AMBIENTE ACREANO: Novembro 2007
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quinta-feira, novembro 29, 2007

CARVÃO ILEGAL NO PANTANAL

Carvão ilegal está sendo comercializado para a MMX Metálicos Corumbá Ltda., um complexo siderúrgico de grande porte recentemente instalado no principal município pantaneiro. A MMX, expulsa da Bolívia por Evo Morales, havia assinado um Termo de Compromisso de Conduta - TCC em que se comprometia a não consumir carvão obtido através de novos desmatamentos em Corumbá e outros municípios do Pantanal e Serra da Bodoquena a partir de agosto de 2006.

A Superintendência do IBAMA do Mato Grosso do Sul concluiu com sucesso a série das Operações "Ouro Negro", em ação combinada com a Polícia Federal - PF, Ministério Público do Trabalho - MPT e Ministério do Trabalho e Emprego - MTE. A operação "Ouro Negro", iniciada em 2006, focou o mercado Carvoeiro-Siderúrgico daquele Estado.

A última operação, executada em novembro em duas etapas, foi realizada na Terra Indígena Kadweu, em área do Bioma Pantanal pertencente ao município de Corumbá. Interrompeu-se definitivamente o desmatamento de um extenso fragmento florestal de importância ambiental ímpar, visto que contempla espécies da flora da Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal.

O material lenhoso obtido era convertido em carvão por uma empresa de carvoejamento da região e parte da produção era comercializada para a MMX Metálicos Corumbá Ltda., um complexo siderúrgico de grande porte recentemente instalado no principal município pantaneiro. Ressalta-se que a MMX assinou um Termo de Compromisso de Conduta - TCC em que se compromete a não consumir carvão obtido através de novos desmatamentos em Corumbá e outros municípios do Pantanal e Serra da Bodoquena a partir de agosto de 2006.

A empresa de carvoejamento desrespeitou embargos lavrados na primeira etapa da operação e deu continuidade aos ilícitos. Com apoio do Sistema DOF foi possível detectar que cargas de carvão apreendidas e depositadas na área foram retiradas e recebidas pela MMX e tal fato motivou a organização de uma Força Tarefa composta por quatro instituições federais.

O conjunto das multas aplicadas na última operação já supera R$ 1.000.000,00 e aguarda-se a conclusão de análises ambientais para aplicação de outras sanções administrativas ambientais, pois foi detectado que parte do material lenhoso convertido em carvão era composto das essências florestais aroeira e quebracho, espécies protegidas por lei, e que ocorreu um incêndio florestal provocado pelo empreendedor.

Fonte: Equipe Operação Ouro Negro VI, IBAMA/MS
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segunda-feira, novembro 26, 2007

MAIS UMA AUSËNCIA

Estamos em Marília, interior de SP. Voltamos em breve.
Evandro
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PESQUISADOR NA AMAZÖNIA, UMA ESPÉCIE RARA

Rara e ameaçada de extinção: há apenas 1.500 doutores em atividade, metade deles perto da aposentadoria

Herton Escobar, “O Estado de SP”

Não faltam apenas soldados do Exército e fiscais do Ibama para proteger a Amazônia. Do ponto de vista científico, a floresta é também um tesouro biológico quase totalmente desguarnecido.Há mais doutores na Universidade de São Paulo (USP) que na Amazônia Legal inteira – com seus nove Estados, 23,5 milhões de habitantes, dez universidades federais, cinco estaduais, três institutos federais de pesquisa e 4,2 milhões de quilômetros quadrados de floresta recheados com a maior biodiversidade da Terra.

Enquanto a USP tem 5.028 doutores, a Amazônia inteira tem apenas 3.435 – uma diferença de 32%.“A soberania da Amazônia não é uma questão bélica, é uma questão de conhecimento”, resume o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Adalberto Luís Val. “O primeiro passo para proteger é conhecer.”Além de o número de doutores ser pequeno, metade deles está envolvida em atividades administrativas e não pesquisa em tempo integral. “Na bancada mesmo, devemos ter uns 1.500 doutores, na melhor das hipóteses”, estima Val.

Desse contingente, metade tem mais de 50 anos. Muitos estão perto de se aposentar e um bom número está defasado em relação às tecnologias mais modernas de pesquisa, como a biologia molecular.“Estamos chegando muito perto de uma situação dramática. Precisamos repor esse pessoal urgentemente, ou a capacidade da região de produzir informações sobre ela mesma será drasticamente reduzida”, afirma Val. O seu instituto, o Inpa, já perdeu cerca de 500 funcionários nos últimos 20 anos. O último concurso foi em 2002.

“Pesquisador é a espécie mais rara da Amazônia”, ironiza a ecóloga Albertina Lima, especialista em anfíbios e funcionária do Inpa há 27 anos. “E ameaçada também. Temos data marcada para desaparecer.”O resultado aparece claramente nas estatísticas de produção científica: 70% dos trabalhos publicados sobre a Amazônia no mundo não têm um único autor com endereço brasileiro.Apesar de o Brasil ser dono de mais de 60% da Amazônia, quem produz a maior parte do conhecimento sobre ela são os estrangeiros. Só 30% dos trabalhos trazem o nome de alguma instituição nacional, e apenas 9% são assinados por algum pesquisador – brasileiro ou estrangeiro – que vive de fato na Amazônia. O restante é de pesquisadores de outros Estados que têm projetos na região, mas que não possuem vínculo direto com a Amazônia.

Isso ajuda, mas não resolve. “Estudar a Amazônia de dentro da Amazônia é uma coisa; estudá-la de fora é outra, bem diferente”, diz a pesquisadora Ima Vieira, diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.É fundamental, dizem lideranças científicas e acadêmicas, que a região tenha seu próprio quadro de pesquisadores, formados e empregados dentro da Amazônia. Não só para estudar os bichos e as plantas da floresta, mas para entender o clima, planejar cidades, cuidar da saúde pública, modernizar a indústria, abrir negócios, tornar a agropecuária sustentável, ter idéias e criar oportunidades.“A Amazônia precisa de cérebros”, diz o professor Roberto Dall’Agnol, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA). “Uma população que não é capaz de gerar conhecimento nunca vai ser independente, vai ser sempre uma colônia, de uma maneira ou de outra.”

“Importar conhecimento nunca é satisfatório”, reforça o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o matemático Jacob Palis. Se fosse, dizem os cientistas, não precisaria existir pesquisa científica e tecnológica no Brasil – bastaria trazer tudo pronto de fora. O mesmo vale para a Amazônia: a região precisa de competência própria para se desenvolver de maneira ambiental e economicamente sustentável.Mas o caminho é longo. A Região Norte tem o menor número de programas de mestrado e doutorado do País (93), e nenhum deles com nota máxima de qualidade (7), segundo a última avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O de melhor colocação é o de Geologia e Geoquímica da UFPA, com nota 6. A nota média da região é 3,34, a mais baixa do País.Parte do problema é a inexperiência: a pós-graduação na Amazônia é ainda muito recente. Outra é a falta de recursos.

A Amazônia abriga 12% da população e contribui com 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, mas recebe apenas de 2% a 3% dos investimentos federais em ciência e tecnologia. Atrair bons professores e pesquisadores do Sul e Sudeste é difícil: a infra-estrutura é precária, há poucas vagas e os salários não são competitivos.A maior região territorial do País é a menor em quase todos os índices do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Capes, incluindo distribuição de bolsas, cursos de pós-graduação, número de professores qualificados e participação em editais de pesquisa.

A situação só começou a melhorar nos últimos anos, em grande parte com a criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), versão local da poderosa Fapesp paulista, que deu maior competitividade ao Estado na disputa por recursos federais, além de canalizar parte da carga tributária local para investimentos em ciência e tecnologia.Na virada de 2005 para 2006, houve uma surpresa: a Região Norte foi a única que cresceu em investimentos de fomento à pesquisa do CNPq – passou de R$ 11,6 milhões para R$ 22 milhões, um aumento proporcional de 5% para 10% do total nacional. Todas as outras perderam recursos, inclusive o Sudeste. O valor total das bolsas destinadas à região também aumentou de R$ 15 milhões para R$ 21 milhões. No total de investimentos, porém, a Amazônia ainda ocupa a última colocação.

Os recursos extras são bem-vindos, mas só resolvem o problema se houver gente capacitada para gastá-los. Mais uma vez, a formação e a qualificação dos pesquisadores é essencial.“Temos de formar gente na Amazônia, essa é a prioridade número 1”, diz o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antonio Raupp. “O instrumento básico da ciência é a cabeça. Você pode ter um laboratório sem equipamento nenhum, mas, se tiver boas cabeças trabalhando nele, alguma coisa sempre acontece. Se tiver infra-estrutura, mas sem cabeças, não acontece nada.”Enquanto a região não consegue formar seus próprios especialistas em quantidade (e qualidade) suficiente, a solução tem sido o intercâmbio de professores e alunos com instituições do Sul e Sudeste, promovido pelo programa Acelera Amazônia, da Capes.

A abertura de vagas também é essencial. A Academia Brasileira de Ciências apresentou recentemente uma proposta ao governo federal para a contratação de 2 mil a 3 mil doutores na região amazônica até 2010, com uma combinação de recursos federais e estaduais. Só a concessão de bolsas não basta, dizem os especialistas, pois não há garantia de emprego para o pesquisador. “Bolsa é uma ferramenta de formação, não de fixação”, alerta Adalberto Val. “É um paliativo.”“O que nós queremos é uma USP na Amazônia. Será que é pedir demais?”, cobra Val, que há anos batalha pela valorização da pesquisa na região. “Se São Paulo consegue ter três instituições de grande porte (USP, Unicamp e Unesp, as três universidades estaduais), por que é que não conseguimos ter uma na Amazônia inteira? Estamos falando de metade do território brasileiro! É um desequilíbrio brutal.”
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sexta-feira, novembro 23, 2007

PAC CIÊNCIA

Com o Programa, as bolsas da Capes e do CNPq serão reajustadas em 20% a partir do dia 1º de março de 2008. A de mestrado passará de R$ 940 para R$ 1.200 e a de doutorado, de R$ 1.340 para R$ 1.800. O número de bolsas sobe de 95 mil para 155 mil em 2010. Importação de insumos para pesquisa vai ser facilitada.

"PAC da Ciência" aumenta bolsas e facilita importação

Angela Pinho - da Sucursal da Folha de São Paulo em Brasília

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, assinou ontem um decreto para "simplificar" o processo de importação de insumos para pesquisa. Ele também anunciou um aumento do número e no valor das bolsas de mestrado e doutorado concedidas pelos órgãos de fomento do governo.

As medidas fazem parte do "PAC da Ciência", anunciado ontem no Palácio do Planalto para autoridades e membros da comunidade científica.
As bolsas da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e do CNPq serão reajustadas em 20% a partir do dia 1º de março de 2008. A de mestrado passará de R$ 940 para R$ 1.200 e a de doutorado, de R$ 1.340 para R$ 1.800. O número de bolsas sobe de 95 mil para 155 mil em 2010.

A simplificação do processo de importação de insumos para pesquisa -anúncio mais aplaudido pela platéia- significará, de acordo com o ministro, que a Receita terá uma "linha verde" para esse tipo de produto, reduzindo a demora em trazê-los.
"Os fiscais da alfândega vão dar um tratamento diferenciado para produtos para pesquisa", disse Rezende. Será criada ainda uma guia de importação diferenciada para os insumos e equipamentos científicos.

Entre as medidas previstas no plano estão também a concessão de uma bolsa, paga pelo CNPq, para que pesquisadores trabalhem em projetos apresentados por empresas.
Outra medida para tentar estimular a inovação será a criação de fundos de capital de risco com participação do BNDES e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), que comprarão participações acionárias em empresas com base tecnológica. De acordo com o ministro, a Finep colocará, neste ano, R$ 80 milhões nesses fundos.

Embora tenha dito à Folha no mês passado que o BNDES investiria R$ 2,7 bilhões, ontem ele afirmou que, naquele momento, não se lembrava qual seria a cifra do banco.

Áreas estratégicas
O "PAC da Ciência" prevê um investimento de R$ 41 bilhões até 2010 em formação de pesquisadores, inovação tecnológica na iniciativa privada e desenvolvimento de "áreas estratégicas" -são 13, abrangendo desde energia nuclear até preservação do ambiente.
A maior parte dos recursos virá do FNDCT, fundo que tem hoje cerca de R$ 5 bilhões contingenciados para engordar o superávit primário. O ministro promete que o contingenciamento vai chegar a zero em 2010, último ano de Lula.

A partir daí, quando outro governo assume, Rezende diz apostar no aumento dos recursos do fundo com o incremento das receitas do petróleo, que compõem um dos fundos setoriais que financiam o FNDCT.

No discurso de lançamento do programa, Lula disse que o governo está fazendo uma "reparação" pelo que não foi feito nos últimos anos. Pediu "vigilância" da área científica para cobrar do governo que as metas sejam cumpridas.
Lula disse que aprendeu na prática as dificuldades entre anunciar e aplicar um programa. "Na teoria, durante a campanha, tudo é fácil. Mas quando você senta na cadeira e você determina, dá a ordem e seis meses depois vê que então aconteceu é que você percebe que o governo é definitivamente muito passageiro e que a máquina é quase como se fosse eterna", afirmou.

Ao lado de Lula, o presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Marco Antonio Raupp, elogiou o plano, mas falou da "decepção" pelos sucessivos cortes de recursos para a área. "Vamos cobrar o cumprimento das metas", declarou depois.
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quinta-feira, novembro 22, 2007

INVESTIMENTOS NA AMAZÔNIA

Segundo o presidente do BASA, não falta dinheiro para investir. Faltam bons projetos.

Agência Câmara



O presidente do Banco da Amazônia, Abidias José de Sousa Júnior, afirmou nesta quinta-feira, no 1º Simpósio Amazônia e Desenvolvimento, que não faltam recursos para o desenvolvimento da região. O desafio, segundo ele, consiste em identificar bons projetos. De acordo com Abidias Júnior, hoje o banco financia 284 mil projetos, com investimentos de R$ 8,7 bilhões. Desses projetos, 92% são voltados à agricultura familiar, o que representa 35% do montante aplicado pelo banco, acrescentou.

Para 2008, os investimentos previstos, conforme o presidente do banco, são de R$ 3,8 bilhões - R$ 2,8 bilhões para a agricultura e R$ 1 bilhão para pequenas e micro empresas. Além disso, o Banco da Amazônia também já aprovou, segundo ele, projetos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no valor de mais de R$ 1 bilhão, para obras em infra-estrutura. "Temos ainda outras alternativas de crédito, como o apoio à pesquisa, que financia 356 projetos com um total de R$ 25 milhões", destacou.

Gestão municipal
A superintendente nacional de Assistência Técnica e Desenvolvimento Sustentável da Caixa Econômica Federal, Márcia Kumer, afirmou que o problema realmente não é falta de recursos, mas a forma de ter acesso a eles. A principal dificuldade para uso do dinheiro disponível, segundo Kumer, é a falta de preparo das prefeituras. No ano passado, foram repassados R$ 140 bilhões pela Caixa, segundo ela. Para este ano, a previsão é de que sejam liberados R$ 160 bilhões. "Para termos uma idéia do que significam esses volumes, as liberações em 2002 eram da ordem de R$ 57 bilhões", comparou.

De acordo com ela, neste ano R$ 30 bilhões previstos para obras do PAC passam pela Caixa, sendo que cerca de R$ 3,17 bilhões são destinados à região Norte. "A preocupação agora é fazer que esse dinheiro chegue às comunidades", afirmou. Como, de acordo com ela, o principal problema é a falta de preparo das prefeituras, a instituição criou um sistema de assistência técnica para ensinar os gestores públicos a acessar e gerenciar fundos de fomento.

Com esse objetivo, o banco desenvolveu um modelo para testar o nível de capacidade de gestão municipal. A avaliação leva em conta aspectos como conhecimento da oferta de crédito e da realidade local; capacidade de elaborar projetos e prestar contas, fator essencial para continuar tendo acesso aos créditos; articulação com outros municípios; e capital humano.

Na região Norte, Kumer declarou que nenhum município atingiu sequer a capacidade média-alta de gestão. Das 454 cidades amazônicas, 331 apresentam competência média-baixa, 97 baixa e 21 média. "Nossa meta é que todas pulem um degrau até 2010, ou seja, pretendemos, no mínimo, zerar o número de locais com baixa capacidade", asseverou.

Agricultura familiar
De acordo com o gerente executivo de Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil, Paulo Odair Pointezin Frazão, a oferta de crédito do banco para a Amazônia este ano é de R$ 14 bilhões, a maior parte também voltada à agricultura familiar. Ele explicou que a liberação dos recursos leva em conta a sustentabilidade do empreendimento, o que envolve a viabilidade econômica, social e ambiental.

O simpósio é organizado pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, em parceria com o Senado, órgãos do Poder Executivo e entidades da sociedade civil.
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TRIBUNAL DE CONTAS

NA BAHIA, NEM O PRESIDENTE ESCAPOU DE SER PRESO POR SUSPEITA DE CORRUPÇÃO

Folha Online

A Polícia Federal prendeu hoje o presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado) da Bahia, o conselheiro Antônio Honorato de Castro, durante a operação Jaleco que apura fraudes em licitações públicas. A assessoria dele ainda não se manifestou sobre a prisão.

Ao todo, a PF tenta cumprir 20 mandados de prisão e 40 de busca e apreensão. O esquema, de acordo com a PF, seria comandado por empresários dos setores de prestação de serviços de limpeza e segurança. Esses empresários, com a ajuda de servidores públicos, fraudavam licitações do Estado da Bahia, do município de Salvador e da Universidade Federal da Bahia.

As investigações da PF revelaram que os fraudadores agiam de várias maneiras: superfaturamento de preço, formação de cartel e utilização de empresa de fachada. O grupo também se beneficiava de contratos emergenciais que continham vícios.

Em 10 anos, a quadrilha teria provocado um prejuízo de 625 milhões aos cofres públicos, segundo cálculos da polícia.

Para cumprir os mandados foram mobilizados 200 policiais federais. A operação contou com o apoio do Ministério Público Federal, INSS e Receita Federal.

Os mandados de prisão, busca e apreensão foram expedidos pela ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Eliana Calmon. O inquérito tramita no STJ porque o presidente do TCE Bahia é suspeito de participar do esquema.

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SANEAMENTO BÁSICO

O triste cenário brasileiro

Por Daniel Magnoni*

Agência Envolverde, 21/11/2007

Infelizmente o setor de saneamento básico passou nestes últimos anos por total descrédito e inércia por parte dos nossos governantes. A falta de uma Política Nacional e seus rebatimentos nos estados e municípios, o baixo nível de alocação de recursos orçamentários e os sucessivos contingenciamentos de recursos de financiamentos do FGTS e outros ao setor público, por um lado e o afrouxamento das regras de acesso ao setor privado por outro são apenas exemplos do abandono ao qual o setor foi submetido.

A falta de saneamento básico é a principal causa da mortalidade na infância por doenças parasitárias (dengue, malária, cólera, febre amarela, teníase, cisticercose, esquistossomose, diarréia etc.), e doenças infecciosas (hepatite A, amebíase, leptospirose etc.), males que proliferam em áreas sem coleta e tratamento de esgoto.

Os números púbicos disponíveis são alarmantes. Para se ter uma idéia, o índice de mortalidade na infância é de 22,5 crianças mortas por mil nascidas vivas. No entanto, quando olhamos apenas para mortes de crianças de até 5 anos vítimas da diarréia, a situação piora. A cada ano 2.528 crianças morrem no Brasil em decorrência desta doença – ou a preocupante cifra de sete por dia.

Dentro do sistema de saúde pública, cerca de 700 mil internações hospitalares anuais foram causadas por doenças relacionadas à falta ou inadequação de saneamento, na última década. A falta de saneamento básico é também um problema para a educação, pois eleva o número de faltas na sala de aula. Estima-se que 65% das internações em hospitais de crianças com menos de 10 anos sejam provocadas por males oriundos da deficiência ou inexistência de esgoto e água limpa e 34% das ausências de crianças de zero a seis anos em creches e salas de aula devem-se a doenças relacionadas com a falta de saneamento.

A coleta de esgoto é realizada em 48% dos domicílios, mas desse total somente 20% dos municípios tratam os resíduos - os demais despejam o esgoto diretamente em rios e córregos. E aproximadamente 40 milhões de brasileiros (21,4% dos domicílios) ainda se utilizam das obsoletas fossas sépticas. Apenas um em cada três brasileiros é beneficiado pela coleta e o tratamento de esgoto simultaneamente.

Recentemente, o Instituto Trata Brasil, entidade sem fins lucrativos cuja finalidade é promover a mobilização nacional para se alcançar a universalização do saneamento básico no País, divulgou que o Brasil investe apenas um terço do necessário para expandir a rede de esgoto. Nos últimos quatro anos, o investimento foi de 0,22% do PIB quando deveria ser de 0,63%.

Se considerarmos a universalização dos serviços de coleta e tratamento de esgoto até o ano 2020, teríamos de contar anualmente com um investimento médio de aproximadamente R$ 9 bilhões por ano. E isto equivale a 0,45% do PIB Nacional.

Mesmo com a liberação de recursos, existem ainda os entraves burocráticos que precisam ser resolvidos. Além de o volume de recursos ser ainda bastante reduzido, os municípios, em muitos casos, estão com margens baixas de endividamento para conseguir financiamentos.

A contabilidade brasileira considera o investimento em saneamento como gasto público e, portanto, o uso do FGTS e do BNDES para investimento faz aumentar as despesas correntes e em conseqüência compromete o superávit primário. As autarquias, assim como boa parte das empresas estaduais, em menor escala, também têm dificuldades de contrair financiamentos e pagar as contrapartidas e os próprios financiamentos, com receitas tarifárias.

Por outro lado, os benefícios do saneamento básico são inúmeros. Ainda de acordo com o Instituto Trata Brasil, a cada R$ 1,00 investido em saneamento básico, o Governo economizaria R$ 4,00 em gastos com saúde, uma vez que grande parte das doenças está relacionada com a falta de uma solução adequada de esgoto sanitário.

Os ganhos ambientais também são inúmeros. Com a eliminação da poluição estética e visual, melhora-se a imagem institucional da cidade e pode-se, por exemplo, ocorrer o desenvolvimento do turismo local, dinamizando a economia e gerando mais empregos.

Saneamento básico é considerado uma das melhores e mais eficazes soluções para a promoção da saúde no Brasil. Financeiramente, o investimento é relativamente baixo e o retorno é garantido, além de contribuir para o desenvolvimento e redução da pobreza no País. Viver em um local com saneamento aumenta a auto-estima do indivíduo, o ajuda a cuidar também do próprio corpo, mente, e ainda o estimula a cuidar melhor de sua casa.

O Instituto Trata Brasil é uma iniciativa de empresas do setor privado que visa mobilizar diversos segmentos da sociedade para garantir o acesso ao saneamento no País. Atualmente, apenas 48% dos domicílios brasileiros têm acesso à coleta de esgoto. Entre suas propostas, destaca-se a consultoria a municípios para o desenvolvimento de projetos de saneamento, além do acompanhamento da liberação e da aplicação de recursos para obras, entre outras ações. O Trata Brasil conta com o apoio das empresas Amanco, Braskem, Colgate, Caloi, Editora Globo, Medley, Solvay Indupa, Tigre, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), da Fundação Getúlio Vargas, do Instituto Coca-Cola e da Pastoral da Criança.

*Daniel Magnoni é cardiologista e nutrólogo e chefe da Seção de Nutrição Clínica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiolgia e do Serviço de Nutrologia e Nutrição Clínica do Hospital do Coração – Hcor.

(Envolverde/Rede Gife)

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AIDS ENTRE ADOLESCENTES NO BRASIL

Número de meninas com o vírus HIV já é maior que o de meninos entre 13 e 19 anos de idade

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A presença do vírus HIV nos jovens com idade entre 13 e 19 anos mudou de sexo na última década. Em 1997, havia 273 meninos e 258 meninas infectados pelo vírus. Em 2006, eram 223 meninos e 368 meninas contaminadas.

Os dados fazem parte do Boletim Epidemiológico Aids/DST, divulgado hoje (21) pelo Ministério da Saúde.

A mudança se deve principalmente a fatores sociais, avalia a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão.

Segundo ela, estudos de comportamento mostram que, nas relações sexuais eventuais, 80% dos meninos usam preservativo e apenas 40% das meninas exigem o uso da camisinha.

“Temos um trabalho muito grande para conscientizá-las e romper barreiras socioculturais que dizem que uma menina não pode sair para uma festa com preservativo na bolsa sob risco de ser mal interpretada. Ela não leva e, na hora H, não tem para usar”.

O boletim mostra que, em todas as faixas etárias, o número de mulheres contaminadas tem aumentado.

Em 1985, a cada 15 homens infectados havia uma mulher contaminada. Em 2006, a relação passou de 1,5 homem a cada uma mulher.

A maior parte dos casos de contaminação no país concentra-se na faixa etária de 25 a 49 anos, tanto em homens como em mulheres.

Mas tem aumentado o número de pessoas infectadas que têm mais de 50 anos de idade. Em 1996, eram 1.257 pessoas com idade entre 50 e 59 anos. Em 2006, esse número passou para 3.154.
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AFRICA ABRIGA 68% DO INFECTADOS COM AIDS NO MUNDO

Continente africano concentra quase 70% das infecções por HIV no mundo
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Mais de dois terços (68%) de todas as pessoas infectadas pelo vírus HIV no mundo vivem na África Subsaariana, que reúne os países situados ao Sul do deserto do Saara.

Essa região africana também o maior percentual mundial de mortes causadas pelo vírus HIV: 76%. Atualmente, existem 22,5 milhões de pessoas vivendo com o vírus no local.

Os números foram divulgados hoje (21) pelo coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) no Brasil, Pedro Chequer, durante a apresentação do Boletim Epidemiológico Aids DST pelo Ministério da Saúde.

A segunda região mais afetada pela contaminação pelo vírus HIV é a Ásia, especialmente no Sul e Sudeste. Estima-se que ali vivam atualmente 4,9 milhões de pessoas com HIV.

"Essa é uma região de alta preocupação, de perspectiva explosiva em função das condições de vida, de questões culturais e também da questão populacional”, disse Chequer.

Na América Latina, o número estimado de infecções por HIV em 2007 é de 100 mil pessoas e de mortes, de 58 mil.

Hoje, na região, 1,6 milhão de pessoas vivem com o vírus. Cerca de um terço de todas as pessoas infectadas pelo HIV na América Latina mora no Brasil.

Segundo Chequer, existe uma tendência de queda na incidência da aids no mundo desde 2000. Ele explica que isso se deve à maior destinação de recursos para a prevenção e o tratamento da doença.

“Antes da Unaids, tínhamos um aporte mundial de menos de US$ 300 milhões, em 1996. Hoje, o montante é de US$ 10 bilhões. Não é suficiente, mas é bem distinto do que foi verificado anteriormente”.

De acordo com o Unaids, a estimativa é de que existam atualmente 33,2 milhões de pessoas com HIV em todo o mundo.

Em 2007, a previsão é que tenha ocorrido 2,5 milhões de novas infecções e mais de 2 milhões de mortes pela doença.
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quarta-feira, novembro 21, 2007

PARQUE ZOOBOTÂNICO (PZ) DA UFAC GANHA PRÊMIO AMBIENTAL NACIONAL

Projeto Arboreto do PZ, que trabalha com extensão agroflorestal e agricultura ecológica, foi selecionado para receber o prêmio "Cidadania Mundial 2007"

O projeto "Arboreto", um dos setores do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre-UFAC, foi um dos 9 selecionados, dentre 117 inscritos, para receber o "X Prêmio Cidadania Mundial 2007", outorgado anualmente pela Comunidade Bahá'í do Brasil. Os selecionados são instituições e indivíduos que têm trabalhado no Brasil com ações unificadas em defesa do meio-ambiente do planeta.

O Júri que fez a seleção foi composto pelas seguintes pessoas: Carlos Alberto Vieira (Fundo das Nações Unidas para Ciência e Tecnologia, UNESCO), Massami Uyeda (Ministro do Superior Tribunal de Justiça, STJ), Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho (Secretario Municipal de Meio Ambiente da Cidade de São Paulo), Josias de Souza (Corpo Editorial do Jornal Folha de São Paulo), Herilda Balduíno de Oliveira (Ordem dos Advogados do Brasil), Lisa Perskie (Diretora-Executiva da Escola das Nações/School of the Nations), Venus Pezeshk (Ambientalista), Washington Araújo (Comunidade Bahá´í do Brasil).

O prêmio deverá ser entregue no próximo dia 6 de dezembro de 2007, em Brasília, para as seguintes instituições e indivíduos:

1. José Goldemberg (São Paulo)
2. Suzana Pádua (Brasília, DF)
3. Apromai - Associação dos Produtores e Moradores da Área de Influência da Reserva Biológica Augusto Rushi (Santa Teresa, ES)
4. Fundação SOS Mata Atlântica (São Paulo)
5. Oca Brasil (Alto Paraíso De Goiás, GO)
6. Projeto Arboreto - Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (Rio Branco, AC)
7. Projeto Saúde e Alegria - PSA (Santarém, Pará)
8. Sociedade Semear - Sociedade de Estudos Múltiplos, Ecológico e de Artes (Aracaju, SE)
9. Universidade Federal de Sergipe (São Cristóvão, SE)
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PROJETO ARBORETO DO PARQUE ZOOBOTÂNICO (PZ)

O Arboreto, um dos setores do Parque Zoobotânico (PZ) da Universidade Federal do Acre (UFAC), têm sua origem no chamado "Experimento Arboreto", instalado no início da década de oitenta. O experimento foi idealizado com o intuito de estudar o comportamento de cerca de 150 espécies arbóreas, em sua maioria nativas da região amazônica, em diferentes condições de luminosidade, com objetivo de gerar informações que subsidiem projetos de recuperação de áreas degradadas, principalmente através de Sistemas Agroiflorestais (SAF's).

Em 1992, ao completar dez anos de experimento, o Arboreto constituiu-se como projeto de pesquisa, com objetivo de compartilhar resultados com pequenos produtores rurais e populações tradicionais do Estado do Acre, propondo modelos de sistemas agroflorestais com as espécies mais promissoras. As primeiras ações de campo foram na Reserva Extrativista "Chico Mendes", em parceria com o Centro de Formação do Seringueiro e financiamento da Fundação Ford. A partir de 1996, o Arboreto iniciou uma parceria com a Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC), no intuito de assessorar o Programa de Formação de Agentes Agroflorestais Indígenas.

A partir de 1998, o Arboreto vem desenvolvendo um programa piloto de capacitação agroflorestal junto a 13 famílias do Projeto de Assentamento Dirigido Humaitá, localizado no município de Porto Acre/AC. O projeto teve início com um diagnóstico sócio-ambiental, seguido de um planejamento comunitário de atividades, cujos resultados revelaram potencialidades, levantaram problemas enfrentados pela comunidade, bem como possíveis ações que pudessem solucioná-los.

No início de 1999, baseado nas demandas da comunidade, teve início o programa de capacitação em sistemas agroflorestais e a instalação de áreas experimentais através de pesquisa participante.No final de 1999, o Arboreto inicia um trabalho com as comunidades indígenas Apurinã de Boca do Acre/AM. O objetivo do projeto é validar a metodologia de educação agroflorestal desenvolvida pelo Arboreto como método pedagógico adaptável às diferentes realidades sócio-econômicas e culturais de pequenos produtores e populações tradicionais da Amazônia, e, ao mesmo tempo, contribuir para o etnodesenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas no projeto.

Paralelamente aos trabalhos de pesquisa/extensão agroflorestal, o Arboreto, em uma área experimental no campus da UFAC, mantém dois hectares de sistemas agroflorestais e testa tecnologias agroflorestais, tais como: coquetéis de leguminosas, cercas-vivas, plantio na taboca, árvores de serviço, barreiras vivas contra fogo e espécies madeireiras de rápido crescimento.

Atualmente, o Arboreto vêm subsidiando políticas públicas através de uma parceria com a Secretaria de Produção do Governo do Estado do Acre (SEPRO), com objetivo de capacitar técnicos extensionistas de sete municípios acreanos. O programa de capacitação em sistemas agroflorestais, denominado "Educadores Agroflorestais", vem sendo desenvolvido paralelamente à capacitação de produtores assentados no Projeto Pólos Agroflorestais idealizado pelo atual Governo do Estado.

A sede do Arboreto está localizada no campus da Universidade Federal do Acre, mais especificamente no Parque Zoobotânico (PZ), uma área de cem hectares de vegetação primária e secundária, onde encontra-se instalado o "Experimento Arboreto", próximo a completar vinte anos desde a sua implantação.

O PZ, setor que concentra os trabalhos de pesquisa da UFAC, possui cerca de cinqüenta pessoas envolvidas diretamente em suas atividades, entre pessoal administrativo, pesquisadores, funcionários e estagiários bolsistas. O Programa Integrado do Parque Zoobotânico (PIPZ), busca a integração dos seus diversos setores - viveiro de produção de mudas, Herbário, Laboratório de Sementes, Setor de Uso da Terra e Mudanças Globais, Projeto Ilhas de Alta Produtividade, Fenologia e Botânica Econômica, Educação Ambiental e Arboreto - no intuito de estudar os ecossistemas naturais e antrópicos do Estado do Acre, com vistas a subsidiar a geração de propostas viáveis de manejo com base sustentável, visando contribuir com a melhoria das condições de vida das populações locais, através de uma interação efetiva com a comunidade acadêmica da UFAC e demais instituições de pesquisa e desenvolvimento.
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terça-feira, novembro 20, 2007

BOLSA FAMÍLIA "AFRICANIZADA" PARECE ESTAR FUNCIONANDO

Programa sul-africano que transfere dinheiro a famílias com filhos, sem exigir contrapartida, melhora nutrição das crianças, diz pesquisa

Um programa de transferência de renda que ajuda famílias pobres na África do Sul sem exigir nada em troca dos beneficiários tem obtido bons resultados, apesar de adotar linha diferente da maioria das políticas do gênero em vigor na América Latina, como o Bolsa Família. A conclusão é de um estudo do Centro Internacional de Pobreza, uma instituição de pesquisa do PNUD, resultado de uma parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Em um artigo intitulado O impacto da transferência incondicional de renda na nutrição: o Fundo de Ajuda Infantil da África do Sul, dois pesquisadores de universidades norte-americanas e uma pesquisadora de uma universidade sul-africana afirmam que o programa conseguiu atingir com sucesso o objetivo de alimentar adequadamente as crianças em seus primeiros anos de vida — mesmo sem requerer contrapartidas (o Bolsa Família, ao contrário, concede renda ao domicílio desde que as crianças freqüentem a escola e a família vá periodicamente ao posto de saúde).

O Fundo de Ajuda Infantil, implantado em 1998, repassa dinheiro para crianças de 14 anos que vivem em domicílios pobres (no início, a faixa etária era 7 anos, mas aumentou gradativamente desde 2003). Apesar de a criança ser o foco, a verba, por razões legais, é dada a um adulto (geralmente mulher).

Com base em três levantamentos estatísticos — feitos em 1993, 1998 e 2004, na província de KwaZulu-Natal, que abriga 20% da população da África do Sul e é uma das mais carentes do país em serviços públicos, embora não seja a mais pobre —, os autores usaram indicadores sobre idade e peso das crianças para concluir que elas foram bem alimentadas.

O estudo analisou duas amostras diferentes de crianças de até 3 anos . Parte das crianças recebeu apoio alimentício durante 100% desse tempo, enquanto outra parcela ganhou apenas um ou dois meses de ajuda. O impacto nutricional nos últimos foi praticamente nulo, enquanto que, entre os primeiros, foi avaliado como “substancial” pelos pesquisadores. Eles chegaram à conclusão de que a ajuda alimentar é insignificante para crianças que a receberam por menos da metade de seus primeiros 36 meses.

Na avaliação dos autores, a alimentação adequada da família tem estreita relação com o aumento de renda familiar, possivelmente pelo fato de o dinheiro ser quase sempre dado diretamente às mães (que pensariam mais no bem dos filhos do que os pais). Além disso, o estudo projeta que os futuros rendimentos, na vida adulta, dessas crianças, superarão os gastos do Fundo de Ajuda Infantil Sul-Africano com o programa, numa ordem que pode variar de 60% a 130%.

O trabalho foi feito pelos pesquisadores Jorge M. Agüero, da Universidade da Califórnia em Riverside (EUA), Michael R. Carter, da Universidade de Wisconsin (EUA), e Ingrid Woolard, da Universidade da Cidade do Cabo (África do Sul).

Imagem: Beneficiários do Bolsa Família na cidade de Mata de São João, Bahia.
Fonte: PNUD Brasil, Publicado no boletim Notícias do Meio Ambiente.
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A ETERNA FALTA DE TROCO

Quem nunca recebeu goma de mascar, bala ou outro produto como troco em supermercados? Eles (os supermercados) sempre levam vantagem nesta questão. Projeto da Câmara Federal poderá mudar esta situação

A Câmara analisa o Projeto de Lei 1758/07, do deputado Silvinho Peccioli (DEM-SP), que fixa norma para devolução de troco abaixo de cinco centavos. Pela proposta, quando não for possível a devolução integral do troco nas compras em dinheiro, a diferença será sempre a favor do consumidor.

O projeto obriga os estabelecimentos comerciais a afixar cartazes sobre a lei nos locais de pagamento. A multa por descumprimento varia de R$ 250 a R$ 500 mil. Em caso de reincidência, a multa poderá chegar ao dobro desses valores.

O autor argumenta que, apesar de ser rotineira a falta de troco, não há punição para esse abuso. O projeto, segundo ele, vai preencher essa lacuna da legislação, que prejudica principalmente a população de baixa renda.

A matéria tramita em caráter conclusivo e será examinada pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Defesa do Consumidor; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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segunda-feira, novembro 19, 2007

RACISMO EXPLÍCITO NO PERU

Tongo un "fenomeno" por ser "aceptado" en espacios de la pseudo elite limeña? Esto demuestra un psicosocial de los medios de comunicación manejados por la oligarquía racista que pretende cubrir con tongo, enclaves como larcomar y playa asia, en donde todavía "se reservan el derecho de admisión" (Discussão sobre vídeo no YouTube do cantor peruano Tongo, que canta música típica peruana e que conseguiu a façanha de cantar em uma discoteca de um dos shoppings centers mais chiques e "brancos" de Lima, capital do Peru).

Na recente visita que fizemos ao Peru nos impressionou a absoluta falta de "vez" da larga maioria da população peruana nos meios de comunicação. A maioria que me refiro são as pessoas com feições físicas semelhantes às do ex-presidente Alejandro Toledo. Para não ser injusto, podemos dizer que esta maioria só aparece nos noticiários policiais, geralmente como os vilões dos casos de violência.

Quem passeia por Lima e observa os outdoors, lê as principais revistas e os jornais locais, tem a impressão de que o Peru é formado por uma maioria branca, européia. Entretanto, quando se olha para a massa que lota as calçadas e ruas da cidade, se vê que prevalece pessoas com traços tipicamente indígenas, de baixa estatura, os "cholos", legítimos descendentes dos Incas.

Um exemplo gritante da discriminação encontrei no encarte semanal "Somos", publicado pelo principal diário do país, "El Comércio". É uma revista de excelente produção gráfica, com 100 páginas, que aborda fatos do cotidiano da vida da cidade e do país. Esporte, política, notas sociais, econômicas, etc. Na edição 1092, são centenas de fotos e mais de 30 páginas de propaganda. Em nenhuma delas aparece o peruano típico, aquele que a gente vê nas ruas. É incrível! A discriminação é explícita.

Fico pensando como esta pseudo-elite branca peruana, que domina os meios de comunicação e sonha que a sociedade "peruana branca" é comparável à de qualquer nação européia ou americana, fez para "não publicar" fotos do ex-presidente Alejandro Toledo, o retrato fiel - sob o ponto de vista físico - do povo peruano.

Embora o país viva um momento de estabilidade econômica e política há alguns anos, dá para se esperar que eventualmente um populista vindo das camadas mais pobres e numerosas do país, o legítimo representante "Inca", venha a fazer no Peru, o que Hugo Chavez e Evo Morales estão fazendo na Venezuela e Bolívia.

Ambos representam a maioria de seus respectivos países (mestiços na Venezuela e indígenas na Bolívia). Ambos estão eliminando ou já eliminaram a elite branco-européia que se afanou do poder e por longo período de tempo marginalizou a maioria das populações dos respectivos países. Embora deixem transparecer que estão indo com muita sede "ao pote", têm o apoio da maioria da população por razões numéricas.

A elite branca peruana ainda tem tempo de evitar o "pior". Se não fizer nada, vai se arrepender mais tarde.

Quem vai ser o Morales ou Chavez peruano?
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domingo, novembro 11, 2007

VIAGEM AO PERU

Aos leitores do Blog:
Desde o dia 5/11 estamos em viagem ao Peru. Postarei no Blog na medida do possível.
Evandro
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terça-feira, novembro 06, 2007

DEU NO ESTADÃO

Com Tião Viana na cadeira de Renan, Acre leva mais verbas

Silvio Navarro e Ranier Bragon, da Folha de S.Paulo, em Brasília, 06/11/2007

Brasília - No mês em que Tião Viana (PT-AC) assumiu a presidência do Senado interinamente, o Acre teve a maior liberação de "emendas de bancada" feitas ao Orçamento deste ano entre todos os Estados do país.

Foram R$ 12 milhões repassados para obras definidas pelos 11 parlamentares acreanos --oito deputados e três senadores-- em outubro, valor que representa metade de tudo o que saiu do caixa da União no mês passado sob a rubrica de "emendas de bancada" --R$ 24,8 milhões. O repasse de outubro representa 57% de todo o montante liberado no ano para o Acre por meio desse tipo de emenda --R$ 21 milhões.

Essa modalidade de emenda é feita em conjunto por parlamentares no início do ano. Para ser liberada rapidamente necessita de um articulador de peso no Congresso. Tradicionalmente, atendem a pedidos do governador. O governador do Acre é Binho Marques (PT), eleito por influência da família Viana. Seu antecessor, Jorge Viana, é irmão de Tião.

"Não vamos debater na Casa Civil cada um puxando a sardinha para a sua lata. Vamos com um projeto concreto, e a bancada vai unida, governo e oposição. Aí, para a Dilma [Rousseff] é uma beleza liberar o recurso", diz o deputado Nilson Mourão (PT-AC), que reconhece: "É claro que facilita ele [Tião Viana] ser presidente do Senado, o ex-governador ser Jorge Viana. Todos eles têm ótima relação com o governo".

De acordo com dados do Siafi (sistema de acompanhamento de gastos do governo) levantados pelo DEM a pedido da Folha, o segundo colocado no ranking de liberação de emendas de bancada é Minas Gerais (R$ 5,8 milhões), o segundo maior colégio eleitoral, com 53 deputados e três senadores.

Até julho, o Acre não recebeu nenhum centavo nesta modalidade de emenda. Depois, foram R$ 7 milhões em agosto e outros R$ 2 milhões em setembro. No período, Tião ganhou evidência na Casa com a possibilidade de suceder Renan Calheiros (PMDB-AL). No dia 11 de outubro, herdou a cadeira por um período de 45 dias --a licença expira dia 26. Tião afirmou, por meio da assessoria, que não trata de emendas com a bancada.

Dos oito deputados do Acre, sete votam sob orientação do governo. Os três senadores são governistas. "Sabemos que a distribuição de recursos obedece apenas a interesses políticos do governo", disse o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ).

O Acre tem cerca de 670 mil habitantes e 22 municípios, segundo o IBGE. São Paulo tem 645 municípios e população de 40 milhões. Minas tem 853 cidades e 19 milhões de habitantes. Ou seja, cada cidadão acreano foi beneficiado com R$ 20 dos cofres da União; os mineiros com R$ 3, e, cada paulista, R$ 0,80.
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DENDÊ PARA A PRODUÇÃO DE BIODIESEL

Empresa petrolífera sueca desiste de usar o óleo de dendê na produção de biodiesel para evitar a destruição de extensas áreas de floresta nativa em países como a Indonésia. A iniciativa serve de alerta para o Brasil, que tem planos ambiciosos para os biocombustíveis

Estocolmo (05/11/2007) - A empresa petrolífera sueca OKQ8 anunciou nesta quarta-feira que vai abandonar seus planos de usar óleo de palma em seu biodiesel Eco20, evitando assim a destruição de florestas nativas em países como a Indonésia. A decisão acontece pouco depois da longa campanha feita pelo Greenpeace e outros grupos ambientalistas contra a produção de óleo de palma, que promove o desmatamento por queimadas para abrir espaço para imensas plantações.

Este é um aviso para o governo brasileiro de que o mercado global pode se fechar para o etanol proveniente de plantações não sustentáveis e que provoquem o desmatamento da Amazônia.

A empresa OKQ8 foi a primeira petrolífera da Europa a planejar o lançamento de um biodiesel a base de óleo de palma. Antes de tomar a decisão de abandonar o projeto, ativistas do Greenpeace passaram dois dias no QG da OKQ8, estendendo um banner de 70 metros quadrados com a imagem de um orangotango na mira de uma bomba de gasolina, para mostrar a verdadeira face do óleo de palma.

“É inaceitável a conversão de florestas ou ecossistemas intactos para a produção de etanol ou biodiesel, bem como colocar em risco a produção de alimentos para a geração de combustíveis”, afirmou Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de energia do Greenpeace Brasil.

Nas duas últimas semanas o Greenpeace produziu vários documentos que mostravam a destruição das florestas na Indonésia para plantação de óleo de dendê. Além disso, uma equipe da ONG e habitantes da vila de Kuala Cenaku construíram dois diques para represar canais que drenavam terras alagáveis destinadas a grandes plantações de dendê.

As ações aconteceram a um mês do início da próxima rodada de negociações globais do clima, que acontecem em Bali, na Indonésia. O desmatamento é responsável por cerca de 1/5 das emissões globais de gases de efeito estufa. Na Indonésia, as altas taxas de conversão de florestas em plantações de óleo de dendê fazem do país um dos maiores emissores mundiais de CO2.

No Brasil, o desmatamento da Amazônia é o responsável por 75% de nossas emissões e nos coloca em quarto lugar entre os maiores emissores. A crescente demanda por etanol pode transformar as plantações de cana em mais um vetor de desmatamento na região.

“Seria no mínimo estúpido tentar reduzir nossas emissões aumentando o uso de etanol e, para isso, destruir a Amazônia, provocando mais emissões ainda. Precisamos de uma regulamentação para a indústria de biocombustíveis garantindo parâmetros de sustentabilidade sócio-ambiental neste momento de grande expansão da produção e da demanda”, concluiu Rebeca.

(Envolverde/Greenpeace)
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IDEOLOGIAS, INFORMAÇÃO E MEIO AMBIENTE

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

De boas intenções – e de boas idéias – o inferno está cheio. O problema por detrás das idéias são as pessoas, que são mais complexas e plurais que as idéias. Uma idéia que se propõe a se bastar por si própria como explicação do mundo, tende a se tornar uma ideologia. E uma ideologia que se propõe a única verdadeira, tende ao fundamentalismo totalitário. Não é à toa que tendem a não funcionar como explicação e organização de mundo, que, assim como as pessoas, é mais complexo e plural que as ideologias.

Nas últimas décadas vimos fracassar todas as grandes ideologias, seja Capitalismo, socialismo e comunismo, e mesmo o autogoverno em pequenas Comunidades auto-gestionárias, por que, por detrás delas tem gente, e gente tem inveja, ambição, ganância, arrogância, prepotência, indiferença com a dor alheia, etc. Por outro lado, gente também tem solidariedade, compaixão, gentileza, amor, etc. As religiões - ideologias em nome de divindades -, tentam a séculos domar a natureza humana, pretendendo a impossível tarefa de só desejarmos e agirmos para o bem e evitarmos todo o mal, e chega a nos prometer paraísos e ameaçar com infernos eternos - ainda assim, as pessoas seguem boas e más, essencialmente.

Com a queda do muro na Alemanha, ruiu também a nossa crença nas ideologias. Ficamos meio órfãos de boas idéias. O neoliberalismo, que é a nova face do mesmo capitalismo de sempre, segue agora sem nenhuma oposição mundo a fora, privatizando recursos naturais que deveriam ser usufruídos por todos, manipulando genéticas para se apropriar da biodiversidade e mercantilizar tudo o que for possível, externalizando para a sociedade os custos de tudo o que coloca no mercado e que não quer cuidar (colocam os carros, por exemplo, e que os governos desviem dinheiro de impostos, que era para empregar em transporte de massa, para construir estradas, pontes e viadutos para os automóveis que atendem apenas 20% da população e levam o engarrafamento daqui para um pouco mais a frente, além de ter de lidar com a poluição do ar que mata 13 mil brasileiros nas cidades todos os anos, e substituir a agricultura que combate a fome por agricultura para alimentar automóveis com etanol e biodiesel, etc.). O modelo segue capitalizando lucros e socializando prejuízos, com sempre fez.

Os defensores deste novo neoliberalismo dizem que o seu diferencial fica por conta da democracia, tida como um valor sagrado, ao contrário dos regimes sob o controle do Estado, que tendem a suprimir a liberdade de expressão. Esquecem de dizer que não fazem isso por algum compromisso moral com a liberdade de opinião, mas por que descobriram que podem usar a informação e a propaganda - na verdade precisam delas - como forma de dominação.

Se no passado essa dominação se dava por meio de chicotes, masmorras e assassinatos hoje se dá pela divulgação de mentiras, meias verdades, mitos, pelo uso intensivo do marketing e da propaganda difundindo idéias, em todos os canais e o tempo todo, de que um mundo melhor é possível, desde que você trabalhe como um escravo a vida toda e ganhe dinheiro suficiente que assegure seu acesso a ele, através do consumo, um mundo maravilhoso onde os cabelos são sempre lindos, os corpos são musculosos e sem barriga, a pele de adultos mantém textura de bebês, as roupas e calçados estão sempre na moda, os carros são cada vez mais velozes e associados ao 'desejo de ir mais
longe, o mais rápido possível", etc.

Um mundo igual para todos, onde a felicidade se compra, basta ter dinheiro para usufruir do que há do bom e do melhor. Um mundo que não está ao alcance dos mais pobres e dos trabalhadores apenas por que eles não querem, por serem preguiçosos e escolheram não estudar nem trabalhar para viver das benesses do Estado ou por que escolheram exercer trabalhos subalternos que pagam pouco em vez de se esforçarem mais, se capacitarem mais, e se tornarem trabalhadores melhores, mais bem remunerados.

Em outras palavras, não há nada de errado com o sistema, errados estão os pobres e os que ganham pouco! Uma mentira cruel de um sistema que se apropria dos recursos naturais e da força de trabalho humano apenas para concentrar renda e poder nas mãos de uma pequena parcela da população, enquanto exclui os mais pobres e nega a eles e aos trabalhadores educação de qualidade, moradias decentes com saneamento básico, alimentação suficiente. Nenhuma educação, nenhum esforço de trabalho, por melhor que seja, será capaz de enfrentar esta estrutura de apropriação de riquezas e concentração de rendas.

Os nazistas defendiam a idéia de que os pobres e os incapazes eram inferiores, uma espécie de peso morto para a natureza que tinha de fornecer recursos naturais e alimentar raças que só serviam para dar despesas e causar danos ao Planeta, e que seriam eliminadas naturalmente. Uma idéia pervertida do princípio natural da evolução das espécies onde apenas os mais fortes e adaptados é que tendem a sobreviver. Ao eliminarem as raças consideradas por eles como inferiores, estariam dando uma mãozinha à natureza, ao apressar a extinção delas.

Talvez vissem a ‘solução final’ (assassinatos coletivos de milhares de pessoas) como um ato de misericórdia, pois estariam abreviando o sofrimento de espécies que iriam desaparecer mesmo, um dia. Os nazistas acreditavam na idéia de que existia uma raça superior, a deles, naturalmente. Também eram vegetarianos, defendiam os animais, cultuavam a vida ao ar livre e a natureza. Um exemplo de até onde as idéias podem nos levar.

Os defensores do socialismo e do comunismo, por sua vez, dizem que o erro não está na idéia do socialismo ou do comunismo, que são boas, mas no fato de ser preciso ter e manter a força para enfrentar interesses e organizações poderosas, enraizadas há muito tempo, e que se apropriaram do Estado e dos recursos naturais para seus interesses. E todas as vezes que um povo e seu governante ameaçam enfrentarem estes interesses, são acusados imediatamente de serem inimigos da democracia e das liberdades. Como está acontecendo neste momento com Chavez, na Venezuela.

Lênin dizia que "não se faz omeletes sem quebrar ovos" para justificar os massacres contra os próprios operários, a repressão e a censura ocorridos com a queda do Império Russo e a construção da União Soviética. Thomas HOBBES escreveu que "O homem é o lobo do homem" e Lorde Acton que "O poder TENDE a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente". Dar a metralhadora para gente de boa intenção combater os poderosos é fácil. Tirar deles as metralhadoras depois que chegam ao poder, não é. Este é o drama vivido pelo povo russo e por todos os outros povos que escolheram o caminho da revolução.

Diante dessa realidade, como devem se comportar os jornalistas, professores, líderes comunitários e sindicais, ambientalistas e tantos outros profissionais e cidadãos através dos quais a informação chega ao povo? É possível ser neutro diante de um poderoso que pisa no pescoço de outro mais fraco? É possível não se indignar e se manter neutro diante do massacre que vem sendo empreendido contra a natureza e contra o povo brasileiro, principalmente quando, por sua condição profissional consegue ter acesso a informações e dados privilegiados?

Como ser um profissional engajado sem comprometer a qualidade da informação que, por dever, deve passar ao público? Esses profissionais devem substituir a opinião pública no seu direito de fazer escolhas? É possível, enquanto cidadão, ser engajado e comprometido com uma causa e ideologia e ao mesmo tempo, enquanto profissional, assegurar a pluralidade das opiniões ao mesmo tempo - o que significa dar publicidade às idéias que combatemos?

Sartre disse, certa vez que “ao escrever, o escritor deve solicitar um pacto com o leitor, que ele colabore em transformar o mundo, a sua realidade...” Será esta a saída? Comunicar francamente aos leitores nosso comprometimento, sem meias palavras, para que ele saiba que a informação que está tendo acesso pode - e estará - fatalmente comprometida por nosso olhar engajado?

*Jornalista e escritor, Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente
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segunda-feira, novembro 05, 2007

CESARIANAS EM QUANTIDADES EXAGERADAS EM CLÍNICAS PRIVADAS

Estudo feito em Ribeirão Preto (SP) revela disparidade entre atendimento a mães adolescentes nos sistemas público e privado. Na rede pública, falta acompanhamento pré-natal. Nas clínicas particulares, número de cesarianas é alarmante

Problemas diferentes

05/11/2007

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Um novo estudo comparativo destacou grave disparidade entre o atendimento oferecido a mães adolescentes nos sistemas público e privado do município de Ribeirão Preto (SP).

As jovens usuárias do sistema público realizam menos consultas pré-natal, têm baixa escolaridade, maior número de gestações e parto normal com freqüência. De outro lado, as que foram atendidas no serviço privado apresentaram maior escolaridade, mais acesso às consultas pré-natais e um número alarmante de cesarianas, identificado na pesquisa como um problema de saúde pública.

A pesquisa Gravidez na adolescência: estudo comparativo das usuárias das maternidades públicas e privadas, publicada na Revista Latino-Americana de Enfermagem, teve como objetivo identificar o perfil das mães adolescentes atendidas nos dois sistemas de saúde, diagnosticando desigualdades sociais no acesso aos serviços, na educação formal e na perpetuação do ciclo pobreza-gravidez precoce.

De acordo com Ana Cyntia Paulin Baraldi, da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, coordenadora do grupo que fez o estudo, “o diagnóstico é fundamental para a implantação de políticas públicas multidimensionais que atendam às necessidades dessas adolescentes”.

“As estratégias incluem a preparação escolar desses jovens no ensino fundamental, capacitação dos serviços de saúde, planejamento familiar, saúde sexual, direitos reprodutivos e treinamento de equipes especialmente para as particularidades desse grupo”, disse a enfermeira obstetra à Agência FAPESP.

A pesquisa foi realizada com base no número de nascidos vivos, em três maternidades públicas e três privadas, no município de Ribeirão Preto. Na amostra, foram selecionadas 5.286 adolescentes entre 10 e 19 anos. Analisou-se ainda o tipo de parto, grau de instrução, o número de consultas pré-natal e o de partos anteriores, no período de 2000 a 2002.

Os dados registram um número de mães adolescentes oito vezes maior nas maternidades do sistema público. Foram 618 nascimentos (11,7%) em hospitais privados contra 4.668 (88,3%) em hospitais públicos. Dessa amostra, destaca-se um percentual três vezes mais alto de nascimentos entre mães adolescentes usuárias do SUS, entre 10 e 14 anos de idade.

Na relação idade materna e grau de instrução, a pesquisa detectou outra desigualdade. Entre as usuárias do serviço privado entre 15 e 19 anos a escolaridade esperada, de oito ou mais anos de estudo, foi correspondente à idade em 70,33% dos casos. Já entre as adolescentes atendidas pelo SUS, apenas 44,55% apresentaram escolaridade compatível com a faixa etária.

O abandono escolar relacionado à gravidez precoce compromete, na maioria dos casos, as perspectivas de futuro para as jovens mães e seus bebês. O estudo revela que a adolescente, no meio de seu processo de capacitação, muitas vezes sofre pressões sociais e psicológicas de colegas, pais e diretores de escolas, o que resulta em evasão, desqualificação e dificuldade de inserção no mercado de trabalho.

“O que se pode constatar é a perpetuação do ciclo de miséria, uma vez que a pobreza e a exclusão podem ser vistas tanto como causa como conseqüência da gravidez precoce”, disse Ana Cyntia.

O perfil das adolescentes contrasta também em relação ao número de consultas pré-natal. O Ministério da Saúde recomenda um mínimo de seis exames durante a gestação, meta essencial para a redução dos índices de mortalidade materna e perinatal verificados no Brasil.

No serviço público, 54,46% de mães adolescentes, entre 15 e 19 anos, atingiram essa meta, contra 89,34% das atendidas nas maternidades privadas. Entre as adolescentes de 10 a 14 anos, o percentual foi de 48,93%, no público, e de 87,5%, respectivamente.

Excesso de cesarianas

O enorme número de partos cesarianos entre as jovens mães atendidas em maternidades privadas chamou a atenção dos pesquisadores. O índice de partos desta natureza tolerados pelo Ministério da Saúde é de 15% a 20%, e a alta taxa de cesarianas no Brasil é hoje um problema de saúde pública, pois gera mais riscos de mortalidade de mães e bebês.

Foram registrados 83,12% de cesáreas contra 16,68% de partos normais em adolescentes com nível socioeconômico privilegiado, atendidas pelo setor privado por meio de planos de saúde. Inversamente proporcional foram os números em maternidades públicas, onde 73,10% de partos normais prevaleceram sobre 26,87% de cesarianas.

Para Ana, essa desproporção está relacionada à inadequada assistência médica. “Antes, havia a crença de que o corpo da adolescente não estava biologicamente preparado para o parto normal, crença que já caiu por terra. O que ocorre é que na maioria das vezes a cesariana é decidida dentro dos hospitais privados, que nem sempre prestam cobertura obstetrícia pautada nos princípios de humanização e incentivo ao parto fisiológico, como prega o Ministério da Saúde.”

Tais princípios de humanização no atendimento a gestantes devem ser cumpridos tanto no serviço público como no privado. “Um dos papéis do SUS [Sistema Único de Saúde] é regular e fiscalizar o cumprimento desses princípios nos hospitais particulares, inclusive investigando, se necessário”, disse a pesquisadora.

Para ler o artigo Gravidez na adolescência: estudo comparativo das usuárias das maternidades públicas e privadas, de Ana Cyntia Baraldi e outros, disponível na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme) clique aqui.
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E OS PARENTES MAIS PRÓXIMOS DOS MACACOS? QUEM SÃO?

Estudo finalmente pôs fim à polêmica e às especulações: os animais mais próximos dos primatas são os colugos (Cynocephalus variegatus), também conhecidos como lêmures-voadores. Apesar do nome, esses mamíferos arbóreos do sudeste asiático não são lêmures legítimos, nem voam.

Primo inusitado

05/11/2007

Agência FAPESP – Quem são os parentes mais próximos dos primatas? Até agora o debate científico sobre essa questão gerava mais polêmicas que respostas. Mas uma análise genômica feita por um grupo internacional de pesquisadores colocou fim às especulações: os animais mais próximos dos primatas são os colugos (Cynocephalus variegatus). O estudo foi publicado na edição desta sexta-feira (2/11) da revista Science.

Também conhecidos como lêmures-voadores, esses mamíferos arbóreos do sudeste asiático não são lêmures, nem voam. Mas o principal traço distintivo desses animais, cuja aparência lembra a de um grande esquilo, é a membrana que se estende entre seus membros, dando-lhes a capacidade de planar entre os galhos das árvores.

A equipe coordenada por Jan Janečka, do departamento de Biociências Veterinárias da Universidade A&M, do Texas (Estados Unidos), comparou o indel (tipo de variação de seqüências de DNA, onde uma unidade foi inserida ou apagada do genoma) dos três membros do ramo dos Euarcontes – primatas, colugos e musaranhos – com o de outras 30 espécies de mamíferos.

Os primatas e os colugos compartilham sete dessas raras mudanças genéticas, enquanto outras espécies de mamíferos compartilhavam no máximo um indel com os primatas. Um dos co-autores do estudo, William Murphy, qualifica essas mudanças como “assinaturas históricas de relacionamentos”.

No segundo estágio da pesquisa, os cientistas utilizaram programas de computador para comparar as semelhanças e diferenças entre 13 mil pares de bases de DNA de cinco ordens próximas – os membros do grupo dos Euarcontes (primatas, dermópteros e scandentia) e as ordens dos roedores e dos lagomorfos (que inclui coelhos e lebres).

Novamente, os dados computacionais revelaram que os colugos e os primatas eram os parentes mais próximos. Segundo a equipe, a descoberta indica que os colugos deveriam ser incluídos na lista de animais prioritários para um seqüenciamento genômico completo.

De acordo com os cientistas, desde 1999, os três grupos – primatas, scandentia e dermópteros – eram reconhecidos como uma só unidade taxonômica – um agrupamento de mamíferos conhecidos como Euarconta (etimologicamente, “verdadeiros ancestrais”).

As relações evolucionárias exatas entre os três grupos de Euarcontes eram inferidas por sua proximidade geral e pela existência de um certo número de características compartilhadas entre os grupos.

Para os pesquisadores, o estudo atual sugere a confirmação de uma das hipóteses levantadas a partir das conclusões de 1999: de que colugos e primatas seriam um só grupo: os primatomorfos, que se separaram durante a evolução de um ancestral comum com os musaranhos – animais também originários do sudeste asiático.

O primeiro passo para testar a hipótese, segundo os cientistas, foi provar, a partir de uma abordagem molecular – que os Euarcontes eram um grupo evolucionário válido, proveniente de uma única linhagem ancestral.

A equipe estudou mais de 197 mil éxons – áreas do genoma humano que codificam proteínas – procurando inserções ou eliminações (variações conhecidas como “indel”), que são mudanças genéticas raras. A equipe encontrou forte evidência para validação do agrupamento dos Euarcontes.

Em seguida, os pesquisadores analisaram as raras mudanças genéticas para ver como elas eram compartilhadas entre os três grupos. “Em resumo, podemos dizer que esses dados moleculares sugerem fortemente que os colugos são um grupo irmão dos primatas”, disse outro dos co-autores, Webb Miller, professor da Universidade Estadual Penn. “Primatomorfo é um termo válido e a hipótese foi bem sustentada pelos dados de indel”, declarou.

Com base nos dados, ele afirma que é provável que os Euarcontas tenham emergido como um grupo taxonômico distinto há 87,9 milhões de anos – durante o auge da era dos dinossauros, mais de 20 milhões de anos antes de sua extinção.

“Essa divergência fundamental foi seguida com relativa rapidez pela separação, há 86,2 milhões de anos, entre o grupo scandentia – que inclui os musaranhos e seus parentes – e o grupo dos primatomorfos – que inclui primatas e alguns mamíferos planadores (dermópteros)”, disse Miller.

No grupo dos primatomorfos, a divisão entre primatas e dermópteros aconteceu há 79,6 milhões de anos, segundo os cientistas. Essa rápida divergência evolucionária deixou períodos de tempo relativamente curtos para o acúmulo de diferenças genéticas – por isso a equipe de cientistas precisou utilizar duas abordagens diferentes.

O artigo Molecular and Genomic Data Identify the Closest Living Relative of Primates, de Jan Janečka e outros, pode ser lido por assinantes da em www.sciencexpress.org
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sexta-feira, novembro 02, 2007

SEGURO-DESEMPREGO, FGTS E AVISO PRÉVIO PARA OCUPANTES DE CARGO EM COMISSÃO

Laycer Tomaz, Agência Câmara

O deputado Jofran Frejat (PR-DF) propôs projeto para emendar a Constituição (PEC 53/07) para garantir ao servidor de cargo em comissão de livre nomeação e exoneração, direitos como seguro-desemprego, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e aviso prévio.

O autor da proposta, ressalta a falta de segurança jurídica dos servidores que ocupam cargos públicos no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. "São ministros e secretários de Estado, secretários e assessores parlamentares, assessores técnicos, requisitados e comissionados de natureza especial completamente desprovidos da amplitude de direitos que amparam a relação contratual de trabalho, principalmente nas casas legislativas", afirma.
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PROJETO NA CÂMARA PRETENDE PROIBIR UNIVERSIDADES DE CRIAR NOVOS CURSOS

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 485/07, que revoga dispositivos da legislação que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação (LDB - Lei 9394/96), para proibir as universidades de criar novos cursos e fixar o número de vagas para alunos

De autoria do deputado Frank Aguiar (PTB-SP), a proposta tem como objetivo acabar com o problema do não reconhecimento de cursos na rede privada de ensino superior, o que tem prejudicado muitos estudantes.

O autor lembra que, com freqüência, só depois de alguns anos de estudo é que o aluno descobre estar matriculado em curso não reconhecido pelo Ministério da Educação, e que o seu diploma não lhe dará o direito ao exercício profissional.

O deputado diz que seu objetivo é moralizar o processo de abertura de novos cursos superiores e de fixação indiscriminada do número de vagas.

Agência Câmara.
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CONVÊNIOS COM ONGs SÓ COM LICITAÇÃO

Projeto em tramitação na Câmara estabelece que a escolha da entidade será feita por meio de um edital de concursos de projetos

A Câmara analisa o Projeto de Lei 259/07, que define exigências para a realização de convênios entre o poder público e organizações não governamentais (ONGs). De autoria do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), a proposta modifica a Lei de Licitações (8.666/93) e estabelece que a escolha da entidade será feita por meio de um edital de concursos de projetos.

O edital para o concurso será publicado no Diário oficial e deverá especificar o bem ou projeto a ser realizado; os prazos, condições e forma de apresentação das propostas; os critérios de seleção e julgamento; as datas e local para apresentação; o valor máximo a ser desembolsado para o projeto; e as datas do julgamento e data provável para a formalização do convênio.

Critérios de seleção

De acordo com o texto, a seleção e o julgamento dos projetos levarão em conta os seguintes aspectos: o mérito intrínseco e a adequação ao edital do projeto apresentado; a capacidade técnica e operacional da entidade candidata; a adequação entre os meios sugeridos, seus custos, cronogramas e resultados; o ajustamento da proposta às especificações técnicas; e a regularidade jurídica e institucional da entidade a ser conveniada.

O projeto determina ainda que o órgão estatal designará uma comissão julgadora do concurso composta, no mínimo, por um membro do Poder Executivo, um especialista no tema do concurso e um membro de órgão colegiado da área de competência da política pública do convênio. O trabalho da comissão não será remunerado.

Após o julgamento definitivo das propostas, a comissão julgadora apresentará, na presença dos concorrentes, os resultados da avaliação, indicando os aprovados. O resultado também será publicado no Diário Oficial.

Plano de trabalho

Atualmente, para realização de convênio, acordo ou ajuste, o órgão público só precisa dar a prévia aprovação do plano de trabalho proposto pela organização interessada. Tal plano precisar conter: identificação do objeto a ser executado; metas a serem atingidas; etapas ou fases de execução; plano de aplicação dos recursos financeiros; cronograma de desembolso; e previsão de início e fim da execução do objeto. No caso de obra ou serviço de engenharia, o plano também precisa ter comprovação de que os recursos próprios para complementar a execução do objeto estão assegurados.

O autor da proposta destacou que os órgãos estatais repassam cifras significativas de recursos públicos a entidades privadas sem fins lucrativos, sem que haja licitação. "Não raramente são noticiados verdadeiros escândalos em que organizações não governamentais desviam dinheiro público ou não cumprem adequadamente o objeto do ajuste ou convênio", ressalta.

Condições democráticas

A proposta já havia sido apresentada em 2004 pelo ex-deputado Orlando Fantazzini, e Dr. Rosinha a reapresentou. "Certamente, com o procedimento proposto, o melhor projeto será escolhido, assim como a organização que tiver as melhores condições institucionais para sua execução", afirma. O deputado destaca ainda que mais entidades poderão participar dos convênios, pois haverá condições iguais e democráticas de participação em parcerias com a administração pública.

Agência Câmara
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RACISMO DISCRETO NO 'THE NEW YORK TIMES'

Muitos provavelmente verão na capa desta reportagem publicada no The New York Times (clique na imagem ao lado para ampliar) apenas mais uma matéria comum, sobre gente comum dos Estados Unidos.

Ela trata da crescente tendência de venda "a retalho" de cigarro naquele país. Isto ocorre porque o preço de um maço de cigarros pode custar por lá U$ 4.50 (cerca de R$ 8,50), ou mais, no caso de marcas mais sofisticadas.

O assunto, que teoricamente deveria ser inserido entre as matérias da seção 'Geral', é colocada na seção 'Saúde'. Um equívoco dos Editores do jornal, pensariam alguns.

Eu vejo tudo diferente. Vivi em New York por cerca de seis anos. Sai do Acre inocente, incapaz de ver certas coisas que a gente só consegue enxergar depois de experimentar na pele. Racismo disfarçado é uma delas.

Viver lá me fez um mal tremendo quando o assunto se refere a raças. Embora no Brasil eu seja considerado 'pardo', meio branco, meio negro, lá sou apenas latino pois nasci no Brasil, que fica na América Latina. Por isso fiquei extremamente observador, vendo, talvez, além do que deveria.

Assim, ao ler a reportagem do NYT, o melhor jornal que já tive a oportunidade de ler até hoje, vejo racismo na matéria citada do começo ao fim. No texto e na foto.

É difícil para quem não vive/viveu nos EUA entender tudo isso, mas deixo algumas perguntas aos leitores que ainda não entenderam a razão de ser deste meu post:

1. A matéria trata da prática de venda "a retalho" de cigarros, coisa que é praticada por todos os pobres americanos, sem distinção de cor e raça (negros, latinos, orientais, brancos, eslavos). Entretanto, o repórter, que é branco, resolveu fazer a matéria abordando apenas os negros. Porque?

2. A foto que ilustra a matéria mostra uma ruela, que em muitos lugares é o território de traficantes. É suja, o mato está tomando de conta, e claramente pobre. O repórter abre o texto falando que a prática de venda de cigarro "a retalho" é comum nas proximidades de paradas de metrö. Por que não uma foto nestes lugares?

3. Porque a matéria é tratada como assunto de saúde, quando tem, claramente, um viés mais social e econômico?

Minhas conclusões (depois de minha paranóica experiência em NYC):

Resposta para a pergunta 1: para dar a impressão e manter a raça dos negros no patamar mais baixo da sociedade americana. Quem lê a matéria fica com a impressão no subconsciente que a maioria dos negros continua a fumar, vício que as outras raças estão abandonando;

Resposta para a pergunta 2: negros, de uma maneira geral, vivem em lugares horríveis, pobres e perigosos, muitas vezes dominados pelo tráfico de entorpecentes;

Resposta para a pergunta 3: negros, de uma maneira geral, são mais afetados por vícios como o fumo, por isso a matéria fica "melhor" se tratada na seção "saúde" pois os negros tendem a causar mais problemas de saúde pública do que as outras raças.

Garanto que muitos de vocês ainda não entenderam e estão surpresos com minhas conclusões sobre uma matéria tão banal. Pois saibam que nos EUA grupos de ativistas negros seguramente já protestaram contra a matéria acima.

Eles são realmente aguerridos e conseguiram, por exemplo, criar as tais cotas raciais, tão comentadas e discutidas no Brasil. Lá, por exemplo, se você assistir a um telejornal e ver um negro como apresentador, não pense que em todos os casos ele chegou lá por competência ou méritos pessoais. É a "cota dos 15%" de apresentadores negros que as emissoras têm que contratar.

Por esta razão, vejo racismo na matéria do NYT pois ela é claramente tendenciosa ao passar a impressão que só os negros praticam a venda de "cigarros a retalho" nos EUA.

Mas preciso acrescentar algo, para não cometer injustiça.

Talvez NYC não represente mesmo - como se diz por lá - a sociedade americana em razão da mistura de raças, cores, níveis sociais e intelectuais. Posso, ao ter sido "contaminado" pela cidade e sua atmosfera, estar sendo injusto com o resto do país (outside NYC).

Talvez NYC e sua gente mal humorada e extremamente competitiva tenha me levado a esta situação de paranóia sobre racismo. Se foi isso que aconteceu comigo, então agora é tarde. Depois de alguns anos de Brasil, não consegui me recuperar...é um mal sem cura. Nunca mais vou deixar de ver racismo, nem mesmo nas coisas insignificantes.

Clique aqui para ler a reportagem completa (em inglês): The smoking scourge among urban blacks, 20 de outubro de 2007, The New York Times.
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CANA-DE-AÇÚCAR EM RONDÔNIA

Deputado Rondoniense critica Ministra Marina por querer proibir plantio de cana na Amazônia. Ela tem que respeitar as "peculiaridades locais", diz o Deputado

“A intenção da ministra Marina Silva de proibir o plantio de cana-de-açúcar em toda a Região Amazônica e também no Pantanal reflete um péssimo hábito de muitos ocupantes de altos cargos em Brasília: tomar decisões gerais, de alcance nacional, sem dar o devido valor às peculiaridades locais”. Essa foi a manifestação do deputado estadual Luiz Claudio (PTN) ao jornal Diário da Amazônia, de Rondônia, diante do noticiário de que o zoneamento agrícola para 2008 excluirá o plantio da cana-de-açúcar em toda a região amazônica.

Imaginem vocês, leitores, se o resto do Brasil nunca tivesse "metido a colher" para tentar controlar a situação naquele Estado. Imaginem se Ibama, Justiça Federal e outras instâncias Federais tivessem deixado Rondônia trilhar, por conta própria, seu "caminho de desenvolvimento". Massacre de índios para poder explorar livremente minerais, ouro e diamantes, esgotamento completo e total da madeira nas florestas das áreas de conservação, floresta em pé só nos lugares onde fosse impraticável qualquer atividade econômica...

Segundo a mesma reportagem, "Luiz Claudio lembra que existem vários tipos de formação vegetal no território rondoniense e o plantio de cana não iria aumentar a pressão por desmate, por utilizar-se prioritariamente de áreas degradadas ou sub-utilizadas. Os atuais investimentos em cana-de-açúcar não afetam um milímetro as áreas de florestas altas daquele Estado."

Nesse ponto, o Deputado tem razão. Pega mal uma usina de açúcar e álcool derrubar milhares de hectares de floresta nativa para fazer o plantio de cana. É mais fácil comprar milhares de hectares de terras degradas abandonadas. Dá até para vender a imagem de que a atividade está "ajudando" a reerguer a economia do Estado, que é "ecológica" porque não derruba floresta nativa.

Doce engano. Os que irão vender as tais áreas degradadas, a maioria especuladores ou empreendores rurais fracassados, irão, com toda a certeza, fazer a única coisa que aprenderam a fazer desde que se instalaram naquele Estado: com o dinheiro no bolso eles irão comprar novas áreas de floresta, derrubar (madeira de lei não deve existir mais), plantar uma ou outra coisa, criar gado por um tempo e logo irão à falência novamente. As áreas recém derrubadas logo serão abandonadas e "colocadas" à disposição das usinas de álcool.

O Deputado Federal Rondoniense, Moreira Mendes (PPS/RO) confirma a prática predatória e insustentável dos produtores rurais daquele Estado. Em declaração para o mesmo Diário da Amazônia, ele afirma que "cerca de 38% da área territorial rondoniense está ocupada pela agricultura e a pecuária, sendo que 20% desse total são de áreas degradadas."

É uma "taxa de abandono" superior a 60%, ou seja, para cada hectare de floresta derrubada em Rondônia, cerca de 0,6 foram "deixadas para lá". Isso significa dizer que para cada 1.000 hectres de cana plantada em áreas degradadas em Rondônia, foram destruidas 1.600 hectares de florestas nativas.

Conclusão: o "dinheiro novo" das usinas de açúcar e álcool que estão se instalando em Rondônia irá, sem a menor dúvida, contribuir de forma indireta para a destruição de milhares de hectares de florestas nativas naquele Estado. E a destruição vai acontecer de forma legal ou ilegal, dentro e fora de áreas de conservação, como sempre aconteceu no passado.

O Deputado Estadual Luiz Claudio está, portanto, equivocado na escala de sua conta matemática. Liberado o cultivo da cana, ela avançará muito mais que um milímetro sobre as florestas daquele Estado. Serão centenas de quilômetros. Pena que restam tão poucas.

Crédito da imagem: Altino Machado
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quinta-feira, novembro 01, 2007

AUMENTO DA PRODUÇÃO DE BORRACHA NO ACRE

Política de subsídio para a produção da borracha criada pelo governo do Acre garantiu aumento de 19,33% na produção entre 1999 e 2996

Estudo coordenado pelo professor Rubicleis Gomes da Silva, do Departamento de Economia da UFAC, indica que a implantação da política de subsídio à produção de borracha, estabelecido pelo governo do Estado a partir de 1999, resultou em um aumento de 19,33% na produção. O aumento da produção elevou em 45,12% a receita total da atividade e em 58,74% o excedente dos produtores. A conclusão da pesquisa é de que a política governamental atingiu o objetivo, já que houve um aumento considerável da produção e dos lucros do produtor.

A política de subsídios para a produção de borracha foi implantada no Acre pela Lei 1.277, de 13 de janeiro de 1999. Inicialmente, entre 1999 e 2001, o pagamento foi de R$ 0,40 por quilo de borracha. A partir de 2002 esse valor subiu para R$ 0,60 e em 2003 foi novamente reajustado para R$ 0,70. Entre 1999 e 2006 houve um aumento médio de 49,62% no preço pago ao produtor, levando em conta o preço praticado no mercado. Entre os municípios mais beneficiados com o programa de subsídio destacam-se Rio Branco, com 17,71% do valor investido, seguido por Xapuri, com 14,17% e Sena Madureira com 13,75%.

O programa de subsídio para a produção de borracha no Acre foi uma resposta do governo estadual ao declínio da produção extrativista resultante da extinção do subsídio federal no início do governo Collor, em 1990. O fim do subsídio federal provocou uma crise sem precedentes nas áreas extrativistas do Acre. Uma dos aspectos negativos mais evidentes da crise foi a pressão migratória para os principais centros urbanos do Estado, principalmente a capital, Rio Branco.

Muitos extrativistas que permaneceram na floresta abandoram a atividade para se tornar pequenos agricultores. Entretanto, a dificuldade de escoamento da produção agrícola das áreas extrativistas inviabilizou a permanência da maioria deles em suas propriedades, que foram vendidas para especuladores e fazendeiros. Com isso, vastas extensões de florestas nativas foram rapidamente convertidas em áreas de pastagens, especialmente na região leste do Estado.
Outras áreas, onde os produtores eram mais organizados, foram transformadas em Reservas Extrativistas.

Dados da pesquisa:

Avaliação econômica da política de subsídio sobre a produção de borracha natural no período de 1999 a 2006.
Autores: Joquebede de Oliveira da Silva, Bolsista PIBIC/UFAC/BIOMA e Rubicleis Gomes da Silva, Professor do Departamento de Economia da UFAC

Crédito da imagem: Revista Época
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CACHORRO MORTO

Um ex-Deputado Estadual está vivendo um verdadeiro inferno astral. Condenações diversas na justiça eleitoral, prisão decretada pela justiça comum, depressão, aparência física para lá de horrível. Vi o "Ex" esses dias e tive a impressão que falta dinheiro até para cortar o cabelo... enfim: a coisa tá feia.

A vida é assim mesmo. Quando estava por cima da "carne seca", ninguem tocava no cidadão! Agora que perdeu as benesses do poder, está como aquele cachorro mais bravo da rua, o que era temido por todos os vizinhos: mortinho. E como diz um amigo meu "Cachorro morto, todo mundo chuta"!
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