qualquer vegetação — ou têm suas áreas queimadas pelo fogo descontrolado. A indústria de cana-de-açúcar, mesmo nas áreas mais ricas do país, ainda usa em grande parte o fogo como técnica de produção. A queimada da ca$produz uma fumaça muito prejudicial à saúde.

Outra fonte de fogo são as serrarias, as carvoarias, em geral, ilegais. Essas serrarias deixam acumular em seus pátios montes de vários metros de resíduos de madeira — pó de serra. Para limpar a área, eles ateiam fogo e aquilo fica queimando dias, liberando uma fumaça altamente lesiva à saúde. Eu vi em Paragominas, quando estive lá, em madeireiras, esses montes impressionantes. Um deles tinha cinco metros de altura e vinte de comprimento.

— Em Paragominas, já houve caso de morte de crianças que foram brincar em cima desse monte, quando ele estava já queimando de baixo para cima — diz Barreto.

O pesquisador do Imazon conta outras formas de risco de propagação:

— Na Amazônia, a gente vê vários problemas como por exemplo o que eles chamam de fogo de copa. Uma área de floresta enfrenta um fogo num ano que não destrói, mas fragiliza a mata. No ano seguinte, outro fogo vem e toma tudo até às copas das árvores.

O fogo nasce também da desordem urbana, do descuido dos fumantes com suas guimbas, dos vários tipos de comportamento pirotécnico. Em alguns episódios, está claro que é fogo criminoso mirando a destruição de áreas de preservação, como está acontecendo na Serra da Canastra, no sul de Minas.

O rastro do fogo revela outros crimes e a falha do governo em coibir a ilegalidade e forçar o respeito à lei. O que piora tudo é que a secura pode se agravar.

— Num cenário de mudança climática, isso pode se repetir e a fragilidade aumenta. O fogo acaba provocando muito prejuízo para a saúde humana, para a aviação, além da destruição do meio ambiente — diz Paulo Barreto.

As queimadas trazem prejuízos econômicos, como a interrupção de fornecimento de energia. O pesquisador Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra, diz que as linhas de transmissão de energia que cortam o Brasil ficam vulneráveis ao fogo.

— Temos um sistema de transmissão interligado, com linhas extensas. As concessionárias frequentemente sofrem com interrupção. Outro problema é que as queimadas em plantações de cana deixam de utilizar a palha para a geração de bioenergia. Há desperdício — disse.

Smeraldi cita outos impactos, como a interrupção do fluxo de barcos em hidrovias, por falta de visibilidade, e o risco para a aviação civil. Aeronaves não conseguem pousar por causa da fumaça:

— Na Amazônia, mudar de aeroporto pode significar mais 2 horas de voo. As distâncias são muito grandes.

O movimento que Smeraldi lançou pelo Twiter, o #chegadequeimadas, em dois dias reuniu 25 mil pessoas e já teve 130 mil retweets. O fim da queimada significa também o combate a vários crimes, com os quais não podemos mais conviver.
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sábado, agosto 28, 2010

A LUTA DE JORGE E TIÃO VIANA PARA ELEGER EDVALDO MAGALHÃES SENADOR

Transferência de votos não é pra qualquer um nem de qualquer jeito...Então, estamos sabendo. Se for transferir votos, escolha um poste e comece cedo.

Valterlucio Bessa Campelo
Editor do Blog Valterlucio Comenta

Por falar em transferência de prestígio contabilizado em votos, no Acre, o politico de maior popularidade, o ex-governador Jorge Viana, que já entrou na campanha eleito para o senado juntamente com seu irmão Tião Viana para o governo, está com dificuldades para eleger seu companheiro de chapa Edvaldo Magalhães, que dava como certo que a campanha encangada seria suficiente. Não seria a primeira vez, dado que em 2002 o próprio Jorge, com a Marina Silva, tiraram do quase anonimato e elegeram Senador, Geraldo Mesquita Júnior.

O que acontece agora com o Edvaldo Magalhães que, pelo menos por enquanto, não consegue ultrapassar seu principal opositor, o deputado federal Sérgio Petecão? A estratégia é a mesma, deveria ter o mesmo resultado. Não é bem assim.

Penso que a transferência de votos como fenômeno político tem uma característica bastante peculiar, ligada ao candidato beneficiário, que é o status de seu nome decorrente de sua expressão e atuação política. Explico.

Se o candidato é retirado do anonimato, sem nenhuma popularidade, muito provavelmente a rejeição ao seu nome também é mínima, o que permite liberdade total para construção de uma personalidade politica capaz de atrair e vincular o voto ao do primeiro candidato. Mas quando se trata de alguém já posto na vida pública, mesmo que positivamente como é o caso de Edvaldo Magalhães, a coisa se complica porque no decorrer de sua trajetória ele não colecionou apenas apoio e admiradores mas também rejeição e adversários. Além do mais, sua personalidade política já está determinada. Não pode ser apagada e reescrita conforme o modelito adequado à eleição. Há quem goste e quem não goste.

Vejamos a eleição presidencial. Por que o Lula escolheu no dedaço uma desconhecida? Entre muitos motivos, creio que foi porque os políticos à sua volta, os velhos companheiros, todos eles apresentavam níveis de rejeição importantes. Seria dificil transformar uma Marta Suplicy, por exemplo, em uma presidenciável, embora ela tenha muito mais experiência política do que a Dilma. Isto explica também porque em São Paulo, berço do petismo e do sindicalismo, Mercadante amarga índices péssimos. São Paulo já conhece Mercadante, não dá pra repaginá-lo de uma hora pra outra.

Então, o que fez Lula? Buscou uma candidata politicamente nula, que pudesse ser modelada com o perfil necessário à transferência de prestígio, e assim fez. O primeiro toque foi o gerencial. Era preciso que tivesse capacidade administrativa, daí não se cansou nos últimos dois anos de lhe atribuir este predicado. A mulher que faz, que exige, que cobra, que realiza. O segundo toque, mais recente, foi o da afetividade. A mulher-gerente não poderia ser dura, masculinizada, então dá-lhe estética e marketing. A Dilma adquiriu além de um rosto suave, um sorriso tão permanente que parece plastificado. O terceiro foi a linguagem. A antiga rispidez deu lugar a frases mansas, medidas, refletidas e a gestos contidos. O quarto foi a da mimetização que antecede a transferência, ou seja, ela precisaria ser parecida com o Lula, o que foi resolvido com a história de pai do povo e mãe do povo. Pronto. Está ai o produto "vendendo" como água.

Então, estamos sabendo. Se for transferir votos, escolha um poste e comece cedo.

Foto: Francisco Chagas/ORB
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sexta-feira, agosto 27, 2010

A IMPREVISIBILIDADE NA PREVISÃO DE CHUVAS

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

O desespero que tomou conta de muitos acreanos com a longa estiagem fez com que muitos deles passassem a buscar informações climáticas para saber a situação do tempo, especialmente a previsão de chuvas para a nossa cidade.

É digno de nota a ênfase que muitos sites jornalísticos locais passaram a dar ao clima. Todos os dias têm sempre uma nota abordando o tema, indicando que os leitores realmente acessam notícias sobre o assunto.

E o público leitor que tem cumprido esse ritual diário já observou que as últimas previsões de chuvas (ou pancadas de chuvas) raramente se confirmaram.

Apenas para exemplificar: no meio da semana o site do INPE/CTPEC previa que nesta sexta (27/08) teríamos chuva. E não era uma chuvinha qualquer não, eram 8 mm de água! Mais uma vez a previsão não se concretizou.

Vejam nas figuras acima as previsões numéricas do INPE/CTPEC para Rio Branco (modelo ETA 20km). Na quarta (25), a previsão era de 8 mm de chuva para a sexta (27). Na quinta (26), a previsão caiu para menos de 2 mm. E na sexta (27) não existe qualquer previsão de chuva.

Dá para ver que a previsão climática em nosso país melhorou, mas ainda é extremamente 'imprevisível'.

É óbvio que informações precisas sobre o comportamento do clima, especialmente as chuvas, são importantes para a sociedade como um todo, pois quanto melhor a previsão climática, menores as possibilidades de desastres climáticos acontecerem sem aviso prévio. E maiores as chances da sociedade se preparar, se planejar para enfrentar caos climáticos que estão por vir.

O fato da previsão climática no Brasil ainda precisar ser aperfeiçoada decorre da falta de maiores investimentos em sistemas computacionais poderosos o suficientes para processar de forma rápida o volume de informações necessários para se fazer as previsões climáticas.

Felizmente as notícias nessa área são boas e no próximo ano a previsão climática vai ser bem melhor.

O INPE/CTPEC está adquirindo um novo supercomputador capaz de gerar previsões de tempo mais confiáveis, com mais dias de antecedência, e de melhor qualidade. Será possível prever eventos extremos com boa confiabilidade (chuvas intensas, granizo, geadas, nevoeiros, ventos fortes, ondas de calor).

O novo supercomputador, com velocidade de pico de 244 Teraflops por segundo (TFlops/s), fabricado pela empresa norte americana Cray Inc., ampliará em 50 vezes a capacidade de processamento do CPTEC, cuja atual infra-estrutura computacional está operando no limite de sua capacidade.
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quarta-feira, agosto 25, 2010

SECA EM RIO BRANCO EM 2010 JÁ É TÃO SEVERA QUANTO EM 2005

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano
[Atualizada às 16:50h]

Dados da estação meteorológica do INMET instalada em Rio Branco confirmam: neste ano de 2010, a estiagem na região de Rio Branco entre o início de janeiro e o dia 24 de agosto (terça-feira) é tão severa quanto a verificada em igual período no ano de 2005.


A chuva acumulada em 2010 equivale a 1010,7 mm, enquanto que para período similar em 2005 a chuva acumulada foi de 1066 mm (quadro acima).


Outro dado preocupante: os dias com chuvas em 2010 foram de apenas 83, contra 88 dias chuvosos em 2005 (gráfico ao lado).


É importante ressaltar que a estação meteorológica instalada em Rio Branco tem efetividade limitada às cercanias da cidade.


Chuva prevista para sexta


Dados do INPE/CTPEC preveem que existe possibilidade chuva (8 mm) na sexta-feira (27/08).


A boa notícia é que a chuva poderá acontecer também no sábado (28/08), segunda (30/08) e terça-feira (31/08).
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segunda-feira, agosto 23, 2010

MELHORA NA QUALIDADE DO AR

Se as condições climáticas não se alterarem, a poluição do ar diminuirá sensivelmente até o meio da semana

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Dados do INPE/CTPEC indicam que a qualidade do ar no Acre melhorou sensivelmente ao longo desta segunda-feira (23/08).


Nas figuras ao lado, que mostram a evolução da concentração de monóxido de carbono sobre o Acre entre a meia noite e as 18 horas desta segunda-feira (23/08), é possível observar que as massas de ar com altíssima concentração de monóxido de carbono, que já atingiam o centro do Estado, recuaram e no final da tarde se concentravam em uma pequena porção na região de fronteira com a Bolívia.


A melhora foi tão grande que neste começo de noite é possível observar a lua cheia.


Ceu de brigadeiro até o meio da semana

Se as previsões climáticas do INPE/CTPEC se confirmarem, os riobranquenses poderão, finalmente, ver o ceu azul e a luz do sol brilhar intensamente até a próxima quinta-feira. A razão é que até lá os ventos irão soprar na direção predominante sul, livrando o céu acreano da poluição que se instalou por aqui desde o início de agosto.


Isto irá acontecer porque o sul do Amazonas, excluíndo-se a região de Boca do Acre, é região livre de queimadas.
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domingo, agosto 22, 2010

NUVEM DE FULIGEM DERIVADA DE QUEIMADAS JÁ CHEGA A TARUACÁ E FEIJÓ

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acrenao

Dados do INPE/CTPEC mostram que desde ontem, por volta das 18 horas, uma grande massa de ar com alta concentração de material particulado (fuligem), decorrente das numerosas queimadas que estão acontecendo no Acre, sul do Amazonas, Rondônia e Bolívia, encobre boa parte da região leste do Acre, chegando até as cidades de Tarauacá e Feijó, no centro do Estado (figura ao lado).

A concentração de material particulado nessa massa de ar poluído é a mais alta na escala do INPE/CTPEC, 20 mg/m³.

A intensificação da poluição atmosférica no Estado nestes últimos dias parece estar mais relacionada com o aumento da quantidade de queimadas realizadas no Estado do que da 'importação' de fumaça de Estados e países vizinhos.
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PEC300: OS POLICIAIS FORAM ENGANADOS

Valterlucio Bessa Campelo
Editor do Blog 'Valterlucio Comenta'

Voces viram no Jornal Nacional e nos outros. A coisa é séria. De ontem pra hoje, a Câmara dos Deputados resolveu, obedecendo orientação do governo, dar um chega pra lá nos policiais e mandar pras calendas a votação da PEC 300, criando um clima de insatisfação perigoso para a segurança pública. O deputado acima foi relator da PEC 300.

Na verdade isto nunca, veja bem, nunca, esteve em cogitação. O que aconteceu foi que alguns deputados policiais militares, obviamente ligados à corporação, identificaram ai uma mina de votos em ano eleitoral. Fizeram reuniões, arranjaram aliados também interessados nos votos dos quartéis e danaram-se a realizar assembléias nos estados, manifestações etc. Os policiais se organizaram, o movimento pegou corpo e cresceu, mas do outro lado, o governo federal jamais cogitou arcar com o ônus financeiro correspondente. São bilhões de reais que o governo não dispõe. Nenhum governo.
A questão é simples. Não há grana. Mas não tiveram coragem de amarrar o guizo no pescoço do gato e foram empurrando com a barriga, até que agora a corda quebrou.

Não há grana para o piso nacional dos policiais, nem para os enfermeiros, nem para a criação de uma policia penal, assim como não há grana para uma infindável corrente de categorias que seria puxada por estes aumentos. Por que um policial teria 3.500 reais como piso enquanto um professor com nivel universitário e 30 anos de carreira não ganha 2.000 reais sequer? Sei. No acordo, os valores haviam sido retirados do texto por inconstitucionalidade, mas é certo que foram mantidos enquanto expectativa de vencimentos, portanto desencadeiariam uma progressão inadministrável de demandas em todos os setores.

Basta isto para demonstrar que esta é uma luta sem futuro. E os deputados sabiam disto quando insuflaram o movimento. Nenhum deles acreditou de fato que um soldado viesse a receber em inicio de carreira este valor, ou que um oficial recebesse inicialmente 7.000 reais. O que ocorreu foi puro oportunismo eleitoral. Agora, estamos prestes a ver uma reação sem precedentes.

O que acham que poderá acontecer se no Brasil inteiro, de forma organizada, os policiais resolverem cruzar os braços, ou fazer uma operação padrão, daquelas em que o sujeito está mas é como se não estivesse em serviço? Se com eles trabalhando e morrendo a cada dia estamos nas mãos da bandidagem imagine...

NOTA DO BLOG: Minha opinião a respeito desse movimento que estava requerendo vantagens salariais que não se sustentariam sob o ponto de vista jurídico e que sob o ponto de vista financeiro era completamente inviável para todos os Estados brasileiros foi publicada em março passado. Clique aqui para ler o artigo na íntegra.
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quarta-feira, agosto 18, 2010

VIAGEM PARA CRUZEIRO DO SUL

O blog vai ser atualizado de forma irregular pelos próximos dias. Estamos saindo hoje pela manhã para Cruzeiro do Sul. Vamos pela BR-364. Planejamos retornar na segunda, 23/08.
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terça-feira, agosto 17, 2010

DIREÇÃO DO VENTO LIVRARÁ RIO BRANCO DE GIGANTESCA NUVEM DE FULIGEM

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

A 'crise da fumaça' poderia ser pior.

Graças a direção do vento, que prevalecerá no sentido sudoeste nos próximos dois dias, Rio Branco se livrará se ser encoberta por uma gigantesca nuvem de material particulado (fuligem de queimadas) com cerca de 700 km de extensão que se formou sobre a Bolívia (ver figura ao lado).

A extremidade dessa nuvem de poluição é a responsável pela sensível piora na qualidade do ar na capital do Estado.

Ao meio dia de hoje (17/08), a massa de ar poluído tinha um tamanho estimado em mais de 100.000 km².
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segunda-feira, agosto 16, 2010

FUMAÇA DE QUEIMADAS JÁ AFETA A QUALIDADE DO AR EM TODO O ACRE

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

O excesso de monóxido de carbono (CO) lançado na atmosfera pelas queimadas verificadas nestas últimas semanas continua a comprometer a qualidade do ar respirado pelos acreanos.

Dados de hoje disponíveis na página do INPE/CTPEC (figura ao lado) mostram que a poluição atmosférica agora atinge todas as regiões do Estado. O nível de monóxido de carbono em todo o Acre variava, ao meio dia desta segunda-feira (16/08), entre 400-1250 ppb (valor corrigido). Nesse nível de poluição a qualidade do ar é classificada como MÁ, uma escala abaixo da pior classificação possível.

Este nível de poluição pode causar, entre outros efeitos, os seguintes problemas de saúde: tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta e em alguns casos falta de ar e respiração ofegante. Os efeitos são ainda mais graves à saúde de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas.

A poluição atmosférica por monóxido de carbono no Acre é mais grave no leste do Estado, que convive há mais de duas semanas com uma camada persistente de fumaça originária de queimadas realizadas na própria região, em Rondônia, sul do Amazonas e na Bolívia. A chegada de uma frente fria neste fim de semana piorou a situação, pois a massa de ar frio trouxe junto uma grande quantidade de fumaça.

Alta concentração de material particulado no ar

Se as queimadas no Acre e nas regiões adjacentes não diminuírem nos próximos dias, serão grandes as possibilidades da poluição atmosférica piorar ainda mais na capital acreana até a próxima quarta-feira.

A previsão climática do INPE/CTPEC indica que a estiagem deverá se estender até o próximo sábado e a umidade relativa do ar deverá continuar mais baixa que o normal até o meio da semana.

A imagem da localização das concentrações de fuligem derivada de queimadas na região (figura ao lado) mostra que os maiores focos de poluição (acima de 200 mg/m³) continuam localizados na Bolívia (Departamentos de Santa Cruz e Beni), cercanias de Boca do Acre e em Rondônia (Porto Velho e cercania). No Acre as regiões afetadas estão localizadas nas cercanias de Cruzeiro do Sul, Tarauacá-Feijó, Sena Madureira e ao longo da fronteira com a Bolívia.
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AÇAI, ALIMENTO DOS RICOS E PODEROSOS

Popularização da fruta em São Paulo, Rio e exterior fez preço disparar e reduziu consumo em sua terra natal. Para historiadora, há mudança profunda na identidade regional; a longo prazo, diz, valor do açaí será simbólico

Açaí conquista o mundo, mas se elitiza na Amazônia

João Carlos Magalhães
Folha de S. Paulo

A popularização do açaí no mundo está elitizando o consumo da fruta em sua terra natal, a Amazônia. Números divulgados recentemente mostram que, nos últimos 16 anos, ele se tornou um alimento caro -e isso pode indicar uma mudança profunda na identidade regional, diz uma estudiosa.

Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o litro do açaí no Pará, que custava R$ 1,50 em 1994, subiu 650%. Hoje, chega a custar mais de R$ 11.

Se tivesse aumentado no ritmo da inflação, estaria só em R$ 5,50. E o preço pesa, por dois motivos. Primeiro, porque o consumo é alto: tradicionalmente, o açaí era servido no café da manhã, almoço e jantar. Segundo, porque os que mais dependiam da fruta eram os mais pobres. No Pará, 1,2 milhão de pessoas ganha menos do que um salário mínimo (R$ 510).

Resultado: cada vez os paraenses comem menos açaí. Apesar de não existirem dados estatísticos, a tendência não deve arrefecer, afirma Roberto Sena, do Dieese.

"Podemos dizer com tranquilidade: o açaí não é mais o arroz com feijão do paraense", diz, lembrando que até o vermelho da bandeira do Pará é associado à fruta.

Sena atribui a explosão do preço ao aumento gigantesco da demanda, que ultrapassou em muito a capacidade de produção.

Antes uma fruta de consumo apenas local, há cerca de dez anos seu gosto invadiu as academias e praias de São Paulo e do Rio, o mercado dos EUA e a Europa.

"Supersaudável"

Levado pela fama de ter elementos antioxidantes e retardar o envelhecimento, ele foi adotado pela megacelebridade americana Oprah Winfrey, já eleita a "mulher mais influente do mundo".

Nos últimos dois anos, Winfrey "bombou" a "comida supersaudável", como o açaí foi apelidado por médicos dos EUA, em seu programa de TV e em seu site.

Na trajetória fora da Amazônia, ele virou suco industrializado, foi embalado em pílulas e, mais comum, servido doce em tigelas com frutas e granola - o que, para os paraenses acostumados a comê-lo grosso, com peixe ou charque, é uma piada.

A historiadora Leila Mourão vê na elitização e substituição do açaí um signo de um movimento histórico mais amplo: a integração da cultura amazônica com o resto do mundo, intensificada na ditadura militar (1964-85).

"Mas não se transforma o hábito por opção, e sim por necessidade econômica. Hoje, é elegante, civilizado comer arroz e macarrão. Se você olhar a propaganda dos supermercados, nos jornais, o que aparece? Pizzas, churrascos. Açaí não dá status."

Mourão, que fez seu doutorado em história social sobre a cultura da fruta, acredita que, no longo prazo, seu valor será apenas simbólico.

Em sua pesquisa, ela notou que, nos últimos dez anos, metade das bancas avulsas que vendiam a fruta em Belém sumiu.

"O consumo migrou para as grandes redes de supermercados. De certo modo, a comida foi desumanizada. É toda uma tradição que está se perdendo", afirma.

Fotos: Evandro Ferreira
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DOMINGO DE MUITA FUMAÇA SOBRE RIO BRANCO. ESTIAGEM DEVE CONTINUAR

A imagem do satélite disponível no site da Nasa (MODIS) não deixa dúvida: no domingo a fumaça sobre a capital acreana foi mais densa que nos outros dias.















Para esta semana o INPE/CTPEC prevê chuvas (pancadas, menos de 2 mm, se vierem a ocorrer) para a próxima sexta ou sábado (ver figura ao lado).

A umidade relativa do ar atingirá picos diários mínimos entre 20-30% até a quinta-feira. A partir desse dia a temperatura volta a se elevar.

A velocidade do vento cai sensivelmente a partir da terça.
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domingo, agosto 15, 2010

FUMAÇA PODERÁ FECHAR AEROPORTO EM PORTO VELHO

'Crise da fumaça' persistirá até o final da semana. Se as queimadas continuarem, as condições meterológicas favorecerão o fechamento do aeroporto

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

A densa camada de fumaça que tem encobrido a cidade de Porto Velho nestes últimos dias está causando problemas para a operação do aeroporto da cidade.


Segundo a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), já foi cancelado um vôo e registrado o atraso de outros cinco em razão das dificuldades de navegação aérea. Em entrevista a TV Rondônia, o responsável pelo setor de operações da Infraero, Francisco Mendes, afirmou que os vôos estão operando no aeroporto daquela cidade por instrumento.


E as perspectivas não são animadoras para os próximos dias. Desde ontem uma densa camada de fumaça muito concentrada (20 ug/m³, a mais alta segundo o critério do INPE/CTPEC) se estende por mais de 500 km no sentido SO-NE, e pelo menos 100 km de largura no sentido SE-NO, está estacionada sobre Porto Velho (figura acima).

Aeroporto poderá fechar até a próxima quarta


Na hipótese da manutenção ou aumento do ritmo de queimadas nas cercanias da capital rondoniense e considerando que haverá, a partir da segunda (16/08), uma sensível diminuição dos ventos sobre a região sul da Amazônia em razão do fim da frente fria (ver gráfico do INPE/CTPEC ao lado), são grandes as chances de fechamento do aeroporto de Porto Velho até a próxima quarta-feira.


A previsão do tempo para a capital rondoniense prevê a ocorrência de pancadas de chuvas apenas para a próxima sexta-feira (20/08), com picos mínimos diários de umidade de 20% até a quarta. Dessa forma, as condições para a ocorrência de queimadas acidentais ou propositais serão extremamente favoráveis.
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sábado, agosto 14, 2010

FUMAÇA, DIREÇÃO DO VENTO E FOCOS DE CALOR VISTOS POR SATÉLITE

A dinâmica da nossa atmosfera captada pelas lentes do satélite Aqua (Modis)

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Na quinta-feira (12/08) o vento soprava em direção à Bolívia e uma grande quantidade de fumaça se acumulou sobre os Departamentos de La Paz e Beni. Embora a maior parte dessa fumaça fosse derivada de focos de calor originados na Bolívia, parte da fumaça foi 'exportada' pelo Brasil, especialmente Rondônia.



















Na sexta-feira (13/08) a direção do vento mudou, conforme previu o INPE/CTPEC. O vento passou a soprar na direção noroeste e parte da fumaça de queimadas bolivianas começou a ser empurrada lentamente em direção ao Acre.
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sexta-feira, agosto 13, 2010

QUEIMADAS E ESTIAGEM DEVEM PERSISTIR EM RIO BRANCO E REGIÕES ADJACENTES

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Apesar do recente decreto de emergência ambiental no Acre, os dados do INPE/CTPEC de hoje, sexta-feira (13/08), mostram que o rítmo de queimadas em Rio Branco e regiões adjacentes não diminuiu de forma significativa.


As regiões com maior número de focos de calor estão localizadas na Bolívia, nas cercanias de Porto Velho-RO, em Rio Branco e municípios vizinhos, incluindo Boca do Acre-AM, na região de Tarauacá-Feijó e nas cercanias de Cruzeiro do Sul.


Para os moradores da capital do Acre, Rio Branco, a maior preocupação reside no substancial aumento do número de focos de calor detectados na Bolívia e no município de Porto Velho-RO.


Entre ontem e hoje, por exemplo, 2.854 focos de calor foram detectados no Departamento de Santa Cruz e 1.708 em Beni. No mesmo período do ano passado foram detectados apenas 624 e 193 focos de calor nestas localidades bolivianas. O incremento verificado neste ano é de mais de 450% e 900%, respectivamente. Em Porto Velho foram detectados entre ontem e hoje 173 focos de calor, em contraste com os 21 focos detectados no mesmo período do ano passado. O aumento foi de mais de 800%.


Em Rio Branco e municípios vizinhos (Bujari, Porto Acre, Senador Guiomard, Plácido de Castro, Acrelândia e Capixaba), foram detectados apenas 26 focos de calor entre ontem e hoje. No ano passado nenhum foco de calor havia sido detectado.


Fumaça deve persistir sobre a capital


A fumaça produzida pelo aumento das queimadas no Acre e regiões adjacentes está causando sérios problemas de saúde para a população da cidade de Rio Branco, que convive há mais de uma semana com uma densa camada de fumaça.


A chegada de uma frente fria vinda da Bolívia neste sábado poderá piorar ainda mais a situação, pois neste momento o índice de poluição atmosférica ao longo da região por onde a massa de ar frio irá passar é extremamente alta (figura ao lado).


Estiagem por mais uma semana


Além da fumaça, a população de Rio Branco tem convivido com uma estiagem severa nos últimos dois meses. Se não chover nas próximas semanas, a possibilidade do colapso do sistema de abastecimento de água da cidade é muito grande.


A previsão do INPE/CTPEC era de que havia 80% de probabilidade de ocorrer pancadas de chuva sobre a capital na tarde de sexta-feira. Entretanto, novas previsões do próprio INPE/CTPEC indicam que a probabilidade de chuva é agora bem remota, devendo a estiagem se estender pelo menos até a próxima quinta-feira (figura ao lado).


Esta situação favorece o a manutenção ou incremento do número de queimadas na região, sugerindo que a crise de poluição atmosférica que ocorre em Rio Branco deverá se agravar ainda mais.
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RODOVIA MANAUS-PORTO VELHO (BR319)

A rodovia Manaus-Porto Velho (BR-319), que corta o coração da Amazônia, está prestes a ser revitalizada. Para que sua recuperação não seja um desastre ambiental, é necessário que esferas governamentais adotem medidas que a tornem, de fato, uma rodovia para todos

Rodovia para todos?

Renato Crouzeilles, Priscilla de Paula Andrade Cobra e Luis Renato Bernardo [*]
Ciência Hoje

[A chuva chega na rodovia Manaus-Porto Velho, a BR-319, que está prestes a ser revitalizada. A reativação pode ameaçar a natureza no trecho que corta, no coração da Amazônia (foto: BBC World Service – CC BY-NC 2.0).]

Com seus mitos e lendas, a floresta amazônica continua a ser um mistério para muitos. O maior bioma brasileiro concentra cerca de 50% da biodiversidade conhecida hoje no planeta, mas estima-se que as espécies já registradas na região representem apenas 30% do número real.

O desmatamento é uma das principais ameaças a essa riqueza. Embora a devastação da floresta venha diminuindo desde 2004, estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que entre aquele ano e 2009 a Amazônia perdeu 92,2 mil km2, área pouco menor que a do estado de Santa Catarina.

[Mapa BR-319: As obras são previstas para a parte central da BR-319 (linha tracejada), hoje praticamente intransitável (fotos cedidas pelos autores).]

Além da derrubada das árvores, são ameaças constantes à floresta amazônica a exploração ilegal de madeira, as queimadas, a caça e a construção de rodovias. Esses fatores podem ter efeitos bastante variáveis e influenciam na perda da diversidade de fauna e flora porque afetam as interações ecológicas, os regimes de água e podem levar a alterações climáticas, contribuindo para o aquecimento global.

A BR-319 tem extensão de 880 km – 98% no estado do Amazonas – e atravessa a área central da Amazônia. A rodovia acompanha o curso do rio Madeira e foi planejada como alternativa à rota fluvial entre Manaus e Porto Velho (pelo próprio rio Madeira e pelo rio Amazonas), já que o trajeto de barco pode durar até quatro dias.

A estrada foi aberta na floresta entre 1972 e 1973, na ditadura militar, e chegou a ser asfaltada, mas não recebeu manutenção nos últimos 20 anos. Hoje, são transitáveis normalmente apenas os trechos iniciais, de Manaus (AM) a Careiro-Castanho (AM) e de Humaitá (AM) a Porto Velho (RO), repavimentados em 2001.

Agora, a recuperação da parte central, entre os quilômetros 250 e 655, está em processo de licenciamento ambiental pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT).

[Sagui-de-bigode capturado na Amazônia: Na pesquisa sobre a fauna de mamíferos da parte central da estrada, biólogos encontraram armadilhas como esta: captura acidental de um sagui-de-bigode (‘Saguinus labiattus’) em gaiola destinada a pequenos mamíferos terrestres.]

Fácil acesso à floresta

A reativação da rodovia tem gerado discussões e desentendimentos entre diferentes setores da sociedade, principalmente entre os ministérios dos Transportes e do Meio Ambiente.
Reabertura ligaria o arco do desmatamento em Rondônia à Amazônia Central

Ambientalistas e conservacionistas são contra sua reabertura, que ligaria o arco do desmatamento em Rondônia à Amazônia Central, região onde a floresta ainda é bem preservada e a presença humana é pequena.

O Ministério do Meio Ambiente fez uma série de exigências para a concessão de licença para a obra, algumas não integralmente cumpridas.

Já o Ministério dos Transportes e a maioria dos moradores de Manaus querem a recuperação da rodovia, que reduziria o custo do escoamento da produção industrial da cidade para São Paulo e outros mercados do sul do país, além de facilitar os deslocamentos da população da área.

[Pele de onça caçada: Pele de uma onça-parda ('Puma concolor') morta com um tiro: caça ainda é comum na região.]

Os poucos moradores instalados ao longo da rodovia também têm esperança de que, com o asfalto, venha o progresso, mas receiam perder as terras que ocupam.

O acesso difícil prejudicou a realização de estudos científicos na região, até hoje praticamente desconhecida. Apesar das dificuldades, a pesquisa aqui relatada buscou reunir dados sobre a fauna de mamíferos em diferentes trechos da BR-319 onde estão sendo avaliados seus possíveis impactos ambientais.

Você leu apenas o início do artigo publicado na CH 272. Clique AQUI para baixar a versão integral.

[*] Renato Crouzeilles & Priscilla de Paula Andrade Cobra (Programa de Pós-graduação em Ecologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro); Luis Renato Bernardo (Programa de Pós-graduação em Zoologia – Museu Nacional).
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quinta-feira, agosto 12, 2010

ESTIAGEM EM RIO BRANCO É TÃO SEVERA QUANTO EM 2005

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia - INMET confirmam que a estiagem em Rio Branco nos últimos 72 dias (desde o iníco de junho) é tão severa quanto a que foi verificada em período similar do ano de 2005.

Segundo os dados disponíveis, entre 1º de junho e 11 de agosto de 2005 a estação de coleta de dados meteorológicos do INMET localizada em Rio branco registrou 31,5 mm de precipitação. No mesmo período deste ano, a precipitação foi de 32,8 mm (ver tabela acima).

Em 2009 a precipitação no período citado acima foi de 100,7mm.

O site do INPE/CTPEC indica que podem ocorrer pancadas de chuva (menos de 1 mm) na sexta (13/08). Entretanto, com a chegada da frente fria, é possível que a região de Rio Branco continue a sofrer de estiagem por mais alguns dias, como geralmente acontece após as 'friagens'.

Os dados do INMET são coletados por uma estação meteorlógica automática instalada em Rio Branco.

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*Nos gráficos abaixo são apresentados os dados de precipitação para os meses de junho, julho e os primeiros 11 dias do mês de agosto dos anos de 2009, 2010 e 2005.























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PESQUISA DA USP SOBRE A PECUÁRIA EM XAPURI

“Há uma série de alternativas, mas a criação de gado acaba se impondo. Um dos aspectos apurados pela pesquisa é a facilidade encontrada pelo pequeno produtor para escoar a produção de carne. Os frigoríficos buscam a mercadoria quando eles querem vender. No caso da castanha, da madeira e da borracha, ao contrário, é preciso se deslocar até a cidade para vender os produtos”

Pesquisa analisa pecuária na Amazônia

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O incessante aumento do consumo de carne bovina no mundo contribuiu para que a pecuária assumisse um papel central na economia da Amazônia, com impactos ambientais negativos. Em determinadas regiões, a exploração de produtos alternativos poderia atrair os produtores para outras atividades, limitando a criação de gado e reduzindo a pressão sobre a floresta. Mas as políticas públicas de valorização dos produtos amazônicos têm sido insuficientes e as pastagens seguem ganhando terreno.

Essas são algumas das conclusões de um estudo de caso realizado na região de Xapuri, no Acre, por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP). Relacionando dados sobre desnutrição, consumo de carne bovina e desmatamento para criação de pastagens, o trabalho teve o objetivo de avaliar as motivações da crescente pecuarização em território acriano.

A pesquisa, que teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, foi coordenada pela professora Helena Ribeiro, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP-USP. O estudo também correspondeu à dissertação de mestrado de Gabriela Bordini Prado, sob orientação de Helena.

A literatura científica mostra que vastas áreas da Amazônia foram ocupadas por pastagens nas últimas décadas. Atualmente, segundo Helena, cerca de 40% do abate bovino no Brasil – maior exportador mundial de carne – é proveniente da região amazônica.

“Nosso objetivo foi compreender a dinâmica da produção de gado na região. O consumo de carne vem crescendo aceleradamente no Brasil e no mundo e está associado ao aumento de doenças como a obesidade e o câncer colorretal. Por outro lado, é apontado também como um importante fator de desmatamento na Amazônia”, disse à Agência FAPESP.

Além de dados da literatura internacional sobre o desmatamento na Amazônia, o estudo utilizou como base informações sobre desnutrição, consumo de carne e produção de alimentos no mundo do Escritório Regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

“Em paralelo à pesquisa sobre dados indiretos, fizemos um amplo trabalho de campo na reserva extrativista Chico Mendes, na região de Xapuri. Um dos dados que verificamos é que nas próprias reservas extrativistas, originalmente criadas para a exploração de recursos naturais das florestas, o avanço da criação de gado é visível. O trabalho de campo permitiu compreender essa dinâmica”, disse.

Segundo a professora da FSP-USP, o consumo de carne, em ascensão, gera um mercado cada vez mais robusto e impulsiona o valor da mercadoria. No entanto, como alternativa alimentar, o consumo de carne é altamente ineficiente, aponta.

“Um hectare de terra utilizada para a pecuária produz 34 quilos de carne. Na mesma área é possível produzir 6.500 quilos de milho, ou 3.800 quilos de feijão. Assim, uma região de pastagens poderia alimentar uma parcela maior da população, sem necessidade de desmatamento e ocupação de novas terras. Além disso, a dieta baseada em cereais diminuiria os impactos na saúde”, afirmou.

Já na década de 1970 grupos ambientalistas argumentavam que era preciso favorecer alternativas ao consumo de carne. Grande parte da literatura científica sobre o tema foi produzida naquela época, nos Estados Unidos. “Retomamos essa reflexão. Hoje, sabemos que quando se fala em coibir o desmatamento da Amazônia é preciso criar alternativas econômicas à pecuária”, afirmou.

Nas entrevistas realizadas no Acre, no entanto, verificou-se que a ocupação do território pela pecuária, tanto por grandes como pequenos produtores, é uma forma de acomodação de capital e reserva monetária.

“Muitos dos entrevistados trabalhavam originalmente com atividades extrativistas. Mas a queda no preço de produtos como a borracha, por exemplo, levou essas pessoas a optar pela criação de cabeças de gado”, disse Helena.

O governo criou, em Xapuri, uma fábrica de preservativos com o objetivo de absorver a produção dos seringais locais. No entanto, a medida não foi suficiente para incentivar a atividade, já que o preço da carne era mais atraente.

“A região também produz castanha-do-brasil. Inicialmente, a atividade atraiu muita gente, mas não foram estabelecidas políticas públicas para criar um mercado. Assim, o aumento da oferta derrubou o preço da castanha e a cooperativa que existia na região acabou fechando. Os produtores também foram atraídos pela atividade pecuária”, explicou.

Reserva de valor

A tradição pecuarista na região teve início na década de 1970, durante a ditadura militar, que incentivou a atividade como forma de ocupação das fronteiras. Essa política atraiu para a região muitos paulistas e paranaenses que se dedicaram à atividade pecuária.

“Usada como forma de ocupação geopolítica, a pecuária se tornou uma tradição. O governo criou fundos de investimentos que incentivavam essa atividade, atraindo frigoríficos do Sudeste. O processo de pecuarização continuou nas décadas seguintes. Entre 1998 e 2004, no Acre, o rebanho bovino passou de 900 mil cabeças para 2,5 milhões de cabeças”, disse.

Para os pequenos produtores, a criação de gado representa uma reserva de valor. “Cada vez que juntam um pouco de dinheiro, eles compram uma cabeça de gado. Quando há necessidade, eles vendem essa reserva. O plano da reserva extrativista permite que se tenha até 30 cabeças de gado por colocação. Mas vimos colocações com até 600 cabeças. Aos poucos, essa atividade vai avançando sobre a floresta”, disse Helena.

As políticas públicas para valorização dos produtos amazônicos, que poderiam reverter esse quadro, são incipientes, afirma. “Há uma série de alternativas, mas a criação de gado acaba se impondo. Um dos aspectos apurados pela pesquisa é a facilidade encontrada pelo pequeno produtor para escoar a produção de carne. Os frigoríficos buscam a mercadoria quando eles querem vender. No caso da castanha, da madeira e da borracha, ao contrário, é preciso se deslocar até a cidade para vender os produtos”, afirmou.

Helena explica que, de acordo com a FAO, o mundo produz mais calorias que o necessário para alimentar todos os habitantes do planeta. Ainda assim, pelo menos 850 milhões de pessoas sofrem com a fome. “Mesmo na Amazônia, a maior parte da carne produzida não é utilizada para alimentar a população local, mas enviada ao Sudeste ou exportada”, disse.

Os dados da FAO mostram, segundo ela, que o planeta produz, em grãos, cerca de 7 quadrilhões de calorias, o que excede em 1,5 quadrilhão a quantidade total de calorias necessária para alimentar todos os habitantes da Terra.

Esse excedente de grãos é utilizado para alimentar o gado, incentivando a produção de carne. “O problema é que a perda da substituição de grãos pela carne é muito grande: para produzir uma quilocaloria de carne é preciso alimentar o gado com 17 quilocalorias de grãos”, disse.
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quarta-feira, agosto 11, 2010

FOCOS DE CALOR E FUMAÇA AVANÇAM SOBRE TODO O ACRE

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Imagens e gráficos disponibilizados pelo site do INPE/CTPEC mostram que focos de calor agora são detectados em quase todas as regiões do Acre.


Entre ontem (10/08) e hoje (11/08), a maioria dos focos detectados no Estado concentram-se em três regiões: vale do rio Juruá, região compreendida pelas calhas dos rios Tarauacá/Muru e Envira, e o leste do Acre, especialmente em Sena Madureira, Bijari, Porto Acre. Rio Branco e Acrelândia (parte superior da figura ao lado).


Estes focos contribuiram para um aumento significativo da poluição atmosférica nestas regiões, conforme se pode ver na porção inferior da figura ao lado (manchas que variam de amarelo a vermelho escuro indicam poluição).



Um mapa apliado da concentração de fumaça no Acre e regiões adjacentes mostra que a concentração maior de poluição ocorre na Bolívia (Departamentos de Beni e La Paz), Rondônia (Porto Velho e adjacências) e sul do Amazonas (Boca do Acre) (figura abaixo).



Apesar das queimadas verificadas em Rio Branco e adjacência contribuirem para o atual nível de poluição atomosférica que sufoca a nossa capital, só o controle das queimadas localmente não resolverá o problema.


A imagem mostra que a região leste do Acre está, literalmente, sitiada por fumaça derivada de queimadas. Dependendo da direção e velocidade das correntes de vento, parte dela certamente chegará em nossa cidade.


Se o rítmo de ocorrência de queimadas no Acre e regiões vizinhas continuar ou aumentar, parte da fumaça produzida por estas queimadas poderá causar sérios problemas para os moradores da capital do Estado.

Fonte dos mapas e gráficos: INPE/CTPEC, editados por E. Ferreira.
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SERÁ QUE A DILMA VAI GANHAR NO PRIMEIRO TURNO?

"Quando, a partir da semana que vem, a propaganda eleitoral começar e Lula passar a aparecer diariamente no programa e nos comerciais na TV e no rádio, Dilma deverá entrar em uma nova etapa de crescimento. Até onde irá, é difícil dizer."

Primeiro Turno?

Marcos Coimbra*
Do Correio Braziliense

A cada momento, as eleições suscitam perguntas diferentes. Já foram várias: Dilma decolará? Serra será candidato? Marina vai empolgar? Quanto de sua popularidade Lula conseguirá transferir?

A mais nova e interessante diz respeito a um cenário que muitos consideravam impensável há pouco tempo: será que Dilma vai ganhar no primeiro turno?

Algumas pessoas acham que apenas formular essa pergunta é tomar partido de Dilma, querer que ela vença ou torcer por ela. São os que supõem que a hipótese é tão absurda que só faria sentido na cabeça de um “dilmista”.

Na verdade, não. São cada vez mais numerosos os analistas que trabalham com essa possibilidade. Até quem sempre raciocinou unicamente com a situação inversa, de Serra vencer no primeiro turno, hoje admite que ela exista e que está se tornando a cada dia mais provável.

Já faz tempo, no entanto, que as pesquisas permitiam antevê-la. A rigor, desde o final do ano passado, quando Serra ainda estava com folgada dianteira. Bastava levar em conta o que diziam as pessoas que conseguiam estabelecer a ligação entre Dilma e Lula.

Entre os que sabiam que ela era a candidata do presidente, a liderança do ex-governador desaparecia e os dois ficavam com a mesma intenção de voto. Mas, ao considerar o perfil socioeconômico dos que não sabiam, via-se que ela tinha grande potencial de crescimento, bastando, para isso, que a informação aumentasse e alcançasse os segmentos mais propensos a votar em seu nome.

De dezembro em diante, as pesquisas foram mostrando que, a cada ponto que subia o conhecimento de que ela era a candidata de Lula, aumentavam suas intenções de voto. Ou seja, embora Serra continuasse liderando, sua vantagem era frágil, pois se sustentava em algo que a campanha eleitoral se encarregaria de alterar. Era a desinformação que lhe dava vantagem, e essa tenderia a desaparecer à medida que a eleição se avizinhasse.

Lula fez o que estava ao seu alcance para que cada vez mais pessoas identificassem Dilma como sua candidata. Levou-a a todos os palanques, convidou-a para inaugurações e solenidades, viajou com ela Brasil afora. Mas foi a imprensa quem mais contribuiu para que seu objetivo - universalizar a informação de que ele a apoiava - fosse sendo progressivamente atingido.

Em 2010, fora seus discursos para as platéias reunidas nesses eventos, Lula só se dirigiu diretamente ao conjunto dos eleitores para falar em Dilma uma vez: quando estrelou os comerciais e o programa partidário do PT em maio. Apenas nessa oportunidade usou uma mídia de massa para falar olhando nos olhos do eleitor e pedir seu voto.

Hoje, cerca de 80% dos eleitores são capazes de associar Dilma a Lula, mas menos de 25% dizem conhecê-la bem. Faltam 20% que sequer a conhecem e há uma larga fatia que somente sabe seu nome.

Engana-se quem olha seus atuais 40% de intenções de voto como teto. Ela chegou a esse patamar através de um processo de difusão da informação que alcançou o eleitor popular fundamentalmente através do chamado “boca a boca”. Nele, a bem dizer, a televisão foi apenas coadjuvante.

Quando, a partir da semana que vem, a propaganda eleitoral começar e Lula passar a aparecer diariamente no programa e nos comerciais na TV e no rádio, Dilma deverá entrar em uma nova etapa de crescimento. Até onde irá, é difícil dizer.

Como as perspectivas de crescimento de Serra são reduzidas, a esperança de quem quer dois turnos se deslocou para Marina e os pequenos candidatos. Mas a mídia que terão é tão exígua (Marina, por exemplo, disporá de um único comercial em horário nobre por semana) que é pouco provável que sejam sequer percebidos pela maioria do eleitorado.

É por essas (e outras) que quem entende de eleição cada vez mais considera possível a vitória, em primeiro turno, da candidata de Lula.

*Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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terça-feira, agosto 10, 2010

ESTIAGEM, FRENTE FRIA E FUMAÇA PREVISTOS PARA O FINAL DE SEMANA EM RIO BRANCO

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Dados do INPE/CPTEC (diagramas abaixo) indicam que a região de Rio Branco e adjacência continuará sem chuvas até o próximo domingo.


No sábado está prevista a chegada de uma frente fria que deverá durar até a segunda. Nesse intervalo, a temperatura irá variar entre 24ºC e 12ºC (segunda-feira).


A frente fria causará uma diminuição da umidade relativa do ar, que poderá atingir picos mínimos de 30% entre domingo e segunda.


A frente fria também trará consigo um aumento na velocidade do vento, que soprará na direção noroeste com rajadas que poderão atingir até 10 m/s (entre sábado e domingo).


O avanço da frente fria vinda da Bolívia sugere que o próximo final de semana será crítico em termos de poluição com fumaça em Rio Branco.


A razão é que os dados do INPE/CTPEC (gráfico colorido acima) mostram que hoje (10/08) existe uma densa e gigantesca concentração de fumaça derivada de queimadas sobre os Departamentos bolivianos de Beni e La Paz (mancha vermelho escuro). Se essa fumaça não se dissipar até a chegada da frente fria, esta irá carrear a nuvem densamente particulada (20 ug/m³) até o leste do Acre.

A combinação da fumaça que poderá ser trazida pela frente fria com a que tem sido produzida diariamente por queimadas em Rio Branco e adjacência sugere que o nível de poluição em nossa cidade poderá aumentar ainda mais neste final de semana.
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segunda-feira, agosto 09, 2010

OS BONNER BEM QUE TENTARAM, MAS A DILMA TIROU DE LETRA A ARMADILHA PREPARADA PELA GLOBO

"Enquanto os telespectadores esperavam questionamentos relativos a assuntos de interesse nacional, os inquisidores da Globo resolveram priorizar questões relativas ao fato dela ter sido indicada pelo presidente Lula, por sua personalidade forte, etc. Tudo não passou de uma farsa deprimente"

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Na noite de segunda (09/08), quem se postou em frente à TV esperando uma entrevista esclarecedora da candidata do PT, Dilma Roussef, ao casal Bonner durante o Jornal Nacional da Globo seguramente ficou assustado com o nível de agressividade e tom negativo das 'perguntas' que os donos do JN sapecaram na predileta do presidente Lula.

Desde o início eles tentaram, de todas as formas, tirar a candidata do sério, provocando-a como que esperando uma explosão da mesma em frente às câmaras.

Enquanto os telespectadores esperavam questionamentos relativos a assuntos de interesse nacional, os 'inquisidores' da Globo resolveram priorizar questões relativas ao fato dela ter sido indicada pelo presidente Lula, por sua personalidade forte, etc.

Logo ficou claro que eles, os apresentadores do JN, perderam a chance de mostrar aos telespectadores as idéias que ela tem para governar o país, caso venha ser eleita. A partir dai ficou claro que a tal entrevista era, na verdade, uma armadilha.

O roteiro da farsa impunha que a entrevistada fosse interrompida de forma recorrente após qualquer pergunta, com contra-alegações de qualquer tipo, de modo que a resposta que ela estivesse articulando à pergunta recem feita terminasse ficando incompleta e confusa.

Não se enganem, isso é feito para dar a impressão aos telespectadores de que Dilma não tem muita capacidade para administrar o país.

Em mais da metade do tempo da entrevistas, os Bonner tentaram passar a impressão a quem assistiu ao triste espetáculo de que as coisas vão muito mal no nosso país.

Será que os apresentadores da Globo vivem em outro país que não o Brasil, onde a economia vai bem, os avanços sociais e melhoria de renda e empregos são inegáveis?

Disseram até que a Rússia está melhor que o Brasil sob o ponto de vista econômico. Todo mundo sabe que no ano passado aquele país quase foi a bancarrota...e o casal Global foi o responsável em dar tais manchetes no mesmo JN...

Tenho a nítida impressão de que a estratégia dos Bonner não deu muito certo. Tanto que a candidata encerrou a entrevista mostrando todos os dentes, com um largo sorriso.

Ela está aprendendo rápido a engolir cobras e lagartos.

Não tenho muita simpatia pela Dilma, mas a farsa global foi tão escandalosa que achei que ela foi heróica em alguns momentos.
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RISCO DE FOGO NO LESTE DO ACRE É CRÍTICO

Focos de calor estão sendo detectados por todo o Estado. Falta de chuvas e baixa umidade continuam a favorecer a ocorrência de queimadas.

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

Dados do INPE/CTPEC indicam que o risco de fogo no Acre aumentou e agora é crítico em praticamente todo o território do Estado (imagem ao lado, áreas em vermelho escuro).

Entre ontem e hoje pela manhã, focos de calor passaram a ser detectados em praticamente todas as regiões do Acre. Na semana passada, os focos se concentravam apenas na região leste.

Uma avaliação da previsão climática dos próximos dias publicada pelo Dr. Foster Bronw, do WHRC e PZ/UFAC na página do GTP-Queimadas do Forum MAP, indica que as condições para a ocorrência de incêndios florestais no Acre são extremamente favoráveis. Precipitações na região leste do Acre só estão previstas para acontecer entre 13 e 14 de agosto, e mesmo assim em quantidades muito baixas. A umidade relativa do ar deverá estar um pouco mais elevada porém picos de 20-30% acontecerão diariamente nos próximos 3 dias. Um fator que poderá minorar a ocorrência de queimadas sem controle na região será a quase ausência de ventos fortes pelos próximos 3 dias.
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FLORESTAS NATIVAS EM CHAMAS NO PROJETO DE ASSENTAMENTO BONAL

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano

O Dr. Foster Brown, do WHRC e do SETEM/PZ-UFAC publicou na página da grupo GTP-Queimadas do Forum MAP um relato e avaliação do incêndio que já afetou entre 500 e 1000 hectares de florestas nativas na área do Projeto de Assentamento Sustentável Bonal (imagem ao lado), administrado pelo INCRA, e localizado a cerca de 80 km de Rio Branco.








Segundo o Dr. Brown,a floresta afetada pelo fogo - que ainda pode ressurgir em razão das condições climáticas favoráveis - havia sido previamente afetada por atividade madeireira e pelos incêndios florestais de 2005.












Relatos de moradores do local sugerem que o incêndio inciou-se entre 3 e 5 semanas atrás, possivelmente por um caçador.













A linha de fogo que avançava sobre a floresta tinha cerca de 7 km no dia 06 de agosto. Nesse mesmo dia uma equipe de bombeiros foi enviada ao local para combater as chamas. Esta foi a terceira visita dos bombeiros na área.












Em 2005, ano em que a Amazônia foi afetada por uma seca severa, mais de 200 mil hectares de florestas nativas na região leste do Acre foram destruídas por incêndios florestais. Muitos desses incêndios só foram extinguidos com as primeiras chuvas do 'inverno amazônico', que se iniciou em meados de outubro daquele ano.













Estas 200 mil hectares de florestas afetadas pelo fogo em 2005 são hoje as mais suscetíveis a queimar novamente porque o subosque das mesmas foi praticamente destruído e numerosas árvores de grande porte morreram, ou iniciaram um processo de morte lenta, adicionando grande volume de material vegetal para a serrapilheiras do solo.




O fogo de 2005 tornou as florestas afetadas mais abertas, favorecendo o carreamento da umidade do seu interior mais facilmente. Isso significa que elas tendem a ficar mais secas antes do ápice do período seco na região.

Fotos e imagens de satélites (editadas): Dr. Foster Brown
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